terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A Quimera de Praga, de Laini Taylor

Sinopse:

Pelos quatro cantos do mundo, marcas de mãos negras começam a aparecer nas portas, gravadas a fogo por estranhos seres alados, saídos de uma fenda no céu.

Numa loja escura e empoeirada, o abastecimento de dentes humanos de um demónio começa a ficar perigosamente reduzido. E nas ruelas labirínticas de Praga, uma jovem está prestes a embarcar numa jornada sem retorno.

O seu nome é Karou. Karou não sabe quem é, nem porque vive dividida entre o mundo humano e a sua família de demónios, mas crê que as respostas podem estar para lá de uma porta nos recantos sombrios de uma loja, ou no confronto com um completo desconhecido, de olhar abrasador e aparência divina - o anjo que queimou as entradas para o seu mundo, deixando-a só .
(in Goodreads)



Opinião:

Depois de ler várias opiniões sobre esta trilogia, tive muita curiosidade em lê-la. Pois bem, para primeiro livro está interessante, mas há muita coisa da qual não gostei propriamente. 

Em relação às personagens, tenho a referir que gostei de Karou, a personagem principal, bem como de Akiva, o anjo que se enamora por ela. Quanto a personagens secundárias, gostei de Zuzana, a amiga de Karou, se bem que me pareceu um bocadinho espalhafatosa em algumas falas e atitudes. Achei as personagens, no geral, sem profundidade e superficiais. Não posso dizer que tenha ficado "apaixonada" por nenhuma delas e esperava mais destas personagens. Também as achei um bocadinho cheias de "tiques" de adolescentes, o que era desnecessário.

Este aspeto não só está presente nas personagens, como também ao longo da narrativa e da própria escrita da autora. A história é um romance, pontuado por momentos de fantasia e magia, que são os melhores momentos, a meu ver. Tem uma premissa interessante e original e espero que seja desenvolvida nos próximos livros, mas não me agarrou totalmente. Não fiquei surpreendida com as reviravoltas, porque são, em alguns momentos, bastante óbvias. A escrita está cheia de frases suspensas e que, provavelmente, tentam chamar a atenção para determinados aspetos...e isso não me soou bem. Parece que a autora está a tratar os leitores como se não estivessem a entender o que estão a ler. Também dá um ar de "oh, que espanto! oh, que fantástico!" que é típico de adolescentes e isso fez-me lembrar um bocadinho a saga Crepúsculo, da qual não gostei.

Quanto ao que gostei mais, posso dizer que gostei da história em si. Gostei da ideia e do mundo criado pela autora, que merece ser mais explorado e não de um forma amorosa e só com foco na relação das personagens, mas também com atenção à história do mundo criado e ao seu contexto. O contexto podia ter sido melhor explorado e mais fundamentado. Espero que melhore, porque a história é interessante.

A parte de fantasia e magia é diferente do que costumo ler. Pareceu-me, no início, um bocadinho parecido com os livros da Cassandra Clare, mas não é. Gostei do desenvolvimento da história em relação a estes aspetos, daí querer ver o contexto mais explorado.

Em suma, é um bom começo para esta trilogia, apesar de não me ter arrebatado. Vou querer ler os próximos volumes, para saber mais sobre esta história. Para quem gosta de fantasia urbana, principalmente, esta é uma boa aposta: romance, ação e magia. Espero que gostem!

NOTA (0 a 10): 6

domingo, 3 de janeiro de 2016

Longe da Multidão, de Thomas Hardy

Sinopse:

Longe da Multidão é um dos romances mais conhecidos de Thomas Hardy. Narra a história de Gabriel Oak e da sua grande paixão pela bela, independente e enigmática Bathsheba Everdene, que chegou a Weatherbury como herdeira de uma vasta propriedade rural. Mas a jovem é também pretendida pelo sedutor sargento Troy e pelo respeitável agricultor de meia-idade Boldwood. Ao mesmo tempo que os destinos destes três homens dependem da escolha de Bathsheba, ela descobre as terríveis consequências do seu coração inconstante. O jogo das personagens, com as sumptuosas paisagens rurais como pano de fundo, contribuiu para fazer deste romance notável um dos grandes clássicos da literatura inglesa. (in Goodreads)



Opinião:

Há muito tempo que não lia um romance clássico tão maravilhoso. Há sempre um certo risco em ler clássicos românticos para mim, uma vez que não são os meus favoritos (Jane Austen e assim) e desde O Monte dos Vendavais (Charlotte Brontë) que não lia um romance tão belo e com uma narração tão mágica. 

