segunda-feira, 18 de julho de 2016

O Herói das Eras - Parte II, de Brandon Sanderson

Sinopse:

O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?

Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?

Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afetam até a sociedade dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga. (in Saída de Emergência)



Opinião:

Nesta segunda parte do terceiro volume da saga Mistborn - Nascida nas Brumas, encontramos as personagens separadas em diferentes locais, novamente como na parte anterior. A ação retoma logo nos momentos mais interessantes da parte anterior, o que é excelente, pois dá logo um empurrão ao leitor para dentro desta fantástica história. 

As personagens continuam no seu melhor, se bem que posso dizer...que ainda estão melhor e mais interessantes do que nos livros anteriores! A sua complexidade é enorme, e tudo está em mudança. Tendo em conta as mudanças no mundo criado pelo autor, era de esperar as alterações que as personagens vão sofrendo. Vin continua a ser uma lutadora e uma rapariga cheia de artimanhas; Elend continua honrado, mas mais firme; Brisa, Sazed e todos os outros continuam em excelente forma. 

Mas houve um que me continuou a surpreender ainda mais: o Susto. O Susto foi a personagem que mais me espantou e agradou ao longo desta parte e já da primeira também, porque foi a que teve um maior desenvolvimento e evolução. Também gostei de ver as duas forças em ação: Ruína e Preservação. Dão um ambiente muito envolvente ao enredo, apesar de Preservação aparecer mais nos inícios de capítulos, que são muito interessantes e reveladores. 

A história continua densa e complexa, repleta de aventuras e muitas emoções. Num clima de grande tensão e mistério, o enredo vai-se fechando, fechando. fechando até criar um todo muito bem imaginado e delineado desde o início, pois é possível constatar que tudo foi escrito e criado com um propósito bem definido. A alomância e todos os mistérios que o autor criou continuam a ser ingredientes muito bem conseguidos. 

A escrita continua a ser muito fluída e cheia de entusiasmo. Existe um clima de tensão que o autor consegue colocar por palavras de um modo excelente. As descrições, tanto dos locais, das personagens, como das ações, estão muito bem, sendo possível visualizar tudo. Os diálogos continuam cheios de vivacidade e interesse. 

Ou seja, Sanderson criou um mundo credível, cheio de magia, inteligente, complexo e original. Não se compara a outros mundos criados dentro do género Fantástico, o que a meu ver é excelente, porque é uma lufada de ar fresco. Também criou personagens memoráveis e inteligentes, com histórias intrigantes por trás. As ligações que são estabelecidas entre as personagens e entre estas e o enredo, dão coerência e coesão a toda a história e universo criado pelo autor. Aqui está uma história rica, cheia de emoção, original, muito bem escrita. Depois de concluída a trilogia, posso afirmar que Mistborn - Nascida nas Brumas é excelente e que vou querer ler mais livros do autor. 

Em suma, recomendo a todos os que gostam de história boas, com qualidade e complexidade. Para quem é fã deste género então é altamente recomendável. Apostem nestes livros, porque são excelentes! Mais uma vez, há que mencionar o excelente design gráfico tanto da capa como do interior do livro. 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 12 de julho de 2016

Fool's Assassin, de Robin Hobb

Sinopse:

Vários anos depois dos acontecimentos passados na trilogia (por cá com cinco livros) O Regresso do Assassino ou em inglês Tawny Man, Robin Hobb traz-nos uma nova aventura destas personagens tão amadas: FitzCavalaria e o Bobo.

Depois de ter casado com Molly e de ter ido viver para Wittywoods, Fitz está satisfeito com o que tem: uma família, uma casa, paz, sossego e amor. Até que, durante a Festa de Inverno, aparecem uns estranhos na sua casa, bem como uma mensageira que desaparece misteriosamente, deixando um rasto de sangue. Dos estranhos também nada descobre, mas a dúvida fica lá e durante muitos anos nada de extraordinário acontece, a não ser o nascimento de Abelha, filha de Fitz e Molly, que todos pensavam ser impossível. Muito pequena, pálida e loura, Abelha cedo demonstra ser um bebé diferente: silenciosa, apática e estranha. Os criados começam a ter medo dela, bem como pena e à medida que ela vai crescendo, mais devagar do que normalmente para uma criança, todo o pessoal da casa a ostraciza e teme, excepto os pais e irmãos, que a amam imenso, mas pensam ser também diferente ou com algum problema.

