quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Histórias de Aventureiros e Patifes, organizado por George Martin e Gardner Dozois

Sinopse:

RECOMENDAMOS CAUTELA A LER ESTES CONTOS: HÁ MUITOS PATIFES À SOLTA.

Há personagens malandras e sem escrúpulos cujo carisma e presença de espírito nos faz estimá-las mais do que devíamos. São patifes, mercenários e aldrabões com códigos de honra duvidosos mas que fazem de qualquer aventura uma delícia de ler.
George R. R. Martin é um grande admirador desse tipo de personagens – ou não fosse ele o autor de A Guerra dos Tronos. Nesta monumental antologia, não só participa com um prefácio e um conto introduzindo uma das personagens mais canalhas da história de Westeros, como também a organiza com Gardner Dozois. Se é fã de literatura fantástica, vai deliciar-se!

AO LER ESTE LIVRO, ESTARÁ A ASSINAR UM PACTO DE COMUNHÃO COM OS SEGUINTES AUTORES:
 
Gillian Flynn – autora de Em Parte Incerta
Neil Gaiman – autor de Sandman
Patrick Rothfuss – autor de O Nome do Vento
Scott Lynch – autor de As Mentiras de Locke Lamora
Connie Willis – autora de O Dia do Juízo Final

E MUITAS OUTRAS MENTES PERVERSAS DA LI ERATURA FANTÁSTICA.
(in Edições Saída de Emergência)



Opinião:

Este livro é uma antologia de contos, com nomes sonantes como George Martin, Scott Lynch e Patrick Rothfuss. E sim, estou a referir os meus favoritos, porque, na verdade, foram aqueles de que mais gostei neste livro e que, para mim, são mesmo nomes sonantes, mesmo sabendo que todos os outros nomes presentes nesta antologia também o são.

Muito bem...

Todos os contos têm o seu interesse. Confesso que estava bastante curiosa para ler aqueles dos meus autores favoritos, e também o de Gaiman (outro autor que muito aprecio). E também posso afirmar que foram esses contos aqueles de que mais gostei.

Portanto, vou discorrer brevemente sobre todos os contos menos sobre os de Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, George Martin e Scott Lynch.

Dos outros contos, aquele de que mais gostei foi do de Gillian Flynn, que mistura o suspense com algum terror e mistério, criando uma grande atmosfera visual e de emoção, com todo o mistério em redor da casa e também das personagens. Não gostei muito dos outros contos...achei-os interessantes, mas não fiquei fascinada...esperava mais.

Em relação ao conto de Neil Gaiman, gostei bastante, apesar de ter achado alguns momentos bastante estranhos e um pouco incoerentes. Já li outros livros do autor e sei que as suas histórias tendem a ser um pouco estranhas, mas sempre gostei muito dessa estranheza e nunca tinha achado nada incoerente, antes pelo contrário. Neste conto achei isso e fiquei um bocadinho dececionada. As personagens e o contexto são do livro Neverwhere, que tenho para ler, portanto espero compreender melhor este conto quando ler o livro.

Sobre Scott Lynch, tenho a dizer que esperava muito, muito mais. Esperava principalmente encontrar Locke Lamora e o seu bando e foi isso que me entristeceu quando vi que não havia Locke nenhum, apesar de já ter sido avisada. No entanto, é um bom conto, com muita ação e reviravoltas,  bem ao estilo do autor, que tanto se diverte a contar as suas histórias e que faz com que isso passe para os leitores.

Quanto a Patrick Rothfuss...aqui está o meu conto favorito. Gostei imenso de rever Bast e Kvothe e todas as outras personagens que aparecem no conto e nos livros do autor. Gostei do pouco que mostra, mas já mostra muito, porque não se conhece muito sobre Bast e não costuma aparecer o seu dia a dia nos livro. Portanto, este foi um belo conto, que nos mostra o que Bast faz no seu dia a dia, apesar de não avançar nada em relação à história de Kvothe. 

Depois, George Martin mostrou a sua veia mais relacionada com a narração de factos da vida das personagens, apresentando um conto onde não há diálogos nem ação direta das personagens, pois é como que uma crónica dos feitos de dois Targaryen que viveram alguns tempos antes dos acontecimentos narrados nas Crónicas de Gelo e Fogo.  Está interessante por isso mesmo, porque acrescenta mais factos históricos a este mundo das Crónicas. 

