sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Valérian 1 a 12, de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières

Sinopse:

Valérian e Laureline são uma dupla de agentes espácio-temporais que vivem imensas aventuras, primeiro ao serviço da organização de Galaxity, a capital do Império Galáctico Terrestre, em 2720, e depois por conta deles, sempre com o objetivo de descobrir o futuro da Terra, uma vez que, no passado, devido a um acontecimento estranho e medonho, o planeta desapareceu de todos os Sistemas. 

Cada livro tem duas histórias, sendo que o décimo segundo é um género de reconto de algumas delas ou de material de interesse para os leitores que querem ficar a saber mais sobre estas personagens.



Opinião:

Decidi apostar nesta coleção depois de ver o filme que saiu no ano passado, com o mesmo nome e realizado por Luc Besson. Apesar de ser lindo visualmente e de ter um argumento fantástico, esperava muito mais de um filme de Ficção Científica. Havia muito mais para explorar e que não o foi, mas há algo muito bom para além do aspeto visual, que é a sequência inicial: única e muito bem conseguida, é uma das melhores que vi até à data. 

Acho que foi uma excelente ideia o Público ter optado por publicar esta coleção. Não conhecia as personagens, a história, os autores e fiquei bastante satisfeita. 

Valérian e Laureline são duas personagens muito interessantes, mesmo que não sejam muito complexas. Também não esperava que fossem, uma vez que o grande foco das histórias é mesmo a ação e o cariz visual das outras espécies que vão aparecendo ao longo das histórias e que estão muito interessantes e variadas, permitindo assim um olhar muito diversificado sobre as diferentes espécies que podiam existir em todo o Universo...todas a viver em harmonia. 

As histórias são muito boas, cheias de emoção, humor e muita ação. A juntar a uma escrita com humor e bastante sucinta, faz com que cada livro seja lido num ápice. Quis não ler tudo de seguida para poder desfrutar mais destas aventuras, que são todas elas diferentes. 

Porém, durante a leitura das várias histórias é possível deslindar várias outras leituras e mensagens que os autores quiseram transmitir através das personagens e das suas aventuras. As questões multiculturais, do ambiente, da rivalidade, da indiferença, dos vários perigos das sociedades modernas...é possível encontrar variadas referências nas entrelinhas das aventuras dos dois agentes e que transformam estas histórias que podem parecer simples, nalgo mais interessante e complexo, sendo algumas delas boas metáforas para questões sociais. 

Em relação às ilustrações, são magníficas. As expressões, as cores, os ambientes...tudo tem o maior detalhe, permitindo ao leitor entrar completamente nos diversos mundos e acompanhar Valérian e Laureline.

Assim, recomendo a todos os que gostam de banda desenhada e de boas aventuras!

NOTA (global, 0 a 10): 8

sábado, 30 de dezembro de 2017

Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman

Sinopse:

Neste livro, Neil Gaiman faz um reconto de várias lendas da mitologia nórdica, dando a conhecer vários dos deuses nórdicos e das suas aventuras. Odin, Thor, Loki e muitos outros, são as personagens destas lendas, que vão fazer o leitor viajar plena e apaixonadamente através destes mundos tão vastos, fantásticos e únicos. 

Emoção, diversão e muita aventura, são os principais ingredientes deste livro de Gaiman. São histórias conhecidas de quem segue estes temas, mas contadas com o olhar especial deste autor, que é sempre especial. 



Opinião:

Este não é o primeiro livro que leio sobre este tema, nem o primeiro com estas personagens. Dentro da mitologia nórdica, a nível literário, comecei com os livros da Joanne Harris (A Marca das Runas, A Luz das Runas, The Gospel of Loki). Mitologia Nórdica, de Gaiman, dá-nos várias histórias com os deuses nórdicos, as mais conhecidas e aquelas que foram ficando de geração em geração. Numa nota introdutória, o autor apresenta a história sucintamente e de forma magistral. Assim, este livro é um género de antologia de histórias desta mitologia, que nos dão a conhecer várias aventuras em que Thor, Loki, Odin e outros, aparecem para contar histórias. São várias, todas excelentes, muito bem contadas. Gaiman refere-o, e muito bem. Este é um livro para pegar, ler, contar. São histórias para serem contadas à lareira, num dia de frio, ou não, para fazer sonhar, divertir ou espantar. São histórias que muitos já conhecem, mas que são sempre boas de voltar a conhecer, porque há sempre algum detalhe, algo novo. É um mimo, este livro! 

