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domingo, 6 de fevereiro de 2022

Our Violent Ends, de Chloe Gong

Sinopse:

Depois dos acontecimentos em These Violent Delights, as personagens encontram-se novamente no centro de vários acontecimentos. Para juntar às questões dos monstros, algo mais apareceu no horizonte, algo muito diferente daquilo que estavam a contar: guerra civil. Será que os gangsters vão conseguir unir-se perante um ameaça nacional a nível político?

E será que Juliette e Roma vão conseguir resolver as suas questões do passado e finalmente encontrarem-se como realmente merecem? 

Várias são as perguntas que são colocadas no começo deste livro e que vão sendo respondidas durante a sua leitura.


Opinião:

Leitura conjunta

O primeiro livro já tinha sido excelente e uma grande experiência, mas este ainda foi melhor. Alguns momentos pelos quais ansiava acabaram por não ser tão mostrados como talvez estivesse à espera, mas a parte política e da intriga ultrapassou as questões românticas e isso acabou por me agradar, uma vez que o contexto foi muito bem explorado. 

Gostei muito da forma como a intriga foi aumentando à medida que a história foi-se desenvolvendo. As traições familiares e políticas, todo o aspeto dos gangsters e as questões políticas entre comunistas e nacionalistas foram muito bem contextualizadas numa narrativa que ao início parecia mais relacionada com monstros criados em laboratório, como no anterior. Acho até que todo esse enredo acabou por ficar um bocado de lado com o decorrer da narrativa. 

As relações entre as personagens continuaram a ser o grande foco da história, apesar de também terem sido menos relevantes do que o livro anterior. Confesso que gostaria de ter visto mais da Juliette e do Roma, bem como do Ben e do Marshall, mas compreendo que a autora tenha dado mais relevo às questões da intriga política. No entanto, aquilo que foi mostrado agradou-me bastante. 

Em relação às personagens, gostei de todas, em especial dos casais e também de Alisa, que demonstrou ser uma personagem cheia de carisma, muito forte e com um relevo importante. Também gostei dos enredos secundários, que deram corpo à história no seu todo. 

Assim, gostei muito deste livro e da experiência de leitura, que foi maravilhosa! Sem dúvida, bonitos romances no meio de uma intriga poderosa. Recomendo totalmente! 

NOTA (0 a 10): 9,5 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

The Song of Achilles, de Madeline Miller

Sinopse:

A história da conquista da guerra de Tróia, vista por outra prespetiva, narrada por Patroclus, amigo muito especial de Aquiles.

Uma história que é mais do que História, é uma ode ao amor, um poema narrativo repeleto de momentos épicos e cheios de emoção.

Não há muito para referir sem dar spoilers.



Opinião:

Leitura em conjunto

Apesar de ter gostado muito do livro, em especial da história entre Patroclus e Aquiles, penso que poderia ter sido adotado outro estilo de narrativa. Achei que houve, no total, poucos diálogos para a ação em si. T

Gostei muito das personagens, em especial de ambos os rapazes. A forma como a história entre ambos se vai desenvolvendo e de como cresce ao longo da narrativa está muito bem conseguida, muito trabalhada e é a melhor parte do livro, o que mais se destaca e dá consistência ao enredo. 

O ritmo da narrativa não me pareceu o mais adequado para a história que é, no entanto dá-lhe um certo ritmo épico mais tranquilo e suave. 

Apesar dos diálogos não serem em grande quantidade, é um livro que se lê bastante rápido e de modo fluente. Isso é muito bom, pois acaba por dar algum ritmo à narrativa.

Em suma, uma bonita história, onde se aprende alguns factos históricos, contada de um modo bastante bucólico e belo. Recomendo a quem gosta deste género de histórias.

NOTA (0 a 10): 7

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Os Segredos de Sir Richard Kenworthy, de Julia Quinn

Sinopse:

Sir Richard Kenworthy procura uma esposa por um motivo que só ele conhece e que não divulga. Quando encontra uma potencial candidata para esposa a sua alegria é infinita. Mas porque é que ele quer tanto uma esposa? Que segredos esconde? Um romance a não perder! 


Opinião:

Leitura conjunta. Muito obrigada pela experiência! Foi muito boa e divertida! 

Este é sem dúvida um volume com um enredo um pouco do habitual, até no tempo em que os vários acontecimentos narrativos têm lugar. E isso agradou-me pois foi diferente do que acontece nos livros anteriores. 

Também gostei bastante do mistério à volta de Sir Richard e dos seus motivos, bem como dos segredos relacionados com a sua família. Iris também é uma jovem bastante interessante e com uma personalidade um tanto diferente das outras protagonistas. O mesmo tenho a referir de Sir Richard. E também achei as restantes personagens interessantes. 

Porém não posso dizer que tenha ficado encantada com a história. Achei muito interessante, uma história leve e que cumpre o objetivo de agradar o leitor, mas não consegui estabelecer uma ligação mais afetuosa com as personagens e penso que o final foi bastante apressado. No entanto, gostei bastante da organização narrativa. 

Em suma, uma leitura agradável, dentro deste género literário. Recomendo a todos os que gostam destes livros. 

NOTA (0 a 10): 7

terça-feira, 2 de março de 2021

O Mistério do Infante Santo, de Jorge Sousa Correia

Sinopse:

Este livro relata alguns dos acontecimentos passados no tempo da Ínclita Geração.



Opinião:

Este é um livro baseado em acontecimentos históricos, contado de uma forma bastante interessante e fuída, onde os diálogos, discrições e ação são apresentados de modo bastante real, sem grandes floreados e termos antigos. É um excelente livro para ficar a conhecer alguns momentos históricos do país. Muito bem narrado, com descrições vívidas e muita ação; personalidades fortes, acontecimentos bem contextualizados. 

Ler livros de autores portugueses é sempre bom. O romance histórico é sempre um livro bastante interessante e é dos meus géneros literários favoritos. Poder aliar o meu interesse por História à leitura é algo que muito me agrada. 

Recomendo a todos os que gostam deste género literário.

NOTA (0 a 10): 8

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Soldados de Honra, de Adrian Goldsworthy

 Sinopse:

O exército inglês vê-se destacado para combater as invasões francesas na Península Ibérica. Nesse exército está Hamish Williams, Billy Pringle, Hanley e outros jovens que se alistaram devido a vários motivos. Sob o comando de Sir Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, o exército chegou a Portugal e começa a organizar as várias estratégias e companhias para ajudar o exército português. Por entre esses momentos históricos, é possivel acompanhar as aventuras de alguns dos membros do exército inglês. 


Opinião:

Tinha este livro para ler há algum tempo e foi uma boa leitura. Narrada através de várias perspetivas, a história liga-se a factos reais que aconteceram durante as Invasões Francesas. Algumas partes são passadas na Inglaterra e na Espanha, mas a maior parte é em Portugal, o que também me fez querer ler o livro, uma vez que é sempre interessante ler livros Históricos passados no nosso país. 

É um livro com uma base de contexto histórico bem sustentado. Nota-se plenamente que existe estudo sobre os diferentes temas abordados, o que é sempre bom de encontrar neste género de narrativa. No entanto, também há a parte criada pelo autor, que se enterlaça com a História real de modo muito bem conseguido. A escrita é fluída, se bem que existem muitos momentos descritivos, em especial a nível militar e de organização das tropas e explicações referentes a este tema. Tal pode tornar a leitura um pouco menos fluída em determinados momentos, que acabam por ser compensados nos momentos de ação.

Gostei das personagens. Todas elas têm as suas características, motivações e personalidade. Gostei especialmente das principais, que demonstram grande caráter. Foi interessante acompanhar as suas aventuras e observar as suas atitudes e comportamentos. 

A nível da ação, esta tem um forte cariz militar, mas também tem alguns momentos de companheirismo, aventura e romance. 

