sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cloud Atlas - Atlas das Nuvens, de David Mitchell

Este é um livro como nunca tinha lido. Podem ouvir aqui a música.

É bastante singular. A sua estrutura, as suas personagens, a sua mensagem. Tudo é singular e brilhante.

Cloud Atlas, ou o Atlas das Nuvens, conta-nos a história de Adam Ewing, Robert Frobisher, Luisa Rey, Tomothy Canvandish, Sonmi - 451 e Zachry.

Todas estas personagens têm as suas histórias dentro da grande história que é o Atlas das Nuvens.
O livro inicia-se com a história de Adam Ewing, passando para Frobisher, Rey, Cavandish, Sonmi e Zachry. Terminando a história de Zachry, temos Sonmi, Cavandish, Rey, Frobisher e Adam Ewing. Ora vejamos!


Passei esta quinzena na sala de música, trabalhando os meus fragmentos com vista a um "sexteto para solistas imbricados": piano, clarinete, violoncelo, flauta, oboé e violino, cada um com a sua própria linguagem, com a sua clave, escala e cor. Na primeira parte, cada solo é interrompido pelo seu sucessor; na segunda, cada interrupção é completada pela mesma ordem. (pág. 518)

Só a própria estrutura por si demonstra uma criatividade, um requinte, que logo me seduziu.
Cada personagem vive numa época distinta, desde o século XIX até um futuro distante (depois da Queda da Civilização). Ao longo das histórias das personagens vão aparecendo certas ligações que as unem. Algumas ligações são perceptíveis de imediato, outras estão mais ocultas, puxando pela mente do leitor.

As histórias que as personagens nos contam são o pano de fundo para algo maior; algo que está sempre presente e algo que pode levar a graves problemas.

Cloud Atlas fala-nos dos perigos da ganancia, da sede de poder, das atitudes e ações para com os outros que geram algo no futuro. Cloud Atlas dá a entender que as personagens vão reencarnando umas nas outras, sendo as mesmas ao longo da história.

É verdade, os Antigos dominaram doenças, dominaram as sementes e fizeram acontecer milagres, mas não dominaram uma coisa: uma fome nos corações humanos, sim, uma fome de MAIS! (pág. 326)

Ao longo das histórias é possível observar a sociedade. O que está presente na história de Adam Ewing está também na de Zachry, muitos séculos depois. O mal, as más ações, vinganças, terrores, crueldade, ganancia, leva, em Cloud Atlas, à extinção da Civilização e ao recomeço das tribos e do canibalismo. Ou seja, é como se tudo por que a Humanidade tenha lutado ao longo dos tempos fosse destruído por essa mesma Humanidade, que se consome a si própria através das suas ações que despoletam algo no presente e no futuro, algo que a destrói.

Não sei se agrada a todos, mas eu gostei muito. Não é uma leitura fácil. David Mitchell consegue criar personagens muito diferentes, com características diferentes, mesmo a nível de escrita e de linguagem, que levam a que seja necessário estar com atenção às nuances e subtilezas da riqueza destas características.

Toda a história é uma critica à sociedade. É uma critica ao que a Humanidade tem vindo a fazer na Terra. Existem muitas histórias sobre catástrofes e acontecimentos dantescos. Esta história não é sobre nada disso, mas sim sobre uma possível realidade, que poderia acontecer com o passar do tempo. Os avanços científicos, as questões governamentais, o Poder, o dinheiro, as mudanças sociais, o consumismo, tudo isso está presente ao longo da história e tudo isso é real. Esta história é sobre as ações do Homem sobre si mesmo. É como que um ciclo que se renova; como que um sistema. É possível encontrar isso na subtil referencia à reencarnação e também noutras partes da história, onde a renovação da matéria está presente (matéria física, espiritual e ideológica/mental).

As histórias são muito boas, bem construídas. Personagens bem construídas, também. Uma música, um mapa das nuvens.

Aconselho vivamente. Pelo prazer da leitura, pelo prazer de algo mais filosófico e critico. Pelo prazer de ler um bom livro: diferente, original e muito, muito bom.

Não conhecia este livro. Vi primeiro o filme, como já postei aqui no Blog
É um filme muito bom, bastante estonteante e até complexo, que tem uma beleza infinita. 
É ligeiramente diferente do livro. Gostei imenso, imenso do livro, no entanto existem certos momentos da história em que prefiro o filme, talvez por ser mais visual, talvez por ter gostado muito das imagens do filme. Sinceramente não compreendo como pode não estar nomeado para os Óscares. Provavelmente por causa da mensagem que transmite.  O trabalho fotográfico e da maquilhagem é fantástico. Os atores estão muito bem "disfarçados". É fabuloso. Há diferenças no desenrolar dos acontecimentos entre o livro e o filme, não que as considere negativas. Não são muitas as vezes em que tendo a achar que o filme é um pouco melhor. Acontece isso com Cloud Atlas. Também acontece com a Invenção de Hugo. Em ambos, penso que tal acontece, tal como disse, por causa do efeito visual. 


