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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Rogue One - Uma História de Star Wars, de Emilio Laiso

Sinopse: 

É revelada, por fim, uma história crucial na saga Star Wars! Agora em BD, o primeiro "spin-off" inspirado no universo da mítica série Star Wars. Uma aventura que se situa antes dos eventos relatados no filme Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança. Rogue One é uma aventura empolgante sobre uma rebelião e sobre a esperança. (in Goodreads)



Opinião:

Este livro tem duas histórias. Aquela do filme, Rogue One - Uma História de Star Wars, e a de como o Capitão Cassian Andor conheceu K-2SO. 

Uma vez que Rogue One é o meu filme favorito do universo de Star Wars, gostei bastante do livro. Foi tudo o que estava à espera que fosse, apesar de esperar, lá bem no fundo, algo mais...alguns detalhes...enfim. Tal não aconteceu. A história está bastante sintetizada aqui nesta banda desenhada, tudo acontece como no filme, mas de modo super rápido o que não me fez sentir aquela emoção do filme. Mas não me desiludiu. 

As personagens estão tal e qual no filme. Jyn Erso é uma rebelde excelente, que no início não o assume ser, mas que depois luta com incrível pujança. Cassian Andor é um capitão dos rebeldes que tem uma missão dupla, o que fá-lo entrar em conflito com os seus sentimentos por Jyn a meio da história...e todas as outras personagens são excelentes. A relação entre o Capitão e o seu robô, K-2SO, também é aqui representada de forma muito interessante. Claro, Darth Vader rouba a cena sempre que aparece. Foi principalmente na última parte que fiquei à espera de mais...Aquela sequência final, dentro dos túneis!!! Tem tão pouco na banda desenhada! 

Em relação à outra história, tenho a referir que gostei bastante de saber como é que Cassian e K-2SO se conheceram e como correu. Tem ação e uma grande dose de amizade. Gostei. 

Ou seja, um livro que se lê num ápice e que vai agradar a todos os fãs de Star Wars. A arte presente na obra é muito bela e cheia de detalhe.

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 13 de janeiro de 2018

O Feitiço, de Charlotte Brontë

Sinopse:

Uma história diferente, onde o romance, o mistério e o crime andam de mãos dadas. É este o pano de fundo para uma história onde nem tudo é o que parece. Charlotte Brontë conta uma história despretensiosa, rica e diferente.



Opinião:

Outro livro que tinha para ler há algum tempo. Gosto sempre de ler os livros das irmãs Brontë, pois têm sempre enredos fortes, boas descrições e personagens cheias de carisma. Neste livro encontrei isso, mas também encontrei alguma confusão. 

Confesso que não gostei muito da história e as personagens pareceram-me muito alteradas. No entanto, a história é forte, cheia de emoção, romance e vingança. 

Todas as personagens, e são bastantes, têm um traço distinto, o que lhes confere o carisma habitual das suas histórias. A escrita é muito boa, repleta de boas metáforas e com um vocabulário muito rico. O contexto podia estar melhor definido, tal como a história em si. 

No entanto, foi uma leitura leve e de rápida. 

Recomendo a todos os que gostam das histórias das irmãs Brontë.

NOTA (0 a 10): 5

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Labirinto dos Espíritos, de Carlos Ruiz Zafón

Sinopse:

Não perca o final da saga iniciada com A Sombra do Vento.

Na Barcelona dos fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo.

Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família.... embora a um preço terrível. 

O Labirinto dos Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com A Sombra do Vento, que alcança aqui toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida. (in Goodreads)




Opinião:

Depois de alguns anos à espera deste livro, assim que saiu agarrei-me a ele e só o larguei quando terminou. Não esperava outra coisa quando o comecei, sabia que ia ficar sedenta das palavras magicamente elaboradas do autor e confesso que cheguei a atrasar a leitura para poder saborear mais um pouco. 

É o sexto livro que leio do autor e é sempre como se fosse a primeira vez; é sempre algo mágico e rico. E é uma experiência que me delicia. 

Sendo A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu livros que me marcaram e que me deixaram em suspenso, esperava muito deste volume. E não fiquei desiludida. 

Este livro pega na história onde O Prisioneiro do Céu terminou. O mistério continua e muito há para descobrir. Daniel é pai de um menino, Júlian, Fermín continua com as suas atividades e mistérios, mas algo muito mais negro e perigoso entra em cena quando o ministro e ex-diretor da prisão de Montjuic desaparece. Rodeado de um mistério que envolve algo muito grande e perigoso, entra em cena Alicia Gris, uma jovem de profissão um tanto estranha: trabalha para uma espécie de organização-fantasma que ajuda a polícia a resolver casos muito difíceis, entre outros trabalhos arriscados. 

Numa trama a que Zafón nos foi habituando, todas as personagens têm uma ligação, todos os momentos são parte de um puzzle gigante e bem construído, onde cada momento encaixa na perfeição. 

Senti novamente uma grande afinidade com as personagens, todas elas. Uma vez que a história vai sendo contada através de várias personagens e dos seus olhares (apesar de só uma parte ser na primeira pessoa), é possível observar como a teia está interligada e tecida. As pontas, que parecem mais desfeitas do que nunca, vão se aproximando, aproximando...para revelar algo que é acaba por surpreender, e que já vou referir mais à frente. 

Em relação às personagens, devo referir que todas, sem exceção, estão soberbas. Desde as maiores até às menores, todas elas fazem o seu papel na perfeição, com propósitos bem definidos e distintos. Gostei de todas elas e da forma como apareceram na história e deixaram a sua marca. Daniel continua a ser aquele jovem amigável e simpático, se bem que muito mais complexo e que acaba por se mostrar bastante obscuro a dado momento. Fermín continua a ser um mistério e a personagem mais carismática da saga. Sempre pronto a ajudar e sempre com algo a dizer. Beatriz também está muito bem...mas claro, uma das personagens deste livro, aquela que tem mais destaque, é Alicia. Complexa, obscura e sedenta de conhecimento sobre tudo o que a rodeia, ela é a agente secreta perfeita. Com a ajuda do agente da polícia Vargas, fazem uma excelente dupla a resolver o mistério do desaparecimento de Valls, personagem que se vai tornando mais horripilante à medida que a história avança. 

Mas há muitas mais personagens...personagens que regressam, personagens que aparecem só por momentos, personagens que aparecem apenas em conversas entre outras ou por cartas, mas que são o eixo central de toda a história. Todas elas são únicas e especiais e eu gostei de todas. 

Quanto à narrativa, há tanto para dizer...tanto para contar e para comentar... mas não quero adiantar-me muito pois o mais certo seria começar a contar spoilers e este é aquele tipo de história que merece que se vá sendo surpreendido a todo o instante, sem spoilers. Fiz um esforço por não ir à frente e confirmar algumas das minhas teorias, mas lá consegui. Contudo, posso dizer aquilo que senti. 

A história está perfeita. Além do facto de tudo encaixar, a trama está riquíssima. É poderosa, complexa e surpreendente simples. O que parece tão complicado a certa altura e em livros anteriores, acaba por ser algo tão simples que surpreende por si só. Todo o passado acaba por vir à tona e muitos mistérios dos livros anteriores são trazidos a lume, se bem que muito fique nas entrelinhas, o que também me agradou bastante, uma vez que fixa a ideia de mistério que sempre me prendeu à obra. 

Poder, política, corrupção, um enredo sórdido e triste, que no seu âmago leva a uma pequena história, a uma história simples, de amor, amizade e lealdade. No meio de uma trama gigante e rocambolesca, narrada com mestria, está o amor, simples e despido de complexos. É como o desfolhar de uma rosa. As pétalas vão saindo, até mostrar o centro, o motivo de toda a história, de todos os mistérios desvendados e que ficam por desvendar. Porque, afinal, o que move tudo e todos é o amor. O amor em todos os sentidos, seja de que forma for, seja por quem ou pelo que for. Por uma pessoa, pelo poder, pelo prestigio. 

E não é só a história em si que extraordinária e perfeita. É também a forma como é contada. O jogo de palavras, a construção das frases, dos parágrafos... há um motivo para cada palavra estar onde está. O constrói cada frase com o propósito de criar algo único e de conduzir o leitor pelo labirinto. Assim, não se é apenas conduzido pelas personagens e pela história, como pela própria linguagem. A linguagem é ela própria personagem, por assim dizer. Aliás, é como se ela fosse a grande narradora. Como se a história fosse narrada pelas próprias palavras, como se elas se escrevessem a si mesmas e criassem elas mesmas a história. 

