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terça-feira, 4 de abril de 2017

Illusionarium, de Heather Dixon

Sinopse:

Jonathan é filho de um famoso médico em Fata Morgana (uma bela cidade aérea). Quando uma misteriosa doença (Venen) começa a atacar as mulheres em Arthurise, incluindo a Rainha, o Rei vai até Fata Morgana para pedir ajuda ao pai de Jonathan. Para salvar as mulheres será apenas preciso desenvolver a cura, em conjunto com a médica mais famosa de Arthurise: Lady Florel. E a cura passa por usar um misterioso ingrediente, o fantillium (uma substância que provoca ilusões). 

Quando Jonathan vê a mãe, a irmã e a sua amada ficarem doentes, começa a querer desenvolver a cura a todo o custo, mesmo que para isso se veja enredado na maior confusão da sua existência: a ida para Nodn'ol, uma espécie de Arthurise alterada e louca, onde há um duplo de todos os habitantes de Arthurise e onde impera a ilusão e a mutação: as pessoas estão a fragmentarem-se e a ganharem vários olhos, bocas, dedos e por aí. 

Assim, Jonathan tem como objetivo tentar encontrar a cura e salvar-se a si mesmo, a sua família e todo o povo de tais cidades. 


Opinião:

Há muito tempo que queria ler este livro. Não sei se foi pela capa, se pela sinopse...porventura terão sido ambas as razões para o meu grande interesse na sua leitura. Foi uma experiência bastante interessante.

Gostei do livro. Sem dúvida, a capa é belíssima e todo o seu design interior também. Sendo eu grande apreciadora de Steampunk, e havendo alguns laivos deste ao longo da obra, lancei-me totalmente neste mundo: uma espécie de Londres ou outra cidade por lá perto (Fata Morgana, uma cidade aérea século XIX). A Inglaterra é agora Arthurise e por lá flagra uma epidemia de uma doença que só ataca as mulheres: Venen. Ora, cabe ao filho do médico mais famoso de Fata Morgana, Jonathan, e ao seu pai, a honra de ajudar a mais famosa médica de Arthurise, Lady Florel, na luta contra esta doença, sendo que o Rei vai até Fata Morgana, no seu zepelin gigante e maravilhoso, pedir-lhes ajuda, uma vez que a Rainha ficou doente.

Ora, a premissa é excelente e a promessa de aventuras, ação e muita emoção está lá. Também gostei das personagens, apesar de achar que podiam estar muito melhores, isto é, mais complexas, ricas e adultas. Por vezes, senti um excesso de reações desfazadas da realidade nos comportamentos das personagens: por vezes reagiam um tanto demais, outras de menos, e por vezes não havia uma relação entre as suas ações e os acontecimentos que as despoletavam. Isto fez com que a história ficasse um tanto infantil, o que podia ter sido evitado se a autora tivesse optado por criar personagens com atitudes mais maduras e mais reais.

Outro aspeto bastante interessante prende-se com o mundo criado. A autora conseguiu criar um mundo bastante rico e cheio de interesse, bem imaginado. Todo o ambiente envolvente, a imagem visual que é possível estabelecer...tudo isso promove um excelente contexto para a história. Também a reviravolta que acontece quando Jonathan vai parar a Nodn'ol (uma Londres completamente arruinada, onde as pessoas se estão a transformar e a alterar o seu aspeto de uma forma grotesca e bizarra, onde as pessoas são uma versão arruinada das suas homonímas verdadeiras, onde as leis são completamente estranhas e a rainha é uma outra Honoria, uma versão dantesca de Lady Florel) e vê o seu objetivo de descobrir a cura para a doença de pernas para o ar, está muito interessante.

Também gostei de ver alguma relação entre Steampunk, a lenda do Rei Artur e a História de Inglaterra.

Em relação à narrativa em si, esta é feita a um ritmo frenético, com tantas e tantas reviravoltas que a dado momento dei por mim a pensar: "Vá lá... soluciona isto..."

Não é mau, uma vez que é sinal que o enredo tem vários caminhos. O problema é quando as peripécias são muitas vezes iguais e óbvias, deixando o leitor aperceber-se do que deveria ser uma surpresa ao longo do enredo. Ou seja, a história podia ter sido melhor desenvolvida, no sentido do seu contexto (o mundo criado podia ter sido explorado de uma forma mais calma e mais profunda), bem como também podia ter deixado mais espaço para o relacionamento entre personagens e a própria conclusão, que acabou por ficar um tanto apressada. 

A linguagem utilizada é bastante simples e fluída, permitindo uma leitura rápida e emocionante. As descrições estão muito boas, o que permite imaginar muito bem o mundo criado pela autora. 

Em suma, este é um livro muito interessante e engraçado, com imensas reviravoltas e personagens engraçadas. Porém, podia ter sido todo ele, nas suas diferentes componentes, melhor explorado: personagens, enredo, contexto. Recomendo a todos os que gostam de uma bela aventura! 

NOTA (0 a 10): 8

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Antologia Steampunk, de Inês Montenegro, Ricardo Dias, Carina Portugal e Pedro Cipriano

Sinopse:

Quatro contos de quatro escritores, onde é explorado um pouco do imenso mundo movido a vapor que é o Steampunk.

"Relógios e Bruxarias", por Inês Montenegro:

Numa sociedade em que a magia é ilegal e a bruxaria perseguida, o desejo de Mina em ver vingar o seu negócio leva-a a afastar sentimentos e preocupações.

Até ao dia em que Helena lhe pede auxílio.

"A Ascensão e Queda de “Zé Saltador”", por Ricardo Dias:
Spring-heeled Jack, mito urbano e criminoso profissional, decide escapar de Inglaterra e usar Portugal para iniciar uma carreira internacional. Mas nem tudo corre como planeado...

"A Mina de Carvão", por Carina Portugal:
Em colaboração com o Império Português, Charlotte Reeve, uma das melhores agentes da Coroa Britânica, é enviada para a cidade de Tete, em Moçambique. A sua missão é capturar vivo um dos mais retorcidos traficantes de humanos. Mas consegui-lo-á?

"A Canção da Fornalha", por Pedro Cipriano:
A grande fornalha é o coração da cidade. A sua música não deixa ninguém indiferente, muito menos o mestre das caldeiras. (in Goodreads)




Opinião:

Gostei imenso desta antologia. Eu gosto muito deste género, Steampunk, tanto na literatura, como nos desenhos ou até na moda ou decoração. Acho que é um género e um estilo maravilhoso, extremamente minucioso e belo e por mim havia muito mais Steampunk por aí, na moda, decoração e Artes, no geral. Logo, foi com grande alegria e entusiasmo que comecei a ler esta antologia. Steampunk português! Ora que bom! 

Li o livro para a leitura conjunta que decorreu no Cantinho do Fiacha e que ainda está a decorrer. Gostei muito. Este tipo de leitura é sempre única e isso é muito interessante. 

Em relação aos contos, eu gostei de todos. Estão todos muito bons, cada qual à sua maneira. A nível de escrita são todos muito fluídos, com descrições soberbas e pertinentes, onde é possível imaginar todo o ambiente. 

Gostei muito da forma como a magia foi abordada no primeiro conto, de Inês Montenegro, bem como da forma como o enredo tomou corpo. Foi muito interessante! E as personagens também estão muito boas. 

