domingo, 27 de Julho de 2014

Divulgação - Encontro em Itália, de Liliana Lavado (Editora Marcador)

Mais uma novidade Marcador!

Sinopse:

Encontro em Itália revela a história de dois amigos de Infância. Henrique e Sara que pouco têm em comum, para além de uma paixão por livros e uma amizade que ambos já deram como perdida.
Após vários anos afastados, ele é agora um estudante finalista de Literatura Inglesa que olha com receio os dias fora das paredes seguras da Universidade e ela uma aspirante a escritora que se esvanece no tumulto de um grupo de amigos problemáticos.
Durante uma viagem a Itália, que tem tudo para ser perfeita, vão encontrar um livro misterioso, um gato com um estranho sentido de humor e uma inesperada aventura que os volta a juntar no mesmo caminho. Henrique e Sara podem ter encontrado um no outro o pretexto que tanto procuravam para adiar decisões e contornar o futuro.
(conforme o texto presente no site da editora)

Notas Editoriais: 
Autor: Liliana Lavado
Editora: Marcador
Nº de páginas: 488
Preço: 17,50 euros

Para mais informações, visitem o site da editora.

Divulgação - O Espião Que Devia Ter Morrido, de Agente Kasper e Luigi Carletti (Editora Marcador)


Está à venda há algumas semanas!


Sinopse:


«O Inferno existe e eu estive lá.». É com estas palavras que o Agente Kasper ‒ um ex-carabiniere que se tornou agente dos serviços secretos italianos e, depois, do ROS (Raggruppamento Operativo Speciale), o único órgão policial em Itália com competência para investigar o crime organizado e o terrorismo ‒ começa a contar a sua história a Luigi Carletti.
O que o Agente Kasper descobriu com a sua investigação meticulosa era demasiado importante e demasiado grave: milhões e milhões de dólares em notas de 100, impressas fora do território americano. As supernotes.
O Espião Que Devia Ter Morrido é narrado com o ritmo e a força de uma fulgurante história de espionagem que tece e revela páginas inéditas da história recente.
(conforme sinopse presente no site da editora)

Notas Editoriais: 

Autores: Agente Kasper e Luigi Carletti
Editora: Marcador
Nº de páginas: 390
Preço: 18,50 euros

Para mais informações, podem consultar o site da Marcador.

sábado, 26 de Julho de 2014

No País da Nuvem Branca, de Sarah Lark

Este livro foi uma excelente surpresa. Desde que a Editora Marcador o deu a conhecer, fiquei encantada com a sua sinopse e com a capa, que a meu ver é bastante bonita. Assim, depois de ter estado na estante durante uns tempinhos, decidi lê-lo. Obrigada Marcador! E posso dizer que fiquei muito, muito satisfeita. No País da Nuvem Branca é um romance muito interessante. É uma saga familiar, que abarca um período de cerca de vinte anos da vida das personagens. 


Tudo começa quando Helen Davenport, professora particular na casa dos Greenwood, lê um anúncio no jornal da igreja em que se propõe a ida de jovens casadoiras para a Nova Zelândia, a fim de formar família e, assim, ajudar a colonizar as ilhas. Helen decide arriscar e quando um homem lhe envia uma carta muito bem escrita, através da responsável pela “expedição das noivas”, Helen decide partir para conhecer o seu futuro esposo. Noutra perspetiva, Gwyneira Silkham, uma jovem nobre, filha de um cavalheiro fazendeiro exportador e criador de ovelhas e cães-pastores, vê-se a braços com a ida “forçada” para a Nova Zelândia, depois do comprador de ovelhas de visita à mansão da família ter jogado blackjack com o seu pai e de este ter apostado a mão da sua filha em casamento com o filho do comprador, Gerard Warden, pai de Lucas Warden. Assim, Gwyn, jovem e aventureira, parte com esperança de conhecer o seu amor, na espera de este ser também um homem dado à aventura. Mas as duas mulheres cedo descobrem que o que elas acreditavam ser uma maravilhosa oportunidade acaba por se tornar numa rede de acontecimentos que para sempre vão mudar as suas vidas e as daqueles que as rodeiam. Tanto Helen como Gwyn ficam amigas a bordo do barco que as leva para a sua nova terra (o Dublin), mas a sua amizade não pode acontecer porque os homens a que pertencem são inimigos de longa data. Howard O’Keefe, noivo de Helen, e Gerard Warden, futuro sogro de Gywn têm uma contenda muito grande que mais cedo ou mais tarde tem tudo para explodir e por as duas famílias em perigo. 

