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sexta-feira, 7 de julho de 2017

O Segredo da Casa de Riverton, de Kate Morton

Sinopse:

Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar. 

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta. 
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente. 

Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor. (in Goodreads)


Opinião:

Mais um arrebatador romance escrito por uma das autoras que mais gosto de ler dentro deste género, que acaba por ser um misto de romance com mistério e thriller. Kate Morton tem-se mostrado como uma autora fantástica, dotada de uma escrita fabulosa e de um enorme poder para contar histórias, encadeando todos os detalhes, todos os momentos de modo a criar algo único e excelente. Este é o terceiro livro que leio dela e só tenho a referir aspetos positivos!

Riverton. Uma casa antiga, com mais de 300 anos de história. Uma família nobre, famosa e ilustre. Uma época de mudança, guerra e paixão. Contada na perspetiva de Grace, criada da família, esta é a história que assombra as paredes de Riverton e que nunca foi contada verdadeiramente. Uma história forte, cheia de emoções e muitas surpresas, que faz com que a leitura seja feita de forma frenética e veloz, uma vez que o leitor está sempre na expectativa de descobrir mais...de descobrir o segredo de Riverton.

Gostei muito da história e das personagens.

Em relação às personagens, posso afirmar que gostei de todas. Se bem que tenha acabado por ter um tanto raiva de Emmeline, pela sua personalidade, pelos seus feitos..., todas elas estão excelentes. Grace acabou por ser a minha favorita: discreta, com uma história escondida e crucial nos momentos mais importantes, acabei por gostar muito dela. Hannah é a personagem mais interessante, mais sombria e misteriosa, excepto Robbie, que a ultrapassa. Gostei de todas elas, uma vez que é um leque muito heterogéneo e distinto, cada qual com a sua parte na trama, o seu papel definido e único.

A história está primorosamente contada por Grace, uma excelente narradora. Quase com 100 anos, a antiga criada da casa e depois criada pessoal de Hannah, Grace tem uma história para contar ao seu neto, história essa que a marcou e lhe cria remorsos no seu coração. O que à partida parece ser uma coisa, logo acaba por se mostrar outra. Este aspeto está sempre presente nos livros da autora, o que os faz serem tão bons e imprevisíveis. Este não é excepção. A história das irmãs Hartford é muito forte. A família, o amor e o dever. Eis as bases que as regem e que regem toda a trama. Aqui não há espaço para meias palavras, nem para momentos delicados. Tudo se passa com grande fulgor e paixão e ambas as irmãs têm que enfrentar grandes acontecimentos que acabam por por à prova a sua amizade e amor entre ambas.

Ser guiado por Grace desde os seus 14 anos, quando foi trabalhar para a mansão, até aos seus quase 100 anos é uma experiência interessante, uma vez que ela tem muitos segredos para desvendar e contar. Tendo acompanhado a vida de Hannah e Emmeline desde a sua juventude, sabe tudo sobre elas e sobre o que levou à loucura na famosa festa dada em Riverton em 1924, no auge dos loucos anos 20. O mistério está muito bem contado, as pistas são dadas em pequenas doses e o leitor pode seguir por esta história como se estivesse presente em todos os momentos, como se estivesse de mão dada com Grace através da história. 

O facto dos acontecimentos narrados atravessarem um longo período de tempo, cerca de 20 anos, também dá outras mais valias à história. A Primeira Guerra, as mudanças sociais e económicas, a entrada na década de 1920 e tudo o que estes anos trouxeram (música, emoções, modas...), a liberdade social e de costumes que se começou a viver na época...tudo está aqui presente e tudo faz parte do contexto da obra. Kate Morton, mais uma vez, usou todos esses aspetos para criar um contexto perfeito e único, em que tais aspetos servem a história, dando-lhe coerência e realidade, sendo parte viva das personagens e do enredo em si.

As descrições estão soberbas, magistrais. É como se o leitor estivesse defronte de tudo o que é descrito. Aliás, logo na primeira página é possível entrar na história, começar logo a fazer parte do quadro visual que é ali apresentado. Imaginar logo a primeira cena foi o que me fez entrar automaticamente na história. Assim, a vivacidade das descrições em conjunto com a poesia da forma de escrita, faz com que a leitura da obra seja um momento maravilhoso, onde se entra na trama e se acaba por fazer parte do enredo.

