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sexta-feira, 8 de abril de 2016

O Lago dos Sonhos, de Juliet Marillier

Sinopse:

Em troca de ajuda para escapar a um longo e injusto encarceramento, a amarga curandeira mágica Blackthorn jurou pôr de lado o seu desejo de vingança contra o homem que destruiu tudo o que lhe era querido. Seguida por um companheiro de clausura, um homem grande e silencioso chamado Grim, ela viaja para o norte, rumo a Dalriada. Aqui, viverá na orla de uma misteriosa floresta e terá de cumprir, durante sete anos, a promessa que fez ao seu libertador: aceder a todos os pedidos de socorro que lhe forem dirigidos. 

Oran, príncipe herdeiro do trono de Dalriada, esperou com ansiedade a chegada da sua noiva, Lady Flidais. Conhece-a apenas por via de um retrato e da poética correspondência que trocaram entre si e que um dia o convenceu de que Flidais era o seu verdadeiro amor. Oran descobre, porém, que as cartas também mentem, pois, embora igual em aparência à imagem no retrato, a sua noiva vem a revelar-se uma mulher muito diferente da criatura sensível e sonhadora que escreveu aquelas cartas.

Nas vésperas do seu casamento, o príncipe não vê saída para a o seu dilema. Mas corre o rumor de que Blackthorn possui um dom extraordinário para a resolução de problemas espinhosos, e ele pede a sua ajuda. Para salvar Oran das suas insidiosas núpcias, Blackthorn e Grim vão precisar de todos os seus recursos: coragem, engenho, astúcia e talvez até um pouco de magia. (in Goodreads)



Opinião:

Depois da trilogia de Sevenwaters e de outros livros da autora, que tanto gostei, não podia ficar indiferente a esta "novidade" (entre aspas porque já saiu cá há alguns longos meses). Com uma das capas mais lindas que por aí há, este livro surpreendeu-me bastante.

A história é narrada a várias vozes: Blackthorn, a curandeira ex-prisioneira e com uma grande história, Grim, o seu companheiro na prisão e seu grande amigo, e Oran, o príncipe de Dalriada, que se vê a braços com um casamento com uma bela jovem que tem algo de estranho. Todas as personagens, tanto as principais como as secundárias, são maravilhosas e com histórias que prendem o leitor, como já é habitual nas belíssimas histórias da autora. Gostei muito das três personagens com capítulos, as narradoras, mas também gostei muito de outras, como da jovem prometida e do fiel escudeiro de Oran. A complexidade do passado e a forma integra como as personagens são criadas é excelente e dá veracidade à história e ao mundo criado pela autora, que é o mesmo de Sevenwaters, mas passados anos depois.

Em relação ao enredo em si, posso afirmar que está excelente. Esta história tem descrições e momentos mais adultos do que outros livros que li até agora da autora. Está mais sombria e sem magia. Esta história é passada num tempo posterior à magia e à sua beleza (que tanto nos encanta nos outros livros), o que contribui, a meu ver, para este desencanto sombrio que a história apresenta. Também gostei desta faceta, porque distingue as histórias entre si, dando-lhes personalidade. Existem momentos de grande emoção, a todos os níveis, existem momentos de amor e sedução, existem momentos de raiva e dor, existem momentos de alegria e festa, e também de magia, que, no fundo, é a base de toda a história. Ou seja, é uma linda história, com uma mensagem, como uma boa história de bardos. 

As descrições também estão perfeitas, muitos detalhes, nos momentos certos; uma coerência perfeita, entre contexto, personagens e ação, que prende o leitor desde o começo até ao final. Muitos acontecimentos têm lugar o faz com que seja uma história cheia de mistérios. 

Juliet Marillier consegue novamente surpreender pela positiva numa história cheia de beleza a todos os níveis, tanto no enredo, como nas personagens, como no ambiente maravilhoso e místico que cria. É como voltar a casa, a leitura deste livro. É como reviver momentos passados. Para quem leu Sevenwaters vai com certeza ficar a relembrar acontecimentos passados nessa maravilhosa história. É uma aventura, um romance, uma história de coragem e perseverança, que está escrita com mestria e beleza.

Em suma, recomendo a todos os fãs do género Fantástico e da autora. Também recomendo a todos os que gostam de experimentar novas leituras. Este livro é independente dos outros da autora, mas talvez seja melhor ler primeiro os de Sevenwaters, para poder observar as referências que aqui estão presentes. Já há mais desta série, Tower of Thorns e Den of Wolves, que espero ver editados por cá em breve. 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 3 de outubro de 2015

A Filha da Profecia, de Juliet Marillier

Depois de ter lido os dois volumes anteriores durante o ano passado, foi com grande entusiasmo que peguei no terceiro volume desta fantástica história sobre a família de Sevenwaters. Não é novidade o meu apreço pela autora e pelas suas histórias, por isso era difícil eu não gostar deste livro. 



