sábado, 24 de dezembro de 2016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Labirinto dos Espíritos, de Carlos Ruiz Zafón

Sinopse:

Não perca o final da saga iniciada com A Sombra do Vento.

Na Barcelona dos fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo.

Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família.... embora a um preço terrível. 

O Labirinto dos Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com A Sombra do Vento, que alcança aqui toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida. (in Goodreads)




Opinião:

Depois de alguns anos à espera deste livro, assim que saiu agarrei-me a ele e só o larguei quando terminou. Não esperava outra coisa quando o comecei, sabia que ia ficar sedenta das palavras magicamente elaboradas do autor e confesso que cheguei a atrasar a leitura para poder saborear mais um pouco. 

É o sexto livro que leio do autor e é sempre como se fosse a primeira vez; é sempre algo mágico e rico. E é uma experiência que me delicia. 

Sendo A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu livros que me marcaram e que me deixaram em suspenso, esperava muito deste volume. E não fiquei desiludida. 

Este livro pega na história onde O Prisioneiro do Céu terminou. O mistério continua e muito há para descobrir. Daniel é pai de um menino, Júlian, Fermín continua com as suas atividades e mistérios, mas algo muito mais negro e perigoso entra em cena quando o ministro e ex-diretor da prisão de Montjuic desaparece. Rodeado de um mistério que envolve algo muito grande e perigoso, entra em cena Alicia Gris, uma jovem de profissão um tanto estranha: trabalha para uma espécie de organização-fantasma que ajuda a polícia a resolver casos muito difíceis, entre outros trabalhos arriscados. 

Numa trama a que Zafón nos foi habituando, todas as personagens têm uma ligação, todos os momentos são parte de um puzzle gigante e bem construído, onde cada momento encaixa na perfeição. 

Senti novamente uma grande afinidade com as personagens, todas elas. Uma vez que a história vai sendo contada através de várias personagens e dos seus olhares (apesar de só uma parte ser na primeira pessoa), é possível observar como a teia está interligada e tecida. As pontas, que parecem mais desfeitas do que nunca, vão se aproximando, aproximando...para revelar algo que é acaba por surpreender, e que já vou referir mais à frente. 

Em relação às personagens, devo referir que todas, sem exceção, estão soberbas. Desde as maiores até às menores, todas elas fazem o seu papel na perfeição, com propósitos bem definidos e distintos. Gostei de todas elas e da forma como apareceram na história e deixaram a sua marca. Daniel continua a ser aquele jovem amigável e simpático, se bem que muito mais complexo e que acaba por se mostrar bastante obscuro a dado momento. Fermín continua a ser um mistério e a personagem mais carismática da saga. Sempre pronto a ajudar e sempre com algo a dizer. Beatriz também está muito bem...mas claro, uma das personagens deste livro, aquela que tem mais destaque, é Alicia. Complexa, obscura e sedenta de conhecimento sobre tudo o que a rodeia, ela é a agente secreta perfeita. Com a ajuda do agente da polícia Vargas, fazem uma excelente dupla a resolver o mistério do desaparecimento de Valls, personagem que se vai tornando mais horripilante à medida que a história avança. 

Mas há muitas mais personagens...personagens que regressam, personagens que aparecem só por momentos, personagens que aparecem apenas em conversas entre outras ou por cartas, mas que são o eixo central de toda a história. Todas elas são únicas e especiais e eu gostei de todas. 

Quanto à narrativa, há tanto para dizer...tanto para contar e para comentar... mas não quero adiantar-me muito pois o mais certo seria começar a contar spoilers e este é aquele tipo de história que merece que se vá sendo surpreendido a todo o instante, sem spoilers. Fiz um esforço por não ir à frente e confirmar algumas das minhas teorias, mas lá consegui. Contudo, posso dizer aquilo que senti. 

