sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"A Conquistadora", de Teresa Medeiros


"A Conquistadora" é um livro que queria ler há alguns anos, no entanto ainda não tinha tido a oportunidade de o ler. Essa oportunidade surgiu pelo Natal, quando adquiri o livro e no início deste mês comecei a lê-lo.

Devido à sua pontuação no Goodreads, senti alguma apreensão uma vez que me perguntei: "porque é que será que tem esta pontuação?". Como gosto de ter uma opinião própria o melhor que pude fazer para responder a essa questão foi ler o livro.

E o que pude concluir para responder? Pois bem, concluí que só pode ser pelo gosto dos leitores, uma vez que o livro está muito bom. Pelo menos, eu gostei muito.

A autora conta a história de Conn, o Ard-Reigh de Tara (rei supremo de Tara, Irlanda) que conseguiu unificar todos os reinos da ilha, e de Gelina Ò Monaghan, filha de uma família cujo pai traiu Conn, acabando por ser morto pelos homens do rei, levando à morte da esposa e à fuga dos filhos (Gelina e Rodney). A história que se cria entre Conn e Gelina não é um conto de fadas, sendo muitas vezes brutal. Vários são os momentos tensos entre ambos que muitas vezes terminam em violência e brutalidade. No entanto, o amor que os une é demasiado forte para ser vencido pelo ódio e pela dúvida que por vezes aparece para o aniquilar.

A história começa com a suspeita de um monstro que mata os homens do Fianna (os guerreiros de Conn, que seguem as regras da cavalaria e da lealdade). De modo a por fim a esse monstro, o próprio Fianna vai ao seu encontro para o derrotar. Quando descobre que o monstro não passa de um par de duas pessoas, vê-se confrontado com a realidade. Descobre Gelina, enquanto que o seu par foge apesar de ferido gravemente. Tendo acreditado que o seu irmão tinha sido morto, Gelina (de mais ou menos 16 anos) vê-se sozinha, apenas com Conn por companheiro e às suas mãos. É levada para a corte, onde é tratada como filha adotiva de Conn, uma vez que este omite a verdadeira identidade dela, afirmando que esta se encontrava prisioneira na gruta onde habitava o monstro.

À medida que o tempo decorre, Gelina começa a afeiçoar-se a Conn e a outros membros da corte, nomeadamente o anão Nimbus, que é bobo da corte e amigo de Conn; Mer-Nod, poeta e conselheiro do rei; e Sean, um membro jovem do Fianna que trava amizade com Gelina. Tendo por principais rivais a amante do rei e as suas companheiras, Gelina começa a tentar imitar as senhoras da corte, para se tornar mais feminina e delicada e para não ser alvo de riso mas de ciúme. O seu afeto por Conn também aumenta, começando a gostar dele por amor.

No entanto, Rodney não morreu no ataque na gruta e jura reaver a irmã. Para isso junta-se ao eterno rival de Conn, Eoghan Mogh, que o tenta por várias vezes tirar do trono de Tara. As questões políticas e de intriga também fazem deste enredo algo muito rico e interessante, uma vez que são complexas e estruturadas, de lógica compreensão.

A vingança jurada por Rodney e Gelina de matar os membros do Fianna e o próprio Conn vê-se assim comprometida. Mas nada fará com que Rodney desista da vingança e Gelina começa a sentir-se dividida e repleta de dúvidas. O amor que une Gelina e Conn sofre vários abalos e muitas vezes é revirado e tornado a virar.

Muitas são as peripécias que acontecem ao longo da narrativa e que enchem as páginas de reviravoltas. Gostei muito das situações apresentadas e de como se resolveram. Não existe nada desconexo e sem sentido, pois tudo se encaixa muito bem. Como refiro várias vezes, este é um aspeto que acho essencial nos livros, principalmente quanto têm um teor mais complexo e mais "inteligente". Não basta escrever um romance. Tem de haver um conteúdo rico e bem estruturado e este livro apresenta, a meu ver, esse conteúdo rico e estruturado.

Conn existiu de verdade, tendo vivido entre 116 a 136 (segundo Geoffrey Keating) ou entre 122 a 157 (segundo Annals of the Four Masters). O que aparece no site Wikipédia não aborda Gelina, no entanto, dado o final do livro, tal não comprova que ela não tenha existido na sua vida.

A parte histórica também está bem desenvolvida, bem como as descrições as paisagens, roupas, objetos e edifícios. Estes aspetos ajudam a imaginar a vida naquele tempo e isso é bastante agradável. As personagens estão todas caracterizadas muito bem, tanto física como psicologicamente. Gostei muito de Gelina, de Conn e de Sean. A escrita é bastante fluída e rica, tornando-se fácil imaginar o que está a ser descrito.

Em suma, esta é uma história para reter na memória.

Podem consultar mais informações aqui.

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz 2014

Desejo a todos vós um Ano Novo muito bom, cheio de tudo de bom. Que tenham boas leituras, também!!!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Top Mais

Depois de ter partilhado o Top Menos aqui está o Top Mais. Este não se resumo a três livros, mas sim a dez! Sim! É mais difícil escolher os que mais gosto. No entanto há diferenças entre os que mais gosto, daí o Top.
Se clicarem na imagem da capa podem ler as minhas opiniões!

