domingo, 26 de agosto de 2018

A Demanda do Bobo, de Robin Hobb

Sinopse:


Após os acontecimentos de A Revelação do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz.


Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai. 



Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.


Entre todas  estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino? (in Saída de Emergência)





Opinião:


Esta é a primeira parte do segundo livro da nova trilogia de Robin Hobb. Neste volume, encontramos Fitz numa nova demanda, desta vez à procura da sua filha, Abelha. 

Mais uma maravilhosa narrativa com que a autora agracia os seus leitores. É um festim para os sentidos ler estas narrativas. A forma de escrita, o detalhe, a introspeção aliada a uma tremenda mestria a criar momentos de grande tensão, faz com seja sempre um momento único de leitura. 

Fitz continua a ser o que sempre foi, mesmo que cada vez mais experiente. Aquela sua forma de ser, a sua personalidade, a forma como narra os diversos momentos das suas aventura, não podia ser diferente, ou não seria ele mesmo. Não é segredo nenhum que ele é uma das minhas personagens masculinas favoritas, portanto, seria estar aqui a repetir-me novamente. O Bobo continua também a ser fantástico, sempre misterioso. E todas as outras personagens continuam maravilhosas. 

Mais uma vez encontramos o livro composto por capítulos narrados pelo Fitz e por Abelha. Apesar de preferir os do Fitz, é com grande curiosidade que me deixo levar pelos de Abelha, uma vez que narram partes deste universo que sempre me intrigaram e que dão uma grande lufada de ar fresco a esta história no seu todo. Todo o mistério em volta dos Brancos e da sua magia, da sua origem, vão sendo narrados pelos olhos de Abelha, aos pouquinhos. 

Não vou entrar pela história deste volume, um vez que não quero aqui estar a dar spoilers, mas Fitz vê-se novamente num grande dilema: príncipe ou assassino? Qual escolher? O que fazer para salvar Abelha? Ou seja, é mais uma aventura fantástica, cheia de perigos, escolhas, diálogos excelente e muita ação. 

Recomendo totalmente a todos os que gostam de Fantasia e, no fundo, de uma grande história. 
Muito obrigada à Saída de Emergência por ter continuado a trazer-nos as maravilhosas histórias de Robin Hobb!

NOTA (0 a 10): 10

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Príncipe das Trevas, de Mark Lawrence

Sinopse:

No norte, chegam rumores. 
Os mortos caminham novamente entre nós.
Será verdade?

A Rainha Vermelha está velha. Ainda assim, controla todo o poder no seu vasto império. Jalan Kendeth, o seu neto, não tem tais preocupações. A bebida, as mulheres e uma vida longe de todas as responsabilidades mantêm-no ocupado.

Por isso fica surpreso quando é chamado a ouvir estas histórias da boca de escravos e prisioneiros. Porque quereria a Rainha Vermelha envolvê-lo? Quando Snorri, um guerreiro nórdico, conta uma história de cadáveres devolvidos à vida e do Rei Morto, Jalan só pensa nas várias formas de o utilizar para ganhar dinheiro. São fantasias, o que conta. Mitos. Histórias de encantar. 

E é por isso que Jalan fica tão frustrado quando a magia o liga a Snorri. Agora vai ter de ir ao norte desfazer o feitiço. O que será que os espera? (in Goodreads)


Opinião:

Depois de ter lido no ano passado a trilogia do Príncipe dos Espinhos, só podia estar curiosa com esta nova história do autor.

Num tom mais suave quanto à personalidade e atitudes da personagem principal, e também narrador da história, este livro decorre num período que coincide com o primeiro livro, Príncipe dos Espinhos. É até muito interessante ver como aparecem personagens dessa história, em momentos narrados no livro da outra trilogia, e que aparecem aqui. Muito interessante e inteligente! Fiquei muito agradada. 

Aqui temos Jalan, o herói (mais ou menos, vamos lá), neto da Rainha Vermelha, que é quem governa o Império Arruinado. Jalan é um jovem vivaz e bem parecido, cujo maior objetivo é seduzir raparigas e divertir-se. Mas quando algo de estranho acontece e fica preso magicamente a um pagão nórdico gigante, Snorri, Jalan vê-se numa missão contra os seres criados pelo Rei Morto e pela sua necromante. 