A história está perfeita. Além do facto de tudo encaixar, a trama está riquíssima. É poderosa, complexa e surpreendente simples. O que parece tão complicado a certa altura e em livros anteriores, acaba por ser algo tão simples que surpreende por si só. Todo o passado acaba por vir à tona e muitos mistérios dos livros anteriores são trazidos a lume, se bem que muito fique nas entrelinhas, o que também me agradou bastante, uma vez que fixa a ideia de mistério que sempre me prendeu à obra. 

Poder, política, corrupção, um enredo sórdido e triste, que no seu âmago leva a uma pequena história, a uma história simples, de amor, amizade e lealdade. No meio de uma trama gigante e rocambolesca, narrada com mestria, está o amor, simples e despido de complexos. É como o desfolhar de uma rosa. As pétalas vão saindo, até mostrar o centro, o motivo de toda a história, de todos os mistérios desvendados e que ficam por desvendar. Porque, afinal, o que move tudo e todos é o amor. O amor em todos os sentidos, seja de que forma for, seja por quem ou pelo que for. Por uma pessoa, pelo poder, pelo prestigio. 

E não é só a história em si que extraordinária e perfeita. É também a forma como é contada. O jogo de palavras, a construção das frases, dos parágrafos... há um motivo para cada palavra estar onde está. O constrói cada frase com o propósito de criar algo único e de conduzir o leitor pelo labirinto. Assim, não se é apenas conduzido pelas personagens e pela história, como pela própria linguagem. A linguagem é ela própria personagem, por assim dizer. Aliás, é como se ela fosse a grande narradora. Como se a história fosse narrada pelas próprias palavras, como se elas se escrevessem a si mesmas e criassem elas mesmas a história. 

É uma história sobre histórias, sobre livros, sobre a arte da escrita e da leitura, sobre o que estas duas artes nos dão e nos tiram. É uma lição de como contar um história e de como apreciá-la e vivê-la. É uma história comovente, grandiosa e inesquecível, que deixa algo em nós e que também fica com algo nosso. Aliás, isso mesmo é descrito a dado momento, o que promove a forma como a escrita faz parte da própria história. 

Zafón volta a surpreender, volta a dar-nos uma maravilhosa história de amor e luta. Luta pela Vida, luta pela justiça, por algo melhor. Por mais violência e descrições cruas e negras que haja, por mais nojeira e asco que apareça, está lá o amor e amizade para as vencer. 

E, mais uma vez, leva-nos por uma brilhante visita a Barcelona. 

Assim, recomendo vivamente a todos os leitores que gostam de histórias poderosas, complexas, densas, misteriosas e belas. É, sem dúvida, uma viagem única e que nos arrebata. Todos devem ler estas histórias, pois são preciosas e mágicas.

NOTA (0 a 10): 10 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Leonor de Aquitânia - A Rainha do Verão, de Elizabeth Chadwick

Sinopse:

Jovem, bonita e privilegiada, Leonor tinha tudo para viver um futuro brilhante como herdeira da próspera Aquitânia. Quando o seu pai, Guilherme, Duque de Aquitânia, morre subitamente no verão de 1137, Leonor tem de abandonar a sua infância e assumir-se como duquesa.

Enviada para Paris e forçada a casar com o príncipe herdeiro Luís VII, Lenor pouco ou nada se tinha ainda adaptado à sua nova vida quando o rei morre e ela se torna Rainha de França.

Com apenas 13 anos, tem de deixar tudo para trás e aprender a viver na bruma complexa da Corte e do Clero. Depois de se confrontar com os mais diversos desejos, intrigas e ambições, Leonor apercebe-se de que poderá controlar o futuro se souber escolher o momento certo para agir. 

Com Leonor de Aquitânia. A Rainha do Verão, Elizabeth Chadwick dá início a uma trilogia sobre Leonor de Aquitânia, onde nos deslumbramos com a sua história, triunfos e tragédias, e nos deixaremos levar numa fascinante viagem ao alvor da Idade Média. (in Topseller)


Opinião:

Não é o primeiro livro que leio sobre Leonor de Aquitânia, mas é sempre com grande gosto que viajo pela sua história. 

