sábado, 8 de outubro de 2016

Capricho de Veludo, de Loretta Chase

Sinopse:

O corpete perfeito deve saber convidar ao seu desapertar...

O charmoso Simon Fairfax, Marquês de Lisburne, aceitou regressar relutantemente a Londres para cumprir obrigações familiares. Quando conhece a fogosa modista Leonie Noirot, decide arranjar tempo para um jogo de sedução, mas Leonie é quem decididamente não tem tempo para ele. Está obcecada em transformar a insipida prima do Marquês, Lady Gladys, num cisne. 

A cidade inteira conhece o talento de Leonie, mas o formoso Marquês está demasiado ocupado a tentar seduzi-la para conseguir apreciar o seu génio. A modista está determinada a ensinar-lhe uma lição, mas não será fácil concentrar-se na tarefa que tem em mãos e corre o perigo de desviar-se do bom caminho... Conseguirá escapar às atenções insistentes do Marquês e operar uma transformação milagrosa? (in Edições Saída de Emergência)



Opinião:

Mais um bom livro de Loretta Chase, que nos presenteia com mais uma boa história e uma continuação à altura dos anteriores.

Neste livro o foco vai para a terceira irmã: Leonie Noirot, a irmã ruiva e entendida nas contas da loja. Mais uma vez, é uma boa personagem, interessante e com personalidade. O seu interesse no marquês Lisburne está muito bem arranjado e é muito bem trabalhado. Simon Fairfax, marquês de Lisburne, é uma personagem encantadora e bastante intelectual, com graça e beleza. 

Mais uma vez está presente o dilema entre romance/negócio, que caracterizou os livros anteriores, bem como as questões das classes sociais: comerciantes/aristocracia. O tema não foge muito ao dos anteriores, se bem que este tem um cariz mais sério e mais introspetivo, a meu ver. As questões sociais voltam em grande fulgor, uma vez que no segundo há mais aventuras e emoção. 

A história e o seu contexto está de acordo com a personalidade de Leonie, tal como aconteceu nos outros livros, e que mostra uma grande preocupação por parte da autora em criar um contexto de acordo com as personagens e uma linha narrativa sempre diferente. Não que seja diferente, ou muito diferente, porque existe uma previsibilidade ao longo dos três livros em relação aos acontecimentos das histórias, mas diferente em relação com as peculiaridades de cada personagem (cada irmã Noirot). Leonie é mais atinada, logo a história também o é e foca-se em temas mais sérios. 

A escrita continua fluída, rápida e divertida, cheia de sarcasmo e piadas. Isso ajuda bastante ao ritmo da história e à criação de uma diferenciação face a outras histórias deste género. Ler um romance com humor e piada, um romance leve e que não tem grande seriedade, quer-se com uma escrita fluída e engraçada. Loretta Chase consegue isso muito bem. 

Quanto às descrições estão, mais uma vez, perfeitas. Não são em demasia e prendem-se mais com os vestidos do que com outros aspetos do ambiente, mas estão sempre um mimo. 

Gostei da forma como a autora conduziu a história, como a alimentou e fez crescer. Gostei muito das personagens e do cariz sério com que foram apresentadas. Também gostei das personagens secundárias, que foram muito importantes e cruciais para o enredo todo. 


Em suma, uma excelente aposta da Saída de Emergência! Romance ao mais alto nível, divertido, leve, rico em detalhes frescos e sumarentos. Uma história inesquecível! 

NOTA (0 a 10): 9

Divulgação de promoção - Os Hóspedes, de Sarah Waters

Venho dar a conhecer uma excelente promoção que está a haver no site da Wook, referente ao lançamento do livro da autora Sarah Waters, Os Hóspedes. Está em pré-venda e o envio será feito a partir de dia 14 de outubro. Com portes grátis e um desconto de 10%, fica a 16,65 euros e ainda trás outro livro: Cada Dia É Um Milagre




Aproveitem, é uma promoção muito interessante! 

Aqui está o link para a promoção. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, de J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Sinopse:

Baseada numa nova história de J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - a nova peça de teatro de Jack Thorne -, cuja estreia mundial decorreu no West End, em Londres, no passado dia 30 de julho, é a primeira história oficial de Harry Potter a ser apresentada na versão teatral. 

