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domingo, 26 de junho de 2022

Gemina, de Amie Kaufman


Este é o segundo de uma trilogia maravilhosa, das mais espetaculares que li até hoje. Ainda não li os restantes livros, apenas o primeiro e este, mas sou fã. 

Sou fã porquê? 

Ora, estes livros são diferentes. O aspeto visual é diferente, a forma de narrativa é diferente e o enredo em si também acaba por ser diferente. É muito interessante e é super original. Quando li o primeiro fiquei fascinada. Com este o fascínio já estava instalado e foi-me ainda mais fácil entrar na história. 

As personagens são complexas, fortes e cheias de personalidade. Não há uma personagem que não tenha gostado ou que me tenha sido indiferente, nem os vilões, e são alguns. Gostei especialmente das personagens principais e das mais variadas interações entre elas. Também gostei de rever algumas das personagens do volume anterior e de como elas estão ligadas às deste volume. Só demonstra a mestria da autora em criar uma história complexa e cheia de intriga. 

Este é um livro que tem tudo: tem ação, intriga, romance e muitos, muitos momentos de tirar o fôlego! É uma grande aventura e está repleto de emoções fortes e excelentes reviravoltas. Achei muito interessante a forma como os acontecimentos vão sendo direcionadas de certa forma que parece convencer o leitor de uma realidade, mas que depois acabam por ser de outra forma surpreendentemente misteriosa e muito interessante, o que deixa o leitor agarrado ao livro sem conseguir largá-lo. 

Também achei muito relevante toda a parte científica que é explorada ao longo da narrativa e como tal acaba por ligar todos os pontos da história. 

Outro aspeto que me fascinou foi a parte visual e a arte apresentada ao longo das páginas. Sem dúvida um livro surpreendente e que recomendo a todos! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 15 de janeiro de 2022

Dune - Messiah, de Frank Herbert

Sinopse:

Após os acontecimentos narrados no primeiro volume, Paul é agora imperador e tem desafios muito mais difíceis de ultrapassar, especialmente tendo em conta as inúmeras conspirações que os seus inimigos planeiam por em prática. 

Será que Paul vai conseguir descobrir todas essas conspirações e continuar o seu império? Ou será que Paul tem outros planos ele mesmo?

Muita emoção e intriga vão fazer parte da corte e criar um ambiente ainda mais intrigante do que o que foi apresentado no livro anterior. 


Opinião:

Foi há alguns anos que li o primeiro volume, o qual gostei, mas não me maravilhei. Contudo, depois de ver o filme mais recente, decidi continuar a leitura desta saga e descobrir mais sobre Paul e o que acontece depois de Duna

Pois bem, gostei muito deste livro. Acho que consegue ser melhor do que o primeiro, talvez pela forma como a história é contada. Se bem que existem alguns momentos que podem parecer um tanto confusos ao início e que parecem estar fora do enredo, isso é mesmo o que de mais interesse há neste livro pois, na parte final, dei por mim a pensar que afinal o que tinha achado que não tinha muito sentido era mesmo o mais relevante. Surpreendeu-me pela positiva, criando um enredo bastante complexo no seu âmago, e isso agradou-me muito. 

Paul é a grande personagem, um homem muito interessante e cheio de mistério e poder. Mas também existem outras personagens igualmente interessantes. Podia aqui fazer uma extensa lista, mas vou apenas referir duas: Alia e Hayt. Alia porque é uma jovem forte, mística e muito misteriosa também. Hayt porque tem muito mistério dentro dele e é muito importante para a história. 

Gostei da forma como a história é narrada, com capítulos curtos, que deixam sempre algum mistério no ar e que não revelam as verdadeiras intenções das personagens. De facto, é um livro que leva o leitor a refletir no que vai acontecendo, de modo a tentar colocar as peças todas no devido lugar. Também gostei de ter sido apresentado muitos detalhes sobre o mundo criado. Achei muito interessante as referências a acontecimentos históricos verdadeiros, por exemplo. 

Em suma, ainda bem que decidi ler o segundo volume e agora vou querer ler os seguintes. Recomendo a todos.

NOTA (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Illuminae, de Amie Kaufman

Sinopse:

Um ataque numa colónia espacial. Algumas naves acabam por conseguir salvar os sobreviventes do ataque à colónia, mas são perseguidos por uma nave inimiga, que continua a tentar aproximar-se da frota em fuga, para assim conseguir eliminar as provas do ataque à colónia. 

Num conjunto de ficheiros conseguidos depois dos vários ataques e dos vários meses que a frota andou pelo Espaço na tentativa de chegar a uma estação, a história do que aconteceu ficou gravada e tem como objetivo dar a conhecer a verdade dos acontecimentos passados durante tal viagem. 

Kady Grant, uma das sobreviventes, em conjunto com o seu ex-namorado, Ezra, vão tentar de tudo para ajudar a salvar as tripulações das naves, bem como os sobreviventes do ataque à colónia. 


Opinião:

Este é um livro diferente de todos os outros que tenho lido. Não tem uma narrativa "linear", sendo composto por um conjunto de vários ficheiros que acabam por se interligar e formar a narrativa. Esses ficheiros são compostos por imagens, relatórios técnicos, conversas online entre Kady e Ezra e entre outros membros da tripulação, registos do sistema de Inteligência Artificial de uma das naves (AIDAN), registos das câmaras, entre outros. É verdadeiramente uma forma bastante inovadora e criativa de contar esta história e, se não fosse assim composta, de certeza que não teria o mesmo impacto no leitor. 

Quando comecei a ler estava um pouco na dúvida sobre a história e se teria de facto todo o interesse que é demonstrado online. Mas à medida que fui avançando na leitura e especial ali a partir de meio do livro comecei a ficar completamente convencida e muito interessada e acabei por me encontrar embrenhada totalmente na leitura e sempre a querer saber o que estava a acontecer.

O mistério vai aumentando e ficando cada vez mais intrigante. Quem está por trás de tudo o que acontece durante os ataques? Quem será o vilão? O que será que se passa no meio de tudo o que é narrado? É mesmo um livro diferente, único e excelente, que de facto é uma maravilha! 