Em suma, é um bom livro, bem escrito e com uma base sólida de pesquisa a nível histórico. Recomendo a todos os que gostam deste género de narrativa. 

NOTA (0 a 10): 7

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A Coroa de Inverno, de Elizabeth Chadwick

Sinopse:

Segundo volume da triologia sobre a Rainha Leonor de Aquitânia, uma das maiores rainhas da Idade Média.

Depois dos acontecimentos do primeiro volume, Leonor deixa a França e parte para a Inglaterra com o seu esposo, o Rei Henrique II. Tem agora que enfrentar novos desafios e novas ameaças, tendo como grande objetivo manter o seu sonho, a Aquitânia, bem como dar uma grande descendência ao rei de Inglaterra e criar, assim, um reino muito forte. Sempre com muitas opiniões e muita força, Leonor, vê-se rodeada por novas políticas e novas obrigações e terá de lutar pelo seu poder num mundo de homens.

Uma narrativa cheia de emoção, muito bem contextualizada e completa.

Opinião:

Este é o segundo livro da triologia da autor sobre a Rainha Leonor de Aquitânia. Depois de ter lido o primeiro, há alguns anos, e de ter gostado muito, decidi ler o segundo. 

Neste segundo volume, o enredo avança a partir do casamento de Leonor com Henrique II de Inglaterra, durante a década de 1150. A narrativa abrage um longo período de tempo e acompanha os momentos mais relevantes na vida da rainha ao longo do seu reinado e do seu quotidiano. Acompanha também alguns episódios bastante importantes do reinado de Henrique II e momentos relevantes com os filhos de ambos. 

A autora narra a história de um modo extremamente subtil e contextualizado, revelando grande mestria. Gostei muito da escrita, de como tudo está interligado e de como a narrativa fluí. Também gostei muito das notas histórias, que são bastante relevantes. 

A narrativa é bastante fluída, apresenta muita ação e emoção, bastantes diálogos e é possível acompanhar as personagens como se fossemos parte desta. As descrições são as necessárias para imaginar o ambiente em que a ação se desenvolve, sendo bastante apelativas e sensoriais. 

De destacar ainda a beleza da capa da versão portuguesa, que é bastante bela.

Recomendo a todos os que gostam de romance histórico e de ler livros bem contextualizados, com pesquisa bem elaborada e detalhada. 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 13 de janeiro de 2018

A Taça de Ouro, de John Steinbeck

Sinopse:

A Taça de Ouro é um romance que narra a história de Henry Morgan, em especial o saque à cidade do Panamá. Henry Morgan, corsário muito inteligente e feroz, dominou o Mar das Caraíbas por volta de 1670, e teve como principal objetivo encontrar e casar com uma misteriosa mulher. Tal vai levá-lo a acontecimentos muito conturbados e que o marcarão para sempre. O romance histórico de Steinbeck.





Opinião:


Já tinha este livro na estante há algum tempo e decidi lê-lo no final do ano passado. Foi uma leitura agradável, diferente e interessante. Gostei de conhecer a faceta mais histórica do autor, cujas palavras fortes e certeiras já tinha lido em A Pérola.

Henry Morgan mostra-se uma personagem cheia de altos e baixos. A narrativa acompanha-o durante toda a sua vida desde a juventude. Sendo uma personagem verídica que eu não conhecia, o retrato feito pelo autor pareceu-me bastante forte e cheio de personalidade. Também as outras personagens são interessantes e conseguem preencher bem a narrativa e o contexto.

É uma leitura fácil, com uma escrita fluída, bela e de rápida leitura. Dei por mim a devorar o livro, em especial nos momentos de maior ação. Apesar de já ter lido A Pérola há bastante tempo, lembro-me de ter sentido o mesmo em relação à escrita e fluência. No entanto, não me fascinou.

Uma forma interessante, com uma escrita elevada e bem construída, assim como o contexto e a própria narrativa, de conhecer mais sobre este tema e a história deste corsário que tanta riqueza acabou por levar à Inglaterra. É como que um belo e lírico estudo sobre ele.

Recomendo, assim, este livro a todos os que gostam de uma boa história, de saber mais e de ler livros com diálogos pujantes e cheios de vivacidade.


NOTA (0 a 10): 7

sábado, 25 de março de 2017

Corações de Pedra, de Simon Scarrow

Sinopse:

A coragem feroz dos homens e mulheres da resistência grega dispostos a sacrificar tudo pela pátria. 

1938: Três jovens vivem um verão perfeito na ilha grega de Lefkas, isolados dos problemas políticos que fervilham na Europa. Peter, de visita da Alemanha enquanto o pai lidera uma expedição arqueológica, desenvolveu uma forte amizade com Andreas e Eleni. À medida que o mundo resvala para a tragédia e Peter é forçado a partir, os amigos juram encontrar-se de novo.

1943: Andreas e Eleni juntaram-se às forças da resistência contra a invasão alemã. Peter regressa - agora um oficial inimigo e espião perigoso. Uma amizade formada em paz irá transformar-se numa batalha desesperada entre inimigos dispostos a sacrificar tudo pelos países que amam... (in Edições Saída de Emergência)


Opinião: 

Este é o segundo livro do autor, tendo sido o primeiro o Britannia. Este é totalmente diferente no contexto e mantém o mesmo nível de qualidade e relevo histórico. 

A história está dividida em diferentes momentos, sendo uns em 2013 e outros em 1943, passando por alguns em 1938, antes da Segunda Guerra. Todos os momentos estão entrelaçados e todos os acontecimentos convergem para os mesmos aspetos, mostrando assim a genialidade do autor. 

Todas as personagens estão extremamente bem criadas e são muito reais. É possível sentir todas as suas emoções e seguir os seus pensamentos e ações. Gostei muito de todas elas, em especial do trio de amigos que se veem numa termenda confusão e conflito, com a sua amizade posta em risco da forma mais cruel e sórdida que poderia haver.

A nível do enredo, é de referir a perfeita sincronia com o passado e presente, bem como o suspense que está sempre no ar, que paira em todas as páginas, permitindo ao leitor andar sempre a tentar levantar um pouquinho do véu de mistério da história. Toda a tensão entre amor, amizade, dever e guerra consegue formar um nó de grande emoção e tensão, que faz com que o leitor esteja constantemente a sofrer pelas personagens. Existe grande drama, ação, aventura, amor e amizade, e tudo o que a estes aspetos está inerente. 

O contexto histórico está muito bem elaborado. O autor criou aqui, mais uma vez, um cenário muito bem contextualizado, com dados importantes e cruciais. Não é tão comum ler sobre a Segunda Guerra noutros países que não "os principais" (ou pelo menos eu não conhecia este lado da guerra). Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Japão, Rússia... mas tendo a Grécia como pano de fundo, ainda não tinha lido nada. 

Os livros tendo como contexto a Segunda Guerra Mundial são sempre livros com histórias fortes, grandiosas e que comovem. Não esperava algo diferente vindo daqui e foi isso que aconteceu. Encontrei uma história repleta de horrores, mas também de momentos de grande beleza, onde a lealdade, o amor e amizade são a grande base da obra. 

Também gostei muito de ver a História, Arte e Arqueologia aqui presentes, com papéis de grande relevo, servindo como base para ligar todos os momentos espaciais e temporais. Mais uma excelente ideia do autor! 

Em relação à escrita, esta é bastante fluída, encerrando um mundo de beleza e alguma frieza, sendo ela mesma uma das armas do livro. 

Sendo assim, encontrei neste livro uma fonte de conhecimento e uma fonte de beleza, que me comoveu bastante e me alegrou. Tem todos os ingredientes que uma boa obra deve ter, despertando no leitor variados sentimentos e emoções. Mais uma vez, recomendo a todos aqueles que gostam de uma boa história, sendo Romance Histórico ou não. É para todos! E, mais uma vez, aqui está outra excelente aposta da Saída de Emergência!

