terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Os Dragões do Assassino, Robin Hobb

E assim terminei a leitura desta maravilhosa história. Comecei a ler as aventuras do Assassino do Rei já lá vão aí quase cinco anos, aproximadamente.
Acompanhei todas as suas aventuras, todos os seus amores e desgostos. Todas as suas maluquices, todos os seus anseios, todos os seus perigos. 

Robin Hobb escreve de uma forma que nos leva para o interior da história e ainda mais, para o interior do Fitz. É como se eu fosse alguem que andava com ele, como que invisivel, sempre com ele e visse tudo o que lhe ia acontecendo. Mais! Que conseguisse entrar na sua mente e ler-lhe os pensamentos. 
Estabeleci uma ligação extremamente forte com o Fitz. Por tudo o que lhe aconteceu, por ser ele a narrar a sua história ao longo das duas sagas, por tudo, tudo, acho que a ligação que estabeleci com ele foi diferente da que estabeleci com outras personagens que também gosto muito.

O Fitz é uma personagem singular. Não é um herói, mas é um herói. É um herói humano, fiel e tão sozinho, que me despertou logo carinho. É carinho o que sinto por ele. É uma personagem que sofre imenso. Só consigo compará-lo ao Frodo Baggins. Mesmo sofre a níveis psicológicos que não acontecem ao Frodo. 
A amor por Moli é para mim uma as facetas mais belas da história e confesso que foi o que mais depressa me despertou a atenção na primeira saga. Saber o que ele pensava, como agia, porque agia assim. Descobrir com ele os resultados dos seus atos e dos seus enganos e também das suas alegrias, foram momentos únicos. 
E esperei, esperei, esperei pelo seu encontro. 

Mas depois do amor deles começaram a aparecer pontos também interessantes. Toda a intriga, o Bobo. 
E fui lendo, avidamente, a vida de Fitz.
Depois de uma saga que para muitos teve um final um bocado estranho, esta saga tem um final completo. Tudo se explica, apesar de ficar uma sombra no ar, uma sombra que pairará para sempre tanto na vida do Fitz como naquelas de quem leu a sua história. E essa sombra prende-se com o Bobo. 

O Bobo, essa personagem tão interessante, tão estranha, enigmática. A sua história, principalmente neste livro, é surpreendente. É a parte mais forte do livro, se não da saga. Os momentos de assombro passados pelo Fitz e pelo Bobo neste livro são de completo êxtase. Quem gostar de emoções fortes na literatura vai decerto gostar.

Este é um livro com uma forte dose de emoção, aventuras, e encaixe de finais. Tudo flui para algo que fecha um ciclo. Depois de toda a conversa do Bobo sobre mudança e o ciclo do Tempo, este livro abre muitas portas e fecha outras, mostrando-nos a beleza que existe ao longo da narrativa. 

Esta narrativa, de ambas as sagas, é uma narrativa que considero bela. Tem a dose certa de todos os ingredientes. As descrições são oportunas, as personagens também, tudo se encaixa.
E tanta coisa acontece. 

É um final muito bonito para uma história que tanto me fez gritar pelo Fitz. Vivi verdadeiros momentos de suspense e emoção por causa dele. Um final que se adequa às duas sagas. Sempre achei que aquele final da primeira saga não era um final completo. Por favor, quem ficou perturbado pelo final da primeira saga e por isso não experimentou a segunda, volte a trás e dê uma oportunidade ao Fitz. Para quê ficar a meio? Fique a saber a história completa! 

É verdadeiramente uma das minhas sagas favoritas. Não sei decidir qual das duas gosto mais, mas este foi o meu livro preferido desta saga, se não das duas. 

São personagens que irão ficar para sempre no meu coração. 

Recomendo a todos, sem excepção!


"Ainda está nela. Puseste lá as memórias que não suportavas recordar e as emoções que não querias permitir-te sentir. Deste-lhe a tua mãe a abandonar-te, o facto de nunca teres conhecido o teu pai. Deste-lhe o tormento que Majestoso te causou nas masmorras. Deste-lhe, acima de tudo, a dor de perder Moli e a tua filha para Castro, entre todas as pessoas. Puseste nela a tua fúria e a tua dor e a sensação de seres traído." Bobo
  
"(...) Dar-te-ei todos os teus sonhos, se voltares para trás!" O meu sonho estava morto nos meus braços. Continuei a andar. Mulher Pálida e Fitz
  
E Moli...como pudera eu banir o seu cheiro e o seu sabor, mel e ervas, e o modo como o seu riso ressoara como campainhas quando eu perseguira praia fora as saias vermelhas que chicoteavam violentamente as suas pernas nuas enquanto ela corria, ou a sensação do seu cabelo nas minhas mãos, as suas pesadas madeixas a emaranhar-se e prender-se na pele áspera das minhas palmas? ... Fitz 

"Lembro-me de ti de saia vermelha. Subias as falésias à minha frente e eu vi-te os tornozelos nus e cheio de areia. Julguei que o coração me ia saltar do peito." Perguntei a mim próprio se ela sequer se lembraria do distante piquenique em que eu nem me atrevera a beijá-la. Fitz

 "Nas costas," disse eu e, contra a minha vontade, a voz tremeu-me. Ela parou e olhou-me. Fitz

Nota (0 a 10): 10

4 comentários:

  1. Eu nomeei este como um dos melhores livros que li no ano passado.
    Leitura épica mesmo.

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    1. Eu não pude fazer o mesmo porque acabei hoje, se não tinha sido o primeiro do top.
      Não podia ter sido melhor!

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  2. Olá,

    Ainda não tive a oportunidade de ler, mas está para breve, dai não ter lido o teu comentário, mas sei que gostaste....Depois falamos :D

    BJS

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    1. Olá!

      Ah, muito bem, então fico à espera. :D

      Bjs

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