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domingo, 15 de maio de 2016

O Ciclo Pendragon - Graal, de Stephen Lawhead

Sinopse:

A seca, a peste e a guerra deixou a Ilha dos Poderosos arrasada e o seu coração, o amado Artur, gravemente ferido. Mas, espantosamente, o Rei Supreme vive - as suas feridas são saradas e o seu vigor restabelecido por uma sagrada e secreta relíquia: o Santo Graal.

Em Ynys Avallach, um Artur moribundo foi milagrosamente renovado. O grande Rei quer partilhar os poderes curativos do Graal com todos os que assim o desejem. Mas o mal entrou na corte real sob o disfarce de uma bela donzela. Sem o conhecimento de Artur, forças malévolas seduzem o mais leal campeão do rei. Graal é roubado, desaparecendo algures nas profundezas do desconhecido.

Artur enfrenta agora o maior desafio ao seu poder: uma jornada para recuperar o Graal perdido. (in Goodreads)




Opinião:

Esta é uma das sagas mais belas que tenho tido oportunidade de ler. Depois de ter lido os anteriores através da biblioteca, foi com grande prazer que descobri este exemplar na Feira do Livro de Setúbal há uns anos, sendo assim o único de seis livros fantásticos que se encontra nas prateleiras. E, depois de tanto tempo há espera, este exemplar foi lido. 

Depois do quarto livro, Pendragon, e do final misterioso e um tanto atordoador, fiquei num hiatus entre a leitura desse e deste, Graal. Ainda bem, porque tornou este livro ainda mais "doce". Foi como um elixir de beleza de encanto que me veio parar às mãos e tornei a embrenhar-me naqueles bosques, naquelas intrigas tão bem elaboradas e escritas com uma grande beleza e reencontrar personagens tão brilhantes como Artur e Merlin. 

Neste volume a história é narrada por Gwalchavad (Galahad, noutras histórias arturianas), ainda parente de Morgana, é um dos amigos leais de Artur. Depois das guerras com os povos invasores, da recuperação milagrosa de Artur e da seca, este e os outros amigos vêm-se a braços com uma nova aventura: dar a conhecer o Graal a todos e protegê-lo, inaugurando assim o Reino do Verão, o grande objetivo de toda a saga, profetizado por Taliesin no primeiro livro. Porém, cedo começam a ver que algo está estranho e a outra narradora da história começa e tecer a sua teia, se bem que não apareça diretamente no livro: Morgana. 

Personagens maravilhosas, ricas e complexas, que é sempre um prazer reencontrar, ajudaram mais uma vez a criar uma história fantástica. Nesta história deixam-se de lado as guerras mais mundanas e o foco principal passa a estar relacionado com o Graal e todos os seus poderes. Não há tantas personagens como nos outros livros, mas as que estão presentes continuam no seu melhor: Artur, Merlin, Avallach, Charis, Morgana...todos elas estão muito bem, mesmo que nem todas tenham o mesmo destaque que noutros livros da saga. Artur e Merlin continuam no centro de tudo, com especial atenção para Llenlleawg (Lancelot) e Morgaws. 

O enredo é mais dado ao mistério e à magia. As personagens partem numa demanda perigosa pelo meio de caminhos obscuros e repletos de misteriosos e horrendos desafios, que vão aparecendo de repente e que muito servem para demonstrar a capacidade imaginativa do autor, bem como a sua audácia quanto ao mistério e ao suspense. O clima de suspeita e mistério está presente durante todo o livro e o dei por mim sempre na expectativa, a querer saber o que vinha a seguir e a estabelecer teorias. 

As descrições continuam perfeitas, transpirando harmonia e beleza, mas também uma força assustadora nos momentos mais tensos. Mais uma vez, o autor cria o ambiente certo, faz as descrições certas, através de uma linguagem rica e elaborada, épica. É como se o leitor estivesse junto das personagens. 

Em suma, é mais um belíssimo romance fantástico de Stephen Lawhead. Recomendo sem reservas a todos os que gostam de um bom livro. Para quem gosta das lendas arturianas então é um autêntico doce que se derrete na boca. 

