Mostrar mensagens com a etiqueta Porto Editora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Porto Editora. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

O Olhar de Sophie, de Jojo Moyes

Sinopse:

Em 1916, Sophie vive no Norte de França, a França ocupada pelo Exército alemão. Vive com a sua família, uma vida de privação e medo. Quando o comandante das tropas alemãs decide ocupar o seu hotel e jantar lá com os seus soldados, descobre o quadro de Sophie, pintado pelo seu amado marido, Édouard Lefèvre, que está na Frente. Tudo o que Sophie mais sonha em conseguir é encontrar o seu marido e voltar a ser feliz com ele. Para isso, Sophie é capaz de arriscar tudo.

Quase um século depois, o quadro de Sophie encontra-se numa parede de uma famosa casa em Londres. Liv Halston, a sua proprietária, vê-se numa grande confusão quando o quadro é descoberto, uma vez que familiares de Lefèvre querem recuperar os seus quadros, agora muito valiosos. 

Presa entre o dever de devolver o quadro, perante a lei, e o dever de conservar a memória de Sophie, Liv começa a tentar desvendar o mistério de Sophie, quem era, para onde foi, o que lhe teria acontecido durante o período da ocupação.

Opinião:

Esta é daquelas histórias que nos deixa presos ao livro. Apesar de achar que podia ter sido diferente em algumas partes, com mais detalhes ou com mais emoção, não consegui parar de ler e acabei por gostar bastante. A história é dividida em duas partes, nem sempre de modo igual. Temos a história de Sophie, durante a Primeira Guerra Mundial, na França ocupada pela Alemanha. E depois temos a parte passada nos dias de hoje, que retrata o dia a dia de Liv e de como a história de Sophie se interliga com a dela. Ora bem, o enredo é bastante emocionante e rico em momentos de grande tensão. Também tem belos momentos de amor.

É uma história com muitas peripécias. Gostei da forma como a autora guiou a história e teria também gostado que tivesse aprofundado um pouco mais a parte de Sophie, mas isso faz parte do mistério do enrendo e do que o deixou tão emocionante. Apresenta uma boa contextualização histórica.

A escrita é muito fluente, o que torna a leitura rápida. É possível devorar o livro! Isso também se deve à fluência narrativa e ao interesse que desperta no leitor. 

Gostei bastante do modo como a autora interligou as várias histórias, em especial a de Sophie e de Liv. Também gostei bastante do relevo que algumas personagens tiveram no desenrolar da trama e de como surgiram para clarificar algunas aspetos tão importantes para a narrativa. A autora conseguiu guardar muito bem alguns detalhes até os mostrar nos momentos certos para grande suspense. Isso é muito interessante. 

Em suma, é um bom livro que tem vários ingredientes: mistério, romance, ação, História, intriga e uma trama intricada. Para todos os que gostam de livros que fazem o leitor não querer parar de os ler, aqui está uma excelente opção de leitura! Recomendo totalmente! 

NOTA (0 a 10): 9

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Sangue da Virtude - Parte 1, de Terry Goodkind

Sinopse:

Richard aceita o seu novo papel: um homem nascido com o dom e destinado a ser um feiticeiro guerreiro. Contudo, nas terras dos dois Mundos, nem todos encaram a magia com bons olhos. O Sangue da Virtude, uma seita formada por mercenário fanáticos, para quem a magia é o meio através do qual o Guardião influencia os homens, tem como missão enviar para o mundo dos mortos todos os seres mágicos.

A destruição da Grande Barreira tem consequências que nem um seeker poderia prever - a Ordem Imperial, o governo do Velho Mundo, avança com os seus exércitos para conquistar o Novo Mundo. A única opção de Richard para deter a invasão é reivindicar a sua herança, unindo todos os reinos sob uma só lei - um pacto entre a magia e o aço - e uma só autoridade - a do único homem que, nascido para a verdade, foi tocado pela morte e cuja ira, libertada, pode finalmente trazer o equilíbrio aos Mundos.


Opinião:

Depois de algum tempo (muito...!) de espera, saiu por cá a continuação da saga A Espada da Verdade. Como fiquei fã logo no primeiro livro, fiquei muto contente e assim que pude comecei a sua leitura.

Nesta primeira parte, encontramos várias personagens, em vários momentos da sua própria narrativa: Richard a braços com o poder e com a necessidade de se impor enquanto chefe de toda a Terra Central; a Irmã da Luz Verna, a tentar não ser consumida pelas tarefas enquanto Madre Superiora; as Irmãs das Trevas que conseguiram fugir; o chefe do grupo Sangue da Virtude. Todas as partes encaixam-se na narrativa global, formando uma história bastante poderosa e cheia de grandes emoções. 

As personagens continuam no seu melhor, cheias de segredos e dilemas complexos para enfrentar e resolver. Também apareceram algumas mais misteriosas que têm tudo para tornar a história ainda melhor. 

Gostei muito da forma como a história foi desenvolvida. Alguns aspetos surpreenderam-me e agradaram-me, porém outros acabaram por quebrar um pouco o ritmo dos livros anteriores, na minha opinião. 

A parte do Sangue da Virtude não me agradou por aí além, criando alguns momentos mais parados e não tão interessantes. Outra parte que me surpreendeu, e não pela positiva, foi a parte do Richard. Estava à espera do ritmo frenético e cheio de emoção dos livros anteriores, algo que não aconteceu nesta parte. O facto dele ter outras responsabilidades e novas funções fez com que os seus momentos se tornassem mais lentos e metódicos, compreendo isso...mas não gostei muito. Felizmente, todas as outras partes da narrativa compensam esses aspetos menos interessantes. Fiquei agradada com o desenvolvimento de todas as outras partes, em especial porque trouxeram muito mistério e emoção para a próxima parte e próximos livros. 

A complexidade narrativa mantém-se. Os detalhes, os diálogos, a intriga...tudo está excelente e muito bem coeso e interligado. Continua a haver uma grande duplicidade nas personalidades das personagens, o que promove a intriga e mistério, que, a juntar com a magia e a fantasia, criam um ambiente muito denso e forte. 

Outro aspeto que também mantém o mesmo nível é a descrição. O autor continua a promover descrições soberbas, simples, úteis e eficazes, que fazem com que o leitor visualize automaticamente o que está a acontecer. Mesmo a nível das emoções e ações das personagens é possível sentir e acompanhar tudo o que acontece. Este é um dos fatores que mais me agradaram nesta história, a par da riqueza da narrativa e de algumas das personagens. 

