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terça-feira, 9 de julho de 2013

Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas

Sinopse:

Os Três Mosqueteiros é hoje, decorrido mais de um século desde a sua primeira publicação em folhetim, um dos romances históricos mais afamados, tendo sido por diversas vezes adaptado ao cinema e à televisão (em Portugal, por exemplo, a série infantil "Dartacão e os Três Moscãoteiros" marcou toda uma geração). Inspirado em factos e personagens reais (como o cardeal Richelieu, o rei Luís XIII e a rainha Ana de Áustria), mas também nas aventuras do pai do próprio Alexandre Dumas, general do exército de Napoleão, Os Três Mosqueteiros é uma obra arrebatadora (e muito bem humorada) sobre as façanhas do jovem fidalgo D'Artagnan, que chega a Paris com o sonho de ser um dos mosqueteiros do rei Luís XIII, e dos seus corajosos e leais amigos - Athos, Porthos e Aramis. Juntos, eles são os bravos da guarda real. Juntos, eles são "todos por um e um por todos". (in Goodreads)


Opinião:

Há muitos anos que conhecia a história dos três mosqueteiros, devido principalmente aos desenhos animados do Dartacão. Mesmo que não seja a história na sua forma original, muito do que lá aparece existe no livro. Depois vi alguns filmes e fui fazendo uma ideia sobre este livro. Pois bem, chegou a altura de o ler e tirar as minhas conclusões sobre a história na sua forma original.

Sabia que ia gostar, mas não sabia que ia gostar tanto. O enredo é completamente muito melhor do que tudo o que tinha visto até agora sobre os mosqueteiros. Nenhum filme dos que vi sobre esta história faz jus ao livro. O livro é infinitivamente melhor do que as suas adaptações.

As personagens são fabulosas; a sua descrição é leve, explicita, bem aplicada, concreta, divertida e irónica. Todas as personagens estão interligadas, o que para mim é algo que me fascina uma vez que me dá uma ideia da ligação que existe no mundo. Tudo está ligado, e as personagens também, nas suas vidas. Depois temos a parte histórica, que é muito real e muito bem descrita. Alexandre Dumas consegue descrever os acontecimentos de forma completamente divertida, concreta, coerente, interligada e explicita. Dumas explica os acontecimentos de modo a que quem desconhece ou não está tão familiarizado com a História francesa consiga ter uma ideia "real" do que aconteceu e porquê. As descrições estão bem elaboradas, ricas e com os detalhes necessários ao desenrolar dos acontecimentos.

E ainda temos a intriga, que é fabulosa. Muita ação, mistério, aventuras, segredos, missões arriscadas, mentiras, prisões, fugas, lutas, amores, paixões... o enredo/intriga é real; as motivações das personagens são reais e perceptíveis. E dá-nos a visão do que as personagens pensem e sentem, o que é importante para julgarmos ou, enfim, compreendermos os seus comportamentos, sentimentos e atitudes.


Gostei de todas as personagens, especialmente de Milady, que para mim é a personagem mais rica e interessante de todo o livro. Ela consegue ser, até agora, uma das personagens mais inteligentes, intriguistas, mentirosas, trapaceiras, românticas e interessantes, que eu conheci no mundo da Literatura. Gostei imenso de toda a sua participação no enredo, pois é ela que move praticamente todo o enredo, uma vez que ela está "metida em tudo", conseguindo sempre arranjar um forma de vencer os seus opositores, sempre de modo astuto e brilhante. Fabuloso. 

E depois, claro, gosto dos mosqueteiros, que são muito divertidos, engenhosos e valentes, e do D'Artagnan, o jovem gascão que consegue vencer na Vida de um modo corajoso, bravo e lutador. É também divertido e engraçado, estando sempre pronto a defender quem mais precisa. Também gostei de Constance, que eu pensava chamar-se Julieta. Constance também é bem complexa, leal e valente. 

