terça-feira, 4 de setembro de 2012

"O Jogo do Anjo", de Carlos Ruiz Zafón

O segundo livro de Carlos Ruiz Zafón que eu leio. 
 
Decidi apostar nos livros da história iniciada em "A Sombra do Vento" porque a escrita do autor e o próprio enredo são bastante cativantes.

Em "O Jogo do Anjo", a personagem principal é David Martín, um homem jovem, jornalista e escritor. O livro começa com David a fazer uma breve introdução sobre como é que ele começou a escrever histórias e sobre como a sua vida mudou desde que o seu editor lhe deu autorização para escrever uma história para publicar no jornal.
David, sempre debaixo da asa de Pedro Vidal (um homem de Letras, com o grande objetivo de escrever um soberbo livro, muito rico e pertencente a uma nobre família de Barcelona), segue assim os passos iniciais dos escritores. David conta a sua infância e como o seu amor pelos livros começou. De uma forma muito franca conta como a sua infância terminou e o deixou à porta daquela redação de jornal onde trabalhou até quase aos vinte anos e como foi ajudado por Pedro Vidal desde pequeno.
As histórias policiais e misteriosas de David cedo começaram a fazer sucesso e os seus colegas, invejosos, deixaram de lhe falar e mostraram-se hostis para com ele. Só Pedro Vidal e o editor o continuaram a ajudar.
Mas cedo chegou a noticia do despedimento e David não sabia o que fazer. Então, Pedro Vidal contou-lhe que quem o tinha feito perder o emprego tinha sido ele mesmo para assim ajudá-lo a encontrar uma editora que lhe publicasse os livros. David começou a trabalhar com o nome de Ignatius B. Samson e escreveu uma história em fascículos, intitulada "A Cidade Maldita".

O que David não sabia era que um estranho homem, que ninguém conhecia, andava atrás dele para lhe fazer um misterioso pedido. Já desde os tempos das histórias do jornal que várias eram as cartas que o homem lhe enviava, mas daí até David ter conhecimento do desejo do homem corre muita tinta.
David é apaixonado por Cristina, a filha do motorista de Vidal. Cristina também sente afecto por David, mas ambos sabem que tudo devem a Vidal, e mais cedo ou mais tarde a cobrança e David sabe que não pode ficar com Cristina.

Tudo se passa em paralelo com a família Sampere, o avô e o pai de Daniel entram na trama e são de grande importância. O Cemitério dos Livros Esquecidos também é fulcral. E aparece Isabella, a mãe de Daniel, que tem um papel muito interessante e talvez o meu favorito.

Numa visita por uma Barcelona dos anos vinte e trinta, David persegue uma história e uma vida onde nada é o que parece e ele não sabe nada. Uma casa misteriosa onde habita um segredo muito escuro, uma história já vivida por outro homem a quem David está ligado sem imaginar, uma história de polícia e de assassínios misteriosos que não se sabe quem os comete, uma perigosa jornada pela possível loucura de um homem que vivera na casa onde David habita e pela qual sente desde pequeno uma enorme atração.

Uma história de suspense, mistério, traição, amor e paixão. Uma história que mais parece saída de um filme do que de um livro e que devia ser adaptada ao cinema.

Um desenlace misterioso onde muita coisa fica em aberto e que talvez possa ficar mais claro em "O Prisioneiro do Céu", o terceiro volume, publicado há pouco tempo em Portugal e que já vai na 3ªedição, onde Daniel Sampere o o seu amigo Fermín voltam para percorrer uma história que espero ser tão boa ou melhor do que esta, apesar de achar difícil ultrapassar a de "A Sombra do Vento", que na minha opinião é mais belo do que "O Jogo do Anjo".

