sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Assassino do Bobo, de Robin Hobb

Sinopse:

Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.

Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual... (in Edições Saída de Emergência)



Opinião:

É com imenso gosto que escrevo esta opinião. Robin Hobb é uma das minhas autoras favoritas e desde que a Saída de Emergência começou a editar cá os seus livros que os tenho lido. Ora, depois de duas sagas maravilhosas, é uma delícia poder voltar a entrar neste reino e a visitar os Seis Ducados, Torre do Cervo e, principalmente, a encontrar FitzCavalaria Visionário, a minha personagem literária favorita. Ao começar este livro foi como se voltasse atrás no tempo ou como se voltasse a uma memória ou acontecimento muito querido. Deu-me uma sensação e emoção únicas e foi com grande alegria que me deixei levar pelas páginas desta brilhante aventura. 

O primeiro livro de uma trilogia deliciosa e repleta de emoção!

As personagens continuam perfeitas. Fitz continua o mesmo. Apesar de mais velho, o seu corpo mantém a aparência da casa dos trinta, devido à cura pelo Talento administrada pelo círculo de Respeitador nos livros anteriores. Mas a nível psicológico, de maturidade, continua o mesmo. E continua como só ele podia ser. Confesso que, se ele amadurecesse verdadeiramente, podia deixar de ser tanto como ele é. Acho que não gostava muito que isso acontecesse...talvez para preservar a personagem como a ideia que faço dela, mas acho que, com a história que aqui está, é provável que ele amadureça. No entanto, permanecerá para sempre aquele rapaz que foi levado para o Castelo de Torre do Cervo para servir como assassino. 

Mas, apesar do Fitz ser especial, também há outras personagens e posso dizer que gosto de todas. Moli também me é muito querida. Sempre gostei dela e sempre torci para a ver com o Fitz. Depois de tudo o que lhes aconteceu, o repouso e amor entre os dois é mais do que merecido. Gostei de reencontrar Moli e muitas das emoções mais fortes foram por causa dela. 

Breu, Kettricken, Respeitador, Urtiga, Enigma e muitas outras personagens voltam para fazer as delícias dos leitores e voltam todas cheias de força e pujança, mesmo que nem todas apareçam muito ao longo da história. 

Não querendo estar a contar muito, outra personagem nova que aparece é verdadeira um miminho! Abelha é perfeita. É como que aquilo porque a história tem estado a ser contada. Parece ser a base de todos os livros, o culminar da história. Há muito para descobrir sobre ela, mas espero que o mistério seja bastante adensado ao longo das histórias seguintes! 

E há muitas novas personagens, todas fantásticas. 

Robin Hobb é única. Mais uma vez dá-nos uma história que só ela podia ter escrito. As personagens continuam iguais, cheias de força e carisma, os locais também continuam a transmitir a mesma serenidade emocionante. A escrita continua a ser como que uma viagem serena, pacifica. É como um maravilhoso conto de antigamente, contado oralmente, no princípio dos tempos. Tudo neste livro faz lembrar os anteriores, tudo e nada. 

A história é muito diferente. Fitz vê-se numa situação completamente nova. Casado, ao lado da sua amada que envelhece (e ele não), Fitz só quer paz e sossego. Porém, algo mais está em marcha e ele volta a ser posto em serviço, se bem que de um modo bastante intrigante e esquivo. Mas, para além de todo o enredo de mistérios, profecias e segredos, há mais do que isso, há a vertente familiar. Abelha ganha. não só um lugar privilegiado e único na vida dele, mas também capítulos da sua autoria, deixando-nos entrar no seu mundo, na sua perspetiva e na sua mente tão peculiar e aguçada. 

Se a narrativa não tem tantas aventuras como as que podiam ser esperadas, tem algo mais. Tem um contexto familiar que prende o leitor de um modo mais filial, mais íntimo. E este é apenas o começo de uma trilogia que vai ser fantástica. O final do livro é totalmente comovente, deixando tudo em suspenso, tudo em aberto e pronto para a maior aventura de todas, maior, mais perigosa e mais emocionante. Amizade e família, o maior dilema de Fitz vê-se, mais do que nunca, concretizado. 

Quanto à escrita, Hobb dá-nos mais um doce. É com enorme expectativa que as folhas vão sendo devoradas e dei por mim a tentar abrandar o ritmo da leitura para fazer render a história. Porque, se bem que queria ler mais, também queria saborear tudo em pormenor. As palavras são escolhidas de modo a criar um encadeamento melodioso e delicado que promove uma leitura a dois tempos: veloz nos momentos de ação, calma nos momentos mais descritivos e introspectivos. É o tempo perfeito para a narrativa. 

Em relação às descrições, é um prazer voltar aos locais visitados tantas vezes e encontrar, mesmo que com algumas mudanças, aquele "cheiro" a conhecido, aquela familiaridade tão boa. Gostei muito de encontrar Floresta Mirrada e de conhecer a esplêndida mansão. Tudo é descrito como deve ser. Sem ser demasiado, mas sem ser de menos. Está tudo equilibrado. No fundo, equilíbrio é o que mais pauta esta história. Equilíbrio em todos os aspetos. 

Pois é, mais um maravilhoso livro desta autora que eu tanto aprecio. Quero agradecer à Saída de Emergência por ter voltado a editar Robin Hobb. Muito obrigada. Por favor, continuem. Espero ler em breve o segundo volume desta esplendida trilogia. Estou tão curiosa para ler o próximo! 

Recomendo vivamente a todos os leitores que apreciam uma história excelente, com aventuras, romance, emoções fortes. É do melhor que se pode ler. E também quero referir o excelente design tanto no exterior (a capa é linda!), mas também interior, tanto a nível de formatação e imagens. 

NOTA (0 a 10): 10 

sábado, 20 de maio de 2017

Tatiana e Alexander, de Paullina Simons

Sinopses:

Tatiana

Com apenas dezoito anos, Tatiana está grávida e só. O seu marido, Alexander, foi acusado de espionagem e preso pela infame polícia secreta de Estaline.

Alexander é um herói de guerra condecorado que carrega um segredo fatal. Nascido na América, vive encurralado desde a adolescência na União Soviética, para onde emigrou com os pais, que queriam viver o ideal comunista. Mas o brutal regime do país rapidamente destroçou os seus sonhos. Para se proteger, Alexander serviu o Exército Vermelho e fez-se passar por cidadão soviético. Para ele a II Guerra Mundial é já uma causa perdida: tanto a derrota como a vitória significam a morte.

As notícias que dão conta do triste destino de Alexander levam Tatiana a fugir para a América. Quando chega a Nova Iorque, ela é uma jovem viúva com um filho pequeno nos braços e um passado doloroso. Pouco tempo depois, tem um emprego, amigos e uma vida com que nunca ousou sonhar. Mas a dor pela perda de Alexander nunca a abandona. Algures dentro de si e contra todas as evidências ela continua a ouvir a voz do seu grande amor...

Uma história épica de amor e guerra. Um hino ao poder dos sentimentos e da fé humana. Tatiana é a sequela do bestseller mundial O Grande Amor da Minha Vida. (in Goodreads)



Alexandre

(...)
A viver na América com o seu filho, Tatiana tentou esquecer a mágoa pela perda do seu grande amor, Alexander. A sua vida seria perfeita se essa memória não estivesse presente a cada momento de cada dia. E quando uma improvável réstia de esperança de encontrar Alexander vivo se apodera dela, Tatiana não hesita. 

Deixa o pequeno Anthony aos cuidados da amiga Vikki e parte para uma derradeira e perigosa viagem à Alemanha. Em jogo está tudo o que construiu e a sua própria vida. Se for encontrada, Tatiana sabe que não escapará. É uma mulher marcada.

