quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

The Fiend and the Forge, de Henry H. Neff

Depois de ter lido os dois primeiros livros desta saga (A Tapeçaria, em Português) há já alguns anos, esperei que a Presença traduzisse o terceiro. Mas a espera estava a ser demasiado longa e cerca de três anos depois decidi lê-lo em Inglês. Ainda bem, porque é excelente.


Sinopse:

Max McDaniels, depois dos acontecimentos passados durante o Cerco de Rowan, vê-se a braços com uma realidade diferente. Os feiticeiros perderam a sua batalha contra os demónios e estes conquistaram a Terra, alterando-a e impondo as suas regras. Prusias, um dos demónios, chega a Rowan e funda uma sede para controlar a escola e põe todos sob as suas ordens. Mas, quando Max, depois de tentar fazer tudo para não perturbar o equilíbrio entre esses seres e os humanos (quebrar as regras seria a destruição para Rowan), descobre que o seu pai afetivo foi morto por Vyndra (outro demónio), jura vingar-se e parte para Blys, a terra de Prusias. 

Opinião:

Dos três primeiros livros desta saga, este é aquele que apresenta um enredo mais adulto, mais detalhado, mais trabalhado e mais escuro. Deixamos de ter alunos numa escola de feitiçaria, deixamos de ter conversas normais entre adolescentes e deixamos de ter aspetos superficiais e não muito relevantes. Max torna-se naquilo que não tinha sido, pelo menos para mim, nos outros livros: o protagonista da história. Mais crescido, mais maduro e mais terrível, Max faz jus a toda a sua fama que conquistou ao longo da história. Agora sim, parece realmente ser aquilo que dizem que ele é, filho de Lugh, um dos deuses da mitologia celta.

Em relação às personagens, o que referi sobre Max tenho a referir sobre todas as outras. Fiquei um bocadinho desapontada pelo facto de o David não aparecer tanto como nos livros anteriores, mas sempre que apareceu, esteve sempre no seu melhor...e também se percebe muito bem porque é que ele não está tão presente ao longo da história, uma vez que o que anda a fazer é segredo. Existem novas personagens, muito bem desenvolvidas e muito bem encontradas. E aparecem personagens que vão fazer grande diferença nos próximos livros, o que é ainda melhor.

Quanto ao enredo, este acompanha o crescimento das personagens. O autor não teve o mínimo problema em "chocar" os seus leitores, tendo em conta o público mais juvenil da saga. Existem momentos de grande emoção e de grandes descrições que, à primeira vista, não seriam para este género de livro e idade. Ainda bem que Neff optou por não ir por um caminho suave e cor de rosa, porque isso ia fazer com que as aventuras de Max e David não tivessem o mesmo interesse. Gostei do tom mais sério e mais adulto deste livro, em comparação com os anteriores, porque o desenvolvimento do enredo neste é muito mais denso e complexo. Existe uma maior complexidade e uma maior contextualização do próprio mundo em si, o que é muito interessante.

Também tenho de referir as maravilhosas ilustrações do autor, que acompanham o leitor ao longo da obra e dão sempre um ar de mistério e beleza. Gosto sempre de encontrar ilustrações nos livros e sou da opinião que deviam haver mais, em todos os géneros e para todas as idades. Quando pego num dos livros de Neff, a primeira coisa que faço é ver as ilustrações...tanto para as apreciar como para tentar desvendar algo. É uma atividade que gosto muito e que penso que muitos dos leitores que gostam de ilustrações também o sentem.

Portanto, é uma pena que a Presença não continue a apostar nesta saga. Editou os dois primeiros e ficou por aí...talvez lá mais para a frente volte a editar, mas já o devia ter feito, porque esta é uma história de enorme qualidade, que apenas não foi bastante divulgada. Penso que em vez de estarem sempre a compará-la a Harry Potter, as pessoas deveriam divulgá-la e dar-lhe o devido valor. Pode ter parecenças com os livros do Harry, mas tem muito de diferente. Aliás, é muito diferente e ambas as sagas são excelentes. Vou continuar a querer acompanhar as aventuras destas personagens! Espero que voltem a ser editadas em português.

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Revolução da Mulher das Pevides, de Isabel Ricardo

Decidi apostar neste livro para a leitura conjunta no Cantinho do Fiacha, leitura essa que está a ser fantástica, e acho que fiz bem em fazê-lo, porque foi uma experiência muito boa! Não vou escrever spoilers sobre a história, uma vez que a leitura ainda está a decorrer, se bem que na fase final, mas serve este texto para clarificar a minha opinião em relação a esta obra. 

 

Sinopse:

Os exércitos de Napoleão ocupavam Portugal. Uma mulher, armada apenas da sua beleza e argúcia, vai despoletar a revolução para os expulsar.


Perante os canhões e as balas dos exércitos franceses, Ana Luzindra só tinha uma arma: a sua beleza. Mas a beleza também pode ser mortal.

A Revolução da Mulher das Pevides transporta-nos para os anos de terror das invasões francesas. A morte e a crueldade marchavam lado a lado com os exércitos veteranos de Napoleão. E enquanto a Família Real fugia para o Brasil, o povo ficava para suportar todo o tipo de humilhações.


Na vila da Nazaré, Ana Luzindra é parteira de profissão e uma mulher simples. Para fazer frente aos canhões e balas dos franceses só tem uma arma: a sua estonteante beleza. Atraindo-os, um a um, para a morte na calada da noite, a jovem inspira toda uma comunidade e pegar em pedras e paus para expulsar os invasores.

A Revolução da Mulher das Pevides, expressão da Nazaré que significa “algo insignificante”, foi tudo menos isso: pelo sobressalto que pregou aos franceses, e pela posterior vingança desproporcionada que estes praticaram sobre a Nazaré, acabou por ser um dos momentos mais importantes da invasão, e inspiraria o longo e árduo caminho dos portugueses e aliados até à derradeira vitória sobre as tropas do temível Napoleão.


Recorrendo a uma pesquisa exaustiva, Isabel Ricardo oferece-nos um bilhete para um dos períodos mais importantes da História de Portugal.
(in Edições Saída de Emergência)

Opinião:

Este é o segundo livro que leio da autora (o primeiro foi O Último Conjurado, também para leitura conjunta) e devo dizer que gostei de ambos. Tendo em conta o contexto histórico, acabei por gostar mais do O Último Conjurado, uma vez que gosto mais dessa época, mas em relação à narrativa em si, gostei muito dos dois! 

A autora fez um excelente trabalho com este tema. Pegou num título que é bastante curioso e criou uma história completamente envolvente e real, uma vez que é verídica em praticamente todos os momentos. O contexto histórico (início das Invasões Francesas em Portugal) está maravilhosamente trabalhado, o que faz com que se aprenda, de facto, algo sobre a nossa História, algo que não se aprende na escola. Mas este não é um livro maçudo ou cheio de descrições, antes pelo contrário. Isabel Ricardo baseou-se na história dos seus antepassados, pesquisou bastante, deu vida a personagens reais e cheias de personalidade, e escreveu uma história cheia de ação, mistério, romance, humor e momentos de grande tensão, tudo de acordo com um perfeito tratamento do contexto histórico. Os meus parabéns à autora por ter feito um excelente trabalho, por ter escrito esta maravilhosa narrativa e por nos dar a conhecer esta história. 

Em relação às personagens, encontrei em todas um carácter diferenciador entre si, o que é sempre bom. Gostei bastante de Junot, não dele, mas da forma como a autora o retratou, porque acho que a ela conseguiu caracterizá-lo muito bem, pois era assim que o imaginava quando estava nas aulas de História a aprender sobre esta época. Gostei muito de todas as personagens do núcleo do Sítio da Nazaré, que também foi o local que mais curiosidade me despertou em relação aos diversos espaços presentes ao longo da narrativa. Também gostei muito de Rodrigo e do seu amigo Diego, que proporcionaram uns belos momentos de humor e também de emoção. 

Outro aspeto que muito me agradou foi o facto de a autora ter escrito as falas das personagens da Nazaré de acordo com a fonética/sotaque das personagens. Encontrei nisso bastante sentido e gostei muito, porque deu mais carisma à história e também uma certa força, que muito me agradou. 