Recomendo a todos os leitores que gostam de Zafón, e penso que é melhor ler primeiro "A Sombra do Vento" apesar de "O Jogo do Anjo" ser cronologicamente antes dos acontecimentos passados em "A Sombra do Vento". A escrita continua soberba e a forma como Záfon descreve o que vai acontecendo a David é espetacular, num estilo por vezes frenético, em especial na parte final.
Quanto a uma definição de género, talvez o suspense/romance. Tem muitos pontos de loucura e até alguns laivos de terror, com cenas onde não é possível definir o que é real ou não na "mente" de David ou em toda a sua história. Um estrondoso thriller romântico.

Nota (0 a 10): 9,5

terça-feira, 28 de agosto de 2012

"A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Zafón

Depois de muita curiosidade sobre este livro e depois de várias conversas sobre ele, decidi compra-lo e lê-lo.
Tenho a dizer, primeiro, que este é um livro muito especial, muito enigmático e muito, mas muito bom.
Não sei porque é que ainda não fizeram um filme baseado no livro, ia ficar espetacular.

"A Sombra do Vento" tem uma escrita poética e muito bonita, onde o que é dito, uma simples descrição de um ato banal, é feito de uma forma melodiosa e cheia de "sabor". A prosa é soberba, os termos e conceitos fabulosos e extremamente bem escolhidos e colocados. As frases desenham imagens, quadros, a cores. O livro é como uma grande pintura. A escrita de Carlos Ruiz Zafón assim o faz. Fabuloso!

O livro conta a história de como um livro pode ser um passo para o desconhecido, para algo tremendamente misterioso e perigoso. Daniel Sempere vive com o pai por cima da loja de livros que lhe pertence. Depois da guerra civil espanhola houve um grande surto de cólera e uma das vitimas foi a mãe de Daniel. Uma noite, quando Daniel tinha 10 anos (quase 11), o rapaz acorda a chorar por não se lembrar da cara da mãe. O pai, para o acalmar, promete-lhe mostrar algo que ele nunca viu e que é segredo. E nesse mesmo instante leva-o ao Cemitério dos Livros Esquecidos, um local misterioso que alberga todos os livros que foram esquecidos pela Humanidade. O pai diz-lhe que ele tem de escolher um livro e tornar-se seu guardião. Daniel escolhe "A Sombra do Vento", um livro que ele depressa lê e fica maravilhado. Daniel quer mais livros de Julian Carax, o escritor do livro, mas depressa fica a saber que todos os livros (poucos) que o escritor escreveu foram queimados e que alguém anda constantemente à procura de mais livros de Carax para queimar. Daniel fica intrigado e começa a perguntar-se cada vez mais sobre este misterioso escritor. Certa noite, Daniel é perseguido por um homem estranho, que tem um nome de umas das personagens do livro, que lhe propõe a compra do livro, para queimar. Daniel diz que vai à procura do livro, mas na verdade decide esconder o livro de novo do Cemitério dos Livros Esquecidos.
Daniel não desiste de saber mais sobre Carax e com ajuda do seu amigo Fermín e de outras personagens, incluindo a rapariga por quem ele se apaixona, Beatriz Aguilar, irmã do seu melhor amigo Tomás Aguilar, Daniel vai viver uma verdadeira aventura em busca da verdadeira história de Julian Carax e daqueles que viveram perto dele. O que Daniel não sabia era que se estava a meter em águas muito profundas, em assuntos meio-escondidos e em mistérios que se pretendia estarem para sempre esquecidos. Daniel entra numa aventura que pode custar-lhe muito caro.

"Distingui o horror no seu olhar, sem compreender. Vi que poisava a mão no meu peito e perguntei a mim mesmo o que era aquele líquido fumegante que brotava entre os seus dedos"

Uma história de suspense, mistério, intriga e amor. Um história extremamente bem contada e com personagens inesquecíveis, cujo final é uma reviravolta bastante ardilosa.

Tenho de agradecer à Rita Ribeiro, que me disse que os livros de Zafón são maravilhosos :)

Excelente livro, sem dúvida um dos meus favoritos! :)

Nota (0 a 10): 10

terça-feira, 21 de agosto de 2012

"O Circo dos Sonhos", de Erin Morgenstern


Este é um livro diferente. Tem um enredo diferente. Personagens diferentes. Um tema diferente.