Mas mais impossível do que o seu sonho é a incapacidade de aceitar a vida sem Alexander. Mais forte do que o medo é a promessa que fizeram um ao outro há tantos anos atrás: "viveremos juntos ou morreremos juntos". 

Tatiana e Alexander protagonizam uma das histórias de amor da ficção contemporânea. Um inesquecível relato de paixão, guerra, coragem e sobrevivência. (in Goodreads)



Opinião:

Esta opinião abrange as duas edições portuguesas do livro original (Tatiana and Alexander). Por cá, a editora resolveu editar o segundo livro da trilogia como sendo o livro final e com duas partes, uma de cerca de 600 páginas e uma de 200 páginas. Não sei qual foi a ideia nem a justificação, só sei que não foi uma grande ideia, uma vez que a a história é maravilhosa e devia ser editado o terceiro livro.

Decisões à parte, decidi ler tudo  de seguida e escrever a opinião dos livros como um todo, uma vez que o segundo ou terceiro por cá (Alexander) faz parte da parte Tatiana.

Depois do maravilhoso e sofrido enredo de O Grande Amor da Minha Vida, não podia deixar de ler as aventuras e grandes perigos pelos quais Tatiana e Alexander passaram na sua odisseia para tentar fugir da União Soviética durante a 2ª Guerra. De uma pujança enorme, com a história mais triste e bela ao mesmo, O Grande Amor da Minha Vida é um dos meus romances favoritos. Personagens fantásticas, fortes e únicas, deixaram-me uma grande marca, bem como os acontecimentos pelos quais passaram. Estava na altura de ler a continuação e saber como é que Tatiana tinha conseguido sair da União Soviética e como Alexander tinha saído da situação difícil em que se encontrava, num hospital de campanha e a ser acusado de traição, com a sua verdadeira identidade quase descoberta.

Não podia ter ficado mais satisfeita com a continuação do primeiro livro. Neste, voltei a encontrar personagens fortes, um enredo forte, descrições cheias de vida e de realidade. Tatiana continua a ser uma rapariga de armas, cheia de força, mesmo nos momentos mais desesperados. Sozinha, grávida e na América, pensando que Alexender estava morto, Tatiana vê-se numa situação difícil. E, à medida, que a sua vida na América se vai desenvolvendo, ela vai sentido cada vez mais a falta do seu amor, mesmo com o seu filho bebé, a sua nova amiga e o médico que a tenta cortejar. Por sua vez, Alexander está muito mal. Depois de quase ter morrido, vê-se a braços com as forças do exército russo, que o quer prender e acusar de traição, enviando-o para um batalhão que tem como função encabeçar as forças russas, servindo de escudo e de bala para canhão. Pelo meio, existem várias outras personagens que são essenciais para todo o enredo.

Gostei muito do livro todo, mas confesso que os capítulos que contam a parte de Alexander marcaram-me mais. Tal deveu-se ao enredo narrado nesses capítulos. Uma parte mais sombria, mais dura, mais medonha na história. Vários são os perigos pelos quais ele passa, sempre com a sombra da traição por cima. Também as personagens são mais nuas, mais frias, mas, ao mesmo tempo, mais calorosas, mais vivas e grandiosas, mesmo que muitas delas só dê vontade de atacar. Alexander é a personagem que transmite, neste volume, toda a paixão, força, coragem e resistência que é o grande tema desta história. Durante todo o percurso que ele fez ao longo do livro é de uma força e resistência imensas, de coragem e amor. Claro que também gostei dos capítulos dedicados a Tatiana, a grande força por detrás de toda a coragem de Alexander. 

Em relação à narrativa, quero referir a grande emoção e força que ela transmite. É uma odisseia, uma ode ao amor, à coragem. O resistir a tudo e a todos, enfrentar tudo e todos por algo maior, pela Vida...esse é o grande tema do livro, é o seu núcleo: a força do amor e da Vida. É uma das histórias mais lindas que li até hoje. É uma história que poderia ter acontecido a qualquer casal durante aquele período e que poderá mesmo ter acontecido. É uma história de amor, de um amor que consegue vencer tudo e todos e que nunca se dá por vencido. Sem dúvida, encontrei nesta história algo de brilhante e muito belo. No meio de toda aquela dor, violência e medo, há esperança, fé e um grande amor, que, mesmo que seja pequeno, é tudo o que é necessário. 

Uma história forte, muito bem narrada, com tudo o que faz uma narrativa grandiosa e alcança um patamar mais elevado, permitindo ao leitor estar com as personagens e acompanhá-las ao longo da sua jornada, jornada essa que é cheia de perigos, mas cheia de ternura e amor.

Quanto às descrições, a autora conseguiu ser tão assertiva na escolha das palavras que criou imagens visuais muito fortes. Não só visuais, como olfativas e auditivas. É como se o leitor lá estivesse no meio de todo aquele caos, ou no meio de toda aquela serenidade ou folia, dependendo das partes da história. 

Ação, amor, guerra, emoção e aventura são os pontos chave desta grande narrativa de proporções épicas. São livros grandes, que se leem num ápice, tal não é o ritmo de grande emoção e adrenalina presente ao longo da história, em conjunto com uma escrita fluída e rica. 

Recomendo totalmente a todos os que gostam de uma história maravilhosa, que é também uma lição de História. Um dos mais belos romances da Literatura! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 14 de maio de 2017

Divulgação - O Assassino do Bobo, de Robin Hobb

Venho divulgar uma das minhas autoras favoritas, uma das minhas sagas favoritas e um das minhas personagens favoritas. Estou a referir-me a Robin Hobb e à sua saga (três sagas, na verdade) de FitzCavalaria Visionário, umas das minhas personagens favoritas. 

Foi com enorme euforia e carinho que recebi a notícia da sua publicação em Portugal, pela Saída de Emergência, depois de alguns anos sem edições por cá. 

Três são as sagas que acompanham FitzCavalaria na sua jornada desde criança até à idade adulta. Duas estão já completas e editadas pela Saída de Emergência, a terceira está a começar por cá, tendo já os três livros publicados em inglês: Fool's Assassin, Fool's Quest e Fool's Fate. 

Agora, todos vamos ter a oportunidade de continuar a seguir as aventuras desta personagem tão amada e especial. Espero que gostem e que tenhamos a continuação em português. Obrigada Saída de Emergência, por continuarem a apostar nesta autora fantástica! 


Sinopse:

Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.

Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual... (in Edições Saída de Emergência)

Recomendo este livro a todos os leitores. A todos os que acompanharam Fitz nas suas demandas ao longo das outras sagas, a todos os que gostam de uma boa história, a todos os que gostam de ler. 

Já conhecem estas sagas? Já leram Robin Hobb? O que têm a dizer?

Star Trek: Ongoing, volume 5, de Mike Johnson

Sinopse:

Bones

Neste conto descobrimos o que levou o Dr. Bones a seguir medicina e a ir para a Academia. 

The Voice of a Falling Star 

A história de Uhura, e do que a fez seguir o seu caminho para a Academia.

Scotty

Como Scotty decidiu ir para a Academia

Red Level Down

Aventuras de Chekov e Sulu na Academia, em especial em momentos de grande emoção e bravura. 



Opinião:

Mais uma bela banda desenhada de Star Trek. Apesar de não ter acrescentado muito à história em si, serve de "background" para as histórias pessoais das personagens, o que promove uma ligação mais forte com elas. 

Spock e Kirk, apesar de aparecerem, ficaram um tanto relegados para segundo plano, deixando assim as outras personagens terem mais destaque, algo que merecem, pois são, também, excelentes. 