Em suma, mais uma grande história que vou querer continuar a acompanhar. Recomendo a todos os que gostam de um bom livro de Fantasia, cheio de ação, mistério, magia, intriga e muitas emoções. Espero que a segunda parte esteja para sair em breve, porque fiquei muito curiosa! 

NOTA (0 a 10): 8

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O Segredo da Casa de Riverton, de Kate Morton

Sinopse:

Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar. 

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta. 
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente. 

Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor. (in Goodreads)


Opinião:

Mais um arrebatador romance escrito por uma das autoras que mais gosto de ler dentro deste género, que acaba por ser um misto de romance com mistério e thriller. Kate Morton tem-se mostrado como uma autora fantástica, dotada de uma escrita fabulosa e de um enorme poder para contar histórias, encadeando todos os detalhes, todos os momentos de modo a criar algo único e excelente. Este é o terceiro livro que leio dela e só tenho a referir aspetos positivos!

Riverton. Uma casa antiga, com mais de 300 anos de história. Uma família nobre, famosa e ilustre. Uma época de mudança, guerra e paixão. Contada na perspetiva de Grace, criada da família, esta é a história que assombra as paredes de Riverton e que nunca foi contada verdadeiramente. Uma história forte, cheia de emoções e muitas surpresas, que faz com que a leitura seja feita de forma frenética e veloz, uma vez que o leitor está sempre na expectativa de descobrir mais...de descobrir o segredo de Riverton.

Gostei muito da história e das personagens.

Em relação às personagens, posso afirmar que gostei de todas. Se bem que tenha acabado por ter um tanto raiva de Emmeline, pela sua personalidade, pelos seus feitos..., todas elas estão excelentes. Grace acabou por ser a minha favorita: discreta, com uma história escondida e crucial nos momentos mais importantes, acabei por gostar muito dela. Hannah é a personagem mais interessante, mais sombria e misteriosa, excepto Robbie, que a ultrapassa. Gostei de todas elas, uma vez que é um leque muito heterogéneo e distinto, cada qual com a sua parte na trama, o seu papel definido e único.

A história está primorosamente contada por Grace, uma excelente narradora. Quase com 100 anos, a antiga criada da casa e depois criada pessoal de Hannah, Grace tem uma história para contar ao seu neto, história essa que a marcou e lhe cria remorsos no seu coração. O que à partida parece ser uma coisa, logo acaba por se mostrar outra. Este aspeto está sempre presente nos livros da autora, o que os faz serem tão bons e imprevisíveis. Este não é excepção. A história das irmãs Hartford é muito forte. A família, o amor e o dever. Eis as bases que as regem e que regem toda a trama. Aqui não há espaço para meias palavras, nem para momentos delicados. Tudo se passa com grande fulgor e paixão e ambas as irmãs têm que enfrentar grandes acontecimentos que acabam por por à prova a sua amizade e amor entre ambas.

Ser guiado por Grace desde os seus 14 anos, quando foi trabalhar para a mansão, até aos seus quase 100 anos é uma experiência interessante, uma vez que ela tem muitos segredos para desvendar e contar. Tendo acompanhado a vida de Hannah e Emmeline desde a sua juventude, sabe tudo sobre elas e sobre o que levou à loucura na famosa festa dada em Riverton em 1924, no auge dos loucos anos 20. O mistério está muito bem contado, as pistas são dadas em pequenas doses e o leitor pode seguir por esta história como se estivesse presente em todos os momentos, como se estivesse de mão dada com Grace através da história. 

O facto dos acontecimentos narrados atravessarem um longo período de tempo, cerca de 20 anos, também dá outras mais valias à história. A Primeira Guerra, as mudanças sociais e económicas, a entrada na década de 1920 e tudo o que estes anos trouxeram (música, emoções, modas...), a liberdade social e de costumes que se começou a viver na época...tudo está aqui presente e tudo faz parte do contexto da obra. Kate Morton, mais uma vez, usou todos esses aspetos para criar um contexto perfeito e único, em que tais aspetos servem a história, dando-lhe coerência e realidade, sendo parte viva das personagens e do enredo em si.

As descrições estão soberbas, magistrais. É como se o leitor estivesse defronte de tudo o que é descrito. Aliás, logo na primeira página é possível entrar na história, começar logo a fazer parte do quadro visual que é ali apresentado. Imaginar logo a primeira cena foi o que me fez entrar automaticamente na história. Assim, a vivacidade das descrições em conjunto com a poesia da forma de escrita, faz com que a leitura da obra seja um momento maravilhoso, onde se entra na trama e se acaba por fazer parte do enredo.

Já tinha acontecido isso nos livros anteriores. A autora consegue sempre dar tudo de si e de tudo o que cria para dar prazer ao leitor, através das variadas descrições das personagens, da ação, dos espaços, dos objetos..., passando pela história e acontecimentos, até chegar ao cerno do mistério que há para desvendar. Porque há sempre um mistério escondido, algo que tem de ser dito, que tem de ser descoberto.

Mais um maravilhoso livro de Kate Morton, que recomendo sem reservas. Romance, mistério e muita emoção numa história bem contada.

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O Jardim dos Segredos, de Kate Morton

Sinopse:

Uma criança perdida: em 1913, uma criança é encontradas só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto. 

Um terrível segredo: no seu 21º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst.

Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvendar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida. (in Goodreads)



Opinião:

Li, no ano passado, As Horas Distantes e gostei bastante. Fiquei muito agradada e decidi apostar na escritora. Agora, em O Jardim dos Segredos, posso voltar a afirmar: Kate Morton é, dentro do seu género, uma escritora única e maravilhosa. 

O livro apresenta-nos várias personagens e três gerações principais, desde 1900 até 2005, aproximadamente. Começa com uma menina de três anos à espera de uma senhora que a acompanhava numa viagem para a Austrália, mas que nunca chegou a aparecer para a acompanhar até ao país tão distante. Essa menina acaba por crescer na família do capitão do porto, que a tinha descoberto e, até aos 21 anos, cresceu a acreditar pertencer àquela família. Porém, quando o pai adotivo lhe anuncia o seu passado, Nell (o nome dado pela nova família) afasta-se da família e começa a tentar descobrir o seu passado, para melhor se conhecer a si mesma. Nell acaba por ficar a meio do mistério e a sua neta, Cassandra, empreende a missão de descobrir o que faltava. Quem era Nell? De onde viera? Quem era a misteriosa mulher, a Autora, que a tinha deixado sozinha num navio? E porquê? Este é o mote para uma história densa, complexa e trágica que vai sendo revelada aos poucos, através dos pontos de vista das várias personagens das várias gerações. 

