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sábado, 10 de abril de 2021

The Desolations of Devil's Acre, de Ransom Riggs

Sinopse:

Após os arrepiantes acontecimentos no final do segundo volume, Jacob e Noor encontram-se na casa do avô de Jacob. Confusos e assustados fazem tudo para voltar para perto dos amigos e quando conseguem encontram tudo numa reviravolta. 

E assim, no meio do que parece ser uma guerra civil entre peculiares, Jacob, Miss Peregrine e os amigos vão ter de conseguir decifrar a profecia e tentar salvar o mundo peculiar.

Uma aventura recheada de momentos empolgantes e muita emoção.


Opinião:

Neste volume, a narrativa voltou a virar-se para algumas das personagens dos livros anteriores, em especial do volume Biblioteca de Almas. É como que uma extensão dos acontecimentos narrados nesse volume e isso foi feito com grande mestria. 

O autor mostra-se bastante ousado em criar um ambiente absolutamente terrível, cheio de momentos empolgantes, com uma história com um rumo um tanto diferente do que poderia parecer nos dois volumes anteriores. Conseguiu tornar a história um pouco mais sombria ainda e deu a Jacob um papel que nunca esperei e que muito me arreliou, porque foram momentos de muita emoção. 

Jacob torna-se um absoluto líder dos peculiares no geral. Agora, mais do que narrador e amigo, é também uma peça crucial no puzzle para deter a ameaça ao mundo peculiar e também ao mundo não-peculiar. As decisões que ele teve de tomar são muito complexas e isso fez com que a leitura ainda se tornasse mais viciante. E continua a ser um narrador único e peculiarmente fantástico. Foi um devorar de páginas! 

Gostei muito da forma como todas as personagens têm o seu momento especial, o seu momento de força e relevância. Gostei em especial da forma como Enoch se revelou algo mais do que aquilo que parecia ser nos outros volumes (se bem que o seu desenvolvimento a nível da complexidade começou bastante em A Map of Days) e de como deixou de lado a sua maneira de ser sarcástica e até desconfortável para com alguns dos outros membros do grupo, mostrando muita coragem, bravura e amizade. Também Hugh mostrou muita coragem, bem como outros membros do grupo. Há ainda bastantes personagens novas que também se revelam muito importantes para a história. 

Mais momentos emocionantes, com muita ação, suspense, mistério, um toque de romance e amizade, são alguns dos ingredientes que fazem parte desta história. Também houve momentos de guerra, que tornaram a história ainda mais empolgante. E momentos de extrema doçura. 

Em suma, uma história muito bem escrita, com um narrador maravilhoso que dá tudo de si à história e que ajuda a torná-la numa obra prima. Sem dúvida, uma das melhores sagas de Fantasia! Recomendo totalmente.

NOTA (0 a 10): 10 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

The Conference of the Birds, de Ransom Riggs

Sinopse:

Jacob e os amigos veem-se novamente numa aventura no mundo peculiar, agora ainda mais assustadora do que a do volume anterior. 

Depois da fuga dos prisioneiros do ataque à Biblioteca de Almas, as ymbrynes tentam criar várias medidas para salvar a forma de vida dos peculiares, incluíndo tentar descobrir quem está por detrás dos ataques aos peculiares. 

Muita ação e mistério neste quinto volume da saga! 


Opinião:

Assim que terminei a leitura do primeiro volume, A Map of Days, tive de pegar logo neste porque o entusiasmo era imenso, depois de um final estrondoso. 

Neste volume, Jacob e os amigos estão novamente rodeados de aventuras mais sombrias e perigos mais estranhos do que no volume anterior, uma vez que a história volta a tornar-se um tanto mais sombria (tal como tinha acontecido nos volumes anteriores). 

O narrador continua a ser Jacob, que continua num registo muito sarcástico em relação ao que o rodeia e ao desenrolar dos acontecimentos,

Gostei muito da forma como a história se desenvolveu e como as emoções foram crescendo com cada virar de página. Neste volume, a história adensa-se mais. Existem momentos de grande ação, com a ação a passar-se entre Inglaterra e Estados Unidos. A narrativa continua muito bem estruturada e os acontecimetnos estão sempre a modificar a um ritmo frenético. É uma autêntia loucura de emoções! Simplesmente fantástico!

Também as personagens continuam a densenvolver-se bastante, em especial alguns dos membros do grupo de Jacob. O romance também começa a despertar com grande intensidade entre várias das personagens.Jacob descobre novamente o amor, de um modo bastante interessante e carinhoso. Outro aspeto que me agradou bastante foi Miss Peregrine ter aparecido mais, mesmo nos momentos de emoção e perigo vividos pelas personagens. 

Em suma, mais uma excelente aventura que todos os que gostam de histórias cheias de ação e emoção vão gostar imenso! Recomendo totalmente!

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 7 de abril de 2021

A Map of Days, de Ransom Riggs

Sinopse:

Depois dos acontecimentos passados nos livros anteres, Jacob Portman continua a ser o narrador das várias aventuras das crianças peculiares. Tendo A Biblioteca de Almas terminado de modo bastante interessante, A Map of Days (ainda não há traduzido para Português) começa exatamente um pouco depois desses acontecimentos. Neste volume, Jacob e os amigos encontram-se perante o desejo de conhecer mais sobre o avô de Jacob e sobre o que aconteceu nos Estados Unidos, em relação às crianças peculiares e às ymbrynes (uma vez que os livros antererios são passados especialmente na Grã-Bertanha). 

