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domingo, 26 de julho de 2015

Dreams and Wonders - Stories from the Dawn of Modern Fantasy, de Mike Ashley

Este livro é uma antologia de contos de género Fantástico de autores dos séculos XVIII, XIX e XX, seleccionados e editados por Mike Ashley. Tem vinte e três autores e vinte e quatro contos bastante interessantes que demonstram que este género sempre esteve presente na Literatura e que o mundo dos sonhos e das maravilhas é um dos mais belos que existe e está à espera de quem o queira visitar, de modo a oferecer um belo passeio pelos seus caminhos.



Vou fazer um pequeno resumo de cada conto, dando de seguida a minha opinião.


The New Paris, de Johann Wolfgang von Goethe

Sinopse:

Uma criança encontra uma porta mágica no seu jardim e descobre um mundo diferente do seu, cheio de magia e maravilhas e trava conhecimento com criaturas mágicas.

Opinião:

Um conto pequeno, que serve de introdução ao livro. Muito bem escrito e imaginativo, mas falta alguma coerência. Já tinha lido uma das obras de Goethe, As Paixões do Jovem Werther, e tinha gostado muito da sua forma de escrita, das descrições. Foi um dos primeiros escritos do autor, que foi sendo aperfeiçoado depois. Gostei.

NOTA (0 a 10): 7



Sir Bertrand, A Fragment, de Anna Letita Barbauld

Sinopse:

Um cavaleiro, Sir Bertrand, durante uma das suas cavalgadas, avista um castelo belo e misterioso, envolto em escuridão, de onde partem estranhas luzes e barulhos assustadores. Decidido a explorar, acaba por seguir algo que o chama para o interior do castelo.

Opinião:

Com um toque de mistério e boas descrições de criar suspense, este foi um dos contos mais interessantes da antologia. Gostei do mistério à volta do castelo, da atmosfera de suspense e do desenlace dos acontecimentos. Bom conto.

NOTA (0 a 10): 9



The Mines of Falun, de E.T.A. Hoffmann

Sinopse:

Depois de muito navegar e sozinho, um jovem, Elis Froebom decide, com a ajuda de um velho mineiro, optar pelo trabalho numa mina (Falun). Bom trabalhador, logo desperta o interesse no dono da mina, bem como na filha deste, Ulla, pela qual se apaixona perdidamente. No entanto, algo estranho o chama de dentro da mina e ele tem de escolher qual dos desejos é maior: Ulla ou o que o chama do interior da mina.

Opinião:

Mais um conto repleto de belas descrições e de uma escrita fluída. Este é maior do que os anteriores, o que permite uma maior coerência e um maior desenvolvimento dos acontecimentos e das personagens. O final foi bem preparado. Gostei muito.

NOTA (0 a 10): 10



The Life of Dreams, de Edward Bulwer-Lytton

Sinopse:

Um homem conta uma história a outro sobre o Sonho e a sua importância na vida real, entre o que se imagina e o que é criado realmente pela imaginação. O Sonho e a Realidade entram em conflito e aquilo que se deseja e que se cria no reino dos sonhos acaba por tomar conta da realidade.

Opinião:

Achei este conto um pouco confuso, principalmente pelo facto de misturar os acontecimentos entre a conversa entre as personagens sobre o Sonho e a viagem das personagens. Porém, gostei muito das descrições dadas pela personagem em relação ao Sonho e ao que foi criado durante este, uma vez que a a expressão e o sentimento é tão grande transmite uma grande força e emoção.

NOTA (0 a 10): 7



Siope - A Fable, de Edgar Allan Poe

Sinopse:

Uma narrativa sobre um acontecimento espantoso e estranho que aconteceu durante uma observação de uma actividade relacionada com magia.

Opinião:

Este era um dos contos que mais me tinham chamado a atenção quando comprei o livro, por causa do seu autor. Acabei por não gostar assim tanto, uma vez que já li outros contos de Poe, bem mais interessantes e misteriosos. Mas tem o seu interesse, principalmente a nível da escrita.

NOTA (0 a 10): 5



The Lady of Shalott, de Alfred, Lord Tennyson

Sinopse:

Um poema arturiano sobre a Senhora de Shalott, Elaine of Astolat, e o seu desejo em participar na corte e estar com o seu amado, Lancelot.