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A Rainha Perfeitíssima, de Paula Veiga

Sinopse:

No século de ouro dos Descobrimentos, quando Lisboa era a capital das riquezas exóticas, viveu a mais rica, culta e fascinante princesa da Europa: Leonor de Lencastre. Esta é a sua história.

Em 1458 nasceu uma formosa infanta a quem chamaram Leonor. Destinada a ser rainha, a jovem cresceu e transformou-se na mais notável monarca que reinou em Portugal. Mas se a sua vida é uma inspiração, também o foi um rosário de tragédias.

Casou com o primo, D. João II, mas o casamento não foi feliz. O Príncipe Perfeito passou o reinado em conflito com a nobreza que o tentou assassinar. A alegria por ver o marido sobreviver foi destroçada quando o seu próprio irmão foi é acusado de traição e morre às mãos do rei.

Mas a maior tragédia da sua vida chega quando o filho morre de forma suspeita. Acidente ou atentado? Na terrível dor de uma mãe que perde o filho, Leonor nem teve o apoio que esperava do rei: D. João II estava mais preocupado em colocar no seu trono o filho bastardo que tivera com outra mulher. (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Com uma capa muito bela, uma premissa brilhante e uma sinopse interessante e sugestiva, a juntar ao Romance Histórico e à excelente coleção histórica da Saída de Emergência, não podia deixar de ler este livro.

E há muito para referir.

Em primeiro lugar, a autora está de parabéns pelo trabalho que realizou, tanto a nível de escrita e criação, como também, e imprescindível neste género, a nível da pesquisa. A história está muito bem contextualizada e tudo está muito bem delineado.

A rainha D. Leonor é a narradora, dando ao leitor uma boa visão sobre o que a rodeou e sobre o que aconteceu durante o seu reinado. É uma narradora bastante agradável.

As personagens estão muito bem. Penso que a autora deu a conhecer algumas das perspetivas destas personalidades históricas, que alguns podem conhecer melhor do que outros, mas que é sempre bom de se saber mais.

Fiquei a saber mais factos sobre a vida destas personalidades que foram tão importantes para a nossa identidade nacional e para a nossa História. Leonor aparece como uma rainha muito boa, caridosa e preocupada com os outros, mostrando a sua faceta mais conhecida. Também gostei de ver os diferentes reis e outras personalidades, em especial D. Manuel I, que também esteve em grande destaque ao longo da obra.

Gostei da escrita, que está extremamente fluída e simples. O livro lê-se num instante! Existem muitos diálogos e é uma forma excelente de se ficar a saber mais sobre este período histórico: de uma forma leve e emocionante.

Penso que podia haver mais descrições, bem como ação. Não é que não estejam presentes ao longo da obra, mas as descrições não são muitas, pelo menos dos espaços ao redor das personagens. Isso podia estar mais explorado. Tal como a ação. Compreendo o foco nas personagens, nos seus diálogos, pensamentos e atitudes, mas podia haver mais momentos de ação, contada por uma perspetiva mais distante, uma vez que o enredo tem os seus alicerces nos diálogos e não tanto na ação por detrás destes. Podia haver um equilíbrio maior a este nível, o que faria, também, aumentar o número de páginas. A história é muito boa e está tão bem trabalhada e criada que podia ter mais páginas.

Mas este é um título excelente da coleção e é sempre bom ler livros nacionais, bons, novos e interessantes e este livro tem tudo isso: novidade, interesse e qualidade. É muito bom. Portanto, recomendo-o vivamente a todos aqueles que gostam deste género literário e que apreciam ficar a conhecer melhor a nossa História.

NOTA (0 a 10): 8

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Leonor de Aquitânia - A Rainha do Verão, de Elizabeth Chadwick

Sinopse:

Jovem, bonita e privilegiada, Leonor tinha tudo para viver um futuro brilhante como herdeira da próspera Aquitânia. Quando o seu pai, Guilherme, Duque de Aquitânia, morre subitamente no verão de 1137, Leonor tem de abandonar a sua infância e assumir-se como duquesa.

Enviada para Paris e forçada a casar com o príncipe herdeiro Luís VII, Lenor pouco ou nada se tinha ainda adaptado à sua nova vida quando o rei morre e ela se torna Rainha de França.

Com apenas 13 anos, tem de deixar tudo para trás e aprender a viver na bruma complexa da Corte e do Clero. Depois de se confrontar com os mais diversos desejos, intrigas e ambições, Leonor apercebe-se de que poderá controlar o futuro se souber escolher o momento certo para agir. 

Com Leonor de Aquitânia. A Rainha do Verão, Elizabeth Chadwick dá início a uma trilogia sobre Leonor de Aquitânia, onde nos deslumbramos com a sua história, triunfos e tragédias, e nos deixaremos levar numa fascinante viagem ao alvor da Idade Média. (in Topseller)


Opinião:

Não é o primeiro livro que leio sobre Leonor de Aquitânia, mas é sempre com grande gosto que viajo pela sua história. 

Leonor foi, sem dúvida, uma rainha extraordinária e diferente das rainhas da altura: muito mais avançada, interessante e visionária. E isso faz com que goste bastante de ler sobre a sua história. 

Este livro está maravilhoso. Gostei muito da forma como a autora contextualizou toda a época, desde as personagens, passando pelo espaço, e indo principalmente aos costumes e tradições. 

Em relação às personagens, gostei muito de Leonor, como seria de esperar. Uma menina nascida para ser duquesa de Aquitânia que se aos 13 anos prometida ao rei de França, D. Luís, que toda a vida tinha estudado para servir a Igreja. Depois de um casamento magnifico e de muito lhe ser prometido, Leonor, à medida que cresce, vai amadurecendo e percebendo toda a trama que a rodeia, vendo-se obrigada a jogar com tudo o que tem. Num mundo de homens, ser mulher não é fácil, pois mesmo com todo o poder que tem, outras coisas se elevam e os homens tentam-se aproveitar do facto de ela ser mulher e de ter uma grande riqueza. O modo como ela faz frente a tudo isso é um hino à bravura feminina, à coragem e à paixão pelo respeito e pela honra. 

Também gostei das outras personagens, uma vez que estão todas muito bem trabalhadas e criadas. D. Luís mostrou-se, mais uma vez, num homem mesquinho e frio, que poderia ter sido diferente se não fosse tão reprimido e subjugado por personalidades mais fortes. Mas foi D. Henrique que muito me agradou. Jovem, honrado e corajoso...o par ideal para Leonor. 

Todas as personagens estão excelentes e povoam brilhantemente esta história, cujo contexto está maravilhoso. Detalhe histórico, detalhe visual. Tanto os acontecimentos históricos estão bem fundamentados, trabalhados e recriados, como todos os pormenores visuais da época estão ótimos. Vestidos lindos, paisagens belas, espaços bem descritos, com o rigor da época sempre presente e sempre bem contextualizado. As questões morais, religiosas e tradicionais estão sempre lá, muito bem assentes e enraizadas, criando ainda mais realidade e veracidade, uma vez que estamos em plena Idade Média. 

Já li outro livro da autora e não estava à espera de menos, uma vez que é das melhores escritoras sobre a História Medieval. Rigor, detalhe e fundamentação. Três pontos chave e todos com nota máxima. 

A história em si, o enredo, está muito bem concretizado. A autora criou a história de modo a parecer uma jornada e isso está excelente. Desde pequena até à faixa etária dos 20 anos (para lá dos 20), a história de Leonor é aqui contada de uma maneira fluída, mágica, cheia de romance, ação e intriga. Leonor tem muitas escolhas a fazer, muitos perigos para enfrentar e muitas batalhas em vários campos para ganhar. A história está bem recheada de aventuras, romance e muita emoção. 