Mas Abelha é muito mais do que aquilo que todos pensam ser e quando aparece uma nova mensageira, muitos anos mais tarde, com uma mensagem do Bobo, Fitz tem que decidir entre proteger a sua filha e educá-la e ajudar o seu amigo de sempre.



Opinião:

É com enorme gosto e prazer que leio os livros desta autora. Mergulhar neste mundo criado por Robin Hobb é como voltar atrás no tempo e percorrer os caminhos de Fitz desde pequeno. É relembrar a sua história e as suas aventuras, bem como a história dos Seis Ducados. Não é segredo nenhum que estes são dos meus livros favoritos e o Fitz é das minhas personagens favoritas, se não a favorita. Portanto, não podia deixar de gostar deste livro, que inicia uma nova trilogia.

Este é o outro livro mágico e maravilhoso em que Fitz volta a ser o narrador da sua história de vida. Mais velho, mas nada diferente daquilo a que nos foi habituando, Fitz regressa em grande, com um dilema bem diferente e difícil para resolver. Não posso dizer que as personagens estão mais maduras, porque depois de dez livros, todas as personagens já amadureceram bastante e Fitz continua o mesmo "rapaz" de sempre, um tanto confuso, mas fantástico e que só dá vontade de abraçar. Agora é um homem feito, de cinquenta e tal anos, mas continua com a sua personalidade única.

Quanto às outras personagens, todas continuam no seu melhor: Molly está como sempre esteve, calma e doce; Breu continua o mesmo intriguista e sabichão; Urtiga continua inteligente e cheia de astúcia, apenas para mencionar algumas das personagens. E depois temos as novas personagens, em especial Abelha. Gostei imenso dela. Diferente, realmente, mas com uma história grande, Abelha é única, especial e tem alguns capítulos só seus, em que é a narradora e onde mostra a sua maneira de ser e estar. 

O enredo é muito interessante. A história desenrola-se calmamente, pelo menos até dado momento. Com um principio cheio de ação, um meio mais calmo e um desenlace cheio de surpresas e emoções, esta nova aventura dá-nos uma perspetiva mais quotidiana da vida do Fitz e de Abelha, principalmente. No entanto, existem momentos de grande emoção, como que uma espiral de acontecimentos que dão sentido a todas as partes mais calmas da história. Gostei da forma como a autora foi conduzindo o enredo: ao seu ritmo, sem pressas, com muita delicadeza e harmonia, terminando num momento alto e de grande sentimento. Penso que, pelo facto dos livros anteriores publicados cá em Portugal terem sido divididos, nunca me tinha apercebido totalmente da organização da autora, que é muito semelhante em todos os livros que tenho lido dela.

A escrita continua a ser maravilhosa. Hobb conta uma história como uma autêntica contadora de histórias de antigamente, quando a oralidade era mais relevante do que a escrita, nos começos de tudo. Pode parecer estranho começar o parágrafo a escrever sobre escrita e ir para a oralidade e para um período em que esta não tinha tanto relevo ou não era tão reconhecida, mas a analogia é verdadeira. Estar a ler o livro é como se estivesse a ouvir a autora a contar a história, tal não é a proximidade, beleza e envolvimento criado pela autora.

As descrições continuam fabulosas, os pormenores são riquíssimos e muito bem colocados. Tudo está colocado no seu devido lugar. Não existem pontas soltas, nem nada do género. Existe sim um belo mistério para resolver.