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Pendragon - O Ciclo Pendragon, de Stephen Lawhead

Este é o quarto livro da saga sobre a lenda arturiana do escritor Stephen Lawhead. Depois de ter lido a trilogia (Taliesin, Merlim e Artur), decidi continuar a ler sobre Merlim e Artur, seguindo para Pendragon. Apesar do ciclo ter ficado fechado em Artur, Pendragon dá-nos a conhecer algumas histórias que não aparecem (ou que não têm tanto detalhe) no último livro da trilogia. Há mais detalhes sobre a vida de Artur e sobre algumas das batalhas, dando-se especial destaque às batalhas com os Vândalos.

Este livro retoma a vida de Artur desde a sua infância até depois da batalha com os Vândalos. Neste quarto livro, para além das batalhas, a Bretanha vê-se a braços com uma praga que dizima a população: o Devastador Amarelo. Assim, a tarefa de Artur e Merlim para dar a conhecer e construir o Reino do Verão vê-se bastante conturbada e até periclitante.

Merlim é o narrador da história, um dos melhores narradores desta saga. É através das palavras extremamente bem elaboradas e colocadas em frases soberbas que Merlim nos vai contando a vida de Artur. Sendo seu bardo e conselheiro, tem uma posição privilegiada junto do Supremo Rei da Bretanha. No entanto, há muito sobre Merlim que também aparece na história. Confesso que as partes em que Merlim tem destaque são das que mais me agradam, apesar de todo o conjunto ser maravilhoso e me agradar. Mas tenho um fraquinho pelo Merlim, mais do que pelo Artur, daí esta minha preferência. Gosto especialmente das partes em que o Outro Mundo aparece, uma vez que são momentos de extrema magia e maravilha. Gostei de rever Ganieda, a eterna amada de Merlim nesta história.

Tendo em conta o final do terceiro livro, foi com gosto que peguei neste para saber mais detalhes sobre a história em si. O autor manteve a estrutura cronológica igual e os acontecimentos que aparecem em ambos os livros coincidem. Há alguns que tiveram mais destaque no terceiro livro que são apenas referidos neste e vice-versa, ajudando à complementaridade da história em si. Senti a falta de Morgana, que apenas aparece em algumas referências a momentos passados no terceiro livro. Ela é uma das minhas personagens preferidas da lenda de Artur, se não a que mais gosto (para além de Merlim). Também gostei de rever algumas das personagens mais queridas da saga, como Peleias, o fiel escudeiro de Artur, cujo desfecho pareceu-me bastante cruel, na medida que é mais ou menos uma incógnita, ficando apenas a saber-se o que aconteceu sem detalhe algum. Também gostei de rever as personagens pertencentes ao Povo das Fadas, que tanto me agradam e recordam especialmente o primeiro livro da saga. Neste livro também os Irlandeses aparecem mais, sendo a ilha e as suas personagens um ponto fulcral na história. Gwenwyvar também acaba por ter maior destaque neste livro do que no anterior, o que achei interessante porque é uma personagem que muito me agrada: uma rainha lúcida, guerreira, forte, leal, brava, corajosa e extremamente amável para quem o merece.

As descrições estão bastante vividas, dando a impressão que o leitor está mesmo no meio da ação. Tanto as descrições das batalhas como dos espaços dão esta mesma sensação, que me agrada sobremaneira. E isto sem ser uma descrição em demasia.

O autor consegue mais uma vez criar uma história rica sobre Artur. Mesmo que muitos dos aspetos referidos e o enredo em si não ir ao encontro do que a lenda refere, o que é certo é que não há dados reais sobre a história: é uma lenda. E Stephen Lawhead conseguiu, a meu ver, criar uma história brilhante, juntando História com lendas e acontecimentos indefinidos. A época em que a narrativa acontece é das que mais me fascina e o espaço em que a ação decorre, também. A forma como a história se desenvolveu desde o primeiro livro até aqui é magistral, cobrindo um espaço de tempo bastante extenso, permitindo, assim, dar a conhecer um período alargado da História, mesmo que nem tudo seja real. E esse conhecimento é, para mim, maravilhoso. Assim, só tenho elogios a fazer em relação à forma como o autor tem conduzido a narrativa. A prosa é por demais maravilhosa, criando um ambiente prefeito, em especial quando o narrador é Merlim (o autor consegue criar narradores bastante distintos, com uma prosa extremamente relacionada com a sua maneira de encarar o Mundo): parece que se está a ler uma história escrita naquele período. Este é o sentimento com que fico ao ler estes livros, e isso é fantástico.