Sinopse:

Fainne foi criada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre as artes mágicas. Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma, quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros e foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters, com objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos, para impedir o cumprimento de uma profecia. (in Goodreads)

Opinião:

Não sei se não será um dos livros mais belos que li da autora. Não é tão grandioso como o primeiro (A Filha da Floresta), talvez porque há uma doçura e uma ingenuidade enormes nesse livro, mas gostei muito deste por ser o oposto. A personagem principal, Fainne, é mais complexa, mais obscura, e está sob a malvada influência da sua avó, Lady Oonagh, a feiticeira que transformou os irmãos de Sorcha em cisnes e que causou todos os danos possíveis no primeiro livro. Filha de Ciarán e de Niamh, irmã de Liadan (ambos exilados de Sevenwaters), Fainne é criada em Kerry, longe da família, com o seu pai, tornando-se aprendiz de feiticeira. Ela é bastante modesta e tímida, uma vez que apenas convive com o seu pai e com o seu amigo de infância, o nómada Darragh. É diferente das outras narradoras da saga: mais reservada, mais obscura e mais secundária, Fainne é tudo o que nem Sorcha nem Liadan eram: heroínas perfeitas e cheias de força. Desta vez a personagem principal tem tudo para ser a grande vilã da história, uma vez que a sua avó e o seu pai a enviam para Sevenwaters, com a suposta missão de destruir a família e a fazer com que a profecia referente às Ilhas não se concretize. Gostei muito de Fainne por isso mesmo; pela dualidade que representa, uma vez que está sempre com um pé no lado negro e com outro no lado bom; pela complexidade da sua história; por ser diferente das outras raparigas dos livros anteriores. Apesar de não deixar de ser forte, Fainne consegue trazer à tona uma outra realidade, uma realidade mais ambígua, que até agora não tinha aparecido muito nos livros que li da autora; e isso está relacionado com o facto de ela poder ser muito bem a grande vilã da história.

Em relação às outras personagens, posso afirmar que foi um prazer revê-las a todas, especialmente ao grupo de Liadan e a Finbar, que sempre foi uma das minhas personagens favoritas desta história. Gostei bastante de conhecer as filhas de Sean e os de Liadan e gostei muito de Darragh. Comprovei também o meu interesse e a minha ideia sobre Ciarán, que também tinha sido uma das minhas personagens favoritas no segundo livro; aqui provou toda a sua personalidade e poder. Existe em todas as personagens um certo cariz mais negro e mais taciturno, isto também por causa da guerra que se vai aproximando à medida que a história ocorre. Todos estão mais maduros e isso nota-se bastante. Também gostei de reencontrar Eamon, apesar de ser das personagens que mais asco me suscitou. Outro aspeto em relação às personagens que me agradou foi o facto de Lady Oonagh  ter aparecido em todo o seu esplendor neste volume, uma vez que tinha sido sempre relegada para segundo plano, apesar de tudo estar relacionado com as suas ações. 

A história é novamente fantástica. A autora comprova mais uma vez a sua mestria e magia enquanto contadora de histórias. É sempre um prazer ler um livro de Marillier, porque é como que uma poderosa história ancestral e cheia de magia e significado. Todo o conceito que está subjacente às histórias pode ser sentido com grande detalhe e emoção enquanto se lê os seus livros. E isso sente-se mais uma vez neste volume.

Neste livro há uma dimensão sobrenatural maior. A magia está mais presente, principalmente em relação ao volume anterior. Também conhecemos os Anciãos e algo mais sobre as Criaturas Encantadas, o que é excelente, uma vez que, para mim, toda a contextualização e toda a história em que Sevenwaters assenta é motivo de interesse. Fico sempre satisfeita por ficar a saber mais um bocadinho da história do passado de Erin e de Sevenwaters.

Gostei das descrições, sempre muito bem elaboradas, sem serem demasiadas e escritas na perfeição, de modo a ser possível ao leitor se imaginar nos locais. Gostei da forma como a narrativa foi conduzida. A parte final foi apoteótica e muito bem conseguida. Um dos "melhores" finais dos livros da autora que li até agora.

Não há pontas soltas, pelo menos explicitamente. Tudo fica com uma resposta. Dei por mim a prolongar a leitura para fazer render a história, mas não o consegui fazer muito mais, porque a curiosidade também era grande e valeu a pena.