Os sábios encontram movimentos nas histórias e formulam esses movimentos como regras que governam a ascensão e a queda das civilizações. Eu, pelo contrário, penso que a história não admite regras, mas só efeitos. 
O que é que causa os efeitos? Ações más e ações boas.
O que é que causa as ações? As convicções. 
A convicção é ao  mesmo tempo o prémio e o campo de batalha, dentro do espírito e no espelho do espírito que é o mundo.

(...)

E só com o teu último suspiro é que hás de perceber que a tua vida não é mais que uma gota num oceano sem limites!

E, contudo, o que é o oceano senão uma profusão de gotas?
(pág. 590)

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os Miseráveis

Fui ver este maravilhoso filme.
Já tinha visto a versão de 1998, que muito é do meu apreço. O facto e ir ver este filme como sendo um Musical deixou-me muito curiosa, uma vez que não é um género que me fascine, apesar de gostar imenso de Música. 
Neste filme, posso dizer que o facto de ser Musical só lhe dá mais graça, força, tornando-o épico. Poderei dizer que este é um filme épico? Não sei, mas para mim foi.

Todas as músicas são fantásticas, bem enquadradas e bem cantadas. Os atores cantam e interpretam muitíssimo bem. Todos eles. De especial destaque Hugh Jackman e Anna Hathaway. Também gostei muito de ouvir o Eddie Redmayne, que me fascinou. 

Todas as partes do filme são boas, bem apresentadas. Os cenários são fantásticos, bem como o guarda-roupa. De dar relevância à fantástica cena da barricada e também a mítica cena:

Do you hear the people sing?
Singing a song of angry men?
It is the music of a people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


Ver todas as pessoas a cantar, a manifestar-se, exaltando um desejo comum e grandioso, foi algo que me emocionou. Achei fantástico. E as cores... garridas e vibrantes... dão uma ideia de coragem, audácia e beleza que me fascinou.
Depois existem outras partes igualmente interessantes. Penso que todo o filme é interessante. Até agora foi o melhor Musical que eu já vi. Em segundo lugar está o Sweeney Todd, de Tim Burton, que foi o primeiro Musical que vi. 

Recomendo a todos. Mesmo que não gostem muito de Musicais, não desperdicem a oportunidade de ver um bom filme, bonito, adaptado de um livro bom e grandioso. É uma obra que engrandece o espírito. Ainda não li o livro, mas espero ler em breve, para poder fazer um paralelo entre ambos.  

NOTA (0 a 10): 10 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Os Dragões do Assassino, Robin Hobb

E assim terminei a leitura desta maravilhosa história. Comecei a ler as aventuras do Assassino do Rei já lá vão aí quase cinco anos, aproximadamente.
Acompanhei todas as suas aventuras, todos os seus amores e desgostos. Todas as suas maluquices, todos os seus anseios, todos os seus perigos. 

Robin Hobb escreve de uma forma que nos leva para o interior da história e ainda mais, para o interior do Fitz. É como se eu fosse alguem que andava com ele, como que invisivel, sempre com ele e visse tudo o que lhe ia acontecendo. Mais! Que conseguisse entrar na sua mente e ler-lhe os pensamentos. 
Estabeleci uma ligação extremamente forte com o Fitz. Por tudo o que lhe aconteceu, por ser ele a narrar a sua história ao longo das duas sagas, por tudo, tudo, acho que a ligação que estabeleci com ele foi diferente da que estabeleci com outras personagens que também gosto muito.

O Fitz é uma personagem singular. Não é um herói, mas é um herói. É um herói humano, fiel e tão sozinho, que me despertou logo carinho. É carinho o que sinto por ele. É uma personagem que sofre imenso. Só consigo compará-lo ao Frodo Baggins. Mesmo sofre a níveis psicológicos que não acontecem ao Frodo. 
A amor por Moli é para mim uma as facetas mais belas da história e confesso que foi o que mais depressa me despertou a atenção na primeira saga. Saber o que ele pensava, como agia, porque agia assim. Descobrir com ele os resultados dos seus atos e dos seus enganos e também das suas alegrias, foram momentos únicos. 
E esperei, esperei, esperei pelo seu encontro. 

Mas depois do amor deles começaram a aparecer pontos também interessantes. Toda a intriga, o Bobo. 
E fui lendo, avidamente, a vida de Fitz.
Depois de uma saga que para muitos teve um final um bocado estranho, esta saga tem um final completo. Tudo se explica, apesar de ficar uma sombra no ar, uma sombra que pairará para sempre tanto na vida do Fitz como naquelas de quem leu a sua história. E essa sombra prende-se com o Bobo. 

O Bobo, essa personagem tão interessante, tão estranha, enigmática. A sua história, principalmente neste livro, é surpreendente. É a parte mais forte do livro, se não da saga. Os momentos de assombro passados pelo Fitz e pelo Bobo neste livro são de completo êxtase. Quem gostar de emoções fortes na literatura vai decerto gostar.

Este é um livro com uma forte dose de emoção, aventuras, e encaixe de finais. Tudo flui para algo que fecha um ciclo. Depois de toda a conversa do Bobo sobre mudança e o ciclo do Tempo, este livro abre muitas portas e fecha outras, mostrando-nos a beleza que existe ao longo da narrativa. 