As personagens são muito interessantes, em especial Kady, que acaba por ser uma das melhores protagonistas da Literatura. Kady é uma mulher de armas, uma jovem normal que acaba por se ver numa situação completamente alucinante e assustadora no meio de uma fuga espacial. Ezra é também muito interessante e bondoso, mostrando-se muito importante para todo o desenvolvimento da história. E depois, no meio de tantas e tantas personagens, há AIDAN, que acaba por ser uma personagem tão complexa que nem há palavras para definir. 

Em suma, um livro completamente diferente, muito original e ambicioso, repleto de personagens espantosas e complexas, com uma história forte, feroz e totalmente cheia de emoção, ação e muito mistério. Lê-se rapidamente, com uma escrita totalmente real, do dia a dia, como se estivéssemos a ler conversas e comentários online, com incorreções e tudo, e tal como na oralidade. Um thriller espacial emocionante e personagens inesquecíveis! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 13 de outubro de 2018

Ready Player One - Jogador 1, de Ernest Cline

Sinopse:

Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças. Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode jogar e apaixonar-se sem constrangimentos. 

Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980. 

Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro.

Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial, sem sucesso. Até que Wade, por acaso, desvenda a primeira chave. De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida. (in Goodreads)




Opinião:

Depois de ter visto o filme e de ter ficado completamente apaixonada, foi com grande entusiasmo que comecei a ler o livro. E, apesar de ser muito, muito diferente em relação ao filme, ambos conseguiram preencher todas as minhas expectativas em relação à história. São os dois tão diferentes, mas tão perfeitos! 

Tudo no livro é bom. Wade, ou Parzival, é um doce, e a sua evolução enquanto personagem, a todos os níveis, é muitíssimo grande. Art3mis também é uma personagem cheia de garra e força, uma rapariga muito fixe e de princípios, que ajuda Parzival na sua luta, mesmo que por vezes se ericem um com outro de uma maneira muito engraçada. Depois as outras personagens também são extraordinárias, incluindo o grande vilão individual (pois o vilão principal, a meu ver, é a corporação IOI no seu total), Sorrento, que dá gosto odiar. 

A ação é pura adrenalina. O livro lê-se num instante e o leitor sente-se completamente agarrado e invadido pela sensação de loucura da própria ação e pela escrita eletrizante. Tem muita emoção, diversão e aventura. É uma história que, à partida, pode parecer um tanto estranha, centrada no mundo dos videojogos e da cultura pop, em especial da década de 80, mas que é um hino à vontade de lutar, de não desistir e de fazer frente ao poder. É também uma forte crítica à sociedade atual e uma perspetiva de um possível futuro que tem como pano de fundo um cenário onde o virtual é mais importante do que o real, mesmo que essa seja uma grande mentira. 

Gostei muito da forma como as referências culturais vão aparecendo ao longo da obra e da forma como acabam por dar corpo ao enredo. Também foi um dos fatores que me fez ficar completamente fascinada pelo livro. 

As descrições estão excelentes, com detalhes quando é necessário, sem eles quando não o é. O autor é sucinto na sua abordagem, o que promove uma escrita fluída e uma leitura rápida e frenética. 

Este é, sem dúvida, uma das grandes leituras deste ano. Recomendo vivamente! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 9 de junho de 2018

Um Estanho Numa Terra Estranha Vol. I, de Robert A. Heinlein

Sinopse:

Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente. 

Nascido na fatídica nave espacial e salvo pelos Marcianos que o criaram e lhe ofereceram uma nova vida, Valentine Michael Smith nunca viu um ser humano até ao dia em que é descoberto por uma segunda expedição a Marte. 

Ao regressar à Terra, vê-se pela primeira vez entre o seu povo. Começa então um percurso de aprendizagem dos códigos sociais e preconceitos da natureza humana, totalmente alienígenas para a usa mente. Nesse processo de descoberta e integração, Valentine irá partilhar com a Humanidade os rituais sagrados que aprendeu em Marte e retribuir com as suas próprias crenças sobre o amor e o sentido da vida. Mas conseguirá alguma vez deixar de se sentir um estranho numa terra estranha? (in Saída de Emergência


Opinião:

Este livro, escrito há tantos anos, prova o quanto o poder da imaginação pode ter a capacidade de percorrer gerações e chegar até nós com uma mensagem profunda, criativa e dinâmica. Esta é a primeira parte. 

É uma história de ficção cientifica bastante boa, onde a ação não é o seu principal foco, mas onde as questões éticas, morais, emocionais e sociais estão bem presentes, sendo o grande motor da narrativa, que nos traz muitas questões interessantes sobre a evolução, a ciência, o Cosmos no seu todo e a importância dos Seres Vivos. 

Personagens complexas, únicas e muito apelativas, todas elas são muito boas, cada qual à sua maneira. Gostei especialmente de Valentine, o individuo que veio de Marte. 

Gostei das descrições, da escrita e da história em si, bem como das personagens. Senti um pouco a falta de mais ação, penso que poderia ter contribuído para um maior sentimento de emoção durante a leitura. Porém, o grande poder deste livro é abordar questões mais existenciais, morais e éticas quanto aos usos científicos e da descoberta do Universo em relação com a sociedade através de uma narrativa muito bem contextualizada e de personagens marcantes. 

A escrita é fluída e lê-se a uma grande velocidade, uma vez que os diálogos também preenchem boa parte da narrativa. Esses diálogos são bastante interessantes. 

Sem dúvida, é de enaltecer a capacidade imaginativa do autor, cujo livro foi publicado na década de 1960, e que conta com muitos mais livros deste género na sua obra literária. Vou querer explorar mais das suas histórias! 

Assim, recomendo a todos os que gostam de Ficção Cientifica e que apreciam uma boa história. 

NOTA (0 a 10):

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Valérian 1 a 12, de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières

Sinopse:

Valérian e Laureline são uma dupla de agentes espácio-temporais que vivem imensas aventuras, primeiro ao serviço da organização de Galaxity, a capital do Império Galáctico Terrestre, em 2720, e depois por conta deles, sempre com o objetivo de descobrir o futuro da Terra, uma vez que, no passado, devido a um acontecimento estranho e medonho, o planeta desapareceu de todos os Sistemas. 

