segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Minha Querida, Queria Dizer-te", de Louisa Young

O meu gosto por livros com este tipo de tema já não é novidade. O meu gosto por romance histórico também não. Decidi apostar neste livro pelo tema em si, se bem que a capa e o título também foram bastante sedutores. A 1ª Grande Guerra foi um acontecimento histórico, social, económico e político interessante, não pelo guerra, claro, mas pelas transformações que ajudou a causar, principalmente na Europa. Depois da 1ª Guerra, a sociedade mudou bastante: as mentalidades mudaram, a aristocracia decaiu, os empregos alteraram-se, a industria mudou, os interesses das pessoas mudaram, as roupas mudaram, os comportamentos mudaram, as classes sociais viram crescer a igualdade entre si (se bem que por mais pouco que possa ter parecido, para a altura foi bastante, uma vez que o despropósito que se tinha vindo a observar ao longo dos tempos já era uma vergonha).

Na década de 10, de 1900, Inglaterra: Riley Purefoy é um jovem de 20 anos, que se apaixona por Nadine Waverley, uma jovem da mesma idade, mas de nível social mais elevado. Ambos são amantes de Arte e estudam com Sir Alfred, no seu atelier, sendo lá que o amor floresce. No entanto, devido à intromissão dos pais de Nadine, esta abandona o atelier, deixando Riley triste e desalentado. Depois de uma experiência que não correu como esperado, Riley decide que a única solução para os seus problemas é a ida para a guerra. Assim parte,deixando para trás a família, Nadine e Sir Alfred, decidido a tornar-se alguém como oficial. O que ele não sabia era a dura realidade que o esperava e logo começa a arrepender-se de sua decisão.
Enquanto a guerra "avança", Riley conhece outros soldados e torna-se amigo deles, nomeadamente do seu major, Locke.

Os homens estão nas trincheiras francesas, enquanto que as mulheres começam a integrar-se nos hospitais: as casas senhoriais que são oferecidas como tal. É aqui que vamos encontrar Nadine e Rose, prima de Locke. Temos também Julia, a esposa de Locke, que, atormentada pela falta do marido e pela culpa de não ter uma educação tão prática mas apenas de "esposa e mãe", que a tornam numa mulher fútil e preocupada em manter a casa e o seu visual maravilhosos para a chegada do esposo.

À medida que o tempo passa, vamos podendo observar a evolução destas personagens, das suas vidas, das suas atitudes e comportamentos, bem como do seu estado emocional. Como o período da narrativa abrange antes e durante a guerra e logo depois do armistício, sendo por isso possível acompanhar a evolução das personagens e da sociedade.

Ora, ao observar tais factores é possível constatar e compreender a evolução social que realmente aconteceu e o que a provocou. Isso é bastante interessante, uma vez que através desta leitura, consegui constatar factos que já tinha aprendido enquanto aluna, sobre este tema, tendo como exemplo a vida destas personagens, que foram algumas inspiradas em pessoas reais, sendo mesmo algumas das personagens pessoas reais. Este é o grande aspeto positivo da obra: conhecer, compreender, observar a evolução na Europa, a vários níveis, nomeadamente o social, causada pela guerra ou consequência da guerra. Um exemplo: muitas mulheres decidiram ir para os hospitais como enfermeiras, deixando as suas vidas sociais, de festas, recepções e passeios, tornando-se assim trabalhadoras, dinâmicas, práticas. Também começaram a ter uma visão diferente dos homens, uma vez que tinham de lidar com eles como pacientes, acabando assim muito do pudor do corpo que existia (e existe). O facto das motas se alterarem (saias mais curtas, penteados mais curtos...) também se deveu à guerra e isso está bem presente no livro.

No entanto, não me foi possível gostar muito deste livro.

A escrita/narração da autora: expressões como "oh... mas oh..." são demasiadas; exclamações no meio de descrições; algumas falhas temporais na idade das personagens; a utilização exagerada da conjunção copulativa "e" com vírgulas em demasia perto do "e"; as descrições das batalhas são poucas, havendo demasiados pensamentos das personagens, muitos...repetindo sempre a mesma ideia. E mesmo percebendo que tal deve ser para acentuar o horror que as pessoas passaram, a escolha de exclamações e repetições não foi a melhor, a meu ver;

O romance/personagens: as personagens são um pouco insípidas. Se há algo que eu gosto é de vibrar com as personagens, como o que elas fazem, o que lhes fazem, o que acontece. Não aconteceu.

Ora, estes dois factores foram essenciais para a minha reflexão sobre "gostar muito, gostar assim assim e não gostar", fazendo a balança pesar para o "não gostar". Porém, a qualidade da parte histórica fez com que a balança pesasse para o "gostar assim assim", equilibrando-a para as 3 estrelas.

Outro aspeto positivo foi a existência das descrições referentes à medicina, nomeadamente nos avanços das próteses. Estas descrições, altamente detalhadas e interessantes levaram-me a observar os avanços médicos e os procedimentos utilizados nos pacientes para os seus melhoramentos. Tendo lido "Marina" de Zafón, foi-me impossível não fazer uma associação à evolução de próteses presentes em "Marina", devido à 2ª guerra, existindo assim uma continuidade neste assunto entre estas duas obras, "Minha Querida, Queria Dizer-te" referente à 1ª Guerra e "Marina" referente à 2ª Guerra.

Não posso dizer que o livro não seja bom. Ele é bom, mas falta-lhe algo; falta-lhe uma sensibilidade descritiva e narrativa mais bela, mais íntima. Queria ter ficado a gostar principalmente das personagens e isso não aconteceu, uma vez que não consegui criar nenhum laço com elas, a não ser com alguns dos soldados do regimento, que nem sequer fazem parte das personagens principais. O inicio do livro e a parte final são interessantes, mas há algumas partes que não são tanto como eu esperava que fossem.

Por isso, dou 3 estrelas, porque foi um livro que me ajudou a consolidar alguns conhecimentos sobre este tema, só que não me conseguiu agradar por aí além em relação às personagens e consequentemente ao enredo mais romantizado.

NOTA (0 a 10): 6

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