Foi sempre difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele se tornou num muito atarefado funcionário do Ministério da Magia, casado e pai de três crianças em idade escolar. 

Enquanto Harry luta com o passado que se recusa a ficar para trás, o seu filho mais novo, Albus, tem de se debater com o peso de um legado que nunca desejou. Quando o passado e o presente se cruzam, pai e filho confrontam-se com uma desconfortável verdade: por vezes as trevas vêm de lugares inesperados. (in Goodreads)


Opinião:

Depois de uma longa espera e que durante tanto tempo nem espera foi porque não se esperava mais livros da saga, foi com enorme expectativa e alegria que me vi a pegar novamente num livro do Harry Potter, num livro novo, já que por vezes gosto de reler os outros.

Dezanove anos depois do final d' Os Talismãs da Morte, este livro foca-se em Albus Severus, o segundo filho de Harry e Ginny. Albus não se acha parecido com o seu pai, não se acha nada heróico e quando é colocado nos Slytherin então ainda fica mais confuso. Sem amigos, sem o brilho que se esperava dele e sem coragem aparente, Albus esconde-se e dedica-se apenas ao único amigo que tem, o único filho de Draco Malfoy: Scorpius, seu companheiro de equipa. 

Foi com grande alegria que comecei a ler o livro e foi com alguma surpresa que dei por mim completamente maravilhada com ele, pois confesso que estava com um bocadinho de receio por causa do livro ser em texto dramático. Acho que a autora devia ter escrito um livro narrativo, com todos os detalhes e tudo o que se tem direito, mas esta história serviu para matar saudades e para reviver aquele mistério e expectativa em ler os livros do Harry Potter, mistério esse que já lá vai o tempo em que aconteceu no sétimo livro, lido pela primeira vez. Aquele bichinho dentro de mim, nas minhas mãos, coração e mente. Voltei a sentir isso e a dar por mim a "correr" para a leitura. 

As personagens estão excelentes, o que não é nada de espantar, uma vez que sempre foram. Gostei de ver onde e como estão as personagens, de como seguiram as suas vidas. Também gostei de conhecer as novas personagens. Gostei muito de Albus, mas gostei mais de Scorpius. Albus, por causa do seu conflito com Harry, fez-me, por vezes, sentir irritação face às suas ideias e ações. Encontrei em Scorpius alguém muito mais ponderado e doce, algo que sempre achei que havia nos Slytherin mas que não tinha sido explorado. Também a personagem mistério está muito bem, apesar de achar que podia ter sido melhor explorada e que podia ter tido um desfecho mais emocionante, depois de tudo o que fez. Estou a referir-me a Delphini Diggory.

Em relação à ação, tenho a dizer que esta está sublime. Mais uma vez encontrei aqui o clima perfeito, onde tudo faz parte de um plano, onde nada falha, como mil engrenagens numa máquina. É uma leitura fluída e rápida, mas que merece todo o carinho e atenção, especialmente por isso. Porque começa logo com aspetos que vão ser cruciais para compreender toda a história. É algo a que a autora sempre habituou os seus leitores e que mais uma  vez se apresenta aqui. O enredo tem alguma complexidade, porque o grande contexto é a utilização do Vira-Tempo para modificar certas situações no passado das personagens e da própria História: não deixar Cedric Diggory morrer no Torneio dos Três Feiticeiros e não deixar Voldemort tentar matar Harry Potter. Isto por causa de uma nova profecia que prevê o regresso de Voldemort. São criadas várias possíveis realidades alternativas aquando da modificação das situações no passado, e isso é muito interessante de observar, uma vez que podiam ter acontecido realmente.

As emoções e sentimentos estão sempre ao rubro ao longo da história. Conflitos pessoais, dilemas, dúvidas, preconceitos, velhos hábitos, receios, ódios, amores...tudo aqui está e todas as personagens têm algo a acrescentar à história. É uma história adulta, que se lê bem em qualquer idade. 

Quanto à escrita, não há muito a referir, uma vez que é texto dramático. As descrições necessárias vêm nas didascálias e só há falas. Porém, é como se estivesse tudo lá. É como se houvesse descrições e tudo isso. É totalmente possível regressar a Hogwarts, caminhar por lá, viver lá. E isso também acontece com os outros locais presentes na obra. 