Cada livro tem duas histórias, sendo que o décimo segundo é um género de reconto de algumas delas ou de material de interesse para os leitores que querem ficar a saber mais sobre estas personagens.



Opinião:

Decidi apostar nesta coleção depois de ver o filme que saiu no ano passado, com o mesmo nome e realizado por Luc Besson. Apesar de ser lindo visualmente e de ter um argumento fantástico, esperava muito mais de um filme de Ficção Científica. Havia muito mais para explorar e que não o foi, mas há algo muito bom para além do aspeto visual, que é a sequência inicial: única e muito bem conseguida, é uma das melhores que vi até à data. 

Acho que foi uma excelente ideia o Público ter optado por publicar esta coleção. Não conhecia as personagens, a história, os autores e fiquei bastante satisfeita. 

Valérian e Laureline são duas personagens muito interessantes, mesmo que não sejam muito complexas. Também não esperava que fossem, uma vez que o grande foco das histórias é mesmo a ação e o cariz visual das outras espécies que vão aparecendo ao longo das histórias e que estão muito interessantes e variadas, permitindo assim um olhar muito diversificado sobre as diferentes espécies que podiam existir em todo o Universo...todas a viver em harmonia. 

As histórias são muito boas, cheias de emoção, humor e muita ação. A juntar a uma escrita com humor e bastante sucinta, faz com que cada livro seja lido num ápice. Quis não ler tudo de seguida para poder desfrutar mais destas aventuras, que são todas elas diferentes. 

Porém, durante a leitura das várias histórias é possível deslindar várias outras leituras e mensagens que os autores quiseram transmitir através das personagens e das suas aventuras. As questões multiculturais, do ambiente, da rivalidade, da indiferença, dos vários perigos das sociedades modernas...é possível encontrar variadas referências nas entrelinhas das aventuras dos dois agentes e que transformam estas histórias que podem parecer simples, nalgo mais interessante e complexo, sendo algumas delas boas metáforas para questões sociais. 

Em relação às ilustrações, são magníficas. As expressões, as cores, os ambientes...tudo tem o maior detalhe, permitindo ao leitor entrar completamente nos diversos mundos e acompanhar Valérian e Laureline.

Assim, recomendo a todos os que gostam de banda desenhada e de boas aventuras!

NOTA (global, 0 a 10): 8

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Aniquilação, de Jeff Vandermeer

Sinopse:

Vencedor dos Prémios Nébula e Shirley Jackson de Melhor Romance de 2014

Área X. Uma zona misteriosa e isolada do resto do mundo. Onde a natureza reclamou para si qualquer vestígio de civilização. Sucessivas expedições são enviadas para investigar o mistério que levou à sua contaminação, mas todas redundam em fracasso e os seus membros regressam meras sombras das pessoas que partiram. 

Até que chega a vez da 12ª expedição. Composta por quatro mulheres (antropóloga, topógrafa, psicóloga e bióloga), a sua missão é desvendar o enigma. Mas acontecimentos bizarros e formas de vida que ultrapassam o entendimento minam a confiança entre os membros da expedição. Nada é o que parece e o perigo espreita a cada esquina. Que novos horrores se escondem na Área X? Será a 12ª expedição capaz de revelar todos os segredos...ou estará condenada à pior das tragédias? (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Este é o primeiro livro da trilogia. Assim que saiu por cá que fiquei logo de olho nele e foi com grande entusiasmo que comecei a sua leitura. É daqueles livros que não sabia muito bem o que esperar; sentia um misto de curiosidade e mistério; e quando comecei a ler fiquei bastante entusiasmada. Fiquei porque o livro tem um começo muito misterioso, denso e aterrorizador, em parte, devido ao ritmo frenético do início (que acompanha toda a história) e também devido à linguagem e ao contexto, que agarra logo o leitor.

A história é bastante misteriosa. As personagens não têm nome, tem um passado dúbio e todas as suas ações são duvidosas, pois nunca se sabe muito bem os seus motivos. A narradora é bastante inteligente e interessante, com um passado complexo e estranho. O clima de tensão que envolve as personagens ao chegarem à Área X é bastante desconfortável e intenso, o que causa vários acontecimentos de tirar o folgo. 

Existe muita ação, muito mistério, um clima de terror muito bem preparado e muito bem pensado, uma vez que não é nada previsível, sendo tudo um mistério por resolver. Toda a história está envolta em mistério, todas as personagens e toda a Área X. Os porquês são muitos, tudo é um enigma, tudo pode ser tudo. Não há respostas prontas e o leitor fica sempre a querer mais: mais explicações, mais detalhes. Houve algumas partes que a história fez-me lembrar o filme Alien - O Oitavo Passageiro, devido à personagem do filme e do livro, bem como por causo do clima de mistério e terror pulsante ao longo de ambas as histórias. Também me fez lembrar os contos de Lovecraft, também pelo mesmo motivo: o terror latente, à espreita, sem se mostrar e sem se ficar a saber o que é que de facto está a aterrorizar, ficando apenas a sensação, forte porém. 

Gostei muito do livro. Gostei das personagens, em especial da bióloga, que é a narradora. Gostei da forma como o contexto é abordado, gostei do clima de suspense, misturado com ficção científica. A linguagem está excelente, o ritmo é perfeito, alucinante e muitíssimo rápido. O livro lê-se num ápice, é simplesmente devorado. A premissa da missão está muito bem elaborada: descobrir o que aconteceu na Área X. Está bem elaborada porque há um mistério grande e convincente, que faz o leitor querer saber mais e mais...querer estar lá a explorar também. 

Nunca tinha lido nada igual e fiquei completamente fascinada. Não posso referir muito mais porque este é o típico livro em que apenas um spoiler já vai influenciar toda a leitura. Quero que os leitores descubram e tenham uma experiência fantástica e única ao ler esta narrativa. 

Recomendo vivamente a todos os leitores e parabéns à Saída de Emergência pela aposta nesta trilogia.