Em relação ao segundo conto, de Ricardo Dias, também gostei, especialmente por causa das aventuras e da ação. Tem bastantes momentos de cortar a respiração e isso é sempre agradável. 

O conto de Carina Portugal também me agradou muito. Já tinha lido Coração de Corda, e não pude ficar indiferente a este A Mina de Carvão. Muito bom, com personagens excelentes e que merecem o seu momento na história! 

Por fim, também gostei do conto de Pedro Cipriano, que é o mais diferente e o mais original, a meu ver, porque conseguiu criar um momento único em relação ao homem e à máquina, é como se a máquina tivesse vida, tivesse um coração, coração esse que está interligado ao do homem. E narrar os acontecimentos daquela forma foi muito bem pensado! 

Em suma, é uma excelente antologia, que recomendo a todos os fãs do género e a quem quer descobrir novos mundos! E leiam os nossos autores, que tanto merecem o nosso apoio. De referir ainda as ilustrações, que estão muito boas. 

Link para download

NOTA (0 a 10): 9

domingo, 15 de março de 2015

Golias, de Scott Westerfeld

Para este volume da trilogia Leviatã estava completamente curiosa e um pouco ansiosa para saber como iria acontecer...como é que seria a cena do reconhecimento do sexo de Mr. Sharp, o ilustre aspirante da aeronave Leviatã. Como iria o príncipe Alek saber que Dylan era, afinal, Deryn?! Era a grande pergunta e só posso dizer que foi muito interessante (para além de toda a trama relacionada com a guerra)!

Sinopse:

Neste terceiro livro, a tripulação do Leviatã e os seus ilustres convidados austríacos (Alek e os seus companheiros) estão em movimento para chegar a Tóquio, para uma missão dada pelo Almirantado. No entanto, a chegada de uma águia imperial, de duas cabeças, vinda do czar, altera a viagem da aeronave, levando-a para novos rumos: Sibéria. Chegados lá, encontram Nikola Tesla, com uma ideia fantástica sobre a sua nova máquina: Golias, que ele diz ter a capacidade de destruir cidades, podendo assim por um ponto final na guerra. Com muitas aventuras pela frente, Alek e Deryn têm muito que fazer, mas há algo para descobrir e o segredo de Deryn está por um fio. Será que a amizade de ambos se consegue manter? Ou será que tudo vai mudar para eles? E, principalmente, para Deryn? E será que a guerra terá um final?  

Opinião:

Foi com grande alegria que li este volume. Foi, de todos, o melhor, mostrando a plena mestria do autor. Scott conseguiu criar uma História alternativa completamente contextualizada, real e bem ancorada na realidade. Como ele refere no pequeno posfácio, muito do que aparece e acontece no livro acaba por ser verdade, ou verdade sob algum ponto de vista. Muitas das personagens são reais e muitos dos acontecimentos também. A maior alteração que o autor fez foi alterar os factos para que o decurso da guerra fosse outro. Ou seja, ele só manipulou os factos para lhes dar outro final. E fê-lo extremamente bem. Confesso que no final fiquei bastante emocionada com os acontecimentos. Se tivesse tudo acontecido assim na vida real, muito teria sido diferente depois da Primeira Grande Guerra, que podia não ter sido tão devastadora. A Segunda podia nunca ter acontecido, bem como todas as atrocidades que dela vieram...e o mundo poderia ter sido diferente.

Gostei muito da forma como a narrativa de desenrolou e de como os acontecimentos progrediram. Alek e Deryn acabaram por se tornar, facilmente, num dos meus pares literários favoritos. Gostei muito de Deryn, Mr. Delyn Sharp, o famoso aspirante condecorado que era uma rapariga escocesa cheia de garra e força, cujo maior sonho era voar na Força Aérea Inglesa. E gostei muito do Príncipe Aleksander Von Hohenberg, ou Alek, para os amigos, que sempre mostrou uma grande coragem e bravura e que sempre se mostrou fiel para com os seus aliados e amigos. Acreditando que o seu destino era fazer com que a guerra terminasse a todo o custo, Alek lutou até ao fim por esse ideal, acabando por ser consumido pela dúvida quanto a outros aspectos. Também gostei da Dra. Barlow, a neta de Charles Darwin, que sempre se mostrou uma grande senhora, em todos os momentos. Enfim, gostei de todas as personagens, que tão bem estão caracterizadas e firmemente bem desenvolvidas. 

Também foi com grande agrado que viajei com a aeronave por todos os locais por onde ela passou: Rússia, Sibéria, Tóquio, o Pacífico (grandes momentos!!!), Estados Unidos, México e de novo os Estados Unidos. Foi  uma viagem maravilhosa, cheia de detalhes e momentos de grande emoção e acção, que ficam na memória. A escrita é tão magistral que é possível imaginar tudo o que está escrito. Por outro lado, as fabulosas ilustrações de Keith Thompson também ajudam, uma vez que vão ao encontro dos detalhes escritos complemente. Todas as ilustrações são maravilhosas, mas a última é de tirar o fôlego! 

Neste volume existem mais momentos de tensão do que nos anteriores. Apesar de considerar o segundo como aquele que mais acção apresenta, e mais aventuras, este acaba por se tornar mais adulto e mais introspectivo, onde as personagens têm de tomar decisões bastante difíceis e onde os acontecimentos se tornam mais negros e melancólicos. Também tem momentos alegres, especialmente sempre que aparece o lóris  perspícuo  Bovril, mas prevalecem os momentos de grande tensão, com intriga, grandes batalhas e muitos perigos.

O desenvolvimento da relação de Deryn e Alek também contribuiu para isso, uma vez que existe um grande foco nesse aspecto do enredo, que era muito necessário e decisivo. Tinha de ser neste volume que se descobria que Dylan era uma rapariga e o autor conseguiu criar momentos de grande emoção em redor desse facto, levando-me sempre a ficar mais ansiosa e curiosa com as reacções das personagens. E não podia ter havido melhor forma de o fazer...de revelar o mistério. Mais uma vez, o autor foi fantástico.


A trilogia é considerada juvenil e por isso, por mais perigos e acontecimentos negros que aconteçam, nunca é demasiado brutal ou chocante, como outras histórias fantásticas e steampunk. Se o autor tivesse criado esta história, igual, mas para um público adulto, acredito que muito do que fica subentendido não teria ficado e que as descrições seriam ainda mais poderosas. Mas Keith traz algum desse conceito para as suas ilustrações, e muito bem. Este aspecto não é uma crítica negativa, de modo algum, é apenas algo que senti quando estava a ler, não apenas este volume, como também nos outros dois.

No entanto, qualquer adulto pode, e deve, ler esta trilogia, que é, para mim, uma das melhores histórias steampunk que li até agora. Todo o conceito e contexto da obra é fantástico e está muitíssimo bem explorado. As duas grandes potencias (Darwinistas e Clankers) e as suas diferenças estão muito bem elaboradas e estão tão perfeitas que parecem reais. Dei por mim a imaginar, durante vários momentos ao longo da leitura da obra, que o mundo podia muito bem ser assim...que o mundo real podia ser aquele e não este em que nós estamos. E isso é tudo o que se pode pedir de uma história fantástica. Penso que não há melhor elogio, por muitos que se façam, do que pensar que se está, de facto, na realidade apresentada pelo autor.