Gostei de todos os contos. Gostei da forma como Bones foi apresentado e como a sua história é comovente. Gostei da intimidade entre Uhura e Spock e de como ele ficou a conhecer mais sobre o seu passado. Gostei de saber mais sobre a infância e as aventuras infantis de Scotty, sempre divertido, e gostei bastante da aventura de Chekov e Sulu, no conto mais complexo e completo desta banda desenhada. 

Não há muito para contar sobre os diferentes contos, uma vez que são todos sobre como é que as diferentes personagens chegaram à Academia ou como é que se graduaram lá dentro e das aventuras que por lá passaram. 

Uma leitura fácil, com momentos de grande emoção e aventura, belas imagens e a habitual adrenalina e gosto pelas aventuras das diferentes personagens. Recomendo a todos os que gostam deste universo e àqueles que gostam de boas histórias em banda desenhada! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 30 de abril de 2017

A Bela e o Vilão, de Julia Quinn

Sinopse:

Libertino. Devasso. Debochado. Três adjetivos que podiam descrever Michael Stirling na perfeição. Bem conhecido nas festas londrinas, quer desempenhasse o papel de sedutor ou o papel de seduzido, uma coisa era certa: nunca estregava o coração. Ele teria até acrescentado a palavra "pecador" ao seu cartão de visita se não achasse que isso mataria a pobre mãe. 

Mas ninguém é imune ao amor. Quando a seta de cupido atinge Michael, dá início a uma longa e tortuosa paixão - pois o alvo dos seus afetos, Francesca Bridgerton, tem casamento marcado com o seu primo. Mas isso foi antes. Agora, Francesca está novamente livre. Infelizmente, ela vê Michael apenas como um ombro amigo - até à fatídica noite em que lhe cai inocentemente nos braços, e a paixão se revela mais poderosa e intensa do que o mais perverso dos segredos... (in Goodreads)


Opinião:

Este é o sexto livro que leio da autora e posso afirmar que gostei bastante, tal como gostei dos anteriores. Como já referi nas outras opiniões referentes a estes livros, volto a referir aqui muito do mesmo. Uma história interessante, cheia de peripécias, de romance, paixão e personagens interessantes e cheias de dilemas para resolver. 

Neste volume, o leitor acompanha a história de Francesca Bridgerton, casada com John Stirling. Uma das irmãs mais reservadas e introspetivas da família Bridgerton. No entanto, quando John morre, vê-se na incumbência de tentar encontrar outro esposo. O que ela não queria acreditar era que isso ia ser bastante difícil, especialmente com Micheal, primo de John, tão perto. 

Gostei de Francesca, de John, de Michael...enfim, das personagens todas. Têm carisma e personalidade, como todas as outras de Julia Quinn. As peripécias por que passam são muitas e os momentos de paixão, ainda mais. Aliás, na minha opinião, este livro é aquele onde a paixão e o romance, com descrições um tanto mais sensuais, aparece em maior destaque e pujança. Boa parte do livro é romance puro, com cenas um tanto escaldantes. Achei interessante, mas confesso que a dado momento começou a ser demais, porque foram um tanto repetitivas. Julgo que podia ter havido um melhor equilíbrio entre o romance e os outros momentos da história. 

Em relação à história em si, também gostei. No entanto, podia ter estado melhor. Podia ter sido um pouco mais forte em determinados momentos, ali no meio da história. Podia ter tido mais do que a grande quantidade de romance que teve. Isto pode soar estranho num livro deste tema, mas nos outros livros da autora nem sempre é apenas romance. Também há aventuras e outras emoções. Tirando isso, a história é muito boa. A autora arriscou num contexto mais denso, o que também se revelou diferente, dando outro ar à história. 

Quanto à escrita, é a habitual. Fluída, divertida, mas muito emotiva nalguns momentos. É uma escrita com o ritmo certo para o tipo de história, que faz com que o livro se leia num instante. As descrições, se bem que não muitas, são sempre relevantes e bem apontadas, com detalhes ricos e palpáveis. 

Em suma, mais uma boa história contada por esta autora que tenho vindo a apreciar bastante. Recomendo vivamente a todos os que gostam de um bom romance! 

NOTA (0 a 10): 9,5

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Comics Star Wars: Clássicos 1, de Roy Thomas

Sinopse:

Contém as histórias:

1. Star Wars
2. Seis Contra a Galáxia
3. A Estrela da Morte!
4. Luta contra Darth Vader
5. Olhem, as Luas de Yavin!
6. Será Este...o Último Episódio?
7. Novos Planetas, Novos Perigos
8. Os Oito Campeões de Aduba-3
9. Confronto Num Mundo Desolado!
10. O Colosso do Mundo Subterrâneo
11. Busca Estelar!

A saga A Long Time Ago, publicada pela Marvel a partir de 1977, assinala o surgimento das personagens de Star Wars no mundo da banda desenhada. Esta série revive a emoção das aventuras galácticas originais e amplia-as com novas personagens e situações que nunca apareceram nos filmes, para deleite dos fãs da saga. Uma coleção imprescindível para os amantes de Star Wars e para os que ainda não conhecem o poder da Força.

Este volume inclui os issues 1 a 11 originalmente publicados pela Marvel Comics. (in Goodreads)


Opinião:

Um livro de banda desenhada que tinha há algum tempo na estante e que foi ao encontro das minhas expectativas. Gostei, pois sabe bem voltar a esta história. Os três primeiros filmes vão ser sempre os primeiros e únicos e, em banda desenhada, continuam maravilhosos. Toda a magia do universo Star Wars está ali presente. 

É possível ficar a conhecer algumas das personagens de forma mais "íntima" e detalhada, que não é possível através dos filmes, apenas. Também a história em si é muito boa. Depois de receber a mensagem enviada pelos rebeldes, a Princesa Leia tenta descobrir Obi-Wan, um dos antigos mestres Jedi, para ajudar na luta contra o Império e na destruição da Estrela da Morte, cuja falha foi descoberta e transmitida. Enquanto isso, Luke Skywalker parte para restituir os droids, C3-PO e R2-D2, a Leia, descobrindo Ben Kenobi pelo caminho. Han Solo, um pirata espacial, vê-se no meio da aventura quando Luke lhe pede para o transportar na missão, na lendária Millennium Falcon. 

Gostei muito de encontrar as personagens, em especial nos contos que se passam após a primeira parte e que contam histórias que narram acontecimentos entre Uma Nova Esperança e O Império Contra Ataca. Gostei especialmente desses, uma vez que não conhecia, ficando assim a conhecê-los e a ter uma perspetiva diferente sobre esses momentos da vida das personagens. 

Tendo em conta a história passada em Rogue One, faz todo o sentido voltar a ver Uma Nova Esperança. Ainda bem que li este livro depois de ver Rogue One, porque foi ainda mais especial e emotivo. 

As ilustrações estão muito interessantes, cheias de cor e vivacidade, indo ao encontro dos primeiros episódios da saga (a trilogia original). 

Uma história cheia de ação e aventura, que certamente vai agradar a todos os fãs de 

NOTA (0 a 10): 9

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Nove Príncipes de Âmbar, de Roger Zelazny

Sinopse:

Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam. 

Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar. (in Edições Saída de Emergência)




Opinião:

Não conhecia este livro, ou melhor, estas crónicas. Fiquei a conhecê-lo através da Saída de Emergência e tenho a referir que é uma excelente aposta da Editora. Uma obra de Fantasia com um toque muito especial e diferente. Penso que uma potente banda sonora de Rock daquele a ir para o Metal seria a forma mais fiel de o definir: uma balada Rock/Metal. E está excelente! 

Corwin é uma personagem excelente! Uma personagem complexa, forte, inteligente, charmosa, divertida e com um grande carisma. De facto, o único e melhor narrador que a história podia ter, um vez que fez com que a narrativa fosse uma delícia. Mas há mais. Todos os irmãos de Âmbar, os príncipes, são muito bons: cada um há sua maneira, todos diferentes e muito complexos. Gostei de todos os irmãos, em especial de Corwin. 