O livro tem várias histórias, sendo que começa com aquelas que contam o começo do mundo até à que conta o final, o Ragnarok. São histórias pequenas e dei por mim a tentar abrandar a leitura para poder saborear cada bocadinho. Já as conhecia, principalmente do livro The Gospel of Loki, que tem praticamente as mesmas histórias, mas contadas na perspetiva do Loki, o que torna o livro bastante mais emocionante, uma vez que dá a perspetiva desta personagem. Não estou com isto a dizer que esta versão de Gaiman não é interessante, longe disso! São diferentes, apesar de contarem praticamente o mesmo. 

As personagens são os deuses nórdicos e os mais conhecidos estão em destaque, se bem que também aparecem outros que neste livro tomam também o seu lugar. Loki e Thor são as personagens que mais aparecem, sendo que são aquelas que aparecem em mais aventuras e que as desencadeiam, em especial, Loki. Gosto muito das personagens e já sabia o que lhes acontecia no final, mas voltei a emocionar-me como se não soubesse o que ia acontecer. Gaiman consegue, como em todos os seus livros, dar vida a tudo na narrativa. Consegue dar um toque especial, ele inflama tudo de emoção, descreve e escreve de modo a criar um clima espetacular, ele cria os climas perfeitos para todos os momentos, o que faz o leitor cair na história. É como se mergulhasse no enredo e fluísse no rio que ele é. Acompanhei as personagens em todas as suas aventuras e estive lá com elas. As últimas histórias são bastante fortes, e isso sente-se violentamente. 

A escrita do autor é uma maravilha. Ele pega na mão do leitor, caminha com ele para a história, mostra-lhe o contexto todo, as personagens...e depois... depois abandona-o ali, no meio de tudo e deixa-o à mercê dos acontecimentos da narrativa, para que viva uma experiência intensa e única, rica em detalhe e, especialmente, em emoção. 

Os livros de Gaiman conseguem sempre ter uma magia especial e este não é excepção. Gostei muito de todas as histórias, gostei do cariz próprio que o autor lhes deu e a forma como pintou as personagens, que se assemelham bastante às da Marvel, mas com o seu cariz especial. Um livro para todas as idades, se bem que haja momentos bastante fortes. 

Recomendo a todos os que gostam de histórias, de Gaiman, de aventuras, de emoção, de diversão. Há histórias para todos os gostos. Muitas delas deixam o leitor a rir-se às gargalhadas, muitas deixam-no aflito e preocupado e muitas deixam-no espantado. Um livro fantástico e muito bem conseguido.

NOTA (0 a 10): 10 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

A Minha Prima Rachel, de Daphne de Maurier

Sinopse:

Sem sequer nunca se terem encontrado, Philip odeia Rachel, com quem Ambrose, seu primo, casou durante uma estadia em Itália. E quando este lhe escreve e lhe transmite a suspeita de que a mulher o quer envenenar, Philip não sente quaisquer dúvidas.

Ambrose morre em circunstâncias pouco claras e Philip jura vingar a sua morte. Semanas depois, Rachel visita-o na sua propriedade da Cornualha, e a animosidade que Philip sentia por ela vai dando lugar a um fascínio incontrolável. Quem é Rachel, afinal? Uma mulher realmente apaixonada? Ou movida por interesses pessoais? 

Daphne du Maurier confirma nesta obra o seu enorme talento para escrever histórias com uma grande riqueza narrativa, suspense intriga permanentes e uma apurada caracterização das personagens. Um romance clássico, cativante, com uma escrita belíssima. (in Goodreads)



Opinião:

Aqui está um livro que me surpreendeu. Não o conhecia, apesar de já ter lido sobre o filme, que acabei por ver enquanto o lia. Já tinha lido algumas opiniões sobre Rebecca, mas ainda não tinha tido aquele desejo de ler A Minha Prima Rachel. Mas ainda bem que o descobri, porque foi uma leitura sublime, cheia de emoção e surpresa. 