É uma história sobre histórias, sobre livros, sobre a arte da escrita e da leitura, sobre o que estas duas artes nos dão e nos tiram. É uma lição de como contar um história e de como apreciá-la e vivê-la. É uma história comovente, grandiosa e inesquecível, que deixa algo em nós e que também fica com algo nosso. Aliás, isso mesmo é descrito a dado momento, o que promove a forma como a escrita faz parte da própria história. 

Zafón volta a surpreender, volta a dar-nos uma maravilhosa história de amor e luta. Luta pela Vida, luta pela justiça, por algo melhor. Por mais violência e descrições cruas e negras que haja, por mais nojeira e asco que apareça, está lá o amor e amizade para as vencer. 

E, mais uma vez, leva-nos por uma brilhante visita a Barcelona. 

Assim, recomendo vivamente a todos os leitores que gostam de histórias poderosas, complexas, densas, misteriosas e belas. É, sem dúvida, uma viagem única e que nos arrebata. Todos devem ler estas histórias, pois são preciosas e mágicas.

NOTA (0 a 10): 10 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O Lago dos Sonhos, de Juliet Marillier

Sinopse:

Em troca de ajuda para escapar a um longo e injusto encarceramento, a amarga curandeira mágica Blackthorn jurou pôr de lado o seu desejo de vingança contra o homem que destruiu tudo o que lhe era querido. Seguida por um companheiro de clausura, um homem grande e silencioso chamado Grim, ela viaja para o norte, rumo a Dalriada. Aqui, viverá na orla de uma misteriosa floresta e terá de cumprir, durante sete anos, a promessa que fez ao seu libertador: aceder a todos os pedidos de socorro que lhe forem dirigidos. 

Oran, príncipe herdeiro do trono de Dalriada, esperou com ansiedade a chegada da sua noiva, Lady Flidais. Conhece-a apenas por via de um retrato e da poética correspondência que trocaram entre si e que um dia o convenceu de que Flidais era o seu verdadeiro amor. Oran descobre, porém, que as cartas também mentem, pois, embora igual em aparência à imagem no retrato, a sua noiva vem a revelar-se uma mulher muito diferente da criatura sensível e sonhadora que escreveu aquelas cartas.

Nas vésperas do seu casamento, o príncipe não vê saída para a o seu dilema. Mas corre o rumor de que Blackthorn possui um dom extraordinário para a resolução de problemas espinhosos, e ele pede a sua ajuda. Para salvar Oran das suas insidiosas núpcias, Blackthorn e Grim vão precisar de todos os seus recursos: coragem, engenho, astúcia e talvez até um pouco de magia. (in Goodreads)



Opinião:

Depois da trilogia de Sevenwaters e de outros livros da autora, que tanto gostei, não podia ficar indiferente a esta "novidade" (entre aspas porque já saiu cá há alguns longos meses). Com uma das capas mais lindas que por aí há, este livro surpreendeu-me bastante.

A história é narrada a várias vozes: Blackthorn, a curandeira ex-prisioneira e com uma grande história, Grim, o seu companheiro na prisão e seu grande amigo, e Oran, o príncipe de Dalriada, que se vê a braços com um casamento com uma bela jovem que tem algo de estranho. Todas as personagens, tanto as principais como as secundárias, são maravilhosas e com histórias que prendem o leitor, como já é habitual nas belíssimas histórias da autora. Gostei muito das três personagens com capítulos, as narradoras, mas também gostei muito de outras, como da jovem prometida e do fiel escudeiro de Oran. A complexidade do passado e a forma integra como as personagens são criadas é excelente e dá veracidade à história e ao mundo criado pela autora, que é o mesmo de Sevenwaters, mas passados anos depois.

Em relação ao enredo em si, posso afirmar que está excelente. Esta história tem descrições e momentos mais adultos do que outros livros que li até agora da autora. Está mais sombria e sem magia. Esta história é passada num tempo posterior à magia e à sua beleza (que tanto nos encanta nos outros livros), o que contribui, a meu ver, para este desencanto sombrio que a história apresenta. Também gostei desta faceta, porque distingue as histórias entre si, dando-lhes personalidade. Existem momentos de grande emoção, a todos os níveis, existem momentos de amor e sedução, existem momentos de raiva e dor, existem momentos de alegria e festa, e também de magia, que, no fundo, é a base de toda a história. Ou seja, é uma linda história, com uma mensagem, como uma boa história de bardos. 

As descrições também estão perfeitas, muitos detalhes, nos momentos certos; uma coerência perfeita, entre contexto, personagens e ação, que prende o leitor desde o começo até ao final. Muitos acontecimentos têm lugar o faz com que seja uma história cheia de mistérios. 

Juliet Marillier consegue novamente surpreender pela positiva numa história cheia de beleza a todos os níveis, tanto no enredo, como nas personagens, como no ambiente maravilhoso e místico que cria. É como voltar a casa, a leitura deste livro. É como reviver momentos passados. Para quem leu Sevenwaters vai com certeza ficar a relembrar acontecimentos passados nessa maravilhosa história. É uma aventura, um romance, uma história de coragem e perseverança, que está escrita com mestria e beleza.

Em suma, recomendo a todos os fãs do género Fantástico e da autora. Também recomendo a todos os que gostam de experimentar novas leituras. Este livro é independente dos outros da autora, mas talvez seja melhor ler primeiro os de Sevenwaters, para poder observar as referências que aqui estão presentes. Já há mais desta série, Tower of Thorns e Den of Wolves, que espero ver editados por cá em breve. 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 8 de março de 2016

As Crónicas de Bane, de Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson

Sinopse:

Neste livro de contos, são narradas várias aventuras do feiticeiro Magnus Bane, das séries best-seller de Cassandra Clare. Para Magnus Bane seria impossível contar todas as suas aventuras.Ninguém acreditaria... Onze histórias que revelam alguns dos seus segredos que de certeza não gostaria que fossem divulgados. Entre o misterioso Perú e Resgates na Revolução Francesa, os fãs terão oportunidade de saber pormenores da vida do enigmático feiticeiro.

Passado em diversos países e períodos históricos, Magnus Bane com a sua personalidade sedutora, estilo exuberante e inteligência resolve problemas e interage com Clary, Tessa, Will e Alec, de Caçadores de Sombras e As Origens.

Cassandra Clare, Maureen Johnson e Sarah Rees Brennan juntaram-se para escrever dez contos inesquecíveis.
(in Goodreads)


Opinião:

Depois de ler a trilogia As Origens e três da saga dos Instrumentos Mortais, foi com grande gosto que pude ler este, que é uma antologia de várias crónicas em que a personagem principal é Magnus Bane, o grande feiticeiro que desempenha sempre um papel importante e vital tanto na trilogia como na saga. Como já tinha ficado fã dele, claro que não podia deixar de ler este fantástico livro. Que verdadeiramente é fantástico! Surpreendeu-me deveras, pois não contava gostar tanto como gostei, isto porque os livros de conto nem sempre são tão bons como os livros de uma só narrativa (nem sempre, frisei bem). 

Portanto, neste livro existem onze crónicas, mais ou menos organizadas por ordem cronológica, em que Bane é a figura principal. Não é o narrador, mas a história é como que vista pela sua prospectiva e isso faz com que seja contada de uma forma muito divertida e peculiar. A linguagem é muito fluída e descontraída e faz com que o livro se leia num instante. Também faz com que pareça que o leitor faz parte das personagens, porque cria uma relação muito grande de proximidade. Magnus é uma excelente personagem também por isso mesmo, porque consegue criar laços com todos, sejam eles outras personagens ou leitores. 

Gostei muito de rever algumas das minhas personagens favoritas da Literatura, como Jem Carstairs, Tessa Grey e Will Herondale  (d' As Origens...além de Tessa aparecer por algo na saga). Foi um encanto poder ler algo mais sobre eles, uma vez que os três livros em que eles aparecem souberam a tão pouco. É uma das minhas trilogias favoritas e as personagens são fantásticas e muito queridas, daí gostar tanto delas, em especial de Jem. Esse foi um dos aspectos que me fez querer tanto ler este livro. 

Também gostei do facto de ter ficado a conhecer um bocadinho mais sobre este mundo criado pela autora. Apesar de ser um tipo de fantasia urbana, é bastante rico, em especial na trilogia e nas questões de magia e criaturas. Ler este livro, como as crónicas são várias e cada uma, mais ou menos, passada num tempo diferente (Magnus é imortal), torna-se muito interessante ver a evolução e as diferenças e semelhanças das magias, criaturas e atitudes ao longo do tempo. 