Mais um maravilhoso livro de Stephen Lawhead sobre a lenda arturiana que recomendo totalmente! 

Citação:

- (...) Se queres viver, pelo caminho por onde viestes terás de voltar.
Deu dois passos atrás e, pousando as pontas dos dedos nos lábios, beijou-os, erguendo para mim a mão ágil.
- Adeus, de-todos-o-mais-amado - disse. - Lembra-te, virei para te levar, um dia...
- Por favor, Ganieda - gritei, a dor avultando-se dentro de mim, como uma onda -, não me deixes! Por favor!
p.356 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 8 de março de 2014

Artur - O Ciclo Pendragon, de Stephen Lawhead

Sinopse:
Outrora existiu um rei digno desse nome. Esse rei chamou-se Artur” (...) foi o que, entre todos os reis, nobres e chefes, arrancou a Espada da Bretanha da pedra rija onde, por obra de Merlim, se achava cravada até ao punho.
Estranhas e contraditórias são as opiniões dos homens sobre esse que deteve o poder nestes míticos tempos de brumas, de magias, de paixões e violências loucuras. Para as entender, importa seguir o convite com que encerra o prólogo de Artur: “Ouvi pois, se quiserdes, a história de um verdadeiro rei”
(in Goodreads)


Opinião:
Artur é o terceiro livro do Ciclo Pendragon, de Stephen Lawhead. Foi bom grande gosto que entrei nesta história. Comecei por Taliesin, passei por Merlim e agora terminei com Artur. Existem mais três livros do autor com as personagens, mas são como que "à parte" ou derivados.

A lenda do Rei Artur, de Merlim, Morgana e todos os que a ela estão associados (Cavaleiros da Távola Redonda...) sempre foram elementos da minha curiosidade e do meu interesse. Já vi séries e filmes. É um tema que me agrada e fascina e é de onde retiro muito do meu gosto pela Idade Média e pelas histórias de cavalaria e batalhas.

Gostei muito dos dois livros anteriores, mas este tem um gosto especial. É a conclusão da trilogia. É onde aparece o Rei Artur.

Pois bem, só tenho a dizer bem deste livro. Tal como os seus antecessores, está soberbamente bem escrito. Os narradores são extraordinários, o que dá à obra uma subtileza quase que real. Existem várias batalhas, intrigas, traições, algum romance, magia, muitos mistérios, amizade, beleza. As personagens tem características distintas, fortes. Têm personalidade. Todas elas. Todas são diferentes e todas são necessárias para o enredo. E depois, há o final. Mesmo sabendo que o final seria algo deste género, não estava totalmente à espera. Há um mistério tão grande, tão forte, no final que fez com que eu ficasse a olhar para as páginas...a pensar: "Que estranho... que terá acontecido? Que raio...". Fiquei espantada, mas satisfeita. É o melhor final que esta trilogia podia ter, apesar de deixar tudo em aberto. É um final misterioso, que deixa um véu levantado, um véu que não tem resposta. É a lenda, daí não ser facto histórico. É um dos melhores finais para a história de Artur e Merlim, apesar de ser tão agridoce. Especialmente no que refere a Merlim e ao Povo das Fadas. Isso foi o que mais espanto me causou.

O livro é dividido em três partes. A primeira é narrada por Peleias, o amigo e escudeiro de Merlim. A segunda, por Bedwyr, amicíssimo de Artur, um dos membros da Távola Redonda. A terceira, por Aneirin ou Gilas. Todas as partes/narradores são diferentes. Cada narrador tem a sua personalidade. O seu foco na narrativa é diferente, apesar de o foco ser a vida de Artur, desde a sua apresentação aos reis até ao seu "final". Cada narrador dá-nos uma imagem da jornada de Artur, tendo em conta a sua própria experiência junto do rei, dos seus companheiros e adversários e dos acontecimentos. Peleias apresenta-nos um Artur mais jovem; Bedwyr, as batalhas para chegar a ser rei; e Aneirin conta o reinado de Artur.

