segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Passatempo - A Traição de Ariadne, de Bruno Perpétuo-Tavares (Chiado Editora)

Olá a todos!

Está aberto o novo passatempo de O Imaginário dos Livros, em parceria com a Chiado Editora.

O livro que será oferecido é:


Sinopse:

Tudo se passa depressa, talvez demasiado depressa para o carácter circunspecto de André. O tio moribundo faz uma revelação que descobre um segredo enterrado no passado. De súbito, tudo aquilo que conhecia se transfigura à sua frente e o mundo revela-se irreversivelmente alterado. Hesitante, o rapaz inicia uma viagem para esclarecer o segredo. Mas todos os segredos exigem um preço a pagar…
Narrada na primeira pessoa e num estilo intimista, a história desdobra-se em diversas cenas - finamente ligadas por um fio invisível - povoadas de personagens que se vêem confrontadas com as suas próprias fragilidades e que se debatem com uma desoladora solidão.
(conforme site da Chiado Editora)
Para participar é necessário ser seguidor do blogue e seguidor deste no Facebook. Podem encontrar a página aqui.

As regras do passatempo são:

- participar até às 23h59 de 6 de Outubro  de 2014;
- ser seguidor do Blogue aqui E no Facebook;
- ser residente em Portugal;
- só são aceites uma participação por pessoa/morada;
- apenas haverá um vencedor, que será apurado através do site: random.org.


sábado, 20 de Setembro de 2014

Novidades Marcador - O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, de Maurice Druon

À venda a partir de 3 de setembro, este é um livro que promete ser muito bom! Tem recomendação do George Martin e tudo. 
Sinopse:

O Rei de Ferro – Filipe, o Belo – é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês – que parece preferir a companhia de homens.
Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem.
O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão.
Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.

Dados editoriais:

Título: O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada | Autor: Maurice Druon | Editora: Marcador
Nº de Páginas: 504 | Formato: 15,5x23,5 cm | PVP 19,95€ | ISBN: 978-989-754-077-6

Oscar e Lucinda, de Peter Carey

Decidi ler este livro após ter visto o filme, do qual gostei muito. Gostei por causa da história em si, mas também por causa dos atores que retratam Oscar e Lucinda, que eu aprecio bastante: Ralph Fiennes e Cate Blanchett.

Oscar e Lucinda conta a história destas duas personagens, pela voz do bisneto de Oscar, 120 anos depois. O bisneto começa por contar alguns dados sobre a sua família mais próxima para depois passar a contar a história de Oscar e, depois, a de Lucinda.

Oscar, nascido em 1841, é um jovem solitário e introvertido, filho de um naturista e religioso da Ordem de Playmouth e de uma mulher muito bela e interessante, que vive em Hennacombe, Inglaterra. Depois de esta morrer, o pai de Oscar, Mr. Theophilus Hopkins vê-se a braços com a solidão e a tarefa de criar o filho sozinho. Sendo ele um bocado fanático em relação à sua religião e vendo todas as outras como perigosas e blasfemas, cedo começa a privar Oscar de muitas das coisas da Vida, como pudim de passas de Natal, que, a seu ver, é um produto do Mal. Quando Oscar, às escondidas do pai e com a ajuda das empregadas, come um bocado de pudim, percebe que a Vida podia muito ser muito mais interessante se pudesse fazer o que as outras pessoas das outras religiões fazem. Assim, começa a pensar a que outra religião cristã pode pertencer, através de um jogo adivinhatório com pedras e símbolos, acabando por lhe calhar como símbolo a Igreja Anglicana. Deste modo, Oscar abandona o seu lar e parte para casa do reverendo Stratton. Este influencia-se com o gosto do rapaz pela religião e principia-o nos preceitos anglicanos a fim de o enviar para Oriel para se tornar reverendo. Mais tarde, Oscar segue para Oriel e torna-se reverendo e viciado em jogos, principalmente em corridas de cavalos. Continua também a ser um “inadaptado” para a sociedade, um ser estranho e demasiado bondoso e esquisito (sendo esta a sua alcunha na faculdade).

Lucinda, também nascida em 1841, é uma jovem órfã que se vê a braços com uma fortuna bastante grande e sem saber como geri-la. Grande apreciadora de vidro, ao chegar a Sidney, vinda de Parramatta (também na Austrália), decide investir numa antiga fábrica de vidro, que estava à venda. Depois de se informar de quem a poderia ajudar, descobre o reverendo Hasset, também um apreciador de vidro, com o qual inicia uma amizade. No entanto, criada por um casal um tanto excêntrico para a época e para a região (a mãe era a favor do trabalho feminino e das fábricas da sua saudosa Londres e o pai era um amante a natureza e da bondade) e um tanto afastada das cidades, Lucinda descobre que os seus modos não são os mais “corretos” perante uma sociedade de gente empedernida e falsa. Sem mais do que dois ou três amigos, sozinha e jovem, começa a interessar-se pelos jogos, acabando por se viciar neles.
O destino de ambos cruza-se numa viagem de navio para a Austrália, quando Lucinda vem de um ano de estadia na Inglaterra e Oscar vai para a Austrália como penitência pelos seus vícios de jogador. Depois de se encontrarem e de se conhecerem, descobrem que os seus interesses são comuns e que a sua excentricidade e diferença em relação aos outros membros da sociedade pode muito bem ajudar a criar um laço bem grande entre ambos. Assim, tornam-se bons amigos.