Opinião:

Mais uma fantástica aventura passada neste universo peculiar criado pelo autor! Depois de ter lido algumas opiniões não tão favoráveis, confesso que estava um pouco receosa em relação à leitura deste livro, uma vez que gostei muito dos anteriores e tinha muitas expectativas para este também. Porém, todo o receio não tinha razão de ser, pois a história é igualmente fantástica, se não for ainda melhor do que a anterior! 

Este é, sem dúvida, o quarto volume da saga, sendo que considerar os anteriores como trilogia pode não estar correto. Sim, este poderia ser o começo de uma nova trilogia, mas acho que isso não faz muito sentido. Este é o quarto volume da saga. E que volume! Jacob continua a ser um narrador impecável, cheio de carisma, muito engraçado e perspicaz. Ele narra de um modo bastante forte, muito pessoal e cheio de sentimento, mas também de um modo um tanto humorístico, pois consegue ser bastante acutilante em alguns momentos. E por causa da fluidez com que Jacob narra a história, também é possível ler o livro muito rapidamente, o que fiz por não fazer, pois quis prolongar a leitura por gostar muito. 

Neste volume, Jacob tem como principal tarefa ajudar os amigos peculiares a tornarem-se mais como adolescentes dos tempos modernos, ajudando-os na escolha de roupas, no treino de comportamentos em locais públicos modernos e até na forma de falar. Esta é a primeira e principal tarefa dada pela Miss Peregrine a Jacob, mas que cedo começa a tornar-se numa tarefa secundária, pois o que ele mais quer é descobrir um antigo amigo do avô para saber mais sobre a história do avô, uma vez que ele próprio quer fazer parte da história do mundo peculiar. Assim, as aventuras vão surgindo uma atrás da outra, o que me agradou imenso, pois revela um excelente dinamismo e muita emoção. 

Gostei muito de reencontrar as personagens. Aprendi a gostar também de algumas das personagens que talvez não tinha achado tão interessantes nos livros anteriores, mas isso deveu-se ao desenvolvimento que mostraram ter neste volume. Houve outros aspetos que também se revelaram importantes para o desenrolar dos acontecimentos que foram um pouco mais complicados, mas que revelam a maturidade das personagens, o que também é importante para o crescimento da obra em si. 

As aventuras, que parecem ao início ser até simples, começam a tornar-se cada vez mais perigosas e até assustadoras, o que também é interessante. 

O ritmo da leitura é sempre constante, uma vez que a narrativa fluí com extrema facilidade e emoção. Não existe um único momento "parado", o que é excelente! 

Em suma, recomendo totalmente a todos os que leram os volumes anteriores. A quem não leu os volumes anteriores e esteja curioso ou curiosa, recomendo que os leia. Muito bom! 

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Biblioteca de Almas, de Ransom Riggs

Sinopse:

A aventura que começou em O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares e que continuou em Cidade Sem Alma chega agora a uma emocionante conclusão em Biblioteca de Almas. Jacob Portman, o herói que viajou no tempo para encontrar as crianças peculiares, explora a sua peculiaridade e descobre um poder até então desconhecido.

Acompanhado de Emma Bloom, a rapariga que consegue produzir fogo com as mãos, e Addison MacHenry, um cão capaz de localizar qualquer peculiar, parte numa viagem ao passado para tentar salvar os seus amigos peculiares... e o futuro de todos eles. (in Goodreads)


Opinião:

Mais um fantástico livro e para final de trilogia, não podia ser melhor. Confesso que demorei mais tempo a lê-lo porque tentei fazer render os minutos em que estava a ler as aventuras de Jacob e dos seus amigos peculiares na luta contra os errantes e os sem-alma. Apesar de toda a curiosidade para saber o final, apesar disso tudo, tentei fazer render e consegui. Foi com alguma relutância que o pousei e isso significa que esta história foi das melhores que li até agora. 

Neste volume, Jacob e os seus amigos peculiares continuam à procura da sua professora e de uma forma de acabar com os errantes e os sem-alma, de modo a não permitir que estes tomem conta do mundo peculiar, com as suas ideias arcaicas e horríveis para com os peculiares, e, no fundo, para com os humanos no geral, uma vez que o seu desejo é aproveitar-se dos seus poderes para se impor aos humanos e assim governar pelo poder e força. 

Mais uma vez, o autor presenteia-nos com um grande elenco de personagens. Neste volume aparecem algumas personagens bastante interessantes e fulcrais para a história, como os irmãos da senhora Peregrine, que vão dar uma reviravolta gigante na história toda. Mas eles são apenas um exemplo, porque há muitas outras personagens novas. Jacob e os amigos continuam a ser maravilhosos. 