Vou recordar com imenso carinho todas as personagens e toda a história e gostava muito que o autor decidi-se escrever mais sobre esta fantástica dupla. Fiquei muito feliz com o final da trilogia e só queria que houvesse mais! Descobri na net um capítulo posterior, que o autor escreveu, e que Keith Thompson ilustrou. Podem encontrar aqui. Já o li e só posso dizer que está excelente! Repleto de humor e com um final bastante sugestivo, acompanhado por uma ilustração também sugestiva!

Em suma, recomendo totalmente, sem reservas, a todos os que gostam de histórias bem contadas, de personagens inesquecíveis, de emoções fortes e de História.


Citações:

Alek abanou a cabeça, mas as suas pálpebras estavam pesadas. Ele sentiu o corpo a parar de tremar, a ceder na sua luta contra o frio. Os seus pensamentos começaram a desvanecer-se sob o rugido do mundo que o cercava.
- Mantenha-se acordado! - exclamou Deryn - Fale comigo!
- Prometa que nunca mais me mente.
(...)
- Está bem. Não voltarei a esconder-lhe nada enquanto viver.
Alek sorriu (...)
p.188

 Ilustração presente no livro (Keith Thompson)


Podem encontrar as opiniões dos livros anteriores em:

Leviatã
Besta

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 27 de dezembro de 2014

The Paper Magician, de Charlie N. Holmberg

Esta foi uma excelente surpresa! Lido através da Net Galley, demorou um bocadinho porque foi leitura digital. Se não fosse, teria sido mais rápida! 


O livro conta a história de Ceony Twill, uma jovem aprendiz de mágica, que depois de sair da escola de magia é obrigada a enveredar pelo caminho da magia de papel, em detrimento da sua favorita, uma vez que havia falta de mágicos de papel. Assim, vê-se na casa de um mágico um bocadinho excêntrico que se torna no seu professor: Emery Thane, mágico de renome, bastante novo para a profissão e para o destaque no clã de mágicos. Ceony, depois de conhecer o seu professor e a sua magia, começa a sentir uma certa atração por ele. Começam a sua rotina, Ceony sempre a aprender, até que começa a descobrir pequenas coisas estranhas na vida de Emery: saídas secretas e perigosas. Até que tudo se altera e ela vê-se numa jornada estranha e mágica que a leva a questionar tudo e todos e a fazer tudo o que não esperava fazer.

Bem...é uma história bastante interessante. Um tanto diferente, por vezes um bocado estranha, na medida em que as dimensões da realidade nem sempre existem e são alteradas. Isso só faz com que a história seja ainda mais interessante e mágica. A autora conseguiu criar, num mundo bastante simples, um contexto complexo, diferente e mágico. As magias são bastante simples, práticas e usuais; os locais existem de verdade; há contexto histórico. Mas o modo como a autora enredou isso na sua finalidade de criar uma história única e diferente foi bastante inteligente e interessante. Gostei da imagem que ela criou do coração humano e de como este funciona e do que contém. Muito bem!

Depois, temos as personagens. No início podem parecer um bocadinho planas e as secundárias até podem ser, pelo menos a maior parte. No entanto, à medida que a história progride, é possível acompanhar as personagens e descobrir os seus segredos, as suas motivações. Nem tudo fica esclarecido, deixando antever algo que possa aparecer nos volumes seguintes, e que também deixa ficar um mistério no ar e respostas por responder, criando uma rede de possibilidades que ajudam a fomentar histórias paralelas ou hipóteses. Nem tudo pode ser dado de mão beijada, e o que fica nas entrelinhas também é importante e estimula o pensamento. Gostei bastante de Ceony, uma rapariga valente e forte, cheia de determinação. Também gostei de Emery, sempre misterioso...No que diz respeito à vilã, apesar desta ter sido interessante e de ter gostado dela, poderia ter sido mais má.

Uma vez que a magia é um campo muito retratado na literatura, é sempre com agrado que aparece algo diferente e original. As magias aqui apresentadas são feitas apenas em materiais feitos pelo Homem. Pelo menos as magias legais. Há uma escola de mágicos que depois são escolhidos ou escolhem qual a área da magia que querem escolher (de acordo com o material: papel, vidro, plástico...). Essas magias têm utilidades diárias e reais na sociedade. A sociedade reconhece-as. O contexto da história é a Inglaterra do ano de 1901, mas fica subentendido que seria assim pelo mundo todo.

É um livro pequeno, com uma história simples, mas cheia de magia e imaginação. No fundo, é uma bela metáfora para o amor, para a força de vontade e para a realização dos sonhos. Com um travozinho steampunk à mistura, acabou por ser um favoritos do ano! Agora é ler o segundo, que espero que seja tão bom ou melhor do que este! 


Citações:


Make it whole, and it will rise whole. That's your first lesson of the day. p. 29

- I'm in his heart," she said to Fennel. "I never left it, so this must be part of it. I'm seeing his heart, but...how do I get out of it? I can't help him from in here!  p. 103

Everyone has a dark side! But it’s their choice whether or not they cultivate it. 



NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Steampunk Soldiers: Uniforms & Weapons from the Age of Steam, de Philip Smith e Joseph A. McCullough

Esta obra tem como objetivo dar a conhecer como seriam os soldados de diferentes nações tendo em  conta as tendências Steampunk. Ou seja, é um livro para amantes deste género e para quem gosta de imaginar, e, também, saber mais um bocadinho sobre este contexto.


Gostei bastante deste livro. O texto está excelente, com belas descrições e apontamentos bem interessantes. As ilustrações estão maravilhosas, claramente dentro do género Steampunk, como o próprio título do livro indica.

Existem vários países, cujos exércitos estão representados, tendo em conta o séc. XIX e por aí. Senti a falta de Portugal...mas enfim. É um livro precioso para quem gosta deste tema e para quem quer ter ideias para desenhar ou escrever com este contexto. 

A relação entre a ficção e a realidade histórica também está sempre presente, tanto na narrativa como na imagem. É também deveras interessante observar a mestria com que o ilustrador, Mark Stacey, conseguiu apropriar-se das diversas características físicas dos diferentes povos representados na obra de modo a que seja possível, ao olhar para cada povo, distingui-lo de outro, através, não só das roupas, mas também dos modos e da fisionomia.

Um bom livro, cheio de arte!

NOTA (0 a 10): 8

domingo, 7 de dezembro de 2014

Besta, de Scott Westerfeld

Este é o segundo livro da trilogia Leviatã, de Scott Westerfeld.

Depois de ter lido o primeiro há alguns meses e de ter ficado muito agradada, decidi agora retomar as aventuras de Alek e Deryn.


Neste volume, o Leviatã segue viagem para a Turquia, para que seja resolvido o imbróglio diplomático causado pela usurpação, por parte do Almirante Churchill, do navio de guerra prometido aos turcos, incluindo também o animal seu companheiro de nome Beemoth (Besta; um género de Kraken mais poderoso). Depois de vários contratempos, Alek e Deryn são separados e os seus caminhos bifurcam-se, estando sempre presente o dever de ajudar a nação ou tentar travar a guerra.

Pois bem, este é mais uma fantástica aventura passada neste mundo Steampunk, onde a História se enterlaça com a ficção alternativa. O primeiro livro foi muito bom e esperava que este fosse tão ou melhor do que esse. Acabei por gostar ainda mais deste.