Todos os leitores vão gostar deste livro e vão querer continuar a ler esta história, que já está à venda. A Coroa do Inverno já está nas lojas e vou querer ler brevemente, pois fiquei imensamente curiosa para saber mais sobre Leonor e sobre o que aconteceu depois deste primeiro volume. Recomendo totalmente, a todos os leitores que gostam de histórias fortes, ricas e bem narradas. E, ainda, de referir o excelente trabalho gráfico a nível da capa e exterior, como do interior, que está muito belo.

NOTA (0 a 10): 10 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Os Venenos da Coroa, de Maurice Druon

Sinopse: 

Apenas alguns meses depois da morte de Filipe, o Belo, os conflitos, as intrigas, os ódios e a luta pelo poder ameaçam submergir a França numa instabilidade devastadora. O legado de 3 décadas de eficácia administrativa, económica e política escapou-se como água por entre as mãos de Luís X, que permitiu que a confrontação entre ministros burgueses e nobres conservadores se saldasse pela perda do domínio das províncias. 

Estava-se no verão de 1315. De acordo com o cognome por que é conhecido na corte, Luís, o Teimoso, começou a regência com a obsessão de se livrar da mulher, Margarida de Borgonha, e de sentar a seu lado uma nova rainha. Com Margarida assassinada e a bela princesa Clemência, da casa de Anjou-Sicília a caminho, vinda de Nápoles, para se tornar rainha de França, Luís X parece preparado para assumir a responsabilidade pelo seu reinado. 

No entanto, num alarde de grandeza, próprio de quem tem o poder, mas não a capacidade de o conservar, o rei envolve-se numa guerra absurda contra o conde da Flandres, enquanto o seu povo morre de fome. 

No Mediterrâneo, as tormentas mergulham os pensamentos da futura rainha Clemência nos mais negros presságios. O veneno volta a correr nas veias de França, e nada parece poder evitar que venha a ameaçar a Coroa.

Descubra Os Venenos da Coroa, o segundo volume da saga de Os Reis Malditos que inspirou os livros de George R. R. Martin, autor de A Guerra dos Tronos. (in Marcador Editora)



Opinião: 

Li, no ano passado, O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, e gostei muito. Um excelente romance histórico, muito bem narrado e muito bem contextualizado. Então, foi com grande interesse que comecei a ler o segundo. 

Com o povo num estado lastimoso e o reino num estado também estranho, tudo está em aberto para o segundo livro. O Rei Luís está novamente muito bem, cheio de pose e grandeza, mas com muito pela frente.

A história pega muito bem nos acontecimentos anteriores e segue o mesmo caminho: ação, mistério, intriga e romance. Mas mesmo muita intriga. Diria até que a intriga é o maior fator deste livro. Tudo é feito e apresentado no meio de intrigas, no meio de mistérios e duplas intenções, e nada é o que parece. 

Gostei muito da forma como os acontecimentos progrediram e de como foram encaminhados. O autor construiu tudo muito bem, criando personagens reais únicas e perfeitas, muito complexas e de grande personalidade. Criou uma intriga excepcional e muito elaborada, com detalhes históricos muito interessantes e importantes. Conseguiu construir um enredo grandioso e ambicioso, muito bem narrado e muito bem tecido. É, de facto, um dos melhores romances históricos que já li! 

Em relação às personagens, gostei muito de todas. Luís é, de facto, digno do seu cognome: o Teimoso e a rainha Clemência também tem a sua magia. Menores ou maiores, todas as personagens têm o seu papel na história, e todas têm algo a acrescentar ao enredo. 

Com uma escrita muito fluída e capítulos breves, este livro lê-se num ápice. É como que devorado e o leitor acaba por ficar a querer mais e mais. É um livro pequeno, com uma história grande e rica, tanto em detalhes, como no enredo, como nas personagens e na própria escrita. 

Mais um belo romance histórico que nos ensina algo sobre História e que nos deixa ver um pouco como eram verdadeiramente os reinos, os reis, as cortes e tudo o que girava à sua volta. Um mundo de traições e intrigas, sem nada de cor de rosa ou amoroso. Uma leitura maravilhosa! 

Recomendo vivamente a todos os amantes de bons romances históricos e a todos os fãs de histórias com carácter. Os meus parabéns à Marcador pela aposta no autor e espero ler o terceiro brevemente! 

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Britannia, de Simon Scarrow

Sinopse:

Britânia romana, 52 d.C.. As tribos ocidentais preparam-se para firmar uma posição, mas conseguirão elas igualar a disciplina e coragem dos legionários?

O centurião Macro, ferido em combate, é deixado para trás como responsável por um forte, enquanto o Perfeito Cato lidera uma invasão nas montanhas. A missão de Cato: esmagar o baluarte dos druidas e assim cimentar o triunfo de Roma. Mas com a chegada do inverno, o terreno torna-se impossível de atravessar co ma chuva e as tempestades de neve.

E quando as patrulhas de Macro relatam que os nativos próximos do forte são pequenos em número, uma suspeita terrível apodera-se da mente do soldado. Terá o Governador no poder, o Legado Quintato, subestimado o inimigo? Um plano sofisticado e letal poderá já estar em marcha pelos nativos e serão Cato e os seus homens a pagar um preço elevado...

Conseguirão os nossos heróis enfrentar a astúcia de um inimigo que tudo fará para não se vergar perante o poderio de Roma? (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Este é o primeiro livro que leio de Simon Scarrow e depois de o ler fiquei encantada. Vou querer ler todos os livros anteriores, uma vez que este é o décimo quarto de uma belíssima saga. Sei que devia ter começado pelo primeiro, mas li este com imenso gosto e muito agrado. 

A história, as personagens, o contexto, as descrições, a ação...tudo é esplêndido. É romance histórico ao mais alto nível, como a Saída de Emergência já nos tem vindo a habituar. 

Gostei muito das personagens. Macro e Cato são excelentes personagens. Fortes, complexas, têm todos os adjetivos que deveriam ter para criar um contexto romano perfeito. Sempre imersas em ações e decisões importantes, tudo depende deles. Também as outras personagens são ricas e interessantes, mas Macro e Cato são únicos. 

O contexto histórico está excelente. As descrições estão muito bem elaboradas, precisas e sempre decisivas, criando o ambiente ideal e fiel. Todo o contexto histórico e político está muito bem trabalhado. As questões romanas e bretãs estão presentes, as lealdades, os acontecimentos, as questões políticas e sociais da época estão muito bem trabalhadas e apresentadas ao leitor, criando um contexto fiel e único. Sente-se a paixão do autor por esta época em cada página!

Toda a intriga está muito bem elaborada. O enredo é complexo, rico e denso. Há muito para nos fazer pensar e muito para nos intrigar. Gostei muito da forma como o autor mexeu na história e nas personagens, criando momentos únicos e muito bem conseguidos. 

Quanto à linguagem, está é cuidada, pertinente e fluída, dando ao leitor momentos de grande emoção e de muito prazer. A ação também está excelente, uma vez que a intriga está muito bem elaborada...todos os detalhes foram pensados ao pormenor. A intriga é complexa, inteligente e criativa. O autor é ambicioso e isso é excelente. 

Senti a falta da leitura dos volumes anteriores, uma vez que o contexto é riquíssimo, as personagens são complexas e brilhantes. No entanto foi com grande prazer que desbravei este volume. É daqueles livros que não só nos transporta para um ambiente único, interessante e real, como nos ensina algo. O romance histórico, quando é bem escrito, bem elaborada, com pesquisa cuidada e bem contextualizado, torna-se num excelente meio de aprendizagem e conhecimento. Cada vez que leio um bom romance histórico aprendo alguma coisa (ou muita coisa!). Aconteceu isso e fiquei muito satisfeita. 

Ler por entretimento e prazer é excelente. Quando se pode acrescentar a aprendizagem, principalmente de temas que me agradam e me fascinam, então é uma experiência única e maravilhosa. Por isso recomendo vivamente a leitura desta saga. Todos os leitores irão gostar! 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Aprendiz de Gutenberg, de Alix Christie

Sinopse: 

Um romance extraordinário que relata a vida no século XV e as mudanças que transformariam para sempre a Europa.