Eliza, Nell e Cassandra. Estas são as vozes principais da narrativa, havendo outras pelo meio e que acabam por ser tremendamente importantes para o conhecimento do mistério e dos porquês da sua existência. Todas elas são excelentes. Todas são complexas e com passados recheados de mistérios e acontecimentos diversos, que, todos juntos, acabam por influenciar toda a trama. Gostei de todas elas, tanto destas três como das outras, uma vez que são todas elas únicas e distintas. O leque é variado e há de tudo um pouco. Mas devo dizer que gostei mais de Eliza e da sua parte da história e o seu mistério foi muito bem guardado e criado. 

A narrativa está muito bem conduzida. O mistério vai sendo deslindado com mestria e requinte e o que parece óbvio num momento acaba por tornar-se bastante denso e complexo. A história de Nell acaba por enviar Cassandra rumo a mistério e a uma história muito mais sombria do que aquela que podia ser imaginada primeiramente. A autora não poupa nos detalhes e na criação de momentos de grande emoção. 

Outro aspeto importantíssimo para a história é o espaço. Os locais presentes ao longo da narrativa acabam por ser eles mesmos personagens. O jardim de Eliza, na propriedade para onde foi viver na Cornualha, é a fonte de tudo: do mistério, das respostas. A vida dela está ali para ser descoberta, e com isso, a história de Nell. Todas as descrições estão extremamente vívidas, coloridas...quase que é possível cheirar os aromas das flores, da macieira plantada há tanto tempo atrás. Também as descrições das ações e atitudes das personagens estão muito bem, uma vez que deixam-nos antever e ver como as personagens estão a pensar e como poderão agir em função de tais pensamentos e emoções. 

Esta história é feita de muitos ingredientes, que foram extremamente bem doseados para criar uma romance bastante denso e sombrio. O passado de Eliza na casa Blackhurst e a vivência com a sua família, em especial com a sua prima, Rose, é tudo menos perfeito e os segredos encerrados naquelas paredes são muitos e negros. A autora conduz o leitor muito bem, por caminhos labirínticos, sempre deixando antever alguma coisa, recuando e avançando devagar. 

Também gostei muito da forma como os contos de fadas de Eliza foram aparecendo e como estes foram importantes para o deslindar do mistério. Outro ponto a favor! 

Não há nada negativo a apontar nesta história, tal como não o houve em As Horas Distantes. Não vou comparar os dois livros, mas, entre os dois, acabei por gostar mais d' As Horas Distantes. O mistério desse foi mais esquivo do que o deste e tornou-se mais difícil de descobrir, o que me agradou mais. 

Em suma, recomendo vivamente a todos os que gostam de um bom romance, repleto de emoção e mistério. 

NOTA (0 a 10): 10 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O Bizarro Incidente do Tempo Roubado, de Rachel Joyce

Sinopse:

Em 1972, foram adicionados ao tempo dois segundos para compensar o movimento de rotação da Terra. Byron Hemmings está fascinado por este fenómeno. Nesse mesmo ano, envolve-se num acidente de consequências devastadoras.

Byron e James Lowe, o seu melhor amigo, estão convencidos de que a culpa foi daqueles dois segundos. Assim, decidem iniciar uma investigação para apurar as verdadeiras razões de tal acidente. Mas desafiar o destino pode ser perigoso...

Rachel Joyce confirma o seu talento de grande romancista, com este retrato de uma família levada ao desespero pela obsessão de uma criança. (in Goodreads)



Opinião:

Este é um livro muito interessante e bem trabalhado. O que parece ser uma simples história sobre dois amigos na casa dos dez anos, acaba por tornar-se nalgo muito mais denso e complexo, com contornos bastante sérios. A história é narrada de uma forma bastante engraçada e descontraída, o que provoca ainda mais a subtil tristeza e complexidade da história. Com personagens carismáticas e bem construídas, este livro lê-se de uma forna interessante, exigente por vezes, e não nos deixa indiferentes. Esta divido entre passado e presente e essa divisão está muito bem conseguida, tendo como grande mérito dar solidez é corpo à história.

Byron e James andam numa escola particular, são ricos e estão protegidos de tudo. Um tanto diferentes de outros colegas, ambos sãos os melhores amigos. James, o mais inteligente dos dois, é a âncora de Byron e está sempre disposto a ajudá-lo. Quando, no início de 1972, lhe diz que aquele ano teria mais dois segundos, Byron entra em pânico, temendo esse tempo a mais e o que tal provocaria ao mundo no geral. 

Toda a história nasce em torno deste medo de Byron, que acaba por desencadear os mais graves acontecimentos ao longo da narrativa. A forma como a história roda e roda em torno dos dois segundos e dos medos de Byron e James acaba por dar a forma ao enredo e por ser o contexto todo da obra.  Um medo de nada, de uma criança, acaba por provocar danos irreparáveis nas vidas de todos ao redor de Byron. Mesmo que sejam, primeiramente, atitudes e acontecimentos pouco preocupantes, acabam por se transformar num mar revolto, onde James, Byron e Diana, a mãe de Byron, se veem ligados de uma forma muito unida. 

Existem vários temas abordados na história. Desde as diferenças sociais e económicas, até a questões psicológicas muito sérias, passando pela amizade e o preconceito, as personagens dão à história um contexto rico em desenvolvimentos e temas. O preconceito, principalmente, acaba por estar na base de muitas das atitudes das personagens, bem como o medo, que é gerado pelo preconceito, que também é gerado pelo medo, como um círculo. Preconceitos sociais, económicos, físicos, psíquicos são os principais e estão muito bem trabalhados, mesmo que nem sempre sejam logo notados à primeira vista. Tudo é tão subtil que nada está dito expressamente.  

Todas as personagens são interessantes e complexas, se bem que o grande trunfo acabam por não ser tanto as personagens mas as suas ações e sentimentos. O que gira em torno delas é que faz com que a história aconteça. 