As personagens continuam fantásticas, tanto as que já conhecemos como as que vão aparecendo ao longo da história. Existe uma maior fluidez a nível do enredo; não existem tantos termos mais técnicos ou tantas explicações mecânicas ou darwinistas, existindo mais espaço para a ação, para a intriga e para o desenvolvimento das personagens, tanto a nível individual como a nível das suas relações. Gostei imenso das novas personagens. Não sei se vão aparecer no próximo, mas foram fulcrais neste volume! Em especial, gostei imenso do jornalista Malone...um jovem cheio de estilo!

Também gostei de ver a evolução do relacionamento entre Deryn e Alek. O autor soube levar bem a história deles e espera-se bastante confusão na descoberta do segredo de Deryn, que, espero, seja um dos momentos com mais clímax de toda a trilogia. Vê-los como trio, com a Lilit, foi muito engraçado, uma vez que as situações levaram a dupla a momentos bem interessantes e até hilariantes. A Deryn é muito engraçada!

Também houve mais aspetos emocionais e de maior tensão, o que faz com que a narrativa se torne mais "adulta". Os perigos pelos quais as personagens passam são maiores, bem como as intrigas que fazem com que a trama se torne mais densa.

As descrições de locais, seres e máquinas também estão fantásticas. O autor esmerou-se a nível da imaginação e da contextualização histórica/ficção/steampunk. É um "mundo steampunk" deveras interessante, a meu ver! Que tem como atrativo o facto de ter um fundo bastante grande de verdade e de realidade. É, de facto, possível olhar para o nosso passado e imaginá-lo cheio das máquinas e seres que existem nesta história.

Também quero aqui referir as magníficas ilustrações de Keith Thompson, que nos fazem sonhar e imaginar ainda com maior detalhe o que é descrito e narrado por Scott Westerfeld. Fazem uma dupla fantástica.

Em suma, mais uma boa história de Scott Westerfeld. Espero que o terceiro seja, se não for tão bom como estes, ainda melhor! 


 Ilustrações presentes no livro - Keith Thompson

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 17 de junho de 2014

Leviatã, de Scott Westerfeld

Este é o primeiro livro da trilogia de Scott Westerfeld: Leviatã (Leviatã, Besta e Golias). É um livro juvenil, ou assim está catalogado, com grande contexto steampunk. Já há bastante tempo que o queria ler e não fiquei minimamente dececionada. Excelente livro, com excelente contexto.

Leviatã começa por contar duas histórias aparentemente paralelas: a de Aleksander de Hohenberg e Deryn Sharp. Alek é um príncipe do Império Austro-húngaro, filho do Arquiduque Francisco Fernando e de Sofia Chotek, tendo como tio-avô o Imperador Francisco José. Devido à ascendência plebeia de Sofia, Alek não tem direito a nada da herança do pai, sendo por isso um mero príncipe sem direito ao trono. Aos quinze anos, numa noite de junho de 1914, vê-se sozinho com um conde (Volger) e o melhor mecânico (Kopp) do pai, dentro de um marchador, em fuga pelo Império, para fugir dos assassinos dos seus pais, com destino à Suíça. Nessa mesma noite, na Inglaterra, Deryn prepara-se para entrar na Força Aérea, disfarçada de rapaz, com a ajuda do seu irmão (Jaspert), que também faz parte da Força Aérea. O maior sonho de Deryn é voar nas maravilhosas fabricações (animais fabricados através de um processo parecido com a mutação/transformação genética) da Força Aérea e tornar-se num oficial. Depois de se ter metido em apuros na primeira audição para se tornar aspirante, Deryn (ou Dylan) vê-se abordo do Leviatã, uma aeronave-baleia (uma baleia que voa a hidrogénio) e que é uma das forças de guerra da Força Aérea Inglesa. Depois de várias aventuras, Alek e Deryn encontram-se e começa assim uma amizade inicialmente titubeante, mas que se vai tornando forte. Com a guerra a começar, as alianças são importantes e os interesses, muitos.

A história tem uma grande base imaginativa no seu âmago. Scott Westerfeld conseguiu criar uma história muito boa, com um contexto em parte real, em parte fantástico/ficcional. O assassinato do Arquiduque e da sua esposa é um facto real e foi o que levou à Primeira Guerra Mundial, tal como acontece no livro, apesar de, no livro, os assassinos serem diferentes, possivelmente. As potências aliadas também são as mesmas. Várias personagens são reais, mesmo que alguns dos seus traços sejam diferentes. Alek e Deryn são personagens ficcionais, mas tudo o que envolve os pais de Alek é real, tirando um ou outro aspeto (que não vou referir para não contar detalhes importantes).

Há uma mistura clara do passado com o futuro, misturando factos históricos (o tempo, o espaço, o ambiente, algumas personagens) com invenções futuristas (fabricações e armamento móvel de metal, parecido com robôs gigantes). Assim, é importante compreender as potências que se opõem. Os ingleses são uma potência Darwinista, ou seja, as suas armas são à base de fabricações naturais, como o Leviatã ou o Huxley (uma espécie de alforreca gigante que serve como uma espécie de balão a hidrogénio que serve como posto de observação aéreo), bem como outras como lagartos falantes, que transmitem mensagens, morcegos que se alimentam de frutos e espigões, acabando por libertar os espigões de metal sobre os inimigos, falcões que atacam os inimigos, farejadores (espécie de cão com seis patas que tem como missão detetar fugas de hidrogénio), entre outros seres. Os Austríacos (bem como os Alemães) são uma potência Clanker, ou seja, as suas armas são feitas à base de instrumentos de metal, com grandes potências geradas através de mecanismos e motores. Marchadores (espécies de robôs que andam), couraçados, espécies de cavalos metálicos, e outros instrumentos

Gostei muito do livro. Tudo o que estive a referir nos parágrafos anteriores justifica o meu grande interesse por esta história. Toda a imaginação existente ao longo da história (o que se refere aos Darwinistas e aos Clankers, principalmente), fez-me ficar apaixonada por este mundo. É como se tudo o que eu soubesse sobre a Primeira Guerra se expandisse de modo a abarcar esta nova realidade: os meus conhecimentos entrelaçaram-se com os acontecimentos narrados, dando um novo lado à Primeira Guerra, um lado extremamente mais fantástico e grandioso (apesar da guerra nada ter de grandioso ou fantástico). É uma história alternativa para este acontecimento real do nosso mundo, que aconteceu há 100 anos.

Mas não foi só a parte criativa que me fez gostar da história. Também as personagens foram importantes para isso. Deryn é uma personagem feminina extremamente interessante. Não é nada estereotipada, não é uma “bonequinha”, nem “uma querida”, mas sim uma “badass”, uma rapariga que se faz passar por um rapaz para conseguir o que quer, para alcançar o seu sonho e que tem uns comportamentos muito engraçados. É uma aventureira, muito bem-disposta, esperta e inteligente. Por seu lado, Alek é mais reservado. É um excelente rapaz, que sofre bastante ao longo da narrativa, mas que tem um desenvolvimento bastante interessante. Um tanto tímido, mas também um pouco convencido, em alguns momentos, Alek mostra ser um rapaz de nobres sentimentos, altruísta e muito amigo do seu amigo. Também as personagens secundárias são muito interessantes. Gostei especialmente da Dra. Nora Barlow, a inspetora que vai a bordo do Leviatã. Esperta, inteligente, misteriosa e com um excelente sentido de humor, Barlow “rouba a cena” em vários momentos da narrativa.