Esta história é um tanto diferente das que tenho lido e isso agradou-me bastante. Não tenho muitos livros que tenham como base uma saga familiar, pelo menos no plano real (não da fantasia). É uma história que, não sendo verídica, podia muito bem ter acontecido, e é ancorada num contexto histórico bastante interessante e rico: a colonização da Nova Zelândia e as relações entre colonos e maoris (o povo indígena do país). Todo o contexto histórico está bem descrito e bem fundamentado. Não conhecia muito sobre este país e foi uma excelente forma de me iniciar nos conhecimentos sobre a História da Nova Zelândia, mesmo não sendo um romance histórico com personagens verídicas. Fiquei muito interessada e curiosa com os costumes dos maoris e com forma como os colonos se estabeleceram e como o país foi evoluindo. Uma vez que a história abarca um período de vinte anos, a evolução está bastante presente e é visível: desde a caça à baleia e às focas, até à produção de gado ovino, passando para bovino, e depois, a febre do ouro. A construção das cidades, como começaram por ser terrinhas com algumas habitações de madeira até se tornarem cidades importantes; tudo está muito bem retratado. 

As personagens também são excelentes e a sua evolução é enorme. Não são personagens simples e planas, mas sim complexas e bastante reais. São personagens com motivos reais e nada nelas é forçado. Não há personagens estereotipadas ou com comportamentos fúteis. Tudo o que as move tem um motivo e esse motivo é sempre plausível, compreensível e complexo. Este aspeto é um dos que mais me agradou: personagens humanas, nada fúteis e com motivos interessantes e que se tornam mais complexos, com o passar do tempo e com o que lhes vai acontecendo ao longo da trama. Gostei muito de Helen e de Gwyn. Ambas são bastante distintas e muito bem caracterizadas. A respeito dos homens, também gostei de todos, principalmente na medida da complexidade das suas vidas e personalidades. Não há propriamente vilões ou personagens “boazinhas”; há sim personagens fortes, com passados fortes e com histórias que se vão construindo ao longo do tempo, entrelaçando e ramificando, tornando-se cada vez mais complexas e interessantes. Nenhuma personagem está lá só para estar: todas fazem falta e todas têm um papel a desempenhar. 

Todo o cenário é maravilhoso. Muito bem descrito, sem exagero. A ação é total. É um romance cheio de ação, aventura, tragédia, amor, amizade e luta. Não é uma história “cor-de-rosa”, nem por sombras! É uma história com bastante “sumo”. Tem um conteúdo muito forte, que me agradou bastante. Não tem nada de “lamechas”, coisa que não gosto de encontra nas histórias. Quando me proponho ler um livro, principalmente um romance, espero encontrar uma história forte, que me agarre, que me faça alegrar, sofrer e viver com as personagens, que me faça querer saber mais, querer ler até saber o final. E este livro proporcionou, sem dúvida, tudo isto. 

As reviravoltas são muitas, nada fica parado. É um dos melhores livros que li este ano e vai ficar no meu coração e no meu pensamento durante muito, muito tempo. Gostava muito de ver esta história passada para o grande ecrã, pois teria tudo para ser um grande filme. É uma história arrebatadora, com momentos de grande ternura, com outros de grande tensão e com alguns de descontração. Recomendo sem reservas! Leiam, porque é maravilhoso. Uma saga familiar espetacular. Excelente aposta da Marcador. Espero que editem os restantes, pois este é o primeiro.

Algumas citações:

 Será possível que já nos tenhamos encontrado nos nossos sonhos? p. 58 

- Amo-te, até amanhã! - disse-lhe o rapaz em voz baixa.
- Só até amanhã? - respondeu-lhe ela, a sorrir.
- Não, até ao céu. E um par de estrelas mais longe ainda!
p. 486

- Cuida dele! - sussurrou à égua. - E traz-mo de volta!
Ruben montou com esforço, mas conseguiu inclinar-se para dar um beijo a Fleurette.
- Amas-me quanto? - perguntou em voz baixa.
- Amo-te daqui até ao céu e um par de estrelas mais longe.
p.499


NOTA (0 a 10): 10 

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Os Leões de Al-Rassan, de Guy Gavriel Kay

Já há alguns anos que queria ler este livro. O meu conhecimento sobre ele data do período em que me juntei ao fórum Bang!, onde o Fiacha me sugeriu a leitura de vários livros da coleção, nomeadamente deste. Porém, devido a outros livros que foram aparecendo à minha volta, este foi ficando para trás. Mas agora já o li e mais uma vez devido ao Fiacha! Obrigada.