A história é bastante simples. Bathsheba é uma rapariga jovem que vai viver para a quinta do seu tio como herdeira. Sozinha, apenas com os seus empregados, vê-se na difícil posição de mulher independente, com o seu próprio negócio e sem marido. Tendo em conta o seu estatuto e a sua beleza, cedo começam a aparecer pretendentes e ela começa a ter de escolher e de ponderar sobre o que é melhor para si. 

Porém, a escrita do autor é tão bela, as descrições são tão ricas e profundas e a narração é tão leve e sarcástica (em contraste com a história em si), que o que parece simples deixa de o ser e torna-se numa belíssima história de amor, que é mais do que isso: é uma ode ao amor, à liberdade e à perseverança, bem como à beleza rural e do que é mais puro. 

Existem momentos da história em que as descrições são tão pormenorizadas (sem serem maçadoras ou em demasia) e as palavras usadas tão especificas e bem escolhidas que é como se eu estivesse presente nos momentos. Ora, isto é tudo o que um leitor pode querer, em termos de descrições.

Em relação às personagens, gostei bastante de Bathsheba porque é uma personagem feminina bastante forte, independente e nada lamechas, antes pelo contrário; é trabalhadora e um pouco fria, por vezes. Também gostei dos três pretendentes, se bem que tenha gostado mais da personalidade de Oak do que da dos outros dois (Boldwood e Troy), sendo que Troy mostrou-se um belo patife em determinados momentos. Em relação às outras personagens, gostei bastante dos empregados da quinta e das suas conversas e deambulações, que são parte muito importante da história, uma vez que servem de apoio às personagens principais e à própria estrutura narrativa. 

Não estava à espera de gostar tanto deste livro e foi uma excelente surpresa. Romance, humor, alguns toques de gótico e de mistério, com algum suspense à mistura, este clássico é um dos melhores que li até hoje. Espero ver o filme para poder comparar, mas duvido que faça jus ao livro, que é de uma beleza maravilhosa. Sendo assim, recomendo totalmente. A escrita é fluida, bastante sarcástica, não há momentos parados e a ação é constante. Uma maravilha da literatura! 

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

The Fiend and the Forge, de Henry H. Neff

Depois de ter lido os dois primeiros livros desta saga (A Tapeçaria, em Português) há já alguns anos, esperei que a Presença traduzisse o terceiro. Mas a espera estava a ser demasiado longa e cerca de três anos depois decidi lê-lo em Inglês. Ainda bem, porque é excelente.


Sinopse:

Max McDaniels, depois dos acontecimentos passados durante o Cerco de Rowan, vê-se a braços com uma realidade diferente. Os feiticeiros perderam a sua batalha contra os demónios e estes conquistaram a Terra, alterando-a e impondo as suas regras. Prusias, um dos demónios, chega a Rowan e funda uma sede para controlar a escola e põe todos sob as suas ordens. Mas, quando Max, depois de tentar fazer tudo para não perturbar o equilíbrio entre esses seres e os humanos (quebrar as regras seria a destruição para Rowan), descobre que o seu pai afetivo foi morto por Vyndra (outro demónio), jura vingar-se e parte para Blys, a terra de Prusias. 

Opinião:

Dos três primeiros livros desta saga, este é aquele que apresenta um enredo mais adulto, mais detalhado, mais trabalhado e mais escuro. Deixamos de ter alunos numa escola de feitiçaria, deixamos de ter conversas normais entre adolescentes e deixamos de ter aspetos superficiais e não muito relevantes. Max torna-se naquilo que não tinha sido, pelo menos para mim, nos outros livros: o protagonista da história. Mais crescido, mais maduro e mais terrível, Max faz jus a toda a sua fama que conquistou ao longo da história. Agora sim, parece realmente ser aquilo que dizem que ele é, filho de Lugh, um dos deuses da mitologia celta.