A ação é constante. Há mistério, grandes descrições de batalhas e aventuras, momentos de cortar a respiração, humor e vários perigos. O enredo está bem construído, sendo que tudo está interligado. Não um único momento “parado” na narrativa. Também gostei bastante dos diálogos entre as personagens, nomeadamente entre Deryn e Alek. Espero que eles se entendam! E que o Alek descubra que o Dylan é a Deryn (como será que vai ser?! ^^ ). A relação destes dois tem um começo fantástico (melhor era impossível) e torna-se um dos eixos da história, a meu ver.

Também é de referir as maravilhosas ilustrações da ilustradora Keith Thompson. Estão magníficas e dão uma dimensão muito boa ao livro. O facto de ter ilustrações tão boas faz com que não seja necessário uma descrição muito pormenorizadas por parte do autor, em relação a determinados aspetos, como por exemplo: as fabricações e as máquinas dos Clankers. As ilustrações são, a meu ver, fundamentais neste livro. E são lindas.
               
Assim, posso afirmar que o livro é fantástico. Tem tudo o que um bom livro deve ter. Mesmo que não haja uma grande complexidade a nível das personagens e do enredo, tudo está bem construído. As máquinas e as fabricações são fantásticas. As personagens são interessantes. O contexto está muito bem construído e a relação realidade/ficção está perfeita. Dos melhores livros steampunk que já li! Estou muito curiosa para ler o seguinte, pois tudo o que aconteceu neste foi muito bom e o final deixou-me bastante curiosa.
metálicos e mecânicos são a grande força dos Clankers, que odeiam os Darwinistas, afirmando que estes são um bando de hereges que tentam imitar a Vida através das suas fabricações (que advêm da teoria evolucionista de Darwin, que, na narrativa, descobriu como manipular os “fios da vida”, de modo a criar novas espécies (como se fosse o ADN)).

Algumas ilustrações de Keith Thompson:


O site da ilustradora é fantástico! Consultem aqui.

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Coração de Corda, de Carina Portugal

Sinopse:

Um sorriso doce pode esconder o segredo mais obscuro. Philip Reeve é um artesão reconhecido e Angelique uma frágil bailarina francesa que, no Teatro Dark Forest, o encantou com a sua arte . Quando a dama o visita na loja de brinquedos, Philip não consegue esquecer a cena presenciada nos bastidores, nem o medo que vê nela. Contudo, é incapaz de imaginar a magnitude da tempestade que se adivinha. (in Goodreads)
 

Opinião:
 
Este é o primeiro conto que leio da autora Carina Portugal. Despertou-me o título, a capa e o tema em si, uma vez que gosto muito do género Steampunk, em todas as suas vertentes artísticas.

Foi com bastante agrado que li Coração de Corda. Com um elenco de personagens simples, mas bastante diferentes e de personalidade, este conto remeteu-me para outras obras que também tem alguns dos ingredientes aqui apresentados, obras essas que são do meu agrado.

Não podia deixar de ler um conto deste género, que é um dos meus favoritos, escrito por uma autora portuguesa. É sempre de apoiar autores portugueses, uma vez que nem sempre são apoiados devidamente e também porque é um orgulho existirem. Faz-nos ver que também há cá no nosso país muita imaginação e muita criatividade.

Gostei bastante do desenrolar da narrativa. Teve um final inesperado, que muito me agradou. Tem ação, personagens interessantes, um ambiente Steampunk muito bem contextualizado (a referência à Rainha Vitória está excelente!), desde os instrumentos, aos veículos, passando pelas invenções mecânicas tanto a nível de objetos como de partes do corpo, e também intriga e sentimento, emoção. Muito bom!

Talvez a parte do ataque à central pudesse estar um pouco mais desenvolvida, bem como as intenções das personagens para tal acontecimento. É o único reparo que posso dizer, já que tudo o resto está ótimo. E claro, este aspeto também não tira de modo nenhum a magia ao conto. Nada lhe tira, sendo apenas um pormenor.

Em relação às personagens, gostei bastante do Nicholas e do Philip. Era interessante haver mais contos com estas personagens (e as restantes) ou até mesmo uma narrativa mais extensa. Penso que é um bom conselho: escrever mais neste ambiente, com estas personagens! Eu leria.

Em suma, recomendo a todos os que gostam deste género de literatura.

NOTA (0 a 10): 9

domingo, 12 de maio de 2013

"Príncipe Mecânico", de Cassandra Clare

-Eu não sou capaz de explicar o amor - disse ele - e não te sei dizer se te amei na primeira, na segunda, na terceira ou na quarta vez que te vi, mas lembro-me de, na primeira, te ver a andar na minha direcção e de aperceber de que, de certo modo, o mundo parecia desvanecer-se quando estava contigo, que eras o centro de tudo o que eu fazia, sentia ou pensava. pág. 310

Sinopse:


No submundo mágico da Londres vitoriana, Tessa Gray encontrou por fim a segurança com os Caçadores de Sombras. Mas esta torna-se efémera quando forças desonestas na Clave se revelam para destruir a sua protectora, Charlotte, e substituí-la como chefe do Instituto. Se Charlotte perder a sua posição, Tessa será posta na rua - e presa fácil para o misterioso Magister, que deseja usar os poderes de Tessa para os seus fins obscuros.

Com a ajuda do bonito e autodestrutivo Will e do devotado e dedicado Jem, Tessa descobre que a guerra do Magister contra os Caçadores de Sombras é pessoal. Ele culpa-os de uma tragédia íntima que lhe destruiu a vida. Para desvendar os segredos do passado, o trio viaja através das névoas do Yorkshire para uma mansão que contém horrores indizíveis, dos bairros-de-lata de Londres para um salão de baile encantado, onde Tessa descobre que a verdade sobre a sua paternidade é mais sinistra do que alguma vez imaginou. Quando encontra um demónio mecânico com um aviso de Will, apercebe-se que o Magister sabe de todos os seus movimentos… e que um deles os traiu.

Tessa descobre que o seu coração está cada vez mais atraído por Jem, apesar do seu anseio por Will e dos sombrios estados de alma que continuam a abalar a sua confi ança. Mas algo está a mudar em Will… a parede que construiu à sua volta desmorona-se. Conseguirá o Magister libertar Will dos seus segredos e dar a Tessa as respostas sobre quem é e para que nasceu? A verdade leva os amigos para o perigo, e Tessa descobre que quando o amor e mentiras se misturam podem corromper até o coração mais puro. (in GOODREADS)

- Jura-me que o amas o suficiente para casar com ele e fazê-lo feliz.
- Juro.
- Nesse caso, se o amas, por favor não lhe digas nada do que se passou aqui entre nós. Não lhe digas nunca que te amo.
pág. 339

Opinião:

Este é o segundo volume da trilogia "As Origens", da saga sobre os Caçadores de Sombras.
Este volume é um pouco mais calmo do que o anterior, no entanto não se lhe fica nada atrás, aliás, é até mais engenhoso uma vez que nos mostra detalhes e enredos mais complexos. É preciso acalmar para explorar melhor o conteúdo da história e Cassandra Clare esteve muito bem!