Jalan é muito interessante. Não tem um lado sombrio como Jorg, nem nada que se pareça. É um bon vivant, por assim dizer, que se vê metido num sarilho bastante grande e do qual tem de se "safar" a todo o custo. É um excelente narrador, muito irónico e divertido, bem como bastante crítico em relação ao que o rodeia, o que permite ao leitor ter uma visão bastante diversa e interessante do Império e de outras personagens com quem ele se cruza. E depois temos 

Snorri, o nórdico que foi feito escravo pelo Império e que apareceu na sala do trono com a história de que os mortos-vivos apareceram na sua vila e levaram todos, mantando alguns, é uma personagem fantástica. Na sua missão para recuperar a sua esposa e filhos, Snorri vê-se ligado a Jalan por um estranho feitiço de uma feiticeira que nem todos conseguem ver. Snorri também é muito interessante e bastante integro. 

A história é muito boa, cheia de ação e de momentos muito arrepiantes, algo que já tinha acontecido na anterior trilogia. Não existem momentos parados, pois o desenrolar dos acontecimentos é muito fluído, rápido e cheio de adrenalina. Gostei muito! 

Em termos de descrições, também está excelente. Tem aquelas que são necessárias para visualizar o ambiente e tudo o que rodeia as personagens, de uma maneira simples, bela e prática. 

É uma aventura repleta de perigos, momentos bastante sombrios e obscuros, mas que também tem momentos muito belos e divertidos. Mais uma vez, Mark Lawrence consegue criar uma história forte, complexa e muito bem contextualizada, cheia de coerência. 

Em suma, recomendo a todos aqueles que gostam de uma bom livro de Fantasia e que gostam de aventuras cheias de garra! Um excelente livro e espero que o segundo seja tão bom como este ou até melhor. 

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Biblioteca de Almas, de Ransom Riggs

Sinopse:

A aventura que começou em O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares e que continuou em Cidade Sem Alma chega agora a uma emocionante conclusão em Biblioteca de Almas. Jacob Portman, o herói que viajou no tempo para encontrar as crianças peculiares, explora a sua peculiaridade e descobre um poder até então desconhecido.

Acompanhado de Emma Bloom, a rapariga que consegue produzir fogo com as mãos, e Addison MacHenry, um cão capaz de localizar qualquer peculiar, parte numa viagem ao passado para tentar salvar os seus amigos peculiares... e o futuro de todos eles. (in Goodreads)


Opinião:

Mais um fantástico livro e para final de trilogia, não podia ser melhor. Confesso que demorei mais tempo a lê-lo porque tentei fazer render os minutos em que estava a ler as aventuras de Jacob e dos seus amigos peculiares na luta contra os errantes e os sem-alma. Apesar de toda a curiosidade para saber o final, apesar disso tudo, tentei fazer render e consegui. Foi com alguma relutância que o pousei e isso significa que esta história foi das melhores que li até agora. 

Neste volume, Jacob e os seus amigos peculiares continuam à procura da sua professora e de uma forma de acabar com os errantes e os sem-alma, de modo a não permitir que estes tomem conta do mundo peculiar, com as suas ideias arcaicas e horríveis para com os peculiares, e, no fundo, para com os humanos no geral, uma vez que o seu desejo é aproveitar-se dos seus poderes para se impor aos humanos e assim governar pelo poder e força. 

Mais uma vez, o autor presenteia-nos com um grande elenco de personagens. Neste volume aparecem algumas personagens bastante interessantes e fulcrais para a história, como os irmãos da senhora Peregrine, que vão dar uma reviravolta gigante na história toda. Mas eles são apenas um exemplo, porque há muitas outras personagens novas. Jacob e os amigos continuam a ser maravilhosos. 

Os conflitos e dilemas entre o que fazer e como vão aqui intensificar-se, fazendo com que a narrativa se torne um pouco mais complexa. Também há uma maior detalhe em determinados factos que exploram e dão corpo ao universo criado pelo autor. Existem aspetos únicos da criação de Riggs que só aparecem neste volume e que respondem a todas as questões que o leitor pode ir fazendo ao longo da leitura dos livros todos. Riggs escondeu tudo, praticamente, para o final, e fê-lo com grande mestria! Sublime! 

As fotografias continuam a ser uma constante da obra, transmitindo uma beleza e sensação única ao longo da leitura.

Em relação à narrativa em si, esta é mais densa, mais sombria e mais assustadora, o que só faz com que ainda seja melhor e mais emocionante. Existem momentos de grande emoção, derivado do suspense criado. Excelente!

Gostei muito, muito, muito da forma como o autor conduziu a história, indo a todos os detalhes e criando uma narrativa rica, complexa e cheia de peculiaridades. Gostei do rumo da história e de como terminou. Não havia outro final possível, pelo menos nenhum que abarcasse tudo o que se passou durante a trilogia inteira. Acho que foi a melhor opção e que permitiu concluir, sem fechar mesmo o ciclo. Se ele quisesse, poderia fazer outra história a partir daqui, outra trilogia até! Já tenho o livro Tales of the Peculiar, uma antologia de contos que aparece na trilogia, citado por uma das personagens e que serve de apoio às personagens em diversos momentos da trama. 