Voltando ao contexto histórico, gostava de refletir sobre a aprendizagem que fiz em relação a este tema ao longo da leitura da obra. Uma vez que não me é desconhecida esta parte da nossa História (e não é das que mais me fascina), foi com bastante curiosidade que me vi a mudar de opinião em relação a algumas ideias que tinha antes de de a ler. Ou seja, até à data da leitura do livro, sempre tinha achado que a fuga da família real tinha sido um ato cobarde e de abandono do povo às mãos dos invasores. No entanto, depois de ler o livro, fiquei com outra ideia, que é a que a autora aborda: a saída da família real acabou por ser uma forma de salvaguardo o reino e a si mesma enquanto independente, uma vez que, se D. João tivesse seguido as ordens de Napoleão, tinha ficado sem o seu reino, uma vez que a capital (Lisboa) tinha ficado para Napoleão. Assim, como a capital mudou para o local da família real, Napoleão não ganhou o que mais queria. Gostei de refletir sobre este aspeto enquanto lia o livro. 

Aqui está mais uma prova de que o Romance Histórico é dos géneros literários mais ricos, mais densos e mais sábios da literatura, porque servem diversos propósitos, como o prazer de ler e o prazer de aprender. 

Em suma, mais uma excelente aposta da Saída de Emergência, que fez um excelente trabalho gráfico com o livro, mais uma vez. Muito bom! Os meus parabéns à autora por ter partilhado esta histórica com os leitores e pelo excelente trabalho que fez. Espero que a história continue, porque tem tudo para isso! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 15 de novembro de 2015

Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard

A curiosidade era grande para a leitura deste livro, que assim que começou a ser publicado gerou logo uma onda de fãs e de excelentes criticas pela Internet fora. Ora, não podia deixar de o ler e tenho a dizer que foi uma leitura excelente!



Sinopse:

A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena?

O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.
 
Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente. (in Edições Saída de Emergência)

Opinião:
Aqui está um livro que me encheu as medidas. Há algum tempo que não lia nenhuma obra do género que me agradasse tanto. Ao início comecei a ficar um bocado desconfiada porque me parecia um bocadinho com os Jogos da Fome. Não que tenha algum problema com a trilogia! Gosto bastante. Mas fiquei com receio que fosse parecido, na medida que Mare fosse uma espécie de Katniss dos Vermelhos. Não deixa de ser um símbolo de revolta, mas de uma forma bastante diferente e mais complexa. Então a partir do momento em que ela foi para o palácio, fiquei encantada com a intriga e com a premissa de uma história forte, repleta de emoções fortes e de personagens complexas. 

Quanto às personagens, gostei de Mare, a personagem principal, apesar de não ter ficado encantada. É mais uma personagem feminina do género, um género de Katniss. Gostei imenso (a minha personagem favorita, de longe) de Maven (e sim, estava mesmo à espera!). Não posso dizer que tenha ficado de queixo caído por Cal, nem por várias outras personagens, mas o que gostei de Maven dá para as outras personagens. Confesso que não pude deixar de comparar este dois, Maven e Cal, a Loki e Thor, respetivamente, o que me agradou.

Achei bastante interessante este mundo criado pela autora. Num cenário pós-apocalíptico, Prateados (um género de deuses com super poderes relacionados com a manipulação dos diferentes materiais e elementos existentes (água, ar, fogo, metal, pensamento...)) governam o mundo, enquanto os Vermelhos trabalham e defendem os Prateados nas suas guerras infindáveis entre reinos. Os Prateados têm sangue prateado e os Vermelhos têm sangue vermelho.

Gostei da intriga e de seguir os passos da autora. Gosto de ser surpreendida ao longo da leitura em relação às ações e motivos das personagens e, apesar de ter desconfiado do enredo logo de início, ainda duvidei a dado momento de algumas personagens. Não quero entrar em detalhes para não contar nada de relevante, mas desta vez gostei de ter antecipado os motivos por trás de tudo aquilo que acontece quando Mare vai para a corte.

Em relação às descrições, achei-as relevantes, apesar de poucas. Não há muita explicação do contexto da história, a meu ver, e isso é uma falha a apontar. Talvez o facto da narrativa estar na primeira pessoa (Mare é a narradora) e dela se focar mais nos seus pensamentos e ações do que no que a rodeia seja a explicação para esse aspeto, mas já li outros livros com narradores presentes e o mundo é perfeitamente contextualizado.

Também não posso deixar de mencionar as semelhanças deste mundo criado pela autora com vários outros mundos: X-Men (cada vez que aparecia um megratron, Prateado que manipula metal, não pude deixar de imaginar Magneto), Luz e Sombra (de Leigh Bardugo, em relação a Mare), entre outros. Isso não fez com que gostasse menos do livro, antes pelo contrário. Tal serviu para que a história fosse uma espécie de conjunto de várias histórias interessantes e boas que por aí andam. Se isto é o ideal e o mais original que há em termos de escrita, não posso dizer que é a originalidade total, mas serve muito bem. Dentro do género (Fantasia Distopia, por aí) está excelente, provavelmente um dos melhores do género que li até agora.

Em suma, uma excelente leitura! Vou querer acompanhar estas aventuras, porque fiquei fã de Maven e fiquei muito curiosa para saber o que acontece depois daquele maravilhoso final. Um bom final, cheio de ação e emoção. Recomendo sem reservas.

NOTA (0 a 10): 9

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A Criança nº 44, de Tom Rob Smith

Fiquei bastante curiosa com este thriller depois de ter visto o trailer do filme, por causa de ser passado na Rússia pós Segunda Guerra. Não sabia o enredo e não tinha nem expectativas altas nem baixas, o que por vezes é bom pois não há muita margem para a desilusão. E, no final, tenho a dizer que foi uma leitura diferente. 



Sinopse:

A União Soviética de Estaline é um paraíso, onde os cidadãos vivem livres do crime e apenas temem uma coisa: o todo-poderoso Estado. Defendendo este sistema, o oficial de segurança Leo Demidov é um herói de guerra que acredita no punho de ferro da Lei.

Mas quando um assassino começa a matar indiscriminadamente e Leo se atreve a investigar, este obediente servidor do Estado dá por si despromovido e exilado. Agora, apenas com a sua mulher ao seu lado, Leo tem de se debater para descobrir verdades chocantes a respeito de um assassino - e de um país onde o crime supostamente não existe.

A Criança Nº 44 é o livro que inspirou o filme. Revela a verdade. Descobre o assassino.
(in Goodreads)

Opinião: 

Achei este livro bastante diferente daqueles que estou acostumada a ler. Por vezes é bom ler outros géneros literários, para diversificar a leitura, o que foi o caso. Gostei da história, em especial da parte critica à sociedade russa da época e a toda a máquina de Segurança do Estado, apesar de ter achado o enredo um bocado "pesado" em alguns momentos, devido aos crimes que vão acontecendo. De facto, estava à espera de uma história que não fosse tão densa em relação a esse ponto. As descrições são bastante fortes e horríveis e isso fez com que muitas vezes tivesse vontade de virar a cara em quanto estava a ler. 

O enredo é denso, forte, bem elaborado, não há pontas soltas, existem momentos de grande ação e tensão também. No entanto, a meio da história existe um caminho que começa logo a ser traçado e, a meu ver, neste género isso é bom que aconteça o mais tarde possível, para criar suspense. Confesso que não foi surpresa nenhuma o que aconteceu a partir de um dado momento da história. Por tanto, o ponto mais forte desta história é a grande crítica à sociedade da União Soviética após Segunda Guerra. O clima de medo, de opressão, de denúncia...tudo está extremamente bem explorado e descrito. É como se o leitor estivesse presente naquele contexto real, o que é fascinante. O autor esmerou-se para tal e conseguiu-o, de facto. 

O contexto histórico está perfeito. Sente-se em todos os momentos a extrema opressão da sociedade, o medo total de tudo e de todos.  É um bom estudo sobre aquele regime. Também as descrições estão fortes, como referi acima. Tanto as descrições de locais e ambientes, como as das ações das personagens.

Em relação às personagens, posso dizer que gostei bastante de Leo e de Raisa, principalmente de Leo. Ele é bastante complexo, herói de guerra e servidor do Estado enquanto membro da Segurança do Estado. Tem vários dilemas ao longo da história e tem bastante personalidade. Raisa também é interessa (a esposa de Leo), mas não tanto quanto ele. Em relação às outras personagens, são bastante complexas, todas elas. Odiei o Vasili, o que seria de esperar por causa do seu comportamento perante o colega e superior (Leo).

