domingo, 11 de outubro de 2015

O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, de Maurice Druon

Mais uma bela surpresa da Marcador! Depois de ter ficado bastante curiosa sobre o livro devido à sua sinopse e às suas críticas, não pude resistir a lê-lo...e ainda bem que o fiz, porque é excelente! E como é a grande referência para a obra de George Martin (As Crónicas de Gelo e Fogo), não podia mesmo deixar de ler, uma vez que sou fã.



Sinopse: 

O Rei de Ferro - Filipe, o Belo - é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês - que parece preferir a companhia de homens.
Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.
O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.
Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
(in Marcador)

Opinião:

Este é o primeiro livro da saga dos Reis Malditos e que narra acontecimentos verídicos passados nos finais da Idade Média, na Europa, principalmente entre França e Inglaterra. Este volume é a introdução, praticamente, ao início da Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, e está muito bom. O autor é fantástico. A sua escrita...a própria narração é única. Existe um certo humor em vários momentos e em certas expressões ao longo da obra, que são como que comentários às ações das personagens que me fizeram por várias vezes sorrir e até dar algumas gargalhadas. Esse foi um dos aspetos que me fez gostar imenso da história. Aliás, desfrutei completamente deste livro, deu-me bastante prazer lê-lo por isso e também porque é um dos Romances Históricos lidos até agora que mais se pareceu com uma aventura épica e um autêntico evento de conspiração e ação. Excelente!

Outro aspeto que me fez gostar muito foi o facto do contexto estar excelente. O autor fez um grande trabalho de pesquisa que culminou em algo mais do que narrar os acontecimentos históricos. Maurice Druon conseguiu pegar nas informações históricas e dar-lhe vida própria. Por vezes parece que até não é um livro que retrata factos verídicos, mas sim um livro de ficção, tal não é a forma fantástica de contar, mais do que narrar os acontecimentos históricos, do autor. 

Em relação às personagens, posso afirmar que é uma maravilhosa e única panóplia de indivíduos. Desde o Rei de Ferro, Filipe, o Belo, que é uma personagem bastante carismática, até ao seu filho e sucessor, Luís, o Teimoso, que me fez várias vezes ficar admirada com a sua forma de reinar e tomar decisões (pois é ridícula e deveras medíocre, especialmente em relação ao sei pai), as personagens estão tão bem caracterizadas e reais que parece que estão vivas e que saem das páginas do livro para dialogarem e agirem à nossa frente, como que num plano em três dimensões. Não posso dizer que tenha havido uma personagem da qual gostei mais (porque são todas excelentes e bem elaboradas, todas distintas umas das outras) , se bem que Guccio Baglioni acabou por ser aquele que mais me agradou, bem como o seu amor por Maria Cressay, talvez pelo cariz mais romântico do casal e aventureiro da parte dele, tal como o relevo das suas ações para o desenrolar dos acontecimentos.

Também gostei das descrições, que são na medida certa e só aparecem quando extremamente necessárias para a compreensão do contexto. A ação e a complexidade política e conspiratória são os grandes ingredientes desta narrativa, tal como aconteceu na realidade. 

Fiquei a saber mais sobre este período históricos e também sobre a História da França, que, confesso, só ter mais conhecimentos após a Revolução Francesa. Os Romances Históricos que leio com mais frequência são sobre Inglaterra, talvez porque também é o reino que mais me fascina (expeto o nosso) e foi com grande prazer que pude ler este sobre França (se bem que a Inglaterra também está bem presente...ou não seria a Inglaterra e a França um par sempre ligado em factos históricos). 

Em relação ao facto de ter sido nesta saga que George Martin se inspirou, em parte, não pude deixar de tentar fazer comparações e encontrei algumas, que não vou aqui referir. Prefiro fazer com que os leitores de Martin fiquei curiosos e vão ler este livro!

Em suma, um excelente Romance Histórico que recomendo totalmente. Espero ler os próximos volumes brevemente porque fiquei muito curiosa com o que se passou a seguir, uma vez que o final do livro promete muitas mais conspirações e aventuras.