Peter Schoeffer é um jovem ambicioso à beira de alcançar o sucesso como escriba em Paris quando o seu pai adotivo, o rico mercador Johann Fust, o convoca à cidade de Mainz para conhecer um homem extraordinário. Gutenberg, inventor de profissão, criou um método revolucionário - há quem diga blasfemo - de produção de livros: uma máquina a que chama prensa. Fust está a financiar a oficina de Gutenberg e ordena a Peter que se torne seu aprendiz. Ressentido por ser forçado a abandonar uma carreira tão prestigiante como escriba, Peter inicia a sua aprendizagem na "arte mais negra". 

à medida que as suas habilidades crescem, assim cresce também a admiração por Gutenberg e a dedicação a um projeto ousado: a impressão de cópias da Bíblia Sagrada.

Mas quando forças extremas se alinham contra eles, Peter vê-se num dilema entre os velhos costumes e as novas criações  que ameaçam transformar o mundo. Conseguirá ele encontrar uma forma de superar os obstáculos numa batalha que poderá mudar a História? (in Saída de Emergência)



Opinião:

É sempre bom ler um Romance Histórico, e quando se lê um Romance Histórico de grande qualidade, então é perfeito. Desde já, o meu obrigada à Saída de Emergência por me ter proporcionado esta leitura, que tanto me agradou e ensinou. 

Gutenberg, o inventor da prensa. Todos conhecem Gutenberg, ou grande parte das pessoas o conhecem. O que poucos conhecem é a verdadeira história por detrás da invenção da prensa e da impressão do primeiro livro, conhecido hoje em dia como "A Bíblia de Gutenberg". Portanto, este livro explora a relação de Gutenberg com os seus homens, especialmente com Peter Schoeffer (seu aprendiz), escriba e filho adotivo de um grande comerciante, Johann Fust, que lhe deu créditos para financiar a invenção e impressão de livros. 

O leitor segue as pisadas de Peter, desde a sua chegada a Mainz a pedido de Fust, até à publicação da Bíblia, de uma forma bastante descontraída, inteligente e dinâmica. Peter é uma excelente personagem, integro, complexo e bastante humano. Apesar da narrativa não ser na primeira pessoa, o leitor vai desbravando a história pelo olhar de Peter, que vai narrando a sua história e a história de Gutenberg e da prensa, ao abade Trithemius, posteriormente, já em 1485, sendo que as aventuras durante o aprendizado e a edição da Bíblia datam de um período entre 1450 até 1455. 

Ora, Peter, como já referi, é uma excelente personagem, mas as outras também têm a sua magia. Gutenberg é muito denso, sombrio, complexo. Por vezes entusiasmado, companheiro de equipa, amigo, outras vezes quase louco, inquieto, sem se saber se se pode confiar ou não. E é fantástico poder observar o desenrolar da personalidade e atitudes de Gutenberg ao longo da história, o que acaba por ser um dos pontos fortes desta. Gutenberg continua a ser para mim uma personalidade enigmática depois da leitura do livro e acredito que seja essa a intenção da autora quando o caracterizou da forma como o fez e como o trabalhou. Depois, Johann Fust, o seu irmão, a sua esposa, , o pessoal da equipa da prensa, as personagens relacionadas com a Igreja, Anne...entre tantas outras, formam um leque imenso e muito bem articulado, que faz com que o enredo se torne riquíssimo e repleto de intriga. 

A forma como as personagens vão crescendo, como as suas mentalidades e atitudes se vão alterando está feita de tal maneira tão inteligente que o leitor vai crescendo com elas e acompanhando-as plenamente, podendo fazer o seu próprio juízo. Gostei imenso. 

Também gostei muito de todo o contexto histórico. As descrições de Mainz e de todo o espaço circundante estão excelentes. Não conheço muito sobre a Alemanha medieval e é com gosto que leio sobre tal, uma vez que me ajuda a compreender melhor este país e a conhecer o seu passado. Também aprendi factos interessantes sobre a invenção da prensa e sobre a edição da Bíblia neste formato. Toda a intriga entre Gutenberg, Peter e Johann Fust, bem como todo o sigilo e mistério em seu redor e das guildas todas, era para mim algo desconhecido e que assim pude ficar a saber. 

A narrativa segue o seu caminho natural, indo beber às fontes históricas nos momentos necessários e crescendo espontaneamente. A autora fez um trabalho excelente, usando uma linguagem descontraída, informal, fluída. Deixa sempre o leitor na expectativa com o enredo e com o que as personagens escondem atrás das suas atitudes e ações, deixando sempre um ar de mistério no ar. 

Recomendo vivamente, tanto àqueles que gostam imenso de Romance Histórico, como àqueles que querem ler um livro de qualidade, como àqueles que querem aprender mais...enfiam, a todos os que apreciam uma história real, escrita de forma fluída e com personagens interessantes e uma narrativa bem contextualizada e coerente. Uma excelente aposta da Saída de Emergência, que está de parabéns por mais um excelente livro, com um excelente design! 

NOTA (0 a 10): 10

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A Senda Estreita para o Norte Profundo, de Richard Flanagan

Sinopse:

Centenas de milhares de prisioneiros de guerra, entre eles numerosos australianos, são forçados pelos japoneses a um trabalho escavo nas selvas da Indochina durante a Segunda Guerra Mundial.

O romance de Richard Flanagan aborda as diferentes formas que o amor, a morte, a guerra e a verdade podem assumir, à medida que um homem envelhece e tem consciência de tudo o que perdeu. (in Goodreads)





Opinião:

Há bastante tempo que andava de olho neste livro, que ganhou o Man Booker Prize em 2013. Foi daqueles que assim que chegou à estante começou a ser lido, porque tinha esperado bastante por ele e não me desagradou.

A história passa-se na Segunda Guerra Mundial, num campo de prisioneiros de guerra, no meio da selva, em que os prisioneiros têm de construir o glorioso caminho de ferro do Japão, que ligaria este à Índia, e cuja obra tinha sido declarada impossível pelo mundo. Contada na terceira pessoa, mas com vários pontos de vista, o que nos é contado vai passando de momentos do presente, com a personagem principal, Dorrigo Evans, o médico e sargento dos prisioneiros australianos no caminho de ferro, a pensar e conversar sobre o seu passado com uma das suas amantes, passando por momentos de Dorrigo e de outros prisioneiros enquanto soldados aliados até serem prisioneiros dos japoneses, onde a narrativa se torna muito real e bruta, até a momentos de amor entre Dorrigo e a sua tia, Amy, um amor vivido em segredo nos momentos em que não estava de serviço, amor esse que vai alimentando Dorrigo através das suas provações no caminho de ferro.

Há poucos livros como este. A narrativa é extremamente cruel, mas de uma grande beleza, uma vez que o autor conseguiu trabalhar as palavras de modo a criar algo belo e puro onde nada é puro nem belo. As descrições são muitíssimo reais e duras, especialmente nos momentos em que são contados episódios do caminho de ferro. Algumas descrições e partes de diálogo são tão reais que até arrepiam, como uma parte de uma operação médica e outra de um castigo a um prisioneiro. Todas as descrições são muito vívidas e reais, até as dos momentos românticos entre Amy e Dorrigo ou entre Dorrigo e Ella (a sua esposa). Mas nesses momentos há sempre uma ligeira atmosfera de irreal, de etéreo e beleza que o autor conseguiu captar na perfeição.

Este livro é sobre a guerra, sobre dor, perda, amor, alegria e esperança. No meio de tanta coisa horrível e desesperada, muitas vezes as personagens conseguiam encontrar felicidade e esperança em pequenas coisas, como lembranças, achados e cartas. É também sobre o pós-guerra, tanto do lado vencedor como do lado dos vencidos, neste caso do Japão. Esses momentos são narrados de uma forma diferente, não tão cruel e intimista, mas de um modo mais suave, se bem que também um tanto frio.