"O Circo dos Sonhos" conta a história do circo com o mesmo nome, que chega sem avisar e só está aberto de noite. De um momento para o outro, o circo aparece num local. Durante uns dias está lá, mas desaparece sem avisar. Ninguém sabe muito sobre ele, mas todos os que o visitam ficam maravilhados e encantados.
O circo é todo ele a preto e branco, com algumas nuances de cinzento. E é enorme. Não se fazem espectáculos comuns de circo. Tudo é mágico, diferente, etéreo, delicado. Parece um sonho.
E o circo é o palco de um duelo. O duelo entre Celia e Marco, dois mágicos, treinados desde pequenos para esta competição. Mas o que eles não sabem é como tudo o que acontece no circo e nas suas vidas influencia o jogo e como ele pode terminar. As regras não lhes são explicadas, mas o jogo está sempre em movimento e ambos tem de lutar.

Assim se pode resumir, muito resumidamente, o enredo principal da história. Muitas outras personagens e acontecimentos polvilham a história e são parte muito importante. Mas para falar em todos tinha de contar muito sobre o enredo e penso que parte da magia do livro é mesmo o descobrir por si mesmo à medida que se lê. Se contasse aqui muito mais, não ia ter o mesmo saber para quem vai ler, não ia ter a mesma magia. Porque é de magia que a escrita e a história deste livro são feitas. Todo o ambiente, as descrições, os movimentos...tudo é mágico. 




Gostei muito da história. Muito criativa e muito interessante. Não sabia muito sobre ele, só sabia que era bom. E sim, posso dizer que o é.

O enredo está muito bem construído, tudo está lá, apesar de ser um pouco confuso, por vezes. A história avança e recua, sendo uns capítulos, no início, nos anos de 1800, e noutros em 1900. Não é bem isso que causa a confusão. A confusão está em tudo. As próprias personagens sentem-se confusas em relação a muitas coisas. A questão do tempo é percebida no final: quando tudo começa. Este é um dos pontos que maior prazer me deu, porque explicou a questão das datas e dos momentos aparentemente desconexos (as partes da Celia, as partes do Marco, as partes dos jantares, as partes do Bailey). Tudo se encaixa no fim. A linha do tempo vai andando lado a lado até se juntar, em 1902. Esse é um ponto muito bom, que revela a mestria da autora e a sua ousadia e diferença.

"-Eu próprio te teria escrito, se conseguisse pôr em palavras tudo o que desejo dizer-te. Um mar de tinta seria insuficiente.

- Mas, em vez disso, construíste sonhos para mim - diz Celia, erguendo os olhos para ele. - E eu fabriquei tendas para ti que mal chegas a ver. Tenho tanto de ti à minha volta e não tenho sido capaz de te dar algo em troca que possas guardar. 

- Ainda conservo o teu xaile - lembra Marco."


Em relação às minhas preferências pelas personagens,de todas, as que mais gostei foram (por ordem de preferência): Marco, Bailey, os gémeos e Celia. Mas todas as outras são importantes para o enredo. Todos são necessários e parte fundamental do mecanismo do circo (e da história).

Em suma, este é um livro muito bom. Uma experiência nova e diferente, que vai agradar a muitos leitores!

Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"As Mentiras de Locke Lamora", de Scott Lynch

Apesar de já ter lido este livro há um ano é com muito gosto que escrevo agora esta opinião sobre ele. "As Mentiras de Locke Lamora" é, talvez, o meu livro favorito. De todos os livros que tenho lido, é muito difícil escolher apenas um como favorito. Sendo fã de várias sagas, é sempre difícil não vê-las como favoritas em detrimento de um livro sozinho. Mas não foi dificil descobrir dentro de mim que este livro foi diferente.  

Porquê?

Porque é completamente e totalmente diferente de qualquer outro que eu já tenha lido! A história que se desenrola nas páginas mágicas de "As Mentiras de Locke Lamora" tem uma velocidade louca, estonteante e grandes momentos de ação. Momentos como nunca antes tinha lido. É por isso que gosto muito deste livro e digo que é o meu favorito. 