A Minha Prima Rachel conta a história da prima de Philip e do mistério que a envolve. Philip, um jovem rapaz da Inglaterra rural, ao cuidado do seu primo, Ambrose, tem uma bela casa para administrar e cuidar. O seu primo, depois de partir para a Itália em busca de uma saúde melhor por causa do clima, casa com Rachel, uma mulher com um passado escondido, cujo primeiro marido fora morto em duelo. Quando Philip começa a receber cartas de Ambrose cujo conteúdo é dúbio em relação a Rachel, Philip começa a desconfiar da prima. E quando Ambrose morre doente, Philip acredita que foi Rachel que o envenenou. Mas, quando Rachel aparece na sua casa, o que era certeza acaba por tornar-se nalgo mais complexo e Philip vê-se num complexo jogo do qual não sabe sair. 

Uma história muito bem contada, repleta de mistério, suspense, intriga, romance e com uma narrativa maravilhosamente orquestrada, cuja escrita é soberba e muitíssimo acutilante. A autora criou uma aura de mistério numa história aparentemente óbvia e plana. Pelos olhos e palavras de Philip, o leitor entra na vida daquelas personagens, torna-se parte do cenário e do enredo e consegue assim seguir os passos de Rachel, ou antes, aqueles que Philip acredita serem os seus interesses, porque Rachel começa e termina por ser uma das mais misteriosas personagens da Literatura, cujos segredos e razões são um mistério. 

Em relação às personagens, só tenho a referir que são todas maravilhosas. Por mais normais que sejam, por mais comuns, todas elas são de uma complexidade ínfima, sendo Rachel a mais complexa de todas. Philip também tem o seu fascínio. O seu amadurecimento tem muitos altos e baixos e não tem um crescimento linear. É confuso e complexo e nem ele mesmo se compreende muito bem, pois é bastante imaturo. Com mudanças de humor que fazem com que a leitura seja uma montanha russa de emoções, uma vez que é ele o narrador, Philip leva o leitor para um mundo de sombras e segredos. Começa por apresentar Rachel como uma bruxa, uma assassina, para depois se apaixonar por ela e dar a conhecer uma Rachel que pode ser verdadeira, mas que está bem escondida, terminando por mostrar uma Rachel que é um mistério maior do que aquilo que foi parecendo ao longo de toda a narrativa. 

A forma como ele narra a história permite criar um clima tenso, elétrico e sombrio, o que faz com que o leitor esteja sembre num sobressalto e na tentativa de descobrir o que aconteceu e quais são os motivos de Rachel. É uma história de mistério, e o mistério está muito bem criado e muito bem conseguido, pois não é linear, nem fácil de entender nem de esclarecer. Aliás, o que parece ser logo muito fácil, acaba por se ir enevoando ao longo da leitura, deixando o leitor na dúvida até depois de terminar o livro. E foi isso mesmo que me conquistou, para além das personagens, da narrativa, da escrita... foi a perfeita dúvida quanto a Rachel e como a autora conseguiu deixá-la ser um mistério. 

Com uma escrita simples, mas cheia de detalhes e com uma clareza excelente, a autora dá a conhecer aquilo que é importante para a história em si e aquilo que é importante para o lado sombrio do enredo. Descrições fortes, belas e poderosas, diálogos elevados e cheios de emoção, fazem de A Minha Prima Rachel um livro belíssimo, que, a nível da escrita, fez-me lembrar Longe da Multidão, de Thomas Hardy.  

Um dos melhores livros que li este ano, sem dúvida. O filme, apesar de ter um final um tudo diferente, não lhe chega nem perto. Está interessante, mas o livro é muito melhor, na minha opinião. Recomendo vivamente! Uma história para ler com calma e saborear, apesar da narrativa e da escrita em si darem vontade de o devorar. Um livro belíssimo, com personagens únicas, mistério, romance...tudo aquilo que faz de uma história, uma obra de arte. 

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Carry On - A História de Simon Snow, de Rainbow Rowell

Sinopse:

Esta é a história de Simon Snow, a personagem fictícia que povoava a vida e imaginação de Cath em Fangirl, o fabuloso romance de Rainbow Rowell.

Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a nemésis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma!

Carry On - A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell - mas muito, muito mais monstros. (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Este é o primeiro livro que leio da autora e fiquei muito satisfeita. Uma história envolvente, muito bem construída e com momentos muito bem conseguidas. 

