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sexta-feira, 9 de julho de 2021

The Binding, de Bridget Collins

Sinopse:

Emmett Farmer é um filho de agricultores que, devido a uma doença que o aflige, acaba por se e tornar um aprendiz de "encadernador" (tradução livre de binder). O seu trabalho é construir todos os materiais necessários para ajudar no trabalho do encandernador, trabalho esse que tem algo de mágico: capturar memórias e colocá-las nas páginas para encadernar, formando assim um livro único e mágico. As memórias desaparecem e a pessoa que recorre ali deixa de se lembrar de tais acontecimentos que decidiu esquecer e colocar no livro.

Mas quando Emmett descobre um livro com o seu nome, não sabe como agir e o que tal significa. O que será que está no livro? Poderá ter ali a resposta para muito do que o atormenta? 

É no meio deste clima de mistério que aparece Lucian Darney, um rapaz misterioso que parece saber mais daquilo que se passa com Emmett do que o próprio Emmett. 


Opinião:

Um dos livros mais belos que li até hoje. De uma beleza imensa, tanto a nível de escrita, como de atmosfera criada, como de enredo e personagens. 

A história é toda ela contada como se fosse um mistério, sendo revelado aos poucos, como que à medida que Emmett vai desvendando os seus mistérios e depois, mais tarde, Lucian. É como que um puzzle e isso faz com que o enredo se torne viciante e assustador, porque o leitor nunca sabe o que vai aparecer na página seguinte, mas por um lado não quer partir o coração, mas por outro tem de saber o que se passa...é um ritmo tranquilo mas imensamente alucinante, exatamente porque parece calmo, mas não é. Isso é surreal e lindo! A narrativa vai desenvolvendo-se assim com enorme mestria. 

Para a beleza e mestria da história faz parte também a forma como as descrições, tanto dos sentimentos, emoções, como do ambiente e dos locais, estão feitas. Todas essas descrições são como que personagens que ajudam a compor a história e isso faz com que o leitor consiga imaginar-se plenamente no meio dos diferentes espaços da história. Tal é perfeito! E também faz com que o leitor consiga criar uma ligação emocional muito forte com as personagens. 

Em relação às personagens, como elas são únicas e muito interessantes. Todas elas, apesar de haver algumas, bastantes, que só dá vontade de odiar. Mas isso significa que estão bem construídas. Gostei muito de Emmett e de Lucian, e a jornada que os dois fazem ao longo do livro é fantástica e muito emocionante. Uma bonita história, cheia de momentos especiais e muito emocionantes. Acho que ninguém fica indiferente a este livro, nem a estas personagens. 

A história é narrada a um ritmo muito suave, muito tranquilo, mas muito inquietante e assustador, o que deixa o leitor cheio de teorias e ideias. O que terá acontecido? O que se passou? Porquê? Só algumas das perguntas que surgem na mente do leitor enquanto está a ler este excelente livro. 

Em suma, uma leitura fantástica, muito emocionante e que emociona, repleta de momentos de cortar o coração, mas também que enchem a alma e transmitem uma beleza muito grande. Mas também que inquietam e tocam temas muito importantes. Recomendo totalmente! 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 12 de julho de 2016

Fool's Assassin, de Robin Hobb

Sinopse:

Vários anos depois dos acontecimentos passados na trilogia (por cá com cinco livros) O Regresso do Assassino ou em inglês Tawny Man, Robin Hobb traz-nos uma nova aventura destas personagens tão amadas: FitzCavalaria e o Bobo.

Depois de ter casado com Molly e de ter ido viver para Wittywoods, Fitz está satisfeito com o que tem: uma família, uma casa, paz, sossego e amor. Até que, durante a Festa de Inverno, aparecem uns estranhos na sua casa, bem como uma mensageira que desaparece misteriosamente, deixando um rasto de sangue. Dos estranhos também nada descobre, mas a dúvida fica lá e durante muitos anos nada de extraordinário acontece, a não ser o nascimento de Abelha, filha de Fitz e Molly, que todos pensavam ser impossível. Muito pequena, pálida e loura, Abelha cedo demonstra ser um bebé diferente: silenciosa, apática e estranha. Os criados começam a ter medo dela, bem como pena e à medida que ela vai crescendo, mais devagar do que normalmente para uma criança, todo o pessoal da casa a ostraciza e teme, excepto os pais e irmãos, que a amam imenso, mas pensam ser também diferente ou com algum problema.