Mais uma leitura fantástica e um autor a seguir! Recomendo sem reservas e espero que gostem tanto como eu. 

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Cidade Sem Alma, de Ransom Riggs

Sinopse:

Jacob Portman chegou ao Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares em busca de respostas para a misteriosa morte do seu avô - mas encontrou ainda mais mistérios...

Depois de viajar no tempo até 1940, Jacob conhece as crianças peculiares - rapazes e raparigas com poderes sobrenaturais -, e a senhora Peregrine, que toma conta delas e as protege das criaturas que parecem determinadas a exterminá-las. 

Quando o lar é destruído e a senhora Peregrine fica em perigo, Jacob, com os seus recém-descobertos poderes, junta-se ao seus novos amigos para tentarem salvá-la.

Contudo, as ruas de Londres durante a Segunda Guerra Mundial não são nada seguras para um grupo de crianças sozinhas...

A aventuras d'O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares continua em Cidade sem Alma, onde Jacob e os seus amigos têm de enfrentar desafios inimagináveis para se salvarem. (in Goodreads)


Opinião:

Assim que terminei o primeiro, peguei logo no segundo. E este foi outra excelente leitura, super emocionante e recheada de adrenalina. O autor mantém sempre o mesmo nível de acontecimentos bizarros, aventuras loucas e dilemas relativamente banais que se misturam com outros de uma importância extrema para os diversos rumos da trama. Ou seja, outro livro espetacular! 

Neste livro as personagens continuam a ser fantásticas e todas elas continuam a dar o seu contributo único para a narrativa. Jacob e Emma têm aqui um papel ainda mais de destaque, uma vez que a história vai por caminhos onde eles aparecem em mais momentos em relação a outras personagens. Também há um maior número de errantes e sem-alma que aparecem neste volume, bem como outras personagens bastante interessantes, como é o exemplo do cão falante, Addison. 

Quanto à história, esta difere um pouco da primeira, uma vez que o cenário dos acontecimentos muda e a luta contra as forças dos errantes aumenta de tom, tornando-se num acontecimento extremamente violento e aterrados. O grupo de Jacob parte em busca da sua professora, desta vez por Londres e à procura de variadas pistas e possíveis ajudantes para a sua demanda. Continua a ter um enredo muito bom, repleto de aventura, ação, mistério e momentos de grande suspense, bem como algum romance. A relação de Jacob e Emma vai-se adensando, o que também é bonito de ser acompanhar.

Gostei da forma como o autor foi entrelaçando e desatando os variados acontecimentos que cria, de modo subtil mas grandioso. A escrita continua super fluída e muito rápida, fazendo com que o leitor leia o livro muito rapidamente. 

Ao longo da narrativa é possível constatar também a alegoria criada pelo autor em relação com os acontecimentos da história e a Segunda Guerra Mundial. Enquanto conta uma história inventada, Riggs consegue fazer uma analogia excelente entre a sua narrativa e alguns acontecimentos desse período negro da nossa História. Os errantes disfarçados de nazis, as experiências criadas por eles, o seu próprio propósito de governar o mundo, são uma forma interessante e inteligente de criar uma metáfora entre as duas "realidades". Tal já estava presente no livro anterior, mas neste é ainda mais visível. 

As fotografias continuam a ser uma maravilha e a criar uma atmosfera única.

Assim, este foi mais um excelente livro da trilogia! Recomendo vivamente! Muita ação, mistério e romance, com momentos de grande tensão e emoção. Sem dúvida, uma lufada de ar fresco.

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 22 de julho de 2018

O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs

Sinopse:

Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada e uma estranha coleção de fotografias peculiares. 

Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de 16 anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do Lar para Crianças Peculiares, criado pela senhora Peregrine.

Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas...

Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e dos aqueles que apreciam o suspense. (in Goodreads)



Opinião:

Há alguns anos que tinha este livro na lista de desejos. Quando vi o filme fiquei um bocadinho na dúvida, porque estava à espera que fosse mais assustador ou estranho, em especial porque era realizado pelo Tim Burton, um dos meus realizadores favoritos. Assim, o livro foi ficando na lista e outros foram aparecendo. Mas finalmente decidi apostar nesta história e fiquei completamente viciada na história. É muito muito melhor do que o filme, não há comparação possível!