Em suma, é um livro para quem gosta de contos, de Fantasia, de histórias cujas personagens não são "certinhas" e "fofas", mas sim um bocado mais dúbias e interesseiras, como refere o título. Recomendo! 

NOTA (0 a 10): 7

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

As Horas Distantes, de Kate Morton

Sinopse:

Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...
Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.

Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre. No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...
(in Goodreads)


Opinião: 

Tinha bastante curiosidade em ler os livros desta autora. Primeiro, porque as suas sinopses sempre me despertaram a atenção; segundo, pelas suas fantásticas opiniões no Goodreads. E foi uma agradável descoberta, que só não foi uma surpresa porque esperava uma boa história, sendo isso mesmo o que aconteceu. Esta história prendeu-me logo nas primeiras páginas, criando um imaginário muito forte e deixando-me sempre em suspense, sempre a querer ler mais e a desvendar o mistério por detrás de tanta história. 

O livro, tal como refere na sinopse, conta a história de uma jovem editora, que, depois de ver a sua mãe receber uma carta misteriosa que tinha sido perdida no período da Segunda Guerra, fica completamente curiosa sobre de onde veio a carta (do castelo de Milderhurst) e sobre todo esse mistério. Mistério esse que reside na vida, mais especialmente num determinado acontecimento numa noite de tempestade em outubro de 1941, em que tudo se alterou no castelo de Milderhurst, sendo que as três irmãs nunca mais foram as mesmas. Sempre com momentos de grande intriga, mistério, romance e drama, a autora conseguiu criar um excelente romance com toques de mistério muitíssimo bem escrito e contado, uma vez que é narrado com extrema mestria. 

O enredo é fortíssimo, cheio de momentos de grande tensão e emoção, que me deixaram presa à leitura. Senti constantemente um grande apelo por saber mais, desvendar o segredo por detrás do castelo, por detrás das irmã ...e isso é revelador da força do enredo e do seu mistério. Não é um enredo previsível, sem sombra de dúvida, antes pelo contrário, e isso é fundamental numa história deste género. Tem todos os ingredientes que uma boa história deve ter e em doses bem repartidas. 

As descrições também são fantásticas e muito bem elaboradas, sem serem maçadoras. É possível sentir, ver e estar com as personagens ao longo da narrativa por causa das descrições pujantes e cheias de vida. Mesmo descrições de momentos sem corpo, como "ser chamado do meio do livro" (quando se está a ler e se é chamado), estão tão perfeitas que servem para definir esses momentos que por si mesmos não têm definição. É como se estivesse lá, se estivesse com as personagens...como se se fizesse parte do castelo e daquela história. São, de facto, descrições de grande intensidade, força e beleza. Muito assertivas e esplêndidas. 

Em relação às personagens, posso afirmar que são todas excelentes. Gostei imenso de Edith, que é a narradora e jovem editora. Sempre cheia de genica e muito curiosa, consegue ser a narradora perfeita para a história, porque está sempre à procura de respostas para os mistérios do castelo. Também gostei dos familiares de Edith, todos muito diferentes e com histórias bem fortes. E claro, também gostei das irmãs Blythe: Seraphina, Percy e Juniper, que cada uma é tão diferente da outra como o dia da noite e o sol da lua e todas têm tudo em comum e uma história tão arrepiante. Gostei de todas, cada qual à sua maneira. E também gostei muito de Tom Cavill, o eterno visitante e noivo de Juniper. 

Ao longo da leitura fui pondo várias hipóteses para a resolução dos mistérios, mas confesso que não descobri totalmente e fiquei bastante por me ter surpreendido nas minhas conjeturas, porque é sinal de que a autora conseguiu encontrar uma explicação bastante inteligente e interessante, conseguindo criar um todo global muito bem conseguido, juntando todas as peças e toda a história numa grande cúpula cheia de do passado, presente e futuro de todas as personagens. Todos os acontecimentos tiveram um propósito e uma ligação e isso está muito bem elaborado ao longo da história. 

Não tenho nenhum ponto negativo a apontar. Talvez haja quem ache a narrativa um bocadinho lenta de início, mas eu não achei, uma vez que achei isso parte integrante do mistério. 

Em suma, aqui está uma autora que espero acompanhar e que recomendo sem reservas. Excelente!