Como a própria Âmbar. Âmbar é o reino mais real que pode haver e todos os outros, incluindo a Terra, são uma mera sombra dele. Achei este contexto excelente, bastante original e audacioso. Tal como as diferentes formas de comunicação entre as personagens, em especial os Trunfos (cartas mágicas que representam a realeza de Âmbar e a própria Âmbar e que permitem a comunicação e transporte). É uma forma interessante de magia que aqui é encontrada para estabelecer diversas pontes ao longo do enredo. 

Tendo em conta a extensão dos acontecimentos e o enorme número de aventuras que acontecem ao longo da narrativa, esperava um livro maior, mais extenso. Percebo que a forma rápida e frenética com que a história é contada nas partes em que acontecem certos acontecimentos seja uma forma de dar ritmo à história, mas eu gostaria de ter lido mais sobre esses momentos (apesar de ter gostado deste ritmo). 

O autor deu dois grandes ritmos à obra: momentos mais introspetivos e pessoais para Corwin são mais lentos e detalhados, em oposição os momentos mais descritivos e longos, onde a ação é mais constante e diversa. É uma forma original de organizar os acontecimentos e a própria estrutura narrativa, que me agradou por ser diferente e uma lufada de ar fresco dentro do género. 

Outro ponto que me agradou bastante foi a ação constante, a escrita frenética, que permite uma maior velocidade na narrativa, e as personagens complexas e o mistério que as envolve. Espero que no segundo volume muitos desses mistérios comecem a ser desvendados, pois têm muito para oferecer! 

Não é muito possível referir muito mais sem contar aspetos  importantes e dar spoilers. Porém, referir que este é o começo de uma obra que promete deliciar-me é algo que me deixa satisfeita. Uma história bem contada, bem contextualizada, num mundo muito original e diversificado, repleta de personagens intrigantes e complexas, a juntar com um contexto rico em detalhes e história, é a junção perfeita e imensamente original. 

Humor, ação, mistério, muitas batalhas e uma busca incansável pelo poder são os ingredientes mais sonantes desta obra que vai fazer as delícias de todos os fãs do género Fantástico. Recomendo sem reservas. Espero que o segundo volume saía em breve! 

Quero, também, referir o excelente design, tanto a nível da capa como do interior. A capa é linda. 

NOTA (0 a 10): 9,5

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Star Trek: Ongoing, Vol. 4, de Mike Johnson

Sinopse:

Hendorff

Neste conto, o protagonista é Hendorff, um membro dos engenheiros. Ele está a contar aos pais como está a ser a sua estadia na Enterprise, como se dá com o Capitão, com os colegas e como é ser membro dos engenheiros, acabando por contar algumas peripécias e uma aventura bastante interessante. 

Keenser's Story

Keenser, o eterno ajudante do chefe engenheiro Scott. Neste conto, o leitor tem acesso à sua história, conhecendo assim como é que foi para a Frota Estrelar e como conheceu Scott. 

Mirrored

E se os mundos paralelos fossem uma realidade? O que estaria a acontecer nas infinitas linhas temporais em simultâneo com a realidade? E se a realidade não passasse de uma linha de tempo, nenhuma delas sendo a verdadeira, mas sim, todas elas como reais e verdadeiras? Este é o tema de conversa entre Bones e Scott.

Assim, numa dessas linhas de tempo, poderia ser que Spock fosse o capitão, Kirk o comandante e a luta contra Nero tivesse tido outro desfecho. E se Kirk quisesse mais do que aquilo que parece querer e se tornasse num perigo para a Enterprise e para o Império?




Opinião:

Uma banda desenhada recheada de aventuras, ação e mistério. Os contos são todos fantásticos. Gostei de todos, mas, sem dúvida, Mirrored destaca-se imenso. 

O primeiro conto é interessante, pois dá-nos a conhecer o dia-a-dia na Enterprise pelo olhar de uma personagem secundária que não aparece muito. Dá-nos também uma aventura muito engraçada em que as personagens são surpreendidas por elementos bastante exóticos e misteriosos, o que é sempre bom de encontrar nestas histórias. 

O segundo também é muito bom. Keenser é uma das personagens mais misteriosas a bordo da Enterprise, uma vez que não fala, praticamente, é super inteligente e, por isso, misterioso. Gostei de saber sobre o seu passado e de como se tornou tão amigo de Scott. 

Quanto ao terceiro conto, tenho a referir que é o melhor dos três. Isto porque, além de ser mais extenso, apresenta uma história imensamente forte, com um enredo diferente, mais sombrio e perigoso. As personagens estão diferentes, mais misteriosas e estranhas. Nada é o que parece e isso torna-se um tanto assustador. Gostei de ver este lado mais sombrio, tanto da história como das personagens. E também apreciei a forma como a narrativa foi evoluindo. 

Tenho também a mencionar as belas ilustrações, que, tal como nos volumes anteriores, têm sido uma parte crucial de toda a narrativa. 

Em suma, mais uma excelente banda desenhada deste universo, que recomendo a todos os fãs! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 8 de abril de 2017

Star Trek Ongoing Vol. 3, de Mike Johnson, Stephen Molnar e Claudia Balboni

Sinopse: 

The Return of The Archons

Neste conto, a tripulação da Enterprise vê-se numa missão à revelia da Federação. No planteta Beta III, supostamente, teria desaparecido uma nave da Federação há cem anos: a Archon. No entanto, a Federação nunca revelou a verdade e tal virou mito. Assim, ao passarem perto do planeta, Kirk e companhia decidem investigar. Sulu e um outro membro vão até ao planeta, acabando raptados. Então, Kirk, Spock, Bones e outro elemento, vão até lá para salvar os companheiros. O que eles não estavam à espera era de encontrar uma cultura medieval com um grande e poderoso mistério.

The Truth About Tribbles

Os tribbles são uns dos seres mais fofos da saga. Mas o que não se sabia era como tinham sido encontrados e em que circunstâncias. Neste conto, tal é desvendado. 



Opinião:

Gosto muito de Star Trek, especialmente da versão mais recente, e há algum tempo que não lia nada relacionado. Portanto, decidi continuar a coleção desta banda desenhada, cujos desenhos são excelentes e o enredo, igualmente. 

Tanto o primeiro conto como o segundo estão excelentes. 

O primeiro tem um enredo bastante forte, cheio de ação e mistério. A inspiração medieval e o mistério todo que embala esta aventura está muito bem conseguido. Muitos perigos e conspirações fazem desta aventura, uma das mais interessantes da saga. As personagens também estão muito bem, como seria de esperar, uma vez que são o grande motor. Kirk e Spock continuam uma dupla cheia de adrenalina e emoção, com Bones à mistura para fazer tudo ficar ainda mais engraçado. Gostei da forma como a história evoluiu. 

Quanto ao segundo, também está muito bom. Com um ambiente menos negro e mais descontraído, o Capitão Kirk e os seus companheiros veem-se numa confusão que é bastante engraçada e que serve de introdução e explicação para a existência das famosas bolas de pelo que aparecem de vez em quando nos filmes e séries. Gostei do clima descontraído e bem disposto que a história apresenta e também de ficar a saber mais sobre os tribbles. Claro, as aventuras continuam a ser muitas, bem como os perigos que vão aparecendo às personagens. Portanto, é mais um conto cheio de emoção e ação. 

Todos os desenhos estão fantásticos, tendo os ilustradores feito um excelente trabalho para que o leitor se sinta como um dos membros da tripulação da Enterprise. 

