segunda-feira, 25 de março de 2013

"A Lenda de Sapphique", de Catherine Fisher

Sinopse:

"Finn conseguiu fugir de Incarceron, a terrível prisão viva e o único lar de que tem memória, mas a liberdade está longe de ser o que imaginava.

Cláudia acredita que, se Finn reclamar o direito ao trono do Reino, será capaz de libertar Keiro da temível prisão; mas o Exterior não é o paraíso idílico com que Finn sonhava e o jovem vê-se subitamente prisioneiro de um obscuro jogo de intrigas e mentiras, que adia os seus planos.

Entretanto, na obscuridade de Incarceron, os prisioneiros falam de um homem lendário - Sapphique, o único que conhece os segredos e o único capaz de destruir a prisão. São inúmeras as histórias sobre as suas façanhas, mas haverá alguma verdade nelas? Será que ele existe mesmo?

Dentro e fora, todos aspiram à liberdade... como Sapphique." (in Goodreads)

Opinião:

" - E por isso vou reparar as minhas asas e voar até às estrelas. Estás a vê-las?
(...) Jared abafou uma exclamação de espanto, porque elas lá estavam, a toda a sua volta, as galáxias e as nebulosas, os milhares de constelações...
- Ouves a canção delas? murmurou Sapphique.
Mas só o silêncio da Floresta lhes chegava, e Sapphique suspirou.
" p. 237

Este é livro que segue a Incarceron. Não é sequer uma trilogia. Termina em A Lenda de Sapphique. Oh, como gostava que houvesse mais ou então e melhor ainda! Que houvesse uma prequela, uma prequela sobre Sapphique, só sobre ele... a explicar tudo sobre ele, pois é deveras uma personagem interessantissima e muito misteriosa.

Gostei imenso da história. Mais complexa que Incarceron, mas sempre fluente e misteriosa. Catherine Fisher conseguiu fazer uma história muito boa, com boas personagens, onde a ilusão reina em todo o lado.
E se o Reino não fosse verdadeiro? E se tudo aquilo que se vive no Exterior não passasse de uma ilusão criada pela necessidade de ignorar a realidade? E se tudo fosse mentira? O que seria melhor? O Interior de Incarceron ou o Exterior, o Reino? Pois bem, este livro explora isto mesmo, explora a dualidade das realidades, pondo à prova todas as personagens, todas as suas atitudes e comportamento e até sentimentos. Seria Jared capaz de trair Claudia? Seria Finn um mero Prisioneiro? Seria tudo uma farsa? E se houvesse uma forma de sair de Incarceron? E se a Prisão quisesse Fugir dela mesma? Seria isso possível? Será que a loucura e a maldade dela não são meros sentimentos criados pelos Homens? Será que a criação da Prisão falhou? Será que a Prisão não é tão cruel como se pensa? O que a fez assim? O que é que ela tanto procura?


Os prisioneiros deparam-se com Alas a fechar, destruição, o frio Inverno da Lenda de Sapphique. O que estará ela a fazer para esquecer todos os seus filhos? Será que tem um projeto maior do que eles? E quem a poderá ajudar? Será possível fazer algo sem destruir tudo e todos?

Numa viagem pelo Interior e pelo Exterior, A Lenda de Sapphique é contada em várias perspetivas, tendo como base Claudia (Exterior) e Attia (Interior). Mas ao longo do livro isso vai sendo alterado e começamos a ter "POV's" de Jared e Finn também. Esta é uma viagem pela Fuga a todas as cadeias que prendem a Liberdade.
Num mundo de magia e metal, onde nem tudo é o que parece, a Lenda de Sapphique começa a ser uma realidade e todos chamam por ele, será possível? Será que Sapphique é mesmo real? Será que ainda habita o Exterior? Onde estará e quem será ele?
E no meio de tudo isto há a Luva de Sapphique, que todos procuram para usar à sua maneira. Diz a lenda que quem a calçar fica a conhecer todos os segredos de Incarceron. Fica a saber onde é a saída?

"Qual é a chave que abre o coração?"

Foi esta a pergunta que Sapphique fez no jogo de charadas e é esta a pergunta principal de toda a história. Todos procuram a resposta, mas só uma personagem conhece a resposta. E só essa pessoa pode ajudar todos os outros, inclusive a Prisão.