Os conflitos e dilemas entre o que fazer e como vão aqui intensificar-se, fazendo com que a narrativa se torne um pouco mais complexa. Também há uma maior detalhe em determinados factos que exploram e dão corpo ao universo criado pelo autor. Existem aspetos únicos da criação de Riggs que só aparecem neste volume e que respondem a todas as questões que o leitor pode ir fazendo ao longo da leitura dos livros todos. Riggs escondeu tudo, praticamente, para o final, e fê-lo com grande mestria! Sublime! 

As fotografias continuam a ser uma constante da obra, transmitindo uma beleza e sensação única ao longo da leitura.

Em relação à narrativa em si, esta é mais densa, mais sombria e mais assustadora, o que só faz com que ainda seja melhor e mais emocionante. Existem momentos de grande emoção, derivado do suspense criado. Excelente!

Gostei muito, muito, muito da forma como o autor conduziu a história, indo a todos os detalhes e criando uma narrativa rica, complexa e cheia de peculiaridades. Gostei do rumo da história e de como terminou. Não havia outro final possível, pelo menos nenhum que abarcasse tudo o que se passou durante a trilogia inteira. Acho que foi a melhor opção e que permitiu concluir, sem fechar mesmo o ciclo. Se ele quisesse, poderia fazer outra história a partir daqui, outra trilogia até! Já tenho o livro Tales of the Peculiar, uma antologia de contos que aparece na trilogia, citado por uma das personagens e que serve de apoio às personagens em diversos momentos da trama. 

Mais uma leitura fantástica e um autor a seguir! Recomendo sem reservas e espero que gostem tanto como eu. 

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Cidade Sem Alma, de Ransom Riggs

Sinopse:

Jacob Portman chegou ao Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares em busca de respostas para a misteriosa morte do seu avô - mas encontrou ainda mais mistérios...

Depois de viajar no tempo até 1940, Jacob conhece as crianças peculiares - rapazes e raparigas com poderes sobrenaturais -, e a senhora Peregrine, que toma conta delas e as protege das criaturas que parecem determinadas a exterminá-las. 

Quando o lar é destruído e a senhora Peregrine fica em perigo, Jacob, com os seus recém-descobertos poderes, junta-se ao seus novos amigos para tentarem salvá-la.

Contudo, as ruas de Londres durante a Segunda Guerra Mundial não são nada seguras para um grupo de crianças sozinhas...

A aventuras d'O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares continua em Cidade sem Alma, onde Jacob e os seus amigos têm de enfrentar desafios inimagináveis para se salvarem. (in Goodreads)


Opinião:

Assim que terminei o primeiro, peguei logo no segundo. E este foi outra excelente leitura, super emocionante e recheada de adrenalina. O autor mantém sempre o mesmo nível de acontecimentos bizarros, aventuras loucas e dilemas relativamente banais que se misturam com outros de uma importância extrema para os diversos rumos da trama. Ou seja, outro livro espetacular! 

Neste livro as personagens continuam a ser fantásticas e todas elas continuam a dar o seu contributo único para a narrativa. Jacob e Emma têm aqui um papel ainda mais de destaque, uma vez que a história vai por caminhos onde eles aparecem em mais momentos em relação a outras personagens. Também há um maior número de errantes e sem-alma que aparecem neste volume, bem como outras personagens bastante interessantes, como é o exemplo do cão falante, Addison. 

Quanto à história, esta difere um pouco da primeira, uma vez que o cenário dos acontecimentos muda e a luta contra as forças dos errantes aumenta de tom, tornando-se num acontecimento extremamente violento e aterrados. O grupo de Jacob parte em busca da sua professora, desta vez por Londres e à procura de variadas pistas e possíveis ajudantes para a sua demanda. Continua a ter um enredo muito bom, repleto de aventura, ação, mistério e momentos de grande suspense, bem como algum romance. A relação de Jacob e Emma vai-se adensando, o que também é bonito de ser acompanhar.

Gostei da forma como o autor foi entrelaçando e desatando os variados acontecimentos que cria, de modo subtil mas grandioso. A escrita continua super fluída e muito rápida, fazendo com que o leitor leia o livro muito rapidamente. 

Ao longo da narrativa é possível constatar também a alegoria criada pelo autor em relação com os acontecimentos da história e a Segunda Guerra Mundial. Enquanto conta uma história inventada, Riggs consegue fazer uma analogia excelente entre a sua narrativa e alguns acontecimentos desse período negro da nossa História. Os errantes disfarçados de nazis, as experiências criadas por eles, o seu próprio propósito de governar o mundo, são uma forma interessante e inteligente de criar uma metáfora entre as duas "realidades". Tal já estava presente no livro anterior, mas neste é ainda mais visível. 

As fotografias continuam a ser uma maravilha e a criar uma atmosfera única.

Assim, este foi mais um excelente livro da trilogia! Recomendo vivamente! Muita ação, mistério e romance, com momentos de grande tensão e emoção. Sem dúvida, uma lufada de ar fresco.

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 22 de julho de 2018

O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs

Sinopse:

Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada e uma estranha coleção de fotografias peculiares. 

Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de 16 anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do Lar para Crianças Peculiares, criado pela senhora Peregrine.

Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas...

Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e dos aqueles que apreciam o suspense. (in Goodreads)



Opinião:

Há alguns anos que tinha este livro na lista de desejos. Quando vi o filme fiquei um bocadinho na dúvida, porque estava à espera que fosse mais assustador ou estranho, em especial porque era realizado pelo Tim Burton, um dos meus realizadores favoritos. Assim, o livro foi ficando na lista e outros foram aparecendo. Mas finalmente decidi apostar nesta história e fiquei completamente viciada na história. É muito muito melhor do que o filme, não há comparação possível!

Personagens cativantes e cheias de personalidade foi o que mais me prendeu à história, a par da magnifica e intricada forma do autor criar situações sempre alucinantes e que me prenderam totalmente ao longo do livro. Quando terminei este tive de ler os outros dois de seguida e isso já não me acontecia há algum tempo com sagas, trilogias e por aí (com os livros todos editados por cá). 

A senhora Peregrine é a alma da história. A professora e senhora da Casa para Crianças Peculiares é fantástica. Altiva, inteligente, justa e muito engraçada (quando quer), consegue dar apoio a todos os peculiares de quem toma conta e ensina. 

Os peculiares ao cuidado da senhora Peregrine, crianças com capacidades únicas e cuja sociedade só os ia ostracizar, vivem todos na Casa, num vórtice temporal criado pela professora, em que estão seguros naquele dia para todo o sempre. Não envelhecem dentro do vórtice, mas se dele saírem poderão envelhecer todos os anos de uma vez ou em alguns dias. E vivem dentro do vórtice para estarem a salvo dos errantes e dos sem-alma, os grandes vilões da história e que querem dominar o mundo com os seus poderes. 

E depois, Jacob Portman, o extraordinário narrador da história. Cheio de carisma e sarcasmo, Jake tem um humor fora de série e bem interessante. É o único narrador que a história podia ter e consegue dar forma a toda a história de um modo único e que a torna ainda mais cativante. É muito fácil ficar encantado por ele e querer acompanhar as suas aventuras no mundo dos peculiares. Jacob descobre que é peculiar depois de vários acontecimentos e é acolhido pela professora. E também por Emma,  uma das peculiares, que se apaixona por ele. 

A história é muito boa. Cheia de mistério, ação e momentos de cortar a respiração, este primeiro livro oferece ao leitor uma história que se lê de uma só vez, praticamente, tal não é a emoção que transmite. Jacob narra o que vai acontecendo de um modo muito fluente, cheio de vida e de detalhe, que faz com que o leitor se sinta dentro da história. Existem momentos de puro terror, muito bem narrados, que levam-nos para um ambiente muito arrepiante, mas também há momentos de pura ternura e carinho. Tem todos os ingredientes que uma boa história deve ter, todos bem unidos por personagens fortes e complexas, bem como por uma narrativa apaixonada e que nos enche de emoção. 

As descrições são todas elas muito vividas e bem enquadradas (mais uma excelente faceta do narrador), permitindo mais uma vez ao leitor a capacidade de se infiltrar no enredo. 

É uma história de mistério, aventura, romance, fantasia e humor, onde a unidade e o trabalho em equipa são a chave para a resolução dos problemas, tal como o amor. 

O próprio livro é muito belo, com um design único e muito elaborado. As fotografias vintage que o acompanham e dão forma ao mundo peculiar criado pelo autor também são cruciais para criar um ambiente fantasmagórico e etéreo que se entranha no leitor à medida que este avança pela história. 

Confesso que me surpreendeu, porque depois do filme não estava à espera de ficar apaixonada pela história. Mas fiquei! Apaixonei-me por este peculiar história que recomendo vivamente a todos os que gostam de um bom livro, cheio de mistério e aventura, juntamente com uma dose de romance e amizade. 

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

I'm the King of the Castle, de Susan Hill

Sinopse:

Numa casa rural inglesa, um rapaz de nome Edmund Hooper vê o seu domínio ser dividido com outro rapaz, Charles Kingshaw, da mesma idade, cuja mãe vai trabalhar como governanta para a casa. Ambos com um feitio muito teimoso, logo começam a brigar pelo espaço e pelas atenções, com Edmund a começar o ataque a Charles assim que vê algumas fragilidades no rapaz. Assim, a luta de personalidades começa e toma conta da história.


Opinião:

Ainda não tinha lido nada da autora, apenas tinha visto o filme A Mulher de Negro (adaptação do livro de Susan Hill). Tendo em conta o género do filme/livro e também da sinopse deste livro achei que tinha aqui um livro com um enredo um tanto assustador ou de suspense. Pois bem, houve momentos em que isso pareceu possível, mas não passaram disso: possibilidades. Assim, uma história que podia ter tido momentos de grande emoção e que podia ter sido conduzida, a meu ver, de um modo mais interessante e poderoso, ficou-se por uma história sobre dois rapazes que passam o tempo a fazer bullying um ao outro. Porque este livro é única e exclusivamente sobre bullying e nisso está interessante.

Gostei das descrições dos espaços e da forma como a história é conduzida, mas não gostei muito das personagens. Não houve nenhum desenvolvimento emocional, nem em Edmund nem em Charles. Ambos continuaram os mesmos, depois de tudo o que passaram naqueles tempos. E, verdadeiramente, não há um motivo assim tão grande para um ódio tamanho...mas isso é habitual nestes casos. Não há motivo absolutamente nenhum para a existência de bullying.