Claro que gostei mais de umas histórias do que doutras, mas no computo geral gostei de todas. Gostei muito daquelas passadas no século XIX e também gostei bastante das posteriores. Fiquei bastante intrigada com os textos finais...e quero agora ler, mais do que nunca, os outros livros da saga que me faltam ler (três), pois fiquei mesmo intrigada com o que aconteceu ao Magnus e o porquê. A autora consegue criar sempre um clima de mistério e suspense, misturado com alguma melancolia, emoção e humor, que é excelente. De certo que as outras autoras também fizeram o seu trabalho, mas não notei grandes diferenças em relação aos livros só escritos pela Cassandra Clare. 

Em suma, é um excelente livro que recomendo a todos os que gostam do mundo dos Caçadores de Sombras, de Fantasia e de Literatura no geral. É excelente! 

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Contos Misteriosos e Fantásticos, de Mary Shelley

Comprei este livro numa Feira do Livro porque estava a um preço bastante acessível e porque gostei muito de Frankenstein e por isso decidi apostar nele. Depois de alguns meses na estante, peguei nele e não foi bem aquilo de que estava à espera. Existem três contos: Transformação, O Mortal Imortal e O Mau-Olhado. O livro começa por uma breve biografia da autora.


Sinopse:

Mary Shelley é recordada sobretudo pela obra "Frankenstein". Este livro concede aos leitores, seguidores da Literatura fantástica e admiradores do período romântico inglês, uma imagem mais completa e complexa desta escritora fabulosa, ao enfatizar a completa variedade e significado da sua escrita. Um livro obrigatório para compreender a narrativa de Shelley, que trouxe uma visão inovadora que deu expressão à imaginação criadora, às inquietudes, reflexões, descobrimentos e avanços da ciência, e às possíveis transformações sociais que abalaram a concepção tradicional da orbe. Transgrediu os limites dos espaços familiarizados do mundo, infringiu o tempo conhecido por todos nós (presente e passado histórico) e, abriu a porta à especulação de outras dimensões e elementos da realidade, a par da luz e da sombra, do Belo e do Feio, do Bem e do Mal. Mary Shelley advertiu-nos que todas as ambivalências são humanas, sendo necessário contemplá-las de modo amistoso. Sob o prazer heterodoxo declarou-nos que a fealdade não é medonha, pelo contrário, pode ser maravilhosamente sedutora; somente a ambição desmesurada nas diversas áreas funcionais do ser humano e a repressão são valores não desejáveis.Estes contos misteriosos e fantásticos, traduzidos pela primeira vez para português, comprovam o talento e a actualidade desta autora quando no século XXI procuramos aparentar aquilo que afinal não somos, como na obra-prima da Literatura gótica: "Transformação", conto macabro e sinistro. (in Goodreads)

Opinião:

Estava à espera de mais Mary Shelley do que o que encontrei aqui. Estava à espera e contos mais sombrios e mais góticos e não foi bem isso que encontrei. Encontrei três contos relativamente simples e sem grande densidade, em que muitos dos elementos presentes em Frankenstein não estão presentes. Apesar de ter gostado dos contos em si, principalmente do conto do meio (O Mortal Imortal), não senti nada de gótico ou de terror em nenhum deles. São contos leves, em que se levanta um pouco o véu sobre assuntos como a imortalidade e a transformação entre o bem e o mal, mas em que não há verdadeiramente um cariz assustador ou em que o ambiente seja descrito de forma a criar emoções fortes ou até a incomodar o leitor. O terceiro conto até é bastante diferente do que estou habituada a conhecer referente à autora. 

Transformação
Em relação ao primeiro conto, Transformação, posso afirmar que gostei, principalmente dos momentos iniciais, quando a personagem principal anda nas suas deambulações juvenis e dos seus dilemas amorosos e mundanos. No entanto, achei-o um pouco morno e não senti nada em relação às personagens. Está bem estruturado e bem escrito, o ambiente está bem descrito, mas não transmite muita emoção.

NOTA (0 a 10): 6 


O Mortal Imortal

Este foi o conto que mais gostei, porque gostei das personagens, bem como das relações estabelecidas entre elas e dos acontecimentos da narrativa. A sequência dos acontecimentos também está bem elaborada e faz sentido. Tem um cariz mais sombrio, mais ao estilo encontrado em Frankenstein, e isso também me fez gostar mais deste conto. Tem também mais ação e dilemas mais interessantes do que o primeiro e o terceiro contos. 

NOTA (0 a 10): 8


O Mau-Olhado

Neste conto a autora muda um bocadinho de cenário e de cultura e isso sentiu-se bastante no conto. Realmente não parece um conto de Shelley e sim um conto de aventuras de outro autor menos na vertente do gótico e do romântico. Em relação ao enredo e às aventuras é interessante.

NOTA (0 a 10): 5

Em suma, uma pequena antologia, que tem o seu interesse, mas da qual esperava mais emoção. Recomendo aos interessados em Mary Shelley para conhecer mais alguns dos seus contos. Um livro interessante, com três contos pequenos e que se leem muito bem.

NOTA GLOBAL (0 a 10): 6

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Favorita do Rei, de Sandra Worth

Com uma das mais belas capas portuguesas, este livro despertou a minha atenção assim que saiu por cá. Anos depois, encontrei-o a um bom preço e decidi apostar. E verifiquei que ainda bem que a capa me atraiu...é um excelente romance histórico. 



Sinopse:

Uns estão destinados à grandeza, poucos mais do que Isabel de York. Apesar de ser a única rainha inglesa a ter sido mulher, filha, irmã, sobrinha e mãe de reis ingleses, o legado do seu espírito nobre e o amor do país ultrapassam muito a sua linhagem impressionante.

Neste romance avassalador, a autora premiada Sandra Worth dá-nos a primeira história completa da rainha do povo, Isabel, a Bondosa.

Ferozmente dedicada ao pai adorado e ao rei, Isabel de York, de dezassete anos, acredita que ele quis deixar a Inglaterra nas mãos de um dirigente justo e meritório. Como o jovem sucessor não está pronto para reinar, o poder passa para o tio de Isabel, Ricardo de Gloucester - um homem no qual a mãe nunca confiou. Pouco depois, Isabel receia que a sua própria confiança não se justifique. Após a subida de Ricardo ao trono, a família dela sofre desaires sucessivos e devastadores: o pai, já falecido, é exposto como um bígamo; ela e os irmãos são estigmatizados como bastardos; e os irmãos são presos pelo novo rei e, segundo consta, assassinados. Como pôde o pai acreditar num homem capaz de tamanha perfídia?

Mas numa noite fatídica, Isabel é levada a questionar todos os seus preconceitos. Através dos olhos da rainha consorte de Ricardo, que está doente, ela vê um homem digno de respeito e de uma adoração eterna. A dedicação dele ao povo inspira um amor proibido e acaba por dar a Isabel coragem para aceitar o seu destino, casar com Henrique Tudor e ser rainha.

Embora a sua alma pertença secretamente a outro, o seu coração pertence para sempre à Inglaterra...
(in Goodreads)

Opinião:

Um dos meus géneros literários favorito é o romance histórico e gosto sempre de ler um bom romance histórico, bem contextualizado, bem fundamentado, com personagens ricas e complexas, com uma linguagem apropriada e sem serem lamechas. Gosto de uma boa história, com emoção. E pude encontrar isso neste livro, o que me agradou bastante. Narrado na primeira pessoa, por Isabel de York, a primeira rainha Tudor, esposa de Henrique VII e mãe de Henrique VIII, este livro deu-me a conhecer vários aspetos da História de Inglaterra que eu desconhecia e é isso que eu também procuro quando leio este género: aprender algo sobre História. 

Isabel de York, a Rosa Branca de York, filha de Eduardo IV, viu a sua dinastia desmoronar-se e a sua família ser perseguida pelos Tudor, no final da Guerra das Rosas, que opôs York a Lancaster. Depois de Ricardo III ser morto por Henrique Tudor na batalha de Bosworth, a melhor forma de trazer paz à Inglaterra e também legitimar o trono de Henrique (que era bastardo) era casar com Isabel, uma descendente do antigo rei do ramo de York. No meio de uma enorme intriga política, Isabel vê-se no centro de tudo e tenta sempre fazer algo de bom. A força com que suportou o seu papel, como é referido ao longo do livro, fez-me ver nela uma rainha excelente, uma mulher forte, que tentou sempre influenciar o seu rei pelo melhor, num tempo conturbado e horrendo, onde as perseguições eram intensas e as traições também. Não conhecia a história de Isabel e gostei de a conhecer. Tendo conhecimento da história de Henrique VIII, Ana Bolena e Isabel I, foi com agrado que li esta obra, uma vez que foi no período retratado que se iniciou esse tempo, o tempo dos Tudor e depois da Idade do Ouro. 