Leonor foi, sem dúvida, uma rainha extraordinária e diferente das rainhas da altura: muito mais avançada, interessante e visionária. E isso faz com que goste bastante de ler sobre a sua história. 

Este livro está maravilhoso. Gostei muito da forma como a autora contextualizou toda a época, desde as personagens, passando pelo espaço, e indo principalmente aos costumes e tradições. 

Em relação às personagens, gostei muito de Leonor, como seria de esperar. Uma menina nascida para ser duquesa de Aquitânia que se aos 13 anos prometida ao rei de França, D. Luís, que toda a vida tinha estudado para servir a Igreja. Depois de um casamento magnifico e de muito lhe ser prometido, Leonor, à medida que cresce, vai amadurecendo e percebendo toda a trama que a rodeia, vendo-se obrigada a jogar com tudo o que tem. Num mundo de homens, ser mulher não é fácil, pois mesmo com todo o poder que tem, outras coisas se elevam e os homens tentam-se aproveitar do facto de ela ser mulher e de ter uma grande riqueza. O modo como ela faz frente a tudo isso é um hino à bravura feminina, à coragem e à paixão pelo respeito e pela honra. 

Também gostei das outras personagens, uma vez que estão todas muito bem trabalhadas e criadas. D. Luís mostrou-se, mais uma vez, num homem mesquinho e frio, que poderia ter sido diferente se não fosse tão reprimido e subjugado por personalidades mais fortes. Mas foi D. Henrique que muito me agradou. Jovem, honrado e corajoso...o par ideal para Leonor. 

Todas as personagens estão excelentes e povoam brilhantemente esta história, cujo contexto está maravilhoso. Detalhe histórico, detalhe visual. Tanto os acontecimentos históricos estão bem fundamentados, trabalhados e recriados, como todos os pormenores visuais da época estão ótimos. Vestidos lindos, paisagens belas, espaços bem descritos, com o rigor da época sempre presente e sempre bem contextualizado. As questões morais, religiosas e tradicionais estão sempre lá, muito bem assentes e enraizadas, criando ainda mais realidade e veracidade, uma vez que estamos em plena Idade Média. 

Já li outro livro da autora e não estava à espera de menos, uma vez que é das melhores escritoras sobre a História Medieval. Rigor, detalhe e fundamentação. Três pontos chave e todos com nota máxima. 

A história em si, o enredo, está muito bem concretizado. A autora criou a história de modo a parecer uma jornada e isso está excelente. Desde pequena até à faixa etária dos 20 anos (para lá dos 20), a história de Leonor é aqui contada de uma maneira fluída, mágica, cheia de romance, ação e intriga. Leonor tem muitas escolhas a fazer, muitos perigos para enfrentar e muitas batalhas em vários campos para ganhar. A história está bem recheada de aventuras, romance e muita emoção. 

Todos os leitores vão gostar deste livro e vão querer continuar a ler esta história, que já está à venda. A Coroa do Inverno já está nas lojas e vou querer ler brevemente, pois fiquei imensamente curiosa para saber mais sobre Leonor e sobre o que aconteceu depois deste primeiro volume. Recomendo totalmente, a todos os leitores que gostam de histórias fortes, ricas e bem narradas. E, ainda, de referir o excelente trabalho gráfico a nível da capa e exterior, como do interior, que está muito belo.

NOTA (0 a 10): 10 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Os Venenos da Coroa, de Maurice Druon

Sinopse: 

Apenas alguns meses depois da morte de Filipe, o Belo, os conflitos, as intrigas, os ódios e a luta pelo poder ameaçam submergir a França numa instabilidade devastadora. O legado de 3 décadas de eficácia administrativa, económica e política escapou-se como água por entre as mãos de Luís X, que permitiu que a confrontação entre ministros burgueses e nobres conservadores se saldasse pela perda do domínio das províncias. 