Em suma, é um livro para refletir. Não é um livro que entretenha o leitor, nada do género. Se procuram algo leve e que sirva de distração, não vão por este livro. Mas se querem algo que deixe marca, que faça refletir e que seja forte, aqui está a melhor opção: um livro soberbo, magnífico, forte e arrebatador, devido à sua acutilância, força nua, fria, mas também cheia de ternura. Porque este livro está cheio de uma imensa ternura, em que o melhor do Ser Humano e o pior está em pleno confronto. É um livro que será para sempre um marco da História.

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Revolução da Mulher das Pevides, de Isabel Ricardo

Decidi apostar neste livro para a leitura conjunta no Cantinho do Fiacha, leitura essa que está a ser fantástica, e acho que fiz bem em fazê-lo, porque foi uma experiência muito boa! Não vou escrever spoilers sobre a história, uma vez que a leitura ainda está a decorrer, se bem que na fase final, mas serve este texto para clarificar a minha opinião em relação a esta obra. 

 

Sinopse:

Os exércitos de Napoleão ocupavam Portugal. Uma mulher, armada apenas da sua beleza e argúcia, vai despoletar a revolução para os expulsar.


Perante os canhões e as balas dos exércitos franceses, Ana Luzindra só tinha uma arma: a sua beleza. Mas a beleza também pode ser mortal.

A Revolução da Mulher das Pevides transporta-nos para os anos de terror das invasões francesas. A morte e a crueldade marchavam lado a lado com os exércitos veteranos de Napoleão. E enquanto a Família Real fugia para o Brasil, o povo ficava para suportar todo o tipo de humilhações.


Na vila da Nazaré, Ana Luzindra é parteira de profissão e uma mulher simples. Para fazer frente aos canhões e balas dos franceses só tem uma arma: a sua estonteante beleza. Atraindo-os, um a um, para a morte na calada da noite, a jovem inspira toda uma comunidade e pegar em pedras e paus para expulsar os invasores.

A Revolução da Mulher das Pevides, expressão da Nazaré que significa “algo insignificante”, foi tudo menos isso: pelo sobressalto que pregou aos franceses, e pela posterior vingança desproporcionada que estes praticaram sobre a Nazaré, acabou por ser um dos momentos mais importantes da invasão, e inspiraria o longo e árduo caminho dos portugueses e aliados até à derradeira vitória sobre as tropas do temível Napoleão.


Recorrendo a uma pesquisa exaustiva, Isabel Ricardo oferece-nos um bilhete para um dos períodos mais importantes da História de Portugal.
(in Edições Saída de Emergência)

Opinião:

Este é o segundo livro que leio da autora (o primeiro foi O Último Conjurado, também para leitura conjunta) e devo dizer que gostei de ambos. Tendo em conta o contexto histórico, acabei por gostar mais do O Último Conjurado, uma vez que gosto mais dessa época, mas em relação à narrativa em si, gostei muito dos dois! 

A autora fez um excelente trabalho com este tema. Pegou num título que é bastante curioso e criou uma história completamente envolvente e real, uma vez que é verídica em praticamente todos os momentos. O contexto histórico (início das Invasões Francesas em Portugal) está maravilhosamente trabalhado, o que faz com que se aprenda, de facto, algo sobre a nossa História, algo que não se aprende na escola. Mas este não é um livro maçudo ou cheio de descrições, antes pelo contrário. Isabel Ricardo baseou-se na história dos seus antepassados, pesquisou bastante, deu vida a personagens reais e cheias de personalidade, e escreveu uma história cheia de ação, mistério, romance, humor e momentos de grande tensão, tudo de acordo com um perfeito tratamento do contexto histórico. Os meus parabéns à autora por ter feito um excelente trabalho, por ter escrito esta maravilhosa narrativa e por nos dar a conhecer esta história. 

Em relação às personagens, encontrei em todas um carácter diferenciador entre si, o que é sempre bom. Gostei bastante de Junot, não dele, mas da forma como a autora o retratou, porque acho que a ela conseguiu caracterizá-lo muito bem, pois era assim que o imaginava quando estava nas aulas de História a aprender sobre esta época. Gostei muito de todas as personagens do núcleo do Sítio da Nazaré, que também foi o local que mais curiosidade me despertou em relação aos diversos espaços presentes ao longo da narrativa. Também gostei muito de Rodrigo e do seu amigo Diego, que proporcionaram uns belos momentos de humor e também de emoção. 

Outro aspeto que muito me agradou foi o facto de a autora ter escrito as falas das personagens da Nazaré de acordo com a fonética/sotaque das personagens. Encontrei nisso bastante sentido e gostei muito, porque deu mais carisma à história e também uma certa força, que muito me agradou. 

Voltando ao contexto histórico, gostava de refletir sobre a aprendizagem que fiz em relação a este tema ao longo da leitura da obra. Uma vez que não me é desconhecida esta parte da nossa História (e não é das que mais me fascina), foi com bastante curiosidade que me vi a mudar de opinião em relação a algumas ideias que tinha antes de de a ler. Ou seja, até à data da leitura do livro, sempre tinha achado que a fuga da família real tinha sido um ato cobarde e de abandono do povo às mãos dos invasores. No entanto, depois de ler o livro, fiquei com outra ideia, que é a que a autora aborda: a saída da família real acabou por ser uma forma de salvaguardo o reino e a si mesma enquanto independente, uma vez que, se D. João tivesse seguido as ordens de Napoleão, tinha ficado sem o seu reino, uma vez que a capital (Lisboa) tinha ficado para Napoleão. Assim, como a capital mudou para o local da família real, Napoleão não ganhou o que mais queria. Gostei de refletir sobre este aspeto enquanto lia o livro. 

Aqui está mais uma prova de que o Romance Histórico é dos géneros literários mais ricos, mais densos e mais sábios da literatura, porque servem diversos propósitos, como o prazer de ler e o prazer de aprender. 

Em suma, mais uma excelente aposta da Saída de Emergência, que fez um excelente trabalho gráfico com o livro, mais uma vez. Muito bom! Os meus parabéns à autora por ter partilhado esta histórica com os leitores e pelo excelente trabalho que fez. Espero que a história continue, porque tem tudo para isso! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 11 de outubro de 2015

O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, de Maurice Druon

Mais uma bela surpresa da Marcador! Depois de ter ficado bastante curiosa sobre o livro devido à sua sinopse e às suas críticas, não pude resistir a lê-lo...e ainda bem que o fiz, porque é excelente! E como é a grande referência para a obra de George Martin (As Crónicas de Gelo e Fogo), não podia mesmo deixar de ler, uma vez que sou fã.



Sinopse: 

O Rei de Ferro - Filipe, o Belo - é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês - que parece preferir a companhia de homens.
Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.
O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.
Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
(in Marcador)

Opinião:

Este é o primeiro livro da saga dos Reis Malditos e que narra acontecimentos verídicos passados nos finais da Idade Média, na Europa, principalmente entre França e Inglaterra. Este volume é a introdução, praticamente, ao início da Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, e está muito bom. O autor é fantástico. A sua escrita...a própria narração é única. Existe um certo humor em vários momentos e em certas expressões ao longo da obra, que são como que comentários às ações das personagens que me fizeram por várias vezes sorrir e até dar algumas gargalhadas. Esse foi um dos aspetos que me fez gostar imenso da história. Aliás, desfrutei completamente deste livro, deu-me bastante prazer lê-lo por isso e também porque é um dos Romances Históricos lidos até agora que mais se pareceu com uma aventura épica e um autêntico evento de conspiração e ação. Excelente!