É o típico livro que não se pode dizer muita coisa para não cair em spoilers, porque tudo o é e é tão bom saborear a sua leitura e sermos surpreendidos com os acontecimentos e com as personagens. Foi uma delícia regressar, de novo, a este mundo que está tão gravado no meu coração. O livro é tão bom, que até em peça de teatro cumpre todos os seus propósitos e continua a maravilhosa história que começou com A Pedra Filosofal. É uma maravilha! 

Assim, recomendo vivamente a todos os fãs de Harry Potter e a todos os que gostam de um bom livro. 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft, de Howard Phillips Lovecraft

Sinopse:

Finalmente uma edição, em Portugal, digna da obra do mestre do terror Howard Phillips Lovecraft. Com organização do Prof. José Manuel Lopes, da Universidade Lusófona, e introduções aos contos de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft traz até junto do público nacional alguns dos contos mais marcantes do Mito de Cthulhu. Obra feita com um intenso amor pelo legado de H.P.L, todo o design da capa e interior procura recuperar o imaginário barroco dos contos do autor. 

Este primeiro volume inclui os seguintes contos:

O Despertar de Cthulhu;
A Criatura na Soleira da Porta;
O que Sussurra nas Trevas;
A Aventesma do Escuro;
A Sombra sobre Innsmouth;
Com a Lua;
A Sombra Vinda do Tempo;
A Celebração. 

(in Goodreads)



Opinião:

Foi com imenso gosto que peguei neste belíssimo primeiro volume de contos de Lovecraft editado pela Saída de Emergência. A capa e todo o design está excelente, os meus parabéns!

A primeira vez que li este autor foi há dois anos, se não estou em erro, e gostei bastante. Li Nas Montanhas da Loucura e achei muito bom, tremendamente misterioso. Fiquei sempre a pensar naquela história e em todo o seu contexto e foi com grande entusiasmo que encontrei neste livro muito material que tem o mesmo contexto e que respondeu a algumas questões que ficaram em aberto aquando da leitura desse livro.

Confesso que o meu conhecido sobre o autor não é muito, nem sobre a sua obra, mas sempre tive interesse. Com este primeiro volume fiquei a conhecer muito mais a sua obra, se bem que apenas comecei a deslindar algum do seu material, aquele que está presente neste primeiro volume. Há muito mais para descobrir nos outros volumes.

Gostei de todos os contos, se bem que mais de uns do que de outros. Gostei (muito) especialmente d' O Despertar de Cthulhu, A Criatura na Soleira da Porta, O que Sussurra nas Trevas, A Sombra sobre Innsmouth e A Celebração

Em todos eles há uma espécie de fio condutor que os trespassa, mesmo que subtilmente em alguns deles. Gostei bastante da forma como foram organizados, uma vez que existem contos que, apesar de  não terem as mesmas personagens, complementam-se na perfeição, dando sempre um acréscimo de significado aos anteriores.

Toda a mitologia criada pelo autor é excelente, cheia de detalhe e muito pulsante. Ao longo da leitura é possível sentir uma espécie de receio em relação aos acontecimentos das narrativas, receio esse que é bastante subtil mas presente e até incomodativo, no bom sentido. Isso é sinal que a história, as personagens e o surreal presente nelas está bem feito, bem criado e bem apresentado. Demonstra a mestria do autor sublimamente. Não é um terror forte e feio, daquele terror que por vezes acaba por meter mais nojo do que medo. Não! É um terror inteligente, um terror psicológico e que se agarra à mente. É um terror bastante subtil, até tímido, mas que consegue agarrar o leitor de uma maneira bastante forte, sem se fazer notar logo à partida. Senti isso quando li o outro livro e voltei a senti-lo agora.