Não é uma leitura fácil, pelo menos a partir do meio do livro. Inicialmente é como que uma história engraçada com um contexto original. No entanto, a dado momento o que era engraçado e original passa a ser muito sério e acontece uma espécie de decadência das personagens. Não que percam interesse, mas que elas próprias, nas suas realidades, acabam por desfazer-se e modificar-se tanto, mas tanto, que a decadência é grande. O que era belo torna-se feio, o que era ativo, passivo e até apático. As personagens sofrem imensas transformações ao longo da história, o que faz com que a história siga o seu percurso. 

A escrita é muito bela e original. A autora consegue criar imagens visuais muito fortes e marcantes através do uso de determinados vocábulos, expressamente usados de modo a criar tais imagens. Os significados das ações, descrições e acontecimentos também estão muito bem descritos e apresentados. 

Em suma, gostei bastante da história e recomendo-a a todos os que gostam de um bom livro. 

NOTA (0 a 10): 9

sábado, 26 de março de 2016

A Pedra das Lágrimas Parte 2, de Terry Goodkind

Sinopse:

Esta é a segunda regra dos feiticeiros:
O pior dos males pode surgir da melhor das intenções


Os caminhos de Richard e Kahlan separaram-se: forçado a submeter-se aos desejos da Madre Confessora, o portador da Espada da Verdade encaminha-se para o Palácio dos Profetas, em Tanimura, a fim de aprender a controlar o seu dom, antes que este o mate. Por outro lado, a última das Confessoras, enredada numa trama de mentiras piedosas cujo único objetivo é salvar a vida do homem que ama, dirige-se para a Fortaleza dos Feiticeiros, em Aydindril, onde espera encontrar Zedd e, juntos, ajudarem Richard a cumprir o seu destino.

Todavia, num mundo em que a magia é, simultaneamente, uma bênção e uma maldição, e em que qualquer um pode ser um agente do Guardião disfarçado, distinguir aliados de inimigos revela-se uma tarefa hercúlea. Através dos seus próprios erros, o seeker e a Madre Confessora vão descobrir, da forma mais dolorosa, que a maior das bondades e a melhor das intenções podem constituir um caminho insidioso para a destruição. 

Sabedoria, prudência e uma b
oa compreensão da primeira regra dos feiticeiros são as únicas armas de que dispõem: mas serão suficientes para reparar o véu e devolver a Pedra das Lágrimas ao reino dos mortos? (in Goodreads)


Opinião:

Depois de ter lido a primeira parte há umas semanas, foi com grande entusiasmo que peguei na segunda. E foi novamente maravilhoso. O livro não devia de estar dividido, mas se assim pode ser editado por cá, não me vou queixar, porque é mesmo bom. 

Não há muito para dizer uma vez que muito do que referi na opinião da primeira parte seria dito aqui, pois o livro é um todo e o enredo mantém-se ao mesmo nível, como seria de esperar. A divisão foi bem feita, uma vez que a primeira parte terminou na parte certa e mais misteriosa, que pegou muito bem na segunda parte. O enredo continua repleto de ação, emoção, mistério, magia e perigos. Notei, por causa da história em si, uma maior concentração por parte do autor nas personagens e na ação em si: a história não se dispersa tanto, não há tantos POV'S por assim dizer, o que facilita a congruência do enredo e personagens, que era algo necessário ao desfecho deste livro, pois só assim podia dar uma sensação de conclusão: reuniam de certas personagens, determinados acontecimentos (a ida de Richard para o Palácio dos Profetas, a ida de Kahlan até ao seu reino e o que lá acontece, o encontro do feiticeiro com a Madre Confessora e por aí...). 

Ou seja, a nível de enredo o livro, no seu todo, é fantástico. Mais uma vez volto a dizer que é uma excelente fantasia, com tudo o que deve ter e que cada vez se distingue mais (à medida que o enredo avança) de outras histórias de que de certo foi beber e que já referi noutras opiniões sobre estes livros. 

As personagens mantêm-se ao mesmo nível. Confesso que gostei de ver Richard e Kahlan em pontos opostos, para poder vê-los em ação separados. Richard é uma excelente personagem, cheia de personalidade e força. Kahlan ainda está melhor. Gostei muito de a ver lutar, de a encontrar mais autónoma e majestosa. É uma personagem feminina muito forte, que tem tudo para ser uma das minhas favoritas dentro do género. Em relação às outras personagens, gostei muito de das novas, principalmente a nível do Palácio dos Profetas, que foi uma das partes do enredo que mais me agarrou por causa do seu mistério e duplicidade. 

Gostei muito do rumo da história: é cada vez mais denso, mais misterioso e perigoso. As personagens mostram ter várias caras, existem muitos mistérios por desvendar, muitos enigmas e grande ação. É como se o leitor estivesse lá no centro de tudo, como se fosse uma personagem que vive a história. A escrita do autor faz com que isso seja possível, tal como o ritmo frenético em que é contada e os detalhes que são dados ao longo da narrativa. Também a nível do contexto, do universo em si, existe um grande avanço, uma vez que nesta parte é mostrado muito mais da História destes mundos. A existência do Mundo Velho e Mundo Novo, para além da Terra Ocidental, D'Hara e por aí, torna o contexto muito mais rico e consistente. Mostra que existe de facto todo um contexto criado de raiz, que é sempre algo muito importante e até fundamental neste tipo de literatura, uma vez que os mundos criados têm de ter uma História e um contexto credível, por mais fantásticos que sejam. O autor conseguiu-o fazer muito bem e isso vai sendo comprovado à medida que a narrativa avança. 

Em suma, o livro é excelente. Fazendo agora uma breve síntese do livro no seu todo (primeira e segunda parte) tenho a referir que esta história é excelente e tem tudo para agradar aos fãs deste género e até de outros géneros. Sei que há muitas opiniões menos boas sobre a história, mas eu gosto muito dela e vejo-lhe muito potencial. Espero mesmo que continue a ser editada por cá, porque é uma maravilha. Dentro do género fantástico está-se a revelar uma das minhas histórias favoritas. Recomendo a todos! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 12 de março de 2016

A Pedra das Lágrimas Parte 1, de Terry Goodkind

Sinopse:

Richard e Kahlan conseguiram finalmente vencer o poderoso Darken Rahl. Contra todas as probabilidades, encontram também uma forma de viver algo que julgavam impossível: o seu amor. 