Já tinha acontecido isso nos livros anteriores. A autora consegue sempre dar tudo de si e de tudo o que cria para dar prazer ao leitor, através das variadas descrições das personagens, da ação, dos espaços, dos objetos..., passando pela história e acontecimentos, até chegar ao cerno do mistério que há para desvendar. Porque há sempre um mistério escondido, algo que tem de ser dito, que tem de ser descoberto.

Mais um maravilhoso livro de Kate Morton, que recomendo sem reservas. Romance, mistério e muita emoção numa história bem contada.

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O Jardim dos Segredos, de Kate Morton

Sinopse:

Uma criança perdida: em 1913, uma criança é encontradas só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto. 

Um terrível segredo: no seu 21º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst.

Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvendar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida. (in Goodreads)



Opinião:

Li, no ano passado, As Horas Distantes e gostei bastante. Fiquei muito agradada e decidi apostar na escritora. Agora, em O Jardim dos Segredos, posso voltar a afirmar: Kate Morton é, dentro do seu género, uma escritora única e maravilhosa. 

O livro apresenta-nos várias personagens e três gerações principais, desde 1900 até 2005, aproximadamente. Começa com uma menina de três anos à espera de uma senhora que a acompanhava numa viagem para a Austrália, mas que nunca chegou a aparecer para a acompanhar até ao país tão distante. Essa menina acaba por crescer na família do capitão do porto, que a tinha descoberto e, até aos 21 anos, cresceu a acreditar pertencer àquela família. Porém, quando o pai adotivo lhe anuncia o seu passado, Nell (o nome dado pela nova família) afasta-se da família e começa a tentar descobrir o seu passado, para melhor se conhecer a si mesma. Nell acaba por ficar a meio do mistério e a sua neta, Cassandra, empreende a missão de descobrir o que faltava. Quem era Nell? De onde viera? Quem era a misteriosa mulher, a Autora, que a tinha deixado sozinha num navio? E porquê? Este é o mote para uma história densa, complexa e trágica que vai sendo revelada aos poucos, através dos pontos de vista das várias personagens das várias gerações. 

Eliza, Nell e Cassandra. Estas são as vozes principais da narrativa, havendo outras pelo meio e que acabam por ser tremendamente importantes para o conhecimento do mistério e dos porquês da sua existência. Todas elas são excelentes. Todas são complexas e com passados recheados de mistérios e acontecimentos diversos, que, todos juntos, acabam por influenciar toda a trama. Gostei de todas elas, tanto destas três como das outras, uma vez que são todas elas únicas e distintas. O leque é variado e há de tudo um pouco. Mas devo dizer que gostei mais de Eliza e da sua parte da história e o seu mistério foi muito bem guardado e criado. 

A narrativa está muito bem conduzida. O mistério vai sendo deslindado com mestria e requinte e o que parece óbvio num momento acaba por tornar-se bastante denso e complexo. A história de Nell acaba por enviar Cassandra rumo a mistério e a uma história muito mais sombria do que aquela que podia ser imaginada primeiramente. A autora não poupa nos detalhes e na criação de momentos de grande emoção. 

Outro aspeto importantíssimo para a história é o espaço. Os locais presentes ao longo da narrativa acabam por ser eles mesmos personagens. O jardim de Eliza, na propriedade para onde foi viver na Cornualha, é a fonte de tudo: do mistério, das respostas. A vida dela está ali para ser descoberta, e com isso, a história de Nell. Todas as descrições estão extremamente vívidas, coloridas...quase que é possível cheirar os aromas das flores, da macieira plantada há tanto tempo atrás. Também as descrições das ações e atitudes das personagens estão muito bem, uma vez que deixam-nos antever e ver como as personagens estão a pensar e como poderão agir em função de tais pensamentos e emoções. 

Esta história é feita de muitos ingredientes, que foram extremamente bem doseados para criar uma romance bastante denso e sombrio. O passado de Eliza na casa Blackhurst e a vivência com a sua família, em especial com a sua prima, Rose, é tudo menos perfeito e os segredos encerrados naquelas paredes são muitos e negros. A autora conduz o leitor muito bem, por caminhos labirínticos, sempre deixando antever alguma coisa, recuando e avançando devagar. 

Também gostei muito da forma como os contos de fadas de Eliza foram aparecendo e como estes foram importantes para o deslindar do mistério. Outro ponto a favor! 