Mais tarde, acabam por estabelecer entre eles uma aposta que tem tudo para mudar o curso das suas vidas.

Gostei bastante da história, das personagens, dos ambientes, das descrições e do sarcasmo e ironia presente ao longo de todo o enredo. Personagens distintas, ricas, complexas e que têm muito para oferecer ao leitor, fazendo com que este, durante a leitura, possa refletir sobre o que está a ler de uma forma mais ampla. Oscar é muito interessante, bem como Lucinda. São personagens que, mesmo que possam parecer excêntricas aos olhos das outras personagens, acabam por não o ser, sendo apenas “elas próprias” todo o tempo, estando sozinhas ou acompanhadas. Não têm vergonha dos seus comportamentos nem dos seus sentimentos e por isso são extremamente genuínas. É a sua genuinidade que leva Oscar e Lucinda a serem vistos como “estranhos, esquisitos e até depravados” por uma sociedade falsa, corrupta, assassina e maldosa, que esconde a sua maldade e velhacaria através de comportamentos e atitudes aparentemente corretos e moralmente aceites. Isso faz com que a história acabe por ser uma crítica bastante aguçada a esses comportamentos da sociedade, a essas falsidades que abundam por aí. É uma história intemporal por isso mesmo.

Depois, também gostei do sarcasmo com que o narrador aborda os temas contextualizadores da história, como a forma como certos assuntos, nomeadamente a religião, está presente na forma como as decisões dos mais diversos aspetos do dia-a-dia são tomadas. Não só a religião, como as “normas sociais”, o medo, a euforia, a falta de reflexão, a reflexão em excesso, o amor, o ciúme, as paixões, o desejo e o interesse pessoal. Por exemplo, Oscar está sempre a conter os seus sentimentos, os seus desejos, com medo de ser punido divinamente ou com medo do que lhe poderá acontecer se tomar alguma decisão mais brusca, sem reflexão prévia. Foi a sua educação que o fez assim (também em relação a Lucinda), o que também serve de crítica à forma como a educação molda o individuo. É essa contenção que provoca tudo o que acontece ao longo do enredo.

Outra crítica bastante presente é a forma como Lucinda é tratada num mundo de homens, por ser mulher. Dona de uma fábrica, bastante moderna em relação às convenções sociais, ela vê-se posta de lado pelos homens e pelas mulheres por querer ser ela mesma. Os operários não a aceitam na fábrica, pois pensam que ali não é lugar para mulheres. No entanto, ela é uma excelente gerente e quando ela não está presente, o negócio, tomado nas mãos dos seus amigos homens acaba por quase definhar. Pode-se ver-se que o autor explora aqui a forma como a mulher se tenta afirmar numa sociedade masculina, como é posta de parte tendo mais capacidades do que eles, pois é uma afronta por causa da sua inteligência, da sua intelectualidade e conhecimentos.

No entanto, houve um aspeto que não me agradou muito. Compreendo a originalidade na escolha do autor, mas acho que isso não beneficiou grandemente o enredo. Refiro-me à sequência narrativa. O narrador, ao contar a história, vai acrescentando informações por vezes bastante diversas daquilo que estava a contar, apesar de serem relevantes para os acontecimentos. Isso faz com que a narração, por vezes, se disperse um pouco e haja alguma falta de coerência. Também levou a que, a meu ver, a história tivesse um começo bastante mais completo do que a parte final, que acabou por ser um tanto rápida e mais coerente. A parte mais final (a partir, mais ou menos, das páginas 300) acabou por ser mais coerente e linear do que o início da narrativa. Fiquei a pensar que, se toda a história tivesse sido assim, teria sido mais interessante, mais coesa e direta.

O que acabei de referir não faz com que o livro deixe de ser uma excelente história. Muito bonita, um tanto trágica e bem melancólica. É final que fica na memória e que deixa um sensação de vazio, que marca o leitor e o deixa a pensar que tudo poderia ter sido diferente se as atitudes das personagens tivessem sido outras, se … se… aquela palavra que revela um ato que poderia ter sido e que não foi, ou que foi e poderia não ter sido.