Mas Abelha é muito mais do que aquilo que todos pensam ser e quando aparece uma nova mensageira, muitos anos mais tarde, com uma mensagem do Bobo, Fitz tem que decidir entre proteger a sua filha e educá-la e ajudar o seu amigo de sempre.



Opinião:

É com enorme gosto e prazer que leio os livros desta autora. Mergulhar neste mundo criado por Robin Hobb é como voltar atrás no tempo e percorrer os caminhos de Fitz desde pequeno. É relembrar a sua história e as suas aventuras, bem como a história dos Seis Ducados. Não é segredo nenhum que estes são dos meus livros favoritos e o Fitz é das minhas personagens favoritas, se não a favorita. Portanto, não podia deixar de gostar deste livro, que inicia uma nova trilogia.

Este é o outro livro mágico e maravilhoso em que Fitz volta a ser o narrador da sua história de vida. Mais velho, mas nada diferente daquilo a que nos foi habituando, Fitz regressa em grande, com um dilema bem diferente e difícil para resolver. Não posso dizer que as personagens estão mais maduras, porque depois de dez livros, todas as personagens já amadureceram bastante e Fitz continua o mesmo "rapaz" de sempre, um tanto confuso, mas fantástico e que só dá vontade de abraçar. Agora é um homem feito, de cinquenta e tal anos, mas continua com a sua personalidade única.

Quanto às outras personagens, todas continuam no seu melhor: Molly está como sempre esteve, calma e doce; Breu continua o mesmo intriguista e sabichão; Urtiga continua inteligente e cheia de astúcia, apenas para mencionar algumas das personagens. E depois temos as novas personagens, em especial Abelha. Gostei imenso dela. Diferente, realmente, mas com uma história grande, Abelha é única, especial e tem alguns capítulos só seus, em que é a narradora e onde mostra a sua maneira de ser e estar. 

O enredo é muito interessante. A história desenrola-se calmamente, pelo menos até dado momento. Com um principio cheio de ação, um meio mais calmo e um desenlace cheio de surpresas e emoções, esta nova aventura dá-nos uma perspetiva mais quotidiana da vida do Fitz e de Abelha, principalmente. No entanto, existem momentos de grande emoção, como que uma espiral de acontecimentos que dão sentido a todas as partes mais calmas da história. Gostei da forma como a autora foi conduzindo o enredo: ao seu ritmo, sem pressas, com muita delicadeza e harmonia, terminando num momento alto e de grande sentimento. Penso que, pelo facto dos livros anteriores publicados cá em Portugal terem sido divididos, nunca me tinha apercebido totalmente da organização da autora, que é muito semelhante em todos os livros que tenho lido dela.

A escrita continua a ser maravilhosa. Hobb conta uma história como uma autêntica contadora de histórias de antigamente, quando a oralidade era mais relevante do que a escrita, nos começos de tudo. Pode parecer estranho começar o parágrafo a escrever sobre escrita e ir para a oralidade e para um período em que esta não tinha tanto relevo ou não era tão reconhecida, mas a analogia é verdadeira. Estar a ler o livro é como se estivesse a ouvir a autora a contar a história, tal não é a proximidade, beleza e envolvimento criado pela autora.

As descrições continuam fabulosas, os pormenores são riquíssimos e muito bem colocados. Tudo está colocado no seu devido lugar. Não existem pontas soltas, nem nada do género. Existe sim um belo mistério para resolver.

Só posso recomendar a leitura deste livro. Para quem ainda não leu nada da autora, recomendo que comece com a saga Aprendiz de Assassino, publicada cá pela Saída de Emergência. Para quem já leu esses todos, acho que devia continuar a ler esta autora. Gostava muito que a editora continuasse a publicar por cá.

Citações (as traduções são feitas por mim):

Molly, just to have you sleep beside me every night is the fulfilment of my dream of years. (Molly, ter-te a dormir comigo todas as noites é a realização do meu maior sonho.)

You'll do well, if you don't mire in self-pity. Self-pity only gets you more of the same. Don't waste time on it. (Vais conseguir, se não passares o tempo a ter pena de ti mesmo. Isso só traz mais do mesmo.)

A secret is only yours so long as you don't share it. Tell it to one person, and it's a secret no more. (Um segredo só é teu enquanto não o partilhares. Conta-o a uma só pessoa e deixa de ser segredo.)

NOTA (0 a 10): 10