Só posso recomendar a leitura deste livro. Para quem ainda não leu nada da autora, recomendo que comece com a saga Aprendiz de Assassino, publicada cá pela Saída de Emergência. Para quem já leu esses todos, acho que devia continuar a ler esta autora. Gostava muito que a editora continuasse a publicar por cá.

Citações (as traduções são feitas por mim):

Molly, just to have you sleep beside me every night is the fulfilment of my dream of years. (Molly, ter-te a dormir comigo todas as noites é a realização do meu maior sonho.)

You'll do well, if you don't mire in self-pity. Self-pity only gets you more of the same. Don't waste time on it. (Vais conseguir, se não passares o tempo a ter pena de ti mesmo. Isso só traz mais do mesmo.)

A secret is only yours so long as you don't share it. Tell it to one person, and it's a secret no more. (Um segredo só é teu enquanto não o partilhares. Conta-o a uma só pessoa e deixa de ser segredo.)

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Resultado do passatempo O Grito da Terra, de Sarah Lark (Marcador)

Já há vencedor/a do passatempo que esteve aqui a decorrer no blog até ontem! Obrigada à Marcador Editora e a todos os que participaram! Continuem a ser seguidores, porque haverá mais passatempos e posts sobre as leituras. 

E o/a vencedor/a é:



59 - Paulo Dores

Parabéns ao vencedor, que será contactado por e-mail. 


sábado, 9 de julho de 2016

Sedução de Seda, de Loretta Chase

Sinopse:

O apelo do vestido perfeito consiste em duas partes: as senhoras devem desejar vesti-lo, e os senhores devem desejar despi-lo.

A ambiciosa e talentosa modista Marcelline Noirot é uma estrela em ascensão na chique cidade de Londres. E quem melhor beneficiaria do seu talento, se não a dama mais mal vestida de Londres, a noiva do duque de Clevedon? Conseguir o mecenato da futura duquesa significaria mais prestígio e fortuna para Marcelline e para a sua família. Para chegar até ela precisaria, contudo, de atrair as atenções do duque, um cavalheiro cujos padrões de estética são elevados, mas os padrões morais...já não. 

Parece valer a pena. No entanto, quando Marcelline se encontra com ele, Clevedon projeta uma sedução tão irresistível como os vestidos que ela costura e cria, o que começa por se apenas uma faísca de desejo, depressa se torna num delicioso inferno... e um ardente escândalo. Será suficiente os seus destinos estarem apenas suspenso por um fio de seda? ( in Saída de Emergência)



Opinião:

Há bastante tempo que andava de olho neste livro, tanto pela sinopse como pela capa, que é absolutamente soberba. Quero desde já agradecer à Edições Saída de Emergência pela oportunidade de ler este livro.

Com personagens frescas e interessantes, um enredo muito bem concebido e boas reviravoltas, encontrei neste livro uma autêntica lufada de ar fresco dentro do género. É um bom romance, com toques de erotismo e sedução, mas também de grande engenharia mental por parte das personagens femininas, em especial de Marcelline, que se mostrou uma personagem fantástica graças à sua inteligência, argucia e sedução. Também gostei muito de Clevedon, muito original. 

O enredo é bastante dinâmico e interessante, uma vez que aborda o mundo dos negócios da moda do século XIX, um dos séculos onde a roupa foi mais bela, na minha opinião. É a primeira vez que leio um livro deste género e fiquei muito agradada. Gostei da forma como a autora introduziu a história e como a conduziu, interligando o romance com costumes da época e os negócios. Numa época em que as mulheres não eram grandes empreendedoras, mas em que a moda era essencial e especial, principalmente na alta sociedade, esta história consegue transformar os negócios em algo mais: um mundo de intriga, sedução e romance, onde vale tudo para alcançar o sucesso e obter as melhores e mais distintas clientes. 