Fico com a sensação que gostei mais do filme. O final está ligeiramente alterado, mas a alteração que fizeram no filme vai mais ao encontro ao meu gosto e é por isso que fico com esta sensação. Os atores estão perfeitos e representaram na perfeição as personagens, transmitindo todo seu carisma e pujança. Tanto Ralph Fiennes como Cate Blanchett fizeram um brilhante trabalho. Aconselho vivamente a que vejam o filme, pois é muito bom e bonito, tanto visualmente como a nível da beleza da história; aquela beleza inerente que aparece nas pequenas coisas. 


Também aconselho a leitura do livro, claro. Muito bom! 

Citações:

Ao fundo da grandiosa escada escorregadia que levava ao convés superior, abandonou silenciosamente a ruidosa companhia e sentiu-se como uma criatura triste e feia num conto de fadas, para sempre exilada da luz e compelida a ocultar-se, pálida e de olhos arregalados, reluzente de suor nas escuras regiões de aço das profundezas. p.260 


NOTA (0 a 10): 9

sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

The Gospel of Loki, de Joanne M. Harris

The Gospel of Loki é o terceiro livro da autora Joanne Harris que tem como contexto a mitologia nórdica. Depois de ler A Marca das Runas e A Luz das Runas, não podia deixar de querer ler este! 


Neste livro, Loki é o narrador e é ele que conta a sua história e a do começo dos mundos até ao Ragnarok, tendo em conta o seu ponto de vista. Com uma linguagem muito fluída, irónica e bastante sentida, Loki vai contando a sua história, à qual chama de Gospel of Loki (traduzido livremente por mim como O Hino de Loki, ou algo do género). É como que uma explicação pelo que fez durante a sua estadia em Asgard.

No início, Loki começa por introduzir o contexto da sua narrativa, explicando como começaram os mundos de acordo com a História: o Caos (fogo) entrou na Ordem (gelo) por meio de erupções subterrâneas que derivaram na existência de vida (temperaturas tépidas na superfície gelada geraram vida). Vida essa que teve como primeiro ser um gigante de nome Ymir e depois uma vaca (Audhumbla), que quando lambeu o gelo pôs a descoberto o primeiro Aesir, Buri. Buri foi pai de Bor que foi pai de Odin, Vili e Ve. Estes três acabaram por matar o gigante Ymir e, dele, fizeram os elementos dos mundos (o sangue deu origem ao mar, a carne deu origem à terra, o cabelo deu origem à vegetação, o cérebro deu origem às nuvens e o crânio deu origem ao céu). Depois de várias batalhas pela conquista dos mundos, acabou por se chegar à conclusão de repartir as terras pelas diferentes raças, que entretanto apareceram: povo do gelo, povo das rochas, humanos, Vanir, bruxas, feiticeiros, monstros. Os Vanir, nascidos de ligações entre os do Caos e os humanos, acabaram por ganhar mais magia do que os Aesir, uma vez que a magia era um dos poderes do Caos. E com a magia, vieram as Runas, que Odin acabou por cobiçar.

Gullveig-Heid, representante dos Vanir e uma das mais poderosas, foi até Asgard para negociar, mas os Aesir tentaram matá-la por três vezes no fogo, ao que ela conseguiu renascer e fugir, incentivando o seu povo e outros povos à guerra contra os Aesir. A guerra alastrou-se, até que Odin tentou mais um esquema: trocar reféns com os Vanir. Mandou-lhes Mimir e Honir e em troca ficou com Njord e os seus filhos (Frey e Freyja), na medida que os dois Aesir contribuíssem com ensinamentos de estratégia de guerra e os três Vanir contribuíssem com ensinamentos das runas. No entanto, Mímir e Honir tinham um esquema para dar informações falsas, o que levou à decapitação de Mímir, cuja cabeça voltou para Asgard com Honir. Odin acabou por preservar a cabeça com runas e transformou-a num oráculo, que guardou para si. Tempos depois, com novas ameaças dos povos do gelo e das rochas, os Aesir e os Vanir acabaram por se juntar em Asgard e, no final da guerra, uniram-se.

Com o tempo, Odin acabou por compreender que o que lhe fazia falta era alguém que fizesse os “trabalhos sujos” que ajudariam os Aesir a continuar no poder e depois de muito procurar (com a ajuda dos seus dois corvos Munin e Hugin), acabou por encontrar Loki, ainda na forma de Fogo Selvagem, um filho do Caos, filho de Laufey (uma chama) e de um monte de paus.