Agora é ler o seguinte ou outro da autora, que consegue sempre encantar com as suas palavras magnificamente trabalhadas de modo a criar histórias únicas e extremamente belas. Recomendo totalmente, a todos os leitores.

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Filho das Sombras, de Juliet Marillier



Este é o segundo livro desta maravilhosa história de Sevenwaters. Depois de ter lido o primeiro há alguns meses, eis que decidi ler o segundo. E fiquei bem agradada.


O Filho das Sombras segue a história dos filhos de Sorcha e Hugh de Harrowfield. Niamh, Sean e Liadan, têm pela frente o legado dos seus pais e são parte da roda, sendo a Liadan que cabe o papel de figura principal. Continua a luta pela posse das Ilhas, bem como as disputas internas entre as famílias. No entanto, o que parecia já ter sido esquecido começa a estender os braços e o futuro de Sevenwaters vê-se novamente no meio do nevoeiro. Liadan sente-se puxada por todos os lados e é nela que todas as expectativas recaem. Só que o que estavam a pensar que seria fácil torna-se mais complicado, quando Liadan encontra um valente jovem guerreiro, cheio de mistério e de inimigos. Assim, ela terá de pesar bem as suas decisões.

Não queria estar a fazer um resumo que pudesse dizer muito sobre a história, uma vez que a história é tão bela que nenhum resumo seria adequado e contaria demais. Esta é uma história para ser saboreada, sentida, vivida. Toda a beleza da narrativa presente em A Filha da Floresta está aqui presente. Aquela melodia solitária, um tanto agreste mas envolvente e maravilhosa está novamente presente, desta vez pelas palavras de Liadan que é narradora desta fantástica história.

A narração é perfeita, envolvente e muito sentida. Não foram poucas as vezes em que me emocionei ao longo desta história e também não foram poucas aquelas em que torci pelas personagens e me deixei levar pela narrativa. Aliás, esta foi uma viagem em que me deixei levar em todos os momentos, pois é uma daquelas histórias que prende o leitor (pelo menos, a mim prendeu-me).

Quanto às personagens, pude encontrar caras conhecidas e ficar a saber os seus destinos e o que andam a fazer. Foi com grande gosto que revi Sorcha, os seus irmãos e Hugh (Red). Gostei muito de Liadan, que é uma personagem digna da sua mãe. Também gostei de todas as novas personagens, com especial relevo para Bran, Ciarán e o seu amigo Fiacha, que é bem importante para o desenrolar da história!
Gostei imenso das relações que se vão estabelecendo, ao longo da narrativa, entre as personagens.

No que diz respeito ao desenrolar da história e à forma como os acontecimentos aconteceram para ligar este livro ao anterior tenho a dizer que a ligação está perfeita. Penso que não podia estar melhor, uma vez que tudo faz sentido. Não há pontas soltas e tudo ou quase tudo o que acontece nesta história tem o seu fundamento no passado, ou seja no livro anterior. A sintonia está muito bem feita e existe, por isso, grande harmonia.

As descrições estão de cortar a respiração. Foi possível seguir os passos de Liadan e das outras personagens através de Sevenwateres e de toda a região.

Outro aspeto que quero aqui referir é o facto de, neste volume, serem abordados assuntos de imensa importância para a compreensão da história da família de Sevenwaters, que já me tinha desperto a curiosidade. O que é referido é muito interessante e bem contextualizado. Por falar em contextualização, é também de referir a mestria com que esta história está integrada num período histórico real.

Não consigo dizer qual dos livros gosto mais. São ambos fantásticos, com histórias diferentes, mas interligadas, fortes, sentidas e muito, muito bem escritas. A beleza com que a história, tanto uma como a outra, está escrita é fabulosa. Juliet Marillier é uma escritora completamente fantástica. Os meus parabéns pelas suas belas histórias, que comovem, alegram e emocionam os leitores.

Em suma, uma grande e bela história. Leiam!


Citações:

Não posso fazer com que o seu caminho passe a ser amplo e direito. Há-de haver sempre curvas, e lombas, e dificuldades. Mas posso segurar-lhe na mão e caminhar a seu lado. p.440

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 31 de maio de 2014

A Filha da Floresta, de Juliet Marillier



Depois de vários anos há espera, consegui ler este livro. Já era para o ter lido há muito tempo, mas optei por comprar outro e o tempo foi passando e quando fui para comprar este livro descobri que estava esgotado, havendo apenas os dois seguintes da trilogia. Assim, encetei uma demanda para encontrar o livro e procurei em várias lojas mais pequenas e nas bibliotecas. Acabei por encontrá-lo numa biblioteca e foi com grande prazer que o trouxe comigo. Finalmente, podia lê-lo! 