As personagens continuam fantásticas! Muitos mistérios começam a ser resolvidos e vemos como isso modifica as personagens. Muitos são os seus terrores e aventuras, amores e loucuras. Se atrás disse que a ação era mais calma, há algo nela que não é: o romance. As personagens são atiradas para uma espiral de loucura, em que o romance é o pilar fulcral das suas vidas. Tessa, que continua a ser um mistério, se bem que com algumas novas informações, vê-se enredada entre dois rapazes, Will e Jem. No primeiro livro já tínhamos observado que Tessa tinha um fraquinho por Will e ele por ela, o que não se sabia é que Jem também almejava algo com a jovem. Jem, o rapaz bom e frágil, apresenta-se como enamorado de Tessa e esta fica dividida, pois se um é incerto, instável e perturbado, o outro é a bondade pura. Aqui está um triângulo amoroso muito bem conseguido, a meu ver, com uma verdadeira história de amor entre as personagens, pois não é apenas o amor por Tessa que está em causa, mas sim a grande amizade entre Jem e Will, que são parabatai (parceiros unidos pela alma até à morte). Will, que sempre salvou o seu amigo, e foi salvo por ele, teme vê-lo sofrer, devido à sua doença. Será isso que o fará retirar-se da conquista por Tessa?
- Quantas raparigas já fizeste desmaiar com essa prática?
- Só me interessa fazer desmaiar uma - respondeu ele. - A questão é se ela quer.
- Ela quer - replicou com um sorriso.
pág. 252


Quanto às outras personagens não há muito a dizer, continuam todas muito bem, bastante complexas e interessantes. A história sem elas seria nula, pois, de facto, não basta um triângulo amoroso para termos uma boa história, mas sim um leque de boas personagens, com um pano de fundo interessante, misterioso, perigoso e belo, que nos leve a sentir a história, a senti-la de verdade, como algo maravilhoso. Estes livros estão a conseguir ser assim, o que é óptimo, pois eu estou a gostar bastante!

A luta pelo conhecimento sobre Mortmain e os seus autómatos prossegue e torna-se cada vez mais sinistra. Estes aspetos do enredo são muito interessantes, pois, de facto, quem é Tessa? O que terá ela a ver com Mortmain? Porque será que ele a quer tanto? O que será ela, de verdade? Há imensas questões que podem ser postas e é isso que é bom numa história. Questões que nos façam imaginar, por hipóteses, para dar mais vontade de ler! Excelente!

Terei de esperar por "Princesa Mecânica" para ficar a saber mais e acredito que será uma história fabulosa! 
Como sou imortal, pensou ela, só tenho isto, esta vida. Não reencarnarei como tu, Jem, não te vou ver no Céu, nas margens de um grande rio ou na vida que está para além desta. pág.354

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 30 de abril de 2013

"Anjo Mecânico", de Cassandra Clare

Seja o que fores fisicamente, macho ou fêmea, forte ou fraca, doente ou saudável...todas essas coisas têm menos importância do que o que o teu coração abarca. Se tiveres a alma de um guerreiro, és um guerreiro. Seja qual for a cor, a forma, o estilo do quebra-luz que a esconde, a chama dentro da candeia permanece a mesma. Tu és essa chama. pág. 235

Sinopse:

A magia é perigosa, mas o amor é ainda mais perigoso.

Quando Tessa Gray, uma rapariga de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizadoras aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos.

Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa depressa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si.

Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que juram encontrar-lhe o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente da sua vida à distância… ou seja, toda a gente menos Tessa. À medida que a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo… e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.
(IN GOODREADS)


Opinião: 

Este é o primeiro livro da trilogia "Caçadores de Sombras - As Origens". Estava com muita curiosidade!
Uma história passada no séc. XIX, época vitoriana, Londres, anjos, bruxos, vampiros e outros seres, mais aventuras e aquele toque de romance: possível história de encantar!

Pois bem, aqui está um começo de facto estrondoso, com um final mesmo surpreendente, em que se fica completamente curioso para ler o próximo.

Gostei bastante. O enredo é promissor, bem escrito, bem construído. É um argumento forte, complexo, sentimental e mágico, cheio de ação, de dúvidas e de perigos, onde tudo é importante para compreender a história. As personagens têm personalidades muito interessantes, complexas, diferentes umas das outras, com segredos e mistérios que me fizeram querer ler mais para os desvendar. Os ambientes estão muito bem descritos: parece que estava lá. É possível como que visualizar os espaços e sentir os cheiros e ouvir os sons. Excelente!

Das personagens, as que mais gostei foram (por ordem de preferência): Jem, Tessa, Will, Charlotte, Henry e Sophie. Todas as outras são interessantes, mas estas ficaram, por agora, a ser aquelas mais especiais. Também temos Mortmain, aquele individuo misterioso, que não vou aqui abordar muito para não spoilar os leitores!

Jem é um mimo, sempre presente, prestável, amigo, sincero. Parece que sabe muito, e talvez saiba. É o mais sensato e o mais delicado de todos. A sua doçura arrebatou-me. No entanto, sofre de uma estranha doença (que não vou aqui abordar!) que o enfraquece. Tem como seu maior amigo, Will, que pode ser muito frio e um pouco maldoso, mas que quando vê Jem doente logo se apronta a ajudar o amigo em tudo.
Já pegando em Will... ele é bastante belo e jovial, sempre a armar-se em engraçado, no entanto esconde algo sombrio que parece que ninguém sabe do que se trata. É um exímio lutador e está sempre pronto a ajudar os seus.

Tessa, a personagem principal, é uma rapariga que vem de Nova York para Londres, para se encontrar com o seu irmão, Nathaniel. Tessa logo descobre, por meios horrendos, que tem um estranho poder e acaba por chegar ao Instituto. Tessa é inteligente, forte, romântica, amigável e bondosa. É perseguida por um estranho motivo. Ao pescoço usa um anjo de metal, uma peça mecânica que faz tiquetaque. Tessa depressa trava "amizade" com os dois rapazes e assim começa uma história entre o trio.
Quanto a Charlotte Henry: Charlotte é casada com Henry. Ela dirige o Instituto e está sempre pronta a investigar e agir em momentos de perigo. Henry é um inventor, divertido e um pouco trapalhão, que por vezes acaba por causar alguns problemas. Quanto a Sophie, é uma criada do Instituto, muito especial e boa rapariga, com uma cicatriz terrível.

O Instituto é o local onde os Caçadores de Sombras habitam. Toda a história à volta deles é fascinante e muito bem estruturada. Os Caçadores de Sombras, que são descendentes de um Anjo, protegem o Mundo contra as forças do mal. Para pacificar as relações entre eles e algumas criaturas mais sombrias, fixaram-se as Leis, que são fruto de um Acordo entre as "raças". Muito joga à volta de ocorrências contra o Acordo.
Mas o que os Caçadores de Sombras não estavam à espera, era que algo diferente estivesse a ser delineado, algo que não é sobrenatural, mas construído pelo Homem.

Senti-me na necessidade de descrever um pouco pois gostei mesmo muito do livro e queria com isto argumentar a seu favor! Tudo o que descrevi é o porquê de ter gostado tanto, bem como a reflexão sobre a história em si.
Excelente! =) 

NOTA (0 a 10):10

segunda-feira, 25 de março de 2013

"A Lenda de Sapphique", de Catherine Fisher

Sinopse:

"Finn conseguiu fugir de Incarceron, a terrível prisão viva e o único lar de que tem memória, mas a liberdade está longe de ser o que imaginava.