Loki, curioso por natureza, também andava à procurar de Odin. Andava à procura dos Aesir e dos Vanir através do Sonho, para descobrir quem é que andava a usar as runas e a magia, um dom do seu povo. Sonhava também ser livre, algo que não era no Caos, sempre subjugado por Surt, o Senhor do Caos. Assim, nas margens do rio de Sonho, Loki e Odin encontraram-se, este chamando pelos nomes de Loki de modo a trazê-lo para o seu lado. Loki mudou para o aspeto humano e acabou por se deixar seduzir pelo pedido de Odin: Loki seria um dos deuses, moraria em Asgard, seria estimado e bem tratado, estaria sob proteção de Odin, que seria seu irmão de sangue, trabalharia para Odin e não mais poderia regressar ao Caos. Para isso, como marca de aliança, marcou-o com a runa Kaen (runa do fogo) e levou-o para Asgard. Lá, Loki só encontrou ódio e rancor por parte dos outros Aesir e Vanir, exceto Idun (que não tinha sentimentos negativos por ninguém) e Sygin (que se apaixonou por ele).

A partir daí, Loki conta como foi a sua vida no meio dos deuses, como se deixou encantar e deslumbrar, como acabou por encontrar nada mais do que traição e ódio, como se tornou mais humano do que criatura do Caos, como se sentiu envolto em sentimentos e sentidos que o atormentaram, como encontrou algo parecido com Amor, com família, com amizade, e como acabou por perder tudo, restando-lhe apenas a vingança como arma contra aqueles que o acolheram com sentimentos de raiva e medo, contra aqueles que poderiam ter sido a sua família e que acabaram por se revelaram nada mais do que carrascos. Assim, Loki vai narrando a sua história e como esta se entrelaça com a história dos mundos, com o seu inícios e os seus finais.

Gostei muito do livro, mais do que dos outros dois. Apesar de gostar imenso de A Marca das Runas e de A Luz das Runas, The Gospel of Loki, ultrapassa-os, na minha perspetiva. Isto porque: tem o Loki como narrador e suprema personagem principal (ele é o meu favorito destes livros); tem uma linguagem mais adulta, mais assertiva, mais irónica; tem como cenário Asgard e outros locais míticos; os deuses estão mais presentes; existem momentos de pura melancolia e até bastante tristes, que estão muito bem doseados com momentos de puro riso; é uma boa forma de ficar a conhecer melhor a mitologia nórdica e, em especial, Loki e o seu papel nesta.

Uma vez que, já nos outros livros, Loki tinha-se revelado um eixo fundamental e um pilar de estruturação da história, isso é exponenciado aqui, sendo o narrador e a personagem principal. Também é possível, ao ler nas entrelinhas, descortinar o papel que ele teve em todos os momentos, especialmente nos momentos finais, que servem de ligação para alguns dos acontecimentos dos outros dois livros, principalmente do primeiro. Este livro é como que a base para tudo o que se desenvolve nos seguintes, porém, não significa que seja mais interessante lê-lo antes dos outros. Mesmo porque a ordem de escrita foi: A Marca das Runas, A Luz das Runas, The Gospel of Loki. Este livro é como que a chave para algumas pontas desatadas de algumas partes dos enredos dos outros dois livros, ou pelo menos para quem não é tão conhecedor da mitologia nórdica. Porque sim, o livro é uma espécie de reconto de alguns episódios desta mitologia, mas a forma como é narrado é soberba.

Mais uma vez, Joanne Harris volta a encantar com a forma como desenvolveu mais um capítulo desta história com base nos mitos nórdicos. Para mim, este supera os outros dois. E é pena que, em princípio, seja um standalone, dada a forma como terminou. Por falar nisso, esta é a prova que é possível escrever histórias boas, com um enredo rico, complexo, fantástico, sem ser necessário recorrer a vários livros. Neste pequeno livro (cerca de 300 páginas), acontecem mais episódios do que em qualquer dos outros dois livros passados neste contexto.

Não podia deixar de mencionar outro facto que muito me agradou: a final do livro. Ao longo do livro, o narrador vai-nos dando pistas sobre o final (e todos os que leram os outros dois livros, ou apenas um, ou que conhecem alguns episódios desta mitologia) e eu já sabia o final, pelo menos, a parte mais visível do final. Porém, a mestria com que ele narra a história, a forma como ele utiliza as palavras e as usa para criar os significados subtis que pretende mostrar ao leitor, faz com que o final seja muito mais do que aquilo que se estava à espera. Este é, simplesmente, brilhante, bem como em certa medida, bastante triste. Como referi à pouco, existem momentos de puro riso porque a forma como ele narra e alguns dos episódios que são narrados, permitem que o leitor dê várias gargalhadas. No entanto, Loki mostra ser um ser que também é capaz de refletir, de sentir, de se angustiar e sofrer, de tal modo e de tal forma que faz com que certos momentos do livro se tornam bastante melancólicos. Refiro-me em especial aos momentos com os filhos dele e àqueles em que ele é traído.