NOTA (0 a 10): 8

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Comandante Serralves - Despojos de Inverno, de Carlos Silva, Vítor Frazão, Inês Montenegro, Ana Filipa Ferreira, Joel Puga e Rui Leite

Já tinha este livro para ler desde que foi editado no ano passado e foi agora que me decidi a lê-lo! Estava ali na prateleira mesmo a olhar para mim e eu fui lá buscá-lo.

Sinopse:

Depois da invasão Pahoehoente, a Aliança Humana trouxe paz e prosperidade ao Sistema Solar. Contudo trouxe também a supressão da cultura, a opressão e a padronização dos povos.

Existe, porém, uma lenda que há várias gerações traz esperança a todas as nações livres. O seu nome é: Comandante Serralves

Suba a bordo da nave Maria e deixe-se levar por um universo de relatos de resistência e luta. Conheça as muitas caras e corpos do Comandante e deixe-se maravilhar pelas comunidades que colonizaram os planetas de Mercúrio a Urano.

Que despojos de guerra contra os Pahoehoentes são esses que ainda hoje trazem perigo às nações livres? Que artefactos se escondem em torno do Sol que podem desequilibrar o braço de ferro entre Serralves e a Aliança?
(in Goodreads)
Opinião: 

Este livro é composto por sete partes, contos, que compõem as aventuras do Comandante Serralves, o lendário comandante da nave Maria e um líder dos separatistas. Gostei bastante do Comandante, que tem uma personalidade bastante engraçada e interessante. Fez-me lembrar um misto de várias personagens espertas e inteligentes que eu tanto gosto, como, por exemplo, o Locke Lamora. Também gostei das outras personagens, em especial da Emily, mas Serralves é, sem dúvida, a grande personagem, e o melhor do livro, a meu ver. 

Gostei da história em si. A perspectiva está interessante, bem como o contexto em que os contos acontecem. Toda a parte científica, as armas, as invenções, tudo isso está excelente, bem como toda a visão futurista apresentada, assim a "descambar" para uma paz fingida e de fachada, que está muito bem apresentada. 

No entanto,  penso que poderia ter uma ligação entre os contos mais esclarecida. Senti que poderia ter gostado mais se houvesse uma maior ponte de um conto para o outro, de forma a que também o contexto do enredo saísse beneficiado, porque pareceu-me que, de conto para conto, ficava algo para dizer. Mas pode ser esse o objectivo e se assim é, os autores conseguiram. 

Todos os contos são interessantes. Gostei de todos, mas devo dizer que gostei especialmente do da Ana Filipa Ferreira, por causa da perspectiva alienígena de um dos seres em relação à Terra e aos humanos, bem como por causa da existência de uma maior emotividade nesse conto. 

Espero que o projecto continue e que em breve haja mais novidades. Também espero que os leitores apostem neste projecto e que contribuam, de modo a preserva-lo, uma vez que acredito que quanto mais for desenvolvido, melhor se tornará. É sempre bom poder ler histórias de autores nacionais e de poder divulgar as suas obras.

Um bom livro, cheio de aventuras, acção e emoção.

NOTA (0 a 10): 8

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Under Different Stars, de Amy A. Bartol

Aqui está um livro que me despertou pela capa e pelo título. Tem a sua graça, mas podia ser melhor. Ficção Científica com um toque de romance, em que este é o primeiro volume. 


O livro conta a história de Kricket, uma rapariga que vive em Chicago. Sozinha, Kricket vai vivendo. Até que aparecem algumas pessoas que lhe contam que ela não é terrestre, mas sim Etharian (cidadã/o de Ethar, um mundo diferente), filha de pessoas importantes e influentes. Depois desse encontro, aparece novo grupo de pessoas de Ethar, em missão, que lhe dizem ter de a levar para Ethar, para prestar explicações perante o seu povo. Assim, a jovem vai numa viagem através de um lago subterrâneo para Ethar, onde espera descobrir as suas origens e desvendar o mistério.

Pois bem, aqui está um livro que me fez lembrar um misto de outros que já li: Luz e Sombra, Crepúsculo, Império Final e Cinder. Uma mistura destes livros em que há a capacidade natural e inata, sem grande exploração, de uma jovem heroína que não sabe nada sobre si; pouca exploração das personagens e do contexto; um romance leve, sem complexidade, tipo Bella e Edward; muito diálogo; uma acção bastante linear e parecida ao longo da narrativa, e, poucas descrições de Ethar. Também me fez lembrar Doctor Who.

Tem momentos interessantes, especialmente quando se tem algum vislumbre de Ethar, tanto a nível visual como cultural, ou nos momentos de mais acção. Estava à espera de mais, uma vez que a premissa é boa e diferente.

Deste modo, posso dizer que é um livro que tem o seu interesse. O livro tem os seus pontos fortes, como Ethar e tudo o que lhe diz respeito, e podia haver uma maior exploração a nível das personagens e contexto. Lá porque não fiquei totalmente maravilhada, isso não é sinónimo de que não tenha qualidade. Nem por sombras! Não estou a dizer que o livro não é bom, mas apenas que não me "encheu as medidas". Possivelmente, um público que goste dos livros que mencionei acima, irá gostar deste e recomendo-o vivamente a quem gosta deles (eu gostei do Luz e Sombra e do Império Final).

Talvez se a história não fosse contada pela personagem principal, e sim na terceira pessoa, teria sido mais interessante, pois não teria sido tão centrada apenas nela e mais no todo.

É de referir que existem partes com descrições bastante bonitas e que nos deixam imaginar as cenas nitidamente, o que é sempre bom e enriquece o imaginário de quem lê.

Aconselho a sua leitura. Mesmo que eu não tenha gostado muito, vocês podem gostar. 

NOTA (0 a 10): 5

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Oeste do Éden, de Harry Harrison

A Oeste do Éden surpreendeu-me bastante. Além da curiosidade com que estava para o ler, não tinha expectativas muito altas uma vez que não conhecia totalmente a história da obra.

Decidi ler este livro devido às sugestões do Fiacha, da São Bernardes e do Marco Lopes, que me disseram que o livro era fantástico e cujas opiniões me deixaram rendida. Assim, ao ir à biblioteca, trouxe-o para casa e comecei a lê-lo.