Cláudia acredita que, se Finn reclamar o direito ao trono do Reino, será capaz de libertar Keiro da temível prisão; mas o Exterior não é o paraíso idílico com que Finn sonhava e o jovem vê-se subitamente prisioneiro de um obscuro jogo de intrigas e mentiras, que adia os seus planos.

Entretanto, na obscuridade de Incarceron, os prisioneiros falam de um homem lendário - Sapphique, o único que conhece os segredos e o único capaz de destruir a prisão. São inúmeras as histórias sobre as suas façanhas, mas haverá alguma verdade nelas? Será que ele existe mesmo?

Dentro e fora, todos aspiram à liberdade... como Sapphique." (in Goodreads)

Opinião:

" - E por isso vou reparar as minhas asas e voar até às estrelas. Estás a vê-las?
(...) Jared abafou uma exclamação de espanto, porque elas lá estavam, a toda a sua volta, as galáxias e as nebulosas, os milhares de constelações...
- Ouves a canção delas? murmurou Sapphique.
Mas só o silêncio da Floresta lhes chegava, e Sapphique suspirou.
" p. 237

Este é livro que segue a Incarceron. Não é sequer uma trilogia. Termina em A Lenda de Sapphique. Oh, como gostava que houvesse mais ou então e melhor ainda! Que houvesse uma prequela, uma prequela sobre Sapphique, só sobre ele... a explicar tudo sobre ele, pois é deveras uma personagem interessantissima e muito misteriosa.

Gostei imenso da história. Mais complexa que Incarceron, mas sempre fluente e misteriosa. Catherine Fisher conseguiu fazer uma história muito boa, com boas personagens, onde a ilusão reina em todo o lado.
E se o Reino não fosse verdadeiro? E se tudo aquilo que se vive no Exterior não passasse de uma ilusão criada pela necessidade de ignorar a realidade? E se tudo fosse mentira? O que seria melhor? O Interior de Incarceron ou o Exterior, o Reino? Pois bem, este livro explora isto mesmo, explora a dualidade das realidades, pondo à prova todas as personagens, todas as suas atitudes e comportamento e até sentimentos. Seria Jared capaz de trair Claudia? Seria Finn um mero Prisioneiro? Seria tudo uma farsa? E se houvesse uma forma de sair de Incarceron? E se a Prisão quisesse Fugir dela mesma? Seria isso possível? Será que a loucura e a maldade dela não são meros sentimentos criados pelos Homens? Será que a criação da Prisão falhou? Será que a Prisão não é tão cruel como se pensa? O que a fez assim? O que é que ela tanto procura?


Os prisioneiros deparam-se com Alas a fechar, destruição, o frio Inverno da Lenda de Sapphique. O que estará ela a fazer para esquecer todos os seus filhos? Será que tem um projeto maior do que eles? E quem a poderá ajudar? Será possível fazer algo sem destruir tudo e todos?

Numa viagem pelo Interior e pelo Exterior, A Lenda de Sapphique é contada em várias perspetivas, tendo como base Claudia (Exterior) e Attia (Interior). Mas ao longo do livro isso vai sendo alterado e começamos a ter "POV's" de Jared e Finn também. Esta é uma viagem pela Fuga a todas as cadeias que prendem a Liberdade.
Num mundo de magia e metal, onde nem tudo é o que parece, a Lenda de Sapphique começa a ser uma realidade e todos chamam por ele, será possível? Será que Sapphique é mesmo real? Será que ainda habita o Exterior? Onde estará e quem será ele?
E no meio de tudo isto há a Luva de Sapphique, que todos procuram para usar à sua maneira. Diz a lenda que quem a calçar fica a conhecer todos os segredos de Incarceron. Fica a saber onde é a saída?

"Qual é a chave que abre o coração?"

Foi esta a pergunta que Sapphique fez no jogo de charadas e é esta a pergunta principal de toda a história. Todos procuram a resposta, mas só uma personagem conhece a resposta. E só essa pessoa pode ajudar todos os outros, inclusive a Prisão.

Esta história tem muitas questões para reflexão. A fuga à realidade, a estagnação no tempo, a procura pela perfeição, a procura pela liberdade, pela sabedoria e pelo poder, bem como a ilusão que existe à volta de todos, são todos aspetos que levam à reflexão. No livro, é nos dito que os Anos da Raiva levaram ao esgotamento energético, à matança e à guerra. Quando terminaram, foi instaurado o Protocolo, e tudo passou a ser vivido como se se estivesse no século XVIII. As faltas de energia que levaram à destruição e à finitude da ilusão são um aspeto interessante, ainda mais porque é algo que a Humanidade devia temer. Não estamos nós a destruir as energias que existem? Ou pelo menos grande parte delas, usando-as muitas vezes indevidamente? Acho que a autora fez uma exploração muito interessante deste tema, tornando-o um dos apsetos centrais. Também a Fuga e a Liberdade são aspetos principais do livro. Pode parecer uma história simples ou até confusa, mas tem muito para reflexão.

Se ficaram curiosos, digam e leiam o livro! Se ainda não leram Incarceron, força! Este é ainda melhor =D 

 " - Confio em ti, Jared. -murmurou. - Sempre confiei. Amo-te, Mestre." p. 329

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"O Mapa do Tempo", de Félix J. Palma

Alguma vez se perguntaram o que torna os homens responsáveis? Eu digo-lhes: o facto de só terem uma oportunidade para fazer tal coisa. (pág. 191)

Talvez os sons que nos sobressaltam à noite, esses estalidos que atribuímos aos móveis, sejam os passos de algum futuro que vela pelos nossos sonhos sem atrever-se a interrompê-los.
(pág. 210)

Sinopse:

Londres, 1896. Inúmeros inventos convencem o homem de que a ciência é capaz de conseguir o impossível, como o demonstra o aparecimento da empresa Viagens Temporais Murray, que abre as suas portas disposta a tornar realidade o sonho mais cobiçado da humanidade: viajar no tempo, um anseio que o escritor H. G. Wells tinha despertado um anos antes com o seu romance A Máquina do Tempo. De repente, o homem do século XIX tem a possibilidade de viajar até ao ano 2000, e é o que faz Claire Haggerty, que vive uma história de amor através do tempo com um homem do futuro. Mas nem todos querem ver o amanhã. Andrew Harrington pretende viajar até ao passado, a 1888, para salvar a sua amada das garras de Jack, o estripador. E o próprio H. G. Wells enfrentará os riscos das viagens temporais quando um misterioso viajante chegar à sua época com a intenção de assassiná-lo e roubar-lha a autoria de um romance, obrigando-o a empreender uma desesperada fuga através dos séculos. Mas que acontece se alterarmos o passado? É possível reescrever a história?

Opinião:

Um livro que escolhi por causa do título e pela sinopse. Um livro que prometia ser uma excelente história, passada num ambiente vitoriano com laivos de Steampunk. Um livro que já tinha há algum tempo para ler e ainda não lhe tinha pegado.

Pois bem, peguei agora e só posso dizer que fiquei completamente maravilhada com o livro. A qualidade da escrita é soberba, o autor consegue transportar-nos completamente para a Londres de 1888/1896, fazendo com que sejamos nós os viajantes do tempo. O autor consegue transformar a narrativa em algo diferente, em algo real, em que eu estive presente. O autor é nos apresentado como alguém que faz parte da história, alguém que vê de fora e que tudo conhece. O autor é formidável! De uma mestria esplendorosa, apresenta-nos uma história com qualidade, com poder, com amor, com uma maravilhosa irreverencia e risco, pois não é uma obra de fácil leitura, sendo às vezes preciso parar e refletir. O tema também não é dos mais fáceis de entender à primeira, mas o autor consegue fazer o leitor entender tudo na perfeição.

