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quinta-feira, 31 de março de 2016

Mariana, de Susanna Kearsley

Sinopse:

Julia Becket acredita no destino. Ela tinha apenas cinco anos quando viu Greywethers pela primeira vez, mas soube de imediato que aquela era a sua casa. Vinte e cinco anos depois, tornou-se finalmente sua proprietária. Mas Julia depressa começa a suspeitar de que existe algo de poderoso e inexplicável por detrás da sua decisão radical de abandonar Londres e começar de novo numa pequena aldeia. Os novos vizinhos são calorosos e acolhedores, muito particularmente Geoff, o aristocrático proprietário de Crofton Hall, com quem sente uma ligação imediata. Mas a vida tal como ela a conhecia acabou, e outra bem diferente está prestes a começar. Uma vida que inclui Mariana, que habitou aquela mesma casa trezentos anos antes e cujo destino ficou tragicamente por cumprir. A história de Mariana vai- se revelando a pouco e pouco, apoderando-se da sua vida como um feitiço. Ao longo dos séculos que separam as duas jovens, uma promessa de amor eterno aguarda o desfecho que o destino lhe negou. Conseguirá Julia desvendar no presente os enigmas do passado? Será que Mariana esteve sempre à sua espera? (in Goodreads)



Opinião:

Depois de ler o livro O Segredo de Sophia fiquei muito curiosa em relação a este livro. Gostei imenso da forma como a autora conseguiu formar uma história tão bonita e cheia de mistério, com um pano de fundo de um passado com uma história de que eu gosto bastante (as revoltas escocesas) e de um presente bastante normal. A forma como a autora entrelaçou o passado com o presente e as relações entre todas as personagens foi perfeita e era isso que estava à espera de encontrar neste livro: interligações e segredos. E foi isso mesmo que encontrei.

A narrativa divide-se em momentos passados no presente, em que Julia Becket é a narradora e está nela mesma, e em momentos passados no passado, em que Julia Becket encarna Mariana, que passa a ser a narradora, e que deixa ver o que aconteceu naquela casa e na sua vida. A forma como a reencarnação é abordada está muito bem feita, uma vez que não é nada forçado e descabido, sendo tratado como algo normal. Também a missão de Julia está bastante bem elaborada e relacionada com as personagens e os locais...não vou aqui referir muito mais sobre isto, porque livros com mistérios é para deixar os leitores descobrirem por eles mesmos.

No entanto, a história não tem nada de extraordinário. Comparando os dois livros, O Segredo de Sophia apresenta uma história muito mais complexa. Porém, Mariana não se lhe fica atrás. Não tem tantos detalhes históricos, apesar de o contexto do passado também estar relacionado com acontecimentos verídicos da História inglesa (a instauração do Parlamento e o assassínio do rei); os momentos do passado são em menor número. Aqui encontra-se uma história mais simples, sem muitos adornos, mas bastante bonita e que se entranha facilmente no leitor, pelo menos foi o que me aconteceu. 

O facto da autora conseguir descrever emoções e "pintar retratos e quadros" de uma forma bastante maravilhosa e assertiva também faz com que seja impossível ao leitor não se interessar ou não se misturar com as personagens e com o espaço. É possível visualizar tudo: personagens, espaços, tudo. A casa é descrita ao pormenor, sem ser maçador, bem como todo o ambiente e até a vila. E esta capacidade também está visível nos sentimentos e emoções das personagens. Nos momentos mais emotivos e de suspense é possível sentir as emoções das personagens e estar com elas. Isso é sempre excelente quando acontece. 

Gostei muito das personagens, principalmente de Mariana e de Richard de Mornay, e também de Julia, Ian e Geoff. São personagens fortes, repletas de histórias. São complexas e interessantes. Todas as personagens são maravilhosas; todas são necessárias para a história; todas têm um papel. 

Esta é uma história repleta de Romantismo, com uma grande carga emotiva. Lembrei-me várias vezes de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, e de Longe da Multidão, de Thomas Hardy, que são Romances de extremo Romantismo, até a roçar um tanto o Gótico por vezes. Isso também me fez gostar muito da história. 

Em suma, Mariana é uma belíssima história de amor, redenção e mistério. Vai apaixonar todos os leitores que gostam de uma boa história de amor e de algum Romantismo à mistura. Um bonito romance, que me encheu as medidas! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 29 de junho de 2014

O Segredo de Sophia, de Susanna Kearsley



Este é um livro que junta o passado com o presente e a ficção com a realidade histórica. Foi com grande expectativa que iniciei a leitura, uma vez que as opiniões lidas bem como a sinopse deram-me uma visão de uma possível história que eu iria gostar muito. Logo no início senti-me atraída pela história.

A história é narrada por Carrie McClelland, escritora de romances históricos, que está a escrever uma história sobre a tentativa de restaurar o rei Jaime no trono escocês em 1708, tendo em conta a perspetiva do coronel Nathaniel Hooke, tendo em conta o ambiente francês, da corte de Saint-Germain. No entanto, numa visita à sua agente, Jane, na Escócia, Carrie sente-se completamente atraída para lá, principalmente para o castelo de Slains e para Cruden Bay. Depois de compreender que tinha de estar ali para escrever o seu livro, ela muda-se para uma pequena casa de praia alugada e começa a escrever. Porém, a escrita começa a tornar-se demasiado fluente, intensa, e a afastar-se do seu proposto inicial, passando a centrar-se numa personagem fictícia, Sophia Paterson, inspirada numa sua parente da época. No entanto, Carrie começa a descobrir que muito do que escreve não é apenas ficção, mas algo mais, quando começa a confrontar o que lhe parece ser o produto da sua imaginação com factos históricos que nunca antes tinha lido durante as suas pesquisas. Assim, Sophia torna-se em algo mais do que uma mera personagem inventada, mostrando que há mais para descobrir do que aquilo que parecia no início.