Estava-se no verão de 1315. De acordo com o cognome por que é conhecido na corte, Luís, o Teimoso, começou a regência com a obsessão de se livrar da mulher, Margarida de Borgonha, e de sentar a seu lado uma nova rainha. Com Margarida assassinada e a bela princesa Clemência, da casa de Anjou-Sicília a caminho, vinda de Nápoles, para se tornar rainha de França, Luís X parece preparado para assumir a responsabilidade pelo seu reinado. 

No entanto, num alarde de grandeza, próprio de quem tem o poder, mas não a capacidade de o conservar, o rei envolve-se numa guerra absurda contra o conde da Flandres, enquanto o seu povo morre de fome. 

No Mediterrâneo, as tormentas mergulham os pensamentos da futura rainha Clemência nos mais negros presságios. O veneno volta a correr nas veias de França, e nada parece poder evitar que venha a ameaçar a Coroa.

Descubra Os Venenos da Coroa, o segundo volume da saga de Os Reis Malditos que inspirou os livros de George R. R. Martin, autor de A Guerra dos Tronos. (in Marcador Editora)



Opinião: 

Li, no ano passado, O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, e gostei muito. Um excelente romance histórico, muito bem narrado e muito bem contextualizado. Então, foi com grande interesse que comecei a ler o segundo. 

Com o povo num estado lastimoso e o reino num estado também estranho, tudo está em aberto para o segundo livro. O Rei Luís está novamente muito bem, cheio de pose e grandeza, mas com muito pela frente.

A história pega muito bem nos acontecimentos anteriores e segue o mesmo caminho: ação, mistério, intriga e romance. Mas mesmo muita intriga. Diria até que a intriga é o maior fator deste livro. Tudo é feito e apresentado no meio de intrigas, no meio de mistérios e duplas intenções, e nada é o que parece. 

Gostei muito da forma como os acontecimentos progrediram e de como foram encaminhados. O autor construiu tudo muito bem, criando personagens reais únicas e perfeitas, muito complexas e de grande personalidade. Criou uma intriga excepcional e muito elaborada, com detalhes históricos muito interessantes e importantes. Conseguiu construir um enredo grandioso e ambicioso, muito bem narrado e muito bem tecido. É, de facto, um dos melhores romances históricos que já li! 

Em relação às personagens, gostei muito de todas. Luís é, de facto, digno do seu cognome: o Teimoso e a rainha Clemência também tem a sua magia. Menores ou maiores, todas as personagens têm o seu papel na história, e todas têm algo a acrescentar ao enredo. 

Com uma escrita muito fluída e capítulos breves, este livro lê-se num ápice. É como que devorado e o leitor acaba por ficar a querer mais e mais. É um livro pequeno, com uma história grande e rica, tanto em detalhes, como no enredo, como nas personagens e na própria escrita. 

Mais um belo romance histórico que nos ensina algo sobre História e que nos deixa ver um pouco como eram verdadeiramente os reinos, os reis, as cortes e tudo o que girava à sua volta. Um mundo de traições e intrigas, sem nada de cor de rosa ou amoroso. Uma leitura maravilhosa! 

Recomendo vivamente a todos os amantes de bons romances históricos e a todos os fãs de histórias com carácter. Os meus parabéns à Marcador pela aposta no autor e espero ler o terceiro brevemente! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 12 de novembro de 2016

Rei dos Espinhos, de Mark Lawrence

Sinopse: 

O Príncipe Jorg Ancrath jurou vingar a morte da mãe e do irmão, brutalmente assassinados quando ele tinha apenas 9 anos. Jorg cresce na ânsia de saciar o seu desejo de vingança e de poder, e, ao fim de quatro anos, cumpre a promessa que fez - mata o assassino, o Conde de Renar, e toma-lhe o trono. Aos 18 anos, Jorg luta agora por manter o seu reino, e preparar-se para enfrentar o inimigo poderoso que avança em direção ao seu castelo.