No início estava a gostar muito, mas depois o enredo quase que para e fica um tanto sem alteração e isso é um pouco maçador. 

Não posso dizer que tenha compreendido melhor o lado de Charles ou o de Hooper, porque não me consegui apegar a nenhuma das personagens. A dado momento, existem diálogos interiores das personagens que estão sempre a repetir a mesma coisa e isso torna-se um bocado irritante. Não quero referir muito mais sobre as atitudes e comportamentos das personagens, senão estaria a contar demais e não o quero fazer...mas a parte final foi a mais densa. De um livro que se esperava um tanto com contornos obscuros e de suspense, esse foi o único momento, pelo menos o de maior tensão. 

Em relação às outras personagens não posso dizer que tenha ficado encantada com nenhuma, se bem que o amigo de Charles, que aparece mais para o final, pareceu-me a personagem mais interessante. Não gostei muito dos pai de Edmund nem da mãe de Charles, pois pareceram-se deveras ausentes e despreocupados.

Em suma, gostei do ambiente que a autora criou (a casa, o bosque...) porque a atmosfera está muito bem conseguida, mas esperava mais, principalmente por causa disso...a meu ver o contexto da história podia ter sido muito mais explorado e muito mais expandido. A casa e o bosque mereciam uma história e personagens melhores. As personagens não ajudaram muito e, como não houve grande evolução psicológica ou comportamental, isso fez com que a narrativa não evoluísse, mesmo que acabasse com o mesmo final. É livro interessante para debater temas sérios, como o bullying, e vale por isso.

NOTA (0 a 10): 5

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O Mistério de Charles Dickens Parte I, de Dan Simmons

Muitos são os livros que abordam o mistério de Edwin Drood e Charles Dickens, e decidi conhecer mais sobre este tema através da leitura deste volume, que me disseram ser excelente e de um bom autor. Portanto, posso começar por referir que foi uma leitura interessante.



Sinopse:

A 9 de junho de 1865, quando viajava para Londres de comboio com a sua amante secreta, Charles Dickens – no pico da fama como o mais genial romancista do mundo – é vítima de um acidente que muda a sua vida para sempre. Obcecado com visões de um homem de nome Drood que avistara no local do acidente, inicia uma vida dupla onde se dedica à investigação de cadáveres, criptas, ópio e fantasmas e torna-se frequentador dos subterrâneos de Londres a que chama “a sua Babilónia”. Mas será tudo isto uma mera pesquisa para o seu próximo romance ou uma descida aos infernos da insanidade? Baseado nos detalhes históricos da vida de Charles Dickens narrados por Wilkie Collins, outro grande escritor da época – bem como amigo, colaborador de Dickens e também seu grande rival –, Dan Simmons explora os mistérios em torno dos últimos anos da vida de Charles Dickens e poderá providenciar a chave para o seu último romance inacabado: O Mistério de Edwin Drood. (in Saída de Emergência)


Opinião:

Para primeira impressão em relação à escrita do autor afirmo que gostei, uma vez que existe um humor bastante peculiar ao longo de toda a narrativa, sendo que o narrador, Wilkie Collins, também foi bem caracterizado e é cheio de personalidade, acabando por tornar-se facilmente na minha personagem favorita.

Gostei da forma sem tabus com que o autor apresentou as personagens, que são figuras reais, do âmbito literário da época, e de grande renome. A maneira como estas personagens são apresentadas, como interagem entre si e como atuam durante o enredo é deveras interessante e também é uma forma de o leitor ficar a conhecer um pouco da sua vida e dos seus relacionamentos, mesmo que de uma forma um tanto romanceada.

Achei as personagens interessantes, complexas, principalmente as principais. Gostei de Wilkie Collins, como já referi, e também gostei de Dickens, mas confesso que esta visão do autor em relação a Dickens, desmistificou um pouco a ideia que tinha de Dickens. A constante dúvida em relação à sanidade de Charles Dickens e à sua conduta são ingredientes muito presentes no enredo, que vão contribuir para o mistério em volta de Drood. Também gostei da relação entre Collins e o inspetor da polícia...aquela duplicidade é interessante.

Drood é uma personagem de um dos livros de Dickens: Edwin Drood. E toda a relação e mistério à volta da existência real ou ficcionada desta personagem na vida de Dickens está muito conseguida, e este é de facto um dos maiores mistérios do enredo, que espero que tenha uma resposta. É aqui que reside todo o enredo, pelo menos por agora.

No entanto, quanto ao enredo, estava à espera de algo mais...principalmente a nível do mistério e suspense que estava à espera de encontrar. Talvez por o livro estar dividido em dois é possível que a melhor parte tenha ficado reservada para o segundo volume, espero eu, porque nesta metade não encontrei aquele ambiente denso de mistério. Acabei por encontrar, durante a maior parte da história, uma alegre e sarcástica descrição/relato de situações do quotidiano das personagens. Houve alguns momentos muito bem conseguidos e deveras interessantes, em que consegui ficar submergida naquele ambiente de suspense, em especial nas cenas em que Drood aparece, bem como o Outro Wilkie. Ora, uma vez que isso aconteceu algumas vezes, e em especial na parte final desta parte, vou ficar na expectativa que a segunda parte promete ser recheada de momentos de suspense e mistério, que é o que eu estou à espera, tendo em conta o título do livro e a sua premissa, bem como todo o ambiente gótico, que só uma história vitoriana consegue, que lhe está subjacente, o que está muito bem conseguido.