Foi uma boa leitura, não posso dizer que agradável, porque os crimes nada têm de agradável...são até bastante repugnantes. Tirando isso, 

Espero ver o filme, para poder fazer um paralelismo entre ambas as obras. 

Resumindo, uma excelente aposta da Marcador, à qual agradeço imenso a oportunidade de ter lido o livro. Este é o primeiro livro do autor com Leo Demidov como personagem principal e eu gostava muito de poder ler os próximos. Era bom que a Marcador continuasse a editar este autor por cá! 

NOTA (0 a 10): 8

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Herói das Eras - Parte I, de Brandon Sanderson

Após a leitura dos anteriores volumes não podia deixar de ler a continuação. Tendo em conta o desenvolvimento a nível da narrativa e das personagens que aconteceu no segundo volume (muito melhor do que no primeiro, a meu ver), foi com grande expectativa que comecei a leitura da primeira parte do terceiro livro da trilogia. 



Sinopse:

Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.

O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva  foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?
( in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Uma vez que o livro foi dividido em dois é sempre um bocadinho difícil fazer uma opinião sobre a obra, no entanto existem aspetos que são fáceis de apresentar. 

A nível do enredo, este volume apresenta a mesma consistência dos anteriores, tomando mais a linha do segundo, o que é normal, tendo em conta os acontecimentos passados nesse livro. Vin e Elend, agora também Alomante, continuam fantásticos. E, apesar de não aparecerem tanto como seria de esperar, são sempre uma dupla maravilhosa. Já gostava de Elend antes, agora que é Alomante ainda gosto mais, porque tornou-se muito mais perspicaz e complexo. Também as questões políticas ajudaram a que ele tivesse mudado o seu comportamento e as suas atitudes, alterando substancialmente a sua forma de ser e de tratar os outros. Mesmo que essa alteração o tenha modificado por vezes para pior pessoa, acaba por ser uma alteração bastante real tendo em conta o contexto das personagens. Em relação a Vin, continuo a gostar dela e continuo a gostar cada vez mais, tendo em conta que está em completo desenvolvimento ao longo da narrativa. Como referi anteriormente nas opiniões relativas a esta história, Vin não foi uma das personagens que mais me disseram nesta história. Comecei por gostar mais de Kelsier do que de Vin, por exemplo. Achava-a um bocado "chata" e insonsa, bastante indecisa. Portanto foi com grande alegria que pude acompanhar o desenvolvimento dela, que muito me agradou. 

Depois, existem várias outras personagens que aparecem ao longo da história, nossas conhecidas dos outros livros, principalmente, e novas personagens, que muito me agradaram. Gostei muito do arco narrativo do Susto, tendo sido dos momentos que mais me agradaram ao longo da leitura. E depois há aquela personagem que aparece na parte final! Excelente entrada em cena e melhor parte para cortar o livro em dois, muito bem! E também o aparecimento de uma outra...ou será reaparecimento? Não quero estar a contar nada de relevante!

Depois, também gostei do contexto da história em si. Depois de Vin ter feito o que fez no Poço da Ascensão, só podia ter acontecido algo do género. Ruína está livre e a cinza mais presente do que nunca, bem como as brumas. Todas as teorias e ideias em relação a estes aspetos estão bastante bem desenvolvidos neste livro e são muito mais explorados, o que faz com que seja possível conhecer mais detalhes deste mundo que Sanderson criou, o que é sempre agradável. Todos os momentos em que existem explicações históricas ou de certos fenómenos foram para mim momentos de extremo interesse, porque o mundo que Sanderson criou aqui é fascinante e merece bastante relevo. 

A história apresenta todos os ingredientes que já nos tinha habituado anteriormente: ação, suspense, intriga, alomância, mistério e batalhas, principalmente. Os diálogos são fortes e bem desenvolvidos, o que é sempre bom. Nada é referido à toa e tudo faz sentido, o que é outro fator de relevo em relação à qualidade da história. Aliás, a qualidade é altíssima. Um mundo criado de raiz, bastante diferente de todos os outros que por aí existem (que eu saiba, pelo menos), com personagens que são bastante complexas, e com questões bastante densas, só tem de ser apresentado ao mundo e referenciado para mais pessoas o conhecerem. Sanderson fez um excelente trabalho. 

Agora é esperar pela segunda parte deste volume, que tem tudo para ser fenomenal! Espero que a Saída de Emergência continue a apostar no autor e que os leitores também o façam. Não receiem as divisões ou o tamanho dos dois primeiros livros. Não receiem nada. Leiam e desfrutem desta maravilha fantástica que por cá foi publicada e que merece o nosso apoio e a nossa leitura. Divulguem junto dos vossos amigos, porque há mais livros passados neste contexto e que podiam ser editados por cá. 

Em suma, mais um excelente livro! E continua com um design de capa e de interior bastante belo, o que também é muito bom. 

NOTA (0 a 10): 9

domingo, 11 de outubro de 2015

O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, de Maurice Druon

Mais uma bela surpresa da Marcador! Depois de ter ficado bastante curiosa sobre o livro devido à sua sinopse e às suas críticas, não pude resistir a lê-lo...e ainda bem que o fiz, porque é excelente! E como é a grande referência para a obra de George Martin (As Crónicas de Gelo e Fogo), não podia mesmo deixar de ler, uma vez que sou fã.



Sinopse: 

O Rei de Ferro - Filipe, o Belo - é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês - que parece preferir a companhia de homens.
Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.
O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.
Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
(in Marcador)

Opinião:

Este é o primeiro livro da saga dos Reis Malditos e que narra acontecimentos verídicos passados nos finais da Idade Média, na Europa, principalmente entre França e Inglaterra. Este volume é a introdução, praticamente, ao início da Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, e está muito bom. O autor é fantástico. A sua escrita...a própria narração é única. Existe um certo humor em vários momentos e em certas expressões ao longo da obra, que são como que comentários às ações das personagens que me fizeram por várias vezes sorrir e até dar algumas gargalhadas. Esse foi um dos aspetos que me fez gostar imenso da história. Aliás, desfrutei completamente deste livro, deu-me bastante prazer lê-lo por isso e também porque é um dos Romances Históricos lidos até agora que mais se pareceu com uma aventura épica e um autêntico evento de conspiração e ação. Excelente!

Outro aspeto que me fez gostar muito foi o facto do contexto estar excelente. O autor fez um grande trabalho de pesquisa que culminou em algo mais do que narrar os acontecimentos históricos. Maurice Druon conseguiu pegar nas informações históricas e dar-lhe vida própria. Por vezes parece que até não é um livro que retrata factos verídicos, mas sim um livro de ficção, tal não é a forma fantástica de contar, mais do que narrar os acontecimentos históricos, do autor. 

Em relação às personagens, posso afirmar que é uma maravilhosa e única panóplia de indivíduos. Desde o Rei de Ferro, Filipe, o Belo, que é uma personagem bastante carismática, até ao seu filho e sucessor, Luís, o Teimoso, que me fez várias vezes ficar admirada com a sua forma de reinar e tomar decisões (pois é ridícula e deveras medíocre, especialmente em relação ao sei pai), as personagens estão tão bem caracterizadas e reais que parece que estão vivas e que saem das páginas do livro para dialogarem e agirem à nossa frente, como que num plano em três dimensões. Não posso dizer que tenha havido uma personagem da qual gostei mais (porque são todas excelentes e bem elaboradas, todas distintas umas das outras) , se bem que Guccio Baglioni acabou por ser aquele que mais me agradou, bem como o seu amor por Maria Cressay, talvez pelo cariz mais romântico do casal e aventureiro da parte dele, tal como o relevo das suas ações para o desenrolar dos acontecimentos.

Também gostei das descrições, que são na medida certa e só aparecem quando extremamente necessárias para a compreensão do contexto. A ação e a complexidade política e conspiratória são os grandes ingredientes desta narrativa, tal como aconteceu na realidade. 

Fiquei a saber mais sobre este período históricos e também sobre a História da França, que, confesso, só ter mais conhecimentos após a Revolução Francesa. Os Romances Históricos que leio com mais frequência são sobre Inglaterra, talvez porque também é o reino que mais me fascina (expeto o nosso) e foi com grande prazer que pude ler este sobre França (se bem que a Inglaterra também está bem presente...ou não seria a Inglaterra e a França um par sempre ligado em factos históricos). 