Gostei muito de todas as personagens. Todas estão especiais e muito distintas. Simon é único e a sua maneira de ser e estar faz com que o leitor passe o livro num sobressalto. Mas não é só Simon que consegue captar a atenção, são todas as personagens. 

A história também agarra o leitor. Tem tudo para ser boa: magia, romance, aventura. Muitos perigos e situações de tirar o folego, que, a juntar a uma boa dose de romance bem doseado, faz desta história algo extraordinário. Fiquei deveras agradada! 

A autora conseguiu criar laços entre as personagens que nos fazem suspirar e vibrar com todos os acontecimentos. Isso é muito bom, porque assim uma pessoa consegue viver ainda mais o que está a ler, entrando no mundo narrado totalmente, o que me agrada bastante quando estou a ler.   

Outro aspeto que me apaixonou neste livro, para além daqueles já mencionados, foi a originalidade da história, a contextualização e a própria linguagem, que transforma a narrativa de modo incomparável. Contado de uma forma elaborada, mas normal, o que torna numa história com um certo grau profundo, porque, naquelas pequenas coisas, é de uma beleza muito grande e que faz pensar, mesmo que à partida não pareça. É uma história forte, bela e comovente, que consegue entrelaçar aspetos que, para mim, dão a um livro tudo o que ele precisa para ser fantástico. 

A ação é constante e as descrições são aquelas que são necessárias para imaginar os cenários envolventes. De facto, a ação tem momentos de grande tensão, que contrastam com outras mais descontraídas. A história é toda ela criada como que numa espiral de eventos, muito intricada. 

Assim, aqui está outra bela aposta da Saída de Emergência. Um livro atual, com uma história que agrada a um público vasto, com personagens que ficam no coração. Recomendo a todos os que gostam de uma história bonita e cheia de ação, com magia à mistura e muita emoção. Maravilhoso!

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

The Boy With The Porcelain Blade, de Den Patrick

Sinopse:

Lucien é um Orfano, um jovem com capacidades especiais, e está prestes a realizar o seu último teste para ingressar na sociedade de Landfall, bem como numa das suas quatro casas. Com capacidades extraordinárias para o uso da espada, Lucien quer ser um importante homem de armas, para assim defender o seu rei. Porém, quando o seu mundo muda e se vê como um proscrito, Lucien tem de fazer tudo para se salvar... a si e aos seus amigos. 



Opinião:

Um livro que me chamou a atenção pela capa e pelo título e que conseguiu prender-me até ao final, se bem que, pelo meio, existam algumas partes mais mornas. É o primeiro de uma trilogia, (Erebus Sequence) e ainda não há em Português. Gostei bastante d' O Rapaz com a Espada de Porcelana.

Passado em Landfall, uma terra com inspirações italianas e renascentistas, com um toque de Scott Lynch e Mervyn Peake (apesar de este autor ainda não ter lido), este primeiro volume centra-se na personagem de Lucien, que é um Orfano, ou seja, um membro distinto da sociedade, cuja ascendência é desconhecida e com características diferentes, em especial particularidades estranhas, sendo que, no caso de Lucien, é não ter orelhas, em conjunto com o sangue azul que todos os Orfanos partilham. 

Lucien foi criado pelos melhores professores para ser um género de par do reino e para servir o rei de Landfall, uma figura misteriosa e reclusa na sua torre, que todos temem mas não conhecem. Sempre alvo de gozo e bulling pelos outros colegas (Orfanos e não-orfanos), Lucien, um dos Orfanos com menos capacidades para lutas, cedo teve de arranjar outras armas para sobreviver numa sociedade hostil, tornando-se misterioso e bastante inteligente. Porém, quando é expulso da sociedade pelos seus superiores, vê-se na situação de tentar salvar-se a si mesmo, mas também àqueles que o tinham ajudado, e que também estavam a sofrer perseguições. 

Não querendo estar a levantar muitos spoilers, porque isso estragaria a possível leitura de muitos de vós, não há muito mais para acrescentar ao enredo. O forte do livro é mesmo o mistério à volta da ascendência dos Orfanos, da figura do rei e dos podres da sociedade de Landfall, que acabam por ser extremamente negros, dando ao livro um cariz muito misterioso e até macabro, em especial nalgumas das partes finais. 