Personagens cativantes e cheias de personalidade foi o que mais me prendeu à história, a par da magnifica e intricada forma do autor criar situações sempre alucinantes e que me prenderam totalmente ao longo do livro. Quando terminei este tive de ler os outros dois de seguida e isso já não me acontecia há algum tempo com sagas, trilogias e por aí (com os livros todos editados por cá). 

A senhora Peregrine é a alma da história. A professora e senhora da Casa para Crianças Peculiares é fantástica. Altiva, inteligente, justa e muito engraçada (quando quer), consegue dar apoio a todos os peculiares de quem toma conta e ensina. 

Os peculiares ao cuidado da senhora Peregrine, crianças com capacidades únicas e cuja sociedade só os ia ostracizar, vivem todos na Casa, num vórtice temporal criado pela professora, em que estão seguros naquele dia para todo o sempre. Não envelhecem dentro do vórtice, mas se dele saírem poderão envelhecer todos os anos de uma vez ou em alguns dias. E vivem dentro do vórtice para estarem a salvo dos errantes e dos sem-alma, os grandes vilões da história e que querem dominar o mundo com os seus poderes. 

E depois, Jacob Portman, o extraordinário narrador da história. Cheio de carisma e sarcasmo, Jake tem um humor fora de série e bem interessante. É o único narrador que a história podia ter e consegue dar forma a toda a história de um modo único e que a torna ainda mais cativante. É muito fácil ficar encantado por ele e querer acompanhar as suas aventuras no mundo dos peculiares. Jacob descobre que é peculiar depois de vários acontecimentos e é acolhido pela professora. E também por Emma,  uma das peculiares, que se apaixona por ele. 

A história é muito boa. Cheia de mistério, ação e momentos de cortar a respiração, este primeiro livro oferece ao leitor uma história que se lê de uma só vez, praticamente, tal não é a emoção que transmite. Jacob narra o que vai acontecendo de um modo muito fluente, cheio de vida e de detalhe, que faz com que o leitor se sinta dentro da história. Existem momentos de puro terror, muito bem narrados, que levam-nos para um ambiente muito arrepiante, mas também há momentos de pura ternura e carinho. Tem todos os ingredientes que uma boa história deve ter, todos bem unidos por personagens fortes e complexas, bem como por uma narrativa apaixonada e que nos enche de emoção. 

As descrições são todas elas muito vividas e bem enquadradas (mais uma excelente faceta do narrador), permitindo mais uma vez ao leitor a capacidade de se infiltrar no enredo. 

É uma história de mistério, aventura, romance, fantasia e humor, onde a unidade e o trabalho em equipa são a chave para a resolução dos problemas, tal como o amor. 

O próprio livro é muito belo, com um design único e muito elaborado. As fotografias vintage que o acompanham e dão forma ao mundo peculiar criado pelo autor também são cruciais para criar um ambiente fantasmagórico e etéreo que se entranha no leitor à medida que este avança pela história. 

Confesso que me surpreendeu, porque depois do filme não estava à espera de ficar apaixonada pela história. Mas fiquei! Apaixonei-me por este peculiar história que recomendo vivamente a todos os que gostam de um bom livro, cheio de mistério e aventura, juntamente com uma dose de romance e amizade. 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 9 de junho de 2018

Um Estanho Numa Terra Estranha Vol. I, de Robert A. Heinlein

Sinopse:

Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente. 

Nascido na fatídica nave espacial e salvo pelos Marcianos que o criaram e lhe ofereceram uma nova vida, Valentine Michael Smith nunca viu um ser humano até ao dia em que é descoberto por uma segunda expedição a Marte. 

Ao regressar à Terra, vê-se pela primeira vez entre o seu povo. Começa então um percurso de aprendizagem dos códigos sociais e preconceitos da natureza humana, totalmente alienígenas para a usa mente. Nesse processo de descoberta e integração, Valentine irá partilhar com a Humanidade os rituais sagrados que aprendeu em Marte e retribuir com as suas próprias crenças sobre o amor e o sentido da vida. Mas conseguirá alguma vez deixar de se sentir um estranho numa terra estranha? (in Saída de Emergência


Opinião:

Este livro, escrito há tantos anos, prova o quanto o poder da imaginação pode ter a capacidade de percorrer gerações e chegar até nós com uma mensagem profunda, criativa e dinâmica. Esta é a primeira parte. 

É uma história de ficção cientifica bastante boa, onde a ação não é o seu principal foco, mas onde as questões éticas, morais, emocionais e sociais estão bem presentes, sendo o grande motor da narrativa, que nos traz muitas questões interessantes sobre a evolução, a ciência, o Cosmos no seu todo e a importância dos Seres Vivos. 