Outro aspeto que me fez gostar muito foi o facto do contexto estar excelente. O autor fez um grande trabalho de pesquisa que culminou em algo mais do que narrar os acontecimentos históricos. Maurice Druon conseguiu pegar nas informações históricas e dar-lhe vida própria. Por vezes parece que até não é um livro que retrata factos verídicos, mas sim um livro de ficção, tal não é a forma fantástica de contar, mais do que narrar os acontecimentos históricos, do autor. 

Em relação às personagens, posso afirmar que é uma maravilhosa e única panóplia de indivíduos. Desde o Rei de Ferro, Filipe, o Belo, que é uma personagem bastante carismática, até ao seu filho e sucessor, Luís, o Teimoso, que me fez várias vezes ficar admirada com a sua forma de reinar e tomar decisões (pois é ridícula e deveras medíocre, especialmente em relação ao sei pai), as personagens estão tão bem caracterizadas e reais que parece que estão vivas e que saem das páginas do livro para dialogarem e agirem à nossa frente, como que num plano em três dimensões. Não posso dizer que tenha havido uma personagem da qual gostei mais (porque são todas excelentes e bem elaboradas, todas distintas umas das outras) , se bem que Guccio Baglioni acabou por ser aquele que mais me agradou, bem como o seu amor por Maria Cressay, talvez pelo cariz mais romântico do casal e aventureiro da parte dele, tal como o relevo das suas ações para o desenrolar dos acontecimentos.

Também gostei das descrições, que são na medida certa e só aparecem quando extremamente necessárias para a compreensão do contexto. A ação e a complexidade política e conspiratória são os grandes ingredientes desta narrativa, tal como aconteceu na realidade. 

Fiquei a saber mais sobre este período históricos e também sobre a História da França, que, confesso, só ter mais conhecimentos após a Revolução Francesa. Os Romances Históricos que leio com mais frequência são sobre Inglaterra, talvez porque também é o reino que mais me fascina (expeto o nosso) e foi com grande prazer que pude ler este sobre França (se bem que a Inglaterra também está bem presente...ou não seria a Inglaterra e a França um par sempre ligado em factos históricos). 

Em relação ao facto de ter sido nesta saga que George Martin se inspirou, em parte, não pude deixar de tentar fazer comparações e encontrei algumas, que não vou aqui referir. Prefiro fazer com que os leitores de Martin fiquei curiosos e vão ler este livro!

Em suma, um excelente Romance Histórico que recomendo totalmente. Espero ler os próximos volumes brevemente porque fiquei muito curiosa com o que se passou a seguir, uma vez que o final do livro promete muitas mais conspirações e aventuras.

NOTA (0 a 10): 9
O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Guerra e Paz Vol. II, de Lev Tolstoi

Foi com grande satisfação que recebi o segundo volume desta obra clássica e logo comecei a lê-lo, para ficar a conhecer os destinos das personagens que tinha ficado a conhecer no primeiro volume.



Sinopse:

Edição comemorativa dos 150 anos da publicação do melhor romance de sempre.


A Rússia continua a ser devastada pelos exércitos de Napoleão, e as mortes e tragédias sucedem se, ligando-se indelevelmente às vidas das personagens. Estamos no início do século XIX, um dos mais conturbados da história da Rússia, e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Ainda assim, apesar de a felicidade parecer algo impossível de ser vivido em tempos de guerra, há bailes e casamentos, aventuras e diversões, festas e grandiosos momentos.
Guerra e Paz é um verdadeiro clássico da literatura universal, e aqui chegamos ao seu último volume. Eis uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Depois de ter lido o primeiro volume e de o ter achado um pouco descritivo e sem muita ação, foi com alegria que constatei, ao começar a ler este e lá mais para o meio, que o enredo se estava a compor. Mais ação, mais drama e mais emoção são os três ingredientes que aparecem a mais neste volume e que me agradaram bastante. 

A guerra está mais cruel, as personagens começam a deixar de viver num mundo de bailes e festas e começam a ver que todo aquele espetáculo não é mais do que uma farsa e que o cerne da questão real é muito mais vasto e obscuro. Começa a haver a luta de classes e as classes mais baixas têm o seu papel, vital para a mudança de muitas das personagens principais. As personagens masculinas, que andam pelos cenários de guerra, começam a ter mais lutas entre si. Gostei bastante do destaque que Peter continua a ter e das peripécias por que passou ao longo deste segundo volume e que o fizeram crescer enquanto ser humano. 

O sarcasmo e a ironia, bem como a filosofia, continua a ser um marco bastante forte desta obra. Tolstoi é um mestre do sarcasmo e isso ajudou-me a gostar da história porque contribui para atenuar a grande quantidade de momentos descritivos e mais parados, que apesar de serem em menor número neste volume, continuam a existir. 

Gostei mais de como a história se desenrolou nesta parte. As personagens estão mais interessantes, cresceram muito mais e já não estão tão fúteis, principalmente as personagens femininas. Existe uma humanização das personagens, dos seus atos e das suas ideias. Também aparece mais vezes Napoleão, o que é interessante.

Este livro vem uma parte final apenas sobre questões para debate relacionadas com temas pertinentes, sociais e filosóficos que podem interessar ao leitor. Eu li com gosto para compreender melhor a mente do autor e achei interessante a sua presença no final da obra, uma vez que esta é uma grande narrativa sobre questões complexas, sociais, morais, económicas, humanas. Esta obra será eterna por isso mesmo. Não porque a história seja maravilhosa ou extremamente bela, que até não o é, mas porque a sua base é verdadeira, real e eterna. Questões como a luta de classes, a alienação dos problemas reais da sociedade, as guerras, o amor, o perdão, as rivalidades...todas essas questões são parte constituinte do ser humano e nunca o abandonarão. Por isso é que esta obra vai continuar a ser lida e a ser amada através dos tempos, pelas grandes questões que levanta e que aborda.

Em suma, aqui está uma bela conclusão para uma obra de relevo mundial. Um clássico soberbo e muito bem escrito, repleto de sarcasmo e ironia, repleto de sentimento e emoção. Uma obra eterna que todos deviam ler e refletir. Quero, novamente, elogiar o design da capa e do interior, que continua excelente!

NOTA (0 a 10): 7

sábado, 19 de setembro de 2015

The Museum of Extraordinary Things, de Alice Hoffman

Descobri este livro no Goodreads e fiquei muito encantada com a sua capa em que aparece uma espécie de RX de uma sereia (não da minha edição). Depois de ler a sinopse fiquei ainda mais interessada e quando o encontrei na Bertrand foi com gosto que o trouxe comigo, apesar de não ter aquela capa que havia chamado a minha atenção primeiramente. 



Sinopse: 

Duas personagens distintas. Nova Iorque e Brooklyn na década de 1910. Magia, Ciência, invenções, espetáculos e um grande fascínio por elementos estranhos, diferentes. Fotografia, família, ilusões. Estes são os pontos chave de uma história que prima pela subtileza, pela delicadeza e pela beleza com que é narrada a vida das duas personagens principais: Coralie Sardie e Eddie Cohen. 

Coralie é filha de um cientista e mágico francês que assentou o seu negócio em Coney Island: o Museu das Coisas Extraordinárias, museu com raridades, aberrações e seres e objetos estranhos e fascinantes, com atuações de indivíduos com alguma característica peculiar. Também ela com algo peculiar, cedo é afastada da sociedade e passa a ser apenas a filha de Sardie, sempre na sombra, sempre sujeita às ordens do seu pai, por mais estranhas que estas sejam, apenas a mais uma das exibições do seu pai. Apenas com a presença de Maureen, a empregada de Sardie, Coralie cresce e acaba por começar a por em causa toda a sua existência e a sua história. 