O Locke Lamora: 
Personagem principal do livro, Locke é um ladrão que assombra Camorr...que rouba a nobreza e que tem uma quadrilha muito especial. Locke é um ladrão muito engraçado e espertalhão que mente muito e muito e muito e arranja planos completamente loucos e perigosos para desenvolver os seus trabalhos, em conjunto com os seus companheiros. Só o Locke é meio livro. Só o que ele faz e diz vale mais do que muitas histórias que por aí andam. Ele é o "Espinho de Camorr", o famoso e desconhecido ladrão mais famoso de sempre!


Camorr:
A cidade onde Locke vive é um local que pode ser visto como uma espécie de Veneza do século XVI. Talvez, porque não tem muito a ver. Camorr é Camorr.  É "governada" pelo Capa Barsavi, um "mafioso" que vive no navio com os seus três filhos (dois rapazes e uma rapariga, amiga de Locke). Oficialmente, Camorr é governada pelo Duque de Camorr, que vive na sua imponente torre! A estrutura da cidade é completamente maravilhosa e as descrições são soberbas.

Os Cavalheiros Bastardos:
Assim se chama o bando de Locke. É composto por ele mesmo (o Garrista do bando (líder)), Jean Tannen, Calo e Galdo Sanza (gémeos), Bug, um novato, e Sabetha, uma rapariga misteriosa que não aparece fisicamente no livro e que é a amada do Locke.

Ao longo da história vamos sabendo aspetos passados que explicam a essência deste universo. Trechos sobre o passado de Camorr, sobre outros locais, sobre feiticeiros e outros aspetos são-nos apresentados ao longo da narrativa o que é muito interessante. 

A história não é apenas sobre aventuras deste bando. Não. É muito mais do que isso. No meio dos planos "normais" de Locke e das atividades dos Cavalheiros Bastardos, aparece uma misteriosa personagem que se intiula "Rei Cinzento" e que ameaça toda a cidade. O seu objetivo é conquistar Camorr e nada o pode impedir. Com a ajuda de um Feiticeiro. Muitos dos mais importantes criminosos da comunidade começam a aparecer mortos e tudo indica que é obra do Rei Cinzento. Este toma conhecimento da esperteza de Locke Lamora e vai utilizá-lo para conseguir alcançar os seus objetivos, através de magia e de outros meios. 

Um enredo muito bem intrincado, cheio de ação e momentos de cortar a respiração são apenas alguns dos ingredientes deste fantástico livro que merecer ser divulgado!
Este não é um livro stand-alone, mas sim o primeiro de uma possível saga. O segundo já está publicado, chama-se "Red Seas Under Red Skies" e ainda não está disponível em Português. Espero que esteja brevemente, porque o final é tão estonteante que e curiosidade merece ser saciada!

Quem ainda não leu ou não conhece, leia! Este livro é um dos melhores que por aí existem!

Nota (0 a 10): 10

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"O Cavalerio de Westeros & Outras Histórias", de George R.R. Martin

Como fã das Crónicas de Gelo e Fogo fiquei muito curiosa sobre este livro, especialmente por causa do conto "O Cavaleiro de Westeros".
Li-o com grande curiosidade e gostei, mas não posso dizer que tenha ficado a gostar muito do livro.

Não vou abordar os temas das histórias pois não são muito grandes e o que é interessante é descobrir livremente e sem grandes conhecimentos do que é que se trata, pois assim a emoção durante a leitura é maior! Vou sim fazer um apanhado geral do que gostei mais e do que gostei menos.