Opinião:

Um belo poema, cheio de vida e de emoção, que consegue transmitir ao leitor o desejo da Senhora de Shalott em sair do seu isolamento e juntar-se ao seu amado. Gostei do ritmo do poema; a rima é muito bela. Mais uma história bonita sobre esta lenda.

NOTA (0 a 10): 8



The Death of Fafnir, de William Morris e Eirikr Magnusson

Sinopse:

Um bravo guerreiro, vencedor de inúmeras e grandes batalhas, é chamado a matar o dragão Fafnir, com quem acaba por travar conhecimento.

Opinião:

Encontrei muito de Smaug em Fafnir. O autor da antologia refere, na pequena introdução aos autores e ao conto, que Tolkien inspirar-se neste conto para criar Smaug, o que se compreende perfeitamente. Gostei, mas podia estar melhor contextualizado e mais desenvolvido.

NOTA (0 a 10): 5



The Golden Key, de George MacDonald

Sinopse:

Um rapaz passa o tempo a ouvir as histórias da sua tia, acabando por acreditar em todas elas, principalmente na do arco-íris, que refere que quem encontrar a chave escondida onde o arco-íris termina terá grandes aventuras. Assim, começa a tentar descobrir o local até que algo de extraordinário aconteceu.

Opinião:

Gostei muito deste conto, acabou por ser um dos que mais gostei. É um bocadinho mais extenso do que outros, o que permite que haja um maior desenvolvimento a nível da narrativa e das personagens. Gostei da forma como a história foi conduzida e das aventuras pelas quais as personagens passaram. Fez-me lembrar A História Interminável, de Michael Ende. Muito bom.

NOTA (0 a 10): 10



The Story of Willie and Fancy, de Lucy Lane Clifford

Sinopse:

Willie é um rapaz inteligente e sossegado que sonha conhecer o Fim do Mundo e tudo até lá, bem como viver várias aventuras. Certo dia, aparece Fancy, uma rapariga divertida e um tanto estranha, que o leva a viver muitas aventuras.

Opinião:

Outro conto muito bom. Gostei muito da relação entre as duas personagens principais e de como os acontecimentos terminaram. Também este conto fez-me lembrar de outro livro: O Oceano no Fim do Caminho, de Gaiman.

NOTA (0 a 10): 10



The Poor Lovers, de Edith Nesbit

Sinopse:

Um casal apaixonado e pobre decide partir para Londres de modo a tentar ganhar algum dinheiro.

Opinião:

Um belíssimo conto, apesar de bastante triste. O casal é bastante doce e apaixonado e não merecia tudo o que lhe aconteceu, mas o final compensa isso.

NOTA (0 a 10): 10



The Fountain of Gold, de Lafcadio Hearn

Sinopse:

Um homem agonizante conta a um padre a sua estranha aventura em terras estranhas, aquando dos Descobrimentos, e como conheceu uma jovem diferente e maravilhosa, junto a uma fonte de ouro, no meio da selva.

Opinião:

Gostei deste conto, principalmente por causa das belíssimas descrições que são feitas sobre a selva e a fonte de ouro. Através dessas descrições, consegue transportar o leitor para o local descrito, o que é fantástico. Muito bonito.

NOTA (0 a 10): 9



The Potion of Lao-Tsze, de Richard Garnett

Sinopse:

Um imperador muito poderoso decide prolongar a sua vida para a eternidade e manda os seus conselheiros descobrir um método para o fazer. Quando descobre que só a poção de Lao-Tsze (uma irmandade que foi praticamente dizimada às suas ordens), ordena que lhe tragam a poção a todo o custo.

Opinião:

Um dos contos mais exóticos desta antologia. Gostei da narrativa e dos acontecimentos que levaram ao final. Bastante interessante.

NOTA (0 a 10): 8



Charon Makes a Discovery, de John Kendrick Bangs

Sinopse:

Charon, um dos barqueiros mais famosos do rio Styx, descobre um barco mais bonito que o seu e decide investigar. O que ele não sabia era que o barco era dos mais poderosos da companhia fluvial.