A Filha da Floresta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, irmã de seis rapazes, filha de Lorde Colum, governante de Sevenwaters, e de Niamh, sua amada esposa, que morreu depois do parto Sorcha. Sevenwaters fica em Erin (Irlanda). Sorcha é a narradora da sua história e da dos seus irmãos, Liam, Diarmid, Cormack, Conor, Finbar e Padriac. Criada praticamente pelos irmãos, na fortaleza e na floresta de Sevenwaters, Sorcha foi-se tornando numa menina independente, autónoma, inteligente, astuta, de grandes conhecimentos sobre ervas e curas, acabando por tornar-se curandeira. O seu pai parecia não lhe dar grande valor e isso fazia com que ela ainda sentisse mais amor pelos seus irmãos. Muito unidos, os sete filhos protegiam-se mutuamente e preservavam a memória da mãe, indo frequentemente junto ao seu vidoeiro, que tinha sido plantado por eles no momento da morte dela. Lá, refletiam, pensavam, brincavam e procuravam ajuda e conselho. 

Mas a guerra e as invasões de dinamarqueses e bretões, não dava descanso e as intrigas da guerra começaram a fazer os seus estragos na vida dos irmãos. À medida que cresciam iam juntar-se aos homens de armas e tinham de continuar o ódio contra os bretões, principalmente, que tinham, muito tempo atrás, conquistado as três ilhas mágicas dos irlandeses, começando assim uma luta sem tréguas durante muitas e muitas gerações. Quando um misterioso bretão é apanhado e levado para a fortaleza, Finbar, que era contra a guerra e contra a injustiça do não-diálogo entre os povos, pediu ajuda a Sorcha para ajudar a libertar o rapaz bretão. O plano acaba por vingar, mas Sorcha vê-se precisa perto do rapaz e parte para o ajudar. Acaba por simpatizar com ele, contando-lhe histórias e lendas. No entanto, os seus irmãos aparecem, tempos mais tarde, para a levar devido a um novo acontecimento: o noivado de Lorde Colum. Sorcha parte triste por abandonar Simon e, quando chega a sua casa, vê que o pior estava para vir. A madrasta dela, Lady Oonagh, acaba por revelar-se uma autêntica bruxa, cheia de ódio, acaba por transformar os seis rapazes em cisnes. Sorcha consegue fugir e mais tarde é visitada pela Dreidre, a Dama da Floresta, que lhe comunica a tarefa que tem pela frente: para conseguir trazer os seus irmãos de novo para a forma humana, terá de tecer e coser seis camisolas de morugem (uma planta espinhosa) e, quando todas tivessem terminadas, teria de as colocar aos pescoços dos cisnes. Durante todo o trabalho não poderia falar, nem gritar, nem chorar em voz alta. Não podia contar a sua tarefa por nenhum meio. E, durante esse tempo, poderia estar com os seus irmãos, em forma humana, apenas duas vezes por ano, no solstício de verão e no de inverno, durante o anoitecer e o amanhecer. 

E assim começa a provação, a jornada, o terror, a tristeza, o silêncio, a espera, a tortura, a privação. Assim começa a demanda de Sorcha pela liberdade dos seus irmãos, pelas suas vidas e pela sua própria vida.


É uma história muito bonita, triste em muitos momentos, mas muito bonita. A sua beleza reside na simplicidade de Sorcha, na sua determinação, na sua força de vontade, na sua angústia. É uma grande demanda, uma grande viagem cheia de perigos, intrigas, terrores e provações, mas é também uma história de amor, de coragem, de amizade, de perseverança, de virtude e de paciência. Emocionei-me por várias vezes, porque a história é muito comovente. Há momentos de grande brutalidade, de grande tristeza. E também me fez sorrir várias vezes. Porque nem tudo é escuro e a luz brilha onde menos se espera, onde por vezes nada é visível, onde por vezes a escuridão é total, quase eterna. Esta é uma história que nos diz que a luz está onde menos se espera, que é importante acreditar, continuar, não desistir, ter coragem para alcançar o que é necessário, mesmo que o caminho para lá chegar seja o mais tortuoso, mais hediondo, mais triste ou mais assustador. Sorcha é uma rapariga muito corajosa, que acompanhei desde pequena até aos 16 anos. Pude acompanhar um período extremamente rico da sua vida, um período cheio de desespero, mas também belo e alegre. Porque nada do que ela alcançou poderia ter sido alcançado sem o sofrimento do caminho por que teve de passar. Vi-a crescer, tornar-se mulher, vi como teve de se transformar, como foi doloroso, como foi confuso e como esteve sozinha. Vi como nunca deixou de acreditar, de lutar, de seguir em frente (sempre a caminhar...um pé à frente do outro..., como refere várias vezes). Mas não foi apenas Sorcha que me comoveu. Também me senti muito comovida com Finbar e Red, personagens tão ricas e profundas que me fizeram sentir uma grande empatia por elas. 

