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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Uma Questão de Atração, de David Nicholls

Há alguns anos que queria ler este livro. E antes disso queria ver o filme, que tem um dos meus atores favoritos (James McAvoy). Ainda não vi o filme, mas agora já li o livro e posso dizer que gostei imenso!


Sinopse:

Brian Jackson, estudante universitário, chegou à faculdade com um desejo mais forte do que o da aquisição de conhecimentos: ser uma estrela do concurso mais famoso da TV. Mas o seu avanço no Desafio Universitário é de certo modo travado pela sua atração crescente pela sedutora Alice Harbinson, que luta para deixar a sua marca como atriz. E, à medida que os obstáculos impedem a sua relação, Brian fica cada vez mais convencido de que só um sucesso esmagador no concurso o fará conquistá-la. (in Goodreads)

Opinião: 

Aqui está um livro que posso dizer que é diferente dos outros que tenho lido, devido ao seu humor. Não costumo ler muitos livros com um cariz mais divertido, a não ser aqueles em que existe humor em alguns momentos da trama. Dei por mim a soltar gargalhadas durante algumas partes do livro, especialmente durante algumas das situações caricatas em que Brian se coloca, como a situação em que foi passar uns dias na casa de campo de Alice, com os pais desta. 

No entanto, o livro em si não é uma comédia. A história tem momentos divertidos, mas a situação de Brian acaba por não ter nada de divertido na faculdade. E a questão do programa de televisão também acaba por ser um tanto estranha. 

Já antes tinha lido um livro do autor: Um Dia, e gostei muito. Este é diferente, mas tem um quê de semelhança, em especial em relação às personagens masculinas, aqui Brian, no outro, Dexter, no que diz respeito à forma deles funcionarem em relação às outras pessoas. 

Em relação às personagens, posso dizer que gostei bastante de todas. São uma bela "caricatura" da sociedade dos anos 80. Gostei de Brian e dei comigo a torcer por ele durante toda a história. Também gostei das outras personagens, em especial da Rebecca. Achei a Alice um bocado irritante, o que é sinal que a personagem desempenhou o seu papel. 

Gostei da forma como a história é narrada. O Brian é um excelente narrador, que consegue fazer piadas de si mesmo com uma facilidade incrível. Também gostei da forma como a história se relaciona com a realidade atual da época: as músicas, os livros, o próprio concurso de televisão. 
  
A história em si, é uma espécie de critica à sociedade daquele altura, em especial à juventude e à condição social desta. Os empregos, os salários, as noitadas, as festas, as amizades, as questões políticas e as diferenças entre as diferentes ideologias...tudo está presente, mesmo que de uma forma subtil. Não é uma critica direta, é antes uma forma de abordar esses temas, contextualizando-os de uma forma muito bem feita com as personagens e o enredo. O autor conseguiu-o muito bem.

Não há nada que posso dizer que não gostei ou que estivesse a mais ou a menos. A história superou as minhas expectativas, o que é excelente. Já antes tinha recomendado o autor, aquando da revisão de Um Dia. E agora volto a recomendar. 

Aqui está um livro que se lê num ápice. Com escrita fluída, corrente e com uma boa história, que acaba por ser uma excelente critica social, entrelaçada numa história de jovens. Recomendo vivamente, porque é um livro deveras interessante, divertido e emocionante. Muito bom!

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 16 de maio de 2015

Todo o Meu Ser, de Anna Funder

Gosto bastante de livros que tenham como contexto a Segunda Guerra Mundial, pois permitem-me sempre ter uma visão histórica, social e política bastante rica deste período, tendo por vezes um certo romance ou amizade de cariz bastante forte. Foi nessa expectativa que quis ler este livro e tenho a dizer que fiquei completamente agradada com esta leitura.


Sinopse:

Quanto Hitler sobe ao poder em 1933, um grupo de amigos extremamente unido passam a ser, de um dia para o outro, considerados criminosos. Unidos na resistência à loucura e à tirania do Nazismo, são obrigados a fugir do país.