Opinião:

Tem um certo humor, uma escrita fluída e interessante e também um enredo leve e fluído. Gostei, mas não foi dos meus favoritos.

NOTA (0 a 10): 6



The Adventure of the Snowing Globe, de F. Anstey

Sinopse:

Um homem vai a uma loja de brinquedos para comprar uma prenda de Natal para o seu afilhado e enquanto está na fila decide explorar um globo de neve com um castelo. Quando vai por ele está no castelo, no meio da neve, e a ser chamado por outro homem para ajudar a sua senhora, a princesa do castelo, que está em apuros.

Opinião:

Mais um conto cheio de humor. Gostei imenso da forma como o narrador solucionou o problema do dragão. Muito engraçado! E gostei  da forma como o enredo foi conduzido.

NOTA (0 a 10): 9



The Magic Mirror, de Charles Aken Fairbridge

Sinopse:

Um homem intervém numa contenda entre uma cobra e um antílope, intervindo em favor da cobra. Esta, sendo o rei dos repteis, decide favorecer o homem com um presente à sua escolha e este escolhe o espelho que concede desejos. 

Opinião:

Mais um conto interessante, em especial por revelar a natureza dos seres humanos em relação ao poder.

NOTA (0 a 10): 6



The Riddle, de Walter de la Mare

Sinopse:

Numa casa antiga mora uma senhora já idosa. Certo dia os seus sete netos vão para lá morar e ela avisa-os de que podem andar por toda a casa, menos ir ao quarto onde está a arca antiga. No entanto, mais tarde ou mais cedo esta começa a chamar pela atenção das crianças, até que, uma a uma, elas decidem ir espreitar. 

Opinião:

Um dos meus contos favoritos desta antologia, a par de um outro. Este é o conto que mais me enredou na sua história e que maior força exerceu sobre as minhas emoções. Gostei muito da forma como a narrativa foi conduzida e de todo o mistério à sua volta, bem como da forma como terminou, no meio da neblina.

NOTA (0 a 10): 10



The Piper at the Gates of Dawn, de Kenneth Grahame

Sinopse:

Uma aventura com os animais da história The Wind in the Willows (O Vento nos Salgueiros), do mesmo autor. Depois do desaparecimento do bebé Lontra, a Mula e o Rato decidem procurá-lo, acabando por viver uma estranha e mágica aventura de um instrumento musical misterioso.

Opinião:

Lembro bastante bem de ver os desenhos animados baseados nesta história de Grahame e achava-os engraçados, apesar de não serem os meus favoritos. Anos depois encontrei este conto e fiquei contente. Apesar de não ter lido o livro, gostei do conto. Uma bonita fábula. 

NOTA (0 a 10): 7



Inside-Out: The Story of Bunder-Runder, the Jailbird, de Laurence Housman

Sinopse:

Bunder-Runder é preso e enquanto está na cadeia dedica-se a sonhar e a escrever o mais belo poema de todos, relacionado com o seu sonho, como forma de evasão.

Opinião:

Uma bela metáfora para a evasão a situações de clausura. A escrita e a narrativa são interessantes e existe um clima de relaxamento bastante acentuado. É um conto diferente, mas interessante.

NOTA (0 a 10): 6



Tales of Two Thieves, de Lord Dunsany

Como os contos são pequenos, o editor decidiu utilizar dois, que se relacionam entre si, uma vez que o primeiro é sobre o pai e o segundo, sobre o filho.

Tales of Two Thieves - The Distressing Tale of Thangobrind the Jeweller 

Sinopse: 

Thangobrind é um joelheiro e um ladrão que tem como nova missão roubar o diamante gigante que está nos braços de uma divindade-aranha: Hlo-Hlo, em troca da filha do Príncipe Mercador. Assim, lá vai ele para a sua missão.

Opinião:

É um bom conto, cheio de aventuras e suspense, com um desenlace inesperado. Gostei da personagem principal.

NOTA (0 a 10): 7


Tales of Two Thieves - The Bird of Difficult Eye

Sinopse:

O filho da personagem do conto anterior parte em busca dos ovos do pássaro da dificuldade, cujos ovos ao racharem podem dar pedras preciosas ou nada, sendo que se ele chegar a tempo de encontrar os ovos a eclodir pedras preciosas terá sucesso na sua missão, que é ficar com as pedras para um negócio da alta sociedade.