O autor recorre quase sempre a este tipo de perspetiva. Já no primeiro livros existem dois narradores. No segundo, temos Merlim. E neste volta a haver mais do que um narrador. É uma perspetiva interessante pois é possível ter várias visões dos acontecimentos e das personagens ao longo da narrativa.

Não podia deixar de mencionar duas outras personagens que tem um grande relevo ao longo deste livro: Merlim e Morgana. Mesmo não sendo narradores, há um grande enfoque em ambos, especialmente em Merlim. Foi com grande interesse que constatei isso. São duas das minhas personagens favoritas desta lenda e foi com prazer que as vi tão relevantes. Tudo ou quase tudo está interligado com ambas, pois são dois pilares fundamentais desta história e dos acontecimentos que aconteceram naquele período de tempo e naquele contexto. São como que dois lutadores, um contra o outro. Neste livro é possível observar Morgana em ação, mostrando todo o seu poder. Gostei imenso de ver os confrontos de ambos ao longo do enredo; os seus diálogos, as suas ações. Não estava à espera do que acontece quase no final, no que diz respeito a Morgana. Fiquei agradada ao compreender os seus esquemas e as suas façanhas ao longo dos acontecimentos e, principalmente, nos acontecimentos finais. É aqui que aparece Medraut (Mordred), personagem fantástica e de extrema importância. Tem um papel de grande relevo e consegue estar à altura.

O autor consegue re-inventar as personagens da lenda muito bem. As suas personalidades não distam muito daquelas que são apresentadas em outras obras. O que é importante, pois dá coerência à história e à lenda. Também consegue com grande mestria apresentar os locais e as batalhas. A precisão, o pormenor (que não é demasiado, mas oportuno) e a narrativa em si, são fatores que criam uma leitura fluente, rica e agradável. O facto de existir muito mistério neste volume, fez com que estivesse várias vezes a pensar: "E agora?", querendo saber o que vinha a seguir. O autor permite, assim, que o leitor possa ser curioso.

Todos estes aspetos levam a uma só avaliação ou opinião. Este é um livro maravilhoso, a meu ver o grande dos três (apesar do primeiro ser muito, muito bom). É um prazer ler estes livros, pois, de facto, são obras de relevo da literatura, especialmente no que toca à lenda do Rei Artur.

Fantástico, recomendo sem reservas a todos os que gostam destes temas. 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

"Merlim - O Ciclo Pendragon", de Stephen R. Lawhead

Sinopse:

Merlim é o segundo romance do ciclo Pendragon, e nele é-nos narrada a história de Merlim, pelas palavras do próprio. Neste volume seguimos a história do nascimento e juventude do futuro rei Artur, por entre as disputas dos senhores rivais da Bretanha, a invasão dos saxões, a vida clandestina do Povo da Colina e a decadência do poder de Roma. (in Goodreads)

Opinião:

Este é o segundo livro do Ciclo Pendragon, de Stephen R. Lawhead. Depois de ter lido "Taliesin", foi com grande interesse que me debrucei sobre "Merlim".

Bem, não tenho nada a apontar em termos de negativo. Este é um excelente livro, com uma história muito bem escrita, cheia de detalhes e de beleza. A narrativa de Merlim (narrador presente)é resplandecente de beleza e magia. É muito interessante o facto de ele ir fazendo pequenos comentários ou mesmo interjeições sobre assuntos que mais à frente serão abordados. É uma forma de antecipação que deixa o leitor em suspense, algo que é me é agradável.

Encontramos várias das personagens do livro anterior, se não praticamente todas. Tudo se encaixa e interliga; nada fica por contar. A narrativa abarca um longo período de tempo, o que é interessante pois permite "visualizar" as mudanças operadas tanto nas personagens (física e mentalmente) como a nível do ambiente e das mentalidades no global.

