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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Amor é Vermelho, de Sophie Jaff

Sinopse:

Três mulheres são encontradas mortas com a pele gravada por sulcos de desenhos arcaicos e de significado intrincado. Isto abre a contagem de uma longa lista de vítimas do mais recente assassino em série que vagueia pelas ruas da cidade.

Quando, no clima de ansiedade desencadeado pelos misteriosos assassinatos, Katherine conhece David, a química entre os dois é imediata. David não é apenas bonito, é também culto, educado e atencioso. Mas Sael, o seu melhor amigo, é enigmático e contrastante: frio, hostil, e com uma intensidade perturbante.

Sem se aperceber, Katherine vê-se envolvida num jogo de sedução em que as aparências não podem ser levadas em conta. Com o número de mortes a crescer, a cidade é tomada por uma psicose, e as raízes de uma história muito antiga estreitam-se em torno de Katherine e dos dois homens que lhe confundem o coração.

O Amor é Vermelho é um thriller escrito de forma brilhante. O leitor vai dar por si a levá-lo para todo o lado até chegar à última página. (in Marcador)



Opinião:

Em primeiro lugar quero agradecer à Editora Marcador por me ter enviado este livro, que muito me agradou! Desde que saiu por cá que andava com ele de olho: uma capa chamativa, um título interessante, uma sinopse curiosa...tudo ingredientes que podem fazer um livro excelente!

De facto, o livro é interessante. A história é contada em duas vozes: da perspectiva de Katherine (perseguida) e da perspectiva do assassino. Só isso cria um contexto diferente e que deixa o leitor na expectativa, para tentar relacionar o assassino com todas as outras personagens que vão aparecendo ao longo dos capítulos pertencentes a Katherine. 

A autora teve o cuidado de criar um mistério denso e estranho, com laivos de sobrenatural e complexo. Existem momentos de grande tensão, que estão muito bem conseguidos. No entanto, a parte sobrenatural tem algumas partes em que podia estar melhor. Podia estar melhor explicada.

As personagens são complexas, e a relação que existe entre elas, principalmente entre Katherine e o assassino, está muito densa. Gostei do entrelaçar entre estas personagens no presente e no passado (Idade Média). Logo de início compreende-se que há algo mais entre estas duas personagens. Não é um simples assassino que mata mulheres, é algo mais. Ele quer uma mulher especifica, uma mulher sua conhecida, de há muito tempo atrás. Em relação às outras personagens, também estão bem contextualizadas, e fazem aumentar o suspense.

O suspense em si é muito bom. Se a parte sobrenatural estivesse melhor explicada, principalmente para a parte final, seria um thriller perfeito. Assim é um thriller excelente!

A história tem momentos de romance, ação e suspense bem distribuídos. Também gostei das partes referentes ao manuscrito sobre a estranha dama, uma vez que são uma boa pista para todo o mistério. Gostei da forma como o enredo foi conduzido e de como aconteceu o desenlace. Segundo o site Goodreads, este é o primeiro volume de uma trilogia, que espero que continue a ser publicada por cá. No entanto, este volume serve bem como standalone. Vamos ver como será! 

Em suma, aqui está um excelente thriller, com um enredo bem construído, personagens fortes, muito mistério, romance à mistura e uma boa dose de sobrenatural. Ainda bem que a Marcador apostou nesta história! Recomendo vivamente e espero que gostem deste thriller arrojado.

NOTA (0 a 10): 8

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A Criança nº 44, de Tom Rob Smith

Fiquei bastante curiosa com este thriller depois de ter visto o trailer do filme, por causa de ser passado na Rússia pós Segunda Guerra. Não sabia o enredo e não tinha nem expectativas altas nem baixas, o que por vezes é bom pois não há muita margem para a desilusão. E, no final, tenho a dizer que foi uma leitura diferente. 



Sinopse:

A União Soviética de Estaline é um paraíso, onde os cidadãos vivem livres do crime e apenas temem uma coisa: o todo-poderoso Estado. Defendendo este sistema, o oficial de segurança Leo Demidov é um herói de guerra que acredita no punho de ferro da Lei.

Mas quando um assassino começa a matar indiscriminadamente e Leo se atreve a investigar, este obediente servidor do Estado dá por si despromovido e exilado. Agora, apenas com a sua mulher ao seu lado, Leo tem de se debater para descobrir verdades chocantes a respeito de um assassino - e de um país onde o crime supostamente não existe.