Opinião:

Parecido com o conto anterior, mas com menos aventuras. Gostei mais do anterior por ter mais aventuras. 

NOTA (0 a 10): 6



Celephais, de H.P. Lovecraft

Sinopse:

Um homem, Kuranes, perdeu os seus recursos e está sozinho. Cada vez mais isolado, começa a dedicar-se ao sonho e durante esses tempos constrói no reino dos sonhos um reino Celephais, que é uma cidade maravilhosa, nas nuvens, em que ele é uma figura importante e nobre.

Opinião:

Esta é a segunda história que leio do autor. Li, no ano passado, Nas Montanhas da Loucura, e gostei muito. Também gostei deste conto, principalmente das belíssimas descrições de Celephais e de como

NOTA (0 a 10): 8



Under the Moons of Mars, de Edgar Rice Burroughs

Sinopse:

John Carter, depois de conseguir fugir a um grupo de indios e de deixar o seu amigo morto dentro de uma gruta, acaba desmaiado no seu interior. Quanto acorda, está em Marte.

Opinião:

Este foi o conto que menos gostei. Conheço a história; vi o filme. Enquanto John esteve na Terra, gostei, mas quando ele chegou a Marte já não gostei tanto, apesar de não conseguir definir exactamente o que não gostei. No entanto, é um bom conto. 

NOTA (0 a 10): 5



Through the Dragon Glass, de A. Merrit

Sinopse:

Herndon desaparece misteriosamente de dentro da sua casa. Depois de muito procurado durante a noite, acaba por aparecer durante o dia, todo aleijado e no quarto. Quando o seu amigo chega a casa para o visitar, Herndon tem uma história completamente fantástica para justificar o seu desaparecimento e os ferimentos que sofreu...tudo relacionado com vidro de dragão.

Opinião:

Este foi o meu conto favorito. Gostei imenso da forma como o autor conduziu o enredo, bem como do desenvolvimento em si. Também a nível de construção das personagens encontrei uma grande coerência e crescimento. Como é mais extenso, também dá para criar um ambiente mais denso, contextualizado e coerente e personagens mais elaboradas. Aventura, mistério e pura Fantasia. Também devo mencionar que a nível dos diálogos fez-me lembrar em parte Jean e Locke Lamora (Scott Lynch). Excelente!

NOTA (0 a 10): 10



The Door in the Wall, de H.G. Wells

Sinopse:

Lionel Wallace conta ao seu amigo de infância sobre algo que o atormenta desde criança: a existência de uma porta verde numa parede branca, que, certo dia quando era muito jovem, abriu e entrou, conhecendo um lugar de extrema maravilha e pessoas muito amigas, ao contrário daquelas com quem convivia no dia-a-dia. Lionel confessa que durante a sua existência sempre tentou encontrar a porta e agarrar novamente aquele momento tão ansiado. 

Opinião:

Um dos contos mais aguardados, porque Wells é dos meus autores favoritos. Depois de ler A Guerra dos Mundos, A Máquina do Tempo e O Homem Invisível, e de ter ficado completamente satisfeita, só podia esperar algo de maravilhoso deste autor, ainda por cima no campo da Fantasia, uma vez que as suas histórias, principalmente as que já li, são de Ficção Cientifica. E gostei, gostei muito. Há uma complexidade extremamente elaborada e bem narrada, bem como uma grande reflexão sobre a infância e o que acontece neste período acaba por condicionar todas as outras etapas. A história de Lionel é forte, o narrador é excelente, como em todas as histórias de Wells, e existe uma certa moral muito interessante. Muito bom!

NOTA (0 a 10): 10



Em suma, uma antologia maravilhosa e que permite ao leitor que gosta de Fantasia uma visão de vários contos mais antigos e que estão na base de todas as histórias deste género. Também há que referir o trabalho excelente do autor da antologia, que teve a preocupação de escrever uma pequena introdução biográfica de cada autor e das suas histórias e importância para este género. Recomendo sem reservas! Muito bom e instrutivo.