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Leituras 2015

Com algumas semanas de atraso, aqui está o balanço de leituras de 2015.

Li bons livros, li livros com algum interesse e li livros menos interessantes.

Vou aqui referir os que mais gosteis.

Em 1º lugar está...


Uma das histórias mais originais que li, um romance fabuloso.


Em 2º lugar...


O melhor livro de género Fantástico lido em 2015 (este e o segundo, uma vez que no total, ambos fazem parte do primeiro...por cá foi dividido...)


Em 3º lugar...


Uma belíssima história de amor e sobrevivência, maravilhosa história.

Bom ano!!!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A Quimera de Praga, de Laini Taylor

Sinopse:

Pelos quatro cantos do mundo, marcas de mãos negras começam a aparecer nas portas, gravadas a fogo por estranhos seres alados, saídos de uma fenda no céu.

Numa loja escura e empoeirada, o abastecimento de dentes humanos de um demónio começa a ficar perigosamente reduzido. E nas ruelas labirínticas de Praga, uma jovem está prestes a embarcar numa jornada sem retorno.

O seu nome é Karou. Karou não sabe quem é, nem porque vive dividida entre o mundo humano e a sua família de demónios, mas crê que as respostas podem estar para lá de uma porta nos recantos sombrios de uma loja, ou no confronto com um completo desconhecido, de olhar abrasador e aparência divina - o anjo que queimou as entradas para o seu mundo, deixando-a só .
(in Goodreads)



Opinião:

Depois de ler várias opiniões sobre esta trilogia, tive muita curiosidade em lê-la. Pois bem, para primeiro livro está interessante, mas há muita coisa da qual não gostei propriamente. 

Em relação às personagens, tenho a referir que gostei de Karou, a personagem principal, bem como de Akiva, o anjo que se enamora por ela. Quanto a personagens secundárias, gostei de Zuzana, a amiga de Karou, se bem que me pareceu um bocadinho espalhafatosa em algumas falas e atitudes. Achei as personagens, no geral, sem profundidade e superficiais. Não posso dizer que tenha ficado "apaixonada" por nenhuma delas e esperava mais destas personagens. Também as achei um bocadinho cheias de "tiques" de adolescentes, o que era desnecessário.

Este aspeto não só está presente nas personagens, como também ao longo da narrativa e da própria escrita da autora. A história é um romance, pontuado por momentos de fantasia e magia, que são os melhores momentos, a meu ver. Tem uma premissa interessante e original e espero que seja desenvolvida nos próximos livros, mas não me agarrou totalmente. Não fiquei surpreendida com as reviravoltas, porque são, em alguns momentos, bastante óbvias. A escrita está cheia de frases suspensas e que, provavelmente, tentam chamar a atenção para determinados aspetos...e isso não me soou bem. Parece que a autora está a tratar os leitores como se não estivessem a entender o que estão a ler. Também dá um ar de "oh, que espanto! oh, que fantástico!" que é típico de adolescentes e isso fez-me lembrar um bocadinho a saga Crepúsculo, da qual não gostei.

Quanto ao que gostei mais, posso dizer que gostei da história em si. Gostei da ideia e do mundo criado pela autora, que merece ser mais explorado e não de um forma amorosa e só com foco na relação das personagens, mas também com atenção à história do mundo criado e ao seu contexto. O contexto podia ter sido melhor explorado e mais fundamentado. Espero que melhore, porque a história é interessante.

A parte de fantasia e magia é diferente do que costumo ler. Pareceu-me, no início, um bocadinho parecido com os livros da Cassandra Clare, mas não é. Gostei do desenvolvimento da história em relação a estes aspetos, daí querer ver o contexto mais explorado.

Em suma, é um bom começo para esta trilogia, apesar de não me ter arrebatado. Vou querer ler os próximos volumes, para saber mais sobre esta história. Para quem gosta de fantasia urbana, principalmente, esta é uma boa aposta: romance, ação e magia. Espero que gostem!