E fiquei completamente satisfeita com a história. A obra é como que a História da Terra vista por um ângulo diferente, por um ângulo que podia ter acontecido. Logo no início, o leitor é confrontado com a perspetiva de o meteoro não ter chocado com a Terra. Se tal não tivesse acontecido, os dinossauros e várias outras espécies não se teriam extinguido. E assim, como seria a Vida na Terra? Quem a habitaria? Como era?

Este livro trás essa mesma perspetiva. Nenhum meteoro chocou com a Terra, nenhum dinossauro se extinguiu e assim, a Terra, é maioritariamente governada pelas Yilanè. Estes seres são uma espécie de dinossauros super desenvolvidos, super evoluídos em termos da evolução das espécies. As Yilané tem conhecimentos, tem História, Ciência, Medicina…Linguagem. São uma sociedade civilizada e com grande potencial a todos os níveis. Assim, a espécie mais forte, os sáurios, conseguiram manter o seu poder na Terra, ao passo que os mamíferos não.

No entanto, os mamíferos também evoluíram, tendo “aparecido” os Tanu (humanos), de várias culturas.

Esta é uma história de sobrevivência, em que Tanu e Yilanè se confrontam até à morte pela posse da Terra (ou pelo menos, dos locais onde habitam). Devido a um ataque a alguns indivíduos Yilanè, os Tanu veem-se perseguidos e atacados pelas membros da cidade de onde eram esses indivíduos assassinados e assim começa a guerra entre ambas as raças.

Kerrick é um rapaz de oito anos, um futuro caçador, que se vê prisioneiro das Yilané aquando do ataque ao seu sammad (tribo). Depois de ser ensinado por Enge (uma Yilanè) e por cair nas graças da eistaa da cidade, Vaintè, Kerrick começa a ver-se como Yilanè, esquecendo a sua origem. Porém, aquando de um ataque a uma sammad, Kerrick encontra-se com outro Tanu, que lhe recorda a família. Começa assim o dilema de Kerrick, bem como a guerra total entre as duas raças e a luta pela sobrevivência.

A história é apresentada ao leitor de modo a que este consiga compreender a totalidade do mundo em que está inserido, uma vez que os capítulos estão organizados de modo a que haja uma certa “divisão” entre o que é acontecimentos Tanu e acontecimentos Yilanè. No entanto, à medida que a narração avança, a divisão esbata-se uma vez que as duas raças se começam a cruzar e a encontrar no enredo. Ao dar a perspetiva de ambos os lados, o leitor pode compreender ambas as partes o que permite fazer o seu próprio juízo do que está a acontecer, das ações, emoções, atitudes tomadas pelas personagens. Isto é bastante interessante por esse mesmo motivo.

Outro aspeto de que eu gostei muito foi a forma narrativa. Não tem grandes floreados. É bastante sucinta, abarca um longo período de tempo, é concisa. Isto faz com que a leitura seja muito fluída, uma vez que não há “perigo” de o leitor se perder em detalhes ou na linha de tempo. O ritmo é bastante reto e dinâmico.

Também gostei muito das personagens. Todas são diferentes, todas têm os seus motivos, os seus interesses, os seus sentimentos. Talvez a complexidade não seja muita, no entanto, a definição de cada personagem é total. Nenhuma é idêntica, nenhuma está ali “para encher”, sendo que todas fazem parte do grande esquema; todas são necessárias e importantes. Sobre as Yilanè, não podia deixar de referir a sua predominância feminina (os machos só servem para criar os ovos, praticamente) e o facto de a fala ser sinónimo de vida e inteligência.
As Yilanè que vivem na cidade são diferenciadas por muitos motivos, pois a sociedade é estratificada. Porém, há uma grande diferenciação a nível da fala. As que falam são muito mais importantes que as que não falam, ou até que as que estão a aprender a falar (as fargi). Achei isto muito interessante, devido ao facto de mostrar a importância da linguagem oral, do que ela representa na sociedade.

As descrições são fantásticas. É possível imaginar o que é descrito e apresentado no livro de uma forma bastante fácil devido à forma como as descrições são feitas: de forma simples e eficaz. Num livro onde existem personagens/criaturas que não existem é fundamental que as descrições sejam nítidas para que o leitor consiga imaginar como são. E isto acontece facilmente neste livro. No entanto, o livro tem ilustrações e isso ainda ajuda mais o leitor! É fundamental ter ilustrações. Achei interessantíssimo constatar que o livro é ilustrado. Nunca tinha lido um livro de FC ilustrado e ajudou-me muito a imaginar as Yilanè, principalmente. Muito bom mesmo. Ilustrações simples, práticas e claras. Também a nível das descrições de paisagens e viagens, está perfeito, bem como a nível dos animais que são apresentados ao longo da narrativa. Excelente!

Gostei muito da parte final do livro, também. No final está um pequeno texto que aborda aspetos da vida das Yilanè e dos Tanu, bem como ilustrações de alguns dos seres vivos que aparecem na história. É uma parte mais explicativa que é muito interessante, pois é elucidativa face a alguns aspetos que surgem na narrativa. Muito bem.

Em suma, não tenho nada a dizer a desfavor deste livro. É Ficção Científica excelente, provavelmente da melhor que já li até agora. Recomendo vivamente. Nada de achar que não é bom só por ser FC. Não há que ser preconceituoso. Leiam com a mente aberta, sem ideias pré-feitas. Vão à descoberta e deixam-se mergulhar nesta história, que está muito bem contada. É uma trilogia, mas lê-se bem como sendo standalone. No entanto, como não acho que isso esteja muito bem, há os outros dois em Inglês.

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 20 de abril de 2013

A Máquina do Tempo, de H. G. Wells

 Sinopse:

Publicado pela primeira vez em 1895, A Máquina do Tempo consagrou-se como uma das obras primas da literatura universal e iniciou o período literário em que o homem é capaz de viajar no tempo e, por vezes, alterar o destino da humanidade. E, Wells começou aqui uma fantástica e aclamada produção literária, tantas vezes adaptada ao cinema e televisão, tendo sido a sua Guerra dos Mundos adaptada à rádio por Orson Wells e lançado o pânico nos Estados Unidos pelo seu impressionante realismo.