Gostei imenso da escrita da autora, tanto a nível de linguagem como condução da ação. Os diálogos são inteligentes e divertidos, sempre com muito sarcasmo e ironia; as descrições são soberbas, principalmente a nível dos vestidos e tudo o que lhes está relacionado, como tecidos e cores; as personagens estão bem construídas; a própria escrita (sem ser nos diálogos) é bastante sarcástica em alguns momentos, havendo uma grande preocupação em apresentar as diferenças entre as classes sociais da época (que muito continuam a ser parecidas nos dias de hoje). 

Marcelline consegue ter sempre uma excelente crítica a apontar a Clevedon em relação ao snobismo da alta sociedade em relação à burguesia. Tendo em conta a importância cultural e económica que a burguesia trouxe à sociedade desde que teve o seu desenvolvimento, é com grande interesse que se acompanha estes diálogos e descrições, uma vez que são verdadeiros: a alta sociedade, a nobreza, antes da Revolução Francesa, e até depois, nada fazia para contribuir ativamente para a sociedade ou economia, a não ser para dar festas e organizar outros eventos, sendo sim burguesia a grande ativista e mecanismo de avanço social e económico. 

Como não aprecio muito romances lamechas, achei este muito interessante, fresco e inteligente. Não há momentos parados, uma vez que a história é bastante dinâmica. Há todo um conjunto de excelentes ingredientes literários, tais como: romance, sedução, erotismo, intriga e ação. Recomendo a todos os que gostam deste género literário, uma vez que é excelente! Vou querer acompanhar esta fantástica trilogia!

Quero ainda enaltecer o design gráfico do livro, pois está maravilhoso: a capa é linda, os pormenores são magistrais! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 26 de junho de 2016

Passatempo O Grito da Terra, de Sarah Lark (Marcador)

Preparados para mais um passatempo aqui no Blog?

Pois bem, em parceria com a Marcador, vai estar a partir de hoje e até 10 de julho a decorrer um passatempo com o livro O Grito da Terra, da autora Sarah Lark. O meu obrigado à Editora Marcador por esta oportunidade.

É um livro que dispensa apresentações, mas que volto a referir, é maravilhoso. Podem ler a opinião aqui

Sinopse:

A infância de Gloria acaba abruptamente quando a família decide enviá-la para um internato na Grã-Bretanha com a prima Lilian. Embora Lilian se adapte muito bem aos costumes que regem o Velho Mundo, Gloria deseja voltar a todo o custo à terra que a viu nascer, e para o conseguir elabora um plano audacioso.

O sentimento profundo que a impede de regressar a casa vai marcar o seu destino e transformar Gloria numa mulher bem mais forte.

Com O Grito da Terra, Sarah Lark encerra a Trilogia da Nuvem Branca. Nas suas páginas assistimos ao desenrolar da história de amor, das aventuras, do exotismo e da paixão de várias gerações das famílias Warden e O'Keefe. (in Marcador)




Para participar é preciso:

Ser seguidor do Blog;
Preencher todos os campos do formulário.

Regras:

Participar até às 23h59 do dia 10 de julho de 2016;
Ser residente em Portugal;
Só é aceite uma participação por pessoa/morada;
Haverá apenas um vencedor, que será apurado através do site random.org;
O Blog não se responsabiliza por possíveis falhas/extravios dos correios.

Conto com as vossas participações! 


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Trono de Vidro, de Sarah J. Maas

Sinopse:

Depois de cumprir um ano de trabalhos forçados nas minas de sal de Endovier, a contas com os seus crimes, a assassina Celaena Sardothien é levada até à presença do príncipe herdeiro. Ele oferece-lhe a possibilidade de conquistar a sua liberdade, com uma condição: Celaena tem de aceitar representá-lo, como seu campeão, numa competição cujo vencedor terá o estatuto de novo assassino da Coroa.

Os oponentes que terá de defrontar são ladrões, assassinos e guerreiros vindos de todos os cantos do império. Cada um deles é patrocinado por um membro do Conselho do Rei. Celaena exulta com os desafios e com as sessões de treino ao lado do capitão da Guarda, Chaol Westfall. No entanto, a vida da Corte não a poderia entediar mais. Mas tudo fica mais interessante e ganha nova emoção quando o príncipe começa a demonstrar um inesperado interesse por ela...mas é o austero capitão Westfall quem melhor a consegue compreender.