É uma história mais adulta do que as dos outros livros. Existem diversas batalhas, com excelentes descrições que me fizeram imaginar lá dentro, o que é muito bom. Existe ação, drama, alegria, amor, magia (muita magia), intriga e dualidade. Estão presentes todos os ingredientes que promovem uma boa história, com um enredo forte e perfeito. Existe um excelente equilíbrio destes ao longo da narrativa. As personagens estão excelentes, muito diferentes umas das outras, muito bem caracterizadas e definidas. Todas elas têm o seu papel determinante para o global da história. Nada aparece por acaso e tudo o que é narrado é importante…tudo está ligado. E essas ligações são bastante expostas pelo narrador, que, enquanto narra a sua história, faz também uma reflexão sobre a sua vida, sobre as suas escolhas e sobre tudo o que poderia ter tido ou feito, pesando todo o seu passado em busca de uma espécie de redenção. Não há apenas um lado nele, não há apenas maldade ou gosto por enganar, por trair. Não. Esta história dá a conhecer um Loki muito mais complexo, um Loki que sempre foi mal-entendido pelos seus pares, que não foi aceite e que por isso se viu votado ao abandono e sem ninguém. E, no fundo, o que ele mais queria era alguém. Da sua maneira, mas alguém.


Um livro maravilhoso. Ainda não está traduzido para português, mas penso que alguma editora (a ASA, talvez…uma vez que traduziu os outros dois) o irá fazer. Espero que leiam e que gostem tanto como eu gostei. Recomendo a todos.



Podem encontrar mais informações no site da autora, aqui

Algumas citações:

Words, like names, are powerful things. Once given, there's no taking them back without risking serious consequences. p. 235

Or was this the scenario she'd always secretly wanted - to have me to herself for good, helpless and in her power?
"I brought some fruitcake for later," she said "If you like I'll cut you a slice."
"Cake," I said. "You brought cake?" p. 243

History spins its yarn, breaks threads, spins again, like a child's top, going back to the beginning. The Oracle knew that. That's what those last stanzas mean; a new world, rising from the ruins of the old. p. 294

NOTA (0 a 10): 10 

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

A Luz das Runas, de Joanne Harris

A Luz das Runas é a continuação de A Marca das Runas, excelente livro da autora Joanne Harris, que muito me agradou. Este não se lhe ficou atrás, nem por sombras. Para mim, A Luz das Runas mostrou-se um pouco superior ao seu antecessor, especialmente por causa dos cenários do enredo, da forma como este se foi desenvolvendo e também por causa da evolução das personagens. 


Passaram-se três anos desde os acontecimentos narrados no livro anterior. Maddy vive com a sua família de deuses em Malbry, no antigo presbitério dos Parson. Depois de algum tempo de calma, Loki é atacado por uma cobra-mulher, um efémero nascido do sonho com um aspeto mortífero para Loki e com o propósito de o matar. Maddy aparece para o salvar, mas depois desse ataque, tudo muda na vida dela e dos deuses. Ethel/Frigg, Vidente, profetiza o reconstrução de Asgard e o Fim dos Mundos, dentro de doze dias, e assim começa a nova aventura pela sobrevivência, poder e vida dos Æsir e dos Vanir, a luta entre a Ordem e o Caos. Porém, a demanda é mais perigosa do que se poderia esperar, pois há uma força que tenta por tudo aniquilar o Povo do Fogo, força essa que é controlada por Maggie, uma rapariga do Fim do Mundo, que viu a sua família morrer depois da Bem-Aventurança (ou da guerra levada a cabo pelo Inominável (Mimir) contra os deuses três anos antes) e da peste que se lhe seguiu, bem como da queda da Ordem. Maggie viveu sozinha por três anos, apenas do ordenado mísero a servir numa estalagem/bar, e do seu estudo através dos milhares de livros (incluindo o Livro das Palavras) por ela descobertos nos túneis da cidade e da Universidade.Todos os esforços são necessários e as mentiras e intrujices são mais do que muitas, tornando as tarefas das personagens bastante árduas.

Gostei muito da narrativa. Apesar de a construção do enredo ser bastante parecida com a do livro anterior, é possível constatar que existe um maior amadurecimento, tanto a nível das personagens como da narrativa. A história é mais complexa, torna-se mais adulta, mais negra. As viagens feitas pelas personagens tornam-se mais complexas, por mais locais do que aqueles que são apresentados no primeiro livro, o que faz com que se tenha uma ideia mais alargada também e bastante mais profunda do ambiente em que as personagens vivem e das suas diferentes culturas. Gostei bastante de ver a cidade do Fim do Mundo, bem como a outra cidade por onde o grupo dos Æsir e dos Vanir passaram aquando da sua viagem até ao Fim do Mundo, onde atuaram e jogaram um perigoso jogo com um ser fantástico. 