Não posso referir muito mais, senão estarei a dar pistas e conjeturas, e isso, neste género de história, não soa muito bem. 

Em suma, gostei desta primeira parte, mas espero que a segunda seja melhor, mais frenética e menos descritiva no que refere ao quotidiano social das personagens...ou seja, mais mistério e suspense é o que espero da segunda parte desta história.

NOTA (0 a 10): 8

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"O Terceiro Gémeo", de Ken Follett

Sinopse:

A cientista Jeannie Ferrami, especialista em gémeos e nos componentes genéticos da agressão, faz uma descoberta espantosa. Recorrendo a um banco de dados do FBI, descobre dois homens que parecem ser gémeos verdadeiros: Steve, estudante de direito, e Dennis, assassino condenado. No entanto, nasceram em dias diferentes, de mães distintas, em hospitais separados por centenas de quilómetros.

Que segredo terá ela desvendado? Poderá confiar no seu chefe e mentor, ou terá de pôr a sua vida nas mãos de Steve Logan, o gémeo por quem se apaixona, apesar de ele estar envolto em intriga e suspeita? Uma coisa é certa: não há nada que faça certas pessoas deixar de conspirar na sombra…

Opinião:

Aqui está um thriller brilhante. Foi o primeiro livro de Ken Follett que li. Já há algum tempo que acalentava a expectativa de saber como era a escrita deste famoso autor que tanta fama tem. Pensei começar pelos Pilares da Terra, mas não consegui ficar devidamente curiosa; depois pensei naqueles da guerra, A Queda dos Gigantes e o O Inverno do Mundo, no entanto, devido ao seu tamanho e preço (e alguma falta de curiosidade total) também não apostei.
Depois comecei a observar os seus thrillers. Comecei por observar O Estilete Assassino, aquando da sua publicação portuguesa. E foi então que me recomendaram O Terceiro Gémeo (credits: Daniel Gonçalves).
Sendo assim comecei a lê-lo.

Gostei muito. Tem um enredo muito interessante, a escrita é fluída e bem estruturada. É fácil de ler, empolgante e inteligente. Não tem uma resolução nem acontecimentos previsíveis (o que é do meu apreço) e as personagens estão bem construídas.
O tema também é bastante interessante e sempre curioso. Clonagem, crimes, politica, interesses, paixão, mistério e intriga são os principais ingredientes desta obra que me deixou bastante satisfeita. Para estreia, foi muito bom!

Não vou aqui contar muito mais sobre o enredo para não spoilar ninguém, pois este é o género de livro que não se deve dar muito a conhecer para que haja prazer na sua leitura. Confesso que até gosto de saber aspetos futuros das histórias (antes de sair o Harry Potter 7 em Portugal já sabia vários pormenores; também com as Crónicas de Gelo e Fogo aconteceu o mesmo), no entanto, em thrillers e mistérios não tem tanta graça saber o final ou as peripécias, pois o que tem mesmo interesse é a surpresa. Afinal, é isso que espero com cada livro que leio: que me surpreenda!

Sendo assim, recomendo este livro a todos, especialmente àqueles que gostam deste género literário. Uma leitura fluída, surpreendente e inteligente! 

NOTA (O a 10): 8

sábado, 6 de outubro de 2012

"O Príncipe da Neblina", de Carlos Ruiz Zafón

Depois de um momento de indecisão face à compra deste livro ou de "Marina", do mesmo autor, optei por comprar este. Já há bastante tempo que o tinha na minha wishlist, desde que foi publicado em português, mas ainda não tinha decido apostar na sua compra. A semana passada decidi fazê-lo.

O primeiro livro que li deste autor foi "A Sombra do Vento", que é soberbo. Por isso, sei que vai ser difícil conseguir ler outro livro do autor que se possa comparar à Sombra do Vento ou até ultrapassar. É raro tal acontecer, mas não é impossível. Contudo, ainda não consegui ler outro livro de Carlos Ruiz Zafón que ultrapasse a Sombra do Vento. E este não foi excepção.

Com um enredo interessante e misterioso, Zafón leva-nos a uma visita a uma aldeia na costa atlântica sul da Inglaterra, durante os tempos da 2ª Grande Guerra.

O livro inicia-se com com um prefácio muito bonito, em que o autor escreve sobre si mesmo e sobre o amor aos livros e à leitura e depois começa a narrativa. A história passa-se no verão de 1943. Maximilian Carver, pai de três filhos, Alicia, Max e Irina (por ordem do mais velho para o mais novo), decidi mudar-se para uma aldeia distante da cidade com a sua família de modo a fugir da guerra. Maximilian, a esposa e os filhos partem para a aldeia, para uma casa na praia que tinha sido construída por um rico cirurgião e a sua esposa, mas que tinham tido a infelicidade do seu filho, Jacob, morrer afogado na praia. A casa, abandonada à mais ou menos uma década, passa assim a ser a casa da família Carver.