NOTA (0 a 10): 6

domingo, 3 de janeiro de 2016

Longe da Multidão, de Thomas Hardy

Sinopse:

Longe da Multidão é um dos romances mais conhecidos de Thomas Hardy. Narra a história de Gabriel Oak e da sua grande paixão pela bela, independente e enigmática Bathsheba Everdene, que chegou a Weatherbury como herdeira de uma vasta propriedade rural. Mas a jovem é também pretendida pelo sedutor sargento Troy e pelo respeitável agricultor de meia-idade Boldwood. Ao mesmo tempo que os destinos destes três homens dependem da escolha de Bathsheba, ela descobre as terríveis consequências do seu coração inconstante. O jogo das personagens, com as sumptuosas paisagens rurais como pano de fundo, contribuiu para fazer deste romance notável um dos grandes clássicos da literatura inglesa. (in Goodreads)



Opinião:

Há muito tempo que não lia um romance clássico tão maravilhoso. Há sempre um certo risco em ler clássicos românticos para mim, uma vez que não são os meus favoritos (Jane Austen e assim) e desde O Monte dos Vendavais (Charlotte Brontë) que não lia um romance tão belo e com uma narração tão mágica. 

A história é bastante simples. Bathsheba é uma rapariga jovem que vai viver para a quinta do seu tio como herdeira. Sozinha, apenas com os seus empregados, vê-se na difícil posição de mulher independente, com o seu próprio negócio e sem marido. Tendo em conta o seu estatuto e a sua beleza, cedo começam a aparecer pretendentes e ela começa a ter de escolher e de ponderar sobre o que é melhor para si. 

Porém, a escrita do autor é tão bela, as descrições são tão ricas e profundas e a narração é tão leve e sarcástica (em contraste com a história em si), que o que parece simples deixa de o ser e torna-se numa belíssima história de amor, que é mais do que isso: é uma ode ao amor, à liberdade e à perseverança, bem como à beleza rural e do que é mais puro. 

Existem momentos da história em que as descrições são tão pormenorizadas (sem serem maçadoras ou em demasia) e as palavras usadas tão especificas e bem escolhidas que é como se eu estivesse presente nos momentos. Ora, isto é tudo o que um leitor pode querer, em termos de descrições.

Em relação às personagens, gostei bastante de Bathsheba porque é uma personagem feminina bastante forte, independente e nada lamechas, antes pelo contrário; é trabalhadora e um pouco fria, por vezes. Também gostei dos três pretendentes, se bem que tenha gostado mais da personalidade de Oak do que da dos outros dois (Boldwood e Troy), sendo que Troy mostrou-se um belo patife em determinados momentos. Em relação às outras personagens, gostei bastante dos empregados da quinta e das suas conversas e deambulações, que são parte muito importante da história, uma vez que servem de apoio às personagens principais e à própria estrutura narrativa. 

Não estava à espera de gostar tanto deste livro e foi uma excelente surpresa. Romance, humor, alguns toques de gótico e de mistério, com algum suspense à mistura, este clássico é um dos melhores que li até hoje. Espero ver o filme para poder comparar, mas duvido que faça jus ao livro, que é de uma beleza maravilhosa. Sendo assim, recomendo totalmente. A escrita é fluida, bastante sarcástica, não há momentos parados e a ação é constante. Uma maravilha da literatura! 

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

The Fiend and the Forge, de Henry H. Neff

Depois de ter lido os dois primeiros livros desta saga (A Tapeçaria, em Português) há já alguns anos, esperei que a Presença traduzisse o terceiro. Mas a espera estava a ser demasiado longa e cerca de três anos depois decidi lê-lo em Inglês. Ainda bem, porque é excelente.


Sinopse:

Max McDaniels, depois dos acontecimentos passados durante o Cerco de Rowan, vê-se a braços com uma realidade diferente. Os feiticeiros perderam a sua batalha contra os demónios e estes conquistaram a Terra, alterando-a e impondo as suas regras. Prusias, um dos demónios, chega a Rowan e funda uma sede para controlar a escola e põe todos sob as suas ordens. Mas, quando Max, depois de tentar fazer tudo para não perturbar o equilíbrio entre esses seres e os humanos (quebrar as regras seria a destruição para Rowan), descobre que o seu pai afetivo foi morto por Vyndra (outro demónio), jura vingar-se e parte para Blys, a terra de Prusias. 