Durante a competição, um dos concorrentes é encontrado morto...e logo outros se lhe seguem. Ao embrenhar-se numa investigação solitária, Celaena alcança descobertas surpreendentes. Conseguirá ela descobrir quem é o assassino antes de se tornar na próxima vítima?

Em Trono de Vidro, a luta de Celaena pela liberdade torna-se numa luta pela sobrevivência e numa jornada inesperada para expor um mal antes de que este destrua o seu mundo. (in Marcador)




Opinião:

Este é um dos livros que mais esperava para ler. Muitas opiniões boas, uma sinopse interessante, uma capa linda...tudo a querer dizer que aqui estava uma excelente leitura. 

Pois bem, Trono de Vidro é, de facto, uma excelente leitura! É um dos livros do género Fantástico que mais me agradou ultimamente, por múltiplos fatores. 

As personagens estão excelentes. Se bem que, tirando Celaena Sardothien, não existam personagens muito complexas e intrigantes, Celaena vale por várias outras personagens. Assassina, prisioneira, muito jovem, Celaena tem um passado misterioso, é inteligente e um papel bastante precário: tem de vencer uma competição repleta de soldados, assassinos e ladrões, que competem para serem o campeão do rei, rei esse cuja personalidade é bastante violenta. Muito engraçada, jovial, guerreira, a jovem assassina estabelece logo de início uma ligação de empatia com o leitor e isso é bom. Também gostei do príncipe Dorian e do capitão da guarda, Chaol, que se tornam bastante próximos dela. 

Em relação ao enredo, este é interessante, com muita ação, humor, mistério, intriga e perigos à mistura. Estava com algum receio de que tudo girasse em torno da competição, parecendo um pouco Rainha Vermelha ou Os Jogos da Fome, mas nada disso (eu gosto dos livros que mencionei, atenção!, só que gosto de ver as narrativas e os seus contextos diferentes uns dos outros). A narrativa parte pela narração do dia a dia de Celaena no castelo de Adarlan, continuando nessa linha. Logo começam os mistérios, as intrigas entre personagens, e as manifestações do passado, que muito me interessaram porque demonstram uma grande capacidade de imaginação e criação da autora. O ambiente de mistério e magia está excelente e deixa o leitor imensamente intrigado e a querer saber mais! 

A escrita é extremamente fluída e agradável. Gostei da forma realista, assertiva e direta com que a história é narrada. Dá um ar descontraído, mas cria um clima de proximidade. 

Também gostei muito das descrições. O castelo de Adarlan é magnífico. Todo de vidro, excepto a base, com o trono também de vidro e um ambiente encantador, é um local muito bem descrito e imaginado. É fácil encontrar-mo-nos lá no meio de toda aquela corte e de todo aquele belíssimo cenário. São descrições pertinentes, bem elaboradas e nada extenuantes. 

Aqui está uma bela história, um belo livro de Fantasia. Tem uma premissa interessante, que não se deixa antever muito neste primeiro volume, mas que só faz com que ainda se tenha mais curiosidade para ler o seguinte! Portanto, recomendo a todos os que gostam de uma boa história! Espero que a Marcador continue a apostar na autora e fazer um belo trabalho gráfico.

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 7 de junho de 2016

Príncipe dos Espinhos, de Mark Lawrence

Sinopse:

Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o principe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados. 

De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.

Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no sei de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-los de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.

Finalista do prémio Goodreads para Melhor Livro Fantástico e considerado por Peter V. Brett, autor do bestseller do New York Times, como a melhor leitura dos últimos anos. (in Topseller)


Opinião:

Quando vi a Topseller a apostar neste livro pensei logo: "Muito bem! Aí está uma trilogia que tenho imensa curiosidade em ler!". E ainda bem que apostou!