Os Leões de Al-Rassan conta parte da história da Península de Al-Rassan, que depois da queda do califado passou a ser governado pelos reis. Com apenas 20 anos, Ammar ibn Khairan, mata o último califa, no magnífico palácio do Al-Fontina, junto ao fontanário, sob ordens do rei Almalik I de Cartada (ex-governador de Cartada, uma das cidades de Al-Rassan). Cerca de 15 anos depois, Al-Rassan vê-se a braços com muitas intrigas e a paz que se parecia viver logo começa a desmoronar. Numa terra onde a política e a religião são os grandes fundamentos, as diferenças são muitas. No Norte, os Jaditas (que adoram o Sol e de Jad), lutam entre si, mas nunca sem olhar para Al-Rassan com um desejo de reconquista (antes do califado, Al-Rassan era Jadita, toda a península o era); no Sul, os Asharitas (adoradores das estrelas e de Ashar) veem-se a braços com traições entre famílias reais e entre fações religiosas; e os Kindates (adoram as duas luas, uma azul e uma branca) lutam pela vida do dia-a-dia, pela sobrevivência e pela permanência nos seus lugares, sendo odiados pelos Jaditas e pelos Asharitas.

No meio de toda esta intriga, três personagens acabam por se encontrar e por viver um período das suas vidas bastante conturbado e bastante forte. Jehane bet Ishak, médica Kindate, filha de um famoso médico que se viu mutilado pelo rei de Cartada, encontra-se com Rodrigo Belmonte, capitão da maior Companhia de cavaleiros de Jaloña e um homem muito reto e bem-apessoado, numa noite de horror, depois de fugir da sua cidade para vingar o pai e todos os nobres de Fezana que tinham sido assassinados naquela tarde, por ordem do rei Almalik. Também se encontra com Alvar, jovem soldado da Companhia, que logo se encanta por ela.
Assim começa a aventura de Jehane em terras desconhecidas, longe da sua família e junto de homens de uma outra terra e de uma outra religião.

Numa empolgante espiral de acontecimentos, as personagens vão ter que tomar grandes e perigosas decisões.

Fico muito contente por ter tido a oportunidade de ler esta história. É deveras bonita. Apesar de ter algumas expectativas, não sabia muito bem o que pensar do enredo em si, uma vez que a sinopse não é muito explícita. Sabia que era uma boa história, com excelentes personagens, mas sobre o conteúdo em si não sabia muito. Comecei a ler, fui lendo e logo fiquei agarrada. De facto, toda a história é soberba. Tem uma escrita sublime, mas que não deixa de ter algum humor. Achei até que o autor é bastante sarcástico e irónico. Aliás, toda a história está assente em acontecimentos irónicos. É uma história que faz rir, mas também faz chorar. Não é uma história “cor-de-rosa”, de modo algum. É uma história forte, comovente e introspetiva. As atitudes das personagens e a história em si levantam várias questões ao longo da leitura, questões importantes e profundas. Isso é bom quando acontece ao longo da leitura, pois é sinal que a obra faz sentido para quem a está a ler. E isso aconteceu comigo. Há momentos deveras comoventes, especialmente nos momentos finais da obra (momentos esses de extrema intensidade).

No entanto, penso que as personagens podiam ter vivido mais aventuras. Apesar de haver imensas aventuras perigosas ao longo da história, penso que poderia ter havido mais. Por exemplo, sendo a Jehane médica, gostaria de a ter visto em ação junto dos seus amigos. O facto de vários acontecimentos serem narrados pelas personagens através de uma perspetiva do que já aconteceu e isso faz com que esses momentos percam, em parte, a sua intensidade. Porém, existe tanta intensidade noutros momentos que tal não causa nenhum transtorno.

Existem muitas personagens e todas elas são complexas e interessantes. Não senti nenhuma que fosse desnecessária; nada estava lá para encher; não aconteceu nada supérfluo. A linha das personagens está bem construída. Cada uma tem certos momentos em que a narração é sua e isso permite uma abordagem bem ampla do contexto da história: temos personagens dos diversos locais e das três religiões.