Também gostei de conhecer Henrique VII e os outros reis que aparecem na história, apesar de aparecerem durante menos tempos. Penso que, tendo em conta tudo o que é referido, bem como as notas da autora e uma ligeira pesquisa que fiz depois de ler o livro, a autora conseguiu criar excelentes personagens, tendo o cuidado de as caracterizar de acordo com as suas personalidades reais. A relação personalidade-comportamentos-atitudes pareceu-me muito bem conseguida. 

O ambiente está muito bem descrito, tanto a nível das estruturas (castelos, espaços, corte...), como da época. A autora conseguiu criar um ambiente bem contextualizado, de acordo com a cultura e os modos daquele período. Também gostei muito das descrições das roupas que estão muito boas, sem serem maçudas. Aliás, nenhuma descrição é maçuda. Tudo é bastante fluído, a todos os níveis, tanto de diálogos, como de descrições. 

Tendo em conta que a narrativa abarca um longo período de anos, a autora mostrou grande poder de síntese, indo aos pontos cruciais, sem ser muito rápida e simplista. A escrita e a forma como a história é narrada contribui muito para o sucesso da narrativa e da sua coerência e coesão, porque é bastante fluída. 

Tenho só uma coisa a apontar que podia ter sido revisto, uma vez que é trabalho de revisão da Editora: existem nomes que estão umas vezes traduzidos para Português e noutras vezes estão em Inglês, como Ricardo e Richard. Soa um bocado estranho...

Em suma, aqui está mais um excelente romance histórico, que recomendo sem reservas, a todos os que gostam deste género literário e principalmente àqueles que gostam de saber mais sobre História de Inglaterra. Quero ainda voltar a referir o excelente design da capa, que a meu ver está maravilhoso. 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 30 de março de 2014

A Cidade de Vidro, de Cassandra Clare

Este é o terceiro livro da saga dos Caçadores de Sombras e fecha a batalha contra o vilão Valentine. Depois de ter lido os anteriores dois e de ter ficado agradada, mas não maravilhada, eis que fiquei mais contente com este volume.

Neste volume, a batalha contra as forças de Valentine intensifica-se e espera-se a todo o momento um confronto final. Clary e Jace vêem o seu relacionamento alterar-se, bem como a relação entre Simon e esta. No meio da confusão entre as relações destas personagens, os Lightwood têm de ir até Idris para reuniões com a Clave, relacionadas com os acontecimentos finais do livro anterior, e Clary vê-se de fora. No entanto, Clary consegue ir para Idris com Luke pelos seus próprios meios, uma vez que tem de descobrir o feiticeiro Ragnor Fell, como Madeleine lhe tinha dito, para procurar por uma "cura" para a sua mãe. Simon é ferido e depois preso pelo Inquisidor e pelo Cônsul. Luke apresenta Clary a Amantis, uma pessoa muito interessante e relevante para a história. Os Lightwood encontram-se com os Penhalow e são apresentados aos primos Sebastian e Aline. E, enquanto todos esperavam estar a salvo em Alicante, tudo se altera e as proteções da cidade são destruídas. Deste modo, Valentine leva a batalha mesmo para dentro dos territórios dos Caçadores de Sombras e espera vencer, estabelecendo uma nova Clave e uma nova raça de Caçadores de Sombras, mais pura, e também erradicar os Habitantes do Mundo-À-Parte do mundo. Clary, Jace e os companheiros são assim apanhados numa nova batalha e têm de agir para ajudar tudo e todos.

Senti um maior desenvolvimento da história principal, devido ao facto de terem aparecido mais personagens, do espaço e, também, do próprio clima presente ao longo desta narrativa.

Esta história passa-se em Idris, mais especificamente em Alicante, e senti que a cidade promoveu uma concretização mais intensa da história em si ou seja, o ambiente influenciou as personagens e os acontecimentos. Senti muito isso. Talvez porque também quisesse conhecer Idris e Alicante, locais indicados em todos os livros da autora que li até agora, uma vez que são locais de extrema importância para os Caçadores de Sombras, pois pertencem à sua pátria.

Gostei muito da Amantis, personagem importante para o enredo devido à sua própria história. Uma mulher forte, apesar de parecer frágil. Também gostei muito de Sebastian Verlac (uhhuh!), pois foi a personagem que mais garra veio trazer à história. Sinceramente, achei que, sem ele, o livro não teria sido tão bom. A autora teve bastante esperteza em só apresentar esta personagem neste momento, pois ela é o centro de tudo. Sebastian é quem move todas as peças do jogo para que este de desenvolva e está excelente. Tem bastante garra, pujança. É misterioso e vê-se que esconde algo, mas não se consegue compreender logo o quê... e depois começa-se a juntar certas peças, a pensar... e é então que se chega à conclusão de quem ele é neste jogo. Gostei imenso de ver a minha teoria sobre ele realizada na história. Muito bom! Senti um maior gosto pela Clary e pelo Jace, personagens que ainda não me tinham cativado totalmente. Fiquei contente com elas ao longo deste livro. Também aparecem personagens da outra trilogia, o que é bastante interessante, conectando assim as histórias entre si. Outro aspeto que senti foi o desenvolvimento das personagens. Neste livro, senti que todas as personagens cresceram psicologicamente, denotando assim um amadurecimento da própria história.

O enredo é bastante interessante. Apesar de continuar a haver foco sobre as relações entre as personagens, há um maior realce a nível da intriga do passado e do presente das personagens, intriga essa que faz com que os acontecimentos de desenvolvam com mais intensidade. Há mais jogos políticos, mais mistérios, mais batalhas, mais suspense. Tem momentos mais dark, o que favorece o ambiente e a intriga em si. Senti algumas das emoções que tinha sentido ao ler a trilogia Clockwork Devices e isso foi fantástico. Ou seja, senti que a proporção de sentimentos amorosos entre as personagens ficou mais equilibrada com a intriga em si, com os motivos de Valentine, com os porquês dos acontecimentos que levaram àqueles momentos e àqueles interesses. Este livro dá mais importância à intriga do que aos "amores" das personagens e gostei muito disso. Está tudo no seu devido patamar. Tem também momentos de grande suspense, principalmente na reta final. Esses momentos são bastante bons e intensos. O desfecho está excelente! Nada é colocado na história ao acaso e tudo está ligado, o que é sempre de relevo. São estes aspetos que promoveram um clima mais denso e mais interessante para o desenvolvimento da história.

Em suma, fiquei muito contente com a autora por ter criado uma história excelente. Fiquei agradada pelo desenvolvimento que acontece ao longo deste volume, uma vez que não tinha ficado totalmente maravilhada com os dois volumes anteriores. Recomendo a todos e agora é ler os próximos! 

- Contei-te a verdade como a via. Todos nós contamos a verdade conforme a vemos, não é? Já alguma vez te perguntaste quantas mentiras pode haver no que a tua mãe te contou e que serviram o objetivo dela? Acreditas de facto que conheces todos os segredos do teu passado? (Rainha das Fadas para Clary - p.403)

Podem ler as opiniões dos dois livros anteriores aqui e aqui

NOTA (0 a 10):  10

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

"A Cidade das Cinzas", de Cassandra Clare

Sinopse:

Clary Fray só que­ria que a sua vida vol­tasse ao nor­mal. Mas o que é nor­mal quando se é um Caça­dor de Som­bras? A mãe em estado de coma indu­zido por artes mági­cas, e de repente começa a ver lobi­so­mens, vam­pi­ros, e fadas? A única hipó­tese que Clary tem de aju­dar a mãe é pedir ajuda ao dia­bó­lico Valen­tine que, além de louco, sim­bo­liza o Mal e, para pio­rar o cená­rio, tam­bém é o seu pai. Quando o segundo dos Ins­tru­men­tos Mor­tais é rou­bado o prin­ci­pal sus­peito é Jace, que a jovem des­co­briu recen­te­mente ser seu irmão. Ela não acre­dita que Jace de facto possa estar dis­posto a aban­do­nar tudo o que acre­dita e aliar-​se ao dia­bó­lico pai Valen­tine… mas as apa­rên­cias podem iludir. (in Goodreads)


Opinião:

Este é o segundo livro da saga dos Instrumentos Mortais. Depois de ter lido "A Cidade dos Ossos" e de ter gostado bastante, não podia deixar de ler a continuação. Pois bem, fiquei igualmente agradada; nem mais nem menos. Não quero estar sempre a repetir o mesmo, mas é impossível não comparar esta saga à trilogia da mesma autora, As Origens. Não consigo equiparar as histórias e por isso é-me impossível dar cinco estrelas a esta saga (até agora).