Não há nada negativo a apontar nesta história, tal como não o houve em As Horas Distantes. Não vou comparar os dois livros, mas, entre os dois, acabei por gostar mais d' As Horas Distantes. O mistério desse foi mais esquivo do que o deste e tornou-se mais difícil de descobrir, o que me agradou mais. 

Em suma, recomendo vivamente a todos os que gostam de um bom romance, repleto de emoção e mistério. 

NOTA (0 a 10): 10 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

As Horas Distantes, de Kate Morton

Sinopse:

Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...
Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.

Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre. No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...
(in Goodreads)


Opinião: 

Tinha bastante curiosidade em ler os livros desta autora. Primeiro, porque as suas sinopses sempre me despertaram a atenção; segundo, pelas suas fantásticas opiniões no Goodreads. E foi uma agradável descoberta, que só não foi uma surpresa porque esperava uma boa história, sendo isso mesmo o que aconteceu. Esta história prendeu-me logo nas primeiras páginas, criando um imaginário muito forte e deixando-me sempre em suspense, sempre a querer ler mais e a desvendar o mistério por detrás de tanta história. 

O livro, tal como refere na sinopse, conta a história de uma jovem editora, que, depois de ver a sua mãe receber uma carta misteriosa que tinha sido perdida no período da Segunda Guerra, fica completamente curiosa sobre de onde veio a carta (do castelo de Milderhurst) e sobre todo esse mistério. Mistério esse que reside na vida, mais especialmente num determinado acontecimento numa noite de tempestade em outubro de 1941, em que tudo se alterou no castelo de Milderhurst, sendo que as três irmãs nunca mais foram as mesmas. Sempre com momentos de grande intriga, mistério, romance e drama, a autora conseguiu criar um excelente romance com toques de mistério muitíssimo bem escrito e contado, uma vez que é narrado com extrema mestria. 

O enredo é fortíssimo, cheio de momentos de grande tensão e emoção, que me deixaram presa à leitura. Senti constantemente um grande apelo por saber mais, desvendar o segredo por detrás do castelo, por detrás das irmã ...e isso é revelador da força do enredo e do seu mistério. Não é um enredo previsível, sem sombra de dúvida, antes pelo contrário, e isso é fundamental numa história deste género. Tem todos os ingredientes que uma boa história deve ter e em doses bem repartidas. 

As descrições também são fantásticas e muito bem elaboradas, sem serem maçadoras. É possível sentir, ver e estar com as personagens ao longo da narrativa por causa das descrições pujantes e cheias de vida. Mesmo descrições de momentos sem corpo, como "ser chamado do meio do livro" (quando se está a ler e se é chamado), estão tão perfeitas que servem para definir esses momentos que por si mesmos não têm definição. É como se estivesse lá, se estivesse com as personagens...como se se fizesse parte do castelo e daquela história. São, de facto, descrições de grande intensidade, força e beleza. Muito assertivas e esplêndidas. 

Em relação às personagens, posso afirmar que são todas excelentes. Gostei imenso de Edith, que é a narradora e jovem editora. Sempre cheia de genica e muito curiosa, consegue ser a narradora perfeita para a história, porque está sempre à procura de respostas para os mistérios do castelo. Também gostei dos familiares de Edith, todos muito diferentes e com histórias bem fortes. E claro, também gostei das irmãs Blythe: Seraphina, Percy e Juniper, que cada uma é tão diferente da outra como o dia da noite e o sol da lua e todas têm tudo em comum e uma história tão arrepiante. Gostei de todas, cada qual à sua maneira. E também gostei muito de Tom Cavill, o eterno visitante e noivo de Juniper. 

Ao longo da leitura fui pondo várias hipóteses para a resolução dos mistérios, mas confesso que não descobri totalmente e fiquei bastante por me ter surpreendido nas minhas conjeturas, porque é sinal de que a autora conseguiu encontrar uma explicação bastante inteligente e interessante, conseguindo criar um todo global muito bem conseguido, juntando todas as peças e toda a história numa grande cúpula cheia de do passado, presente e futuro de todas as personagens. Todos os acontecimentos tiveram um propósito e uma ligação e isso está muito bem elaborado ao longo da história. 

Não tenho nenhum ponto negativo a apontar. Talvez haja quem ache a narrativa um bocadinho lenta de início, mas eu não achei, uma vez que achei isso parte integrante do mistério. 

Em suma, aqui está uma autora que espero acompanhar e que recomendo sem reservas. Excelente!

NOTA (0 a 10): 10