Dora, apaixonada e temerária, o seu amante, o grande dramaturgo Ernst Toller, a sua prima mais nova, Ruth, e Hans, marido de Ruth, refugiam-se em Londres. Aqui correm enormes e terríveis riscos para continuar a sua actividade em segredo.

Mas a Inglaterra não é o porto seguro que pensavam ser, e um único e arrepiante ato de traição irá destroçá-los…
(in Goodreads)

Opinião:

Este é mais um excelente retrato sobre a vida durante este período de tempo. Neste livro, a história decorre mais entre o período entre a Primeira e a Segunda Guerra, tendo como narradores duas das personagens: Ruth e Ernst Toller. Ruth narra a história já na sua velhice, em 2001; Toller narra-a a partir do início da guerra em si. Ambos narram as suas vidas tendo como ponto de intercessão a história de Dora Fabian, prima de Ruth e amada de Toller, cuja aguerrida militância contra as políticas nazis e visão feminista e liberal são aspectos que a levaram a uma luta desleal contra uma força maior do que aquela que contava enfrentar. 

Aqui não se vê uma perspectiva da guerra com batalhas, bombardeamentos ou cenas desse género. Vê-se a luta daqueles alemães que estiveram contra Hitler e o seu partido, que tentaram avisar os outros países sobre o que se estava a planear. Conta a história daqueles que acabaram por ser considerados alvos a abater pelos Nazis, porque sabiam demais, porque denunciavam as suas práticas horríveis e porque os ridicularizavam na imprensa. É um retrato diferente, que mostra outra realidade, mais encoberta e mais minuciosa, que nem sempre é a mais difundida. Gostei bastante de poder ler sobre esta perspectiva, uma vez que não tinha ainda lido nada que me tivesse mostrado esta realidade. Assim, acabou por ser uma novidade neste campo. 

Todas as personagens, ou quase todas, são reais. A autora explica muito bem aquilo que alterou e aquilo que deixou ficar na parte final do livro, começando por referir que toda a história é verdadeira, sendo que é a história da sua amiga Ruth, prima de Dora, amiga de Toller, esposa de Hans. Os factos aconteceram conforme narrados, mesmo que algumas partes sejam mais "romanceadas". 

É um romance histórico fabuloso, principalmente pelo aspecto que referi anteriormente e também pela mestria com que a autora conseguiu recriar o clima de medo, insegurança e terror que se viveu naquele momento. É uma obra de imensa força e pujança. A forma apaixonada como a história é narrada cola o leitor ao livro, o que faz com que se leia num instante. E existe uma profundidade imensa nesta força, nesta narrativa de entrega, paixão e tragédia. É uma história com um final que vai sendo deslindado aos poucos, mas que cedo se adivinha. É um relato maravilhosamente escrito, mostrando o que de melhor há no ser humano, bem como o que há nele de pior e mais mesquinho.  

Aqui está uma visão realista, crua e nua da vida daquele grupo de amigos, que existiram de verdade e que passaram por aqueles momentos. É uma história verídica...uma história de vida de pessoas reais que se foram cruzando ao longo de uns anos e que deram o seu contributo para uma tentativa de mudar o Mundo, da forma mais pessoal que existe. Uma leitura fluída, com uma escrita bela e poética, por vezes dura e amarga. Uma narrativa muito boa, que recomendo a todos os que gostam deste tema e de história com um conteúdo cheio de força.

NOTA (0 a 10): 9

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Minha Querida, Queria Dizer-te", de Louisa Young

O meu gosto por livros com este tipo de tema já não é novidade. O meu gosto por romance histórico também não. Decidi apostar neste livro pelo tema em si, se bem que a capa e o título também foram bastante sedutores. A 1ª Grande Guerra foi um acontecimento histórico, social, económico e político interessante, não pelo guerra, claro, mas pelas transformações que ajudou a causar, principalmente na Europa. Depois da 1ª Guerra, a sociedade mudou bastante: as mentalidades mudaram, a aristocracia decaiu, os empregos alteraram-se, a industria mudou, os interesses das pessoas mudaram, as roupas mudaram, os comportamentos mudaram, as classes sociais viram crescer a igualdade entre si (se bem que por mais pouco que possa ter parecido, para a altura foi bastante, uma vez que o despropósito que se tinha vindo a observar ao longo dos tempos já era uma vergonha).