Analisando este livro...

Gostei bastante de como a autora está a conduzir o enredo e as personagens. Nada aparece sem sentido ou desconexo, só por aparecer. Há um sentido para tudo, mesmo que não esteja logo explicitado ou mesmo que seja só para descobrir num livro mais à frente. Gosto bastante destes aspetos, pois dão suspense à história, bem como revelam mestria por parte da escritora, uma vez que tal denota capacidades de coesão e coerência bem fundamentadas e com raízes.

Sinto que houve uma evolução nas personagens, tanto a nível de cada uma delas como das relações entre elas. Sinto que estão mais adultas e mais interessantes. Continuo a não gostar muito do Jace (coitado, eu tento gostar, mas ainda não me convenceu totalmente...!), apesar de no final ter ficado a gostar mais um bocadinho, devido às suas atitudes na reta final. Para mim, a personagem que mais evoluiu foi o Simon e não vou estar aqui a referir os porquês, se não iria estar a contar spoilers. Como é uma das minhas personagens favoritas gostei bastante de o ver com destaque, bem como as suas alterações. As personagens que apareceram neste livro e que apenas tinham sido mencionadas no anterior ou mesmo aquelas que não o tinham sido mostram-se bastante interessantes e misteriosas. Estou-me a referir aos pais do Alec e da Isabelle (os Lightwood), a Inquisidora e a Madeleine. A Maia também me convenceu.
Uma das personagens que mais gosto também esteve muito bem. Estou-me a referir ao Magnus, claro. É sempre fundamental e o seu relacionamento com o grupo (Alec, Clary, Jace, Isabelle, Luke e Simon) é bastante divertido, útil e intenso. Sem ele nada teria sido como foi, por isso ele é fundamental. Já na trilogia o foi, por isso acho bem que a autora tenha apostado numas histórias sobre ele.

Quanto a aspetos da história que tenha gostado muito, quero mencionar o episódio na corte das Fadas. Gostei bastante das descrições da corte e dos seus membros. As danças e as formas de estar da corte fascinaram-me. Gostei da rainha das Fadas, de como se entra na corte e de como tudo foi dirigido lá. Foi um capítulo fundamental para o enredo e mostra bem como a autora consegue interligar aspetos entre si para criar momentos e explicações.

Não podia deixar de referir o capítulo dos Irmãos Silenciosos. Foi o mais "creepy" e dos mais relevantes para o enredo. Muito interessante!

Continuo a achar que uma das mais valias desta história é o passado das personagens do Círculo. É das partes que mais gosto de ler, porque sinto bastante curiosidade. Foram os feitos passados dessas personagens que influenciaram o presente das personagens mais novas e dessas mesmo, das mais velhas.

Dou nove pontos porque não consegui ficar totalmente arrebatada pela história nem pelas personagens, no global. Seria injusto dar a mesma nota que dei à trilogia As Origens, que tanto me fascinou, comoveu e alegrou.

Em suma, gostei bastante. Estou à espera de ainda gostar mais. Gostei de como a autora conduziu os acontecimentos. Espero que o terceiro seja tão bom ou melhor!

Podem ler a opinião do livro "A Cidade dos Ossos" aqui.

NOTA (0 a 10): 9

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"A Conquistadora", de Teresa Medeiros


"A Conquistadora" é um livro que queria ler há alguns anos, no entanto ainda não tinha tido a oportunidade de o ler. Essa oportunidade surgiu pelo Natal, quando adquiri o livro e no início deste mês comecei a lê-lo.

Devido à sua pontuação no Goodreads, senti alguma apreensão uma vez que me perguntei: "porque é que será que tem esta pontuação?". Como gosto de ter uma opinião própria o melhor que pude fazer para responder a essa questão foi ler o livro.

E o que pude concluir para responder? Pois bem, concluí que só pode ser pelo gosto dos leitores, uma vez que o livro está muito bom. Pelo menos, eu gostei muito.

A autora conta a história de Conn, o Ard-Reigh de Tara (rei supremo de Tara, Irlanda) que conseguiu unificar todos os reinos da ilha, e de Gelina Ò Monaghan, filha de uma família cujo pai traiu Conn, acabando por ser morto pelos homens do rei, levando à morte da esposa e à fuga dos filhos (Gelina e Rodney). A história que se cria entre Conn e Gelina não é um conto de fadas, sendo muitas vezes brutal. Vários são os momentos tensos entre ambos que muitas vezes terminam em violência e brutalidade. No entanto, o amor que os une é demasiado forte para ser vencido pelo ódio e pela dúvida que por vezes aparece para o aniquilar.

A história começa com a suspeita de um monstro que mata os homens do Fianna (os guerreiros de Conn, que seguem as regras da cavalaria e da lealdade). De modo a por fim a esse monstro, o próprio Fianna vai ao seu encontro para o derrotar. Quando descobre que o monstro não passa de um par de duas pessoas, vê-se confrontado com a realidade. Descobre Gelina, enquanto que o seu par foge apesar de ferido gravemente. Tendo acreditado que o seu irmão tinha sido morto, Gelina (de mais ou menos 16 anos) vê-se sozinha, apenas com Conn por companheiro e às suas mãos. É levada para a corte, onde é tratada como filha adotiva de Conn, uma vez que este omite a verdadeira identidade dela, afirmando que esta se encontrava prisioneira na gruta onde habitava o monstro.

À medida que o tempo decorre, Gelina começa a afeiçoar-se a Conn e a outros membros da corte, nomeadamente o anão Nimbus, que é bobo da corte e amigo de Conn; Mer-Nod, poeta e conselheiro do rei; e Sean, um membro jovem do Fianna que trava amizade com Gelina. Tendo por principais rivais a amante do rei e as suas companheiras, Gelina começa a tentar imitar as senhoras da corte, para se tornar mais feminina e delicada e para não ser alvo de riso mas de ciúme. O seu afeto por Conn também aumenta, começando a gostar dele por amor.

No entanto, Rodney não morreu no ataque na gruta e jura reaver a irmã. Para isso junta-se ao eterno rival de Conn, Eoghan Mogh, que o tenta por várias vezes tirar do trono de Tara. As questões políticas e de intriga também fazem deste enredo algo muito rico e interessante, uma vez que são complexas e estruturadas, de lógica compreensão.

A vingança jurada por Rodney e Gelina de matar os membros do Fianna e o próprio Conn vê-se assim comprometida. Mas nada fará com que Rodney desista da vingança e Gelina começa a sentir-se dividida e repleta de dúvidas. O amor que une Gelina e Conn sofre vários abalos e muitas vezes é revirado e tornado a virar.

Muitas são as peripécias que acontecem ao longo da narrativa e que enchem as páginas de reviravoltas. Gostei muito das situações apresentadas e de como se resolveram. Não existe nada desconexo e sem sentido, pois tudo se encaixa muito bem. Como refiro várias vezes, este é um aspeto que acho essencial nos livros, principalmente quanto têm um teor mais complexo e mais "inteligente". Não basta escrever um romance. Tem de haver um conteúdo rico e bem estruturado e este livro apresenta, a meu ver, esse conteúdo rico e estruturado.

Conn existiu de verdade, tendo vivido entre 116 a 136 (segundo Geoffrey Keating) ou entre 122 a 157 (segundo Annals of the Four Masters). O que aparece no site Wikipédia não aborda Gelina, no entanto, dado o final do livro, tal não comprova que ela não tenha existido na sua vida.

A parte histórica também está bem desenvolvida, bem como as descrições as paisagens, roupas, objetos e edifícios. Estes aspetos ajudam a imaginar a vida naquele tempo e isso é bastante agradável. As personagens estão todas caracterizadas muito bem, tanto física como psicologicamente. Gostei muito de Gelina, de Conn e de Sean. A escrita é bastante fluída e rica, tornando-se fácil imaginar o que está a ser descrito.

Em suma, esta é uma história para reter na memória.

Podem consultar mais informações aqui.

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"A Cidade dos Ossos", de Cassandra Clare

Decidi ler este livro (primeiro da saga) depois de ler a trilogia do Anjo Mecânico. Isto por um aspeto meramente cronológico, uma vez que a trilogia situa-se no século XIX e a saga nos dias de hoje.