Assim, recomendo a todos os fãs de Star Trek e àqueles que gostam de FC! 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 4 de abril de 2017

Illusionarium, de Heather Dixon

Sinopse:

Jonathan é filho de um famoso médico em Fata Morgana (uma bela cidade aérea). Quando uma misteriosa doença (Venen) começa a atacar as mulheres em Arthurise, incluindo a Rainha, o Rei vai até Fata Morgana para pedir ajuda ao pai de Jonathan. Para salvar as mulheres será apenas preciso desenvolver a cura, em conjunto com a médica mais famosa de Arthurise: Lady Florel. E a cura passa por usar um misterioso ingrediente, o fantillium (uma substância que provoca ilusões). 

Quando Jonathan vê a mãe, a irmã e a sua amada ficarem doentes, começa a querer desenvolver a cura a todo o custo, mesmo que para isso se veja enredado na maior confusão da sua existência: a ida para Nodn'ol, uma espécie de Arthurise alterada e louca, onde há um duplo de todos os habitantes de Arthurise e onde impera a ilusão e a mutação: as pessoas estão a fragmentarem-se e a ganharem vários olhos, bocas, dedos e por aí. 

Assim, Jonathan tem como objetivo tentar encontrar a cura e salvar-se a si mesmo, a sua família e todo o povo de tais cidades. 


Opinião:

Há muito tempo que queria ler este livro. Não sei se foi pela capa, se pela sinopse...porventura terão sido ambas as razões para o meu grande interesse na sua leitura. Foi uma experiência bastante interessante.

Gostei do livro. Sem dúvida, a capa é belíssima e todo o seu design interior também. Sendo eu grande apreciadora de Steampunk, e havendo alguns laivos deste ao longo da obra, lancei-me totalmente neste mundo: uma espécie de Londres ou outra cidade por lá perto (Fata Morgana, uma cidade aérea século XIX). A Inglaterra é agora Arthurise e por lá flagra uma epidemia de uma doença que só ataca as mulheres: Venen. Ora, cabe ao filho do médico mais famoso de Fata Morgana, Jonathan, e ao seu pai, a honra de ajudar a mais famosa médica de Arthurise, Lady Florel, na luta contra esta doença, sendo que o Rei vai até Fata Morgana, no seu zepelin gigante e maravilhoso, pedir-lhes ajuda, uma vez que a Rainha ficou doente.

Ora, a premissa é excelente e a promessa de aventuras, ação e muita emoção está lá. Também gostei das personagens, apesar de achar que podiam estar muito melhores, isto é, mais complexas, ricas e adultas. Por vezes, senti um excesso de reações desfazadas da realidade nos comportamentos das personagens: por vezes reagiam um tanto demais, outras de menos, e por vezes não havia uma relação entre as suas ações e os acontecimentos que as despoletavam. Isto fez com que a história ficasse um tanto infantil, o que podia ter sido evitado se a autora tivesse optado por criar personagens com atitudes mais maduras e mais reais.

Outro aspeto bastante interessante prende-se com o mundo criado. A autora conseguiu criar um mundo bastante rico e cheio de interesse, bem imaginado. Todo o ambiente envolvente, a imagem visual que é possível estabelecer...tudo isso promove um excelente contexto para a história. Também a reviravolta que acontece quando Jonathan vai parar a Nodn'ol (uma Londres completamente arruinada, onde as pessoas se estão a transformar e a alterar o seu aspeto de uma forma grotesca e bizarra, onde as pessoas são uma versão arruinada das suas homonímas verdadeiras, onde as leis são completamente estranhas e a rainha é uma outra Honoria, uma versão dantesca de Lady Florel) e vê o seu objetivo de descobrir a cura para a doença de pernas para o ar, está muito interessante.

Também gostei de ver alguma relação entre Steampunk, a lenda do Rei Artur e a História de Inglaterra.

Em relação à narrativa em si, esta é feita a um ritmo frenético, com tantas e tantas reviravoltas que a dado momento dei por mim a pensar: "Vá lá... soluciona isto..."

Não é mau, uma vez que é sinal que o enredo tem vários caminhos. O problema é quando as peripécias são muitas vezes iguais e óbvias, deixando o leitor aperceber-se do que deveria ser uma surpresa ao longo do enredo. Ou seja, a história podia ter sido melhor desenvolvida, no sentido do seu contexto (o mundo criado podia ter sido explorado de uma forma mais calma e mais profunda), bem como também podia ter deixado mais espaço para o relacionamento entre personagens e a própria conclusão, que acabou por ficar um tanto apressada. 

A linguagem utilizada é bastante simples e fluída, permitindo uma leitura rápida e emocionante. As descrições estão muito boas, o que permite imaginar muito bem o mundo criado pela autora. 

Em suma, este é um livro muito interessante e engraçado, com imensas reviravoltas e personagens engraçadas. Porém, podia ter sido todo ele, nas suas diferentes componentes, melhor explorado: personagens, enredo, contexto. Recomendo a todos os que gostam de uma bela aventura! 

NOTA (0 a 10): 8

sábado, 25 de março de 2017

Corações de Pedra, de Simon Scarrow

Sinopse:

A coragem feroz dos homens e mulheres da resistência grega dispostos a sacrificar tudo pela pátria. 

1938: Três jovens vivem um verão perfeito na ilha grega de Lefkas, isolados dos problemas políticos que fervilham na Europa. Peter, de visita da Alemanha enquanto o pai lidera uma expedição arqueológica, desenvolveu uma forte amizade com Andreas e Eleni. À medida que o mundo resvala para a tragédia e Peter é forçado a partir, os amigos juram encontrar-se de novo.

1943: Andreas e Eleni juntaram-se às forças da resistência contra a invasão alemã. Peter regressa - agora um oficial inimigo e espião perigoso. Uma amizade formada em paz irá transformar-se numa batalha desesperada entre inimigos dispostos a sacrificar tudo pelos países que amam... (in Edições Saída de Emergência)


Opinião: 

Este é o segundo livro do autor, tendo sido o primeiro o Britannia. Este é totalmente diferente no contexto e mantém o mesmo nível de qualidade e relevo histórico. 

A história está dividida em diferentes momentos, sendo uns em 2013 e outros em 1943, passando por alguns em 1938, antes da Segunda Guerra. Todos os momentos estão entrelaçados e todos os acontecimentos convergem para os mesmos aspetos, mostrando assim a genialidade do autor. 

Todas as personagens estão extremamente bem criadas e são muito reais. É possível sentir todas as suas emoções e seguir os seus pensamentos e ações. Gostei muito de todas elas, em especial do trio de amigos que se veem numa termenda confusão e conflito, com a sua amizade posta em risco da forma mais cruel e sórdida que poderia haver.

A nível do enredo, é de referir a perfeita sincronia com o passado e presente, bem como o suspense que está sempre no ar, que paira em todas as páginas, permitindo ao leitor andar sempre a tentar levantar um pouquinho do véu de mistério da história. Toda a tensão entre amor, amizade, dever e guerra consegue formar um nó de grande emoção e tensão, que faz com que o leitor esteja constantemente a sofrer pelas personagens. Existe grande drama, ação, aventura, amor e amizade, e tudo o que a estes aspetos está inerente. 

O contexto histórico está muito bem elaborado. O autor criou aqui, mais uma vez, um cenário muito bem contextualizado, com dados importantes e cruciais. Não é tão comum ler sobre a Segunda Guerra noutros países que não "os principais" (ou pelo menos eu não conhecia este lado da guerra). Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Japão, Rússia... mas tendo a Grécia como pano de fundo, ainda não tinha lido nada. 

Os livros tendo como contexto a Segunda Guerra Mundial são sempre livros com histórias fortes, grandiosas e que comovem. Não esperava algo diferente vindo daqui e foi isso que aconteceu. Encontrei uma história repleta de horrores, mas também de momentos de grande beleza, onde a lealdade, o amor e amizade são a grande base da obra. 