Em relação às personagens, o que referi sobre Max tenho a referir sobre todas as outras. Fiquei um bocadinho desapontada pelo facto de o David não aparecer tanto como nos livros anteriores, mas sempre que apareceu, esteve sempre no seu melhor...e também se percebe muito bem porque é que ele não está tão presente ao longo da história, uma vez que o que anda a fazer é segredo. Existem novas personagens, muito bem desenvolvidas e muito bem encontradas. E aparecem personagens que vão fazer grande diferença nos próximos livros, o que é ainda melhor.

Quanto ao enredo, este acompanha o crescimento das personagens. O autor não teve o mínimo problema em "chocar" os seus leitores, tendo em conta o público mais juvenil da saga. Existem momentos de grande emoção e de grandes descrições que, à primeira vista, não seriam para este género de livro e idade. Ainda bem que Neff optou por não ir por um caminho suave e cor de rosa, porque isso ia fazer com que as aventuras de Max e David não tivessem o mesmo interesse. Gostei do tom mais sério e mais adulto deste livro, em comparação com os anteriores, porque o desenvolvimento do enredo neste é muito mais denso e complexo. Existe uma maior complexidade e uma maior contextualização do próprio mundo em si, o que é muito interessante.

Também tenho de referir as maravilhosas ilustrações do autor, que acompanham o leitor ao longo da obra e dão sempre um ar de mistério e beleza. Gosto sempre de encontrar ilustrações nos livros e sou da opinião que deviam haver mais, em todos os géneros e para todas as idades. Quando pego num dos livros de Neff, a primeira coisa que faço é ver as ilustrações...tanto para as apreciar como para tentar desvendar algo. É uma atividade que gosto muito e que penso que muitos dos leitores que gostam de ilustrações também o sentem.

Portanto, é uma pena que a Presença não continue a apostar nesta saga. Editou os dois primeiros e ficou por aí...talvez lá mais para a frente volte a editar, mas já o devia ter feito, porque esta é uma história de enorme qualidade, que apenas não foi bastante divulgada. Penso que em vez de estarem sempre a compará-la a Harry Potter, as pessoas deveriam divulgá-la e dar-lhe o devido valor. Pode ter parecenças com os livros do Harry, mas tem muito de diferente. Aliás, é muito diferente e ambas as sagas são excelentes. Vou continuar a querer acompanhar as aventuras destas personagens! Espero que voltem a ser editadas em português.

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Revolução da Mulher das Pevides, de Isabel Ricardo

Decidi apostar neste livro para a leitura conjunta no Cantinho do Fiacha, leitura essa que está a ser fantástica, e acho que fiz bem em fazê-lo, porque foi uma experiência muito boa! Não vou escrever spoilers sobre a história, uma vez que a leitura ainda está a decorrer, se bem que na fase final, mas serve este texto para clarificar a minha opinião em relação a esta obra. 

 

Sinopse:

Os exércitos de Napoleão ocupavam Portugal. Uma mulher, armada apenas da sua beleza e argúcia, vai despoletar a revolução para os expulsar.


Perante os canhões e as balas dos exércitos franceses, Ana Luzindra só tinha uma arma: a sua beleza. Mas a beleza também pode ser mortal.

A Revolução da Mulher das Pevides transporta-nos para os anos de terror das invasões francesas. A morte e a crueldade marchavam lado a lado com os exércitos veteranos de Napoleão. E enquanto a Família Real fugia para o Brasil, o povo ficava para suportar todo o tipo de humilhações.


Na vila da Nazaré, Ana Luzindra é parteira de profissão e uma mulher simples. Para fazer frente aos canhões e balas dos franceses só tem uma arma: a sua estonteante beleza. Atraindo-os, um a um, para a morte na calada da noite, a jovem inspira toda uma comunidade e pegar em pedras e paus para expulsar os invasores.