Opinião:

Dos três primeiros livros desta saga, este é aquele que apresenta um enredo mais adulto, mais detalhado, mais trabalhado e mais escuro. Deixamos de ter alunos numa escola de feitiçaria, deixamos de ter conversas normais entre adolescentes e deixamos de ter aspetos superficiais e não muito relevantes. Max torna-se naquilo que não tinha sido, pelo menos para mim, nos outros livros: o protagonista da história. Mais crescido, mais maduro e mais terrível, Max faz jus a toda a sua fama que conquistou ao longo da história. Agora sim, parece realmente ser aquilo que dizem que ele é, filho de Lugh, um dos deuses da mitologia celta.

Em relação às personagens, o que referi sobre Max tenho a referir sobre todas as outras. Fiquei um bocadinho desapontada pelo facto de o David não aparecer tanto como nos livros anteriores, mas sempre que apareceu, esteve sempre no seu melhor...e também se percebe muito bem porque é que ele não está tão presente ao longo da história, uma vez que o que anda a fazer é segredo. Existem novas personagens, muito bem desenvolvidas e muito bem encontradas. E aparecem personagens que vão fazer grande diferença nos próximos livros, o que é ainda melhor.

Quanto ao enredo, este acompanha o crescimento das personagens. O autor não teve o mínimo problema em "chocar" os seus leitores, tendo em conta o público mais juvenil da saga. Existem momentos de grande emoção e de grandes descrições que, à primeira vista, não seriam para este género de livro e idade. Ainda bem que Neff optou por não ir por um caminho suave e cor de rosa, porque isso ia fazer com que as aventuras de Max e David não tivessem o mesmo interesse. Gostei do tom mais sério e mais adulto deste livro, em comparação com os anteriores, porque o desenvolvimento do enredo neste é muito mais denso e complexo. Existe uma maior complexidade e uma maior contextualização do próprio mundo em si, o que é muito interessante.

Também tenho de referir as maravilhosas ilustrações do autor, que acompanham o leitor ao longo da obra e dão sempre um ar de mistério e beleza. Gosto sempre de encontrar ilustrações nos livros e sou da opinião que deviam haver mais, em todos os géneros e para todas as idades. Quando pego num dos livros de Neff, a primeira coisa que faço é ver as ilustrações...tanto para as apreciar como para tentar desvendar algo. É uma atividade que gosto muito e que penso que muitos dos leitores que gostam de ilustrações também o sentem.

Portanto, é uma pena que a Presença não continue a apostar nesta saga. Editou os dois primeiros e ficou por aí...talvez lá mais para a frente volte a editar, mas já o devia ter feito, porque esta é uma história de enorme qualidade, que apenas não foi bastante divulgada. Penso que em vez de estarem sempre a compará-la a Harry Potter, as pessoas deveriam divulgá-la e dar-lhe o devido valor. Pode ter parecenças com os livros do Harry, mas tem muito de diferente. Aliás, é muito diferente e ambas as sagas são excelentes. Vou continuar a querer acompanhar as aventuras destas personagens! Espero que voltem a ser editadas em português.

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Revolução da Mulher das Pevides, de Isabel Ricardo

Decidi apostar neste livro para a leitura conjunta no Cantinho do Fiacha, leitura essa que está a ser fantástica, e acho que fiz bem em fazê-lo, porque foi uma experiência muito boa! Não vou escrever spoilers sobre a história, uma vez que a leitura ainda está a decorrer, se bem que na fase final, mas serve este texto para clarificar a minha opinião em relação a esta obra. 

 

Sinopse:

Os exércitos de Napoleão ocupavam Portugal. Uma mulher, armada apenas da sua beleza e argúcia, vai despoletar a revolução para os expulsar.


Perante os canhões e as balas dos exércitos franceses, Ana Luzindra só tinha uma arma: a sua beleza. Mas a beleza também pode ser mortal.

A Revolução da Mulher das Pevides transporta-nos para os anos de terror das invasões francesas. A morte e a crueldade marchavam lado a lado com os exércitos veteranos de Napoleão. E enquanto a Família Real fugia para o Brasil, o povo ficava para suportar todo o tipo de humilhações.


Na vila da Nazaré, Ana Luzindra é parteira de profissão e uma mulher simples. Para fazer frente aos canhões e balas dos franceses só tem uma arma: a sua estonteante beleza. Atraindo-os, um a um, para a morte na calada da noite, a jovem inspira toda uma comunidade e pegar em pedras e paus para expulsar os invasores.