No final da época vitoriana, um cientista inventa a Máquina do Tempo e viaja até ao ano 802.700, onde encontra tudo mudado.
Nesta época, muito mais utópica, as criaturas que encontra pareciam viver em perfeita harmonia.
O Viajante do Tempo pensa poder estudar estes magníficos seres humanos, desvendar-lhes os segredos e regressar ao seu tempo. Até que descobriu que a sua invenção, o seu passaporte para a fuga, tinha sido roubada…
(In Goodreads)


Opinião:

E tenho comigo, para meu conforto, duas estranhas flores brancas - agora murchas, castanhas, espalmadas e estaladiças - testemunho de que, mesmo depois de a mente e a força se irem, a gratidão e uma ternura mútuas habitavam ainda no coração do homem.

Um livro com uma história muito interessante e até perturbadora. É ficção, mas faz pensar. Há uma mensagem em toda a obra, bem explicita. É como se toda a história fosse uma metáfora da sociedade: trabalhadores vs. ricos que não precisam de trabalhar para ganhar a vida. A ideia do que a falta de direitos, de educação, de consideração por parte da sociedade pode levar é-nos aqui mostrada. A dicotomia entre os Elóis e os Morlocks é deveras interessante e revela espírito critico por parte do autor.

Este livro é um relato de um possível futuro, que muito espantou as pessoas do século XIX. Para livro do período vitoriano, tem uma escrita bastante prática e fluída, sempre com aquele lado sombrio que tanto caracteriza esta época literária. Há sempre uma atmosfera estranha à volta da viagem. E o Viajante é alguém misterioso, cujo nome não sabemos, dando a oportunidade de personificar à nossa vontade.

Gostei realmente deste livro, é bastante profundo, para quem o quiser ler de um modo mais sóbrio e introspectivo. É assim que este livro deve ser lido, pois só assim a sua beleza pode ser apreendida.

Excelente história, curta e concisa, cheia de ideais e de metáforas. Recomendo a todos os que não procuram um simples divertimento, mas sim algo mais reflexivo. 

Vi o filme, de 2002, antes de ler o livro. É muito diferente e apesar de ter gostado bastante do filme, o livro é muito melhor, pois tem uma mensagem muito mais marcante. 


NOTA (0 a 10): 7

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cloud Atlas - Atlas das Nuvens, de David Mitchell

Este é um livro como nunca tinha lido. Podem ouvir aqui a música.

É bastante singular. A sua estrutura, as suas personagens, a sua mensagem. Tudo é singular e brilhante.

Cloud Atlas, ou o Atlas das Nuvens, conta-nos a história de Adam Ewing, Robert Frobisher, Luisa Rey, Tomothy Canvandish, Sonmi - 451 e Zachry.

Todas estas personagens têm as suas histórias dentro da grande história que é o Atlas das Nuvens.
O livro inicia-se com a história de Adam Ewing, passando para Frobisher, Rey, Cavandish, Sonmi e Zachry. Terminando a história de Zachry, temos Sonmi, Cavandish, Rey, Frobisher e Adam Ewing. Ora vejamos!


Passei esta quinzena na sala de música, trabalhando os meus fragmentos com vista a um "sexteto para solistas imbricados": piano, clarinete, violoncelo, flauta, oboé e violino, cada um com a sua própria linguagem, com a sua clave, escala e cor. Na primeira parte, cada solo é interrompido pelo seu sucessor; na segunda, cada interrupção é completada pela mesma ordem. (pág. 518)

Só a própria estrutura por si demonstra uma criatividade, um requinte, que logo me seduziu.
Cada personagem vive numa época distinta, desde o século XIX até um futuro distante (depois da Queda da Civilização). Ao longo das histórias das personagens vão aparecendo certas ligações que as unem. Algumas ligações são perceptíveis de imediato, outras estão mais ocultas, puxando pela mente do leitor.

As histórias que as personagens nos contam são o pano de fundo para algo maior; algo que está sempre presente e algo que pode levar a graves problemas.

Cloud Atlas fala-nos dos perigos da ganancia, da sede de poder, das atitudes e ações para com os outros que geram algo no futuro. Cloud Atlas dá a entender que as personagens vão reencarnando umas nas outras, sendo as mesmas ao longo da história.

É verdade, os Antigos dominaram doenças, dominaram as sementes e fizeram acontecer milagres, mas não dominaram uma coisa: uma fome nos corações humanos, sim, uma fome de MAIS! (pág. 326)

Ao longo das histórias é possível observar a sociedade. O que está presente na história de Adam Ewing está também na de Zachry, muitos séculos depois. O mal, as más ações, vinganças, terrores, crueldade, ganancia, leva, em Cloud Atlas, à extinção da Civilização e ao recomeço das tribos e do canibalismo. Ou seja, é como se tudo por que a Humanidade tenha lutado ao longo dos tempos fosse destruído por essa mesma Humanidade, que se consome a si própria através das suas ações que despoletam algo no presente e no futuro, algo que a destrói.

Não sei se agrada a todos, mas eu gostei muito. Não é uma leitura fácil. David Mitchell consegue criar personagens muito diferentes, com características diferentes, mesmo a nível de escrita e de linguagem, que levam a que seja necessário estar com atenção às nuances e subtilezas da riqueza destas características.

Toda a história é uma critica à sociedade. É uma critica ao que a Humanidade tem vindo a fazer na Terra. Existem muitas histórias sobre catástrofes e acontecimentos dantescos. Esta história não é sobre nada disso, mas sim sobre uma possível realidade, que poderia acontecer com o passar do tempo. Os avanços científicos, as questões governamentais, o Poder, o dinheiro, as mudanças sociais, o consumismo, tudo isso está presente ao longo da história e tudo isso é real. Esta história é sobre as ações do Homem sobre si mesmo. É como que um ciclo que se renova; como que um sistema. É possível encontrar isso na subtil referencia à reencarnação e também noutras partes da história, onde a renovação da matéria está presente (matéria física, espiritual e ideológica/mental).

