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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Guerra e Paz Vol. II, de Lev Tolstoi

Foi com grande satisfação que recebi o segundo volume desta obra clássica e logo comecei a lê-lo, para ficar a conhecer os destinos das personagens que tinha ficado a conhecer no primeiro volume.



Sinopse:

Edição comemorativa dos 150 anos da publicação do melhor romance de sempre.


A Rússia continua a ser devastada pelos exércitos de Napoleão, e as mortes e tragédias sucedem se, ligando-se indelevelmente às vidas das personagens. Estamos no início do século XIX, um dos mais conturbados da história da Rússia, e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Ainda assim, apesar de a felicidade parecer algo impossível de ser vivido em tempos de guerra, há bailes e casamentos, aventuras e diversões, festas e grandiosos momentos.
Guerra e Paz é um verdadeiro clássico da literatura universal, e aqui chegamos ao seu último volume. Eis uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Depois de ter lido o primeiro volume e de o ter achado um pouco descritivo e sem muita ação, foi com alegria que constatei, ao começar a ler este e lá mais para o meio, que o enredo se estava a compor. Mais ação, mais drama e mais emoção são os três ingredientes que aparecem a mais neste volume e que me agradaram bastante. 

A guerra está mais cruel, as personagens começam a deixar de viver num mundo de bailes e festas e começam a ver que todo aquele espetáculo não é mais do que uma farsa e que o cerne da questão real é muito mais vasto e obscuro. Começa a haver a luta de classes e as classes mais baixas têm o seu papel, vital para a mudança de muitas das personagens principais. As personagens masculinas, que andam pelos cenários de guerra, começam a ter mais lutas entre si. Gostei bastante do destaque que Peter continua a ter e das peripécias por que passou ao longo deste segundo volume e que o fizeram crescer enquanto ser humano. 

O sarcasmo e a ironia, bem como a filosofia, continua a ser um marco bastante forte desta obra. Tolstoi é um mestre do sarcasmo e isso ajudou-me a gostar da história porque contribui para atenuar a grande quantidade de momentos descritivos e mais parados, que apesar de serem em menor número neste volume, continuam a existir. 

Gostei mais de como a história se desenrolou nesta parte. As personagens estão mais interessantes, cresceram muito mais e já não estão tão fúteis, principalmente as personagens femininas. Existe uma humanização das personagens, dos seus atos e das suas ideias. Também aparece mais vezes Napoleão, o que é interessante.

Este livro vem uma parte final apenas sobre questões para debate relacionadas com temas pertinentes, sociais e filosóficos que podem interessar ao leitor. Eu li com gosto para compreender melhor a mente do autor e achei interessante a sua presença no final da obra, uma vez que esta é uma grande narrativa sobre questões complexas, sociais, morais, económicas, humanas. Esta obra será eterna por isso mesmo. Não porque a história seja maravilhosa ou extremamente bela, que até não o é, mas porque a sua base é verdadeira, real e eterna. Questões como a luta de classes, a alienação dos problemas reais da sociedade, as guerras, o amor, o perdão, as rivalidades...todas essas questões são parte constituinte do ser humano e nunca o abandonarão. Por isso é que esta obra vai continuar a ser lida e a ser amada através dos tempos, pelas grandes questões que levanta e que aborda.

Em suma, aqui está uma bela conclusão para uma obra de relevo mundial. Um clássico soberbo e muito bem escrito, repleto de sarcasmo e ironia, repleto de sentimento e emoção. Uma obra eterna que todos deviam ler e refletir. Quero, novamente, elogiar o design da capa e do interior, que continua excelente!

NOTA (0 a 10): 7

sábado, 5 de setembro de 2015

Guerra e Paz Vol. I, de Lev Tolstoi

O muito aclamado romance de Tolstoi chegou agora à Saída de Emergência e tive a oportunidade de o ler. Considerado por muitos o melhor romance de sempre e adaptado por diversas vezes para o cinema e televisão, este é um livro que todos devemos de ler. 


Sinopse:

Guerra e Paz é o verdadeiro clássico da literatura universal. No início do século XIX, a Rússia é devastada pelos exércitos de Napoleão e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Tanto as vidas mais mundanas como os faustosos bailes, as tramas políticas ou as violentas campanhas bélicas do Czar Alexandre são trabalhadas com o realismo e limpidez que caracterizam o génio de Lev Tolstoi. Sempre presentes estão as desigualdades sociais e os caprichos de uma aristocracia vã e indiferente à miséria e ao sacrifício.

Esta é uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Esta é a minha primeira experiência com Tolstoi; a primeira parte desta obra. Gostei bastante da escrita e do sarcasmo e ironia presentes em praticamente todas as frases do livro e isso foi um dos principais aspetos que mais me agradou. Escrito numa época conturbada, Guerra e Paz é o reflexo do seu tempo e uma crítica gigante a outra época conturbada: as Invasões Francesas.  E isso está extremamente bem retratado ao longo da obra. 

No entanto, a nível do enredo senti que existem alguns aspetos que estão em demasia, como, e principalmente, as extensas cenas de bailes e festas dadas pela faustosa nobreza presente na obra. Achei que existe uma grande incidência dessas cenas e que acabaram por tornar a leitura um pouco mais lenta em alguns momentos, porque não gosto muito deste tipo de cenas, com grandes descrições sociais e que só servem para mostrar e a hipocrisia e as mentiras que estes acontecimentos sociais escondem. E também porque essas cenas não apresentam muita ação e emoções. 

Estava à espera de uma maior pujança nas cenas de guerra e de romance e, a meu ver, isso acabou por não acontecer. As descrições são soberbas, belas; a ironia está sempre presente e dei por mim a sorrir quando os soldados estão mais preocupados com os seus uniformes do que com a sua sobrevivência e a estratégia, o que acaba por ajudar às derrotas por eles sofridas. 

Em relação às personagens, estas são interessantes e complexas, com um grande desenvolvimento, na maior parte, principalmente porque a história abrange um longo período de tempo. Gostei principalmente do príncipe André e de Peter, bem como do círculo de Rostov. Acabei por gostar mais das personagens masculinas do que das femininas, talvez pelo facto dos homens aparecem em mais cenas diferentes do que as mulheres, que aparecem quase sempre nas ocasiões sociais, fazendo com que pareçam apenas decorações e bastante fúteis. 

Gostei muito do livro enquanto reflexão e critica social, mas não consegui sentir uma grande empatia pelas personagens e isso acabou por fazer com que o livro não me tivesse "enchido as medidas". Porém, reconheço que é uma obras esplêndida e que as suas características são bastante idênticas às outras obras escritas naquele período histórico. 

Encontrei grande significado na forma como o autor ironizou a futilidade humana e a mesquinhez durante um período tão conturbado como o foi o "reinado" do Imperador Napoleão Bonaparte e como isso só contribui para deteriorar a sociedade e os seus valores. Nesta obra é retratado uma visão social bastante acutilante e uma crítica à hipocrisia de valores e atitudes da classe mais alta da sociedade, que vê tudo como um grande baile ou uma grande receção social, onde tudo está iluminado e brilhante para esconder a escuridão e a sujidade da nobreza e da riqueza. 

Em suma, Guerra e Paz é de facto uma grandiosa obra e um maravilhoso romance, que acaba por ser, principalmente uma reflexão e uma crítica que não deixa de estar atual em todos os momentos históricos. Um bom livro ou uma boa primeira parte do livro. Espero gostar mais da segunda parte. E ainda quero elogiar a maravilhosa capa e o design interior, que está cheio de requinte.

NOTA (0 a 10): 7