Neste primeiro volume encontramos Clary Fray, uma Caçadora de Sombras que desconhece o facto de ser uma Caçadora de Sombras. Tal deve-se ao facto da sua mãe tentar a todo o custo apagar/modificar as memórias de Clary ao longo da sua vida, de modo a a afastar do mundo das sombras. Clary, no entanto, esbarra com um grupo de Caçadores de Sombras (Jace, Alec e Isabelle), vendo-se atraída para eles. Acaba por ser salva por Jace e depois de ver a sua mãe desaparecer misteriosamente, Clary vê-se praticamente obrigada a viver no Instituto, tentando descobrir a verdade sobre a sua história. Simon, o amigo de Clary (mundi - humano) vê-se também arrastado para esta aventura. É uma história com cabeça, tronco e membros.

Gostei bastante da história. O aspeto que mais me fascinou foi a complexidade do passado do Círculo. O background das personagens mais velhas é bastante rico. Esse fator é de grande relevo para o meu gosto em termos de enredos. É preciso haver um contexto, tanto ambiental como a nível da história das personagens.

Por isso mesmo, o que mais gostei ao longo da narrativa foi o enredo respetivo da história do Círculo e dos seus membros mais influentes e que mais aparecem (Valentine, Luke (Lucian), Jocelyn, Hodge, Wayland e os Lightwood). Gostei de ver como é que as ações de uma geração podem influenciar outra geração (relação entre a geração de Valentine e a de Clary), uma vez que é um aspeto bastante rico do enredo, onde é mostrado a mestria da autora.

Em termos das personagens, não fiquei assim tão fascinada. Gostei do Simon, do Alec, do Luke, da Isabelle... do Jace (mais para o final). A Clary não me convenceu totalmente. Pareceu-me um pouco insípida. Espero que melhore nos livros seguintes. Aliás, este é um excelente livro para inicio de saga! Termina no momento perfeito para uma continuação e deixa tudo em aberto. Ah! E gostei de ver o Magnus Bane, que já aparece na trilogia!

Era impossível não comparar este livro com os pertencentes à trilogia do Anjo Mecânico. Daí as quatro estrelas. Depois de ter ficado completamente fascinada logo no primeiro livro da trilogia (Anjo Mecânico), em todos os aspetos presentes nele, tal não aconteceu neste livro. Penso que tal também se deve ao facto de ter gostado tanto das personagens da trilogia e da sua história... marcou-me muito e as comparações eram inevitáveis.

Também vi o filme. Sinceramente, gostei bastante do filme, apesar de ser muito diferente do livro, principalmente na parte final (que teria ficado melhor se tivesse sido como no livro...). Vi o filme quando esteve no cinema. Li o livro agora. Só pude comparar agora e perceber algumas críticas ao filme, que compreendo perfeitamente. 

É um livro que recomendo, principalmente a todos os que gostam deste género de histórias. 

 

NOTA (0 a 10): 9

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"Princesa Mecânica", de Cassandra Clare

Sinopse: Último livro da sequela de sucesso da série Caçadores de Sombras, que nos mostra as suas Origens. Tessa Gray devia estar contente, como todas as noivas! Mas, enquanto se prepara para o casamento, uma rede de sombras envolve os Caçadores de Sombras do Instituto de Londres. Surge um novo demónio, ligado pelo sangue e secretismo a Mortmain, o homem que tenciona usar um exército de impiedosos autómatos, os Instrumentos Infernais, para destruir os Caçadores de Sombras. O perigo, a traição, os segredos, os feitiços, o amor e a morte entrelaçam-se quando os Caçadores de Sombras quase se autodestroem na conclusão de cortar a respiração da trilogia de os Caçadores de Sombras, as Origens. (in Goodreads)
Opinião: 
É com enorme prazer que venho aqui escrever a minha opinião sobre este esplêndido livro.

Depois de ter esperado meses por ele, ansiosamente, cheia de curiosidade e a ver algumas ilustrações no deviantArt e imagens no Tumblr, de modo a ter alguns vislumbres do que por aí vinha, chegou o momento de poder ler "Princesa Mecânica". Foi um momento emocionante, pois estava a começar o terceiro e último livro desta maravilhosa trilogia de Cassandra Clare, que me cativou imediatamente no primeiro: "Anjo Mecânico".

Foram inúmeros os enredos que criei na minha imaginação, bem como os finais que esta história podia ter. Imaginei muita coisa que podia muito bem ter acontecido neste livro. Imaginei vários momentos pelos quais desejava. E muito do que imaginei não aconteceu. Simplesmente, porque não era para acontecer. Não era. Cassandra Clare deu-nos uma história bastante marcante, muito bela, muito triste, que me fez chorar por várias vezes, bem como gritar com o livro, literalmente. É daquelas histórias que me agarram e prendem, não me deixando fugir.

Apaixonei-me pelas personagens, principalmente por Jem Carstairs. Tendo em conta a situação em que ele se encontrava no final do segundo livro, foi com algum sentimento de melancolia que esperei pelo seu desfecho. Como sempre torci pelo casamento entre Tessa e Jem, foi com grande entusiasmo que segui a história, esperando pelo momento.
Sabia que não ia ser fácil ver Tessa e Jem juntos, despedaçando o coração de Will, que amava Tessa e estimava acima de tudo Jem. Gostando de todas as personagens, sabia que ia "sofrer" fosse qual fosse o final delas. E "sofri".

Cassandra Clare consegue desenvolver um enredo apaixonante, onde nem tudo é o que parece, onde muito fica encoberto, sendo depois descoberto adiante. Tudo acontece no momento certo, como se estivesse sempre um relógio, um compasso certo. As personagens vivem as suas vidas de modo a que tudo se encaixa, tanto nas sua vidas como no ambiente circundante.

A ameaça de Mortmain torna-se feroz, total e arrepiante, o que só acrescenta emoção à história. A ação é total, com grandes momentos de suspense, terror, emoção, intriga, medo, paixão, dor, sofrimento e amor. Finalmente ficamos a saber a verdadeira história da vida de Theresa Gray. Quem é ela, de onde veio, como foi feita, por quem... o que a protege e porquê. A sua história é bastante triste, estando ligada a outras personagens que já apareceram nos livros anteriores. É muito bom ver as ligações que a autora estabelece com os passados das personagens de modo a moldar-lhes uma história só sua. Tudo está ligado e isso é algo que me seduz num livro, pois demonstra que é sinal de inteligência por parte de quem o escreve, uma vez que puxa pela mente do leitor.

E surpreendeu-me. A história de Tessa, e do seu passado, surpreendeu-me, bem como a forma como aconteceu o desenlace. Mas não foi só aí que fiquei surpreendida. A amizade/amor de Will, Tessa e Jem também me surpreendeu, pois o amor de Jem por todos foi sublime e de partir o coração. Houve momentos em que só me apeteceu bater no livro. Houve momentos em que foi triste e houve momentos em que sorri. A história destas três personagens é muito bela, das mais belas que já li. Digna de um romance gótico clássico.

Jem é a personagem mais fantástica, com o carácter mais belo, mais bondoso, mais misericordioso, das que tenho tido o prazer de acompanhar ao longo das minhas viagens literárias. Jem é a personagem que mais sofrimento trás à história, é aquela personagem pela qual sempre senti um carinho especial, como já disse. E foi com enorme tristeza que o vi ser traído. Foi o momento mais horrível desta leitura. Foi o mais chocante.

Existem vários acontecimentos paralelos ao longo da história. Temos Cecily, a irmã de Will, que quer levá-lo para casa. Temos Charlotte (e as invenções de Henry) a tentar aguentar o Instituto, sendo atacada pelo consul Wayland e pelas suas traições. Temos Gideon e Gabriel Lightwood, Sophie, Cyril e Bridget, e ainda o regresso atribulado de Jessamine. Temos vislumbres do passado de várias personagens. Temos romances paralelos e histórias muito belas pelo meio. É um romance muito completo, pois não é redutor, mas abrangente. 

As descrições são muito belas, nomeadamente do País de Gales, onde se passa grande parte da história. A escrita da autora é fluente e rica, sendo por isso possível imaginar-me lá no meio da ação.

E como não podia deixar de ser, temos um final digno dos finais mais cruéis, mais belos e mais apaixonantes. Não esperava por aquele final, porque para mim, ou ela ficava com Will ou com Jem. Não esperava o que aconteceu e foi um momento de grande emoção, que me fez vibrar o coração. Foi deveras maravilhoso, estranho, mas perfeito. No final, depois de ter sofrido durante grande parte da história, senti-me satisfeita, senti-me completa. Aquele foi o melhor final, apesar de tudo o que o proporcionou. Sem o que aconteceu pelo meio, aquele final seria impossível e o livro não teria tido um final tão mágico, tão emocional e belo.
Não, este foi o melhor final, o mais justo para todas as personagens e o mais difícil. 