As histórias são muito boas, bem construídas. Personagens bem construídas, também. Uma música, um mapa das nuvens.

Aconselho vivamente. Pelo prazer da leitura, pelo prazer de algo mais filosófico e critico. Pelo prazer de ler um bom livro: diferente, original e muito, muito bom.

Não conhecia este livro. Vi primeiro o filme, como já postei aqui no Blog
É um filme muito bom, bastante estonteante e até complexo, que tem uma beleza infinita. 
É ligeiramente diferente do livro. Gostei imenso, imenso do livro, no entanto existem certos momentos da história em que prefiro o filme, talvez por ser mais visual, talvez por ter gostado muito das imagens do filme. Sinceramente não compreendo como pode não estar nomeado para os Óscares. Provavelmente por causa da mensagem que transmite.  O trabalho fotográfico e da maquilhagem é fantástico. Os atores estão muito bem "disfarçados". É fabuloso. Há diferenças no desenrolar dos acontecimentos entre o livro e o filme, não que as considere negativas. Não são muitas as vezes em que tendo a achar que o filme é um pouco melhor. Acontece isso com Cloud Atlas. Também acontece com a Invenção de Hugo. Em ambos, penso que tal acontece, tal como disse, por causa do efeito visual. 


Os sábios encontram movimentos nas histórias e formulam esses movimentos como regras que governam a ascensão e a queda das civilizações. Eu, pelo contrário, penso que a história não admite regras, mas só efeitos. 
O que é que causa os efeitos? Ações más e ações boas.
O que é que causa as ações? As convicções. 
A convicção é ao  mesmo tempo o prémio e o campo de batalha, dentro do espírito e no espelho do espírito que é o mundo.

(...)

E só com o teu último suspiro é que hás de perceber que a tua vida não é mais que uma gota num oceano sem limites!

E, contudo, o que é o oceano senão uma profusão de gotas?
(pág. 590)

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

"Guerra das Estrelas", de George Lucas

O primeiro livro da saga da Guerra das Estrelas que leio.
Como fã dos filmes da saga, com especial gosto nos dois primeiros da saga do Luke e do último do Anakin, decidi apostar nos livros.

Acho que é a primeira vez que leio um livro praticamente igual ao filme. Não sei o que foi feito primeiro, se o filme ou o livro, mas gostei muito da experiência.
Uma escrita agradável, de fácil acesso e com bastante acção, este livro inicia a história de Luke Skywalker e da Aliança Rebelde contra o corrupto Império.
Todas as personagens do filme estão presentes no livro, com especial destaque para os dois robots, R2 D2 e C3P0, que têm uma interação muito interessante, como é possível ver no filme, e que no livro é mantida.

Luke Skywalker, sobrinho de agricultores e habitante de um planeta desértico chamado Tatooine, depois do seu tio comprar os dois robots, vê-se na obrigação de os limpar e tratar. O seu sonho é ser piloto, mas a quinta precisa dele e por isso o rapaz fica todos os anos na quinta, a ver os seus amigos a irem para o curso. Aquando da limpeza dos robots, Luke descobre um holograma que é apresentado por R2 D2, um holograma de uma rapariga a pedir ajuda a alguém chamado Obi-Wan Kenobi. Luke fica intrigado e fica inquieto.
A partir daí dá-se uma quantidade de peripécias que vão alterar a vida do jovem Luke que vão culminar numa batalha épica pela sobrevivência da Aliança Rebelde, pela sua vida e pela de todos os seus amigos.

Um primeiro livro de uma trilogia que pode ser lida antes ou depois de se ver os filmes.
Muito bom! :)
E uma história boa, para quem quiser começar a ler FQ e não sabe por onde começar =)
Recomendo a todos, em especial aos fãs de Star Wars!

Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"O Cavalerio de Westeros & Outras Histórias", de George R.R. Martin

Como fã das Crónicas de Gelo e Fogo fiquei muito curiosa sobre este livro, especialmente por causa do conto "O Cavaleiro de Westeros".
Li-o com grande curiosidade e gostei, mas não posso dizer que tenha ficado a gostar muito do livro.

Não vou abordar os temas das histórias pois não são muito grandes e o que é interessante é descobrir livremente e sem grandes conhecimentos do que é que se trata, pois assim a emoção durante a leitura é maior! Vou sim fazer um apanhado geral do que gostei mais e do que gostei menos.

De todos os contos presentes na coletânea gostei de quatro: "As Solitárias Canções de Laren-Dorr", "O Cavaleiro de Westeros", "A Cidade de Pedra" e "Negócios de Peles".
"Uma Canção para Lya", "Flormordentes", "O Caminho de Cruz e Dragão", "Reis-de-areia", "O Homem em Forma de Pêra" e "Sob Cerco" não foram tão do meu agrado.
Sei que estão muito bem escritos, tudo muito bem desenvolvido, com emoção e tudo, mas não gostei lá muito. O de Lya, porque talvez não me ambientei bem na história e a única parte que gostei mesmo foi o final; gostei dos das flores, gostei, mas não foi dos que mais gostei (gostei da Morgan e do mistério que a envolve); o do Caminho porque não achei muita graça ao tema; o dos reis-de-areia porque estava à espera de algo mais assustador (destes que mencionei não gostar tanto foi o que gostei mais); o do homem porque foi demasiado bem escrito e cheio de pormenores e a história é um bocado "sórdida"; o do cerco, também achei interessante, como o dos reis-de-areia, mas não tanto.

Gostei muito do de Laren-Dorr, que se assemelha à Fantasia e tem um teor interessante e imaginativo, romântico. O de Westeros foi o que mais gostei, como é óbvio sendo eu fã das Crónicas. A Cidade de Pedra foi muito misteriosa e tem um final muito idílico, gostei muito da forma como Martin escreve os últimos parágrafos e a cena quase final, dento da Cidade de Pedra. O das peles foi muito bom, quase tão bom como o de Westeros! Não sei se até não foi melhor por causa de todo o enredo e de ser uma história "separada" que não faz parte de outra. Fez-me lembrar aqueles filmes bons do género de L.A Confidential, mas com lobisomens à mistura.