Se for comprar as duas personagens femininas que maior relevo têm para o enredo, Milady e Constance, é possível encontrar várias semelhanças e algumas diferenças. Ambas são bastante valentes, se bem que por motivos diferentes e de modos diferentes; ambas pretendem levar as suas missões a bom porto, através de meios diferentes; ambas são belas, se bem que usem a sua beleza de modo diferente; ambas gostam do romance; mas Constance é leal a outrem, pondo a sua vida em perigo por causa de outrem; Milady é leal a ela mesma, se bem que também o seja ao Cardeal, se bem que sempre a pensar nela mesma e nas suas vinganças pessoais.Constance é ingénua, Milady nem por sombras. Gosto da dualidade que existe entre ambas e os pontos que as unem ao longo do enredo, que culmina com um interessante "choque" entre elas. E claro, D'Artagnan está sempre presente também. 

Uma obra a recordar, porque é muito muito boa. Uma obra prima. Um eterno clássico.

Livro excelente, recomendo vivamente!!!

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 19 de maio de 2013

"A Túlipa Negra", de Alexandre Dumas

Sinopse:

Em 1672, Guilherme de Orange toma o poder na Holanda. Cornélius van Baerle, um promissor botânico cujo único desejo é criar uma túlipa negra perfeita, irá envolver-se inadvertidamente nas intrigas políticas da época. Depois do massacre do seu padrinho, é acusado de traição e condenado à morte. Todas as suas esperanças repousam em Rosa, a bela filha do carcereiro. Os dois jovens verão o seu amor desenvolver-se ao ritmo do crescimento desta túlipa que Rosa cultivará no seu quarto. Mas há ainda um inimigo que terão de enfrentar! (in Goodreads)




Opinião:

Este é um livro que me despertou a curiosidade devido ao seu título, à beleza da capa e à sinopse. Romances entre prisioneiros e raparigas é sempre interessante.

"A Túlipa Negra" conta-nos a história de Cornélius Van Baerle, afilhado de Corneille De Witt, que se vê apuros com a política sem nunca se ter metido nela. Todo o seu desejo é cultivar e inventar tulipas e ao tentar inventar a túlipa negra, para vencer o concurso da Sociedade Hortícula de Haarlam, vê-se mergulhado numa aventura que o mudará. Invejado pelo seu vizinho, Cornélius vê-se a braços com a conspiração republicana contra a monarquia, contra Guilherme de Orange. No entanto, para o ajudar, irá contar com a ajuda de Rosa, a filha do carcereiro da prisão.

É um livro muito interessante, que no início me causou alguma estranheza devido à forma do escritor interferir com o desenrolar dos acontecimentos, algo muito comum no século XIX. É o primeiro livro que leio deste autor. Li "A Dama das Camélias", escrito pelo seu filho, e julgo ter tido a mesma sensação no início (já o li há bastante tempo), acabando por gostar imenso da história. Muito bela!

Ora, a presente história também tem a sua beleza. As descrições são muito interessantes e nada maçadoras. Tem sempre presente uma ironia bastante jocosa, que é fascinante. Também tem momentos de alguma inquietação e aventura. Tem vários pontos de suspense, o que é sempre bom. Não é um livro da pessoa ficar espantada com os acontecimentos, mas é um livro em que os acontecimentos estão muitíssimo bem narrados. As relações estabelecidas entre as personagens também estão bem elaboradas e coerentes, aspeto ao qual eu dou bastante relevo nos livros. Temos bastantes géneros de sentimentos e valores presentes: romance, inveja, coragem, perseverança, sobrevivência e justiça. E estão bastante bem personificados.

O tempo histórico retratado também está bem construído. Dá uma ideia do Renascimento holandês bastante interessante. É um livro que dá prazer de ler.

Recomendo a todos os que gostam de um bom clássico e a todos os que gostam de romances! 

NOTA (0 a 10): 8