A Revolução da Mulher das Pevides, expressão da Nazaré que significa “algo insignificante”, foi tudo menos isso: pelo sobressalto que pregou aos franceses, e pela posterior vingança desproporcionada que estes praticaram sobre a Nazaré, acabou por ser um dos momentos mais importantes da invasão, e inspiraria o longo e árduo caminho dos portugueses e aliados até à derradeira vitória sobre as tropas do temível Napoleão.


Recorrendo a uma pesquisa exaustiva, Isabel Ricardo oferece-nos um bilhete para um dos períodos mais importantes da História de Portugal.
(in Edições Saída de Emergência)

Opinião:

Este é o segundo livro que leio da autora (o primeiro foi O Último Conjurado, também para leitura conjunta) e devo dizer que gostei de ambos. Tendo em conta o contexto histórico, acabei por gostar mais do O Último Conjurado, uma vez que gosto mais dessa época, mas em relação à narrativa em si, gostei muito dos dois! 

A autora fez um excelente trabalho com este tema. Pegou num título que é bastante curioso e criou uma história completamente envolvente e real, uma vez que é verídica em praticamente todos os momentos. O contexto histórico (início das Invasões Francesas em Portugal) está maravilhosamente trabalhado, o que faz com que se aprenda, de facto, algo sobre a nossa História, algo que não se aprende na escola. Mas este não é um livro maçudo ou cheio de descrições, antes pelo contrário. Isabel Ricardo baseou-se na história dos seus antepassados, pesquisou bastante, deu vida a personagens reais e cheias de personalidade, e escreveu uma história cheia de ação, mistério, romance, humor e momentos de grande tensão, tudo de acordo com um perfeito tratamento do contexto histórico. Os meus parabéns à autora por ter feito um excelente trabalho, por ter escrito esta maravilhosa narrativa e por nos dar a conhecer esta história. 

Em relação às personagens, encontrei em todas um carácter diferenciador entre si, o que é sempre bom. Gostei bastante de Junot, não dele, mas da forma como a autora o retratou, porque acho que a ela conseguiu caracterizá-lo muito bem, pois era assim que o imaginava quando estava nas aulas de História a aprender sobre esta época. Gostei muito de todas as personagens do núcleo do Sítio da Nazaré, que também foi o local que mais curiosidade me despertou em relação aos diversos espaços presentes ao longo da narrativa. Também gostei muito de Rodrigo e do seu amigo Diego, que proporcionaram uns belos momentos de humor e também de emoção. 

Outro aspeto que muito me agradou foi o facto de a autora ter escrito as falas das personagens da Nazaré de acordo com a fonética/sotaque das personagens. Encontrei nisso bastante sentido e gostei muito, porque deu mais carisma à história e também uma certa força, que muito me agradou. 

Voltando ao contexto histórico, gostava de refletir sobre a aprendizagem que fiz em relação a este tema ao longo da leitura da obra. Uma vez que não me é desconhecida esta parte da nossa História (e não é das que mais me fascina), foi com bastante curiosidade que me vi a mudar de opinião em relação a algumas ideias que tinha antes de de a ler. Ou seja, até à data da leitura do livro, sempre tinha achado que a fuga da família real tinha sido um ato cobarde e de abandono do povo às mãos dos invasores. No entanto, depois de ler o livro, fiquei com outra ideia, que é a que a autora aborda: a saída da família real acabou por ser uma forma de salvaguardo o reino e a si mesma enquanto independente, uma vez que, se D. João tivesse seguido as ordens de Napoleão, tinha ficado sem o seu reino, uma vez que a capital (Lisboa) tinha ficado para Napoleão. Assim, como a capital mudou para o local da família real, Napoleão não ganhou o que mais queria. Gostei de refletir sobre este aspeto enquanto lia o livro. 

Aqui está mais uma prova de que o Romance Histórico é dos géneros literários mais ricos, mais densos e mais sábios da literatura, porque servem diversos propósitos, como o prazer de ler e o prazer de aprender. 

Em suma, mais uma excelente aposta da Saída de Emergência, que fez um excelente trabalho gráfico com o livro, mais uma vez. Muito bom! Os meus parabéns à autora por ter partilhado esta histórica com os leitores e pelo excelente trabalho que fez. Espero que a história continue, porque tem tudo para isso! 

NOTA (0 a 10): 10