Recomendo o a todos os fãs de George Martin e a quem quiser ler histórias fantásticas e imaginativas!

Nota (0 a 10): 3

quinta-feira, 12 de julho de 2012

"A Revolta" de Suzanne Collins

"Por isso, mais tarde, quando ele murmura: - Tu amas-me. Verdade ou mentira? 

Eu respondo: - Verdade."

 
Depois de ler este livro tenho de admitir que gostei mais dos dois primeiros.

A história continua bem escrita, tem um ritmo igualmente rápido, as personagens continuam a ser interessantes.
Mas estava à espera da mais. De algo mais nos sentimentos das personagens, na forma de se exprimirem, uma vez que há um grande teor emocional e sentimental ao longo do livro, tal como há nos anteriores.

Gostei de como a história evoluiu. Apesar de não ser uma história "bonita", acaba por ter a sua beleza.
Gostei de certas partes da história, especialmente na reta final, pois foi aí que este livro me surpreendeu. E foi isso que eu senti falta ao longo deste livro: a surpresa. Eu senti este ingrediente mais presente nos primeiros livros e aqui não consegui senti-lo tão forte como nos outros.
Só na reta final. E aí sim, aí voltei a conseguir sentir a surpresa no enredo da história.

Penso que a Katniss ficou um pouco perdida neste livro. Senti que ela estava muitas vezes a perder algo de importante na ação, devido às suas emoções. Sei que está bem desenvolvido, mas comprando-a à Katniss dos anteriores livros, estava à espera que ela agi-se mais, sem ser só no pensamento. Sei que ela sofreu bastante no final do segundo livro, mas mesmo assim penso que podia ter sido diferente, especialmente na forma de mostrar os seus sentimentos (sem ser só em relação ao Peeta e ao Gale, o que penso que não era tão relevante para a história).

Estava à espera de ver um desenvolvimento maior para o lado do Peeta.
E fiquei com a sensação que certas personagens importantes foram eclipsadas no final (e ao longo da história), mas especialmente no final.

Não estou a dizer que não gostei do final. Aliás, está apropriado para o conteúdo das obras. Foi idas partes que mais gostei. Acho mesmo que salvou a história.

Gostei muito da reviravolta antes do final. Penso que a grande conclusão dessa parte é que, independentemente de quem esteja no poder, o poder tende sempre a corromper as pessoas. A sede de poder leva a todas as ações, sem se querer saber da moral e da ética.

E cheguei a outra conclusão:

de que valeu a Katniss ter sido voluntária nos Jogos?
O motivo real dela não valeu de nada.

E essa foi a parte mais triste do livro e da história desta trilogia.

Mas a esperança também habita esta trilogia. E acaba por se fazer sentir.

Sendo assim, faço um balanço muito positivo da trilogia. Recomendo a todos.

:)

"Em Chamas" de Suzanne Collins


O segundo volume da trilogia "Os Jogos da Fome" foi tão ou mais emocionante como o primeiro.
Até não sei se não foi mais, pelo facto de não estar nada à espera que acontecesse o que aconteceu.

Como não tinha conhecimentos sobre o enredo deste volume fiquei completamente "wow" quando o comecei a ler. O ritmo frenético e rápido com que é contado, as ações, emoções e atitudes das personagens, tudo isso faz deste livro uma excelente continuação do primeiro.

O Peeta continua a ser a minha personagem favorita, apesar de aparecerem novas personagens bastante interessantes, como por exemplo, o Finnick Odair e os tributos do distrito 4, a Wiress e o Beetee, que fazem um par muito interessante e engenhoca.
A Katniss continua a ser a Katniss, o que é bom, porque ela é interessante sendo ela própria.

A intriga neste livro adensar-se e torna-se mais perigosa. Compreende-se a terrível extensão do poder do governo no Capitólio e como o presidente Snow age.
Compreende-se factos históricos de Panem que no primeiro livro são abordados e que são um mistério muito interessante de explorar (exemplo: o Distrito 13).

É neste livro que começa a revolta das pessoas de Panem e é também quando Katniss começa a pensar melhor no Peeta. O empenho dela em salvá-lo é muito grande e, apesar de tudo o que acontece no livro, ela esforça-se bastante para o fazer.

Sendo assim,

este foi um livro que me agradou bastante. Não consigo escolher entre os dois o que mais gosto, pois como disse acima, são ambos emocionantes.

Recomendo a todos e já comecei o terceiro!!!

"Os Jogos da Fome" de Suzanne Collins

“I can feel Peeta press his forehead into my temple and he asks, 'So now that you've got me, what are you going to do with me?' I turn into him. 'Put you somewhere you can't get hurt."

"-Mais uma vez? Para o público? - pergunta ele. A sua voz não parece zangada. Parece vazia, o que é pior. O rapaz do pão começa já a escapar-me.

Pego-lhe na mão, apertando-a com força, preparando-me para as câmaras e receando o momento em que finalmente a terei de largar."

Ora bem,

gostei muito deste livro. 

Não estava à espera de o ler, nem de ver o filme, mas ainda bem que o li, porque é muito bom! E estava a deixar de ler um livro muito bom se não o tivesse recebido ;) (Obrigada! =D )

Gostei muito da descrição e de como a história é narrada pela Katniss (a personagem principal). Dá completamente a noção do que está a acontecer nos Jogos e na mente dela.

Assim que tiver oportunidade vejo o filme, porque se for, nem que seja mais ou menos, como o livro, deve estar muito fixe!

O que mais gostei na obra foi mesmo da descrição da Katniss, de como ela esteve nos Jogos e das suas observações. E! de tudo tudo, o que mais gostei foi do Peeta. Ora aqui está uma personagem também interessante, que não é do reino da fantasia (Kvothe, Fitz, Jon, Robb, Ron...) mas da F.C. Uma personagem bastante real, que no inicio deixa a "pulga atrás da orelha"! O que é muito interessante, porque deixou-me a pensar "Mas o que é que ele quer? Qual é o jogo dele?".

Gostei muito. Estou muito curiosa para ler os próximos volumes =D


Credits:
Rita Ribeiro
Fiacha