Nota global (0 a 10): 9

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Histórias de Mistério e Imaginação, de Edgar Allan Poe

Este é o segundo livro que leio do autor. Li As Extraordinárias Aventuras de Gordon Pym e agora li este, que é um livro de contos. Ao todo, este livro apresenta dez contos de Poe, todos com uma temática obscura em que o medo, o terror e a estranheza são presenças constantes.

Como são contos, vou fazer uma pequena opinião de cada um, uma vez que o livro não é todo sobre a mesma história.


A esfinge da caveira

Este conto é muito breve e retrata a estadia de dois indivíduos que partem da cidade de Nova Iorque para o campo para fugir da epidemia de cólera que assolara a cidade. Um desses indivíduos, o narrador, é mais sensível às emoções e mais dado à suscetibilidade, começando a temer a epidemia e o que lhe poderia acontecer. Assim, começando a sentir-se atormentado, certo dia, imagina ver um animal fantástico, aterrorizador, com uma caveira, a descer de um monte em direção à casa. Aterrorizado, pede ajuda ao amigo e os dois ficam a observar.

Pois bem, é um conto bastante simples, que serve como que aperitivo para os contos que se seguem. Achei interessante, no entanto não fiquei arrebatada pelo ambiente e pelas emoções vividas pelas personagens.
Nota: 7


O escaravelho de ouro

Neste conto é o narrador é amigo de um jovem homem, William Legrand, que está como que numa espécie de retiro, com o seu empregado antigo escravo de nome Júpiter. O narrador vê-se envolvido numa estranha demanda relacionada com a descoberta de um escaravelho de ouro, feita por William. Quando William aparentemente começa a enlouquecer, Júpiter pede auxílio ao amigo do seu patrão para o ajudar no que for preciso. 

Este conto apresenta uma história com um pano de fundo maior, mais complexo. As personagens têm uma complexidade maior. É mais virado para a aventura, se bem que sempre com um toque de escuridão. Gostei bastante, foi dos contos de que gostei mais. Fez-me lembrar A Ilha do Tesouro, livro esse que é dos meus favoritos.
Nota: 10


Silêncio - Uma fábula

Este conto é pequeno e tem uma componente bastante melancólica e introspetiva. Parece um poema em prosa. É quase todo ele uma descrição, tanto dos elementos naturais e de ambiente, como dos sentimentos.

Não foi dos que gostei mais, no entanto gostei da forma como está escrito: parece um poema em prosa, sendo bastante melodioso.
Nota: 5


A queda da Casa de Usher

Neste conto, o narrador é amigo de Roderick Usher e conta o que aconteceu quando foi ter com ele, à sua mansão vetusta e muito degradada: a Casa de Usher. O narrador, deveras incomodado com o aspeto da casa, logo começa por divisar um certo terror que está presente na casa e no seu amigo. Roderick, doente e sozinho, tenta que o amigo o ajude, especialmente com a irmã, Madeline. 

Gostei muito deste conto. Pelo ambiente que apresenta, pelas personagens e pela forma como estabelece o enredo. Tendo em conta que a maioria dos contos de Poe tem um cariz de terror, este foi dos que mais apresentou esse cariz, no meu entender. A casa é muito bem descrita, descrição essa que provoca emoções no leitor. Toda a descrição remete para o terror que habita a casa e, num momento, Roderick faz uma observação bastante interessante: a casa está viva e tanto ela como os seus habitantes (a linhagem de Usher) estão interligados, ou seja, o que acontece aos habitantes espelha-se na casa. Tendo em conta o que acontece na reta final e no final, esta observação torna-se deveras crucial para todo o conto.
Nota: 10


Ligeia

Ligeia era a esposa do narrador deste conto. O narrador apresenta-a com todo o esmero, com grande detalhe e com grande emoção. Bela, de cabelos compridos e negros como corvos, de olhos um bocadinho grandes de mais e também negros, de grande inteligência, mestre em Matemática, Física, todas as línguas clássicas e em assuntos transcendentes e místicos, Ligeia foi a sua companheira, a sua mestra, a sua amada. O narrador, nada sabe do seu passado, nem o seu sobrenome, apenas que a conheceu numa aldeia antiga nas margens do Reno (se sabe mais alguma coisa, não se recorda). 