A Criança Nº 44 é o livro que inspirou o filme. Revela a verdade. Descobre o assassino.
(in Goodreads)

Opinião: 

Achei este livro bastante diferente daqueles que estou acostumada a ler. Por vezes é bom ler outros géneros literários, para diversificar a leitura, o que foi o caso. Gostei da história, em especial da parte critica à sociedade russa da época e a toda a máquina de Segurança do Estado, apesar de ter achado o enredo um bocado "pesado" em alguns momentos, devido aos crimes que vão acontecendo. De facto, estava à espera de uma história que não fosse tão densa em relação a esse ponto. As descrições são bastante fortes e horríveis e isso fez com que muitas vezes tivesse vontade de virar a cara em quanto estava a ler. 

O enredo é denso, forte, bem elaborado, não há pontas soltas, existem momentos de grande ação e tensão também. No entanto, a meio da história existe um caminho que começa logo a ser traçado e, a meu ver, neste género isso é bom que aconteça o mais tarde possível, para criar suspense. Confesso que não foi surpresa nenhuma o que aconteceu a partir de um dado momento da história. Por tanto, o ponto mais forte desta história é a grande crítica à sociedade da União Soviética após Segunda Guerra. O clima de medo, de opressão, de denúncia...tudo está extremamente bem explorado e descrito. É como se o leitor estivesse presente naquele contexto real, o que é fascinante. O autor esmerou-se para tal e conseguiu-o, de facto. 

O contexto histórico está perfeito. Sente-se em todos os momentos a extrema opressão da sociedade, o medo total de tudo e de todos.  É um bom estudo sobre aquele regime. Também as descrições estão fortes, como referi acima. Tanto as descrições de locais e ambientes, como as das ações das personagens.

Em relação às personagens, posso dizer que gostei bastante de Leo e de Raisa, principalmente de Leo. Ele é bastante complexo, herói de guerra e servidor do Estado enquanto membro da Segurança do Estado. Tem vários dilemas ao longo da história e tem bastante personalidade. Raisa também é interessa (a esposa de Leo), mas não tanto quanto ele. Em relação às outras personagens, são bastante complexas, todas elas. Odiei o Vasili, o que seria de esperar por causa do seu comportamento perante o colega e superior (Leo).

Foi uma boa leitura, não posso dizer que agradável, porque os crimes nada têm de agradável...são até bastante repugnantes. Tirando isso, 

Espero ver o filme, para poder fazer um paralelismo entre ambas as obras. 

Resumindo, uma excelente aposta da Marcador, à qual agradeço imenso a oportunidade de ter lido o livro. Este é o primeiro livro do autor com Leo Demidov como personagem principal e eu gostava muito de poder ler os próximos. Era bom que a Marcador continuasse a editar este autor por cá! 

NOTA (0 a 10): 8

domingo, 10 de maio de 2015

O Pintor de Sombras, de Esteban Martín

Há bastante tempo que andava com este livro debaixo de olho e foi com grande agrado que o encontrei numa promoção das revistas. Depois de ter estado algum tempo na estante, decidi pegar nele e é com grande animo que posso dizer que foi uma excelente leitura.


Sinopse:

QUEM QUER INCRIMINAR PICASSO? RESTARÁ ALGUÉM EM QUEM ELE POSSA CONFIAR? Barcelona, finais do séc. XIX. Um dos maiores génios artísticos de todos os tempos é revelado ao mundo: Picasso. Desde criança que o seu talento irrequieto é avassalador. Picasso é um jovem rebelde que cedo vê os seus estudos académicos serem prejudicados pela sua irreverência. Depois de se apaixonar loucamente por uma mulher, ela abandona-o sem deixar rasto. Ela era a sua musa, a sua inspiração, a primeira mulher que amou verdadeiramente na vida. De coração partido, Picasso começa a procurar consolo na vida boémia e nos bordéis da rua Avignon. Mas tudo se complica quando alguém parece seguir os seus passos, deixando entre as prostitutas um rasto de mortes violentas que apontam Picasso como o principal suspeito. Uma por uma, as estranhas mortes vão-se tornando cada vez mais violentas e assemelham-se em tudo às que 10 anos antes assombraram as ruas de Londres. Poderá Jack, o Estripador, ter chegado a Barcelona? (in Saída de Emergência)