Em relação ao facto de ter sido nesta saga que George Martin se inspirou, em parte, não pude deixar de tentar fazer comparações e encontrei algumas, que não vou aqui referir. Prefiro fazer com que os leitores de Martin fiquei curiosos e vão ler este livro!

Em suma, um excelente Romance Histórico que recomendo totalmente. Espero ler os próximos volumes brevemente porque fiquei muito curiosa com o que se passou a seguir, uma vez que o final do livro promete muitas mais conspirações e aventuras.

NOTA (0 a 10): 9
O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Guerra e Paz Vol. II, de Lev Tolstoi

Foi com grande satisfação que recebi o segundo volume desta obra clássica e logo comecei a lê-lo, para ficar a conhecer os destinos das personagens que tinha ficado a conhecer no primeiro volume.



Sinopse:

Edição comemorativa dos 150 anos da publicação do melhor romance de sempre.


A Rússia continua a ser devastada pelos exércitos de Napoleão, e as mortes e tragédias sucedem se, ligando-se indelevelmente às vidas das personagens. Estamos no início do século XIX, um dos mais conturbados da história da Rússia, e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Ainda assim, apesar de a felicidade parecer algo impossível de ser vivido em tempos de guerra, há bailes e casamentos, aventuras e diversões, festas e grandiosos momentos.
Guerra e Paz é um verdadeiro clássico da literatura universal, e aqui chegamos ao seu último volume. Eis uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Depois de ter lido o primeiro volume e de o ter achado um pouco descritivo e sem muita ação, foi com alegria que constatei, ao começar a ler este e lá mais para o meio, que o enredo se estava a compor. Mais ação, mais drama e mais emoção são os três ingredientes que aparecem a mais neste volume e que me agradaram bastante. 

A guerra está mais cruel, as personagens começam a deixar de viver num mundo de bailes e festas e começam a ver que todo aquele espetáculo não é mais do que uma farsa e que o cerne da questão real é muito mais vasto e obscuro. Começa a haver a luta de classes e as classes mais baixas têm o seu papel, vital para a mudança de muitas das personagens principais. As personagens masculinas, que andam pelos cenários de guerra, começam a ter mais lutas entre si. Gostei bastante do destaque que Peter continua a ter e das peripécias por que passou ao longo deste segundo volume e que o fizeram crescer enquanto ser humano. 

O sarcasmo e a ironia, bem como a filosofia, continua a ser um marco bastante forte desta obra. Tolstoi é um mestre do sarcasmo e isso ajudou-me a gostar da história porque contribui para atenuar a grande quantidade de momentos descritivos e mais parados, que apesar de serem em menor número neste volume, continuam a existir. 

Gostei mais de como a história se desenrolou nesta parte. As personagens estão mais interessantes, cresceram muito mais e já não estão tão fúteis, principalmente as personagens femininas. Existe uma humanização das personagens, dos seus atos e das suas ideias. Também aparece mais vezes Napoleão, o que é interessante.

Este livro vem uma parte final apenas sobre questões para debate relacionadas com temas pertinentes, sociais e filosóficos que podem interessar ao leitor. Eu li com gosto para compreender melhor a mente do autor e achei interessante a sua presença no final da obra, uma vez que esta é uma grande narrativa sobre questões complexas, sociais, morais, económicas, humanas. Esta obra será eterna por isso mesmo. Não porque a história seja maravilhosa ou extremamente bela, que até não o é, mas porque a sua base é verdadeira, real e eterna. Questões como a luta de classes, a alienação dos problemas reais da sociedade, as guerras, o amor, o perdão, as rivalidades...todas essas questões são parte constituinte do ser humano e nunca o abandonarão. Por isso é que esta obra vai continuar a ser lida e a ser amada através dos tempos, pelas grandes questões que levanta e que aborda.

Em suma, aqui está uma bela conclusão para uma obra de relevo mundial. Um clássico soberbo e muito bem escrito, repleto de sarcasmo e ironia, repleto de sentimento e emoção. Uma obra eterna que todos deviam ler e refletir. Quero, novamente, elogiar o design da capa e do interior, que continua excelente!

NOTA (0 a 10): 7

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Contos Misteriosos e Fantásticos, de Mary Shelley

Comprei este livro numa Feira do Livro porque estava a um preço bastante acessível e porque gostei muito de Frankenstein e por isso decidi apostar nele. Depois de alguns meses na estante, peguei nele e não foi bem aquilo de que estava à espera. Existem três contos: Transformação, O Mortal Imortal e O Mau-Olhado. O livro começa por uma breve biografia da autora.


Sinopse:

Mary Shelley é recordada sobretudo pela obra "Frankenstein". Este livro concede aos leitores, seguidores da Literatura fantástica e admiradores do período romântico inglês, uma imagem mais completa e complexa desta escritora fabulosa, ao enfatizar a completa variedade e significado da sua escrita. Um livro obrigatório para compreender a narrativa de Shelley, que trouxe uma visão inovadora que deu expressão à imaginação criadora, às inquietudes, reflexões, descobrimentos e avanços da ciência, e às possíveis transformações sociais que abalaram a concepção tradicional da orbe. Transgrediu os limites dos espaços familiarizados do mundo, infringiu o tempo conhecido por todos nós (presente e passado histórico) e, abriu a porta à especulação de outras dimensões e elementos da realidade, a par da luz e da sombra, do Belo e do Feio, do Bem e do Mal. Mary Shelley advertiu-nos que todas as ambivalências são humanas, sendo necessário contemplá-las de modo amistoso. Sob o prazer heterodoxo declarou-nos que a fealdade não é medonha, pelo contrário, pode ser maravilhosamente sedutora; somente a ambição desmesurada nas diversas áreas funcionais do ser humano e a repressão são valores não desejáveis.Estes contos misteriosos e fantásticos, traduzidos pela primeira vez para português, comprovam o talento e a actualidade desta autora quando no século XXI procuramos aparentar aquilo que afinal não somos, como na obra-prima da Literatura gótica: "Transformação", conto macabro e sinistro. (in Goodreads)

Opinião:

Estava à espera de mais Mary Shelley do que o que encontrei aqui. Estava à espera e contos mais sombrios e mais góticos e não foi bem isso que encontrei. Encontrei três contos relativamente simples e sem grande densidade, em que muitos dos elementos presentes em Frankenstein não estão presentes. Apesar de ter gostado dos contos em si, principalmente do conto do meio (O Mortal Imortal), não senti nada de gótico ou de terror em nenhum deles. São contos leves, em que se levanta um pouco o véu sobre assuntos como a imortalidade e a transformação entre o bem e o mal, mas em que não há verdadeiramente um cariz assustador ou em que o ambiente seja descrito de forma a criar emoções fortes ou até a incomodar o leitor. O terceiro conto até é bastante diferente do que estou habituada a conhecer referente à autora. 

Transformação
Em relação ao primeiro conto, Transformação, posso afirmar que gostei, principalmente dos momentos iniciais, quando a personagem principal anda nas suas deambulações juvenis e dos seus dilemas amorosos e mundanos. No entanto, achei-o um pouco morno e não senti nada em relação às personagens. Está bem estruturado e bem escrito, o ambiente está bem descrito, mas não transmite muita emoção.

NOTA (0 a 10): 6 


O Mortal Imortal

Este foi o conto que mais gostei, porque gostei das personagens, bem como das relações estabelecidas entre elas e dos acontecimentos da narrativa. A sequência dos acontecimentos também está bem elaborada e faz sentido. Tem um cariz mais sombrio, mais ao estilo encontrado em Frankenstein, e isso também me fez gostar mais deste conto. Tem também mais ação e dilemas mais interessantes do que o primeiro e o terceiro contos. 

NOTA (0 a 10): 8


O Mau-Olhado

Neste conto a autora muda um bocadinho de cenário e de cultura e isso sentiu-se bastante no conto. Realmente não parece um conto de Shelley e sim um conto de aventuras de outro autor menos na vertente do gótico e do romântico. Em relação ao enredo e às aventuras é interessante.

NOTA (0 a 10): 5

Em suma, uma pequena antologia, que tem o seu interesse, mas da qual esperava mais emoção. Recomendo aos interessados em Mary Shelley para conhecer mais alguns dos seus contos. Um livro interessante, com três contos pequenos e que se leem muito bem.