NOTA (0 a 10): 9
O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.

Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.

O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.

Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Guerra e Paz Vol. II, de Lev Tolstoi

Foi com grande satisfação que recebi o segundo volume desta obra clássica e logo comecei a lê-lo, para ficar a conhecer os destinos das personagens que tinha ficado a conhecer no primeiro volume.



Sinopse:

Edição comemorativa dos 150 anos da publicação do melhor romance de sempre.


A Rússia continua a ser devastada pelos exércitos de Napoleão, e as mortes e tragédias sucedem se, ligando-se indelevelmente às vidas das personagens. Estamos no início do século XIX, um dos mais conturbados da história da Rússia, e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Ainda assim, apesar de a felicidade parecer algo impossível de ser vivido em tempos de guerra, há bailes e casamentos, aventuras e diversões, festas e grandiosos momentos.
Guerra e Paz é um verdadeiro clássico da literatura universal, e aqui chegamos ao seu último volume. Eis uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Depois de ter lido o primeiro volume e de o ter achado um pouco descritivo e sem muita ação, foi com alegria que constatei, ao começar a ler este e lá mais para o meio, que o enredo se estava a compor. Mais ação, mais drama e mais emoção são os três ingredientes que aparecem a mais neste volume e que me agradaram bastante. 

A guerra está mais cruel, as personagens começam a deixar de viver num mundo de bailes e festas e começam a ver que todo aquele espetáculo não é mais do que uma farsa e que o cerne da questão real é muito mais vasto e obscuro. Começa a haver a luta de classes e as classes mais baixas têm o seu papel, vital para a mudança de muitas das personagens principais. As personagens masculinas, que andam pelos cenários de guerra, começam a ter mais lutas entre si. Gostei bastante do destaque que Peter continua a ter e das peripécias por que passou ao longo deste segundo volume e que o fizeram crescer enquanto ser humano. 

O sarcasmo e a ironia, bem como a filosofia, continua a ser um marco bastante forte desta obra. Tolstoi é um mestre do sarcasmo e isso ajudou-me a gostar da história porque contribui para atenuar a grande quantidade de momentos descritivos e mais parados, que apesar de serem em menor número neste volume, continuam a existir. 

Gostei mais de como a história se desenrolou nesta parte. As personagens estão mais interessantes, cresceram muito mais e já não estão tão fúteis, principalmente as personagens femininas. Existe uma humanização das personagens, dos seus atos e das suas ideias. Também aparece mais vezes Napoleão, o que é interessante.

Este livro vem uma parte final apenas sobre questões para debate relacionadas com temas pertinentes, sociais e filosóficos que podem interessar ao leitor. Eu li com gosto para compreender melhor a mente do autor e achei interessante a sua presença no final da obra, uma vez que esta é uma grande narrativa sobre questões complexas, sociais, morais, económicas, humanas. Esta obra será eterna por isso mesmo. Não porque a história seja maravilhosa ou extremamente bela, que até não o é, mas porque a sua base é verdadeira, real e eterna. Questões como a luta de classes, a alienação dos problemas reais da sociedade, as guerras, o amor, o perdão, as rivalidades...todas essas questões são parte constituinte do ser humano e nunca o abandonarão. Por isso é que esta obra vai continuar a ser lida e a ser amada através dos tempos, pelas grandes questões que levanta e que aborda.

Em suma, aqui está uma bela conclusão para uma obra de relevo mundial. Um clássico soberbo e muito bem escrito, repleto de sarcasmo e ironia, repleto de sentimento e emoção. Uma obra eterna que todos deviam ler e refletir. Quero, novamente, elogiar o design da capa e do interior, que continua excelente!

NOTA (0 a 10): 7

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Contos Misteriosos e Fantásticos, de Mary Shelley

Comprei este livro numa Feira do Livro porque estava a um preço bastante acessível e porque gostei muito de Frankenstein e por isso decidi apostar nele. Depois de alguns meses na estante, peguei nele e não foi bem aquilo de que estava à espera. Existem três contos: Transformação, O Mortal Imortal e O Mau-Olhado. O livro começa por uma breve biografia da autora.