A Revolução da Mulher das Pevides, expressão da Nazaré que significa “algo insignificante”, foi tudo menos isso: pelo sobressalto que pregou aos franceses, e pela posterior vingança desproporcionada que estes praticaram sobre a Nazaré, acabou por ser um dos momentos mais importantes da invasão, e inspiraria o longo e árduo caminho dos portugueses e aliados até à derradeira vitória sobre as tropas do temível Napoleão.


Recorrendo a uma pesquisa exaustiva, Isabel Ricardo oferece-nos um bilhete para um dos períodos mais importantes da História de Portugal.
(in Edições Saída de Emergência)

Opinião:

Este é o segundo livro que leio da autora (o primeiro foi O Último Conjurado, também para leitura conjunta) e devo dizer que gostei de ambos. Tendo em conta o contexto histórico, acabei por gostar mais do O Último Conjurado, uma vez que gosto mais dessa época, mas em relação à narrativa em si, gostei muito dos dois! 

A autora fez um excelente trabalho com este tema. Pegou num título que é bastante curioso e criou uma história completamente envolvente e real, uma vez que é verídica em praticamente todos os momentos. O contexto histórico (início das Invasões Francesas em Portugal) está maravilhosamente trabalhado, o que faz com que se aprenda, de facto, algo sobre a nossa História, algo que não se aprende na escola. Mas este não é um livro maçudo ou cheio de descrições, antes pelo contrário. Isabel Ricardo baseou-se na história dos seus antepassados, pesquisou bastante, deu vida a personagens reais e cheias de personalidade, e escreveu uma história cheia de ação, mistério, romance, humor e momentos de grande tensão, tudo de acordo com um perfeito tratamento do contexto histórico. Os meus parabéns à autora por ter feito um excelente trabalho, por ter escrito esta maravilhosa narrativa e por nos dar a conhecer esta história. 

Em relação às personagens, encontrei em todas um carácter diferenciador entre si, o que é sempre bom. Gostei bastante de Junot, não dele, mas da forma como a autora o retratou, porque acho que a ela conseguiu caracterizá-lo muito bem, pois era assim que o imaginava quando estava nas aulas de História a aprender sobre esta época. Gostei muito de todas as personagens do núcleo do Sítio da Nazaré, que também foi o local que mais curiosidade me despertou em relação aos diversos espaços presentes ao longo da narrativa. Também gostei muito de Rodrigo e do seu amigo Diego, que proporcionaram uns belos momentos de humor e também de emoção. 

Outro aspeto que muito me agradou foi o facto de a autora ter escrito as falas das personagens da Nazaré de acordo com a fonética/sotaque das personagens. Encontrei nisso bastante sentido e gostei muito, porque deu mais carisma à história e também uma certa força, que muito me agradou. 

Voltando ao contexto histórico, gostava de refletir sobre a aprendizagem que fiz em relação a este tema ao longo da leitura da obra. Uma vez que não me é desconhecida esta parte da nossa História (e não é das que mais me fascina), foi com bastante curiosidade que me vi a mudar de opinião em relação a algumas ideias que tinha antes de de a ler. Ou seja, até à data da leitura do livro, sempre tinha achado que a fuga da família real tinha sido um ato cobarde e de abandono do povo às mãos dos invasores. No entanto, depois de ler o livro, fiquei com outra ideia, que é a que a autora aborda: a saída da família real acabou por ser uma forma de salvaguardo o reino e a si mesma enquanto independente, uma vez que, se D. João tivesse seguido as ordens de Napoleão, tinha ficado sem o seu reino, uma vez que a capital (Lisboa) tinha ficado para Napoleão. Assim, como a capital mudou para o local da família real, Napoleão não ganhou o que mais queria. Gostei de refletir sobre este aspeto enquanto lia o livro. 

Aqui está mais uma prova de que o Romance Histórico é dos géneros literários mais ricos, mais densos e mais sábios da literatura, porque servem diversos propósitos, como o prazer de ler e o prazer de aprender. 