No entanto, o que parecia ser o início de um longo idílio é bruscamente interrompido: o véu para o mundo inferior foi rasgado. Darken Rahl, agora no reino dos mortos, é colocado ao serviço de um poder ainda mais sinistro, pior do que qualquer outro: o Guardião do mundo inferior pretende governar também os vivos, aprisionando-os num limbo eterno. O único capaz de o deter é Richard, o homem que nasceu para a verdade e que foi marcado pela morte.

Guerra, sofrimento, tortura e mentiras envolvem nas suas teias o seeker e a Madre Confessora. Um destino de morte violenta - ou uma existência condenada ao calvário perpétuo - parece certo, a menos que a sua coragem e fé, e um pouco de sorte, os conduzam à chave que pode circunscrever o poder do Guardião: a Pedra das Lágrimas.
(in Goodreads)

 

Opinião:

Depois de ter lido no ano passado o primeiro volume (por cá foi dividido em dois) e de ter gostado imenso, foi com grande entusiasmo que comecei a ler este volume, que é o terceiro por cá ou a primeira parte do segundo volume (original). E só tenho a dizer bem do livro! 

Gostei imenso de rever Richard e Kahlan, Zedd, Chase e muitas outras personagens. Continuam todas excelentes e complexas, com muitos segredos, o que é excelente, para se poder ir tentando descobrir. Este livro podia estar organizado por POV's, porque existem vários capítulos com destaque para cada grupo ou núcleo de personagens/acontecimentos/espaços, o que é sempre uma excelente forma de organizar este género de livros, uma vez que tendem a ser extensos e com vários núcleos diferentes. Em relação às personagens não tenho nada de negativo a apontar. Gostei de conhecer as novas personagens, ficando bastante curiosa quanto às Irmãs da Luz e às Irmãs das Trevas, que tem um papel de grande destaque neste livro e, seguramente, nos próximos. Fiquei muito curiosa em relação ao seu objetivo e à sua história, bem como à divisão entre Mundo Novo e Mundo Velho, que anteriormente ainda não tinha aparecido.

Também gostei muito do enredo. Mais crescido e desenvolvido do que o livro anterior, nesta primeira parte a história apresenta-se logo no início com muita ação e emoção. Tendo em conta o final do primeiro livro (original), seria de prever que esta história seria um tanto mais calma e de ligação para algo novo. De facto, serve de ligação, mas não é nada calma e deixa tudo em aberto. As personagens, que no início do livro tinham um caminho traçado, logo veem os seus planos alterados com a chegada de novas personagens e novos acontecimentos. Isso faz com que a história seja bastante fluída e emocionante. Também é mais crescida no que diz respeito aos temas abordados. Deixamos de ter uma narrativa de viagem ou de aventuras, parecida em alguns aspetos com tantas outras (O Senhor dos Anéis ou A Roda do Tempo), para algo mais negro e sinistro. Existem imensos monstros estranhos e temas obscuros, em especial relacionados com as novas personagens. Isso também deu um novo animo à história. 

A escrita é muito fluída, como já referi. As descrições não são em grande número, mas são na medida certa para a história e para o seu contexto. Gosto especialmente de todos os momentos em que é possível ficar a saber mais sobre a História deste mundo, as suas culturas, tradições e passado, que é bastante rico. A ação é constante o que torna a leitura bastante compulsiva, pois está se sempre a querer saber o que vai acontecer a seguir. Ou seja, tem tudo o que um bom livro de Fantasia deve ter: magia, ação, emoção, aventura, amor...entre outros ingredientes. 

Em suma, gostei imenso do livro e vou querer ler muito em breve a segunda parte. Ai terei uma ideia mais formada sobre o livro no original, uma  vez que está dividido, mas a ideia está feita: o livro é excelente! Recomendo a todos.

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A Quimera de Praga, de Laini Taylor

Sinopse:

Pelos quatro cantos do mundo, marcas de mãos negras começam a aparecer nas portas, gravadas a fogo por estranhos seres alados, saídos de uma fenda no céu.

Numa loja escura e empoeirada, o abastecimento de dentes humanos de um demónio começa a ficar perigosamente reduzido. E nas ruelas labirínticas de Praga, uma jovem está prestes a embarcar numa jornada sem retorno.

O seu nome é Karou. Karou não sabe quem é, nem porque vive dividida entre o mundo humano e a sua família de demónios, mas crê que as respostas podem estar para lá de uma porta nos recantos sombrios de uma loja, ou no confronto com um completo desconhecido, de olhar abrasador e aparência divina - o anjo que queimou as entradas para o seu mundo, deixando-a só .
(in Goodreads)



Opinião:

Depois de ler várias opiniões sobre esta trilogia, tive muita curiosidade em lê-la. Pois bem, para primeiro livro está interessante, mas há muita coisa da qual não gostei propriamente. 

Em relação às personagens, tenho a referir que gostei de Karou, a personagem principal, bem como de Akiva, o anjo que se enamora por ela. Quanto a personagens secundárias, gostei de Zuzana, a amiga de Karou, se bem que me pareceu um bocadinho espalhafatosa em algumas falas e atitudes. Achei as personagens, no geral, sem profundidade e superficiais. Não posso dizer que tenha ficado "apaixonada" por nenhuma delas e esperava mais destas personagens. Também as achei um bocadinho cheias de "tiques" de adolescentes, o que era desnecessário.

Este aspeto não só está presente nas personagens, como também ao longo da narrativa e da própria escrita da autora. A história é um romance, pontuado por momentos de fantasia e magia, que são os melhores momentos, a meu ver. Tem uma premissa interessante e original e espero que seja desenvolvida nos próximos livros, mas não me agarrou totalmente. Não fiquei surpreendida com as reviravoltas, porque são, em alguns momentos, bastante óbvias. A escrita está cheia de frases suspensas e que, provavelmente, tentam chamar a atenção para determinados aspetos...e isso não me soou bem. Parece que a autora está a tratar os leitores como se não estivessem a entender o que estão a ler. Também dá um ar de "oh, que espanto! oh, que fantástico!" que é típico de adolescentes e isso fez-me lembrar um bocadinho a saga Crepúsculo, da qual não gostei.

Quanto ao que gostei mais, posso dizer que gostei da história em si. Gostei da ideia e do mundo criado pela autora, que merece ser mais explorado e não de um forma amorosa e só com foco na relação das personagens, mas também com atenção à história do mundo criado e ao seu contexto. O contexto podia ter sido melhor explorado e mais fundamentado. Espero que melhore, porque a história é interessante.