Não posso referir mais nada da história, senão estaria a dizer o que acontece, mas posso afirmar que é um conto muito interessante. Encontrei-lhe beleza, uma beleza um tanto melancólica, mas uma beleza distinta. Ligeia é, deveras, uma personagem intrigante e toda a descrição que lhe é feita define-a bem, mesmo que fique sempre alguns detalhes no escuro. O narrador consegue estabelecer uma narrativa bastante densa, um tanto descritiva (mas necessária), que provoca diversas emoções ao leitor. Gostei bastante do final, porque foi inesperado e misterioso, uma vez que fica sempre uma ligeira dúvida no ar: foi mesmo assim ou não teria passado de um sonho ou induzido pelo ópio fumado pelo narrador? Um conto muito bom, com um ambiente bastante sombrio.
Nota: 10


O retrato oval

Outro conto bastante curto. O narrador, ferido durante um ataque, e o seu criado pernoitam numa casa antiga. Essa casa está cheia de quadros muito belos e diversos. Com a tempestade lá fora e com o ambiente sombrio da casa, o narrador passa a noite deitado a observar os quadros, muitos deles também um tanto sombrios. Ao encontrar um livro que descreve e comenta as obras expostas nas paredes, começa a lê-lo. A dado momento, vê um quadro que ainda não tinha visto: um retrato de uma jovem muito bela, numa moldura oval. Ao ficar muito intrigado e incomodado com o retrato, decide saber mais sobre ele e recorre ao livro. O que encontra é uma história bastante triste e solitária, que conta como foi que a jovem foi pintada no retrato e o que lhe aconteceu, a ela e ao pintor, que era seu amado.

Apesar de pequeno, é um conto bastante interessante. Gostei de como é narrado. Não tem tantos detalhes, nem mostra tanta emoção, uma vez que é narrado por uma pessoa “de fora”, não pela rapariga do quadro ou pelo pintor. O facto de ser o livro a contar o que aconteceu, pelas palavras do narrador, também faz com que a narração seja mais distante e não tanto emotiva. Apresenta uma história também sombria, mas não tanto, se bem que o que aconteceu entre a rapariga, o pintor e o retrato é bastante melancólico, mas de certa forma poético.
Nota: 9


O pipo do "Amontillado"

Um homem jura vingar-se de um amigo que o humilhou e decide armar uma situação para o fazer. Esta é a melhor descrição para este conto, pois de outro modo estaria a contar o que acontece. 

Gostei do conto, apesar de não ter sido dos meus favoritos. É um conto de vingança e a forma como esta é engendrada é bastante detalhada e “perfeita” na sua execução.
Nota: 7


O poço e o pêndulo

Um homem está preso numa cela. Foi preso e condenado pela Inquisição e espera a desfecho da sua pena. Na cela onde está existe um poço no centro, com algo de horrível no seu fundo. Quando ele não cai no seu interior, os seus algozes decidem-se por outra tortura. Amarrá-lo no chão com um pêndulo cortante a descer do teto a cada segundo, como um pêndulo de relógio a mover-se. 

O conto é narrado pelo prisioneiro e é narrado com extremo terror. É dos contos que mais explora este sentimento, uma vez que a situação em que a personagem se encontra é deveras aterrorizante. As emoções, sensações e terrores são muito bem narrados e a personagem é um grande sofredor. E também inteligente. É um conto com o seu interesse, apesar de não ser dos que gostei mais.
Nota: 7


O gato preto

Este conto é sobre um homem que era uma pessoa muito boa, que amava a sua esposa e os seus animais. No entanto, os seus sentimentos começaram a mudar e ele acaba por tornar-se num homem muito perverso e malvado, acabando por cometer atrocidades aos animais e à esposa. Eventualmente, acaba por matar o gato que tinha e depois disso começa a sentir que nada de bom lhe acontece depois disso. Arranja outro gato, bastante parecido com o anterior, mas também começa a sentir horror ao animal. 

É um conto bastante sombrio e perverso. Acaba por ser um estudo interessante sobre as alterações que as pessoas podem sofrer e como isso modica os seus íntimos e os seus destinos. Não foi dos que mais gostei, mas é um conto interessante e com uma evolução bastante densa.
Nota: 7


Os crimes da Rue Morgue

O conto mais extenso do livro. O narrador e o seu amigo, Auguste Dupin, veem-se a braços com um estranho e misterioso caso de assassinato de duas mulheres. Sem solução à vista, a polícia começa a desesperar, o que faz com que Dupin se interesse pelo caso e comece a investigar, recorrendo a métodos dedutivos, de observação e de análise.