NOTA GLOBAL (0 a 10): 6

sábado, 3 de outubro de 2015

A Filha da Profecia, de Juliet Marillier

Depois de ter lido os dois volumes anteriores durante o ano passado, foi com grande entusiasmo que peguei no terceiro volume desta fantástica história sobre a família de Sevenwaters. Não é novidade o meu apreço pela autora e pelas suas histórias, por isso era difícil eu não gostar deste livro. 



Sinopse:

Fainne foi criada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre as artes mágicas. Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma, quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros e foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters, com objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos, para impedir o cumprimento de uma profecia. (in Goodreads)

Opinião:

Não sei se não será um dos livros mais belos que li da autora. Não é tão grandioso como o primeiro (A Filha da Floresta), talvez porque há uma doçura e uma ingenuidade enormes nesse livro, mas gostei muito deste por ser o oposto. A personagem principal, Fainne, é mais complexa, mais obscura, e está sob a malvada influência da sua avó, Lady Oonagh, a feiticeira que transformou os irmãos de Sorcha em cisnes e que causou todos os danos possíveis no primeiro livro. Filha de Ciarán e de Niamh, irmã de Liadan (ambos exilados de Sevenwaters), Fainne é criada em Kerry, longe da família, com o seu pai, tornando-se aprendiz de feiticeira. Ela é bastante modesta e tímida, uma vez que apenas convive com o seu pai e com o seu amigo de infância, o nómada Darragh. É diferente das outras narradoras da saga: mais reservada, mais obscura e mais secundária, Fainne é tudo o que nem Sorcha nem Liadan eram: heroínas perfeitas e cheias de força. Desta vez a personagem principal tem tudo para ser a grande vilã da história, uma vez que a sua avó e o seu pai a enviam para Sevenwaters, com a suposta missão de destruir a família e a fazer com que a profecia referente às Ilhas não se concretize. Gostei muito de Fainne por isso mesmo; pela dualidade que representa, uma vez que está sempre com um pé no lado negro e com outro no lado bom; pela complexidade da sua história; por ser diferente das outras raparigas dos livros anteriores. Apesar de não deixar de ser forte, Fainne consegue trazer à tona uma outra realidade, uma realidade mais ambígua, que até agora não tinha aparecido muito nos livros que li da autora; e isso está relacionado com o facto de ela poder ser muito bem a grande vilã da história.

Em relação às outras personagens, posso afirmar que foi um prazer revê-las a todas, especialmente ao grupo de Liadan e a Finbar, que sempre foi uma das minhas personagens favoritas desta história. Gostei bastante de conhecer as filhas de Sean e os de Liadan e gostei muito de Darragh. Comprovei também o meu interesse e a minha ideia sobre Ciarán, que também tinha sido uma das minhas personagens favoritas no segundo livro; aqui provou toda a sua personalidade e poder. Existe em todas as personagens um certo cariz mais negro e mais taciturno, isto também por causa da guerra que se vai aproximando à medida que a história ocorre. Todos estão mais maduros e isso nota-se bastante. Também gostei de reencontrar Eamon, apesar de ser das personagens que mais asco me suscitou. Outro aspeto em relação às personagens que me agradou foi o facto de Lady Oonagh  ter aparecido em todo o seu esplendor neste volume, uma vez que tinha sido sempre relegada para segundo plano, apesar de tudo estar relacionado com as suas ações. 

A história é novamente fantástica. A autora comprova mais uma vez a sua mestria e magia enquanto contadora de histórias. É sempre um prazer ler um livro de Marillier, porque é como que uma poderosa história ancestral e cheia de magia e significado. Todo o conceito que está subjacente às histórias pode ser sentido com grande detalhe e emoção enquanto se lê os seus livros. E isso sente-se mais uma vez neste volume.

Neste livro há uma dimensão sobrenatural maior. A magia está mais presente, principalmente em relação ao volume anterior. Também conhecemos os Anciãos e algo mais sobre as Criaturas Encantadas, o que é excelente, uma vez que, para mim, toda a contextualização e toda a história em que Sevenwaters assenta é motivo de interesse. Fico sempre satisfeita por ficar a saber mais um bocadinho da história do passado de Erin e de Sevenwaters.

Gostei das descrições, sempre muito bem elaboradas, sem serem demasiadas e escritas na perfeição, de modo a ser possível ao leitor se imaginar nos locais. Gostei da forma como a narrativa foi conduzida. A parte final foi apoteótica e muito bem conseguida. Um dos "melhores" finais dos livros da autora que li até agora.

Não há pontas soltas, pelo menos explicitamente. Tudo fica com uma resposta. Dei por mim a prolongar a leitura para fazer render a história, mas não o consegui fazer muito mais, porque a curiosidade também era grande e valeu a pena.

Agora é ler o seguinte ou outro da autora, que consegue sempre encantar com as suas palavras magnificamente trabalhadas de modo a criar histórias únicas e extremamente belas. Recomendo totalmente, a todos os leitores.

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 19 de setembro de 2015

The Museum of Extraordinary Things, de Alice Hoffman

Descobri este livro no Goodreads e fiquei muito encantada com a sua capa em que aparece uma espécie de RX de uma sereia (não da minha edição). Depois de ler a sinopse fiquei ainda mais interessada e quando o encontrei na Bertrand foi com gosto que o trouxe comigo, apesar de não ter aquela capa que havia chamado a minha atenção primeiramente. 



Sinopse: 

Duas personagens distintas. Nova Iorque e Brooklyn na década de 1910. Magia, Ciência, invenções, espetáculos e um grande fascínio por elementos estranhos, diferentes. Fotografia, família, ilusões. Estes são os pontos chave de uma história que prima pela subtileza, pela delicadeza e pela beleza com que é narrada a vida das duas personagens principais: Coralie Sardie e Eddie Cohen. 

Coralie é filha de um cientista e mágico francês que assentou o seu negócio em Coney Island: o Museu das Coisas Extraordinárias, museu com raridades, aberrações e seres e objetos estranhos e fascinantes, com atuações de indivíduos com alguma característica peculiar. Também ela com algo peculiar, cedo é afastada da sociedade e passa a ser apenas a filha de Sardie, sempre na sombra, sempre sujeita às ordens do seu pai, por mais estranhas que estas sejam, apenas a mais uma das exibições do seu pai. Apenas com a presença de Maureen, a empregada de Sardie, Coralie cresce e acaba por começar a por em causa toda a sua existência e a sua história. 

Eddie, de nome Ezekiel, é filho de um casal de judeus russos, que depois da sua aldeia ter sido incendiada, conseguiu fugir com o seu pai desde a Rússia até Nova Iorque. Sujeito ao trabalho numa fábrica de roupa desde pequeno, Eddie acaba por tentar ser algo mais do que um trabalhador numa fábrica em que a exploração é total e começa a frequentar outros locais, acabando por sair da fábrica e começar a trabalhar para um famoso mágico e depois para um fotografo, acabando por se tornar ele mesmo fotografo e abandonar o seu pai. A viver uma vida de riscos, Eddie começa a por também em causa as suas decisões e ações ao longo dos tempos. 

Duas personagens sofridas, com histórias distintas mas parecidas, Coralie e Eddie são a base desta história, que é muito mais do que uma simples história de amor ou de mistério. 

Opinião:

Esta história é muito especial. Dei por mim a atrasar a sua leitura, a ler aos bocadinhos e a saborear cada momento, cada linha e cada palavra. De uma beleza única, com uma fluência magnífica e mágica, esta narrativa é um conjunto de momentos da vida das personagens, intercaladas com acontecimentos e pessoas reais, que forma um padrão forte e repleto de beleza e também de emoção. 

Pode parecer um bocado lenta no início, mas esta narrativa tem um ritmo muito próprio e o leitor necessita de entrar nele para poder desfrutar totalmente da história. Pode também parecer um bocado a história de O Circo dos Sonhos, mas não é. É ainda mais especial e mais diferente. Talvez por ter sido baseada em factos verídicos ou por ter um cariz muito mais negro do que O Circo dos Sonhos, esta história é muito melhor. 