De todos os contos presentes na coletânea gostei de quatro: "As Solitárias Canções de Laren-Dorr", "O Cavaleiro de Westeros", "A Cidade de Pedra" e "Negócios de Peles".
"Uma Canção para Lya", "Flormordentes", "O Caminho de Cruz e Dragão", "Reis-de-areia", "O Homem em Forma de Pêra" e "Sob Cerco" não foram tão do meu agrado.
Sei que estão muito bem escritos, tudo muito bem desenvolvido, com emoção e tudo, mas não gostei lá muito. O de Lya, porque talvez não me ambientei bem na história e a única parte que gostei mesmo foi o final; gostei dos das flores, gostei, mas não foi dos que mais gostei (gostei da Morgan e do mistério que a envolve); o do Caminho porque não achei muita graça ao tema; o dos reis-de-areia porque estava à espera de algo mais assustador (destes que mencionei não gostar tanto foi o que gostei mais); o do homem porque foi demasiado bem escrito e cheio de pormenores e a história é um bocado "sórdida"; o do cerco, também achei interessante, como o dos reis-de-areia, mas não tanto.

Gostei muito do de Laren-Dorr, que se assemelha à Fantasia e tem um teor interessante e imaginativo, romântico. O de Westeros foi o que mais gostei, como é óbvio sendo eu fã das Crónicas. A Cidade de Pedra foi muito misteriosa e tem um final muito idílico, gostei muito da forma como Martin escreve os últimos parágrafos e a cena quase final, dento da Cidade de Pedra. O das peles foi muito bom, quase tão bom como o de Westeros! Não sei se até não foi melhor por causa de todo o enredo e de ser uma história "separada" que não faz parte de outra. Fez-me lembrar aqueles filmes bons do género de L.A Confidential, mas com lobisomens à mistura.

Recomendo o a todos os fãs de George Martin e a quem quiser ler histórias fantásticas e imaginativas!

Nota (0 a 10): 3

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"A Rosa Rebelde", de Janet Paisley

O que poderei dizer deste livro? Numa só palavra, posso dizer que é simplesmente maravilhoso. Tem uma enorme força, que nos guia através das suas páginas e história. Excelente!

"A Rosa Rebelde" provém de um intenso estudo sobre as personagens e os acontecimentos presentes na obra. E desse estudo surgiu uma história de amor e guerra maravilhosamente bem escrito, bem desenvolvido e bem descrito. As descrições são soberbas: detalhes oportunos, nada maçadores, muito bem conseguidos. É possível imaginar as paisagens, as cenas descritas, as personagens e os sentimentos.

Este é um Romance Histórico muito bom. Nada "meloso" nem lamechas, cheio de ação e intriga. Dá-nos conhecimentos sobre a Escócia e sobre o que aconteceu naquele tempo. No inicio é nos apresentado um glossário de termos em gaélico, para nos ajudar a entende algumas expressões das personagens, bem como algumas notas da autora, para contextualizar as personagens e a época.

Nem sempre é fácil gostar muito de Romances Históricos, em especial porque muitas vezes deparo-me mais com livros onde abunda mais o romance do que o histórico, porém, tal não acontece neste livro. Este livro é, provavelmente o meu livro deste género favorito, pelo menos até agora.

O livro retrata a vida de Anne Farquharson, a Lady McIntosh, uma jovem mulher das Terras Altas. Anne foi uma guerreira, que reuniu o seu povo para lutar conta a União com a Inglaterra, nos anos de 1700 (nasceu em 1723, liderou/participou a rebelião aos 21/22 anos). As várias rebeliões da Escócia são mencionadas e relatadas através das personagens. E, com a chegada do príncipe Charles Edward Stuart, que ajudaria no combate aos ingleses, com a ajuda das tropas francesas, Anne sente que a vitória poderia ser real e a liberdade de novo conquistada. Dividida entre a lealdade ao marido, Aeneas McIntosh, ou a lealdade à rebelião, Anne decide seguir para a batalha, com o seu fiel amigo e amado Alexander MacGillivray, chefe de clã e um dos comandante das tropas dos Jacobitas.
Dividida, Anne tem de optar por muitas coisas e fazer muitas escolhas, sabendo que muitos dependem do que decidir.