"Esse é um caminho que cada um de nós deve aprender a percorrer sozinho, rogando a Deus que o ajude a não se perder antes de chegar ao fim. Se fôssemos todos capazes de compreender no princípio da nossa vida isto que parece tão simples, grande parte das misérias e desgraças deste mundo não se chegaria nunca a verificar."

Assim que chegam à estação, Max sente que algo de errado se passa ali. O relógio da estação não funciona bem: os ponteiros andam para trás. E, como que à sua espera, está um gato que decide travar conhecimento com Irina, que logo quer adotar o animal.

Quando chegam a casa, e depois de a limpar e dar alguns retoques, a família sente-se bem no local. Max, ao olhar por uma das janelas, descobre um bosque e um espaço que parece ser um jardim. Decidi explorar o jardim e deparasse com um cenário macabro: um jardim de estátuas de pedra, que formam uma estrela de seis pontas e cujo elemento do centro é um palhaço. O mais arrepiante de tudo é que o palhaço se move, muito devagarinho. Max logo fica apavorado, mas outra descoberta está para se realizar. Max conhece Roland, um rapaz mais velho que está prestes a ir para a guerra. Roland e Max tornam-se amigos e o rapaz mais velho convida Max para ir mergulhar, junto do barco afundado, Orpheus.


O pai de Max, numa das limpezas, descobre uma caixa de filmes e um projetor e decide fazer uma sessão de cinema. Quando o filme começa, depressa percebem que não vão ver filme nenhum famoso: é um filme amador, filmado por alguém que está no jardim de estátuas de pedra. E as estátuas estão todas numa posição diferente da que Max tinha visto aquando da sua exploração.
"Sem demora, Roland agarrou no rosto de Alicia e, pousando os seus lábios sobre os dela, expirou na sua boca o ar que lhe restava..."

Um mistério enorme, onde nem tudo é o que parece; uma amizade forte que vai levar a um final arrepiante, e acima de tudo um amor que vai fazer com que tudo mude.

Max, Roland e Alicia tornam-se amigos, mas o que eles não sabiam é que há mistérios demasiados profundos para serem desvendados e histórias que não podem ser esquecidas.

Recomendo a todos os fãs de Carlos Ruiz Záfon e a todos os leitores em geral. Este é um excelente livro para um público mais jovem, apesar de ser indicado para todas as idades!

Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 4 de setembro de 2012

"O Jogo do Anjo", de Carlos Ruiz Zafón

O segundo livro de Carlos Ruiz Zafón que eu leio. 
 
Decidi apostar nos livros da história iniciada em "A Sombra do Vento" porque a escrita do autor e o próprio enredo são bastante cativantes.

Em "O Jogo do Anjo", a personagem principal é David Martín, um homem jovem, jornalista e escritor. O livro começa com David a fazer uma breve introdução sobre como é que ele começou a escrever histórias e sobre como a sua vida mudou desde que o seu editor lhe deu autorização para escrever uma história para publicar no jornal.
David, sempre debaixo da asa de Pedro Vidal (um homem de Letras, com o grande objetivo de escrever um soberbo livro, muito rico e pertencente a uma nobre família de Barcelona), segue assim os passos iniciais dos escritores. David conta a sua infância e como o seu amor pelos livros começou. De uma forma muito franca conta como a sua infância terminou e o deixou à porta daquela redação de jornal onde trabalhou até quase aos vinte anos e como foi ajudado por Pedro Vidal desde pequeno.
As histórias policiais e misteriosas de David cedo começaram a fazer sucesso e os seus colegas, invejosos, deixaram de lhe falar e mostraram-se hostis para com ele. Só Pedro Vidal e o editor o continuaram a ajudar.
Mas cedo chegou a noticia do despedimento e David não sabia o que fazer. Então, Pedro Vidal contou-lhe que quem o tinha feito perder o emprego tinha sido ele mesmo para assim ajudá-lo a encontrar uma editora que lhe publicasse os livros. David começou a trabalhar com o nome de Ignatius B. Samson e escreveu uma história em fascículos, intitulada "A Cidade Maldita".

O que David não sabia era que um estranho homem, que ninguém conhecia, andava atrás dele para lhe fazer um misterioso pedido. Já desde os tempos das histórias do jornal que várias eram as cartas que o homem lhe enviava, mas daí até David ter conhecimento do desejo do homem corre muita tinta.
David é apaixonado por Cristina, a filha do motorista de Vidal. Cristina também sente afecto por David, mas ambos sabem que tudo devem a Vidal, e mais cedo ou mais tarde a cobrança e David sabe que não pode ficar com Cristina.

Tudo se passa em paralelo com a família Sampere, o avô e o pai de Daniel entram na trama e são de grande importância. O Cemitério dos Livros Esquecidos também é fulcral. E aparece Isabella, a mãe de Daniel, que tem um papel muito interessante e talvez o meu favorito.