Como já referi anteriormente, as personagens mostraram um maior amadurecimento. Depois de três anos isso seria de esperar, mas a subtileza das alterações psicológicas das personagens está muito bem. Também não há uma linearidade nas suas personalidades e nos seus pensamentos/emoções. A autora conseguiu construir um leque de personagens onde a duplicidade está sempre presente. Não digo duplicidade como algo negativo, mas como uma característica de complexidade e interesse.

Também penso que a autora fez um bom estudo da personalidade através das personagens. Afinal, nada é linear e as escolhas que têm de fazer são sempre difíceis. Tudo é mais complexo do que aquilo que parece e nada é perfeito ou totalmente imperfeito. O bom e o mau estão presentes em tudo e todos podem ser surpreendidos e surpreender, tanto por um lado como pelo outro. É um bom estudo, subtil, mas presente.

Ao observar o desenrolar da ação e das ações e pensamentos das personagens, consegui estar sempre seguir os raciocínios e decisões delas, conseguindo também compreender a ambiguidade das suas personalidades e os porquês das suas duplas condutas. Isto é interessante. Por exemplo, Loki tem uma evolução fantástica e árdua, o que é fantástico e que muito me agradou. Também Maddy e Maggie mostram uma grande personalidade, mesmo que por vezes me tenham irritado, em especial Maggie (que no início me estava a deixar um bocado chateada com ela mesma, desejando que Maddy e os outros não se aliassem a ela), que acabou por me surpreender e por ser uma mais-valia para o enredo.  

De realçar também as outras personagens que apareceram neste livro e que foram uma “lufada de ar fresco”: Angie (Angrboda), os Lobos, Sigyn, os Corvos, Perth. Personagens muito interessantes, cujas ações estão muito bem concretizadas, sendo bastante úteis, e necessárias, para a narrativa. 

Outro aspeto que me agradou bastante foi o desenvolvimento da narrativa. Estas histórias da autora não parecem apresentar um fio condutor muito explícito no início, mas a dado momento tudo se começa a encaixar, demonstrando assim a complexidade da história e de como os acontecimentos estão intricadamente relacionados entre si. Isto é uma mais-valia para a história, a meu ver. Também as profecias e antigas canções de embalar/infantis voltam a ter grande importância, acabando por definir a história em si.
Também as descrições são bastante interessantes, no entanto penso que poderiam haver mais. Por vezes, sente-se que o ritmo frenético da história acaba por interferir com a imagem global do ambiente à volta. Algo que não prejudica de modo algum a leitura, claro. 

Bem, já tinha saudades de voltar a ver estas personagens, principalmente o Loki. Sim, é o meu favorito e estava com algum receio de que ele não aparecesse tanto na história, mas fiquei agradavelmente satisfeita com a sua brilhante atuação ao longo de toda a narrativa, sentindo alguns momentos de apreensão e outros de alegria. E gostei imenso de o ver com Angie e Sigyn. 

Em suma, esta é uma história muito boa, divertida, complexa, interessante e com momentos de pura fantasia. Pessoal que gosta de Fantasia, não tenha medo de arriscar. Pessoal que gosta de qualquer outro género literário, também não tenha medo, estes livros são excelentes! Joanne Harris fez um bom trabalho com os deuses nórdicos e as suas aventuras prometem momentos de grande emoção e umas boas gargalhadas. Recomendo vivamente!

Sigyn e Loki

- Querido - disse ela - Porque demoraste tanto? - Ela levantou-se e beijou-o na boca. A sensação foi realmente bastante agradável, pensou ele. Afinal, haviam passado mais de quinhentos anos desde que alguém quisera ter alguma coisa a ver com a sua boca, exceto talvez para a fechar de vez.
Fechou os olhos. As mão de Sigyn uniram-se no fundo das suas costas e apertaram-no...
pág.589

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Pendragon - O Ciclo Pendragon, de Stephen Lawhead

Este é o quarto livro da saga sobre a lenda arturiana do escritor Stephen Lawhead. Depois de ter lido a trilogia (Taliesin, Merlim e Artur), decidi continuar a ler sobre Merlim e Artur, seguindo para Pendragon. Apesar do ciclo ter ficado fechado em Artur, Pendragon dá-nos a conhecer algumas histórias que não aparecem (ou que não têm tanto detalhe) no último livro da trilogia. Há mais detalhes sobre a vida de Artur e sobre algumas das batalhas, dando-se especial destaque às batalhas com os Vândalos.

Este livro retoma a vida de Artur desde a sua infância até depois da batalha com os Vândalos. Neste quarto livro, para além das batalhas, a Bretanha vê-se a braços com uma praga que dizima a população: o Devastador Amarelo. Assim, a tarefa de Artur e Merlim para dar a conhecer e construir o Reino do Verão vê-se bastante conturbada e até periclitante.