Sinopse:

Mary Shelley é recordada sobretudo pela obra "Frankenstein". Este livro concede aos leitores, seguidores da Literatura fantástica e admiradores do período romântico inglês, uma imagem mais completa e complexa desta escritora fabulosa, ao enfatizar a completa variedade e significado da sua escrita. Um livro obrigatório para compreender a narrativa de Shelley, que trouxe uma visão inovadora que deu expressão à imaginação criadora, às inquietudes, reflexões, descobrimentos e avanços da ciência, e às possíveis transformações sociais que abalaram a concepção tradicional da orbe. Transgrediu os limites dos espaços familiarizados do mundo, infringiu o tempo conhecido por todos nós (presente e passado histórico) e, abriu a porta à especulação de outras dimensões e elementos da realidade, a par da luz e da sombra, do Belo e do Feio, do Bem e do Mal. Mary Shelley advertiu-nos que todas as ambivalências são humanas, sendo necessário contemplá-las de modo amistoso. Sob o prazer heterodoxo declarou-nos que a fealdade não é medonha, pelo contrário, pode ser maravilhosamente sedutora; somente a ambição desmesurada nas diversas áreas funcionais do ser humano e a repressão são valores não desejáveis.Estes contos misteriosos e fantásticos, traduzidos pela primeira vez para português, comprovam o talento e a actualidade desta autora quando no século XXI procuramos aparentar aquilo que afinal não somos, como na obra-prima da Literatura gótica: "Transformação", conto macabro e sinistro. (in Goodreads)

Opinião:

Estava à espera de mais Mary Shelley do que o que encontrei aqui. Estava à espera e contos mais sombrios e mais góticos e não foi bem isso que encontrei. Encontrei três contos relativamente simples e sem grande densidade, em que muitos dos elementos presentes em Frankenstein não estão presentes. Apesar de ter gostado dos contos em si, principalmente do conto do meio (O Mortal Imortal), não senti nada de gótico ou de terror em nenhum deles. São contos leves, em que se levanta um pouco o véu sobre assuntos como a imortalidade e a transformação entre o bem e o mal, mas em que não há verdadeiramente um cariz assustador ou em que o ambiente seja descrito de forma a criar emoções fortes ou até a incomodar o leitor. O terceiro conto até é bastante diferente do que estou habituada a conhecer referente à autora. 

Transformação
Em relação ao primeiro conto, Transformação, posso afirmar que gostei, principalmente dos momentos iniciais, quando a personagem principal anda nas suas deambulações juvenis e dos seus dilemas amorosos e mundanos. No entanto, achei-o um pouco morno e não senti nada em relação às personagens. Está bem estruturado e bem escrito, o ambiente está bem descrito, mas não transmite muita emoção.

NOTA (0 a 10): 6 


O Mortal Imortal

Este foi o conto que mais gostei, porque gostei das personagens, bem como das relações estabelecidas entre elas e dos acontecimentos da narrativa. A sequência dos acontecimentos também está bem elaborada e faz sentido. Tem um cariz mais sombrio, mais ao estilo encontrado em Frankenstein, e isso também me fez gostar mais deste conto. Tem também mais ação e dilemas mais interessantes do que o primeiro e o terceiro contos. 

NOTA (0 a 10): 8


O Mau-Olhado

Neste conto a autora muda um bocadinho de cenário e de cultura e isso sentiu-se bastante no conto. Realmente não parece um conto de Shelley e sim um conto de aventuras de outro autor menos na vertente do gótico e do romântico. Em relação ao enredo e às aventuras é interessante.

NOTA (0 a 10): 5

Em suma, uma pequena antologia, que tem o seu interesse, mas da qual esperava mais emoção. Recomendo aos interessados em Mary Shelley para conhecer mais alguns dos seus contos. Um livro interessante, com três contos pequenos e que se leem muito bem.