Jorg sempre conquistou os seus objetivos matando, mutilando e destruindo sem hesitar, e agora não pretende vencer a batalha de forma justa, mas sim recorrendo aos mais terríveis segredos.

Será que o anti-herói mais maquiavélico de sempre vai conseguir reunir os recursos e as forças necessárias para enfrentar uma batalha que parece invencível? (in Goodreads)



Opinião:

Este é sem dúvida um dos melhores livros que li este ano. Simplesmente fantástico. 

Há muito tempo que esperava por ler estes livros e foi com grande entusiasmo que comecei o primeiro. Gostei muito, é muito bom, mas confesso que lá no fundo eu esperava mais. Esperava que mexê-se mais comigo, que me transtornasse ou que me emocionasse muito. Foi muito bom, bem escrito, boas personagens, tudo bom, mas faltou alguma coisa, pouquinha, mas faltou. 

Mas este livro...oh, este livro é o melhor segundo livro de uma trilogia/saga que já tenha lido. O livro é fenomenal, é fantástico e está soberbamente bem contado. Há um desenvolvimento imenso, tanto a nível das personagens, como da própria história e, mais importante ainda, do contexto da história. Fiquei fascinada com o contexto. No primeiro livro já está tudo lá, a Terra. Mas não há muito que refira o passado, nada que faça prever a forma fantástica como o autor estava a planear tratar a história do nosso mundo.

A forma como o autor se apoderou do nosso mundo e o transformou está excelente, muito bem pensado e bastante original! Não foi inventar um mundo novo, nada. Foi fazer algo mais brilhante do que construir um mundo de raiz. Claro que construir um mundo de raiz e criá-lo, dar-lhe tudo o que é necessário para o elaborar e tornar real é um feito esplêndido e único, mas num mundo literário onde cada vez aparecem mais mundos imaginados, pegar na nossa História, no nosso mundo, e transformá-lo está muito original. E o mistério à volta do que aconteceu na Terra roí-nos à medida que lemos. A história passa-se num futuro distante, onde tudo voltou a uma espécie de Idade Média, em que ainda existem alguns edifícios "modernos" e objetos de outros tempos, como relógios e outras máquinas...e até globos de neve! Os objetos mais normais de hoje, são autênticas relíquias nesse futuro elaborado pelo autor. E a vontade de saber mais sobre o que aconteceu para a Terra voltar aos tempos medievais depois de um mundo tecnológico de ponta é enorme. Estou mesmo muito curiosa para ler o terceiro volume, para saber mais sobre estes aspetos e para saber mais sobre Jorg. 

Jorg. Depois do final estrondoso do primeiro livro, onde ele ascende a rei depois de dizimar populações inteiras e o seu tio, Jorg vê-se a mãos com um desafio: reinar e fazer do seu reino algo prospero e poderoso. Claro que ele não quer ficar por ali e o seu objetivo é ganhar a Guerra dos Cem (todos os reinos querem que o seu rei seja o Imperador) e tornar-se Imperador. Quatro anos depois dos acontecimentos passados no primeiro livro, Jorg está numa situação muito delicada, com o seu castelo a ser sitiado pelo Príncipe da Flecha, aquele que todas as profecias dizem ser o futuro Imperador. E vê-se também na iminência de se casar com uma jovem de 12 anos, Miana, sua prometida. 

Tendo em conta a situação delicada em que se encontra, Jorg começa a história por narrar as suas aventuras no presente, indo depois ao passado, quatro anos antes, para explicar ao leitor tudo o que está para trás daqueles acontecimentos presentes...o porquê de estar a ser atacado, o porquê de estar para se casar e o porquê de muitas outras coisas que lhe aconteceram naquele espaço de tempo, coisas essas que ficaram presas dentro de uma caixa mágica que que está à espera de ser aberta, mas que não o deverá ser. 