Merlim é o narrador da história, um dos melhores narradores desta saga. É através das palavras extremamente bem elaboradas e colocadas em frases soberbas que Merlim nos vai contando a vida de Artur. Sendo seu bardo e conselheiro, tem uma posição privilegiada junto do Supremo Rei da Bretanha. No entanto, há muito sobre Merlim que também aparece na história. Confesso que as partes em que Merlim tem destaque são das que mais me agradam, apesar de todo o conjunto ser maravilhoso e me agradar. Mas tenho um fraquinho pelo Merlim, mais do que pelo Artur, daí esta minha preferência. Gosto especialmente das partes em que o Outro Mundo aparece, uma vez que são momentos de extrema magia e maravilha. Gostei de rever Ganieda, a eterna amada de Merlim nesta história.

Tendo em conta o final do terceiro livro, foi com gosto que peguei neste para saber mais detalhes sobre a história em si. O autor manteve a estrutura cronológica igual e os acontecimentos que aparecem em ambos os livros coincidem. Há alguns que tiveram mais destaque no terceiro livro que são apenas referidos neste e vice-versa, ajudando à complementaridade da história em si. Senti a falta de Morgana, que apenas aparece em algumas referências a momentos passados no terceiro livro. Ela é uma das minhas personagens preferidas da lenda de Artur, se não a que mais gosto (para além de Merlim). Também gostei de rever algumas das personagens mais queridas da saga, como Peleias, o fiel escudeiro de Artur, cujo desfecho pareceu-me bastante cruel, na medida que é mais ou menos uma incógnita, ficando apenas a saber-se o que aconteceu sem detalhe algum. Também gostei de rever as personagens pertencentes ao Povo das Fadas, que tanto me agradam e recordam especialmente o primeiro livro da saga. Neste livro também os Irlandeses aparecem mais, sendo a ilha e as suas personagens um ponto fulcral na história. Gwenwyvar também acaba por ter maior destaque neste livro do que no anterior, o que achei interessante porque é uma personagem que muito me agrada: uma rainha lúcida, guerreira, forte, leal, brava, corajosa e extremamente amável para quem o merece.

As descrições estão bastante vividas, dando a impressão que o leitor está mesmo no meio da ação. Tanto as descrições das batalhas como dos espaços dão esta mesma sensação, que me agrada sobremaneira. E isto sem ser uma descrição em demasia.

O autor consegue mais uma vez criar uma história rica sobre Artur. Mesmo que muitos dos aspetos referidos e o enredo em si não ir ao encontro do que a lenda refere, o que é certo é que não há dados reais sobre a história: é uma lenda. E Stephen Lawhead conseguiu, a meu ver, criar uma história brilhante, juntando História com lendas e acontecimentos indefinidos. A época em que a narrativa acontece é das que mais me fascina e o espaço em que a ação decorre, também. A forma como a história se desenvolveu desde o primeiro livro até aqui é magistral, cobrindo um espaço de tempo bastante extenso, permitindo, assim, dar a conhecer um período alargado da História, mesmo que nem tudo seja real. E esse conhecimento é, para mim, maravilhoso. Assim, só tenho elogios a fazer em relação à forma como o autor tem conduzido a narrativa. A prosa é por demais maravilhosa, criando um ambiente prefeito, em especial quando o narrador é Merlim (o autor consegue criar narradores bastante distintos, com uma prosa extremamente relacionada com a sua maneira de encarar o Mundo): parece que se está a ler uma história escrita naquele período. Este é o sentimento com que fico ao ler estes livros, e isso é fantástico.

Mais um maravilhoso livro de Stephen Lawhead sobre a lenda arturiana que recomendo totalmente! 

Citação:

- (...) Se queres viver, pelo caminho por onde viestes terás de voltar.
Deu dois passos atrás e, pousando as pontas dos dedos nos lábios, beijou-os, erguendo para mim a mão ágil.
- Adeus, de-todos-o-mais-amado - disse. - Lembra-te, virei para te levar, um dia...
- Por favor, Ganieda - gritei, a dor avultando-se dentro de mim, como uma onda -, não me deixes! Por favor!
p.356 

NOTA (0 a 10): 10

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

A Ilha dos Amores Infinitos, de Daína Chaviano



Comecei a ler este livro sem grandes expectativas, pois não sabia muito sobre ele. Fiquei bastante agradada com a história que se me deparou pela frente à medida que lia este livro. Ao princípio não fiquei logo agarrada, mas a partir do encontro entre Cecilia e a anciã Amalia, fiquei muito curiosa. A história começou a adensar-se, as personagens a crescer, a multiplicarem-se e a expandirem as suas raízes e o tempo foi passando. Passaram-se muitos anos para as personagens, as famílias foram-se alterando e as relações entre estas começaram a tecer-se com grande mestria. A juntar a isto, começou a aparecer referências a casas-fantasma e a espíritos, dando um ambiente bastante misterioso à trama. 