Em suma, mais uma excelente aposta da Saída de Emergência, que fez um excelente trabalho gráfico com o livro, mais uma vez. Muito bom! Os meus parabéns à autora por ter partilhado esta histórica com os leitores e pelo excelente trabalho que fez. Espero que a história continue, porque tem tudo para isso! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 15 de novembro de 2015

Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard

A curiosidade era grande para a leitura deste livro, que assim que começou a ser publicado gerou logo uma onda de fãs e de excelentes criticas pela Internet fora. Ora, não podia deixar de o ler e tenho a dizer que foi uma leitura excelente!



Sinopse:

A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena?

O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.
 
Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente. (in Edições Saída de Emergência)

Opinião:
Aqui está um livro que me encheu as medidas. Há algum tempo que não lia nenhuma obra do género que me agradasse tanto. Ao início comecei a ficar um bocado desconfiada porque me parecia um bocadinho com os Jogos da Fome. Não que tenha algum problema com a trilogia! Gosto bastante. Mas fiquei com receio que fosse parecido, na medida que Mare fosse uma espécie de Katniss dos Vermelhos. Não deixa de ser um símbolo de revolta, mas de uma forma bastante diferente e mais complexa. Então a partir do momento em que ela foi para o palácio, fiquei encantada com a intriga e com a premissa de uma história forte, repleta de emoções fortes e de personagens complexas. 

Quanto às personagens, gostei de Mare, a personagem principal, apesar de não ter ficado encantada. É mais uma personagem feminina do género, um género de Katniss. Gostei imenso (a minha personagem favorita, de longe) de Maven (e sim, estava mesmo à espera!). Não posso dizer que tenha ficado de queixo caído por Cal, nem por várias outras personagens, mas o que gostei de Maven dá para as outras personagens. Confesso que não pude deixar de comparar este dois, Maven e Cal, a Loki e Thor, respetivamente, o que me agradou.

Achei bastante interessante este mundo criado pela autora. Num cenário pós-apocalíptico, Prateados (um género de deuses com super poderes relacionados com a manipulação dos diferentes materiais e elementos existentes (água, ar, fogo, metal, pensamento...)) governam o mundo, enquanto os Vermelhos trabalham e defendem os Prateados nas suas guerras infindáveis entre reinos. Os Prateados têm sangue prateado e os Vermelhos têm sangue vermelho.

Gostei da intriga e de seguir os passos da autora. Gosto de ser surpreendida ao longo da leitura em relação às ações e motivos das personagens e, apesar de ter desconfiado do enredo logo de início, ainda duvidei a dado momento de algumas personagens. Não quero entrar em detalhes para não contar nada de relevante, mas desta vez gostei de ter antecipado os motivos por trás de tudo aquilo que acontece quando Mare vai para a corte.

Em relação às descrições, achei-as relevantes, apesar de poucas. Não há muita explicação do contexto da história, a meu ver, e isso é uma falha a apontar. Talvez o facto da narrativa estar na primeira pessoa (Mare é a narradora) e dela se focar mais nos seus pensamentos e ações do que no que a rodeia seja a explicação para esse aspeto, mas já li outros livros com narradores presentes e o mundo é perfeitamente contextualizado.

Também não posso deixar de mencionar as semelhanças deste mundo criado pela autora com vários outros mundos: X-Men (cada vez que aparecia um megratron, Prateado que manipula metal, não pude deixar de imaginar Magneto), Luz e Sombra (de Leigh Bardugo, em relação a Mare), entre outros. Isso não fez com que gostasse menos do livro, antes pelo contrário. Tal serviu para que a história fosse uma espécie de conjunto de várias histórias interessantes e boas que por aí andam. Se isto é o ideal e o mais original que há em termos de escrita, não posso dizer que é a originalidade total, mas serve muito bem. Dentro do género (Fantasia Distopia, por aí) está excelente, provavelmente um dos melhores do género que li até agora.

Em suma, uma excelente leitura! Vou querer acompanhar estas aventuras, porque fiquei fã de Maven e fiquei muito curiosa para saber o que acontece depois daquele maravilhoso final. Um bom final, cheio de ação e emoção. Recomendo sem reservas.