É impossível contar mais pormenores da história sem referir spoilers, por isso vou ficar sossegada quanto aos acontecimentos da narrativa, mas é difícil! A história é tão boa!!! 

Pois bem...as personagens estão muito melhores neste livro. Jorg está muito melhor. Mais maduro, mais sóbrio, mais adulto. Não está sempre a pensar em matar e em planos mirabolantes, mas os planos que traça são muito mais inteligentes, complexos e brilhantes. Vê-se que houve um grande crescimento a nível psicológico e isso reflete-se na própria forma de narrar a história. Há mais amor, mais remorso e mais melancolia na forma como Jorg vai narrando as suas aventuras e os seus planos. Há uma busca desenfreada pelo amor que perdeu em criança, pelo amor da sua mãe e do seu irmão, também pelo amor que queria ter tido do seu pai, e também da sua amada. Jorg não se apresenta tão cruel, mas sim com uma revolta latente, criada pela falta de amor e pelo ódio em que cresceu. Gostei da forma como ele procurou a sua história e a sua família e como tentou agarrar algo que lhe faltava, algo por que sempre ansiou...o amor. 

Também as outras personagens estão mais complexas. Os Irmãos do Bando estão mais complexos, com histórias mais complexas e definidas. As novas personagens também são muito interessantes. Miana é excelente. Inteligente, engraçada e perspicaz. O Príncipe da Flecha também tem o seu interesse e todas as personagens familiares de Jorg que aparecem neste livro mostram um outro lado de Jorg muito mais belo do que aquele que se conheceu no primeiro livro. E Katherine, que também aparece para criar emoções fortes. No fundo, todas as personagens estão excelentes. 

As descrições estão muito mais elaboradas, criando um efeito visual muito forte e bom. A escrita continua fluída, criando uma leitura rápida e frenética. Jorg tem uma forma única de narrar a história, uma forma que dá todo um lado com humor a uma história que não tem muito de divertido. Mas Jorg sabe dar a sua pincelada de humor, à sua maneira. 

Como referi anteriormente, o contexto e toda a história por detrás da enredo está muito mais complexo e bem elaborado do que no primeiro livro e isso torna o livro muito mais rico e muito mais poderoso. Dá-lhe corpo e força e o mistério do que é que aconteceu à Terra é prefeito. Aqueles momentos com o holograma...lindo. 

Ora, o que há mais para referir? Apenas que espero ler o terceiro em breve. Espero que esteja ainda melhor, apesar de ser difícil, pois este está maravilhoso. Emoção, ação, amor, ódio, redenção, batalhas terríveis e muito bem descritas, planos mirabolantes e reviravoltas únicas e estonteantes são os ingredientes deste livro que eu recomendo a todos os leitores de Fantasia, a todos os que gostam de histórias fortes, com garra e a todos aqueles que gostam de uma história única e que fica com o leitor para sempre. É uma história que nos agarra e que nos consome. Recomendo vivamente! 

NOTA (0 a 10): 10 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Britannia, de Simon Scarrow

Sinopse:

Britânia romana, 52 d.C.. As tribos ocidentais preparam-se para firmar uma posição, mas conseguirão elas igualar a disciplina e coragem dos legionários?

O centurião Macro, ferido em combate, é deixado para trás como responsável por um forte, enquanto o Perfeito Cato lidera uma invasão nas montanhas. A missão de Cato: esmagar o baluarte dos druidas e assim cimentar o triunfo de Roma. Mas com a chegada do inverno, o terreno torna-se impossível de atravessar co ma chuva e as tempestades de neve.

E quando as patrulhas de Macro relatam que os nativos próximos do forte são pequenos em número, uma suspeita terrível apodera-se da mente do soldado. Terá o Governador no poder, o Legado Quintato, subestimado o inimigo? Um plano sofisticado e letal poderá já estar em marcha pelos nativos e serão Cato e os seus homens a pagar um preço elevado...