O livro começa na década de 90 do século XX. Cecilia é uma jovem jornalista cubana que vive em Miami. Vive uma vida pacata, mas demasiado solitária. Certa vez vai a uma casa de espetáculos/bar com os seus dois amigos e acaba por conhecer uma anciã, Amalia. Curiosa, pergunta à senhora o que está ela ali a fazer, ao que Amalia responde que está à espera de alguém. Cecilia mostra-se interessada e começa a perguntar por quem é que ela está à espera; a idosa responde que responder a isso demoraria tempo. Cecilia pede à senhora que lhe conte a história e esta começa a contar. Durante a sua narrativa, Cecilia fica a conhecer três famílias de origens diferentes: chinesa, africana e espanhola. As personagens de cada família vão vivendo as suas vidas, acabando por partir para Cuba, em determina altura, devido a diferentes motivos. À medida que Amalia conta a história, Cecilia vai conhecendo as personagens, descobrindo as suas vidas e os seus passados, bem como a história do seu país. Também vai vivendo a sua vida, nomeadamente, a busca de informação sobre uma casa-fantasma que aparece e desaparece nas ruas de Miami, para escrever um artigo. Assim, Cecilia vai vivendo a sua própria história à medida que conhece os passados das personagens da história de Amalia, personagens de carne e osso, com histórias de luta, sofrimento e amor.
Gostei bastante da narrativa. A autora fez um trabalho notável na criação das relações entre os membros das três famílias, recriando um facto histórico e o que este causou: as migrações para Cuba, no final do século XIX (e antes, desde a sua descoberta), levaram à mistura das culturas e das etnias, criando uma cultura e uma etnia únicas, que não é possível dizer que é apenas uma, mas sim o conjunto de todas as que se juntaram ao longo dos tempos. Isso está muito bem trabalhado neste livro. 

As personagens são muito ricas, com um passado cheio de acontecimentos interessantes e marcantes, o que me agradou muito. Gostei muito da forma como algumas delas foram tomando as suas decisões ao longo da narrativa. São histórias fortes, nem sempre felizes, mas onde o amor está sempre presente e onde este é o moinho que faz mover o vento das suas vidas.

Também gostei do contexto histórico. Ao longo do livro, e uma vez que a história acontece ao longo de várias décadas, é possível acompanhar a “evolução” de Cuba, mais especialmente de Havana. As migrações, a escravatura, o fim desta, a prosperidade, a queda dos governos, as revoluções, as questões políticas, as “intervenções”, o medo dos habitantes, as fugas e a crescente destruição do que poderia ter sido uma espécie de sonho, são aspetos muito bem apresentados ao longo da história e que lhe dão um cariz tremendamente desolador, mas muito rico. De referir que há personagens reais, que existiram de verdade, e que estão muito bem enquadradas na narrativa. 

Depois, a autora também optou por criar um ambiente onde o místico está sempre presente. É uma história em que este tema é apresentado com destaque, mas sem grande alarido. É algo natural para as personagens ao longo da história, estando presente como outro qualquer fator. As crenças de cada cultura também estão bem presentes, definindo as personagens e a trama em si mesma. São aspetos que a autora explorou e interligou de uma forma interessante, acabando por dar um ar de mistério ao enredo, em especial na parte de Cecilia.

No entanto, acabei por sentir por várias vezes que a história merecia mais detalhe. O livro é pequenino, tem cerca de 300 páginas. Podia ser maior, o que permitiria um maior detalhe e trabalho em redor das vidas das personagens. Gostei tanto delas que fiquei a sentir uma espécie de pena por a autora não se ter detido mais em cada personagem. Passa-se por várias gerações das famílias de um modo, a meu ver, um tanto apressado. E as personagens mereciam mais. A história merecia mais conteúdo. O livro poderia ter ficado maior, mas a história teria ficado mais sumarenta. Ela já é rica, mas poderia ter ficado ainda melhor. 

Ao ler o livro lembrei-me de outro livro em que é contada uma história a uma personagem do presente sobre o passado. Estou a referir-me a O Regresso, de Victoria Hislop, que tanto gostei. 

Em suma, foi uma experiência muito boa. Um livro que me agradou bastante e que recomendo vivamente. O título adequa-se perfeitamente, uma vez que faz todo o sentido tendo em conta a narrativa de Amalia e a vida de Cecilia. Também gostei muito do facto do livro vir munido das árvores genealógicas das famílias, o que permite uma maior atenção às relações entre os membros destas e também às datas. É um livro com uma escrita fluída, que se lê num ápice e que nos dá a conhecer um pouco da história de Cuba, numa perspetiva um tanto diferente, recorrendo a fatores não tão usuais. Um romance muito bom!


NOTA (0 a 10): 8