Personagens complexas, únicas e muito apelativas, todas elas são muito boas, cada qual à sua maneira. Gostei especialmente de Valentine, o individuo que veio de Marte. 

Gostei das descrições, da escrita e da história em si, bem como das personagens. Senti um pouco a falta de mais ação, penso que poderia ter contribuído para um maior sentimento de emoção durante a leitura. Porém, o grande poder deste livro é abordar questões mais existenciais, morais e éticas quanto aos usos científicos e da descoberta do Universo em relação com a sociedade através de uma narrativa muito bem contextualizada e de personagens marcantes. 

A escrita é fluída e lê-se a uma grande velocidade, uma vez que os diálogos também preenchem boa parte da narrativa. Esses diálogos são bastante interessantes. 

Sem dúvida, é de enaltecer a capacidade imaginativa do autor, cujo livro foi publicado na década de 1960, e que conta com muitos mais livros deste género na sua obra literária. Vou querer explorar mais das suas histórias! 

Assim, recomendo a todos os que gostam de Ficção Cientifica e que apreciam uma boa história. 

NOTA (0 a 10):

sábado, 19 de maio de 2018

Caraval, de Stephanie Garber

Sinopse:

Caraval. Lembra-te, é apenas um jogo...

Scarlett Dragna nunca saiu da pequena ilha onde ela e a irmã, Tella, vivem sob a vigilância do seu poderoso e cruel pai. Scarlett sempre teve o desejo de assistir aos jogos anuais de Caraval. Caraval é magia, mistério, aventura. E, tanto para Scarlett como para Tella, representa uma forma de fugirem de casa do pai. 

Quando surge o convite para assistir aos jogos, parece que o desejo de Scarlett se torna realidade. No entanto, assim que chegam a Caraval, nada acontece como esperavam. Legend, o Mestre de Caraval, sequestra Tella, e Scarlett vê-se obrigada a entrar num perigoso jogo de amor, sonhos, meias-verdades e magia, em que nada é o que parece. Realidade ou não, ela dispõe apenas de cinco noites para decifrar todas as pistas que conduzem até à irmã, ou Tella desaparecerá para sempre... (in Goodreads)



Opinião:

Estava à espera de ler este livro desde que saiu. Uma capa maravilhosa, uma sinopse apetitosa. Lembrei-me logo d' O Circo dos Sonhos, de Erin Morgenstern. Pois, lembrei-me aí e durante toda a leitura. Comecei com grande entusiasmo, mas cedo comecei a deixar de o ter. Não me conseguiu cativar. 

As personagens são interessantes, mas a personalidade de Scarlett e a forma como vai contando a história não me cativaram. Achei-a um tanto repetitiva. Também estava à espera de algo mais vindo das outras personagens e a única que realmente me agradou foi o Legend, com todo o mistério em seu redor. Acho que as personagens podiam estar mais desenvolvidas, serem mais complexas. Talvez no segundo volume tal aconteça. 

Em relação ao contexto, a meu ver a autora criou uma história com enorme potencial, que podia ter sido melhor aproveitado. Talvez esperasse mais emoção, mais suspense e algo mais forte. O livro é para um público mais jovem, portanto pode ser por isso que não seja tão "dark" como o contexto pedia. Há algumas partes que estão bem interessantes, mas depois vêm as descrições dos fatos da Scarlett e sente-se alguma futilidade ali no meio de algo que podia ser bem mais complexo e interessante. No entanto, não quero com isto dizer que a história é má. Não! É uma excelente história, mas podia estar melhor. 

As descrições de Caraval são boas e ricas em detalhes que contextualizam bem o ambiente. Gostei desses momentos e achei-os muito bem escritos. Depois, como já referi anteriormente, há as descrições das roupas e isso pareceu-me demasiado. São muitos vestidos, muitos detalhes...Sei que as roupas são importantes para a perceção emocional e dramática de Caraval porque refletem e estado de espírito das personagens e isso tudo, mas mesmo assim, achei-as excessivas. 

Gostei da forma como a história se foi desenrolando e encontrei nisso maturidade. No entanto, esperava um final mais emocionante. Existem partes muito interessantes ao longo da narrativa apesar de não me ter fascinado. Não fiquei seduzida pelo romance entre as personagens e penso que isso também não me deixou ficar agarrada à narrativa. 

Em suma, Caraval é um local mágico, interessante, rico e dinâmico. Podia ter sido melhor explorado, as personagens podiam ser mais maduras e menos irritantes e lamechas, podia haver um desenvolvimento mais complexo, tanto a nível das personagens como da própria história. Recomendo a todos os que gostam deste género de aventuras! 

NOTA (0 a 10): 6