A parte de fantasia e magia é diferente do que costumo ler. Pareceu-me, no início, um bocadinho parecido com os livros da Cassandra Clare, mas não é. Gostei do desenvolvimento da história em relação a estes aspetos, daí querer ver o contexto mais explorado.

Em suma, é um bom começo para esta trilogia, apesar de não me ter arrebatado. Vou querer ler os próximos volumes, para saber mais sobre esta história. Para quem gosta de fantasia urbana, principalmente, esta é uma boa aposta: romance, ação e magia. Espero que gostem!

NOTA (0 a 10): 6

domingo, 3 de maio de 2015

Divergente, de Veronica Roth

Terminei ontem a leitura do primeiro livro da trilogia Divergente. Não estava com grande ideia de me debruçar sobre esta história, mas acabei por fazê-lo uma vez que encontrei o livro numa boa promoção da Bertrand. Como gosto de andar a par das tendências literárias, não pude deixar de me interessar...e também quero ver os filmes. Por isso, decidi apostar. 



Sinopse:

Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.

Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.
(in Goodreads)

Opinião:

Bem...a ideia que tinha desta trilogia é que era parecida com a dos Jogos da Fome e penso que não me enganei muito. Não é a mesma coisa, tem diferenças, mas no fundo, a base é muito parecida. E acho que isto pode ser aplicado a uma boa parte das distopias que por aí andam. Pois bem, se tivesse de comparar um com o outro, iria dizer que gostei mais dos Jogos da Fome, porque tem mais acção e mais impacto, mas eu não quero comparar mais estas histórias entre si, porque quero distanciar-me disso. Assim, o que tenho a dizer é o que gostei. Era o que estava à espera, não fiquei maravilhada, mas é uma leitura agradável, fluída, que cumpre o seu propósito de entretenimento. 

Houve alguns momentos muito bons a nível emocional, principalmente na recta final, que me fizeram gostar mais da história, mas a maior parte do enredo não avança muito e é muito linear. 

Não senti um grande apego pelas personagens. Tris é uma rapariga fixe, cheia de vontade, interessada e isso tudo, e é uma boa personagem feminina, mas dei por mim a pensar que se lhe acontecesse alguma coisa durante a história eu não iria ficar mais ansiosa ou chateada. E isso foi o que mais me aborreceu neste livro: não consegui sentir apego pela Tris, nem pelas outras personagens, com excepção de Quatro, que me agradou um bocadinho mais. As únicas partes em que Tris me emocionou foi no final e durante as terríveis cenas de bullying que estão presentes ao longo da narrativa. Achei essa parte fundamental e muito bem empregue, porque esta é uma forma de trazer à tona uma assunto tão nefasto como o bullying para a ribalta, podendo assim ser posto a nu e debatido, para que as pessoas compreendam o mal que faz a quem dele sofre e também a quem o emprega. Gostei de como a autora trouxe este tema para a história e isso fez-me gostar do livro, tal como os momentos de acção e intriga que vão acontecendo. 

Em relação ao contexto tenho a dizer que está interessante e tem um pano de fundo que podia ser real. A existência das facções e o que lhes deu origem, bem como o que as está a fazer cair, está bem contextualizado e faz com que o enredo ganhe credibilidade. Também gostei deste factor. 

Vou querer acompanhar a trilogia e vou querer ver os filmes, porque estou na expectativa de ver se vou gostar mais dos livros seguintes. Em suma, é um livro que se lê bem, com uma história interessante, um contexto bem definido, um ritmo rápido e constante. Não existem momentos parados, há sempre movimento e algo a acontecer e isso agradou-me.

NOTA (0 a 10): 7

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A Espada da Verdade - A Primeira Regra dos Feiticeiros parte II, de Terry Goodkind

Na segunda parte desta obra esperava que continuasse ao mesmo nível, uma vez que é apenas metade do livro e não o segundo volume. E não me desiludi de modo algum, uma vez que este parte acabou por se revelar ainda melhor do que a primeira. 


Neste livro começa-se onde terminou o anterior: Richard e Kahlan a saírem do território do Povo da Lama, com um mar de aventuras à sua espera e imensos perigos à espreita. Assim, lá vão eles, na demanda para encontrar a terceira caixa de Orden até ao primeiro dia de Inverno, de modo a travar Darken Rahl.

Não me vou alongar em detalhes sobre o enredo, uma vez que, para tal, teria de contar demais e isso poderia estragar o prazer da leitura a quem não gosta muito de spoilers. Mas posso dizer que continuei a gostar imenso das personagens, do enredo e da excelente forma como o autor dirigiu os acontecimentos, de modo a proporcionar um final fantástico e cheio emoção e pontas soltas. Ou seja, tem o final perfeito para o primeiro volume de uma saga de Fantasia.

Como referi, as personagens continuam a transmitir carisma e carácter e aparecem novas personagens. Temos mais perspectivas da história através dos olhos de outras personagens, que acabam por trazer ainda mais prazer à leitura. Principalmente porque são personagens que fazem com que o leitor se emocione com a história, principalmente a nível da raiva contra estas ou então com de extrema amizade. Por exemplo, temos a princesa Violeta e a sua mãe, a rainha Milena, que são ambas destiladores de ódio. Mas também temos personagens como Rachel e Scarlet, que me fizeram sorrir bastantes vezes ao longo da narrativa. E depois temos Denna...

Denna é a personagem que mais novidade traz a esta parte da história. Sendo ela uma Mord-sith (faz-me sempre lembrar A Vingança dos Sith), o seu papel é caçar pessoas com capacidades mágicas e treiná-las para se tornarem seus capachos, a mando de altas identidades, em especial do Lorde Rahl, uma vez que as Mord-sith são originárias de D'Hara. Depois de Rahl mandar Denna caçar e treinar Richard, Denna proporciona aos leitores momentos de pura violência, a todos os níveis. Comparando com As Cinquenta Sombras de Grey (que não li, mas já li muito sobre), os capítulos onde Denna é senhora poriam Mr. Grey a um canto. E confesso que essa parte do livro me fez alguma impressão, devido à forma real como o autor escreveu as cenas, onde abunda a violência. Fiquei um bocadinho constrangida e revoltada, porém, para o desfecho que a parte de Denna teve, tudo se justificou, e ela acabou por ser uma das personagens mais marcantes do livro, que mais me comoveu, a dada altura.