Esta narrativa, de ambas as sagas, é uma narrativa que considero bela. Tem a dose certa de todos os ingredientes. As descrições são oportunas, as personagens também, tudo se encaixa.
E tanta coisa acontece. 

É um final muito bonito para uma história que tanto me fez gritar pelo Fitz. Vivi verdadeiros momentos de suspense e emoção por causa dele. Um final que se adequa às duas sagas. Sempre achei que aquele final da primeira saga não era um final completo. Por favor, quem ficou perturbado pelo final da primeira saga e por isso não experimentou a segunda, volte a trás e dê uma oportunidade ao Fitz. Para quê ficar a meio? Fique a saber a história completa! 

É verdadeiramente uma das minhas sagas favoritas. Não sei decidir qual das duas gosto mais, mas este foi o meu livro preferido desta saga, se não das duas. 

São personagens que irão ficar para sempre no meu coração. 

Recomendo a todos, sem excepção!


"Ainda está nela. Puseste lá as memórias que não suportavas recordar e as emoções que não querias permitir-te sentir. Deste-lhe a tua mãe a abandonar-te, o facto de nunca teres conhecido o teu pai. Deste-lhe o tormento que Majestoso te causou nas masmorras. Deste-lhe, acima de tudo, a dor de perder Moli e a tua filha para Castro, entre todas as pessoas. Puseste nela a tua fúria e a tua dor e a sensação de seres traído." Bobo
  
"(...) Dar-te-ei todos os teus sonhos, se voltares para trás!" O meu sonho estava morto nos meus braços. Continuei a andar. Mulher Pálida e Fitz
  
E Moli...como pudera eu banir o seu cheiro e o seu sabor, mel e ervas, e o modo como o seu riso ressoara como campainhas quando eu perseguira praia fora as saias vermelhas que chicoteavam violentamente as suas pernas nuas enquanto ela corria, ou a sensação do seu cabelo nas minhas mãos, as suas pesadas madeixas a emaranhar-se e prender-se na pele áspera das minhas palmas? ... Fitz 

"Lembro-me de ti de saia vermelha. Subias as falésias à minha frente e eu vi-te os tornozelos nus e cheio de areia. Julguei que o coração me ia saltar do peito." Perguntei a mim próprio se ela sequer se lembraria do distante piquenique em que eu nem me atrevera a beijá-la. Fitz

 "Nas costas," disse eu e, contra a minha vontade, a voz tremeu-me. Ela parou e olhou-me. Fitz

Nota (0 a 10): 10

domingo, 30 de dezembro de 2012

Os que gostei mais

E então mostro-vos o meu top 6! Porque top 3 era pouco, porque não dava para ser só 3!

Ora aqui está:


Se tivesse terminado o livro que estou a ler de momento, talvez o top não fosse este, especialmente o segundo lugar, mas são suposições. 

E vocês? Quais foram os vossos favoritos?

Bom Ano!!!

Go out in the early days of winter, after the first cold snap of the season. Find a pool of water with a sheet of ice across the top, still fresh and new and clear as glass. Near the shore the ice will hold you. Slide out farther. Farther. Eventually you'll find the place where the surface just barely bears your weight. There you will feel what I felt. The ice splinters under your feet. Look down and you can see the white cracks darting through the ice like mad, elaborate spiderwebs. It is perfectly silent, but you can feel the sudden sharp vibrations through the bottoms of your feet.
That is what happened when Denna smiled at me. 

The Name of the Wind (O Nome do Vento), Patrick Rothfuss

Os que menos gostei

Eu não costumo ler por ler. Eu costumo ler aqueles livros que sei que há partida vou gostar, por isso é dificil construir um top com aqueles que menos gostei. 
Porém, há sempre alguns livros de que se gosta menos e então não farei um top dos piores livros nem nada disso. 
Este é um top 3 daqueles que menos gostei, por vários motivos. 


Podem ler as minhas opiniões ao carregarem nos links! =)

E de seguida! 
Os melhores do ano!

2012 em livros









Estes são os livros que li durante este ano.
Leram alguns destes? Digam o que acharam!
Estou à vossa espera.

A seguir farei um post com os que para mim foram os melhores, talvez em top 5 e os que menos gostei!

Boas Leituras e Boas Entradas!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Selo - Incentivo à leitura

Recebi este selo do Blog Páginas Soltas! Muito obrigada =)


As regras são:

1 - Indicar 10 blogs para receberem o Selo (é proibido apenas deixar para quem quiser pegar sem indicar 10 blogs);
2 - Avisar os blogs escolhidos;
3 - Colocar a imagem no blogue para apoiar a campanha;
4 - Responder à pergunta: Qual livro indicaria para alguém começar a ler?

Os blogs:

Os devaneios da Jojo

Ler y Criticar
O Labirinto dos Livros
A Magia dos Livros
Chaise Longue
Pedacinho Literário
Stuff *  O Meu Mundo
Os Livros de Lars
As Histórias de Elphaba
O tempo entre os meus livros

Resposta à pergunta:

Depende da pessoa, mas Harry Potter e a Pedra Filosofal seria a minha escolha mais imediata.