Já li muitas opiniões sobre o livro, umas a dizer muito bem, outras a dizer o contrário. Mas na minha opinião, achei o livro bastante interessante.

Primeiro, a personagem principal, o narrador: Jorg. É uma espécie de vilão (a ver bem, todos no livro poderiam sê-lo), tendo em conta as suas atitudes e pensamentos, mas é bem complexo. Com apenas 9 anos, Jorg assiste ao assassinato da sua mãe, a rainha, e do seu irmão mais novo, à mercê das ordens do conde de Renar. Salvo pelo guarda que ia com ele na carruagem, Jorg cai dentro de um espinheiro e fica lá até ser encontrado, completamente preso e quase sem sangue. Depois de meses de tratamentos contra o veneno do espinheiro e para sarar as feridas, Jorg emerge dos seus delírios, completamente diferente daquilo que era anteriormente. Cheio de ódio e sedento de vingança, Jorg acorda para vingar os seus, juntando-se a um bando de mercenários.

Assim começa a demanda de Jorg, que vai mudando ao longo do livro, para depois voltar ao início. Ele tem ideias más, corruptas, assassinas, que aproveita para o fazer chegar ao poder e alcançar o seu objetivo. No tempo presente do livro (existem momentos em que Jorg relata aventuras passadas e momentos em que narra o presente), Jorg tem 14 anos. 

Existem outras personagens: membros da Irmandade (o grupo de mercenários), o capitão da guarda de Ancrath (Sir Makin), o rei (Olidan Ancrath), a rainha, a irmã da rainha (tia de Jorg, Katherine), bruxos, entre outras. Uma das coisas que podia estar melhor é precisamente o facto das personagens secundárias estarem pouco desenvolvidas. Quase não há nada que as descreva ou que aborde o seu passado e mesmo as pequenas introduções antes de cada capítulo não dão muitos detalhes sobre as personagens, e muitas dessas introduções são sobre algumas dessas personagens. 

Segundo, o enredo. A história tem uma boa premissa. Tem um começo forte e tem um objetivo: a vingança de Jorg. Gostei da história. Gostei da forma como é narrada, Jorg é um excelente narrador, muito adulto, com um vocabulário rico e expressões com humor e ironia. É uma narrativa de aventuras, em que as personagens têm vários obstáculos para ultrapassar para conseguir os seus objetivos, o que faz com que seja uma história cheia de ação e aventuras. Não há momentos parados, está sempre tudo em movimento e muitas vezes acaba por ser demasiado depressa. 

Penso que o livro podia ser maior e haver mais calma na narrativa, tanto a nível do desenvolvimento das personagens, como da própria história. 

Terceiro, o contexto. Nesta trilogia a história passa-se no nosso mundo, mas num futuro pós-apocalíptico. Existem imensas referências a ter em conta, uma vez que nada está explicito. Há robots, aparelhos elétricos, estradas, edifícios altos, e outras tantas dicas que nos deixam a pensar no no que poderá ter acontecido, se bem que nada é referido. Também há referência a países e terras existentes e a outras imaginadas, bem como culturas verdadeiras e outras imaginadas. Em termos de religião, é o Cristianismo. Há também uma grande dose de magia, mais nas partes finais, que tem potencial.

Também neste ponto penso que poderia haver um maior desenvolvimento. O autor podia ter escrito mais sobre o contexto e a sua História. Mas está muito interessante e diferente. 

Gostei da escrita, das personagens, do contexto...enfim, de tudo. Na minha opinião a história e as personagens mereciam mais detalhes e um livro mais extenso. Como este é o primeiro volume, pode ser que nos próximos haja maior desenvolvimento a estes níveis e espero que mantenha a ação ou que ainda melhore! Recomendo a todos os que gostam de um bom livro deste género! E não tenham medo da história, existem romances muito mais violentos...não li, mas As Cinquenta Sombras de Grey deve ter um conteúdo mais violento a nível sexual e moral do que este. 

NOTA (0 a 10):