Também existe um grande leque de personagens, o que é bom uma vez que as relações entre elas são muito ricas e nada básicas. Merlim está sempre presente em tudo o que acontece e procede sempre de modo maravilhoso (excepto num momento...). Merlim é a personagem principal. Ele conta-nos a sua história, desde pequeno até a um tempo mais longínquo, até ao presente, quando ele está a contar a história, se bem que tal não fique totalmente claro, o que significa que pode ser que a história que ele está a contar já tenha acontecido totalmente, mesmo o que não é contado neste livro (a vida de Artur). Penso até que esta segunda hipótese é mais provável, uma vez que, sendo imortal, Merlim poderia contar a história mesmo agora, nos dias de hoje.

Gostei muito de rever as personagens do livro anterior, nomeadamente Charis, o Rei Pescador, Morgana, Blaise, Dafyd, entre outros. Gostei muito das novas personagens, principalmente de Ganieda e seus familiares, bem como de Aurélio e Uther, Ygerna, Peleias, entre outros. Gostei muito de ver as suas interações com Merlim. O facto de Merlim ser descrito ao longo da história como um homem jovem (de aspeto) também me agradou, a nível imaginativo.

As batalhas, traições, intrigas e maldades são muitas e estão muito bem encadeadas, bem como bem descritas. As imagens são muito vividas e sugestivas, sendo fácil imaginar o que se está a ler. Este livro é tem mais características da cavalaria do que o anterior, fazendo com que a história não tenha tantos elementos fantásticos. No entanto, as profecias de Merlim estão muito bem descritas e são de grande relevo para os acontecimentos.

A possível relação desta história com a realidade é outro aspeto interessante e que me cativa, uma vez que gosto de pensar que o nosso mundo já foi um lugar assim. Depois é interessante relacionar estes acontecimentos com outros presentes em histórias com temas parecidos ou que se passam no mesmo período. Encontrei personagens que já tinha encontrado noutros livros!

Muito bom, recomendo a todos os que gostam deste género de histórias! Espero que o próximo seja tão bom ou ainda melhor!

Podem ler aqui a opinião sobre o primeiro volume.

Nota: A capa do livro aqui presente não é a da edição que li, mas como não encontrei nenhuma, tive de colocar esta.

NOTA (0 a 10): 9,5

domingo, 27 de outubro de 2013

"Taliesin - O Ciclo Pendragon", de Stephen Lawhead

Sou uma grande admiradora da história do Rei Artur e de Merlim, mas nunca antes tinha lido nada sobre ambos. Já vi vários filmes, vi a série da BBC, mas leituras nunca. Foi por isso que decidi ler este livro, para ler algo sobre esta lenda que tanto me fascina. E tenho a certeza absoluta que não podia ter começado por outra melhor.

Stephen Lawhead mostra-nos o que está antes da vida destas personagens, mostra-nos o contexto anterior às suas vidas, algo sempre importante para conhecer bem as histórias e as personagens. Mesmo não sendo esta a verdade da lenda, tal nunca vai ser possível saber e este não é um romance somente histórico, tendo também algo de fantástico, se bem que muito do que acontecia naquela altura possa ser visto por nós hoje em dia como fantástico. Naquela altura não o era. Havia de facto druidas e outros conhecimentos que hoje estão esquecidos e que naqueles tempos eram normais.

Pois bem, "Taliesin" é o primeiro livro do Ciclo Pendragon, uma saga que conta a história de Artur, Merlim, Morgana e outras personagens que fizeram parte desta história. Mas há mais para além da lenda. Vejamos.

A narrativa é apresentada por duas grandes personagens (principais): Charis e Taliesin.

Charis, filha de Avallach e Briseis, reis de Sarras na Atlântida, é uma jovem rapariga forte, corajosa e persistente, que se vê a braços com a terrível destruição do seu mundo, lutando por salvar-se a si e aos seus. Consegue escapar da destruição da Atlântida, acabando por chegar a uma terra desconhecida: Llyonesse. Segue depois para Ynys Witrin, acabando por se estabelecer lá com os que conseguiram escapar, nomeadamente o seu pai, Avallach; a mulher deste, Lile; a filha, Morgana; e Annubi, amigo de Charis e vidente.
Charis acaba por tornar-se uma mulher solitária e triste, procurando por algo na sua vida, algo que não sabe sequer nomear.