Não sei o que posso dizer mais sem contar pormenores... o que posso mais dizer? Qualquer detalhe seria um spoiler, e esta história não é para ser "spoilada". Desde a leitura de "Os Dragões do Assassino", de Robin Hobb que não me sentia assim. Brilhante e belo, é o que posso dizer.

Leiam a trilogia, é completamente maravilhosa e o desenlace é esplêndido!
Deixo-vos algumas citações, para que possam maravilhar-se com eles.

- Confrontei-o - continuou Will - quando soube que andava a tomar mais yin fen do que devia. Fiquei furioso. Acusei-o de desperdiçar a vida. Sabes o que ele me disse? "Por ela faço tudo." (...) A decisão foi dele, Tessa, tu não o obrigaste a nada. Jem foi feliz contigo (...) Apesar de tudo o que te disse, ainda bem que ele teve aquele tempo contigo. Tu também devias estar contente.

Jem começara a tocar em memória dos anos de vida de Will, tal como ele os vira; em memória de dois rapazes a treinar na sala de armas, um a mostrar ao outro como se lançavam facas; em memória do ritual parabatai: o fogo, os votos e as runas que queimavam; em memória de dois rapazes a correr pelas ruas escuras de Londres, parando para se rirem encostardos a uma parede; em memória do dia na biblioteca em que tinham brincado com Tessa por causa de patos; em memória da viagem de comboio para Yorkshire, durante a qual Jem dissera que os parabatai deviam amar-se como às suas próprias almas; em memória do amor de ambos por Tessa e do dela por eles; em memória das palavras de Will: nos teus olhos encontrei sempre bondade; ...

-Eu posso viver para sempre - disse Tessa (...)
-Eu sei - replicou Jem. - (...) Eu acredito que renascemos, Tessa. Eu sei que vou voltar, mesmo que não neste corpo. As almas que se amam são atraídas umas pelas outras na vida seguinte. Eu sei que voltarei a ver Will. os meus pais, os meus tios (...)
- Mas a mim não. (...)
- Estou a ver-te agora - replicou ele (...)
- E eu a ti - murmurou ela. Jem sorriu com ar cansado e fechou os olhos. Tessa levou a mão ao rosto e cobriu-lhe a mão com  a sua, sentido-lhe os dedos frios na pele, até que ele adormeceu. Com um sorriso pesaroso, a jovem baixou a mão e pousou-a na colcha. 


Não insistas para que te deixe, pois onde tu fores eu irei contigo e onde pernoitares, aí ficarei; o teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus. Onde morreres, também eu quero morrer e ali serei sepultado. Que o Anjo me trate com rigor e ainda o acrescente, se até mesmo a morte me separar de ti. 

- Onde estás James? Procuro-te nas trevas, mas não te encontro. Tu és o meu pretendido, os laços que nos ligam deviam ser inquebráveis. Mas eu não estive presente no teu leito da noite, não me despedi de ti.

- Amavas-me? - interrompeu-a ele.

Tessa lembrava-se de ele lhe ter oferecido o pingente de jade da sua mãe com mãos trémulas, lembrava-se dos beijos no interior de uma carruagem, de entrar no quarto dele banhado pela luz do luar e de ver o rapaz dos cabelos de prata em frente da janela, tirando uma música maravilhosa do violino que tinha nas mãos.

- Vi muita coisa por esse mundo fora, mas ainda não vi tudo. Vem comigo para ver o resto, Jem Carstairs.



Podem ler as opiniões dos outros livros da trilogia aqui:

Anjo Mecânico
Príncipe Mecânico
NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

"Marina", de Carlos Ruiz Zafón

Não sabia então que o oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que
nele enterramos. pág. 10.

Nota: a sinopse do Goodreads não está aqui presente pois mais abaixo encontra-se um resumo feito por mim.

"Marina" é uma das primeiras obras de Carlos Ruiz Zafón. Li "A Sombra do Vento" o ano passado, também por esta altura e fiquei de pronto fascinada com a mestria do autor, sentido uma enorme vontade de ler todos os seus outros livros. Li também " O Jogo do Anjo", "O Prisioneiro do Céu" e "O Príncipe da Neblina" e já há um ano que queria ler "Marina". Foi com grande mistério que comecei a ler esta obra e senti-me logo fascinada pela história, pelas personagens e pela escrita/linguagem que o autor usa ao longo da narrativa. Zafón é um autêntico contador de histórias, cuja linguagem pode ser definida com os termos de "delicada", "bela" e "melancólica". Esta história está embebida numa melancolia muito profunda, que persegue e procede todas as personagens ao longo das suas vidas. É um prazer ler este livro, pois nele estão encerrados temas que são fascinantes e misteriosos, acalentando algo estranho e inquietante durante a leitura.

Em "Marina", Zafón apresenta-nos Óscar Drai, um jovem de 15 anos, interno de um colégio de Barcelona. Óscar conta-nos a sua história na primeira pessoa do singular, começando pelo final, para depois iniciar a narração da sua aventura até ao momento final. Óscar, desaparece durante uma semana, em maio de 1980, sem deixar rastro e sem aviso. Então, Óscar decide-se a contar o que aconteceu para se ter eclipsado do colégio. Óscar tinha um passatempo quando terminavam as aulas diárias: sair do colégio e ir passear para o as redondezas. Um dia, no final de setembro de 1979, ele encaminhou-se para o norte do Paseo de la Bonanova, no Sarriá, chegando a uma rua deserta, com uma mansão de dois andares, ladeada por um jardim abandonado com uma fonte de esculturas. Com o portão entreaberto e um gato, Óscar decide aventurar-se dentro do jardim. Acaba por entrar na casa, seduzido pelo som de uma música bela, vinda de um gramofone. Chegado a um salão cheio de quadros na parede, Óscar fica admirado pela beleza do salão, acabando por encontrar um relógio de ouro com uma inscrição. Enquanto admirava o relógio, é surpreendido por um vulto a erguer-se de um cadeirão. Assustado, Óscar foge da mansão, levando consigo o relógio.
Porém, ao longo dos dias, sente uma enorme necessidade de devolver o relógio e voltar à mansão, não querendo ser achado de ladrão. Decide-se e acaba por conhecer uma jovem, muito bela, Marina. Marina é filha de Germán, morando ambos na mansão. Óscar fica desde logo encantado por Marina e encontra em Germán um amigo (o vulto da primeira incursão), começando a frequentar a mansão. Marina acaba por convidar o jovem para um passeio, acabando os dois no cemitério de Sarriá, onde encontram uma misteriosa dama de negro, que todos os últimos domingos do mês vai até lá, com uma rosa vermelha, para colocar num misterioso túmulo. Marina convence Óscar a seguirem a dama de negro e acabam ambos por se verem envolvidos numa trama do passado que nunca poderiam ter imaginado nem sonhado. Juntos vão viver uma aventura intensa, cheia de perigos e de mistérios, cuja história eles nunca poderiam acreditar se não a presenciassem.
Marionetas macabras, criaturas desumanas, estranhas e infernais, um passado repleto de mistério, assassínios e fraudes, invejas e crimes, amores e desamores. Este é o cenário dantesco em que Óscar e Marina vêem as suas vidas mergulhar, para nunca mais serem o que eram antes.

 Personagens presentes na ilustração: Óscar, Marina, Germán Blau, Kirsten Auermann (no retrato), María Shelley, Eva Irinova, Mikhail Kolvenick, marioneta animada

Apesar do tamanho desta obra, das suas parcas 260 páginas, esta é uma história grande, intensa, grandiosa e decadente, que nos enche de melancolia ao ler, mas também de uma beleza sublime e de esperança. É uma história com vários ingredientes, sendo o suspense a sua maior iguaria, uma vez que a viagem ao passado das personagens é bem alucinante e aterradora. Preparem-se para emoções fortes, com alguns laivos de terror à mistura, bem como uma grande dose de romantismo decadente, onde a doença, a amargura, a deformação, o mistério, a utopia, a Natureza e a Ciência, fazem parte do enredo como o ar faz parte da atmosfera. Esta é uma história de fantasmas e de ecos do passado, onde nem tudo o que parece é.