NOTA (0 a 10): 9

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A Criança nº 44, de Tom Rob Smith

Fiquei bastante curiosa com este thriller depois de ter visto o trailer do filme, por causa de ser passado na Rússia pós Segunda Guerra. Não sabia o enredo e não tinha nem expectativas altas nem baixas, o que por vezes é bom pois não há muita margem para a desilusão. E, no final, tenho a dizer que foi uma leitura diferente. 



Sinopse:

A União Soviética de Estaline é um paraíso, onde os cidadãos vivem livres do crime e apenas temem uma coisa: o todo-poderoso Estado. Defendendo este sistema, o oficial de segurança Leo Demidov é um herói de guerra que acredita no punho de ferro da Lei.

Mas quando um assassino começa a matar indiscriminadamente e Leo se atreve a investigar, este obediente servidor do Estado dá por si despromovido e exilado. Agora, apenas com a sua mulher ao seu lado, Leo tem de se debater para descobrir verdades chocantes a respeito de um assassino - e de um país onde o crime supostamente não existe.

A Criança Nº 44 é o livro que inspirou o filme. Revela a verdade. Descobre o assassino.
(in Goodreads)

Opinião: 

Achei este livro bastante diferente daqueles que estou acostumada a ler. Por vezes é bom ler outros géneros literários, para diversificar a leitura, o que foi o caso. Gostei da história, em especial da parte critica à sociedade russa da época e a toda a máquina de Segurança do Estado, apesar de ter achado o enredo um bocado "pesado" em alguns momentos, devido aos crimes que vão acontecendo. De facto, estava à espera de uma história que não fosse tão densa em relação a esse ponto. As descrições são bastante fortes e horríveis e isso fez com que muitas vezes tivesse vontade de virar a cara em quanto estava a ler. 

O enredo é denso, forte, bem elaborado, não há pontas soltas, existem momentos de grande ação e tensão também. No entanto, a meio da história existe um caminho que começa logo a ser traçado e, a meu ver, neste género isso é bom que aconteça o mais tarde possível, para criar suspense. Confesso que não foi surpresa nenhuma o que aconteceu a partir de um dado momento da história. Por tanto, o ponto mais forte desta história é a grande crítica à sociedade da União Soviética após Segunda Guerra. O clima de medo, de opressão, de denúncia...tudo está extremamente bem explorado e descrito. É como se o leitor estivesse presente naquele contexto real, o que é fascinante. O autor esmerou-se para tal e conseguiu-o, de facto. 

O contexto histórico está perfeito. Sente-se em todos os momentos a extrema opressão da sociedade, o medo total de tudo e de todos.  É um bom estudo sobre aquele regime. Também as descrições estão fortes, como referi acima. Tanto as descrições de locais e ambientes, como as das ações das personagens.

Em relação às personagens, posso dizer que gostei bastante de Leo e de Raisa, principalmente de Leo. Ele é bastante complexo, herói de guerra e servidor do Estado enquanto membro da Segurança do Estado. Tem vários dilemas ao longo da história e tem bastante personalidade. Raisa também é interessa (a esposa de Leo), mas não tanto quanto ele. Em relação às outras personagens, são bastante complexas, todas elas. Odiei o Vasili, o que seria de esperar por causa do seu comportamento perante o colega e superior (Leo).

Foi uma boa leitura, não posso dizer que agradável, porque os crimes nada têm de agradável...são até bastante repugnantes. Tirando isso, 

Espero ver o filme, para poder fazer um paralelismo entre ambas as obras. 

Resumindo, uma excelente aposta da Marcador, à qual agradeço imenso a oportunidade de ter lido o livro. Este é o primeiro livro do autor com Leo Demidov como personagem principal e eu gostava muito de poder ler os próximos. Era bom que a Marcador continuasse a editar este autor por cá! 

NOTA (0 a 10): 8

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Herói das Eras - Parte I, de Brandon Sanderson

Após a leitura dos anteriores volumes não podia deixar de ler a continuação. Tendo em conta o desenvolvimento a nível da narrativa e das personagens que aconteceu no segundo volume (muito melhor do que no primeiro, a meu ver), foi com grande expectativa que comecei a leitura da primeira parte do terceiro livro da trilogia. 