Também gostei muito de ver a História, Arte e Arqueologia aqui presentes, com papéis de grande relevo, servindo como base para ligar todos os momentos espaciais e temporais. Mais uma excelente ideia do autor! 

Em relação à escrita, esta é bastante fluída, encerrando um mundo de beleza e alguma frieza, sendo ela mesma uma das armas do livro. 

Sendo assim, encontrei neste livro uma fonte de conhecimento e uma fonte de beleza, que me comoveu bastante e me alegrou. Tem todos os ingredientes que uma boa obra deve ter, despertando no leitor variados sentimentos e emoções. Mais uma vez, recomendo a todos aqueles que gostam de uma boa história, sendo Romance Histórico ou não. É para todos! E, mais uma vez, aqui está outra excelente aposta da Saída de Emergência!

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 22 de março de 2017

Imperador dos Espinhos, de Mark Lawrence

Sinopse:

Um rei em busca de vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.

Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária. 

Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos. (in Goodreads)


Opinião: 

O tão aguardado terceiro volume. Jorg e a sua subida ao poder. A sua subida até ser Imperador do Império Arruinado. Jorg, o pequeno Jorg que tanto sofreu e fez sofrer, finalmente, tenta chegar onde muitos já tentaram chegar: ao Trono Imperial, em Vyene.

Tendo ficado completamente rendida aos dois primeiros livros, era com grande curiosidade que esperava pelo terceiro. E não podia ter sido uma história melhor! 

Depois de conseguir ser príncipe e rei, só o império pode satisfazer Jorg Ancrath. Este livro começa a história cinco anos depois da do livro anterior, tanto na parte presente como na parte passada, onde são narrados os acontecimentos a partir da saída de Jorg do reino dos seus avós maternos, como ficou no livro anterior. Jorg continua a ser aquela personagem forte, imprevisível e brutal, mas há algo que mudou. Ele tornou-se muito mais maduro, mais melancólico e mais preocupado e isso torna-o muito mais interessante. Jorg acaba por mostrar o seu lado mais sensível neste livro, lado esse que sempre lá esteve, mesmo que bem camuflado. As diferentes formas de agir, que vão sendo sempre acompanhadas pelos seus pensamentos, tornam-se mais complexas, havendo muitos dilemas pela sua frente que não lhe passavam pela cabeça nos livros anteriores. 

Em relação às outras personagens, também tenho a referir que todas elas mostraram algumas diferenças, se bem que acabem por ser um tanto eclipsadas pela luminosidade de Jorg. Continuei a gostar muito de Miana. Katherine volta em força, criando situações de grande emoção. Chella também aparece, com a sua própria parte da narrativa, o que se mostrou crucial para o enredo. Há novas personagens, como Kai Summerson, e o Rei Morto, que é o grande mistério da história. Todas as outras personagens, novas e já dos outros livros, estão muito bem e todas têm o seu contributo essencial para a narrativa. 

Este volume é diferente dos anteriores. É mais calmo. A parte do presente é uma narrativa de viagem, narrada enquanto Jorg vai para o Congresso para se eleger Imperador. A parte do passado (cinco anos antes), vai encontrar Jorg a tentar descobrir peças do puzzle do misteriosos Construtor Fexler, partindo para lugares como os Ibéricos, passando pela África e indo até Vyene, onde tudo permanece em segredo. Nesta parte da narrativa, Jorg anda sozinho, estando algumas vezes em contacto com outras personagens, personagens essas que vão ser relevantes para a sua vida. Esses momentos são muito mais introspetivos e serenos, mostrando a plena evolução psicológica de Jorg. Também há alguns capítulos dedicados a Chella, a necromante do Rei Morto, que também acabam por ser essenciais para toda a história. 

Mais uma vez, Jorg mostra-se um narrador exímio. De uma capacidade fantástica para prender o leitor com a sua linguagem forte e ousada, criando autênticos retratados dos locais por onde anda, ele é um narrador único. Sem dúvida, é um dos pontos chave do sucesso desta trilogia: o narrador. 

Mas não só. 

Já tinha referido o meu fascínio pelo contexto da história nas outras opiniões. E aqui volto a referi-lo. A Europa e o Mundo, com cerca de 3000 anos, num pós acidente ou guerra nuclear, de volta à Idade Média. Não há mundos criados de raiz, nada. Há uma Terra que sofreu algo que poderá acontecer e o que acontece depois disso, porventura, imaginado e criado com esmero pelo autor, que conseguiu criar um dos universos mais originais a meu ver, exatamente por ter adaptado a nossa realidade, em especial a Europa e a nossa História. Há vários momentos e descrições que nos fazem sorrir ao lembrar acontecimentos reais ou até personalidades e personagens dos nossos tempos, que ali aparecem, vários séculos depois, num período que nos é estranho e misterioso. É completamente genial. 

A história em si é única. É muito mais do que um livro de aventuras. Para quem acha Jorg um monstro (e muitas das suas ações o comprovam como tal), neste volume tudo acaba por ser visto por outra perspetiva, uma perspetiva muito mais benévola e até bastante agridoce. O final é extremamente diferente daquilo que estava à espera, apesar de, lá bem no fundo, esperar algo assim. Porque, como poderia ser diferente? Comoveu-me bastante, algo que não esperava nesta trilogia e que me surpreendeu. 

As descrições continuam sublimes e cheias de vigor. Há uma pujança enorme na escrita, na escolha de palavras e termos, que promovem uma leitura fluída e frenética. Demorei mais tempo a ler o livro porque fiz de propósito. Andei a prolongar a leitura porque estava a gostar muito e queria ter mais um bocadinho da história comigo. 

Mark Lawrence conseguiu introduzir também algumas criações bastante mecânicas e cheias de detalhes a roçar o Steampunk, que estão muito bem conseguidas, criando um ambiente único e belíssimo. 

Em suma, recomendo este livro a todos os que gostam de um livro bom, com uma história grandiosa, forte e emocionante. Há momentos de grande terror, emoção e drama. Mas também há momentos de extrema beleza, amor e amizade, que, tenho a certeza, não vão abandonar o leitor. Há uma moral da história tão bela e tão grande, tão sensível, que toca todos os leitores, deixando-lhes sentimentos únicos e nada esperados ao longo desta trilogia.  Esta história é um hino ao amor, principalmente ao amor familiar e não podia ter sido contada de outra forma. Uma história de redenção.

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 21 de março de 2017

Vencedor do Passatempo Os Hóspedes, de Sarah Waters

Já há vencedor do passatempo que esteve a decorrer aqui no Blog por estes dias que passaram! 




O vencedor foi...

39 - Nuno Patrocínio

Parabéns ao vencedor e obrigada a todos os que participaram e que divulgaram esta iniciativa. Muito obrigada à Editorial Bizâncio por ter permitido a realização deste passatempo. Continuem a seguir O Imaginário dos Livros e a participar. Em breve haverá mais passatempos!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Passatempo Os Hóspedes, de Sarah Waters

Olá!

É com imenso prazer que vos venho informar que está a decorrer um novo passatempo aqui no Blog, em parceria com a Editorial Bizâncio. O livro em passatempo é o mais recente de Sarah Waters, Os Hóspedes. Um livro excelente, que recomendo totalmente!

Sinopse:

1922. Londres vive dias de tensão. 

Numa casa de gente bem-nascida, no sul da cidade, cujos habitantes ainda não recuperaram das perdas devastadoras da Primeira Guerra Mundial, a vida está prestes a modificar-se.

A senhora Wray e a sua filha Frances - uma mulher com um passado interessante a caminho de se tornar uma solteirona - vêem-se obrigadas a alugar quartos.