Opinião:

Gosto muito de livros de suspense e thrillers e este encontra-se na lista dos mais interessantes que li. O autor conseguiu criar uma história bastante boa, bem contextualizada e cheia de mistério, com personagens fantásticas, bastante reais (algumas mesmo reais, como é o caso de Pablo Picasso e outros pintores que aparecem ao longo da narrativa), um ambiente de cortar a respiração, descrições muito palpáveis e arrepiantes e um desenlace bastante agridoce.
Eu gostei muito deste livro por tudo isso. É uma história forte, cheia de personalidade, onde a realidade se cruza com a ficção, de uma forma perfeita. Encontrei aqui duas das minhas personagens literárias favoritas, que muito trazem à narrativa, sendo essenciais para a sua mestria. Não vou referir quais são porque é uma das mais valias deste livro e não quero estragar a surpresa dos leitores. Descubram por vocês mesmos! 

Pablo Picasso é aqui retratado de uma forma bastante convincente e a história é como se fosse uma retrospectiva da sua história de vida, ou pelo menos de uma parte desta: a sua juventude e o que aí lhe aconteceu que o tornou um pintor tão único, com uma visão tão crua e até cruel, mas cheia de sentimento e emoção, do mundo ao seu redor. Fiquei com imensa curiosidade de saber mais sobre a sua obra e fui pesquisar, principalmente sobre o quadro que serve de mote para a história: As Meninas do Avignon.

Também apreciei bastante a forma como o ambiente foi descrito e colocado ao serviço da acção. Aprendi a percorrer as ruas de Barcelona de uma forma imaginária com os livros de Zafón e este livro foi mais um guia para eu percorrer estas ruas. Encontrei-me nalgumas que aparecem n' A Sombra do Vento, só que alguns anos antes (a história decorre no final do século XIX e inícios do século XX). Foi um prazer poder fazer esse percurso, desta vez com a ajuda de outras personagens, também elas riquíssimas e carismáticas.

Existe alguma brutalidade nas descrições de alguns dos acontecimentos narrados, mas há também uma grande poesia na forma como estão descritas. É como se o leitor estivesse lá, não só nesses momentos, mas em toda a narrativa. Quando isso acontece é fantástico, porque é sinal que o autor conseguiu criar um ambiente rico, perfeito e palpável. Os meus parabéns por tal feito! 

O mistério em si é bom. Jack, o Estripador, vai ser sempre uma figura incontornável do mistério passados no século XIX e um bom vilão. Esteban Martín conseguiu entrelaçar bastante bem esta personagem vinda da Inglaterra com as outras personagens, inglesas e espanholas. 

Recomendo sem reservas. A história é excelente, a leitura é fluída. Não existem momentos parados, o contexto histórico é rico e tem bastantes detalhes, que nos fazem conhecer mais da cultura, da sociedade e da História de Barcelona daqueles tempos, bem como da inglesa, a dado momento. Também a nível gráfico é muito bom: uma capa bonita, cheia de mistério; um interior cuidado e bonito. Os parabéns à Saída de Emergência por mais uma obra literária de excelência.

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 14 de dezembro de 2014

Os Olhos de Allan Poe, de Louis Bayard

Já há alguns anos que andava de olho nesta obra e, com a promoção da Sábado/Saída de Emergência, tive a oportunidade de o adquirir por um preço mais interessante. Não pude resistir! E o resultado foi fantástico: há muito tempo que não lia um livro deste género tão bom!


Gosto de um bom thriller; seja em filme ou em livro. Uma história com mistério, intensa, poderosa. E se for passada no século XIX melhor ainda, uma vez que essa época é, por excelência, a melhor para estes temas (na minha opinião). Depois, o facto de Poe aparecer na história também não me podia deixar indiferente, uma vez que gosto bastante das suas histórias, cheias de mistério e terror.

O livro narra a história do polícia investigador Augustus Landor, que, devido a uma tuberculose, tem de ir viver para as terras altas americanas, perto da academia militar de West Point, indo com a sua esposa e filha. Tempos mais tarde, Landor vê-se sozinho, sem família e repleto de sentimentos melancólicos. É ele o narrador, que, quase a morrer, decide contar a sua história...a verdadeira história.