Na década de 10, de 1900, Inglaterra: Riley Purefoy é um jovem de 20 anos, que se apaixona por Nadine Waverley, uma jovem da mesma idade, mas de nível social mais elevado. Ambos são amantes de Arte e estudam com Sir Alfred, no seu atelier, sendo lá que o amor floresce. No entanto, devido à intromissão dos pais de Nadine, esta abandona o atelier, deixando Riley triste e desalentado. Depois de uma experiência que não correu como esperado, Riley decide que a única solução para os seus problemas é a ida para a guerra. Assim parte,deixando para trás a família, Nadine e Sir Alfred, decidido a tornar-se alguém como oficial. O que ele não sabia era a dura realidade que o esperava e logo começa a arrepender-se de sua decisão.
Enquanto a guerra "avança", Riley conhece outros soldados e torna-se amigo deles, nomeadamente do seu major, Locke.

Os homens estão nas trincheiras francesas, enquanto que as mulheres começam a integrar-se nos hospitais: as casas senhoriais que são oferecidas como tal. É aqui que vamos encontrar Nadine e Rose, prima de Locke. Temos também Julia, a esposa de Locke, que, atormentada pela falta do marido e pela culpa de não ter uma educação tão prática mas apenas de "esposa e mãe", que a tornam numa mulher fútil e preocupada em manter a casa e o seu visual maravilhosos para a chegada do esposo.

À medida que o tempo passa, vamos podendo observar a evolução destas personagens, das suas vidas, das suas atitudes e comportamentos, bem como do seu estado emocional. Como o período da narrativa abrange antes e durante a guerra e logo depois do armistício, sendo por isso possível acompanhar a evolução das personagens e da sociedade.

Ora, ao observar tais factores é possível constatar e compreender a evolução social que realmente aconteceu e o que a provocou. Isso é bastante interessante, uma vez que através desta leitura, consegui constatar factos que já tinha aprendido enquanto aluna, sobre este tema, tendo como exemplo a vida destas personagens, que foram algumas inspiradas em pessoas reais, sendo mesmo algumas das personagens pessoas reais. Este é o grande aspeto positivo da obra: conhecer, compreender, observar a evolução na Europa, a vários níveis, nomeadamente o social, causada pela guerra ou consequência da guerra. Um exemplo: muitas mulheres decidiram ir para os hospitais como enfermeiras, deixando as suas vidas sociais, de festas, recepções e passeios, tornando-se assim trabalhadoras, dinâmicas, práticas. Também começaram a ter uma visão diferente dos homens, uma vez que tinham de lidar com eles como pacientes, acabando assim muito do pudor do corpo que existia (e existe). O facto das motas se alterarem (saias mais curtas, penteados mais curtos...) também se deveu à guerra e isso está bem presente no livro.

No entanto, não me foi possível gostar muito deste livro.

A escrita/narração da autora: expressões como "oh... mas oh..." são demasiadas; exclamações no meio de descrições; algumas falhas temporais na idade das personagens; a utilização exagerada da conjunção copulativa "e" com vírgulas em demasia perto do "e"; as descrições das batalhas são poucas, havendo demasiados pensamentos das personagens, muitos...repetindo sempre a mesma ideia. E mesmo percebendo que tal deve ser para acentuar o horror que as pessoas passaram, a escolha de exclamações e repetições não foi a melhor, a meu ver;

O romance/personagens: as personagens são um pouco insípidas. Se há algo que eu gosto é de vibrar com as personagens, como o que elas fazem, o que lhes fazem, o que acontece. Não aconteceu.

Ora, estes dois factores foram essenciais para a minha reflexão sobre "gostar muito, gostar assim assim e não gostar", fazendo a balança pesar para o "não gostar". Porém, a qualidade da parte histórica fez com que a balança pesasse para o "gostar assim assim", equilibrando-a para as 3 estrelas.