A chegada de Lilian e Leonard Barber, um jovem casal da "classe média", traz uma série de perturbações: a música do gramofone, o colorido, o divertimento. As portas abertas permitem a Frances conhecer os hábitos dos recém-chegados.

À medida que ela e Lilian são empurradas para uma amizade inesperada, as lealdades começam a mudar. Confessam-se segredos e admitem-se desejos perigosos; a mais vulgar das vidas pode explodir de paixão e drama.

A autora de Afinidade e Falsas Aparências, entre outros, surpreende-nos, mais uma vez mais, com esta história de amor que é também a história de um crime. 

Esta é Sarah Waters no seu melhor: tensão permanente, ternura verdadeira, personagens autênticas e surpresas constantes.

Livro do Ano - Sunday Times (in Editorial Bizâncio)





Para participar é preciso: 

Ser seguidor do Blog;
Preencher todos os campos do formulário.

Regras:

Participar até às 23h59 do dia 20 de março de 2017;
Ser residente em Portugal Continental;
Só é aceite uma participação por pessoa/morada;
Haverá apenas um vencedor, que será apurado através do site random.org;
O Blog não se responsabiliza por possíveis falhas/extravios dos correios.

Conto com as vossas participações e divulgações!


domingo, 12 de março de 2017

Para Sir Phillip, Com Amor, de Julia Quinn

Sinopse:

Sir Phillip sabia que Eloise Bridgerton tinha já 28 anos e era, pois claro, uma solteirona. Foi por isso mesmo que pediu a sua mão em casamento. Sir Phillip partiu do princípio de que Eloise estaria desesperada por casar e não seria exigente ou caprichosa. 

Só que...estava enganado. No dia em que ela lhe aparece à porta, torna-se óbvio que é tudo menos modesta e recatada.

E quando Eloise finalmente para de falar, ele percebe, rendido, que o que mais deseja é...beijá-la. 

É que, quando recebeu a tão inesperada proposta, Eloise ficou perplexa. Afinal, nem sequer se conheciam pessoalmente. Mas depois...o seu coração levou a melhor e quando dá por si está numa carruagem alugada, rumo àquele que pensa poder ser o homem dos seus sonhos. Só que...estava enganada. Embora Sir Phillip seja atraente, é certo, é também um bruto, um rude e temperamentalmente bruto, o oposto dos gentis cavalheiros que a cortejam em Londres.

Mas quando ele sorri...e quando a beija...o resto do mundo evapora-se e Eloise não consegue evitar a pergunta: será que este pesadelo de homem é, afinal, o homem dos seus sonhos? (in Goodreads)


Opinião:

Neste quinto livro encontramos a irmã Eloise Bridgerton. Já quase com 30 anos, Eloise está em risco de ficar solteira. Até que começa a corresponder-se com Sir Phillip, um homem também por volta dos 30. Em Para Sir Phillip, Com Amor, Julia Quinn oferece-nos mais uma aventura romântica bem apimentada e divertida, como ela tão bem sabe escrever! Até agora gostei de todos os livros da série e não desilude, mantendo-se fiel ao seu estilo, tanto a nível de escrita como de enredo. 

Gostei das personagens. Eloise já me tinha agradado nos outros volumes onde aparece e neste então, está mesmo bem. Muito "senhora de si", cheia de personalidade e muitíssimo faladora e cheia de opiniões, Eloise é uma mulher interessante, perspicaz e muito independente, daí ainda não ter casado, tendo mesmo recusado muitas propostas de casamento pelos motivos mais pequenos, mas relevantes para ela. Também gostei de Phillip, um intelectual e homem do campo, a fazer lembrar uma mistura de Heathcliff (O Monte dos Vendavais, Emily Brontë) e Gabriel Oak (Longe da Multidão, Thomas Hardy). A forma de interação das duas personagens e toda a embrulhada romântica em que se metem está excelente! É uma autêntica aventura, com alguns laivos de drama e tensão à mistura. 

A forma como todo o enredo em torno do romance acontece está muito bem. Não há alta sociedade, nem bailes, como nos livros anteriores. Há campo, aventura e muita emoção. Também há mais questões morais, existências e emocionais envolvidas e as personagens são bastante adultas, bem maduras e com muita fibra. Apesar da formula do enredo ser semelhante à dos volumes anteriores, neste livro há espaço para menos momentos de indecisão e embirrações das personagens femininas em relação a certos aspetos que acabam por ocorrer em certas alturas da história. 

Também gostei do contexto. Uma casa de campo, longe daquela azáfama da alta sociedade londrina, a intriga social...isso é colocado de lado neste volume, tornando-o diferente. Não há o mistério da autora das críticas sociais, uma vez que fora desvendado no volume anterior, o que deu espaço para outras paragens e outros contextos que não a cidade e os bailes mais frequentados e mais chiques de Londres. 

A autora mantém a escrita a um ritmo muito fluído, emocionante e divertido, sabendo sempre dar a entoação correta, através da construção frásica, de acordo com os diferentes momentos e sentimentos que vão decorrendo ao longo da narrativa. Apesar da narrativa em si ser bastante linear e parecida com a dos anteriores, as situações e peripécias que Julia Quinn dá às suas personagens são sempre únicas e excelentes, sempre de acordo com as personalidades das personagens. 

Mais uma vez encontrei de tudo um pouco: emoção, perigos, drama, diversão, amor...tudo o que um bom romance deve ter! A juntar a isso tudo, a beleza gráfica destes livros. Devo referir que a capa deste é maravilhosa, a meu ver. Muito muito bela e mais de acordo com a seu interior do que as dos livros anteriores, com excepção do segundo, Peripécias do Coração, que também está muito bem. 

Assim, recomendo sem reservas a todos os que gostam de um bom romance! 

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 3 de março de 2017

Divulgação Lançamento Treine com uma Estrela, de Nuno Fernandes


A Saída de Emergência, na chancela Chá das Cinco, edita hoje um livro bastante interessante para aqueles que querem descobrir o treino ideal. 

Está também a dinamizar o lançamento da obra, dia 6 de março, na Fnac do Colombo (Lisboa), pelas 18h30. Apareçam! 

Fica o link para conhecerem mais sobre o livro, no site da editora e também o link para o booktrailer



Loki, de Robert Rodi

Sinopse:

Loki venceu a batalha e agora governa Asgard. Com Thor aprisionado, bem como os outros deuses que sempre fizeram troça dele, Loki tem a sua chance de vingança e de mostrar que é mais do que apenas um renegado, um refém, um filho dos Gigantes de Gelo e não um membro de Asgard, de pleno direito. Assim, na luta para ser popular e para gostarem dele, Loki vê-se numa situação difícil: reinar é mais chato do que aquilo que parecia. Peticionários, favores...e ele que só se queria divertir...e ser amado pelo seu irmão, principalmente.

O que fará para conquistar o seu maior desejo? Irá matar Thor? Irá perdoá-lo? 

Uma história bastante interessante e cativante.



Opinião:

É a terceira banda desenhada sobre Loki e Thor que leio. Está bastante interessante, com uma história cheia de ação e momentos de grande emoção, ou não fosse a personagem principal Loki. 

Pois bem, as personagens estão muito interessantes, bem desenvolvidas e bem contextualizadas. Gostei da interação entre elas, bem como do enredo. Encontrei outras personagens do mundo de Asgardian que não costumam aparecer tanto, o que também é bom, porque dá a conhecer mais elementos deste mundo. Achei Loki bem engenhoso, se bem que aqui aparecem outras nuances dele. O lado mais humano, mais melancólico e amigável acaba por estar em conflito com o seu "eu" mais manhoso e intrujão.