NOTA GLOBAL (0 a 10): 6

sábado, 3 de outubro de 2015

A Filha da Profecia, de Juliet Marillier

Depois de ter lido os dois volumes anteriores durante o ano passado, foi com grande entusiasmo que peguei no terceiro volume desta fantástica história sobre a família de Sevenwaters. Não é novidade o meu apreço pela autora e pelas suas histórias, por isso era difícil eu não gostar deste livro. 



Sinopse:

Fainne foi criada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre as artes mágicas. Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma, quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros e foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters, com objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos, para impedir o cumprimento de uma profecia. (in Goodreads)

Opinião:

Não sei se não será um dos livros mais belos que li da autora. Não é tão grandioso como o primeiro (A Filha da Floresta), talvez porque há uma doçura e uma ingenuidade enormes nesse livro, mas gostei muito deste por ser o oposto. A personagem principal, Fainne, é mais complexa, mais obscura, e está sob a malvada influência da sua avó, Lady Oonagh, a feiticeira que transformou os irmãos de Sorcha em cisnes e que causou todos os danos possíveis no primeiro livro. Filha de Ciarán e de Niamh, irmã de Liadan (ambos exilados de Sevenwaters), Fainne é criada em Kerry, longe da família, com o seu pai, tornando-se aprendiz de feiticeira. Ela é bastante modesta e tímida, uma vez que apenas convive com o seu pai e com o seu amigo de infância, o nómada Darragh. É diferente das outras narradoras da saga: mais reservada, mais obscura e mais secundária, Fainne é tudo o que nem Sorcha nem Liadan eram: heroínas perfeitas e cheias de força. Desta vez a personagem principal tem tudo para ser a grande vilã da história, uma vez que a sua avó e o seu pai a enviam para Sevenwaters, com a suposta missão de destruir a família e a fazer com que a profecia referente às Ilhas não se concretize. Gostei muito de Fainne por isso mesmo; pela dualidade que representa, uma vez que está sempre com um pé no lado negro e com outro no lado bom; pela complexidade da sua história; por ser diferente das outras raparigas dos livros anteriores. Apesar de não deixar de ser forte, Fainne consegue trazer à tona uma outra realidade, uma realidade mais ambígua, que até agora não tinha aparecido muito nos livros que li da autora; e isso está relacionado com o facto de ela poder ser muito bem a grande vilã da história.

Em relação às outras personagens, posso afirmar que foi um prazer revê-las a todas, especialmente ao grupo de Liadan e a Finbar, que sempre foi uma das minhas personagens favoritas desta história. Gostei bastante de conhecer as filhas de Sean e os de Liadan e gostei muito de Darragh. Comprovei também o meu interesse e a minha ideia sobre Ciarán, que também tinha sido uma das minhas personagens favoritas no segundo livro; aqui provou toda a sua personalidade e poder. Existe em todas as personagens um certo cariz mais negro e mais taciturno, isto também por causa da guerra que se vai aproximando à medida que a história ocorre. Todos estão mais maduros e isso nota-se bastante. Também gostei de reencontrar Eamon, apesar de ser das personagens que mais asco me suscitou. Outro aspeto em relação às personagens que me agradou foi o facto de Lady Oonagh  ter aparecido em todo o seu esplendor neste volume, uma vez que tinha sido sempre relegada para segundo plano, apesar de tudo estar relacionado com as suas ações. 

A história é novamente fantástica. A autora comprova mais uma vez a sua mestria e magia enquanto contadora de histórias. É sempre um prazer ler um livro de Marillier, porque é como que uma poderosa história ancestral e cheia de magia e significado. Todo o conceito que está subjacente às histórias pode ser sentido com grande detalhe e emoção enquanto se lê os seus livros. E isso sente-se mais uma vez neste volume.

Neste livro há uma dimensão sobrenatural maior. A magia está mais presente, principalmente em relação ao volume anterior. Também conhecemos os Anciãos e algo mais sobre as Criaturas Encantadas, o que é excelente, uma vez que, para mim, toda a contextualização e toda a história em que Sevenwaters assenta é motivo de interesse. Fico sempre satisfeita por ficar a saber mais um bocadinho da história do passado de Erin e de Sevenwaters.