Não é o primeiro livro que leio que tem por contexto a revolta jacobita, em que os escoceses tentaram restaurar um rei no trono da Escócia. Li A Rosa Rebelde, de Janet Paisley, e Outlander – Nas Asas de Tempo, de Diana Gabaldon. Passam-se em diferentes tempos, mas ambos mostram as diversas tentativas escocesas de restaurar a independência face à Inglaterra, voltando a colocar um rei no trono, rei esse que tinha sido exilado em França: Jaime VIII da Escócia e III de Inglaterra e, anos mais tarde, Carlos Eduardo, filho de Jaime. E devo dizer que é sempre com grande prazer que leio sobre este período histórico. Gosto muito da Escócia e da sua História. Penso que este gosto vem de há vários anos atrás, da primeira vez em que vi o filme Braveheart, era ainda criança. Desde aí já o vi várias vezes e, cada vez que o revejo, é como se fosse a primeira. 

Gostei imenso da história. As personagens são fantásticas, muito bem delineadas e com carater. Tanto as do presente como as do passado estão muito bem, todas diferentes e com personalidades muito próprias. De realçar que praticamente todas as personagens que fazem parte do passado (da história que Carrie escreve) são reais, existiram de verdade e há bastante informação sobre a maior parte delas. Gostei muito das personagens do presente, especialmente de Carrie, Graham e Stuart, que fazem um trio bastante engraçado e que dá bastante cor há história. Porém, senti uma maior emoção pelos destinos das personagens do século XVIII, principalmente por Sophia e John Moray, um par que me emocionou bastante ao longo da narrativa e que me proporcionou uns belos sustos e alegrias ao longo da leitura.
O detalhe histórico está excelente. A autora escreveu com enorme rigor e, no final, apresenta uma nota muito bem escrita, concisa e coerente sobre a parte histórica do livro. As descrições também estão muito boas, permitindo ao leitor a possibilidade de se imaginar nos locais por onde passam as personagens, tanto no presente como no passado. Também a descrição do ambiente emocional está bastante boa, conseguindo criar climas de grande tensão, bem como climas descontraídos. Ou seja, há um equilíbrio bastante estável entre estes dois fatores.

Gosto de histórias que me digam algo; que me façam sonhar; que me conquistem e que me emocionem. Aqui está uma história que me proporcionou tudo isso. E, como é uma espécie de “história dois em um”, senti que estava presente em dois momentos, no presente e no passado, como uma viajante do tempo. Senti que, tal como Carrie, podia ter acesso ao passado de Sophia, estar presente ao longo de um período decisivo da sua vida e viver as suas aventuras com grande intensidade.

Assim, este é um romance um pouco diferente. Tem uma mistura de viagens no tempo, mas não é sobre isso e o que acontece não é realmente nada disso. É um romance bem rico, cheio de todos os ingredientes que um bom romance deve ter. Não é de modo algum lamechas, nem por sombras. Tanto Sophia como Carrie são mulheres bem interessantes e complexas, nada simples nem corriqueiras. E o mesmo se passa com os homens. Principalmente na parte de Sophia, o enredo é mais complexo, tem mais intrigas politica, mais momentos de tensão. Foi nessa parte que mais me emocionei, principalmente nos momentos mais para o final. Depois, na parte de Carrie, não há tanta tensão, mas há o mistério em torno do que provoca o conhecimento daqueles factos todos e também os relacionamentos de Sophia com Graham e Stuart, que são irmãos, e também gostei dessa parte, que por momentos pensei que se ia tornar um pouco mais densa, mas que ficou bem como ficou, deixando a tensão que poderia ter sido criada para o lado de Sophia.

Em suma, é um livro muito bom. Um romance histórico bem escrito, com tudo o que deve ter: rigor, uma escrita interessante e apelativa, muitas peripécias e a dose certa de todos os ingredientes. Sem dúvida, um dos melhores romances históricos que já li, onde a ficção se mistura com a História de um modo perfeito. Aconselho vivamente, a todos, sem exceção. Uma história muito bonita e está muito bem contada, o que promove uma leitura bem recheada de bons momentos.

Algumas citações:

- Então, como vês, o meu coração está preso para sempre a este sítio - disse ela. - Não posso partir.
Não posso partir.
p.26

Quando terminou, Moray pôs o braço em torno dela para a manter perto de si e ela pousou o rosto sobre o tecido fino da camisa dele, sentindo as batidas do seu coração bem junto ao ouvido. No céu, uma gaivota pairava ao sabor do vento, com as asas abertas aparentemente imóveis. A sua sombra solitária movia-se na areia ao lado de ambos. p.252

- Disseste-me uma vez - afirmou ele - que o vosso coração me pertencia.
- E pertence.
- E o meu coração pertence-vos a vós, Sophia. - Colocou uma mão sobre a dela e encostou-a ao seu peito, para que ela pudesse sentir o bater do seu coração. - Não viajará comigo através das águas. Onde estiverdes, ele estará convosco. Não ficará sozinha. E eu nunca mais estarei completo, até ao momento em que regressar
.
p.296

NOTA (0 a 10): 10