Não é uma história cor de rosa ou suave, antes pelo contrário. É um show de elementos estranhos e acontecimentos reais que foram terríveis e de acontecimentos fictícios que também foram bastante inquietantes e que são narrados com imensa mestria. O mistério e o suspense está presente em toda a obra e o desenrolar dos acontecimentos está muito bem elaborado, uma vez que a sequência da narração destes tendo em conta as perspetivas de Coralie e de Eddie (há POV'S duas duas personagens, em diferentes momentos, para uma excelente contextualização dos eventos) é perfeita. Excelente coerência e contextualização história também são factores de relevo e que demonstram a mestria da autora, que conseguiu criar uma história aparentemente simples, com um pano de fundo aparentemente simples também, mas que de simples nada tem, antes pelo contrário: é uma história densa, complexa, repleta de personagens com passados envoltos em sombras e mistério. 

Em relação às personagens, tanto Coralie como Eddie são excelentes. Gostei de ambos e não consigo escolher de qual gostei mais, por isso gostei dos dois na mesma medida. Complexos e cheios de dúvidas e segredos, Coralie e Eddie são excelentes narradores, que conseguem prender o leitor ao enredo de uma forma muito agradável. Acabei por estar sempre na expectativa em relação ao que viria a seguir, mas sempre sem querer ler muito de cada vez, para aumentar o suspense e prolongar a leitura deste livro, que foi um prazer. Quanto às outras personagens, também são todas interessantes e complexas, todas necessárias para o enredo. Gostei muito de Maureen, principalmente.

No que diz respeito ao enredo, gostei de todos os momentos, principalmente em relação ao mistério em volta do desaparecimento de Hannah Weiss, do museu em si e da relação entre Coralie e Eddie. Também gostei da forma como a História das cidades presentes no enredo está presente, mostrando a luta das classes trabalhadoras, principalmente da classe feminina e da luta por melhores condições a todos os níveis, sociais, económicos e de dignidade.

Esta é uma história de procura de redenção, de procura da verdade, da procura da liberdade e da luta pelo amor, seja ele qual for. É uma história muito bonita, mas que também apresenta uma grande dose de outros elementos mais negros e sombrios, transformando-a num belo romance a chegar-se para o gótico. 

Sem dúvida um dos melhores livros que li até agora, recomendo totalmente. Espero que seja editado por cá, porque é maravilhoso e de certo que terá muitos leitores, porque é uma história deveras apaixonante, que transmite uma grande força e uma grande resistência em lutar por algo melhor e que tenha significado. 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 5 de setembro de 2015

Guerra e Paz Vol. I, de Lev Tolstoi

O muito aclamado romance de Tolstoi chegou agora à Saída de Emergência e tive a oportunidade de o ler. Considerado por muitos o melhor romance de sempre e adaptado por diversas vezes para o cinema e televisão, este é um livro que todos devemos de ler. 


Sinopse:

Guerra e Paz é o verdadeiro clássico da literatura universal. No início do século XIX, a Rússia é devastada pelos exércitos de Napoleão e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Tanto as vidas mais mundanas como os faustosos bailes, as tramas políticas ou as violentas campanhas bélicas do Czar Alexandre são trabalhadas com o realismo e limpidez que caracterizam o génio de Lev Tolstoi. Sempre presentes estão as desigualdades sociais e os caprichos de uma aristocracia vã e indiferente à miséria e ao sacrifício.

Esta é uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Esta é a minha primeira experiência com Tolstoi; a primeira parte desta obra. Gostei bastante da escrita e do sarcasmo e ironia presentes em praticamente todas as frases do livro e isso foi um dos principais aspetos que mais me agradou. Escrito numa época conturbada, Guerra e Paz é o reflexo do seu tempo e uma crítica gigante a outra época conturbada: as Invasões Francesas.  E isso está extremamente bem retratado ao longo da obra. 

No entanto, a nível do enredo senti que existem alguns aspetos que estão em demasia, como, e principalmente, as extensas cenas de bailes e festas dadas pela faustosa nobreza presente na obra. Achei que existe uma grande incidência dessas cenas e que acabaram por tornar a leitura um pouco mais lenta em alguns momentos, porque não gosto muito deste tipo de cenas, com grandes descrições sociais e que só servem para mostrar e a hipocrisia e as mentiras que estes acontecimentos sociais escondem. E também porque essas cenas não apresentam muita ação e emoções. 

Estava à espera de uma maior pujança nas cenas de guerra e de romance e, a meu ver, isso acabou por não acontecer. As descrições são soberbas, belas; a ironia está sempre presente e dei por mim a sorrir quando os soldados estão mais preocupados com os seus uniformes do que com a sua sobrevivência e a estratégia, o que acaba por ajudar às derrotas por eles sofridas. 

Em relação às personagens, estas são interessantes e complexas, com um grande desenvolvimento, na maior parte, principalmente porque a história abrange um longo período de tempo. Gostei principalmente do príncipe André e de Peter, bem como do círculo de Rostov. Acabei por gostar mais das personagens masculinas do que das femininas, talvez pelo facto dos homens aparecem em mais cenas diferentes do que as mulheres, que aparecem quase sempre nas ocasiões sociais, fazendo com que pareçam apenas decorações e bastante fúteis. 

Gostei muito do livro enquanto reflexão e critica social, mas não consegui sentir uma grande empatia pelas personagens e isso acabou por fazer com que o livro não me tivesse "enchido as medidas". Porém, reconheço que é uma obras esplêndida e que as suas características são bastante idênticas às outras obras escritas naquele período histórico. 

Encontrei grande significado na forma como o autor ironizou a futilidade humana e a mesquinhez durante um período tão conturbado como o foi o "reinado" do Imperador Napoleão Bonaparte e como isso só contribui para deteriorar a sociedade e os seus valores. Nesta obra é retratado uma visão social bastante acutilante e uma crítica à hipocrisia de valores e atitudes da classe mais alta da sociedade, que vê tudo como um grande baile ou uma grande receção social, onde tudo está iluminado e brilhante para esconder a escuridão e a sujidade da nobreza e da riqueza. 

Em suma, Guerra e Paz é de facto uma grandiosa obra e um maravilhoso romance, que acaba por ser, principalmente uma reflexão e uma crítica que não deixa de estar atual em todos os momentos históricos. Um bom livro ou uma boa primeira parte do livro. Espero gostar mais da segunda parte. E ainda quero elogiar a maravilhosa capa e o design interior, que está cheio de requinte.

NOTA (0 a 10): 7

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sozinhos na Ilha, de Tracey Gravis-Graves

 Recebi este livro e fiquei muito curiosa quando li a sinopse, porque a premissa é bastante boa e interessante e faz lembrar o A Lagoa Azul. Por isso, foi com grande entusiasmo que o comecei a ler.


Sinopse:

Uma ilha deserta plena de sol, vegetação luxuriante e mar cristalino é um cenário de sonho. Ou talvez não... Anna Emerson decide quebrar a sua rotina e deixar Chicago para dar aulas numa ilha tropical. Por seu lado, T. J. Callahan só quer voltar a ter uma vida normal após a sua luta contra o cancro. Mas os pais empurram-no para umas férias num destino exótico. Anna e T. J. estão a sobrevoar as ilhas das Maldivas a bordo de um pequeno avião quando o impensável acontece: o aparelho despenha-se no mar infestado de tubarões. Conseguem chegar a uma ilha deserta. Sãos e salvos, festejam e aguardam, convictos de que serão encontrados em breve. Ao início, preocupam-se apenas com a sobrevivência imediata e imaginam como será contar tamanha aventura aos amigos. Nunca a citadina Anna se imaginou a caçar para comer. T. J. dá por si a lutar com um tubarão e a ser acolhido por simpáticos golfinhos. Os dois jovens descobrem-se timidamente e exploram a ilha. Mas à medida que os dias se transformam em semanas, e depois em meses, as hipóteses de serem salvos são cada vez menores. Ambos têm sonhos por cumprir e vidas por retomar, e é cada vez mais difícil evitar a grande questão: conseguirão um dia sair daquela ilha? (in Goodreads)

Opinião:

Uma vez que a sinopse é bastante reveladora do enredo, não há muito mais que eu possa referir sem não omitir detalhes relevantes. Mas posso dizer que gostei muito da história. É uma história simples, que nos vai absorvendo até ao nosso âmago e que não nos larga. Dei por mim a querer ler mais e mais para saber o que acontecia no final, se eles conseguiam voltar para as suas terras ou se ficariam para sempre naquela ilha isolada de tudo e de todos. É uma bela história de sobrevivência, onde encontramos duas pessoas bastante diferentes a lutar pela Vida e pelo sonho de um ia sair daquele pesadelo em que se encontram. É uma história sobre como as relações se desenvolvem em condições extremas e de como se é capaz de tudo para sobreviver e é, sobretudo, uma história que podia retratar uma realidade, que é bastante desoladora, mas cheia de esperança e de luta. 