Eddie, de nome Ezekiel, é filho de um casal de judeus russos, que depois da sua aldeia ter sido incendiada, conseguiu fugir com o seu pai desde a Rússia até Nova Iorque. Sujeito ao trabalho numa fábrica de roupa desde pequeno, Eddie acaba por tentar ser algo mais do que um trabalhador numa fábrica em que a exploração é total e começa a frequentar outros locais, acabando por sair da fábrica e começar a trabalhar para um famoso mágico e depois para um fotografo, acabando por se tornar ele mesmo fotografo e abandonar o seu pai. A viver uma vida de riscos, Eddie começa a por também em causa as suas decisões e ações ao longo dos tempos. 

Duas personagens sofridas, com histórias distintas mas parecidas, Coralie e Eddie são a base desta história, que é muito mais do que uma simples história de amor ou de mistério. 

Opinião:

Esta história é muito especial. Dei por mim a atrasar a sua leitura, a ler aos bocadinhos e a saborear cada momento, cada linha e cada palavra. De uma beleza única, com uma fluência magnífica e mágica, esta narrativa é um conjunto de momentos da vida das personagens, intercaladas com acontecimentos e pessoas reais, que forma um padrão forte e repleto de beleza e também de emoção. 

Pode parecer um bocado lenta no início, mas esta narrativa tem um ritmo muito próprio e o leitor necessita de entrar nele para poder desfrutar totalmente da história. Pode também parecer um bocado a história de O Circo dos Sonhos, mas não é. É ainda mais especial e mais diferente. Talvez por ter sido baseada em factos verídicos ou por ter um cariz muito mais negro do que O Circo dos Sonhos, esta história é muito melhor. 

Não é uma história cor de rosa ou suave, antes pelo contrário. É um show de elementos estranhos e acontecimentos reais que foram terríveis e de acontecimentos fictícios que também foram bastante inquietantes e que são narrados com imensa mestria. O mistério e o suspense está presente em toda a obra e o desenrolar dos acontecimentos está muito bem elaborado, uma vez que a sequência da narração destes tendo em conta as perspetivas de Coralie e de Eddie (há POV'S duas duas personagens, em diferentes momentos, para uma excelente contextualização dos eventos) é perfeita. Excelente coerência e contextualização história também são factores de relevo e que demonstram a mestria da autora, que conseguiu criar uma história aparentemente simples, com um pano de fundo aparentemente simples também, mas que de simples nada tem, antes pelo contrário: é uma história densa, complexa, repleta de personagens com passados envoltos em sombras e mistério. 

Em relação às personagens, tanto Coralie como Eddie são excelentes. Gostei de ambos e não consigo escolher de qual gostei mais, por isso gostei dos dois na mesma medida. Complexos e cheios de dúvidas e segredos, Coralie e Eddie são excelentes narradores, que conseguem prender o leitor ao enredo de uma forma muito agradável. Acabei por estar sempre na expectativa em relação ao que viria a seguir, mas sempre sem querer ler muito de cada vez, para aumentar o suspense e prolongar a leitura deste livro, que foi um prazer. Quanto às outras personagens, também são todas interessantes e complexas, todas necessárias para o enredo. Gostei muito de Maureen, principalmente.

No que diz respeito ao enredo, gostei de todos os momentos, principalmente em relação ao mistério em volta do desaparecimento de Hannah Weiss, do museu em si e da relação entre Coralie e Eddie. Também gostei da forma como a História das cidades presentes no enredo está presente, mostrando a luta das classes trabalhadoras, principalmente da classe feminina e da luta por melhores condições a todos os níveis, sociais, económicos e de dignidade.

Esta é uma história de procura de redenção, de procura da verdade, da procura da liberdade e da luta pelo amor, seja ele qual for. É uma história muito bonita, mas que também apresenta uma grande dose de outros elementos mais negros e sombrios, transformando-a num belo romance a chegar-se para o gótico. 

Sem dúvida um dos melhores livros que li até agora, recomendo totalmente. Espero que seja editado por cá, porque é maravilhoso e de certo que terá muitos leitores, porque é uma história deveras apaixonante, que transmite uma grande força e uma grande resistência em lutar por algo melhor e que tenha significado. 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 5 de setembro de 2015

Guerra e Paz Vol. I, de Lev Tolstoi

O muito aclamado romance de Tolstoi chegou agora à Saída de Emergência e tive a oportunidade de o ler. Considerado por muitos o melhor romance de sempre e adaptado por diversas vezes para o cinema e televisão, este é um livro que todos devemos de ler. 


Sinopse:

Guerra e Paz é o verdadeiro clássico da literatura universal. No início do século XIX, a Rússia é devastada pelos exércitos de Napoleão e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Tanto as vidas mais mundanas como os faustosos bailes, as tramas políticas ou as violentas campanhas bélicas do Czar Alexandre são trabalhadas com o realismo e limpidez que caracterizam o génio de Lev Tolstoi. Sempre presentes estão as desigualdades sociais e os caprichos de uma aristocracia vã e indiferente à miséria e ao sacrifício.

Esta é uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Esta é a minha primeira experiência com Tolstoi; a primeira parte desta obra. Gostei bastante da escrita e do sarcasmo e ironia presentes em praticamente todas as frases do livro e isso foi um dos principais aspetos que mais me agradou. Escrito numa época conturbada, Guerra e Paz é o reflexo do seu tempo e uma crítica gigante a outra época conturbada: as Invasões Francesas.  E isso está extremamente bem retratado ao longo da obra. 

No entanto, a nível do enredo senti que existem alguns aspetos que estão em demasia, como, e principalmente, as extensas cenas de bailes e festas dadas pela faustosa nobreza presente na obra. Achei que existe uma grande incidência dessas cenas e que acabaram por tornar a leitura um pouco mais lenta em alguns momentos, porque não gosto muito deste tipo de cenas, com grandes descrições sociais e que só servem para mostrar e a hipocrisia e as mentiras que estes acontecimentos sociais escondem. E também porque essas cenas não apresentam muita ação e emoções. 

Estava à espera de uma maior pujança nas cenas de guerra e de romance e, a meu ver, isso acabou por não acontecer. As descrições são soberbas, belas; a ironia está sempre presente e dei por mim a sorrir quando os soldados estão mais preocupados com os seus uniformes do que com a sua sobrevivência e a estratégia, o que acaba por ajudar às derrotas por eles sofridas. 

Em relação às personagens, estas são interessantes e complexas, com um grande desenvolvimento, na maior parte, principalmente porque a história abrange um longo período de tempo. Gostei principalmente do príncipe André e de Peter, bem como do círculo de Rostov. Acabei por gostar mais das personagens masculinas do que das femininas, talvez pelo facto dos homens aparecem em mais cenas diferentes do que as mulheres, que aparecem quase sempre nas ocasiões sociais, fazendo com que pareçam apenas decorações e bastante fúteis. 

Gostei muito do livro enquanto reflexão e critica social, mas não consegui sentir uma grande empatia pelas personagens e isso acabou por fazer com que o livro não me tivesse "enchido as medidas". Porém, reconheço que é uma obras esplêndida e que as suas características são bastante idênticas às outras obras escritas naquele período histórico. 

Encontrei grande significado na forma como o autor ironizou a futilidade humana e a mesquinhez durante um período tão conturbado como o foi o "reinado" do Imperador Napoleão Bonaparte e como isso só contribui para deteriorar a sociedade e os seus valores. Nesta obra é retratado uma visão social bastante acutilante e uma crítica à hipocrisia de valores e atitudes da classe mais alta da sociedade, que vê tudo como um grande baile ou uma grande receção social, onde tudo está iluminado e brilhante para esconder a escuridão e a sujidade da nobreza e da riqueza. 

Em suma, Guerra e Paz é de facto uma grandiosa obra e um maravilhoso romance, que acaba por ser, principalmente uma reflexão e uma crítica que não deixa de estar atual em todos os momentos históricos. Um bom livro ou uma boa primeira parte do livro. Espero gostar mais da segunda parte. E ainda quero elogiar a maravilhosa capa e o design interior, que está cheio de requinte.

NOTA (0 a 10): 7