Outro aspeto que me agradou bastante foi o paralelismo histórico que se pode fazer com a História da Península Ibérica, nos períodos da Conquista e da Reconquista. Há uma forte inspiração da parte do autor e até é possível encontrar Galeno (médico e filósofo romano de origem grega, que viveu entre 129 e 217, aproximadamente) como personagem, apesar de já estar morto no tempo da narrativa, que serve de inspiração a todos os médicos Jaditas. O autor fez um excelente trabalho.

Depois, tenho também a dizer que gostei imenso do desenlace dos acontecimentos. Aqui está uma história que prima pela surpresa. O desenlace é fantástico. Bastante comovente, mas muito bom e até bonito. Pareceu-me uma balada épica e comoveu-me bastante. E acabou por me surpreender. Há um momento em que a escrita do autor e a forma como ele narra a história fez com que não fosse completamente explícito qual o ponto de vista que estava a ser narrado (quem leu, deve saber) e isso agradou-me bastante. Provavelmente é possível chegar até quem é que era, mas eu optei por não o fazer e por deixar ficar aquela magia derivada da dúvida.

É um livro com um excelente enredo. Tem romance, ação, aventura, intriga (de toda a espécie), bastantes jogos políticos e religiosos e uma grande contextualização, muito bem idealizada e muito bem concretizada. Gostei muito e recomendo absolutamente, voltando a agradecer ao Fiacha por em ter recomendado (também outros o fizeram e agradeço a todos) e por ter tornado possível a leitura! Não deixem de ler este fantástico livro. É lindo!
Algumas citações:
"Gratificação de mensageiro" disse ele, com um ar desenvolto, voltando a endireitar-se...
Deu um passo em frente e, pondo-se em bicos de pés, foi a vez dela beijar Ammar...
"Gratificação de médico" disse ela docemente, enquanto se afastava. "Temos a tendência a cobrar muito mais do que os mensageiros."
"Vou-me atirar pela janela" disse Ammar, mas só passado algum tempo.
"Não! Ainda é bastante alto. ..."
p. 75
"Vamos caminhar um pouco"
"Onde gostaria de ir?" perguntou Ammar (...)
"Onde possamos estar a sós" disse ela com firmeza, ao mesmo tempo que apertava a mão dele com toda a força, regressando finalmente a casa, onde o seu coração tinha ficado à espera, desde um dia quente de Verão, em Fezana. "Onde nos possamos sentar lado a lado, coruja e leão, o mais próximo possível um do outro, e sermos o que realmente somos." 
p.385

Quem sabe o que é o amor?
Quem diz saber o que é o amor?
O que é o amor, digam-me.
 
“Eu sei o que é o amor”
Diz o mais pequeno.
“O amor é como um carvalho alto”

“Porque é que o amor é um carvalho alto?
Diz-me, pequenino.”

“O amor é uma árvore
Pela proteção que nos dá
Contra o Sol e a tempestade.”

Quem sabe o que é o amor?
Quem diz saber o que é o amor?
O que é o amor, digam-me.

“Eu sei o que é o amor”
Diz o mais pequeno.
“O amor é como uma flor”

“Porque é que o amor é um carvalho alto?
Diz-me, pequenino.”

“O amor é uma flor
Pela doçura que nos dá
Antes de morrer para sempre.” 
p.529

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 29 de Junho de 2014

O Segredo de Sophia, de Susanna Kearsley



Este é um livro que junta o passado com o presente e a ficção com a realidade histórica. Foi com grande expectativa que iniciei a leitura, uma vez que as opiniões lidas bem como a sinopse deram-me uma visão de uma possível história que eu iria gostar muito. Logo no início senti-me atraída pela história.

A história é narrada por Carrie McClelland, escritora de romances históricos, que está a escrever uma história sobre a tentativa de restaurar o rei Jaime no trono escocês em 1708, tendo em conta a perspetiva do coronel Nathaniel Hooke, tendo em conta o ambiente francês, da corte de Saint-Germain. No entanto, numa visita à sua agente, Jane, na Escócia, Carrie sente-se completamente atraída para lá, principalmente para o castelo de Slains e para Cruden Bay. Depois de compreender que tinha de estar ali para escrever o seu livro, ela muda-se para uma pequena casa de praia alugada e começa a escrever. Porém, a escrita começa a tornar-se demasiado fluente, intensa, e a afastar-se do seu proposto inicial, passando a centrar-se numa personagem fictícia, Sophia Paterson, inspirada numa sua parente da época. No entanto, Carrie começa a descobrir que muito do que escreve não é apenas ficção, mas algo mais, quando começa a confrontar o que lhe parece ser o produto da sua imaginação com factos históricos que nunca antes tinha lido durante as suas pesquisas. Assim, Sophia torna-se em algo mais do que uma mera personagem inventada, mostrando que há mais para descobrir do que aquilo que parecia no início.