Muitos outros acontecimentos preenchem a história, e muitos desses acontecimentos são o que, para mim, mais significado deu à história, pois contribuíram imensamente para dar mais sentimento à história. Existem cenas ao longo da obra que são deveras cheias de sentimento e emoção.

Um livro muito bom, com detalhes históricos que são muito interessantes (onde a cultura escocesa é nos mostrada), com personagens muito bem desenvolvidas e descritas.

Um ambiente muito bem descrito, cheio de detalhes e História.
Recomendo a todos os que gostam deste género de livros, e a todos em geral! Um Romance Histórico muito bonito e bem desenvolvido, bem escrito!

Nota (0 a 10): 10

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"As Aventuras Extraordinárias de Gordon Pym", Edgar Allan Poe


O primeiro livro de Edgar Allan Poe que eu leio!
E para primeiro aqui está um que já ficou nos meus favoritos. Este livro é extremamente interessante, com um final surpreendente e nada, nada, esperado...completamente "surreal".

Este livro conta as aventuras de Gordon Pym, um jovem rapaz. O livro é contado por Pym, posteriormente à aventura que viveu no mar. Ou seja, a aventura começou no ano de 1827 e o relato é feito em 1838.

Neste relato, Pym conta como começou as suas aventuras. Fala da amizade entre ele e um rapaz dois anos mais velho, Augustus, filho de um capitão de baleeiro, que já tinha feito uma viagem com o pai, no barco, pelo Pacifico Sul. Pym depressa começa a acalentar a esperança de ir, um dia, para o mar e fazer uma grande e extraordinária viagem. Certo dia, Augustus informa-o de que vai com o pai (e a equipagem) para o mar e convida Pym. No entanto a família de Pym não o deixa ir.
Mas como o desejo de Pym era enorme, Augustus e ele decidem traçar um plano e Pym embarca no navio, escondido no porão, dentro de uma caixa com grades e um espaço para ele se deitar.
O plano é, depois de estarem em alto mar, fora da vista de terra, Augustus manda Pym sair do esconderijo e apresentar-se ao pai de Augustus e a toda a tripulação. Desta forma, fora do alcance da terra, todos têm de se conformar com Pym a bordo. E a família de Pym, estaria descansada, a pensar que ele estava na casa de um familiar (Augustus forjara uma carta desse parente).

 
Ilustração do livro Arthur Gordon Pym: A Romance By Edgar Allan Poe, published by Downey & co., 1898

Mas o tempo começa a passar e Augustus não desce ao porão...a água desaparece, a comida também. Pym fica doente e começa a pensar que o amigo o abandonou. Tempos depois, recebe a visita de Tigre, o seu cão de estimação (que Augustus tinha levado para o barco). Atado ao cão está um papel escrito a vermelho, que avisa Pym para algo de errado a bordo. E Pym continua no seu esconderijo...cada vez pior. Até ao dia em que Augustos finalmente aparece e lhe conta que o barco foi alvo de um motim.
Muitas outras aventuras acontecem e o relato prossegue, cheio de detalhes e aventuras. Pym, Augustus e Peters (um homem meio louco, ou não) decidem tomar o barco de novo. E conseguem, fazendo um refém, Richard Parker. No entanto, uma enorme tempestade abate-se sobre o barco e vêm-se à deriva, num barco desfeito. Assim ficam durante muitos e muitos dias...

Mas a viagem não termina. E muitas aventuras esperam por Pym no Polo Sul. Numa época em que o Polo Sul era um mistério, numa época em que a teria Hollow Earth fazia parte da realidade das pessoas, muitos eram os mistérios que acompanhavam a mente dos navegadores.
Até ao centro do Polo Sul, assim quer Arthur Gordon Pym.

E assim é este livro. Uma escrita muito descritiva, mas muito interessante e cheia de factos importantes e curiosidades que não faz mal nenhum saber, antes pelo contrário. Um livro com História real no seu conteúdo. Uma história extraordinária, cheia de aventuras e de acontecimentos misteriosos.

E com um final...simplesmente bem conseguido, para suspense total.
Recomendo a todos!

Nota (0 a 10): 10