1º 
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/01/os-dragoes-do-assassino-robin-hobb.html

2º 
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/11/princesa-mecanica-de-cassandra-clare.html

http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/06/red-seas-under-red-skies-de-scott-lynch.html

http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/08/em-nome-da-memoria-de-ann-brashares.html


http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/02/o-mapa-do-tempo-de-felix-j-palma.html

 6º
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/03/sinopse-finn-conseguiu-fugir-de.html

 7º
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/09/marina-de-carlos-ruiz-zafon.html

http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/07/os-tres-mosqueteiros-de-alexandre-dumas.html

 9º
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/01/cloud-atlas-atlas-das-nuvens-de-david.html

 10º
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/10/taliesin-o-ciclo-pendragon-de-stephen.html

Top Menos

Antes de partilhar o meu Top Mais, vou começar pelo Top Menos. Este ano não houve assim grandes desilusões literárias. Isto deve-se ao facto de eu escolher bastante aquilo que quero ler. À partida não arrisco muito nas leituras, porém há sempre algumas que não correspondem àquilo que eu esperava. É dessas que vou aqui abordar.

Este Top consiste numa escala de 1 a 3 (1 para o pior e 3 para o "menos pior"). Ora aqui vai.


1º 
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/01/cinder-de-marissa-meyer.html


2º 
http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/06/jonathan-strange-o-sr-norrell-de.html


http://oimaginariodoslivros.blogspot.pt/2013/01/cinder-de-marissa-meyer.html

Leituras 2013

 Chegou a altura de refletir sobre as leituras deste ano. Para começar aqui estão os livros lidos este ano:



Li 43 livros. A maior parte correspondente ao género Fantástico e li alguns Romances Históricos

 O post seguinte será sobre os que menos gostei!

"Luz e Sombra" de Leigh Bardugo

Sinopse:

Só ela consegue vencer as trevas... Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada. Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra. No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha... e os segredos do seu coração. (In Goodreads)

Opinião:
Bem, aqui está um livro que me espantou. Decidi lê-lo pois li várias opiniões fantásticas sobre ele e também porque andei a ler bocadinhos na livraria. A curiosidade dá para isto!

Pois bem, quando comecei a ler senti algo parecido com um misto de frustração. Não estava a corresponder às minhas expectativas. Porém, à medida que ia lendo e que a história ia avançando comecei a ficar mais aliviada e pensei "ah, agora sim, está parecido com aquilo que tinha pensado!". No final fiquei bastante satisfeita, mas não posso dar as cinco estrelas. Espero que o possa fazer no segundo livro.

As personagens são interessantes, mas sinto que não me conseguiram cativar na totalidade. Alina, Mal e o Darkling estão muito bem, são complexos e sinto que dali pode ser extraído um belo sumo. Porém não posso dizer o mesmo das personagens secundárias. Não senti nada por elas e acho que isto deve-se ao facto de não estarem muito desenvolvidas. Sei que são secundárias, mas é importante e essencial que estejam bem desenvolvidas. Também acho que isto pode dever-se ao facto de ser o primeiro livro, podendo no segundo haver um maior desenvolvimento das personagens, mesmo a nível das suas atitudes (é mais a ente nível que me estou a referir e não a um mais característico).

Outro aspeto que senti que poderia ter sido melhor prende-se com a falta de detalhe no dia a dia de Alina, em especial nos palácios. Há um espaço de cinco meses em que muito mais poderia ter sido abordado. Os Grisha tem que aulas? O que fazem no seu dia a dia? O que aprendem? Alina só tinha aulas com Baghra e Botkin? Podia estar mais desenvolvido. O livro podia ser maior e ter mais detalhes. Falta um contexto mais coerente e mais detalhado para criar um mundo novo.

Penso que a autora dedicou mais tempo a descrever penteados e aspetos de beleza do que o que realmente interessa. Se houvesse mais conteúdo histórico do contexto, mais detalhes do quotidiano e mais sumo, ok, não fazia problema nenhum esses aspetos, mas sem uma forte base, tal fica um bocado supérfluo, pois em quase nada é relevante para o enredo em si.

Mais História deste mundo era essencial. Claro que nem todos os livros de Fantasia são como o Harry Potter, Senhor dos Anéis, Nome do Vento, Saga do Assassino, Locke Lamora ou as Crónicas de Gelo e Fogo, mas essas são as minhas referências e depois quando leio livros deste género em que falta algum conteúdo mais aprofundado... sinto-lhe a falta e é impossível não fazer comparações.

A autora podia ter se esforçado mais.

No entanto, gostei muito do desenrolar dos acontecimentos. A parte final é muito boa. Há bastante ação e momentos de gelar o sangue. O ritmo da leitura chega a ser frenético nesses momentos e isso é bastante agradável. A relação entre Alina e o Darkling é dos aspetos mais interessantes, bem como Alina e Mal. Aliás estas três personagens estão muito bem. Para mim, a maior força motriz do enredo é o Darkling. Espero que mais seja revelado sobre ele e os seus desejos, bem como sobre o seu passado. O Darkling é, sem dúvida, a personagem com mais personalidade!

Gostei muito da parte da viagem de Alina e Mal, bem como do final do livro. Promete bastante para o segundo, onde espero encontrar bastantes melhorias.

Em suma, é um livro bom, que podia ser melhor. Vou acompanhar a trilogia, pois promete algo de muito bom! Estou à espera de grandes acontecimentos de cortar o fôlego! Sim, este é o grande trunfo da autora. Espero que saia em breve o segundo (em Português) para continuar a acompanhar esta jornada.



Se calhar vou até lá fora e deixo que o vento a leve. Este vento é suficientemente forte para te alcançar, para viajar para sul através de Tsibeya, para escalar Petrozoi e ziguezaguear pelas ruas de Os Alta. Este vento não será parado por portões ou guardas. Há de subir a tua torre e abanar a janela do teu quarto, ou de se esgueirar por uma passagem oculta e passar por entre as grades da tua cela.
Vai  levantar-te o cabelo e roçar-te na face, e se calhar tu vais levantar a cabeça e ouvir-me. (p.312)

NOTA (0 a 10): 8 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013