Não é o primeiro livro que leio que tem por contexto a revolta jacobita, em que os escoceses tentaram restaurar um rei no trono da Escócia. Li A Rosa Rebelde, de Janet Paisley, e Outlander – Nas Asas de Tempo, de Diana Gabaldon. Passam-se em diferentes tempos, mas ambos mostram as diversas tentativas escocesas de restaurar a independência face à Inglaterra, voltando a colocar um rei no trono, rei esse que tinha sido exilado em França: Jaime VIII da Escócia e III de Inglaterra e, anos mais tarde, Carlos Eduardo, filho de Jaime. E devo dizer que é sempre com grande prazer que leio sobre este período histórico. Gosto muito da Escócia e da sua História. Penso que este gosto vem de há vários anos atrás, da primeira vez em que vi o filme Braveheart, era ainda criança. Desde aí já o vi várias vezes e, cada vez que o revejo, é como se fosse a primeira. 

Gostei imenso da história. As personagens são fantásticas, muito bem delineadas e com carater. Tanto as do presente como as do passado estão muito bem, todas diferentes e com personalidades muito próprias. De realçar que praticamente todas as personagens que fazem parte do passado (da história que Carrie escreve) são reais, existiram de verdade e há bastante informação sobre a maior parte delas. Gostei muito das personagens do presente, especialmente de Carrie, Graham e Stuart, que fazem um trio bastante engraçado e que dá bastante cor há história. Porém, senti uma maior emoção pelos destinos das personagens do século XVIII, principalmente por Sophia e John Moray, um par que me emocionou bastante ao longo da narrativa e que me proporcionou uns belos sustos e alegrias ao longo da leitura.
O detalhe histórico está excelente. A autora escreveu com enorme rigor e, no final, apresenta uma nota muito bem escrita, concisa e coerente sobre a parte histórica do livro. As descrições também estão muito boas, permitindo ao leitor a possibilidade de se imaginar nos locais por onde passam as personagens, tanto no presente como no passado. Também a descrição do ambiente emocional está bastante boa, conseguindo criar climas de grande tensão, bem como climas descontraídos. Ou seja, há um equilíbrio bastante estável entre estes dois fatores.

Gosto de histórias que me digam algo; que me façam sonhar; que me conquistem e que me emocionem. Aqui está uma história que me proporcionou tudo isso. E, como é uma espécie de “história dois em um”, senti que estava presente em dois momentos, no presente e no passado, como uma viajante do tempo. Senti que, tal como Carrie, podia ter acesso ao passado de Sophia, estar presente ao longo de um período decisivo da sua vida e viver as suas aventuras com grande intensidade.

Assim, este é um romance um pouco diferente. Tem uma mistura de viagens no tempo, mas não é sobre isso e o que acontece não é realmente nada disso. É um romance bem rico, cheio de todos os ingredientes que um bom romance deve ter. Não é de modo algum lamechas, nem por sombras. Tanto Sophia como Carrie são mulheres bem interessantes e complexas, nada simples nem corriqueiras. E o mesmo se passa com os homens. Principalmente na parte de Sophia, o enredo é mais complexo, tem mais intrigas politica, mais momentos de tensão. Foi nessa parte que mais me emocionei, principalmente nos momentos mais para o final. Depois, na parte de Carrie, não há tanta tensão, mas há o mistério em torno do que provoca o conhecimento daqueles factos todos e também os relacionamentos de Sophia com Graham e Stuart, que são irmãos, e também gostei dessa parte, que por momentos pensei que se ia tornar um pouco mais densa, mas que ficou bem como ficou, deixando a tensão que poderia ter sido criada para o lado de Sophia.

Em suma, é um livro muito bom. Um romance histórico bem escrito, com tudo o que deve ter: rigor, uma escrita interessante e apelativa, muitas peripécias e a dose certa de todos os ingredientes. Sem dúvida, um dos melhores romances históricos que já li, onde a ficção se mistura com a História de um modo perfeito. Aconselho vivamente, a todos, sem exceção. Uma história muito bonita e está muito bem contada, o que promove uma leitura bem recheada de bons momentos.