Esta história tem muitas questões para reflexão. A fuga à realidade, a estagnação no tempo, a procura pela perfeição, a procura pela liberdade, pela sabedoria e pelo poder, bem como a ilusão que existe à volta de todos, são todos aspetos que levam à reflexão. No livro, é nos dito que os Anos da Raiva levaram ao esgotamento energético, à matança e à guerra. Quando terminaram, foi instaurado o Protocolo, e tudo passou a ser vivido como se se estivesse no século XVIII. As faltas de energia que levaram à destruição e à finitude da ilusão são um aspeto interessante, ainda mais porque é algo que a Humanidade devia temer. Não estamos nós a destruir as energias que existem? Ou pelo menos grande parte delas, usando-as muitas vezes indevidamente? Acho que a autora fez uma exploração muito interessante deste tema, tornando-o um dos apsetos centrais. Também a Fuga e a Liberdade são aspetos principais do livro. Pode parecer uma história simples ou até confusa, mas tem muito para reflexão.

Se ficaram curiosos, digam e leiam o livro! Se ainda não leram Incarceron, força! Este é ainda melhor =D 

 " - Confio em ti, Jared. -murmurou. - Sempre confiei. Amo-te, Mestre." p. 329

NOTA (0 a 10): 10

10 comentários:

  1. Não sabia que terminava no 2º livro!
    Já vi que ficaste com muitas oerguntas por fazer! :P

    Beijinhos

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    1. Joana!!! O final é muito estranho ! :O
      Isto é o que dá fazer muitas reflexões! =D lol

      Fiquei, quando terminei o livro, fiquei a olhar para ele e fui ler alguns excertos. Está muito fixe, o final é assim enigmático! Devia haver uma prequela! Sobre o Sapphique! Ehe, o Sapphique uiui! ;D

      Beijinhos!

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  2. Oá Maria,

    Bem com uma nota destas e como já tinha visto o teu entusiasmo com a leitura deste livro claro que fiquei curioso e tem tantas questões em aberto. Vejo que adoraste vamos ver se terei oportunidade de ler um dia.

    E mais um rico desenho sim senhor :)

    Bjs e boas leituras

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    1. Olá Fiacha!

      Fiquei mesmo entusiasmada com o livro. Já tinha ficado com o Incarceron. Mas este é muito bom, muito misterioso! Além de ter um enredo completamente fantástico, tem uma base que podia ser real, o que lhe dá um toque realista.
      E depois, claro está, fez-me gostar muito de uma das personagens, o Jared, que é o mais misterioso deles todos! Tenho de fazer aqui uma apresentação das personagens! Para dar curiosidade aos leitores, que achas? :D

      Obrigada!

      Beijinhos e boas leituras

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  3. Olá Maria. :)

    Estava um pouco indecisa se havia de ler estes livros, mas tendo em conta a nota que atribuíste, parece-me que tenho mesmo de experimentar ou estaria a perder uma grande obra.

    Tinha ideia que era uma trilogia, mas pelos comentários percebo que se trata somente de duas obras. Confesso que tenho tantas sagas por terminar, que ando um pouco a evitar começar mais, mas tenho mesmo de experimentar, deixaste-me curiosa. :)

    Beijinhos e boas leituras*

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    1. Olá Rita =D

      Eu comecei a ler o primeiro livro por causa de uma amiga minha, a Joana, que comentou a cima. Gostei imenso do Incarceron, mas este é ainda melhor! No Goodreads dei 4 ao Incarceron e 5 à Lenda de Sapphique. Estão mesmo muito bem. E depois são só dois, o que torna tudo mais fácil!

      Sim, porque há tantas sagas grandes que depois não sabemos o que fazer e estes que são dois é um balsamo novo! É raro serem só dois livros. =D Ainda bem que te deixei curiosa! O objetivo destas opiniões é mesmo esse! Ainda mais neste livro, que merece mesmo ser divulgado =D

      Beijinhos e boas leituras =D

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  4. Olá Maria,
    vim aqui te avisar q há um selo bem colorido no meu blog, para vc, espero q goste!!!
    http://amandatrindadepalavrasaovento.blogspot.com.br

    Abraços, e boas leituras

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  5. Eu gostei bastante do primeiro. O segundo desiludiu-me..parecia-me que estava a ver um Finn e uma Claudia bastante diferentes, com motivações estranhas ao 1º livro. Achei a Claudia especialmente irritante. O final foi uma desilusão também..muito apressado e estranho.
    Tenho reparado que a maior parte das pessoas, tal como tu, gostaram mais do 2º
    Beijos

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    1. Olá,

      eu gostei mais do segundo.O primeiro é um bom começo, muito prometedor. Tem um desenvolvimento vivo e não engonha.
      Gostei ainda mais do segundo porque tem um final interessante, não o final em si, mas a parte do que acontece na Prisão, lá naquela espécie de tabuleiro de xadrez. Gostei do Jared ter mais destaque, pois é a minha personagem favorita. E gostei do mistério do fim, porque ficam imensas incógnitas.

      Beijinhos e boas leituras!

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