Gostei das descrições, sempre muito bem elaboradas, sem serem demasiadas e escritas na perfeição, de modo a ser possível ao leitor se imaginar nos locais. Gostei da forma como a narrativa foi conduzida. A parte final foi apoteótica e muito bem conseguida. Um dos "melhores" finais dos livros da autora que li até agora.

Não há pontas soltas, pelo menos explicitamente. Tudo fica com uma resposta. Dei por mim a prolongar a leitura para fazer render a história, mas não o consegui fazer muito mais, porque a curiosidade também era grande e valeu a pena.

Agora é ler o seguinte ou outro da autora, que consegue sempre encantar com as suas palavras magnificamente trabalhadas de modo a criar histórias únicas e extremamente belas. Recomendo totalmente, a todos os leitores.

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 19 de setembro de 2015

The Museum of Extraordinary Things, de Alice Hoffman

Descobri este livro no Goodreads e fiquei muito encantada com a sua capa em que aparece uma espécie de RX de uma sereia (não da minha edição). Depois de ler a sinopse fiquei ainda mais interessada e quando o encontrei na Bertrand foi com gosto que o trouxe comigo, apesar de não ter aquela capa que havia chamado a minha atenção primeiramente. 



Sinopse: 

Duas personagens distintas. Nova Iorque e Brooklyn na década de 1910. Magia, Ciência, invenções, espetáculos e um grande fascínio por elementos estranhos, diferentes. Fotografia, família, ilusões. Estes são os pontos chave de uma história que prima pela subtileza, pela delicadeza e pela beleza com que é narrada a vida das duas personagens principais: Coralie Sardie e Eddie Cohen. 

Coralie é filha de um cientista e mágico francês que assentou o seu negócio em Coney Island: o Museu das Coisas Extraordinárias, museu com raridades, aberrações e seres e objetos estranhos e fascinantes, com atuações de indivíduos com alguma característica peculiar. Também ela com algo peculiar, cedo é afastada da sociedade e passa a ser apenas a filha de Sardie, sempre na sombra, sempre sujeita às ordens do seu pai, por mais estranhas que estas sejam, apenas a mais uma das exibições do seu pai. Apenas com a presença de Maureen, a empregada de Sardie, Coralie cresce e acaba por começar a por em causa toda a sua existência e a sua história. 

Eddie, de nome Ezekiel, é filho de um casal de judeus russos, que depois da sua aldeia ter sido incendiada, conseguiu fugir com o seu pai desde a Rússia até Nova Iorque. Sujeito ao trabalho numa fábrica de roupa desde pequeno, Eddie acaba por tentar ser algo mais do que um trabalhador numa fábrica em que a exploração é total e começa a frequentar outros locais, acabando por sair da fábrica e começar a trabalhar para um famoso mágico e depois para um fotografo, acabando por se tornar ele mesmo fotografo e abandonar o seu pai. A viver uma vida de riscos, Eddie começa a por também em causa as suas decisões e ações ao longo dos tempos. 

Duas personagens sofridas, com histórias distintas mas parecidas, Coralie e Eddie são a base desta história, que é muito mais do que uma simples história de amor ou de mistério. 

Opinião:

Esta história é muito especial. Dei por mim a atrasar a sua leitura, a ler aos bocadinhos e a saborear cada momento, cada linha e cada palavra. De uma beleza única, com uma fluência magnífica e mágica, esta narrativa é um conjunto de momentos da vida das personagens, intercaladas com acontecimentos e pessoas reais, que forma um padrão forte e repleto de beleza e também de emoção. 

Pode parecer um bocado lenta no início, mas esta narrativa tem um ritmo muito próprio e o leitor necessita de entrar nele para poder desfrutar totalmente da história. Pode também parecer um bocado a história de O Circo dos Sonhos, mas não é. É ainda mais especial e mais diferente. Talvez por ter sido baseada em factos verídicos ou por ter um cariz muito mais negro do que O Circo dos Sonhos, esta história é muito melhor. 