Outro aspeto positivo foi a existência das descrições referentes à medicina, nomeadamente nos avanços das próteses. Estas descrições, altamente detalhadas e interessantes levaram-me a observar os avanços médicos e os procedimentos utilizados nos pacientes para os seus melhoramentos. Tendo lido "Marina" de Zafón, foi-me impossível não fazer uma associação à evolução de próteses presentes em "Marina", devido à 2ª guerra, existindo assim uma continuidade neste assunto entre estas duas obras, "Minha Querida, Queria Dizer-te" referente à 1ª Guerra e "Marina" referente à 2ª Guerra.

Não posso dizer que o livro não seja bom. Ele é bom, mas falta-lhe algo; falta-lhe uma sensibilidade descritiva e narrativa mais bela, mais íntima. Queria ter ficado a gostar principalmente das personagens e isso não aconteceu, uma vez que não consegui criar nenhum laço com elas, a não ser com alguns dos soldados do regimento, que nem sequer fazem parte das personagens principais. O inicio do livro e a parte final são interessantes, mas há algumas partes que não são tanto como eu esperava que fossem.

Por isso, dou 3 estrelas, porque foi um livro que me ajudou a consolidar alguns conhecimentos sobre este tema, só que não me conseguiu agradar por aí além em relação às personagens e consequentemente ao enredo mais romantizado.

NOTA (0 a 10): 6

quarta-feira, 31 de julho de 2013

"O Regresso", de Victoria Hislop

Sinopse:

Cativante e profundamente comovente, o segundo romance de Victoria Hislop é tão inspirador como o seu romance de estreia e bestseller internacional, A Ilha.

Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói.
(in Goodreads)

Opinião:
Este livro foi adquirido na expectativa de um romance que me relembrasse algo em A Sombra do Vento, devido à sua sinopse e ao que me pareceu por algumas partes lidas antes de o comprar. Não gostando de romances muito modernos, ou seja, ambientados nos dias de hoje (com excepção de alguns que já li e que gostei bastante, como Um Dia), agradou-me o facto de este se passar em parte nos anos de 1930, durante a Guerra Civil Espanhola e parte do regime de Franco. Não é a primeira vez que leio histórias ambientadas neste período, como é o caso dos livros de Záfon e do filme O Labirinto do Fauno, que tanto me agradou. Decidi então arriscar e ler este livro.

A história começa em 2001, com duas amigas, Maggie e Sonia, inglesas, que decidem ir até Granada para umas aulas de danças latinas. Durante a sua estadia em Granada, Espanha, Sonia descobre um café, El Barril, e enquanto bebia o seu café com leite e lia sobre Frederico García Lorca, vê-se abordada pelo dono do café, um senhor já idoso. O senhor, Miguel, começa a falar-lhe de Lorca, que também viveu em Granada, e sobre a Guerra Civil. Vendo que Sonia pouco sabia sobre estes assuntos, Miguel tenta-lhe despertar a curiosidade, contando-lhe sobre Lorca e convidando-a a visitar a sua casa-museu. Mas a conversa entre eles não ficou por aí. Ela voltou lá e depois foi atraída para as fotos nas paredes e a sua atração foi crescendo, bem como a sua curiosidade. E a rapariga espanhola, a dançar flamenco, era tão parecida com alguém que ela tanto conhecia... Miguel conta então o que aconteceu aos donos do El Barril, a família Ramírez (Concha e Pablo e os seus filhos: Antonio, Ignacio, Emilio, Mercedes) antes, durante e depois dos anos da Guerra Civil.

Esta é uma história profundamente comovente. É um como que um relato das atrocidades e da resistência pessoal e familiar durante estes anos terríveis. As descrições são bastantes explícitas e tudo é claro para o leitor. A autora não está para eufemismos e a sua escrita é bastante clara e às vezes cruel. Mas assim foram esses dias. Esta é a jornada dos membros da família Ramírez durante este período de tempo; é a sua história. Uma história cheia de sentimentos, de mágoas, de sofrimentos, de amor, de esperança e de espera. É uma história longa contada de forma um tanto breve (o livro tem menos de 500 páginas). As jornadas de cada membro da família são todas distintas e todas tocantes. É uma busca pela sobrevivência, pelos ideais e pelo amor. Num tempo de terríveis acontecimentos, o amor consegue mover montanhas e ultrapassar obstáculos, bem como a luta pelos ideais que são defendidos a todo o custo, com grandes, grandes custos.