O forte aqui não são as personagens, se bem que todas elas são muito boas e bem desenvolvidas, muito complexas. O forte é o ambiente descrito, criado e trabalhado. É a sensação de terror ao virar da esquina, de algo inexplicável e misterioso, que faz com que se fique agarrado ao livro. É muito bom mesmo. Tendo em conta a altura em que os contos foram escritos (1920-1930, mais ou menos), é ainda mais fascinante uma vez que muito do que é descrito é puramente uma visão de algo que poderia ser futurista. O medo do desconhecido é o que mais está presente ao longo de todos os contos e está muito bem elaborado

Em suma, é um excelente livro, uma excelente escolha de contos. Uma escrita inteligente, cheia de significados, de palavras brilhantes e descrições sublimes e perfeitas. De facto, um nome imenso da Literatura Mundial. Recomendo totalmente!

NOTA (0 a 10): 9

domingo, 25 de setembro de 2016

A Seleção, de Kiera Cass

Sinopse:

Para trinta e cinco raparigas, A Seleção é a oportunidade de uma vida. 

É a possibilidade de escaparem de um destino que lhes está traçado desde o nascimento, de se perderem num mundo de vestidos cintilantes e joias de valor inestimável e de vivem num palácio e competirem pelo coração do Príncipe Maxon.

No entanto, para America Singer, ser selecionada é um pesado. Terá de virar costas ao seu amor secreto por Aspen, que pertence a uma casta abaixo a sua, deixar a sua família para entrar numa competição feroz por uma coroa que não deseja, e viver num palácio constantemente ameaçado pelos ataques violentos dos rebeldes. 

Mas é então que America conhece o Príncipe Maxon. Pouco a pouco, começa a questionar todos os planos que definiu para si mesma e percebe que a vida com que sempre sonhou pode não ter comparação com o futuro que nunca imaginou. (in Marcador Editora)


Opinião: 

Este é o primeiro livro desta saga. Com uma capa maravilhosa e uma sinopse interessante, aqui está um livro que me despertou a atenção há muito tempo. Li-o agora e tenho a dizer que achei-o bastante peculiar. 

Gostei das personagens, em especial dos rapazes, o príncipe Maxon e Aspen. Não desgostei de America, a personagem principal, mas não me encheu as medidas. Achei-a igual a tantas outras personagens do género e não se mostrou muito bem à altura do desafio. Mas também, o desafio não era assim tão grande, uma vez que o enredo é um tanto previsível. Existe um triângulo amoroso e a luta entre as raparigas para serem selecionadas é renhida, mas tirando essas três personagens, não senti nenhuma que se destacasse mais. 

Em relação à história em si, tem uma premissa interessante. Toda a ideia da Seleção em si, da competição e do casamento está engraçada. Também a contextualização está adequada e bem elaborada, uma vez que a autora teve a preocupação de criar bases para todo o contexto. Os momentos em que Maxon está com America são muito bons e gostei das suas conversas, tal como gostei de ver America e Aspen. E o que me deixa mais curiosa nesta história é mesmo saber com qual delas ela fica ou o que é que acontece ao trio amoroso. 

A linguagem é bastante fluída, o que faz com que a leitura seja bastante rápida. Também ajuda o facto de haver muita ação e diálogos. As descrições não são muitas, mas as que existem estão muito bem e úteis para visualizar o espaço e ambiente. Não há nada de muito profundo a nível destes pontos, tanto da linguagem como das descrições.

Outro aspeto que me agradou foi o facto de haver mais do que só o foco na Seleção em si, na escolha da eleita para o príncipe. Toda a parte das revoltas e dos revolucionários está bastante boa e consegue captar facilmente a atenção, uma vez que é a parte onde há mais ação e emoção, apesar de não estar muito presente ao longo da narrativa. 

Também gostei da forma como a autora foi narrado os acontecimentos. A história segue um caminho suave, e, para o género de livro que é, isso não é mau, antes pelo contrário. No entanto, apesar de ter ação, estava à espera de mais, principalmente dentro do grupo de selecionadas. 

Em suma, é um primeiro livro engraçado, leve e que entretém. Espero gostar mais do segundo e espero que haja um maior desenvolvimento tanto a nível das personagens como da história em si. Recomendo a todos os que gostam de um livro leve e descontraído. 