Na noite de 25 de outubro de 1830, aparece um cadete morto, enforcado, cujo corpo é roubado para depois aparecer mutilado: sem coração. O pessoal da academia vê-se na obrigação de pedir a colaboração de Landor para a investigação, que aceita, acabando por contratar um assistente para o ajudar no caso: o cadete Edgar Allan Poe, Fourth Classman, que o tinha procurado para lhe dizer que o assassino seria um poeta.

A relação entre ambos intensifica-se à medida que as investigações procedem e durante estas, Poe descobre mais do que aquilo que procurava, procura o amor da sua vida: a jovem Lea Marquis, filha do médico da academia.

Numa história cheia de mistério e assombração, será que o amor e a amizade prevalecem às mais duras provas?

Bem...há muito tempo que não lia algo do género. Talvez desde O Jogo do Anjo, de Zafón. E posso dizer, sem dúvidas, que este foi um dos melhores livros que li neste ano. É repleto de mistério e está envolto numa névoa a roçar o terror muito bem contextualizada. A mestria com que o autor desenvolveu as personagens e as suas relações não podia ser melhor, uma vez que conseguiram transmitir completamente as suas emoções, sentimentos e ações. Vibrei com os acontecimentos que se vão desenvolvendo ao longo da narrativa, acompanhando totalmente as personagens, como se estivesse lá presente...e isso é maravilhoso.

As personagens estão excelentes e complexas, todas elas. Sendo que algumas existiram na realidade, a contextualização ficou perfeita. Poe está fantástico! É como se tivesse sido mesmo assim. A sua personalidade, o seu carácter, a sua maneira de falar, de escrever, de se relacionar com a Vida e com os outros, o escritor conseguiu criar um Poe que poderia ter sido aquele mesmo, o verdadeiro, uma vez que é fácil imaginar a pessoa real como sendo aquela que aparece na história. Todos os momentos em que ele aparece são um puro deleite. Não havia outra personagem que poderia integrar este papel. Ele é o centro da história, a base e magia da história.

A contextualização histórica e ambiental também está sublime, uma vez que a atmosfera apresentada consegue passar para o leitor. Mais uma vez, é como se lá se estivesse, naqueles momentos, naqueles locais.

O intrincado e complexo enredo é fascinante. O que parece, por vezes não é, e o que parece não ser, por vezes é-o. Fiquei muito agradada com o rumo que o enredo tomou e como terminou, o que só mostra a mestria com que o autor conduziu a história. Nada fica solto nem nada aparece ao acaso. Houve momentos em que parecia que andava por ali o Sherlock Holmes e o seu amigo Watson e isso também me alegrou. Gostei muito dos tons um tanto obscuros que a história levou e do mistério negro que a envolveu.

É uma história um tanto arrepiante nas descrições de alguns aspetos anatómicos, mas isso só faz com que tudo encaixe melhor e dá força ao enredo e carácter. Ainda bem que o autor não teve tento nas palavras, pois se tivesse tido, não teria sido tão bom.

Também existem momentos de muita beleza e algum humor, sempre inteligente, quase sempre protagonizados por Poe. Esses momentos fazem com que o quadro de ingredientes presentes na obras seja vasto e bem interligado. Há a dose certa de tudo.

Em suma, esta é uma obra que recomendo a todos. Fantástica! Só mais um apontamento, a capa é maravilhosa!

Citações:

Como é súbita a chegada da bênção do Amor! E como nos ilude no momento do seu nascimento! (...) Em suma, caí inanimado. E teria, sem um único enjoo, perdido a palestra da manhã. (...) Foi o rosto dela que contemplei ao recuperar os sentidos - as suas paradisíacas órbitas, emanando raios de luz sagrada.
"Mr. Poe," disse ela. "Sugiro que, no nosso próximo encontro, permaneçamos ambos conscientes o tempo todo."
p.202 

Demorou cinco segundos(...) mas a picada da lanceta espicaçara algo no corpo de Poe. Um zumbido nas pernas e nos ombros. Ele murmurou: "Lea". Os olhos cor-de-avelã abriram-se sobressaltados e contemplaram o espectáculo de ele próprio, a esvair-se para um vaso.
-Estranho - murmurou. (...)
Ele vai morrer, pensei.
Poe ergueu-se sobre um cotovelo. Disse:
-Lea.
E disse-o de novo. Disse-o com mais resolução... 
p.344

NOTA (0 a 10): 10