Todas as personagens são excelentes e as centrais, bastante complexas e interessantes. Gostei muito de Sorcha, de Finbar, de Conor, de Padriac, de Red e de Simon, principalmente. Também gostei dos outros irmãos, mas senti mais empatia com estes. Todas as personagens vão sofrendo uma evolução bastante grande, o que dá força ao enredo. Como principais vilões, Lorde Richard e Lady Oonagh estão muito bem, apesar de não terem sido assim uns “super vilões”, não daqueles que por vezes me fazem odiar profundamente ou até gostar. Claro que odiei Lady Oonagh e também Lorde Richard, mas o forte da história não são os seus vilões, a meu ver, o forte da história é a sua magia, o amor e amizade entre Sorcha e os irmãos, a força da família, a coragem, a sobrevivência, o amor e a amizade, a força de acreditar e de não desistir, de lutar sempre e de continuar, independentemente do que aconteça. A força desta história é a sua mensagem, a beleza da história de Sorcha, dos seus irmãos, de Sevenwaters, de Harrowfield. A força da união, da descoberta do íntimo de cada um, a descoberta dos sentimentos, das emoções, da Vida. É aí que a história é verdadeiramente boa. É linda e é uma boa história para contar. Sorcha e outras personagens contaram muitas histórias e o poder das histórias, das lendas, é também muito forte ao longo da história. Muitos são os paralelismos entre histórias contadas pelas personagens e a própria história das personagens ao longo da narrativa. E é também muito parecida com um conto tradicional, pois têm vários elementos que fazem lembrar histórias de princesas e infelizes raparigas com tarefas para fazer e perigos para ultrapassar. Esta é uma história que poderia ter sido verdadeira, uma história que se tornaria numa lenda, uma lenda celta, cheia de magia, de beleza, de misticismo. Uma balada, tão perfeita, tão esplendorosa. Sim, A Filha da Floresta é uma maravilhosa balada celta, uma balada cheia de sentimento e de emoção.  

Outro aspeto que me agradou bastante foi o contexto da história. O contexto histórico. Sendo uma narrativa com grandes laivos fantásticos, o contexto é muito real, está muito bem definido e faz todo o sentido. É uma história de fantasia, cujo contexto é real: Irlanda e Bretanha, no tempo das invasões bárbaras. A autora aliou uma história de magia com acontecimentos reais. E, todos sabemos que naqueles locais havia magia de verdade. Quem pode dizer que não havia? Por isso, a parte fantástica da história também se mistura com a realidade, o que é muito interessante.


Gostei do ambiente. As descrições são soberbas, cheias de vida, e permitem que o leitor se imagine lá, onde Sorcha está, perto dela. Senti várias vezes que estava lá com ela. Penso que senti isso durante toda a narrativa. 

Não é o primeiro livro que leio da autora. Já li O Espelho Negro, Danças na Floresta e O Segredo de Cibele. Destes três, o que mais gostei foi Danças na Floresta. E agora A Filha da Floresta passou-lhe à frente, se bem que por pouco espaço. Há várias semelhanças entre os livros da autora, mas essa é a sua magia. Se Juliet escrevesse um livro com outros temas, todos nos espantaríamos e até podia não ser tão maravilhoso como os que a autora tem escrito. 

E este é o primeiro livro de Sevenwaters. Vê-se perfeitamente que é apenas o começo e espero que o que vem a seguir continue a ser tão bom, ou, quem sabe, melhor.

Sorcha é uma maravilhosa narradora. Penso que, até agora, ainda só li poucos livros cujos narradores me encantaram muito. Os do Fitz, do Kvothe, Óscar, em Marina, de Zafón, e este. Um bom narrador faz maravilhas, e Sorcha convenceu-me completamente. Penso que ela seria uma mulher à altura de FitzCavalaria Visionário. Sim! Pensei várias vezes neles juntos, ao longo da leitura. 

Pois é, A Filha da Floresta entrou para o meu grupo de favoritos e poderá ser um dos melhores do ano. É o começo de uma história, trilogia ou mais, e é um bom começo, um começo forte e marcante. Agora é ler os seguintes.

NOTA (0 a 10): 10