Este livro fez-me lembrar, em parte, o Cold Mountain, que não tendo nada a ver, por vezes fez-me lembrar. Talvez pela viagem de regresso a casa que Inman fez e pelas viagens que Antonio e Mercedes fizerem. Talvez pelo final. Talvez pelo amor que tudo espera e tudo acredita. São livros que me agradaram e que mereceram as cinco estrelas.

É uma história real; mesmo que a família Ramírez não seja verídica, o que lhe aconteceu, aconteceu na realidade a muitas e muitas famílias. Este livro não deixa que o que aconteceu seja esquecido. Estes acontecimentos não devem nem podem ser esquecidos, para o bem de toda a Humanidade.


Para quem gosta de livros com teor histórico, aqui têm uma excelente história. Não estejam à espera de um romance cor-de-rosa, porque não é. Mas merece ser lido. Está muito bem escrito, as personagens estão bem caracterizadas, bastante diferentes umas das outras, com objetivos e sonhos. O enredo é denso, comovente, mas sempre a mostrar alguma esperança. E claro, toda existe uma afluência de todos os acontecimentos para um final comum, muito bem concluído.

Recomendo a todos os que gostam deste género de livros, uma vez que é uma História com H grande, em que de facto se aprende algo sobre um país, sobre um povo, sobre a História daquelas pessoas, sobre o que aconteceu para se chegar à guerra, como se desenrolou e como terminou, como foi depois e o que aconteceu no fim. Aprende-se bastante com este género de livros. E claro, a história vale por si. Excelente.

A ilustração, feita por mim, representa a familía Ramírez: Mercedes no centro; em baixo, com uma guitarra, Emilio; Concha e Pablo abraçados; Ignacio, em cima vestido de matador; Antonio, e os seus amigos Salvador (do centro) e Francisco (junto à margem da imagem); e Javier Montero, o guitarrista e amor de Mercedes.

NOTA (0 a 10): 9

domingo, 19 de maio de 2013

"A Túlipa Negra", de Alexandre Dumas

Sinopse:

Em 1672, Guilherme de Orange toma o poder na Holanda. Cornélius van Baerle, um promissor botânico cujo único desejo é criar uma túlipa negra perfeita, irá envolver-se inadvertidamente nas intrigas políticas da época. Depois do massacre do seu padrinho, é acusado de traição e condenado à morte. Todas as suas esperanças repousam em Rosa, a bela filha do carcereiro. Os dois jovens verão o seu amor desenvolver-se ao ritmo do crescimento desta túlipa que Rosa cultivará no seu quarto. Mas há ainda um inimigo que terão de enfrentar! (in Goodreads)




Opinião:

Este é um livro que me despertou a curiosidade devido ao seu título, à beleza da capa e à sinopse. Romances entre prisioneiros e raparigas é sempre interessante.

"A Túlipa Negra" conta-nos a história de Cornélius Van Baerle, afilhado de Corneille De Witt, que se vê apuros com a política sem nunca se ter metido nela. Todo o seu desejo é cultivar e inventar tulipas e ao tentar inventar a túlipa negra, para vencer o concurso da Sociedade Hortícula de Haarlam, vê-se mergulhado numa aventura que o mudará. Invejado pelo seu vizinho, Cornélius vê-se a braços com a conspiração republicana contra a monarquia, contra Guilherme de Orange. No entanto, para o ajudar, irá contar com a ajuda de Rosa, a filha do carcereiro da prisão.

É um livro muito interessante, que no início me causou alguma estranheza devido à forma do escritor interferir com o desenrolar dos acontecimentos, algo muito comum no século XIX. É o primeiro livro que leio deste autor. Li "A Dama das Camélias", escrito pelo seu filho, e julgo ter tido a mesma sensação no início (já o li há bastante tempo), acabando por gostar imenso da história. Muito bela!