Taliesin, filho adotivo de Elphin e Rhonwyn, foi encontrado por Elphin aquando de uma pescaria nas caniçadas do salmão, dentro de um saco de pele de foca, não se sabendo de onde veio nem de quem era. O rapaz é criado pelos pais adotivos e por Halfan, o bardo e druida de Caer Dyvi, conselheiro do pai de Elphin e depois de Elphin também. Taliesin acaba por tornar-se aluno de Halfgan, tornando-se no maior bardo que jamais existiu, de grande sabedoria e belo dom para a criação musical. Logo cedo começou a compor as suas canções, criando uma enorme fama como cantor e druida.

Todo o que acontece até à reta final é importante para todo o enredo; nada é ao acaso. As guerras, as intrigas, as paixões, as traições, as viagens...tudo vai culminar no final que está descrito no livro. Este é o início da vida de Merlim e de como é que ele foi feito, como nasceu e como isso foi um ato com grandes consequências. É a história da profecia da vinda de alguém que faria frente à Idade das Trevas, tempos em que os bárbaros avançaram pelo antigo Império Romano, saqueando, lutando e conquistando. É a história do início do Cristianismo na Grã-Bretanha, terra pagã. É a história da luta entre o passado e o futuro, entre as trevas e a luz. É a história de Morgana e de como ela começou a sua vida e a sua passagem por este mundo, semeando um caminho perigoso. 


Este é o início da lenda da casa Pendragon, segundo Stephen Lawhead, e já me conquistou.

As personagens são muito ricas, complexas. Todas elas, mesmo as mais secundárias. É possível acompanhar a sua evolução, compreender os seus sentimentos e emoções. É possível compreender as suas vidas.
As descrições dos locais e dos ambientes são soberbas e tão bem feitas que, ao ler, é como se estivesse mesmo lá. É possível cheirar, respirar, ver, ouvir, percorrer os caminhos das personagens.

Através das canções dos bardos é possível ficar a conhecer mais sobre a História da Grã-Bretanha e das suas lendas. É possível ficar a conhecer mais sobre os modos de vida deste tempo, dos druidas e das pessoas em geral, que viveram neste Tempo.

O contexto histórico está muito bem elaborado, sendo possível fazer um paralelo com o que aconteceu de verdade: a presença romana, as invasões bárbaras, a chegada do Cristianismo e como se desenvolveu na Grã-Bretanha, nomeadamente nos locais apresentados na obra.

Gostei muito do livro e é com grande interesse que vou ler os seguintes, esperando que sejam tão bons ou melhores do que este!
Recomendo vivamente. 

Charis já o ouvira falar muitas vezes da sua visão, mas agora ele cantava acerca dela, e, pela primeira vez, descrevia o rei que habitaria esse reino sagrado: um rei nascido para governar não pela força ou pelo título mas pelo amor da justiça e dos direitos; um rei nascido para servir a verdade e a honra, para conduzir o seu povo na humildade e para defender a sua terra em nome do Deus Salvador.
Ao ouvi-lo, Charis ficou com a impressão de que tudo o que Taliesin pensara ou dissera acerca desse reino imaginário estava a materializar-se na sua canção, ideias que se agrupavam em sons vigorosos, palavras que se formavam ao ser proferidas, carne a envolver o esqueleto filosófico.
E pensou: "O Reino do Verão nasceu esta noite, tal como a criança que tenho nos braços se fez carne e nasceu. Os dois foram feitos um para o outro. São apenas um."
Baixou os olhos, fitando o bebé que lhe sugava o seio.
- Estás a ouvir, Merlim? - perguntou-lhe num suave murmúrio. - O teu destino chama-te para lá do futuro. Escuta, meu filho. Esta é a noite em que o teu pai, cantando, deu uma nova forma ao mundo. Ouve e recorda. pág. 574.

NOTA (0 a 10): 10