Não é uma história cor de rosa ou suave, antes pelo contrário. É um show de elementos estranhos e acontecimentos reais que foram terríveis e de acontecimentos fictícios que também foram bastante inquietantes e que são narrados com imensa mestria. O mistério e o suspense está presente em toda a obra e o desenrolar dos acontecimentos está muito bem elaborado, uma vez que a sequência da narração destes tendo em conta as perspetivas de Coralie e de Eddie (há POV'S duas duas personagens, em diferentes momentos, para uma excelente contextualização dos eventos) é perfeita. Excelente coerência e contextualização história também são factores de relevo e que demonstram a mestria da autora, que conseguiu criar uma história aparentemente simples, com um pano de fundo aparentemente simples também, mas que de simples nada tem, antes pelo contrário: é uma história densa, complexa, repleta de personagens com passados envoltos em sombras e mistério. 

Em relação às personagens, tanto Coralie como Eddie são excelentes. Gostei de ambos e não consigo escolher de qual gostei mais, por isso gostei dos dois na mesma medida. Complexos e cheios de dúvidas e segredos, Coralie e Eddie são excelentes narradores, que conseguem prender o leitor ao enredo de uma forma muito agradável. Acabei por estar sempre na expectativa em relação ao que viria a seguir, mas sempre sem querer ler muito de cada vez, para aumentar o suspense e prolongar a leitura deste livro, que foi um prazer. Quanto às outras personagens, também são todas interessantes e complexas, todas necessárias para o enredo. Gostei muito de Maureen, principalmente.

No que diz respeito ao enredo, gostei de todos os momentos, principalmente em relação ao mistério em volta do desaparecimento de Hannah Weiss, do museu em si e da relação entre Coralie e Eddie. Também gostei da forma como a História das cidades presentes no enredo está presente, mostrando a luta das classes trabalhadoras, principalmente da classe feminina e da luta por melhores condições a todos os níveis, sociais, económicos e de dignidade.

Esta é uma história de procura de redenção, de procura da verdade, da procura da liberdade e da luta pelo amor, seja ele qual for. É uma história muito bonita, mas que também apresenta uma grande dose de outros elementos mais negros e sombrios, transformando-a num belo romance a chegar-se para o gótico. 

Sem dúvida um dos melhores livros que li até agora, recomendo totalmente. Espero que seja editado por cá, porque é maravilhoso e de certo que terá muitos leitores, porque é uma história deveras apaixonante, que transmite uma grande força e uma grande resistência em lutar por algo melhor e que tenha significado. 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 5 de setembro de 2015

Guerra e Paz Vol. I, de Lev Tolstoi

O muito aclamado romance de Tolstoi chegou agora à Saída de Emergência e tive a oportunidade de o ler. Considerado por muitos o melhor romance de sempre e adaptado por diversas vezes para o cinema e televisão, este é um livro que todos devemos de ler. 


Sinopse:

Guerra e Paz é o verdadeiro clássico da literatura universal. No início do século XIX, a Rússia é devastada pelos exércitos de Napoleão e as vidas de homens e mulheres cruzam-se num tecido narrativo deslumbrante. Tanto as vidas mais mundanas como os faustosos bailes, as tramas políticas ou as violentas campanhas bélicas do Czar Alexandre são trabalhadas com o realismo e limpidez que caracterizam o génio de Lev Tolstoi. Sempre presentes estão as desigualdades sociais e os caprichos de uma aristocracia vã e indiferente à miséria e ao sacrifício.