Ora, a presente história também tem a sua beleza. As descrições são muito interessantes e nada maçadoras. Tem sempre presente uma ironia bastante jocosa, que é fascinante. Também tem momentos de alguma inquietação e aventura. Tem vários pontos de suspense, o que é sempre bom. Não é um livro da pessoa ficar espantada com os acontecimentos, mas é um livro em que os acontecimentos estão muitíssimo bem narrados. As relações estabelecidas entre as personagens também estão bem elaboradas e coerentes, aspeto ao qual eu dou bastante relevo nos livros. Temos bastantes géneros de sentimentos e valores presentes: romance, inveja, coragem, perseverança, sobrevivência e justiça. E estão bastante bem personificados.

O tempo histórico retratado também está bem construído. Dá uma ideia do Renascimento holandês bastante interessante. É um livro que dá prazer de ler.

Recomendo a todos os que gostam de um bom clássico e a todos os que gostam de romances! 

NOTA (0 a 10): 8

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um Dia, de David Nicholls

Dexter virou a cabeça para olhar para Emma, e subitamente havia qualquer coisa a mexer-se entre eles, qualquer coisa viva e a vibrar no peito dele.
Emma encostou-lhe a mão.

- É o teu coração?

- É o meu telemóvel.
pág. 306


Sinopse

Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente.

15 de Julho de 1988. Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte, terão de seguir caminhos diferentes. Onde estarão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão? Vinte anos, duas pessoas, um DIA.

Opinião

Maravilha. Um livro muito bom, um enredo bem construído, coeso, forte, com sentido. Personagens fortes, marcantes, humanas. Um enquadramento histórico bem desenvolvido, bem delineado e arquitectado. Uma história de amor muito bela e por vezes tão triste...

Vi primeiro o filme. Com dois atores que gosto muito (Anne Hathaway e Jim Sturgess), foi uma história bem bonita, bem romântica. Estava com algum receio que o livro não fosse como o filme (o filme não fosse como o livro), pois tinha gostado muito do filme. Mas não aconteceu. "Um Dia" é um livro muito, muito maravilhoso. É como escrevi acima. Bem elaborado, cativante. Retrata 20 anos de forma muito convincente e estruturada: acontecimentos politicos, históricos, sociais, mundiais, europeus... um retrato histórico que fica entrelaçado com a história de Emma e Dexter.
O filme está muito fiel ao livro. Uma excelente adaptação, a meu ver.

O facto de não ser um romance muito convencional, com uma ideia interessante (contar um dia das vidas de Em e Dex durante os 20 anos em que se conheceram) foi algo que me cativou, por ser original e por estar bem feito.

Emma e Dexter são antigos colegas de faculdade (não de curso) que se encontram no dia da formatura. Nesse dia passam a noite juntos e depois disso começam a dar-se um com o outro, estabelecendo uma relação de grande amizade ao longo dos anos. Há medida que vão passando pelos anos, muito vai acontecendo e eles vão mudando. E há medida que o tempo passa, ambos continuam a ser amigos. É uma história de amizade e amor, que não vou pormenorizar mais pois não quero spoilar ninguém! 

Emma é o contrário de Dexter, mas o seu amor por ele é grande, apesar dela não o confessar. É na amizade que tem por ele e ele por ela que ela sustenta o seu amor e a sua alegria. Dexter, um jovem mais virado para a fama, para a ribalta e para alguns comportamentos arriscados, é praticamente o oposto de Emma. O que ele parece não querer ver é a necessidade que tem dela para conseguir estar bem.  Será que ele vai conseguir perceber?

Com alguns laivos de critica à sociedade e a alguns comportamentos (fama, bebedeiras, drogas, sexo, questões politicas), David Nicholls leva-nos numa viagem desde 1988 a 2007, deixando-nos espreitar a vida de Emma e Dexter ao longo destes anos, sempre no dia 15 de Julho, o dia em que tudo começou.