NOTA (0 a 10): 7

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Star Trek Volume 1, de Mike Johnson, Steve Molnar e Joe Phillips

Sinopse:

Where No Man Has Gone Before

Enquanto a tripulação da nave Enterprise e o seu capitão James Kirk andam a explorar o Espaço, encontram uma cápsula de uma nave muito antiga que está a transmitir uma mensagem com um conteúdo assustador em relação a acontecimentos a bordo. Quando James pede para intersetar a mensagem e se aproximam da cápsula, algo estranho acontece a bordo da Enterprise, ficando um dos membros da tripulação com estranhos comportamentos, criando o pânico a bordo da nave.

The Galileo Seven

A nave Enterprise está numa missão de entrega de medicamentos a New Paris para ajudar no combate a uma doença, quando se aproximam de um género de formação quasar. O capitão Kirk envia Spock, Bones e mais alguns membros da tripulação para explorar, mas a lancha é atraída pelo campo magnético do quasar e acabam num local desconhecido e sinistro, sem energia para voltar para a nave.


Opinião:

Este volume é composto por duas histórias, sendo elas Where No Man Has Gone Before e The Galileo Seven. E ambas são muito boas, inspiradas na série e nos filmes.

Em relação às personagens, tanto na primeira como na segunda história, estão muito bem. Gostei de encontrar Spock e Kirk na literatura, algo que ainda não tinha acontecido, e gostei muito porque foi uma experiência engraçada e agradável, uma vez que gosto muito destes dois. Quanto a outras personagens, estão todas bem, Uhura está sempre lá para salvar o dia e as outras personagens que aparecem para completar o enredo também estão bem, interessantes e complexas.

A primeira história é bastante interessante, tem um clima mais denso, tanto a nível das relações entre as personagens, como a nível do problema que aparece a estas para resolver. Existe um conflito entre a amizade e o dever, em que Kirk tem de escolher bem por causa da salvação da nave e tripulação e isso enriquece a história. Tem bastante tensão, emoção e aventuras.

Na segunda história, temos as personagens principais novamente em grande estilo e rodeadas de perigos. É outra história engraçada, com alguns momentos de humor, emoção, aventura, um bocadinho de drama e romance. Está bem elaborada e tem um enredo interessante. Gostei da forma como foi construída e como tudo foi resolvido.

Gostei de tudo e foi uma leitura que me encheu as medidas. É bom ler banda desenhada, é diferente, descontraído e uma excelente experiência. Recomendo vivamente! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 17 de setembro de 2016

O Rouxinol, de Kristin Hannah

Sinopse:

Na tranquila vila de Carriveau, Vianne despede-se do marido, Antoine, que parte para a frente da batalha. Ela não acredita que os nazis vão invadir a França...mas é isso mesmo que fazem, em batalhões de soldados em marcha, em caravanas de camiões e tanques, em aviões que enchem os céus e largam as suas bombas por cima dos inocentes. Quando um capitão alemão reclama a casa de Vianne, ela e a filha passam a ter de viver com o inimigo, sob risco de virem a perder tudo o que têm. Sem comida, dinheiro ou esperança, e à medida que a escalada de perigo as cerca cada vez mais, é obrigada a tomar decisões impossíveis, um atrás da outra, de forma a manter a família viva. Isabelle, a irmã de Vianne, é uma rebelde de dezoito anos, que procura um objetivo de vida com toda a paixão e ousadia da juventude.

Enquanto milhares de parisiences marcham para os horrores desconhecidos da guerra, ela conhece Gäetan, um partisan convicto de que a França é capaz de derrotar os nazis a partir do interior. Isabelle apaixona-se como só acontece aos jovens...perdidamente. Mas quando ele a traia, ela junta-se à Resistência e nunca olha para trás, arriscando vezes sem conta a própria vida para salvar a dos outros. Com coragem, graça e uma grande humanidade, a autora bestseller Kristin Hannah capta na perfeição o panorama épico da Segunda Guerra Mundial e faz incidir o seu foco numa parte íntima da história que raramente é vista: a guerra das mulheres. 

O Rouxinol narra a história de duas irmãs separadas pelos anos e pela experiência, pelos ideais, pela paixão e pelas circunstâncias, cada uma seguindo o seu próprio caminho arriscado em busca da sobrevivência, do amor e da liberdade numa França ocupada pelos alemães e arrasada pela guerra. Um romance muito belo e comovente que celebra a resistência do espírito humano e em particular no feminino. Um romance de uma vida, para todos. (in Goodreads)



Opinião:

Um bom romance é sempre um bom romance. Quando existe um contexto rico e fértil então, esse romance tem tudo para ser maravilhoso. Neste caso e com o contexto presente, maravilhoso de belo não seria, mas seria maravilhoso de grandioso e forte. 