Sinopse:

Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.

O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva  foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?
( in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Uma vez que o livro foi dividido em dois é sempre um bocadinho difícil fazer uma opinião sobre a obra, no entanto existem aspetos que são fáceis de apresentar. 

A nível do enredo, este volume apresenta a mesma consistência dos anteriores, tomando mais a linha do segundo, o que é normal, tendo em conta os acontecimentos passados nesse livro. Vin e Elend, agora também Alomante, continuam fantásticos. E, apesar de não aparecerem tanto como seria de esperar, são sempre uma dupla maravilhosa. Já gostava de Elend antes, agora que é Alomante ainda gosto mais, porque tornou-se muito mais perspicaz e complexo. Também as questões políticas ajudaram a que ele tivesse mudado o seu comportamento e as suas atitudes, alterando substancialmente a sua forma de ser e de tratar os outros. Mesmo que essa alteração o tenha modificado por vezes para pior pessoa, acaba por ser uma alteração bastante real tendo em conta o contexto das personagens. Em relação a Vin, continuo a gostar dela e continuo a gostar cada vez mais, tendo em conta que está em completo desenvolvimento ao longo da narrativa. Como referi anteriormente nas opiniões relativas a esta história, Vin não foi uma das personagens que mais me disseram nesta história. Comecei por gostar mais de Kelsier do que de Vin, por exemplo. Achava-a um bocado "chata" e insonsa, bastante indecisa. Portanto foi com grande alegria que pude acompanhar o desenvolvimento dela, que muito me agradou. 

Depois, existem várias outras personagens que aparecem ao longo da história, nossas conhecidas dos outros livros, principalmente, e novas personagens, que muito me agradaram. Gostei muito do arco narrativo do Susto, tendo sido dos momentos que mais me agradaram ao longo da leitura. E depois há aquela personagem que aparece na parte final! Excelente entrada em cena e melhor parte para cortar o livro em dois, muito bem! E também o aparecimento de uma outra...ou será reaparecimento? Não quero estar a contar nada de relevante!

Depois, também gostei do contexto da história em si. Depois de Vin ter feito o que fez no Poço da Ascensão, só podia ter acontecido algo do género. Ruína está livre e a cinza mais presente do que nunca, bem como as brumas. Todas as teorias e ideias em relação a estes aspetos estão bastante bem desenvolvidos neste livro e são muito mais explorados, o que faz com que seja possível conhecer mais detalhes deste mundo que Sanderson criou, o que é sempre agradável. Todos os momentos em que existem explicações históricas ou de certos fenómenos foram para mim momentos de extremo interesse, porque o mundo que Sanderson criou aqui é fascinante e merece bastante relevo. 

A história apresenta todos os ingredientes que já nos tinha habituado anteriormente: ação, suspense, intriga, alomância, mistério e batalhas, principalmente. Os diálogos são fortes e bem desenvolvidos, o que é sempre bom. Nada é referido à toa e tudo faz sentido, o que é outro fator de relevo em relação à qualidade da história. Aliás, a qualidade é altíssima. Um mundo criado de raiz, bastante diferente de todos os outros que por aí existem (que eu saiba, pelo menos), com personagens que são bastante complexas, e com questões bastante densas, só tem de ser apresentado ao mundo e referenciado para mais pessoas o conhecerem. Sanderson fez um excelente trabalho. 

Agora é esperar pela segunda parte deste volume, que tem tudo para ser fenomenal! Espero que a Saída de Emergência continue a apostar no autor e que os leitores também o façam. Não receiem as divisões ou o tamanho dos dois primeiros livros. Não receiem nada. Leiam e desfrutem desta maravilha fantástica que por cá foi publicada e que merece o nosso apoio e a nossa leitura. Divulguem junto dos vossos amigos, porque há mais livros passados neste contexto e que podiam ser editados por cá. 

Em suma, mais um excelente livro! E continua com um design de capa e de interior bastante belo, o que também é muito bom. 

NOTA (0 a 10): 9