Gostei imenso das personagens. Tanto Anna como T.J. são fantásticos. Ela é bastante direta, inteligente e amorosa, sem ser lamechas. É uma verdadeira guerreira que faz tudo para passar o tempo naquela ilha até que venha alguém para a salvar, se vier. T.J. é um rapaz muito simpático, que consegue criar logo empatia com o leitor. Ao princípio, debilitado pela doença, T.J. consegue ter um desenvolvimento muito intenso e grande, que mostra a capacidade da autora em relação a estes temas. O livro está organizado por POV's, e cada um tem uma estrutura diferente: ambos são na primeira pessoa, mas os de Anna são mais profundos e mais longos, com uma linguagem cuidada, ao passo que os de T.J. são mais pequenos, com uma linguagem mais jovem e mais despreocupada, característica dos jovens, mas também tem a sua reflexão, que é bastante interessante por causa das suas opiniões e reflexões masculinas em relação a certos temas. Também existem outras personagens, que têm o seu interesse e que servem de apoio às principais. 

Em relação à escrita, posso referir que esta é bastante fluída e descomplicada. O livro é pequeno, com pequenos capítulos, o que proporciona uma leitura mais rápida e fluída. 

Depois, gostei muito da história em si. É um hino à sobrevivência e à luta para viver em condições inóspitas, em que uma pessoa depende de tanta coisa e de tão pouco. Depende de si, depende do outro (neste caso, uma vez que são duas pessoas na ilha), depende do clima, das condições do espaço, da comida que apanha e da água da chuva. Mas não tem praticamente nada para o salvar se precisar de cuidados médicos ou de outro tipo de assistência. Pode parecer uma história simples, tal como o filme da Lagoa Azul, mas o que está por trás e a mensagem que deixa, tal como o filme, é de uma profunda reflexão referente à batalha pela sobrevivência, que é travada todos os dias, em todos os locais, por todas as pessoas. A narrativa tem muitas peripécias, todas elas importantes para as personagens e para o desenvolvimento da história e há um pouco de tudo: aventura, amizade, tristeza, alegria, perigos, descontração. 

Recomendo vivamente a todos e que desfrutem da leitura, porque é uma boa história, sem sofismas, sem complexos, mas sim uma boa história, cheia de aventuras e emoções e que também acaba por servir de reflexão sobre diferentes temas sociais e humanos. Muito bom! 

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O Mistério de Charles Dickens Parte I, de Dan Simmons

Muitos são os livros que abordam o mistério de Edwin Drood e Charles Dickens, e decidi conhecer mais sobre este tema através da leitura deste volume, que me disseram ser excelente e de um bom autor. Portanto, posso começar por referir que foi uma leitura interessante.



Sinopse:

A 9 de junho de 1865, quando viajava para Londres de comboio com a sua amante secreta, Charles Dickens – no pico da fama como o mais genial romancista do mundo – é vítima de um acidente que muda a sua vida para sempre. Obcecado com visões de um homem de nome Drood que avistara no local do acidente, inicia uma vida dupla onde se dedica à investigação de cadáveres, criptas, ópio e fantasmas e torna-se frequentador dos subterrâneos de Londres a que chama “a sua Babilónia”. Mas será tudo isto uma mera pesquisa para o seu próximo romance ou uma descida aos infernos da insanidade? Baseado nos detalhes históricos da vida de Charles Dickens narrados por Wilkie Collins, outro grande escritor da época – bem como amigo, colaborador de Dickens e também seu grande rival –, Dan Simmons explora os mistérios em torno dos últimos anos da vida de Charles Dickens e poderá providenciar a chave para o seu último romance inacabado: O Mistério de Edwin Drood. (in Saída de Emergência)


Opinião:

Para primeira impressão em relação à escrita do autor afirmo que gostei, uma vez que existe um humor bastante peculiar ao longo de toda a narrativa, sendo que o narrador, Wilkie Collins, também foi bem caracterizado e é cheio de personalidade, acabando por tornar-se facilmente na minha personagem favorita.

Gostei da forma sem tabus com que o autor apresentou as personagens, que são figuras reais, do âmbito literário da época, e de grande renome. A maneira como estas personagens são apresentadas, como interagem entre si e como atuam durante o enredo é deveras interessante e também é uma forma de o leitor ficar a conhecer um pouco da sua vida e dos seus relacionamentos, mesmo que de uma forma um tanto romanceada.

Achei as personagens interessantes, complexas, principalmente as principais. Gostei de Wilkie Collins, como já referi, e também gostei de Dickens, mas confesso que esta visão do autor em relação a Dickens, desmistificou um pouco a ideia que tinha de Dickens. A constante dúvida em relação à sanidade de Charles Dickens e à sua conduta são ingredientes muito presentes no enredo, que vão contribuir para o mistério em volta de Drood. Também gostei da relação entre Collins e o inspetor da polícia...aquela duplicidade é interessante.

Drood é uma personagem de um dos livros de Dickens: Edwin Drood. E toda a relação e mistério à volta da existência real ou ficcionada desta personagem na vida de Dickens está muito conseguida, e este é de facto um dos maiores mistérios do enredo, que espero que tenha uma resposta. É aqui que reside todo o enredo, pelo menos por agora.

No entanto, quanto ao enredo, estava à espera de algo mais...principalmente a nível do mistério e suspense que estava à espera de encontrar. Talvez por o livro estar dividido em dois é possível que a melhor parte tenha ficado reservada para o segundo volume, espero eu, porque nesta metade não encontrei aquele ambiente denso de mistério. Acabei por encontrar, durante a maior parte da história, uma alegre e sarcástica descrição/relato de situações do quotidiano das personagens. Houve alguns momentos muito bem conseguidos e deveras interessantes, em que consegui ficar submergida naquele ambiente de suspense, em especial nas cenas em que Drood aparece, bem como o Outro Wilkie. Ora, uma vez que isso aconteceu algumas vezes, e em especial na parte final desta parte, vou ficar na expectativa que a segunda parte promete ser recheada de momentos de suspense e mistério, que é o que eu estou à espera, tendo em conta o título do livro e a sua premissa, bem como todo o ambiente gótico, que só uma história vitoriana consegue, que lhe está subjacente, o que está muito bem conseguido.

Não posso referir muito mais, senão estarei a dar pistas e conjeturas, e isso, neste género de história, não soa muito bem. 

Em suma, gostei desta primeira parte, mas espero que a segunda seja melhor, mais frenética e menos descritiva no que refere ao quotidiano social das personagens...ou seja, mais mistério e suspense é o que espero da segunda parte desta história.

NOTA (0 a 10): 8

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Favorita do Rei, de Sandra Worth

Com uma das mais belas capas portuguesas, este livro despertou a minha atenção assim que saiu por cá. Anos depois, encontrei-o a um bom preço e decidi apostar. E verifiquei que ainda bem que a capa me atraiu...é um excelente romance histórico. 



Sinopse:

Uns estão destinados à grandeza, poucos mais do que Isabel de York. Apesar de ser a única rainha inglesa a ter sido mulher, filha, irmã, sobrinha e mãe de reis ingleses, o legado do seu espírito nobre e o amor do país ultrapassam muito a sua linhagem impressionante.

Neste romance avassalador, a autora premiada Sandra Worth dá-nos a primeira história completa da rainha do povo, Isabel, a Bondosa.

Ferozmente dedicada ao pai adorado e ao rei, Isabel de York, de dezassete anos, acredita que ele quis deixar a Inglaterra nas mãos de um dirigente justo e meritório. Como o jovem sucessor não está pronto para reinar, o poder passa para o tio de Isabel, Ricardo de Gloucester - um homem no qual a mãe nunca confiou. Pouco depois, Isabel receia que a sua própria confiança não se justifique. Após a subida de Ricardo ao trono, a família dela sofre desaires sucessivos e devastadores: o pai, já falecido, é exposto como um bígamo; ela e os irmãos são estigmatizados como bastardos; e os irmãos são presos pelo novo rei e, segundo consta, assassinados. Como pôde o pai acreditar num homem capaz de tamanha perfídia?