Gostei muito do final, como já referi, e como o autor entrelaçou diversos aspectos da história de modo a presentear os seus leitores com um final maravilhoso. É um final, que não sendo mesmo o final da obra, mostra a mestria do autor em estabelecer ligações pequenas e cruciais. Pareceu-me, a dado momento, que estava a ler um dos livros de Scott Lynch. E claro que isso pesou para o meu contentamento com a história e com o autor, uma vez que gosto imenso das histórias de Locke Lamora.

Em suma, gostei de tudo. Há muito mais acção nesta parte do livro, o que é normal tendo em conta o tamanho original deste. A velocidade a que a história avança também é maior e mais dinâmica. Os mistérios e alguns momentos de suspense e até algum terror, também se mantêm. Fica-se a saber mais sobre a cultura dos diferentes povos e também mais sobre a magia. Não podia ter sido melhor e fiquei satisfeita.

Espero que a Porto Editora continue a publicar por cá esta saga, senão será outra a seguir em inglês, pois vou querer saber mais sobre Richard e os seus amigos.

Podem ler a opinião sobre a primeira parte aqui

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A Espada da Verdade - A Primeira Regra dos Feiticeiro parte I, de Terry Goodkind

Aqui está a primeira parte do livro A Primeira Regra dos Feiticeiros. Estava muito entusiasmada para o ler e mesmo com algumas opiniões mais negativas continuei a estar curiosa...e ainda bem! 


O livro conta a história de Richard Cyper, um jovem guia de floresta que, depois de uma série de acontecimentos estranhos e medonhos, acaba por se encontrar perante uma difícil tarefa: ser Seeker (aquele que procura a Verdade). Ao encontrar e defender uma jovem misteriosa, Kahlan, Richard começa uma aventura para a salvação do seu povo, contra Draken Rahl, filho do antigo líder de O'Hara, que tentara quebrar todos os povos sob o seu jugo. Num mundo dividido em três por uma fronteira mágica, tudo começa a desmoronar-se e Richard tem de fazer tudo para salvar o seu povo.

Pode ser um tema muito batido na Fantasia. Muitas são as histórias cujo contexto é este: demandas para salvar o mundo de alguma personagem malvada. A premissa não é nova, mas a história é boa. As personagens são interessantes e bastante reais, nomeadamente as principais. É uma narrativa de viagem bastante fluente e rápida. A linguagem é limpa, os detalhes não são demasiados, mas na medida certa para que o leitor imagine o ambiente e as personagens. Portanto, por mais que possa parecer mais do mesmo, não é.

Quanto às personagens, gostei bastante de Richard e de Kahlan, cuja relação é bastante interessante. Os segredos de ambos estão sempre no meio, ali a tentar aparecer, mas sem nunca serem revelados, deixando o mistério no ar quanto às reacções das personagens e aos segredos em si. Há um mistério à volta das personagens que me é muito agradável. Também as personagens secundárias são bastantes completas, harmonizando toda a narrativa, aparecendo nos momentos mais relevantes e relevando-se fulcrais para o desenrolar da narrativa.

Senti um ambiente de mistério e de algum terror em determinados momentos, especialmente aquando de certas aventuras perto da Fronteira, isto devido às intensas descrições da atmosfera desses momentos. Este factor entusiasmou-me bastante, uma vez que intensificou ainda mais a narrativa.

Há de tudo um pouco ao longo da narrativa: amor, amizade, terror, atrocidades, guerras, intriga, política, coragem, humor e perseverança. Ou seja, tem de tudo um pouco.

É uma história bem contada, com aventuras que deixam o leitor a perguntar por mais e a querer pegar no livro para ver o que vai acontecer, o que é sempre um incentivo à leitura!

Outro aspecto que muito apreciei foi o facto de existirem bastantes dilemas morais ao longo da história, em que as personagens têm muito com que pensar e reflectir, o que se relaciona intimamente com a realidade que as personagens demonstram.

O único reparo que tenho a fazer é sobre a existência de muitos "queridos" e "queridas", que, a meu ver, não eram muito necessários, pelo menos tantas vezes.

Agora é ler a segunda parte e esperar que mantenha o ritmo e a qualidade desta parte, o que espero que aconteça, uma vez que as duas partes são o livro todo. De referir ainda que as capas da edição portuguesa, das duas partes, são lindas.

Recomendo vivamente! Mais um livro de Fantasia que mostra tudo que este género tem para oferecer. 

Citações:

- Porque muitos precisam de ser escravizados para progredir - ponderou, com tristeza. - No seu egoísmo e ganância, veem as pessoas livres como opressoras. Querem um líder poderoso, que corte as plantas mais altas para que assim o sol possa chegar até eles, apenas porque acham que nenhuma planta deve ultrapassar o tamanho da mais baixa de entre elas. Preferem que alguém lhes proporcione uma luz que as guie, seja qual for o combustível que a alimente, do que acender uma vela por si mesmos. Alguns acreditam que o Rahl lhes sorrirá e recompensará quando vencer, daí serem tão cruéis quanto ele. Outros estão apenas cegos para a verdade e lutam pelas mentiras que ouvem. Há também quem descubra demasiado tarde que está agrilhoado. Pág. 197

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 25 de março de 2013

"A Lenda de Sapphique", de Catherine Fisher

Sinopse:

"Finn conseguiu fugir de Incarceron, a terrível prisão viva e o único lar de que tem memória, mas a liberdade está longe de ser o que imaginava.

Cláudia acredita que, se Finn reclamar o direito ao trono do Reino, será capaz de libertar Keiro da temível prisão; mas o Exterior não é o paraíso idílico com que Finn sonhava e o jovem vê-se subitamente prisioneiro de um obscuro jogo de intrigas e mentiras, que adia os seus planos.

Entretanto, na obscuridade de Incarceron, os prisioneiros falam de um homem lendário - Sapphique, o único que conhece os segredos e o único capaz de destruir a prisão. São inúmeras as histórias sobre as suas façanhas, mas haverá alguma verdade nelas? Será que ele existe mesmo?