Algumas citações:

- Então, como vês, o meu coração está preso para sempre a este sítio - disse ela. - Não posso partir.
Não posso partir.
p.26

Quando terminou, Moray pôs o braço em torno dela para a manter perto de si e ela pousou o rosto sobre o tecido fino da camisa dele, sentindo as batidas do seu coração bem junto ao ouvido. No céu, uma gaivota pairava ao sabor do vento, com as asas abertas aparentemente imóveis. A sua sombra solitária movia-se na areia ao lado de ambos. p.252

- Disseste-me uma vez - afirmou ele - que o vosso coração me pertencia.
- E pertence.
- E o meu coração pertence-vos a vós, Sophia. - Colocou uma mão sobre a dela e encostou-a ao seu peito, para que ela pudesse sentir o bater do seu coração. - Não viajará comigo através das águas. Onde estiverdes, ele estará convosco. Não ficará sozinha. E eu nunca mais estarei completo, até ao momento em que regressar
.
p.296

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 17 de Junho de 2014

Leviatã, de Scott Westerfeld

Este é o primeiro livro da trilogia de Scott Westerfeld: Leviatã (Leviatã, Besta e Golias). É um livro juvenil, ou assim está catalogado, com grande contexto steampunk. Já há bastante tempo que o queria ler e não fiquei minimamente dececionada. Excelente livro, com excelente contexto.

Leviatã começa por contar duas histórias aparentemente paralelas: a de Aleksander de Hohenberg e Deryn Sharp. Alek é um príncipe do Império Austro-húngaro, filho do Arquiduque Francisco Fernando e de Sofia Chotek, tendo como tio-avô o Imperador Francisco José. Devido à ascendência plebeia de Sofia, Alek não tem direito a nada da herança do pai, sendo por isso um mero príncipe sem direito ao trono. Aos quinze anos, numa noite de junho de 1914, vê-se sozinho com um conde (Volger) e o melhor mecânico (Kopp) do pai, dentro de um marchador, em fuga pelo Império, para fugir dos assassinos dos seus pais, com destino à Suíça. Nessa mesma noite, na Inglaterra, Deryn prepara-se para entrar na Força Aérea, disfarçada de rapaz, com a ajuda do seu irmão (Jaspert), que também faz parte da Força Aérea. O maior sonho de Deryn é voar nas maravilhosas fabricações (animais fabricados através de um processo parecido com a mutação/transformação genética) da Força Aérea e tornar-se num oficial. Depois de se ter metido em apuros na primeira audição para se tornar aspirante, Deryn (ou Dylan) vê-se abordo do Leviatã, uma aeronave-baleia (uma baleia que voa a hidrogénio) e que é uma das forças de guerra da Força Aérea Inglesa. Depois de várias aventuras, Alek e Deryn encontram-se e começa assim uma amizade inicialmente titubeante, mas que se vai tornando forte. Com a guerra a começar, as alianças são importantes e os interesses, muitos.

A história tem uma grande base imaginativa no seu âmago. Scott Westerfeld conseguiu criar uma história muito boa, com um contexto em parte real, em parte fantástico/ficcional. O assassinato do Arquiduque e da sua esposa é um facto real e foi o que levou à Primeira Guerra Mundial, tal como acontece no livro, apesar de, no livro, os assassinos serem diferentes, possivelmente. As potências aliadas também são as mesmas. Várias personagens são reais, mesmo que alguns dos seus traços sejam diferentes. Alek e Deryn são personagens ficcionais, mas tudo o que envolve os pais de Alek é real, tirando um ou outro aspeto (que não vou referir para não contar detalhes importantes).