Ao ler este livro, foi-me impossível não associar algumas das ideias a outras presentes nas outras obras deste escritor, nomeadamente no livro "O Jogo do Anjo", em que muito, para não dizer tudo, não é o que parece, sendo toda a história uma espécie de incógnita, muito bela e também macabra, por vezes. Este livro tem vários aspetos desses, sendo o mais normal ter sido "O Jogo do Anjo" a herdar as ideias de "Marina", que lhe é anterior. Criaturas de metal, madeira e carne e osso, animadas por experiências, estão também presentes em "O Jogo do Anjo" (algo que me fascinou na altura e me voltou a fascinar agora, pois a ideia subjetiva a tal conceito é frequentemente apresentada em ficção steampunk ou de fantasia, como é o caso da trilogia de Cassandra Clare, de "O Anjo Mecânico"). Foi-me impossível, também, não fazer uma analogia bastante interessante e que me fascinou, revelando a mestria do autor. Existe uma grande dose de experiências cientificas cujo objetivo é criar vida depois da morte, ou seja, reviver. Uma das personagens, uma jovem de trinta e poucos anos, tem por nome María Shelley, filha de Joan Shelley, doutor especialista em deformações do corpo e doenças raras. Era impossível não associar María Shelley a "Frankenstein", sendo este o nome da sua autora (Mary Shelley).

As personagens estão muito bem definidas e apresentadas, com passados muito bem estruturados e uma história forte. Marina é uma personagem muito forte, carismática e maravilhosa, cuja atitude se mostra sempre interessante e valente, apesar de tudo. Óscar, pelo seu lado, é uma personagem com um temperamento diferente do de Marina, sendo menos perspicaz e menos afoito, acabando por seguir os passos dela e tornar-se num bom "investigador", menos temoroso e mais valente. Todas as outras personagens são muito bem definidas, com histórias brilhantes e com um passado bem sombrio e cheio de "esqueletos no armário". O passado, como em todas as histórias de Zafón, é a personagem principal e mais grandiosa da obra. É um prazer penetrar no passado das personagens de Zafón, numa Barcelona já há muito perdida, como diz Óscar no epílogo: "A Barcelona da minha juventude já não existe". 

Uma noite, era quinta-feira, Marina beijou-me nos lábios e sussurrou-me ao ouvido que me amava e que, acontecesse o que acontecesse, me amaria sempre.
 

Mergulhar na Barcelona de Zafón é mergulhar num mundo mágico e resplandecente, que nos puxa para si, para não mais nos largar. Ler Zafón é como fazer uma viagem, tanto pelo Tempo como pelo Espaço, em que o destino nunca é aquele que se está à espera. Belíssima história, com um final arrepiante e comovente. Uma história repleta de amor e tragédia, com um ambiente digno de um filme de terror ou suspense. Deviam mesmo adaptar estas obras ao cinema. Não esquecerei esta história, nem estas personagens. 

Surpreendi-me a mim mesmo olhando-a fixamente e, sem saber de onde me saiu aquela coragem, inclinei-me sobre o seu rosto procurando-lhe a boca. Marina pousou os dedos sobre os meus lábios e acariciou-me a cara, repelindo-me com suavidade. (...)
Cortou a folha e estendeu-ma.
- É para si, Óscar, para que não se esqueça da minha Marina.
(...)
Apaguei a luz e a imagem de Marina andando na sua praia deserta veio-me à mente.

 Recomendo. 

Às vezes duvido da minha memória e pergunto a mim mesmo se apenas serei capaz de recordar o que nunca aconteceu.
Marina, levaste todas as respostas contigo.
pág. 260

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 12 de maio de 2013

"Príncipe Mecânico", de Cassandra Clare

-Eu não sou capaz de explicar o amor - disse ele - e não te sei dizer se te amei na primeira, na segunda, na terceira ou na quarta vez que te vi, mas lembro-me de, na primeira, te ver a andar na minha direcção e de aperceber de que, de certo modo, o mundo parecia desvanecer-se quando estava contigo, que eras o centro de tudo o que eu fazia, sentia ou pensava. pág. 310

Sinopse:


No submundo mágico da Londres vitoriana, Tessa Gray encontrou por fim a segurança com os Caçadores de Sombras. Mas esta torna-se efémera quando forças desonestas na Clave se revelam para destruir a sua protectora, Charlotte, e substituí-la como chefe do Instituto. Se Charlotte perder a sua posição, Tessa será posta na rua - e presa fácil para o misterioso Magister, que deseja usar os poderes de Tessa para os seus fins obscuros.

Com a ajuda do bonito e autodestrutivo Will e do devotado e dedicado Jem, Tessa descobre que a guerra do Magister contra os Caçadores de Sombras é pessoal. Ele culpa-os de uma tragédia íntima que lhe destruiu a vida. Para desvendar os segredos do passado, o trio viaja através das névoas do Yorkshire para uma mansão que contém horrores indizíveis, dos bairros-de-lata de Londres para um salão de baile encantado, onde Tessa descobre que a verdade sobre a sua paternidade é mais sinistra do que alguma vez imaginou. Quando encontra um demónio mecânico com um aviso de Will, apercebe-se que o Magister sabe de todos os seus movimentos… e que um deles os traiu.

Tessa descobre que o seu coração está cada vez mais atraído por Jem, apesar do seu anseio por Will e dos sombrios estados de alma que continuam a abalar a sua confi ança. Mas algo está a mudar em Will… a parede que construiu à sua volta desmorona-se. Conseguirá o Magister libertar Will dos seus segredos e dar a Tessa as respostas sobre quem é e para que nasceu? A verdade leva os amigos para o perigo, e Tessa descobre que quando o amor e mentiras se misturam podem corromper até o coração mais puro. (in GOODREADS)

- Jura-me que o amas o suficiente para casar com ele e fazê-lo feliz.
- Juro.
- Nesse caso, se o amas, por favor não lhe digas nada do que se passou aqui entre nós. Não lhe digas nunca que te amo.
pág. 339

Opinião:

Este é o segundo volume da trilogia "As Origens", da saga sobre os Caçadores de Sombras.
Este volume é um pouco mais calmo do que o anterior, no entanto não se lhe fica nada atrás, aliás, é até mais engenhoso uma vez que nos mostra detalhes e enredos mais complexos. É preciso acalmar para explorar melhor o conteúdo da história e Cassandra Clare esteve muito bem!

As personagens continuam fantásticas! Muitos mistérios começam a ser resolvidos e vemos como isso modifica as personagens. Muitos são os seus terrores e aventuras, amores e loucuras. Se atrás disse que a ação era mais calma, há algo nela que não é: o romance. As personagens são atiradas para uma espiral de loucura, em que o romance é o pilar fulcral das suas vidas. Tessa, que continua a ser um mistério, se bem que com algumas novas informações, vê-se enredada entre dois rapazes, Will e Jem. No primeiro livro já tínhamos observado que Tessa tinha um fraquinho por Will e ele por ela, o que não se sabia é que Jem também almejava algo com a jovem. Jem, o rapaz bom e frágil, apresenta-se como enamorado de Tessa e esta fica dividida, pois se um é incerto, instável e perturbado, o outro é a bondade pura. Aqui está um triângulo amoroso muito bem conseguido, a meu ver, com uma verdadeira história de amor entre as personagens, pois não é apenas o amor por Tessa que está em causa, mas sim a grande amizade entre Jem e Will, que são parabatai (parceiros unidos pela alma até à morte). Will, que sempre salvou o seu amigo, e foi salvo por ele, teme vê-lo sofrer, devido à sua doença. Será isso que o fará retirar-se da conquista por Tessa?
- Quantas raparigas já fizeste desmaiar com essa prática?
- Só me interessa fazer desmaiar uma - respondeu ele. - A questão é se ela quer.
- Ela quer - replicou com um sorriso.
pág. 252


Quanto às outras personagens não há muito a dizer, continuam todas muito bem, bastante complexas e interessantes. A história sem elas seria nula, pois, de facto, não basta um triângulo amoroso para termos uma boa história, mas sim um leque de boas personagens, com um pano de fundo interessante, misterioso, perigoso e belo, que nos leve a sentir a história, a senti-la de verdade, como algo maravilhoso. Estes livros estão a conseguir ser assim, o que é óptimo, pois eu estou a gostar bastante!

A luta pelo conhecimento sobre Mortmain e os seus autómatos prossegue e torna-se cada vez mais sinistra. Estes aspetos do enredo são muito interessantes, pois, de facto, quem é Tessa? O que terá ela a ver com Mortmain? Porque será que ele a quer tanto? O que será ela, de verdade? Há imensas questões que podem ser postas e é isso que é bom numa história. Questões que nos façam imaginar, por hipóteses, para dar mais vontade de ler! Excelente!

Terei de esperar por "Princesa Mecânica" para ficar a saber mais e acredito que será uma história fabulosa! 
Como sou imortal, pensou ela, só tenho isto, esta vida. Não reencarnarei como tu, Jem, não te vou ver no Céu, nas margens de um grande rio ou na vida que está para além desta. pág.354

NOTA (0 a 10): 10