Conseguirão os nossos heróis enfrentar a astúcia de um inimigo que tudo fará para não se vergar perante o poderio de Roma? (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Este é o primeiro livro que leio de Simon Scarrow e depois de o ler fiquei encantada. Vou querer ler todos os livros anteriores, uma vez que este é o décimo quarto de uma belíssima saga. Sei que devia ter começado pelo primeiro, mas li este com imenso gosto e muito agrado. 

A história, as personagens, o contexto, as descrições, a ação...tudo é esplêndido. É romance histórico ao mais alto nível, como a Saída de Emergência já nos tem vindo a habituar. 

Gostei muito das personagens. Macro e Cato são excelentes personagens. Fortes, complexas, têm todos os adjetivos que deveriam ter para criar um contexto romano perfeito. Sempre imersas em ações e decisões importantes, tudo depende deles. Também as outras personagens são ricas e interessantes, mas Macro e Cato são únicos. 

O contexto histórico está excelente. As descrições estão muito bem elaboradas, precisas e sempre decisivas, criando o ambiente ideal e fiel. Todo o contexto histórico e político está muito bem trabalhado. As questões romanas e bretãs estão presentes, as lealdades, os acontecimentos, as questões políticas e sociais da época estão muito bem trabalhadas e apresentadas ao leitor, criando um contexto fiel e único. Sente-se a paixão do autor por esta época em cada página!

Toda a intriga está muito bem elaborada. O enredo é complexo, rico e denso. Há muito para nos fazer pensar e muito para nos intrigar. Gostei muito da forma como o autor mexeu na história e nas personagens, criando momentos únicos e muito bem conseguidos. 

Quanto à linguagem, está é cuidada, pertinente e fluída, dando ao leitor momentos de grande emoção e de muito prazer. A ação também está excelente, uma vez que a intriga está muito bem elaborada...todos os detalhes foram pensados ao pormenor. A intriga é complexa, inteligente e criativa. O autor é ambicioso e isso é excelente. 

Senti a falta da leitura dos volumes anteriores, uma vez que o contexto é riquíssimo, as personagens são complexas e brilhantes. No entanto foi com grande prazer que desbravei este volume. É daqueles livros que não só nos transporta para um ambiente único, interessante e real, como nos ensina algo. O romance histórico, quando é bem escrito, bem elaborada, com pesquisa cuidada e bem contextualizado, torna-se num excelente meio de aprendizagem e conhecimento. Cada vez que leio um bom romance histórico aprendo alguma coisa (ou muita coisa!). Aconteceu isso e fiquei muito satisfeita. 

Ler por entretimento e prazer é excelente. Quando se pode acrescentar a aprendizagem, principalmente de temas que me agradam e me fascinam, então é uma experiência única e maravilhosa. Por isso recomendo vivamente a leitura desta saga. Todos os leitores irão gostar! 

NOTA (0 a 10): 10

Brandon Sanderson em Lisboa, a 7 de novembro

Dia 7 de novembro, pelas 19h30, o famoso autor da saga Mistborn - Nascida nas Brumas e de outras fantásticas histórias, vai estar em Lisboa, na Fnac Colombo. Será uma excelente oportunidade para os fãs conhecerem o autor e poderem ter os seus livros autografados. Será um momento único que não podem perder! Apareçam!!! 

Está também a decorrer um passatempo no Facebook da editora Saída de Emergência. O passatempo consiste em publicar uma foto com um ou mais livros do autor, na caixa de comentários do post no Facebook. O autor/a da foto mais criativa terá a possibilidade de conhecer pessoalmente o autor no dia 8 de novembro. Só será aceite uma participação por pessoa e é até dia 3 deste mês. Só serão aceites fotografias com as edições portuguesas. Participem e divirtam-se!!!