Mas numa noite fatídica, Isabel é levada a questionar todos os seus preconceitos. Através dos olhos da rainha consorte de Ricardo, que está doente, ela vê um homem digno de respeito e de uma adoração eterna. A dedicação dele ao povo inspira um amor proibido e acaba por dar a Isabel coragem para aceitar o seu destino, casar com Henrique Tudor e ser rainha.

Embora a sua alma pertença secretamente a outro, o seu coração pertence para sempre à Inglaterra...
(in Goodreads)

Opinião:

Um dos meus géneros literários favorito é o romance histórico e gosto sempre de ler um bom romance histórico, bem contextualizado, bem fundamentado, com personagens ricas e complexas, com uma linguagem apropriada e sem serem lamechas. Gosto de uma boa história, com emoção. E pude encontrar isso neste livro, o que me agradou bastante. Narrado na primeira pessoa, por Isabel de York, a primeira rainha Tudor, esposa de Henrique VII e mãe de Henrique VIII, este livro deu-me a conhecer vários aspetos da História de Inglaterra que eu desconhecia e é isso que eu também procuro quando leio este género: aprender algo sobre História. 

Isabel de York, a Rosa Branca de York, filha de Eduardo IV, viu a sua dinastia desmoronar-se e a sua família ser perseguida pelos Tudor, no final da Guerra das Rosas, que opôs York a Lancaster. Depois de Ricardo III ser morto por Henrique Tudor na batalha de Bosworth, a melhor forma de trazer paz à Inglaterra e também legitimar o trono de Henrique (que era bastardo) era casar com Isabel, uma descendente do antigo rei do ramo de York. No meio de uma enorme intriga política, Isabel vê-se no centro de tudo e tenta sempre fazer algo de bom. A força com que suportou o seu papel, como é referido ao longo do livro, fez-me ver nela uma rainha excelente, uma mulher forte, que tentou sempre influenciar o seu rei pelo melhor, num tempo conturbado e horrendo, onde as perseguições eram intensas e as traições também. Não conhecia a história de Isabel e gostei de a conhecer. Tendo conhecimento da história de Henrique VIII, Ana Bolena e Isabel I, foi com agrado que li esta obra, uma vez que foi no período retratado que se iniciou esse tempo, o tempo dos Tudor e depois da Idade do Ouro. 

Também gostei de conhecer Henrique VII e os outros reis que aparecem na história, apesar de aparecerem durante menos tempos. Penso que, tendo em conta tudo o que é referido, bem como as notas da autora e uma ligeira pesquisa que fiz depois de ler o livro, a autora conseguiu criar excelentes personagens, tendo o cuidado de as caracterizar de acordo com as suas personalidades reais. A relação personalidade-comportamentos-atitudes pareceu-me muito bem conseguida. 

O ambiente está muito bem descrito, tanto a nível das estruturas (castelos, espaços, corte...), como da época. A autora conseguiu criar um ambiente bem contextualizado, de acordo com a cultura e os modos daquele período. Também gostei muito das descrições das roupas que estão muito boas, sem serem maçudas. Aliás, nenhuma descrição é maçuda. Tudo é bastante fluído, a todos os níveis, tanto de diálogos, como de descrições. 

Tendo em conta que a narrativa abarca um longo período de anos, a autora mostrou grande poder de síntese, indo aos pontos cruciais, sem ser muito rápida e simplista. A escrita e a forma como a história é narrada contribui muito para o sucesso da narrativa e da sua coerência e coesão, porque é bastante fluída. 

Tenho só uma coisa a apontar que podia ter sido revisto, uma vez que é trabalho de revisão da Editora: existem nomes que estão umas vezes traduzidos para Português e noutras vezes estão em Inglês, como Ricardo e Richard. Soa um bocado estranho...

Em suma, aqui está mais um excelente romance histórico, que recomendo sem reservas, a todos os que gostam deste género literário e principalmente àqueles que gostam de saber mais sobre História de Inglaterra. Quero ainda voltar a referir o excelente design da capa, que a meu ver está maravilhoso. 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Elizabeth Desapareceu, de Emma Healey

Tive a oportunidade de ler este livro através da Editora Marcador e quero agradecer a experiência. Além da maravilhosa capa que tem, acabou por ser uma leitura diferente!


Sinopse:

Um mistério, um crime não resolvido e uma personagem inesquecível: Maud.

Maud está convencida de que a amiga desapareceu, mas ninguém acredita nela. Tem cerca de 80 anos e o seu contacto com a realidade não é o mesmo de outros tempos. Existem pedaços de papel por toda a casa: listas de compras e de receitas, números de telefone, notas sobre coisas que aconteceram. É a memória em papel que impede Maud de esquecer as coisas. De repente, nas mãos de Maud encontra-se uma nota com uma mensagem simples: «Elizabeth desapareceu.». É a sua letra, mas não se recorda de a ter escrito. O que aconteceu?

Maud está certa de que a amiga corre perigo.
(in Goodreads)


Opinião:

Gostei da história. Gostei da forma como Maud se apresenta e da forma como narra a história, entrelaçando os acontecimentos do presente com os do passado e que podem ser comparados. O ambiente de leve suspense que trespassa a obra deixou-me sempre a pensar na trama e dei por mim a ler o livro a uma grande velocidade. Uma excelente narradora, com um discurso fluído e simples, que a autora sobe moldar para dar carácter à personagem de Maud.

Maud é uma velhinha muito interessante. Com os seus 80 e tal anos, com problemas de memória e com uma história complicada por resolver no seu passado enquanto jovem, Maud consegue ser um enigma. Ela passa aproximadamente metade da história à procura de Elizabeth, outra senhora idosa, sua amiga, o que dá um certo mistério ao enredo, porque há a grande pergunta: o que aconteceu a Elizabeth?

No entanto, para mim, o grande mistério da história não foi esse e sim o do passado de Maud: a sua irmã, Sukey. No rescaldo da 2ª Guerra Mundial, Maud e a família vivem o dia-a-dia num ambiente que se vai tornando diferente a cada dia, devido ao final da guerra. Ainda com racionamento e com alguns problemas, Maud vê a sua irmã, Sukey, desaparecer. Casada com Frank, um homem amistoso mas com algumas questões mais negras, Sukey é feliz, mas tem alguns comportamentos estranhos, que mais tarde acabam por se manifestar através de conversas com vizinhos, quando Maud parte em busca de Sukey. Com a polícia a tentar descobrir o seu paradeiro e com as notícias de várias mulheres a fugir dos maridos regressados da guerra, bem como de uma assassino em série, Maud tenta descobrir por si mesma o que aconteceu com a sua irmã. 

Tudo o que se vai descobrindo sobre este episódio é transmitido por Maud, em pequenos trechos de pensamentos, que vão aparecendo em paralelo com a busca por Elizabeth, e a dado momento o mistério fica um tanto baralhado, o que faz parte do enredo e acaba por ser interessante, porque trás suspense à obra. 

Achei que o tema foi bem explorado; o dia-a-dia e as dificuldades de uma pessoa que está a perder a memória está bastante explícito e bem trabalhado e esse tema acaba por sobressair mais do que o mistério em si, o que me deixou um bocadinho desiludida, porque estava à espera que houvesse mais suspense e que essa parte da história, o mistério do passado de Maud, estivesse mais desenvolvida. Porque, no final, o que interessa mesmo é saber de Sukey e não de Elizabeth, e o que é que acontece? A resposta ao mistério fica a meio. Há uma nuvem que encobre o que aconteceu e que só desaparece tenuemente, como que por um breve instante. Penso que, se o livro fosse maior, a história podia ter sido mais desenvolvida, a todos os níveis. 

Porém, gostei do que li e o facto do mistério ter ficado relegado para uma espécie de segundo plano, só frustrou um pouco as minhas expectativas, porque confesso que a dado momento me apeteceu atirar o livro contra a parede, tal não foi a raiva que senti em relação ao rumo que a história estava a tomar. Isto só mostra como a história mexe com o leitor, o que é algo excelente. Se eu não me entusiasmar com a história, não vou ter reação nenhuma destas ou pensar em fazer algo do género, por tanto, se querem ler algo que vos intrigue, já sabem, optem por este livro, que me deixou ainda mais intrigada no final do que no início! 

NOTA (0 a 10): 8