Uma vez que esta ambiguidade é um dos fatores que mais interesse dá à personagem e que mais a demarca das outras, posso referir que esta dualidade está extremamente bem delineada neste volume, sendo a base para todo o enredo. A forma de lidar com o poder, de lidar com o irmão...bem como com todos os que o rodeiam está muito bem elaborada e vai ao encontro daquela chama de bondade que ele parece ter, mesmo que esteja bem lá no fundo. 

A linguagem está bastante rica e fluída, com muito sarcasmo e ironia à mistura, o que é bastante agradável. Lê-se num instante. 

Gostei bastante do enredo, achei-o relevante para o contexto asgardiano e para os seus mitos, bem como para os caminhos que a Marvel tende a dar a esta história. No entanto, não gostei muito da caracterização física (os desenhos em si) das personagens. As cores estão muito belas, bem como todos os pormenores, que dão toda a beleza visual que a história merece.

Em suma, uma banda desenhada interessante, que todos os fãs de Asgard gostarão. E, no fundo, para todos os fãs da Marvel. 

NOTA (0 a 10): 7

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

City of Fallen Angels, de Cassandra Clare

Sinopse: 

Neste quarto livro dá-se início a uma nova fase na saga Os Instrumentos Mortais. Depois de Valentine morrer e de toda a ameaça do Círculo ser banida, os Caçadores de Sombras estão sossegados, até que começam a aparecer Caçadores de Sombras mortes e bebés humanos com garras e olhos complemente negros, também mortos. A lutar contra os seus novos hábitos vida de vampiro, Simon, vê-se no centro de uma grande disputa entre forças poderosas, que não compreende. Enquanto isso, Jace vê-se a braços com os terríveis sonhos de assassinar Clary que anda a ter, até que a suspeita de serem algo mais do que sonhos começa a aparecer no horizonte: estará alguém a influenciar Jace?


Opinião:

Depois de alguns aninhos de intervalo entre a leitura deste e a de A Cidade de Vidro (terceiro desta saga), foi com grande curiosidade que voltei a ler as aventuras dos Caçadores de Sombras. Não é novidade que gosto muito deste mundo, especialmente na trilogia As Origens, portanto, não estava à espera de me desiludir com o livro. Mas também não estava à espera de gostar tanto. 

Gostei bastante das personagens....de revê-las. Achei-as bem contextualizadas neste novo ciclo, mais maduras e complexas. Simon está muito bem. Toda a sua dualidade entre a humanidade e o vampirismo está muito bem encontrada. Nada de estranho ou excessivo ali se encontra, apenas os medos de um jovem que tem pela frente toda a eternidade como vampiro. Também as outras personagens continuam interessantes. Até Clary e Jace (as que menos gosto) mostraram um grande desenvolvimento: estão mais crescidas, mais inteligentes e menos exageradas. Gostei bastante da evolução das personagens. 

E também gostei da evolução do enredo. As novas personagens que voltam para assombrar os momentos pacíficos dos Caçadores de Sombras estão muito interessantes, o que promove um enredo muito mais complexo e, também ele mais interessante. Há mais ação, mais suspense, mais aventuras e menos romance, apesar de continuar a haver bastante entre Clary e Jace, e que não era necessário ser tão meloso em alguns momentos. Mas isso é compensado com os momentos finais, cheios de terror e ação. 

Existem várias referências a personagens (e algumas aparecem mesmo!) da trilogia As Origens, em especial Will Herondale, carismática personagem d' As Origens. E Jem...que belo aparecimento! Camille...só faltava Tessa aparecer neste volume para termos aqui reunido o fantástico trio.

Não existem tantas lutas entre as várias raças nem nada disso, mas as lutas que existem estão muito bem coordenadas e orquestradas. Não há nada excessivo neste departamento, o que é bom, porque também dá espaço para outros desenvolvimentos a nível do enredo. 

Em relação às descrições e à própria escrita, Cassandra Clare continua a mostrar que sabe muito bem compor boas histórias, com o ritmo certo, com as descrições certas, que são o bastante para nos fazer visualizar os espaços, sem demorar muito tempo a atenção nisso. A escrita é bastante fluída e lê-se muito bem, depressa. 

Em suma, recomendo a todos os gostam dos livros da autora ou que gostam de uma boa história com ação e aventuras, e algum romance à mistura. 

NOTA (0 a 10):10

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A Rainha Perfeitíssima, de Paula Veiga

Sinopse:

No século de ouro dos Descobrimentos, quando Lisboa era a capital das riquezas exóticas, viveu a mais rica, culta e fascinante princesa da Europa: Leonor de Lencastre. Esta é a sua história.

Em 1458 nasceu uma formosa infanta a quem chamaram Leonor. Destinada a ser rainha, a jovem cresceu e transformou-se na mais notável monarca que reinou em Portugal. Mas se a sua vida é uma inspiração, também o foi um rosário de tragédias.

Casou com o primo, D. João II, mas o casamento não foi feliz. O Príncipe Perfeito passou o reinado em conflito com a nobreza que o tentou assassinar. A alegria por ver o marido sobreviver foi destroçada quando o seu próprio irmão foi é acusado de traição e morre às mãos do rei.

Mas a maior tragédia da sua vida chega quando o filho morre de forma suspeita. Acidente ou atentado? Na terrível dor de uma mãe que perde o filho, Leonor nem teve o apoio que esperava do rei: D. João II estava mais preocupado em colocar no seu trono o filho bastardo que tivera com outra mulher. (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Com uma capa muito bela, uma premissa brilhante e uma sinopse interessante e sugestiva, a juntar ao Romance Histórico e à excelente coleção histórica da Saída de Emergência, não podia deixar de ler este livro.

E há muito para referir.

Em primeiro lugar, a autora está de parabéns pelo trabalho que realizou, tanto a nível de escrita e criação, como também, e imprescindível neste género, a nível da pesquisa. A história está muito bem contextualizada e tudo está muito bem delineado.

A rainha D. Leonor é a narradora, dando ao leitor uma boa visão sobre o que a rodeou e sobre o que aconteceu durante o seu reinado. É uma narradora bastante agradável.

As personagens estão muito bem. Penso que a autora deu a conhecer algumas das perspetivas destas personalidades históricas, que alguns podem conhecer melhor do que outros, mas que é sempre bom de se saber mais.

Fiquei a saber mais factos sobre a vida destas personalidades que foram tão importantes para a nossa identidade nacional e para a nossa História. Leonor aparece como uma rainha muito boa, caridosa e preocupada com os outros, mostrando a sua faceta mais conhecida. Também gostei de ver os diferentes reis e outras personalidades, em especial D. Manuel I, que também esteve em grande destaque ao longo da obra.

Gostei da escrita, que está extremamente fluída e simples. O livro lê-se num instante! Existem muitos diálogos e é uma forma excelente de se ficar a saber mais sobre este período histórico: de uma forma leve e emocionante.

Penso que podia haver mais descrições, bem como ação. Não é que não estejam presentes ao longo da obra, mas as descrições não são muitas, pelo menos dos espaços ao redor das personagens. Isso podia estar mais explorado. Tal como a ação. Compreendo o foco nas personagens, nos seus diálogos, pensamentos e atitudes, mas podia haver mais momentos de ação, contada por uma perspetiva mais distante, uma vez que o enredo tem os seus alicerces nos diálogos e não tanto na ação por detrás destes. Podia haver um equilíbrio maior a este nível, o que faria, também, aumentar o número de páginas. A história é muito boa e está tão bem trabalhada e criada que podia ter mais páginas.

Mas este é um título excelente da coleção e é sempre bom ler livros nacionais, bons, novos e interessantes e este livro tem tudo isso: novidade, interesse e qualidade. É muito bom. Portanto, recomendo-o vivamente a todos aqueles que gostam deste género literário e que apreciam ficar a conhecer melhor a nossa História.

NOTA (0 a 10): 8