É uma bonita história, com momentos muito sentimentais. Emma e Dexter são muito interessantes, à sua maneira, um muito diferente do outro. E depois existem as outras personagens que vão aparecendo e que dão corpo à história. É uma história inteligente e bem contada.

Gostei muito, não costuma ser o género de livro que leio mais, mas fiquei muito bem surpreendida. É bastante bom e já está nos meus favoritos.
Recomendo a todos! 


- Pensei que te tinha perdido! - exclamou ele, desacelarando até andar normalmente, de cara vermelha e sem fôlego, procurando recuparar um pouco de compustura.

- Não, estou aqui.
(pág. 449) 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 21 de agosto de 2012

"O Circo dos Sonhos", de Erin Morgenstern


Este é um livro diferente. Tem um enredo diferente. Personagens diferentes. Um tema diferente.

"O Circo dos Sonhos" conta a história do circo com o mesmo nome, que chega sem avisar e só está aberto de noite. De um momento para o outro, o circo aparece num local. Durante uns dias está lá, mas desaparece sem avisar. Ninguém sabe muito sobre ele, mas todos os que o visitam ficam maravilhados e encantados.
O circo é todo ele a preto e branco, com algumas nuances de cinzento. E é enorme. Não se fazem espectáculos comuns de circo. Tudo é mágico, diferente, etéreo, delicado. Parece um sonho.
E o circo é o palco de um duelo. O duelo entre Celia e Marco, dois mágicos, treinados desde pequenos para esta competição. Mas o que eles não sabem é como tudo o que acontece no circo e nas suas vidas influencia o jogo e como ele pode terminar. As regras não lhes são explicadas, mas o jogo está sempre em movimento e ambos tem de lutar.

Assim se pode resumir, muito resumidamente, o enredo principal da história. Muitas outras personagens e acontecimentos polvilham a história e são parte muito importante. Mas para falar em todos tinha de contar muito sobre o enredo e penso que parte da magia do livro é mesmo o descobrir por si mesmo à medida que se lê. Se contasse aqui muito mais, não ia ter o mesmo saber para quem vai ler, não ia ter a mesma magia. Porque é de magia que a escrita e a história deste livro são feitas. Todo o ambiente, as descrições, os movimentos...tudo é mágico. 




Gostei muito da história. Muito criativa e muito interessante. Não sabia muito sobre ele, só sabia que era bom. E sim, posso dizer que o é.

O enredo está muito bem construído, tudo está lá, apesar de ser um pouco confuso, por vezes. A história avança e recua, sendo uns capítulos, no início, nos anos de 1800, e noutros em 1900. Não é bem isso que causa a confusão. A confusão está em tudo. As próprias personagens sentem-se confusas em relação a muitas coisas. A questão do tempo é percebida no final: quando tudo começa. Este é um dos pontos que maior prazer me deu, porque explicou a questão das datas e dos momentos aparentemente desconexos (as partes da Celia, as partes do Marco, as partes dos jantares, as partes do Bailey). Tudo se encaixa no fim. A linha do tempo vai andando lado a lado até se juntar, em 1902. Esse é um ponto muito bom, que revela a mestria da autora e a sua ousadia e diferença.

"-Eu próprio te teria escrito, se conseguisse pôr em palavras tudo o que desejo dizer-te. Um mar de tinta seria insuficiente.

- Mas, em vez disso, construíste sonhos para mim - diz Celia, erguendo os olhos para ele. - E eu fabriquei tendas para ti que mal chegas a ver. Tenho tanto de ti à minha volta e não tenho sido capaz de te dar algo em troca que possas guardar. 

- Ainda conservo o teu xaile - lembra Marco."


Em relação às minhas preferências pelas personagens,de todas, as que mais gostei foram (por ordem de preferência): Marco, Bailey, os gémeos e Celia. Mas todas as outras são importantes para o enredo. Todos são necessários e parte fundamental do mecanismo do circo (e da história).

Em suma, este é um livro muito bom. Uma experiência nova e diferente, que vai agradar a muitos leitores!

Nota (0 a 10): 8