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terça-feira, 3 de novembro de 2015

A Criança nº 44, de Tom Rob Smith

Fiquei bastante curiosa com este thriller depois de ter visto o trailer do filme, por causa de ser passado na Rússia pós Segunda Guerra. Não sabia o enredo e não tinha nem expectativas altas nem baixas, o que por vezes é bom pois não há muita margem para a desilusão. E, no final, tenho a dizer que foi uma leitura diferente. 



Sinopse:

A União Soviética de Estaline é um paraíso, onde os cidadãos vivem livres do crime e apenas temem uma coisa: o todo-poderoso Estado. Defendendo este sistema, o oficial de segurança Leo Demidov é um herói de guerra que acredita no punho de ferro da Lei.

Mas quando um assassino começa a matar indiscriminadamente e Leo se atreve a investigar, este obediente servidor do Estado dá por si despromovido e exilado. Agora, apenas com a sua mulher ao seu lado, Leo tem de se debater para descobrir verdades chocantes a respeito de um assassino - e de um país onde o crime supostamente não existe.

A Criança Nº 44 é o livro que inspirou o filme. Revela a verdade. Descobre o assassino.
(in Goodreads)

Opinião: 

Achei este livro bastante diferente daqueles que estou acostumada a ler. Por vezes é bom ler outros géneros literários, para diversificar a leitura, o que foi o caso. Gostei da história, em especial da parte critica à sociedade russa da época e a toda a máquina de Segurança do Estado, apesar de ter achado o enredo um bocado "pesado" em alguns momentos, devido aos crimes que vão acontecendo. De facto, estava à espera de uma história que não fosse tão densa em relação a esse ponto. As descrições são bastante fortes e horríveis e isso fez com que muitas vezes tivesse vontade de virar a cara em quanto estava a ler. 

O enredo é denso, forte, bem elaborado, não há pontas soltas, existem momentos de grande ação e tensão também. No entanto, a meio da história existe um caminho que começa logo a ser traçado e, a meu ver, neste género isso é bom que aconteça o mais tarde possível, para criar suspense. Confesso que não foi surpresa nenhuma o que aconteceu a partir de um dado momento da história. Por tanto, o ponto mais forte desta história é a grande crítica à sociedade da União Soviética após Segunda Guerra. O clima de medo, de opressão, de denúncia...tudo está extremamente bem explorado e descrito. É como se o leitor estivesse presente naquele contexto real, o que é fascinante. O autor esmerou-se para tal e conseguiu-o, de facto. 

O contexto histórico está perfeito. Sente-se em todos os momentos a extrema opressão da sociedade, o medo total de tudo e de todos.  É um bom estudo sobre aquele regime. Também as descrições estão fortes, como referi acima. Tanto as descrições de locais e ambientes, como as das ações das personagens.

Em relação às personagens, posso dizer que gostei bastante de Leo e de Raisa, principalmente de Leo. Ele é bastante complexo, herói de guerra e servidor do Estado enquanto membro da Segurança do Estado. Tem vários dilemas ao longo da história e tem bastante personalidade. Raisa também é interessa (a esposa de Leo), mas não tanto quanto ele. Em relação às outras personagens, são bastante complexas, todas elas. Odiei o Vasili, o que seria de esperar por causa do seu comportamento perante o colega e superior (Leo).

Foi uma boa leitura, não posso dizer que agradável, porque os crimes nada têm de agradável...são até bastante repugnantes. Tirando isso, 

Espero ver o filme, para poder fazer um paralelismo entre ambas as obras. 

Resumindo, uma excelente aposta da Marcador, à qual agradeço imenso a oportunidade de ter lido o livro. Este é o primeiro livro do autor com Leo Demidov como personagem principal e eu gostava muito de poder ler os próximos. Era bom que a Marcador continuasse a editar este autor por cá! 

NOTA (0 a 10): 8