Numa visita por uma Barcelona dos anos vinte e trinta, David persegue uma história e uma vida onde nada é o que parece e ele não sabe nada. Uma casa misteriosa onde habita um segredo muito escuro, uma história já vivida por outro homem a quem David está ligado sem imaginar, uma história de polícia e de assassínios misteriosos que não se sabe quem os comete, uma perigosa jornada pela possível loucura de um homem que vivera na casa onde David habita e pela qual sente desde pequeno uma enorme atração.

Uma história de suspense, mistério, traição, amor e paixão. Uma história que mais parece saída de um filme do que de um livro e que devia ser adaptada ao cinema.

Um desenlace misterioso onde muita coisa fica em aberto e que talvez possa ficar mais claro em "O Prisioneiro do Céu", o terceiro volume, publicado há pouco tempo em Portugal e que já vai na 3ªedição, onde Daniel Sampere o o seu amigo Fermín voltam para percorrer uma história que espero ser tão boa ou melhor do que esta, apesar de achar difícil ultrapassar a de "A Sombra do Vento", que na minha opinião é mais belo do que "O Jogo do Anjo".

Recomendo a todos os leitores que gostam de Zafón, e penso que é melhor ler primeiro "A Sombra do Vento" apesar de "O Jogo do Anjo" ser cronologicamente antes dos acontecimentos passados em "A Sombra do Vento". A escrita continua soberba e a forma como Záfon descreve o que vai acontecendo a David é espetacular, num estilo por vezes frenético, em especial na parte final.
Quanto a uma definição de género, talvez o suspense/romance. Tem muitos pontos de loucura e até alguns laivos de terror, com cenas onde não é possível definir o que é real ou não na "mente" de David ou em toda a sua história. Um estrondoso thriller romântico.

Nota (0 a 10): 9,5

terça-feira, 28 de agosto de 2012

"A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Zafón

Depois de muita curiosidade sobre este livro e depois de várias conversas sobre ele, decidi compra-lo e lê-lo.
Tenho a dizer, primeiro, que este é um livro muito especial, muito enigmático e muito, mas muito bom.
Não sei porque é que ainda não fizeram um filme baseado no livro, ia ficar espetacular.

"A Sombra do Vento" tem uma escrita poética e muito bonita, onde o que é dito, uma simples descrição de um ato banal, é feito de uma forma melodiosa e cheia de "sabor". A prosa é soberba, os termos e conceitos fabulosos e extremamente bem escolhidos e colocados. As frases desenham imagens, quadros, a cores. O livro é como uma grande pintura. A escrita de Carlos Ruiz Zafón assim o faz. Fabuloso!

O livro conta a história de como um livro pode ser um passo para o desconhecido, para algo tremendamente misterioso e perigoso. Daniel Sempere vive com o pai por cima da loja de livros que lhe pertence. Depois da guerra civil espanhola houve um grande surto de cólera e uma das vitimas foi a mãe de Daniel. Uma noite, quando Daniel tinha 10 anos (quase 11), o rapaz acorda a chorar por não se lembrar da cara da mãe. O pai, para o acalmar, promete-lhe mostrar algo que ele nunca viu e que é segredo. E nesse mesmo instante leva-o ao Cemitério dos Livros Esquecidos, um local misterioso que alberga todos os livros que foram esquecidos pela Humanidade. O pai diz-lhe que ele tem de escolher um livro e tornar-se seu guardião. Daniel escolhe "A Sombra do Vento", um livro que ele depressa lê e fica maravilhado. Daniel quer mais livros de Julian Carax, o escritor do livro, mas depressa fica a saber que todos os livros (poucos) que o escritor escreveu foram queimados e que alguém anda constantemente à procura de mais livros de Carax para queimar. Daniel fica intrigado e começa a perguntar-se cada vez mais sobre este misterioso escritor. Certa noite, Daniel é perseguido por um homem estranho, que tem um nome de umas das personagens do livro, que lhe propõe a compra do livro, para queimar. Daniel diz que vai à procura do livro, mas na verdade decide esconder o livro de novo do Cemitério dos Livros Esquecidos.
Daniel não desiste de saber mais sobre Carax e com ajuda do seu amigo Fermín e de outras personagens, incluindo a rapariga por quem ele se apaixona, Beatriz Aguilar, irmã do seu melhor amigo Tomás Aguilar, Daniel vai viver uma verdadeira aventura em busca da verdadeira história de Julian Carax e daqueles que viveram perto dele. O que Daniel não sabia era que se estava a meter em águas muito profundas, em assuntos meio-escondidos e em mistérios que se pretendia estarem para sempre esquecidos. Daniel entra numa aventura que pode custar-lhe muito caro.

"Distingui o horror no seu olhar, sem compreender. Vi que poisava a mão no meu peito e perguntei a mim mesmo o que era aquele líquido fumegante que brotava entre os seus dedos"

Uma história de suspense, mistério, intriga e amor. Um história extremamente bem contada e com personagens inesquecíveis, cujo final é uma reviravolta bastante ardilosa.

Tenho de agradecer à Rita Ribeiro, que me disse que os livros de Zafón são maravilhosos :)

Excelente livro, sem dúvida um dos meus favoritos! :)

Nota (0 a 10): 10