Dentro e fora, todos aspiram à liberdade... como Sapphique." (in Goodreads)

Opinião:

" - E por isso vou reparar as minhas asas e voar até às estrelas. Estás a vê-las?
(...) Jared abafou uma exclamação de espanto, porque elas lá estavam, a toda a sua volta, as galáxias e as nebulosas, os milhares de constelações...
- Ouves a canção delas? murmurou Sapphique.
Mas só o silêncio da Floresta lhes chegava, e Sapphique suspirou.
" p. 237

Este é livro que segue a Incarceron. Não é sequer uma trilogia. Termina em A Lenda de Sapphique. Oh, como gostava que houvesse mais ou então e melhor ainda! Que houvesse uma prequela, uma prequela sobre Sapphique, só sobre ele... a explicar tudo sobre ele, pois é deveras uma personagem interessantissima e muito misteriosa.

Gostei imenso da história. Mais complexa que Incarceron, mas sempre fluente e misteriosa. Catherine Fisher conseguiu fazer uma história muito boa, com boas personagens, onde a ilusão reina em todo o lado.
E se o Reino não fosse verdadeiro? E se tudo aquilo que se vive no Exterior não passasse de uma ilusão criada pela necessidade de ignorar a realidade? E se tudo fosse mentira? O que seria melhor? O Interior de Incarceron ou o Exterior, o Reino? Pois bem, este livro explora isto mesmo, explora a dualidade das realidades, pondo à prova todas as personagens, todas as suas atitudes e comportamento e até sentimentos. Seria Jared capaz de trair Claudia? Seria Finn um mero Prisioneiro? Seria tudo uma farsa? E se houvesse uma forma de sair de Incarceron? E se a Prisão quisesse Fugir dela mesma? Seria isso possível? Será que a loucura e a maldade dela não são meros sentimentos criados pelos Homens? Será que a criação da Prisão falhou? Será que a Prisão não é tão cruel como se pensa? O que a fez assim? O que é que ela tanto procura?


Os prisioneiros deparam-se com Alas a fechar, destruição, o frio Inverno da Lenda de Sapphique. O que estará ela a fazer para esquecer todos os seus filhos? Será que tem um projeto maior do que eles? E quem a poderá ajudar? Será possível fazer algo sem destruir tudo e todos?

Numa viagem pelo Interior e pelo Exterior, A Lenda de Sapphique é contada em várias perspetivas, tendo como base Claudia (Exterior) e Attia (Interior). Mas ao longo do livro isso vai sendo alterado e começamos a ter "POV's" de Jared e Finn também. Esta é uma viagem pela Fuga a todas as cadeias que prendem a Liberdade.
Num mundo de magia e metal, onde nem tudo é o que parece, a Lenda de Sapphique começa a ser uma realidade e todos chamam por ele, será possível? Será que Sapphique é mesmo real? Será que ainda habita o Exterior? Onde estará e quem será ele?
E no meio de tudo isto há a Luva de Sapphique, que todos procuram para usar à sua maneira. Diz a lenda que quem a calçar fica a conhecer todos os segredos de Incarceron. Fica a saber onde é a saída?

"Qual é a chave que abre o coração?"

Foi esta a pergunta que Sapphique fez no jogo de charadas e é esta a pergunta principal de toda a história. Todos procuram a resposta, mas só uma personagem conhece a resposta. E só essa pessoa pode ajudar todos os outros, inclusive a Prisão.

Esta história tem muitas questões para reflexão. A fuga à realidade, a estagnação no tempo, a procura pela perfeição, a procura pela liberdade, pela sabedoria e pelo poder, bem como a ilusão que existe à volta de todos, são todos aspetos que levam à reflexão. No livro, é nos dito que os Anos da Raiva levaram ao esgotamento energético, à matança e à guerra. Quando terminaram, foi instaurado o Protocolo, e tudo passou a ser vivido como se se estivesse no século XVIII. As faltas de energia que levaram à destruição e à finitude da ilusão são um aspeto interessante, ainda mais porque é algo que a Humanidade devia temer. Não estamos nós a destruir as energias que existem? Ou pelo menos grande parte delas, usando-as muitas vezes indevidamente? Acho que a autora fez uma exploração muito interessante deste tema, tornando-o um dos apsetos centrais. Também a Fuga e a Liberdade são aspetos principais do livro. Pode parecer uma história simples ou até confusa, mas tem muito para reflexão.

Se ficaram curiosos, digam e leiam o livro! Se ainda não leram Incarceron, força! Este é ainda melhor =D 

 " - Confio em ti, Jared. -murmurou. - Sempre confiei. Amo-te, Mestre." p. 329

NOTA (0 a 10): 10

quinta-feira, 12 de julho de 2012

"Incarceron" de Catherine Fisher

"No corredor, os olhos estavam escuros e vigilantes, e haviam muitos. - Apareçam - disse ele. E eles apareceram. Eram crianças. Estavam vestidas com farrapos, a pele lívida de cicatrizes. As veias delas eram tubos, os cabelos armes. Sapphique estendeu a mão e tocou-lhes. - Vocês são aqueles que hão de salvar-nos - disse."

Aqui está um livro que é diferente dos que tenho lido.

Não consigo definir muito bem o seu género literário, mas penso que entre a Fantasia, Aventura e assim um bocado de FC (a mostrar uma parte Steampunk, que está muito interessante!).

Gostei muito! Gostei do enredo, do facto de ser dinâmico, não enrola e é direto. Mas continua sempre a deixar os seus mistérios por desvendar! Ou seja, é um argumento direto sem contar tudo. Interessante!

Quanto às personagens...

 
Bem, achei-as interessantes, principalmente a Claudia, o Jared, o John Arlex, o Finn e o Keiro (gosto bastante do Keiro). A Rainha Sia foi a que menos gostei. Quanto ao Casper, não o achei muito "horrendo", como parecia ser no inicio, até tive 

uma certa pena dele.

Depois há Sapphique. Espero que no próximo ele apareça mais! É muito misterioso...

Quanto ao ambiente...

WOW! A Prisão deve ser medonha, mas tem um ambiente muito engraçado. A floresta de metal é linda! A Parede do Fim do Mundo (imaginei a Muralha das Crónicas do Gelo e do Fogo, de G.R.R Martin), toda em ferro, com rebites e assim!
E várias outras divisões da Prisão...a descrição está muito interessante e mostra bem o ambiente.

Há um navio, uma navio de prata, voador...excelente!

E há pessoas (e animais) que têm componentes metálicas! Tubos e fios, e peças de metal!
(e aqui fez-me lembrar o filme e livro do Hugo Cabret!)

E há sempre aventuras...e mistérios, e intriga, e romance.

Bom livro! Espero que o próximo seja tão bom ou melhor! :)

Recomendo!