Uma história de guerra, de sobrevivência, de amor, de superação e de perdão. Assim se pode adjetivar este livro, que é um marco brilhante na caracterização da vida das mulheres durante a Segunda Guerra, pelo menos de algumas. 

Vianne e Isabelle. Duas irmãs que são o posto uma da outra: Vianne, a mais velha, calma e obdiente; Isabelle, desobediente e aventureira. Com um pai ausente, as duas veem as suas vidas afastadas, enquanto Vianne começa a constituir família e Isabelle foge de colégio em colégio. Até que a guerra começa e as suas vidas alteram-se para sempre. Vianne vê o seu marido partir para a guerra e fica sozinha com a sua filha e Isabelle só tem como desejo alistar-se no corpo médico ou fazer algo de útil para o bem dos franceses. 

Com duas personagens cheias de personalidade e muito diferentes era de prever uma história forte e isso aconteceu. Gostei muito de ambas, acabando por não ter preferência por nenhuma delas, uma vez que, à sua maneira, ambas são especiais, ambas deram o melhor de si e ambas fizeram o que podiam fazer durante aqueles tempos. Vianne consegue transmitir uma calma aparente que por vezes faz desesperar, mas é uma personagem excelente e com uma história de vida muito grande, enquanto Isabelle agarra logo à primeira vista por causa de ser audaz e destemida. Ao terem as duas as suas guerras pessoais nos locais onde estão, mostram todo o seu ser, todo o seu coração e pensamento, e, através dos seus olhos, é possível atravessar os devastadores anos da Segunda Guerra até ao seu final. 

Não é um livro sobre a guerra em si, mas sobre o que a guerra fez às pessoas, como as mudou, moldou e traiu. É uma história forte, triste e bela, que evoca o pior e o melhor do Ser Humano. A forma como a autora conseguiu criar personagens que são tão reais e tão transparentes e complexas está excelente. Não são apenas as irmãs que são complexas, mas sim todas as outras personagens, desde Beck (o nazi que fica em casa de Vianne) até às crianças que aparecem na história. Todas as personagens têm um propósito e dão o seu forte contributo para a história do livro e para a História em si. São autênticos testemunhos da crueldade do que aconteceu, mas também da misericórdia e compaixão que existiu naqueles tempos negros. 

As descrições estão perfeitas. Existe um cuidado em descrever certos detalhes que dão vida à história e ao contexto das personagens, detalhes esses que servem para enriquecer o ambiente e a emoção. É possível imaginar-nos lá com as personagens, ver mesmo os locais, os objectos, as situações. Isso acontece também com as descrições dos sentimentos e emoções das personagens. 

Também a nível do enredo está tudo excelente. A história é poderosa, a linha narrativa é muito rica, muito bem elaborada, criando uma cronologia dos acontecimentos sem nos darmos por isso. Existem momentos de grande ternura, momentos de amor e momentos de grande tensão, bem como de grande tristeza. Mas também existem momentos de alegria e grande beleza. Não é uma leitura fácil, precisamente por isso. É uma história que nos entra no coração e na mente, que nos deixa a pensar e que nos faz refletir sobre muitos temas. Gostei bastante da forma como Isabelle atravessou imensas vezes os Pirenéus para salvar os pilotos Aliados e de como lutou pela libertação da França, bem como da forma sofrida como Vianne protegeu os seus.

Em suma, é uma obra de arte. Uma ode à Mulher, à Coragem e à Sobrevivência. Também ao Amor e ao Perdão. De facto, é um dos livros com a Segunda Guerra como contexto em que menos mostra a guerra, mas em que os seus estilhaços mais cortam. Gostei muito da forma como a autora descreveu o quotidiano das personagens, as suas aventuras e os seus esquemas, tal como os seus romances, medos e alegrias. Recomendo a todos os que gostam de uma história poderosa e forte. 

NOTA (0 a 10): 10