Fiquei rendida. Superou todas as minhas expectativas. É uma história inteligente, que puxa pelo leitor. Ao não ser fácil torna-se exigente, prendendo o leitor à trama. É um misto de romance com thriller/suspense e aventuras. Fez-me lembrar A Sombra do Vento, assim vagamente, o que muito me agradou. É preciso estar atento e preservar na leitura pois o livro pode parecer algo confuso mas não é! Tudo fica esclarecido o que também me agradou bastante.

É muito interessante observar personagens reais com personagens fictícias. H.G. Wells é uma das personagens reais que fazem parte do enredo (a principal, a meu ver). O tempo e as viagens no tempo são o tema base do enredo, sendo Wells a personagem a que todos acorrem. Depois existem outras muitas personagens: Andrew Harrington, Charles Winslow, Mary Kelley, Claire Haggerty, Derek Shackleton, Gilliam Murray, Collin Garrett, Lucy Nelson, entre outros.
Jack, o Estripador e Bram Stoker também fazem a sua visita ao enredo, bem como Henry James. 


O que aconteceria se fosse possível viajar no Tempo? O que aconteceria ao passado, ao presente e ao futuro? Será que cada ato que é feito vai criar outros mundos paralelos? Será que existem outros mundos paralelos e que tudo o que é feito/inventado neste não passa de um vislumbre ocasional do que é realidade em algum outro?

Meus amigos e amigas, se gostam destes temas, leiam este livro pois é mesmo, mesmo muito bom. Um livro inteligente, sofisticado e com muitas peripécias que de certo vos vão agradar. Leiam "O Mapa do Tempo" e imaginem-se nos mundos paralelos que as vossa criatividade e as vossas escolhas fazem acontecer.


NOTA (0 a 10): 10

 Algumas capas:


Podem aceder ao site do autor aqui
E ao site do livro aqui 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

"A Corte do Ar" de Stephen Hunt


Já há algum tempo que queria ler este livro por causa do ambiente steampunk onde se desenvolve a história.

"A Corte do Ar" conta a história de dois jovens, Molly Templar e Oliver Brooks, cada qual com a sua história de vida. Molly vive num orfanato em Ferromédio, uma cidade do estado de Laborterra. Oliver vive numa pensão, com o seu tio e a empregada deste
.
O mundo dos jovens está prestes a mudar quando coisas estranhas começam a acontecer à volta deles. Depressa esses acontecimentos provam estar intimamente ligados aos jovens: não são meros acasos.
E esses acontecimentos, por sua vez, estão ligados a outros factores e intervenientes.
A prosperidade de Laborterra assenta no seu poderio da Real Marinha Aerostatica, uma frota de aerostátos de guerra. Também assenta na politica liberal e republicana, na policia, na industria, na amizade com o povoavapor (povo de indivíduos mecânicos que vive nas montanhas de Mecância e é governado pelo Rei Vapor), na lei, na ordem de feiticeiros cantores-mundo, na Guarda Especial, na demonstração de "domesticação" do Rei, na detenção de indivíduos encantados (pessoas que estiveram em contacto com a Brumaencantada) e...na Corte do Ar.
O enredo é rico em factos históricos que vão explicando os acontecimentos da história e isso é muito importante para perceber o que se está a ler.

Molly e Oliver vêm-se no papel de possíveis salvadores de Laborterra (devido a certas especificidades deles mesmos) e vão fazer tudo para conseguir salvar a humanidade (humanos e não só) da calamidade que se quer abater sobre Laborterra. Uma calamidade ancestral que tem como objetivo aniquilar a existência e congelar o mundo e que mil anos antes tinha imperado no mundo.
Muitas são as intrigas em que os dois se vêm infiltrados e isso é parte importante da história porque são detalhes importantes para entender tudo.

Depois de ler tenho a dizer que gostei bastante.
Gostei muito do ambiente criado pelo autor, gostei da Arte com que o universo de "A Corte do Ar" foi desenhado. Todas as cidades/estados/reinos têm as suas diferenças (a imensos níveis) e essas diferenças estão muito bem delineadas e descritas.
Gostei muito da intriga e da ação. Aliás, a ação é o grande pilar deste livro. Tem momentos de imensa ação, ação intensa, principalmente nas partes finais.
Gostei do tom ligeiramente humorado da escrita.
Gostei do povoavopor e das aventuras de Molly por Sinistraesperança (cidade subterrânea de foras-da-lei) e das deambulações de Oliver.
Gostei do desenlace antes do final.
Mas acho que o final foi demasiado apressado e pareceu ficar com algo por dizer (fica tudo dito, mas não é explicito). Não sei se tal se deve ao facto deste livro ser o primeiro de uma "saga" (apesar de poderem ser lidos independentemente).

Em suma, é um excelente livro, com um enredo diferente e uma vista artística bastante interessante.
Recomendo!

Nota (0 a 10): 6,5

quinta-feira, 12 de julho de 2012

"Incarceron" de Catherine Fisher

"No corredor, os olhos estavam escuros e vigilantes, e haviam muitos. - Apareçam - disse ele. E eles apareceram. Eram crianças. Estavam vestidas com farrapos, a pele lívida de cicatrizes. As veias delas eram tubos, os cabelos armes. Sapphique estendeu a mão e tocou-lhes. - Vocês são aqueles que hão de salvar-nos - disse."

Aqui está um livro que é diferente dos que tenho lido.

Não consigo definir muito bem o seu género literário, mas penso que entre a Fantasia, Aventura e assim um bocado de FC (a mostrar uma parte Steampunk, que está muito interessante!).

Gostei muito! Gostei do enredo, do facto de ser dinâmico, não enrola e é direto. Mas continua sempre a deixar os seus mistérios por desvendar! Ou seja, é um argumento direto sem contar tudo. Interessante!

Quanto às personagens...

 
Bem, achei-as interessantes, principalmente a Claudia, o Jared, o John Arlex, o Finn e o Keiro (gosto bastante do Keiro). A Rainha Sia foi a que menos gostei. Quanto ao Casper, não o achei muito "horrendo", como parecia ser no inicio, até tive 

uma certa pena dele.

Depois há Sapphique. Espero que no próximo ele apareça mais! É muito misterioso...

Quanto ao ambiente...

WOW! A Prisão deve ser medonha, mas tem um ambiente muito engraçado. A floresta de metal é linda! A Parede do Fim do Mundo (imaginei a Muralha das Crónicas do Gelo e do Fogo, de G.R.R Martin), toda em ferro, com rebites e assim!
E várias outras divisões da Prisão...a descrição está muito interessante e mostra bem o ambiente.

Há um navio, uma navio de prata, voador...excelente!

E há pessoas (e animais) que têm componentes metálicas! Tubos e fios, e peças de metal!
(e aqui fez-me lembrar o filme e livro do Hugo Cabret!)

E há sempre aventuras...e mistérios, e intriga, e romance.

Bom livro! Espero que o próximo seja tão bom ou melhor! :)

Recomendo!