Esta é uma obra intemporal que condensa toda a condição humana, simultaneamente romance histórico, bélico e filosófico, e propõe acutilantes reflexões sobre os temas que nos movem e comovem: a vida, o sacrifício, a liberdade, a justiça, o amor e a honra.
(in Saída de Emergência)

Opinião:

Esta é a minha primeira experiência com Tolstoi; a primeira parte desta obra. Gostei bastante da escrita e do sarcasmo e ironia presentes em praticamente todas as frases do livro e isso foi um dos principais aspetos que mais me agradou. Escrito numa época conturbada, Guerra e Paz é o reflexo do seu tempo e uma crítica gigante a outra época conturbada: as Invasões Francesas.  E isso está extremamente bem retratado ao longo da obra. 

No entanto, a nível do enredo senti que existem alguns aspetos que estão em demasia, como, e principalmente, as extensas cenas de bailes e festas dadas pela faustosa nobreza presente na obra. Achei que existe uma grande incidência dessas cenas e que acabaram por tornar a leitura um pouco mais lenta em alguns momentos, porque não gosto muito deste tipo de cenas, com grandes descrições sociais e que só servem para mostrar e a hipocrisia e as mentiras que estes acontecimentos sociais escondem. E também porque essas cenas não apresentam muita ação e emoções. 

Estava à espera de uma maior pujança nas cenas de guerra e de romance e, a meu ver, isso acabou por não acontecer. As descrições são soberbas, belas; a ironia está sempre presente e dei por mim a sorrir quando os soldados estão mais preocupados com os seus uniformes do que com a sua sobrevivência e a estratégia, o que acaba por ajudar às derrotas por eles sofridas. 

Em relação às personagens, estas são interessantes e complexas, com um grande desenvolvimento, na maior parte, principalmente porque a história abrange um longo período de tempo. Gostei principalmente do príncipe André e de Peter, bem como do círculo de Rostov. Acabei por gostar mais das personagens masculinas do que das femininas, talvez pelo facto dos homens aparecem em mais cenas diferentes do que as mulheres, que aparecem quase sempre nas ocasiões sociais, fazendo com que pareçam apenas decorações e bastante fúteis. 

Gostei muito do livro enquanto reflexão e critica social, mas não consegui sentir uma grande empatia pelas personagens e isso acabou por fazer com que o livro não me tivesse "enchido as medidas". Porém, reconheço que é uma obras esplêndida e que as suas características são bastante idênticas às outras obras escritas naquele período histórico. 

Encontrei grande significado na forma como o autor ironizou a futilidade humana e a mesquinhez durante um período tão conturbado como o foi o "reinado" do Imperador Napoleão Bonaparte e como isso só contribui para deteriorar a sociedade e os seus valores. Nesta obra é retratado uma visão social bastante acutilante e uma crítica à hipocrisia de valores e atitudes da classe mais alta da sociedade, que vê tudo como um grande baile ou uma grande receção social, onde tudo está iluminado e brilhante para esconder a escuridão e a sujidade da nobreza e da riqueza. 

Em suma, Guerra e Paz é de facto uma grandiosa obra e um maravilhoso romance, que acaba por ser, principalmente uma reflexão e uma crítica que não deixa de estar atual em todos os momentos históricos. Um bom livro ou uma boa primeira parte do livro. Espero gostar mais da segunda parte. E ainda quero elogiar a maravilhosa capa e o design interior, que está cheio de requinte.

NOTA (0 a 10): 7

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sozinhos na Ilha, de Tracey Gravis-Graves

 Recebi este livro e fiquei muito curiosa quando li a sinopse, porque a premissa é bastante boa e interessante e faz lembrar o A Lagoa Azul. Por isso, foi com grande entusiasmo que o comecei a ler.


Sinopse:

Uma ilha deserta plena de sol, vegetação luxuriante e mar cristalino é um cenário de sonho. Ou talvez não... Anna Emerson decide quebrar a sua rotina e deixar Chicago para dar aulas numa ilha tropical. Por seu lado, T. J. Callahan só quer voltar a ter uma vida normal após a sua luta contra o cancro. Mas os pais empurram-no para umas férias num destino exótico. Anna e T. J. estão a sobrevoar as ilhas das Maldivas a bordo de um pequeno avião quando o impensável acontece: o aparelho despenha-se no mar infestado de tubarões. Conseguem chegar a uma ilha deserta. Sãos e salvos, festejam e aguardam, convictos de que serão encontrados em breve. Ao início, preocupam-se apenas com a sobrevivência imediata e imaginam como será contar tamanha aventura aos amigos. Nunca a citadina Anna se imaginou a caçar para comer. T. J. dá por si a lutar com um tubarão e a ser acolhido por simpáticos golfinhos. Os dois jovens descobrem-se timidamente e exploram a ilha. Mas à medida que os dias se transformam em semanas, e depois em meses, as hipóteses de serem salvos são cada vez menores. Ambos têm sonhos por cumprir e vidas por retomar, e é cada vez mais difícil evitar a grande questão: conseguirão um dia sair daquela ilha? (in Goodreads)

Opinião:

Uma vez que a sinopse é bastante reveladora do enredo, não há muito mais que eu possa referir sem não omitir detalhes relevantes. Mas posso dizer que gostei muito da história. É uma história simples, que nos vai absorvendo até ao nosso âmago e que não nos larga. Dei por mim a querer ler mais e mais para saber o que acontecia no final, se eles conseguiam voltar para as suas terras ou se ficariam para sempre naquela ilha isolada de tudo e de todos. É uma bela história de sobrevivência, onde encontramos duas pessoas bastante diferentes a lutar pela Vida e pelo sonho de um ia sair daquele pesadelo em que se encontram. É uma história sobre como as relações se desenvolvem em condições extremas e de como se é capaz de tudo para sobreviver e é, sobretudo, uma história que podia retratar uma realidade, que é bastante desoladora, mas cheia de esperança e de luta. 

Gostei imenso das personagens. Tanto Anna como T.J. são fantásticos. Ela é bastante direta, inteligente e amorosa, sem ser lamechas. É uma verdadeira guerreira que faz tudo para passar o tempo naquela ilha até que venha alguém para a salvar, se vier. T.J. é um rapaz muito simpático, que consegue criar logo empatia com o leitor. Ao princípio, debilitado pela doença, T.J. consegue ter um desenvolvimento muito intenso e grande, que mostra a capacidade da autora em relação a estes temas. O livro está organizado por POV's, e cada um tem uma estrutura diferente: ambos são na primeira pessoa, mas os de Anna são mais profundos e mais longos, com uma linguagem cuidada, ao passo que os de T.J. são mais pequenos, com uma linguagem mais jovem e mais despreocupada, característica dos jovens, mas também tem a sua reflexão, que é bastante interessante por causa das suas opiniões e reflexões masculinas em relação a certos temas. Também existem outras personagens, que têm o seu interesse e que servem de apoio às principais. 

Em relação à escrita, posso referir que esta é bastante fluída e descomplicada. O livro é pequeno, com pequenos capítulos, o que proporciona uma leitura mais rápida e fluída. 

Depois, gostei muito da história em si. É um hino à sobrevivência e à luta para viver em condições inóspitas, em que uma pessoa depende de tanta coisa e de tão pouco. Depende de si, depende do outro (neste caso, uma vez que são duas pessoas na ilha), depende do clima, das condições do espaço, da comida que apanha e da água da chuva. Mas não tem praticamente nada para o salvar se precisar de cuidados médicos ou de outro tipo de assistência. Pode parecer uma história simples, tal como o filme da Lagoa Azul, mas o que está por trás e a mensagem que deixa, tal como o filme, é de uma profunda reflexão referente à batalha pela sobrevivência, que é travada todos os dias, em todos os locais, por todas as pessoas. A narrativa tem muitas peripécias, todas elas importantes para as personagens e para o desenvolvimento da história e há um pouco de tudo: aventura, amizade, tristeza, alegria, perigos, descontração. 

Recomendo vivamente a todos e que desfrutem da leitura, porque é uma boa história, sem sofismas, sem complexos, mas sim uma boa história, cheia de aventuras e emoções e que também acaba por servir de reflexão sobre diferentes temas sociais e humanos. Muito bom! 

NOTA (0 a 10): 10