Há uma mistura clara do passado com o futuro, misturando factos históricos (o tempo, o espaço, o ambiente, algumas personagens) com invenções futuristas (fabricações e armamento móvel de metal, parecido com robôs gigantes). Assim, é importante compreender as potências que se opõem. Os ingleses são uma potência Darwinista, ou seja, as suas armas são à base de fabricações naturais, como o Leviatã ou o Huxley (uma espécie de alforreca gigante que serve como uma espécie de balão a hidrogénio que serve como posto de observação aéreo), bem como outras como lagartos falantes, que transmitem mensagens, morcegos que se alimentam de frutos e espigões, acabando por libertar os espigões de metal sobre os inimigos, falcões que atacam os inimigos, farejadores (espécie de cão com seis patas que tem como missão detetar fugas de hidrogénio), entre outros seres. Os Austríacos (bem como os Alemães) são uma potência Clanker, ou seja, as suas armas são feitas à base de instrumentos de metal, com grandes potências geradas através de mecanismos e motores. Marchadores (espécies de robôs que andam), couraçados, espécies de cavalos metálicos, e outros instrumentos

Gostei muito do livro. Tudo o que estive a referir nos parágrafos anteriores justifica o meu grande interesse por esta história. Toda a imaginação existente ao longo da história (o que se refere aos Darwinistas e aos Clankers, principalmente), fez-me ficar apaixonada por este mundo. É como se tudo o que eu soubesse sobre a Primeira Guerra se expandisse de modo a abarcar esta nova realidade: os meus conhecimentos entrelaçaram-se com os acontecimentos narrados, dando um novo lado à Primeira Guerra, um lado extremamente mais fantástico e grandioso (apesar da guerra nada ter de grandioso ou fantástico). É uma história alternativa para este acontecimento real do nosso mundo, que aconteceu há 100 anos.

Mas não foi só a parte criativa que me fez gostar da história. Também as personagens foram importantes para isso. Deryn é uma personagem feminina extremamente interessante. Não é nada estereotipada, não é uma “bonequinha”, nem “uma querida”, mas sim uma “badass”, uma rapariga que se faz passar por um rapaz para conseguir o que quer, para alcançar o seu sonho e que tem uns comportamentos muito engraçados. É uma aventureira, muito bem-disposta, esperta e inteligente. Por seu lado, Alek é mais reservado. É um excelente rapaz, que sofre bastante ao longo da narrativa, mas que tem um desenvolvimento bastante interessante. Um tanto tímido, mas também um pouco convencido, em alguns momentos, Alek mostra ser um rapaz de nobres sentimentos, altruísta e muito amigo do seu amigo. Também as personagens secundárias são muito interessantes. Gostei especialmente da Dra. Nora Barlow, a inspetora que vai a bordo do Leviatã. Esperta, inteligente, misteriosa e com um excelente sentido de humor, Barlow “rouba a cena” em vários momentos da narrativa.

A ação é constante. Há mistério, grandes descrições de batalhas e aventuras, momentos de cortar a respiração, humor e vários perigos. O enredo está bem construído, sendo que tudo está interligado. Não um único momento “parado” na narrativa. Também gostei bastante dos diálogos entre as personagens, nomeadamente entre Deryn e Alek. Espero que eles se entendam! E que o Alek descubra que o Dylan é a Deryn (como será que vai ser?! ^^ ). A relação destes dois tem um começo fantástico (melhor era impossível) e torna-se um dos eixos da história, a meu ver.

Também é de referir as maravilhosas ilustrações da ilustradora Keith Thompson. Estão magníficas e dão uma dimensão muito boa ao livro. O facto de ter ilustrações tão boas faz com que não seja necessário uma descrição muito pormenorizadas por parte do autor, em relação a determinados aspetos, como por exemplo: as fabricações e as máquinas dos Clankers. As ilustrações são, a meu ver, fundamentais neste livro. E são lindas.

                                        Deryn Sharp (Mr. Dylan Sharp), Aleksander, Dr. Barlow

Assim, posso afirmar que o livro é fantástico. Tem tudo o que um bom livro deve ter. Mesmo que não haja uma grande complexidade a nível das personagens e do enredo, tudo está bem construído. As máquinas e as fabricações são fantásticas. As personagens são interessantes. O contexto está muito bem construído e a relação realidade/ficção está perfeita. Dos melhores livros steampunk que já li! Estou muito curiosa para ler o seguinte, pois tudo o que aconteceu neste foi muito bom e o final deixou-me bastante curiosa.
metálicos e mecânicos são a grande força dos Clankers, que odeiam os Darwinistas, afirmando que estes são um bando de hereges que tentam imitar a Vida através das suas fabricações (que advêm da teoria evolucionista de Darwin, que, na narrativa, descobriu como manipular os “fios da vida”, de modo a criar novas espécies (como se fosse o ADN)).

Algumas ilustrações de Keith Thompson:


O site da ilustradora é fantástico! Consultem aqui.

NOTA (0 a 10): 10