Lucien é uma excelente personagem, muito carismática e honrada, que faz tudo pelos seus amigos e por aqueles que necessitam, mesmo que não gostem dele. Muito altruísta e de bom coração, conseguiu-me prender durante todo o livro, na expectativa de saber como é que ele iria escapar da quantidade de perigos pelos quais vai passando ao longo da história. Também há outras personagens muito interessantes, tais como: Anea, Dino, Mojordomo, entre outras, que trazem complexidade e mistério à história. 

A estrutura narrativa é dividida em duas: presente e passado, sempre pelos olhos de Lucien, se bem que não seja ele o narrador. Tal estrutura torna a leitura também mais interessante, uma vez que os acontecimentos do passado estão sempre intimamente ligados com os do presente da personagem.

Gostei muito da história em si, do mistério criado, da ação, das emoções, mas achei que tinha descrições a mais e contextualização a menos. Ou seja, o mundo criado pelo autor podia estar mais desenvolvido. Gostava mais de saber factos, curiosidades, as bases de Landfall (para além dos pequenos detalhes que vão aparecendo e que são poucos) e do seu castelo gigante, da sua sociedade, dos seus costumes. Enfim, podia ter mais identidade. Tirando isso, e em especial a parte final, o livro é excelente. 

Toda a sequência final é estrondosa, o que acaba por salvar outros aspetos menos interessantes. Sem dúvida, a parte da luta final é uma das mais vibrantes dos livros que tenho lido. 

Em suma, um livro interessante, com personagens enigmáticas e uma história rica e cheia de ação. Espero que os próximos sejam ainda melhores e que se fica a saber mais sobre este contexto! 

NOTA (0 a 10): 8  

A Roda do Tempo - A Grande Caçada, de Robert Jordan

Sinopse:

Este volume retoma a aventura vivida por Rand e companhia no livro anterior. 

O Corno de Valere tem de ser entregue e assim se trata do assunto para tal acontecer. Porém, os servos da Sombra são muitos e perigosos e o Corno acaba por ser roubado. Rand e companhia têm de o descobrir e entregar, pois, quem soprar o Corno tem o poder de trazer os Grandes Heróis já mortos, e dobrá-los à sua vontade. 




Opinião:

Já li o primeiro há alguns anos, mas foi com grande entusiasmo que voltei ao mundo da Roda do Tempo. Encontrei personagens que são únicas e a história ainda se adensou mais, mostrando mais do mundo criado pelo autor. Foi, sem dúvida, uma excelente aventura. 

Voltar a encontrar Rand foi muio bom, em especial porque vai amadurecendo bastante ao longo do livro. Tal também acontece com todas as personagens, se bem que umas não apareçam tanto como eu esperava, como Moiraine, que é uma das minhas favoritas, e Mat. No entanto, aparecem outras personagens que também trazem interesse há vasta aventura vivida neste volume. 

A nível do enrendo, achei que tudo está muito bem contextualizado, bem como tudo bem entrançado. Nada fica solto dentro do tear da roda que faz a história girar, nem um fio! A não ser aqueles que têm de ficar para juntar aos outros volumes e assim adensar ainda mais o mistério, tornando-o ainda mais rico e grandioso. Gostei da forma como o autor conduziu a narrativa, com um final apoteótico. Não há momentos "parados", nem nada disso. O ritmo é constante, bem como a quantidade de peripécias, que são bastantes. 

A história é como que dividida em várias partes, se bem que tal não tem uma divisão própria, tal como aconteceu no anterior. Gostei de todas as partes, se bem que aquelas em que Rand tem mais aventuras e onde aparece uma certa personagem misteriosa, bem como partes mágicas misteriosas e estranhas, foram aquelas que mais me agarraram, pois foi o que mais diferente houve ao londo da narrativa. Também gostei muito da parte final, repleta de emoção e ação, com tudo a acontecer ao mesmo tempo. Existem momentos de bom suspense, com descrições muito fortes e que prendem o leitor de uma forma bastante possante. 

Quanto às descrições, todas elas são essenciais e brilhantes, permitindo ao leitor ir para dentro da obra. Quando isto acontece, é sinal que o autor fez o seu trabalho maravilhosamente, a meu ver. Não são em demasia, são na quantidade certa e são um deleite. 

Em suma, uma aventura cheia de ação, emoção, honra, sacrifício e do melhor que a Fantasia tem para oferecer. Recomendo a todos! 

NOTA (0 a 10): 10