Um conto bastante interessante que me fez lembrar Sherlock Holmes. Uma vez que esta personagem é anterior a Sherlock, seria o Sherlock a fazer lembrar o Dupin. Mas como conheço Sherlock há mais tempo, compreende-se a minha associação cronológica. É um conto policial, que apresenta todos os ingredientes de uma boa história deste género. Gostei bastante.
Nota: 8

Em suma, gostei bastante destes contos de Poe e espero ler mais contos do autor.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"As Aventuras Extraordinárias de Gordon Pym", Edgar Allan Poe


O primeiro livro de Edgar Allan Poe que eu leio!
E para primeiro aqui está um que já ficou nos meus favoritos. Este livro é extremamente interessante, com um final surpreendente e nada, nada, esperado...completamente "surreal".

Este livro conta as aventuras de Gordon Pym, um jovem rapaz. O livro é contado por Pym, posteriormente à aventura que viveu no mar. Ou seja, a aventura começou no ano de 1827 e o relato é feito em 1838.

Neste relato, Pym conta como começou as suas aventuras. Fala da amizade entre ele e um rapaz dois anos mais velho, Augustus, filho de um capitão de baleeiro, que já tinha feito uma viagem com o pai, no barco, pelo Pacifico Sul. Pym depressa começa a acalentar a esperança de ir, um dia, para o mar e fazer uma grande e extraordinária viagem. Certo dia, Augustus informa-o de que vai com o pai (e a equipagem) para o mar e convida Pym. No entanto a família de Pym não o deixa ir.
Mas como o desejo de Pym era enorme, Augustus e ele decidem traçar um plano e Pym embarca no navio, escondido no porão, dentro de uma caixa com grades e um espaço para ele se deitar.
O plano é, depois de estarem em alto mar, fora da vista de terra, Augustus manda Pym sair do esconderijo e apresentar-se ao pai de Augustus e a toda a tripulação. Desta forma, fora do alcance da terra, todos têm de se conformar com Pym a bordo. E a família de Pym, estaria descansada, a pensar que ele estava na casa de um familiar (Augustus forjara uma carta desse parente).

 
Ilustração do livro Arthur Gordon Pym: A Romance By Edgar Allan Poe, published by Downey & co., 1898

Mas o tempo começa a passar e Augustus não desce ao porão...a água desaparece, a comida também. Pym fica doente e começa a pensar que o amigo o abandonou. Tempos depois, recebe a visita de Tigre, o seu cão de estimação (que Augustus tinha levado para o barco). Atado ao cão está um papel escrito a vermelho, que avisa Pym para algo de errado a bordo. E Pym continua no seu esconderijo...cada vez pior. Até ao dia em que Augustos finalmente aparece e lhe conta que o barco foi alvo de um motim.
Muitas outras aventuras acontecem e o relato prossegue, cheio de detalhes e aventuras. Pym, Augustus e Peters (um homem meio louco, ou não) decidem tomar o barco de novo. E conseguem, fazendo um refém, Richard Parker. No entanto, uma enorme tempestade abate-se sobre o barco e vêm-se à deriva, num barco desfeito. Assim ficam durante muitos e muitos dias...

Mas a viagem não termina. E muitas aventuras esperam por Pym no Polo Sul. Numa época em que o Polo Sul era um mistério, numa época em que a teria Hollow Earth fazia parte da realidade das pessoas, muitos eram os mistérios que acompanhavam a mente dos navegadores.
Até ao centro do Polo Sul, assim quer Arthur Gordon Pym.

E assim é este livro. Uma escrita muito descritiva, mas muito interessante e cheia de factos importantes e curiosidades que não faz mal nenhum saber, antes pelo contrário. Um livro com História real no seu conteúdo. Uma história extraordinária, cheia de aventuras e de acontecimentos misteriosos.

E com um final...simplesmente bem conseguido, para suspense total.
Recomendo a todos!

Nota (0 a 10): 10